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quinta-feira, 14 de junho de 2018

Contra a perfeição: Ética na Era da Engenharia Genética




SANDEL, Michael J. Contra a perfeição: Ética na Era da Engenharia Genética. 1. ed. - Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2013.

Michael Sandel, Ph.D em Filosofia Política na Universidade de Oxford, em mais um livro extraordinário, explica o porquê de ser “contra a perfeição” - ser contra o aperfeiçoamento genético, alegando que isso seria uma nova forma de eugenia. Alguns pontos de sua defesa podem ser discutidos e questionados, mas no geral suas argumentações são bastante plausíveis. As consequências de uma sociedade modificada geneticamente não parecem ser muito boas.

Sandel posiciona-se a favor das pesquisas com células tronco embrionárias, o que logicamente matará essas vidas humanas. Ele não acredita que o embrião (blastócito) tenha os mesmos direitos, o mesmo status, que nós, seres humanos nascidos, temos. Neste ponto, também estou com ele.  

Vamos ao livro.

Há muito tempo, os pais já tinham a preocupação na escolha do sexo de seus descendentes.

“Há séculos os pais tentam escolher o sexo dos filhos. Aristóteles aconselhava que os homens que desejavam um menino amarrassem o testículo esquerdo antes da relação sexual. O Talmude ensina que os homens que se contêm e permitem que as mulheres cheguem primeiramente ao orgasmo serão abençoados com um garoto. Outros métodos recomendados envolviam combinar o momento da relação sexual com a época da concepção ou as fases da lua.” P. 20.

Geralmente a escolha de meninos tem precedência, acarretando em vários abortos, na Índia.

“[...] em sociedades nas quais existe uma preferência cultural profunda por meninos, o aborto de meninas depois da determinação do sexo por meio dos exames de ultrassom tornou-se uma prática comum. Na Índia, o número de meninas a cada mil meninos caiu de 962 para 927 nas últimas duas décadas. A Índia proibiu o uso de exames de ultrassom para verificação do sexo de bebês, mas a lei raramente é cumprida. Radiologistas itinerantes com máquinas de ultrassom portáteis vão de cidadezinha em cidadezinha apregoando seus serviços. Uma clínica de Mumbai reportou que, de 8 mil abortos feitos ali, apenas um não o foi por motivos relacionados à escolha do sexo.” P. 21.

O aumento de drogas farmacêuticas ingeridas por crianças tiveram um aumento absurdo, devido as novas obrigações destinadas aos pequenos.

“Há quem atribua o enorme aumento nos diagnósticos de transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) às novas demandas impostas às crianças. O dr. Lawrence Diller, pediatra e autor de Running on Ritalin (À base de ritalina), estima que de 5% a 6% das crianças americanas com menos de 18 anos (entre 4 e 5 milhões de jovens) são atualmente medicadas com ritalina e outros estimulantes para tratar o TDAH. (Os estimulantes combatem a hiperatividade, facilitando que as crianças mantenham o foco e a atenção e impedindo que elas se desviem de uma coisa para outra.) Ao longo dos últimos 15 anos, a produção legal de ritalina aumentou 1.700%, e a produção da anfetamina Adderall, também usada para tratar o TDAH, aumentou 3.000%. Para as empresas farmacêuticas, o mercado americano da ritalina e de outros medicamentos relacionados é uma mina de ouro: rende US$ 1 bilhão por ano.” P. 45.

Sandel mostra a incoerência daqueles que não se posicionam contra a FIV, mas são contra as pesquisas com células embrionárias.

“Se é imoral produzir e sacrificar embriões com o intuito de curar ou tratar doenças terríveis, por que não seria igualmente censurável produzir e descartar embriões excedentes em tratamentos de infertilidade? Ou, olhando o argumento de trás para a frente: se produzir e sacrificar embriões vindos de FIV [Fertilização in Vitro] é moralmente aceitável, por que produzir e sacrificar embriões para pesquisas com células-tronco não o seria? Afinal, as duas práticas servem a fins valorosos, e curar doenças como o mal de Parkinson e o diabetes é no mínimo tão importante quanto tratar a infertilidade.” P. 73.

Os embriões congelados aos milhares, deveriam ser usados para pesquisas médicas, visto que qualquer jeito serão descartados.

“[...] o fato é que a FIV, como é praticada nos Estados Unidos, produz dezenas de milhares de embriões excedentes destinados à destruição. (Um estudo recente revelou que cerca de 400 mil embriões congelados estão definhando em clínicas de fertilidade americanas, contra 52 mil no Reino Unido e 71 mil na Austrália.) É verdade que, uma vez que esses embriões condenados existem, ‘não haveria nada a perder’ se fossem utilizados em pesquisas.” P. 74.

Sandel argumenta que o embrião não é pessoa humana.

“A dificuldade de especificar o início exato da pessoalidade no curso do desenvolvimento humano não significa, entretanto, que os blastocistos sejam pessoas. Considere a seguinte analogia: suponha que alguém lhe pergunte quantos grãos de trigo constituem uma pilha. Um único não constitui, nem dois, nem três. O fato de não haver nenhum ponto não arbitrário que estabeleça quando a adição de mais um grão fará um punhado virar uma pilha não significa que inexista diferença entre um grão e uma pilha. Nem nos dá, tampouco, motivos para concluir que um grão deve ser uma pilha.

Esse enigma de especificar pontos em um continuum, conhecido pelos filósofos como ‘paradoxo sorites’, remonta aos antigos gregos. (‘Sorites’ vem de soros, a palavra grega para ‘pilha’, ou ‘monte’.) Os sofistas usavam argumentos do tipo sorites para tentar convencer seus ouvintes de que duas qualidades distintas ligadas por um continuum eram na verdade a mesma, ainda que a intuição e o senso comum sugerissem o contrário. A calvície é um exemplo clássico. Todos concordariam que um homem com um único fio de cabelo na cabeça é careca. Que quantidade de fios marca a transição entre ser careca ou não? Embora não haja resposta determinada a essa pergunta, não se depreende com isso que não exista diferença entre ser careca e ter uma cabeça cheia de cabelos. O mesmo vale para a condição de pessoa. O fato de haver um desenvolvimento contínuo que transforma o blastocisto em embrião implantado, este em feto e, finalmente, em recém-nascido não determina que um bebê e um blastocisto sejam, no sentido moral, equivalentes.” P. 78.

Entre salvar uma criança ou vinte embriões, quem nós salvaríamos?

“Considere a seguinte situação hipotética (sugerida pela primeira vez, até onde sei, por George Annas): suponha que houvesse um incêndio em uma clínica de fertilidade e que você só tivesse tempo para salvar uma menina de 5 anos ou uma bandeja com vinte embriões congelados. Seria errado salvar a menina? Ainda preciso encontrar um defensor do status moral equivalente que diga que escolheria salvar a bandeja de embriões. Mas, se você realmente acreditasse que aqueles embriões são seres humanos, e todos os demais fatores fossem idênticos (isto é, se você não tivesse nenhuma relação pessoal nem com a menina nem com os embriões), sob que bases você poderia justificar salvar a menina?” P. 80.

Por mais que façam barulho, nem os “pró-vida” agem como se os embriões tivessem o mesmo valor de uma pessoa nascida.

“Porém o modo como reagimos à perda natural de embriões sugere que não consideramos esse acontecimento equivalente à morte de uma criança, nem do ponto de vista moral nem do ponto de vista religioso. Até mesmo as tradições religiosas que mais respeitam a vida humana incipiente não pregam que se façam os mesmos rituais funerários para a perda de um embrião e a morte de uma criança”. P. 81.

Qual a concepção filosófica que dá sustentação a convicção de que o embrião é uma pessoa?

“A convicção de que o embrião é uma pessoa deriva não apenas de certas doutrinas religiosas como também da alegação kantiana de que o universo moral se divide em termos binários: tudo ou é pessoa, digna de respeito, ou coisa, sujeita ao uso.” P. 82.

Não tratei da argumentação dele, contra o aperfeiçoamento genético. Para quem quer saber, basta ler o livro.

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Livros Lidos (32)


O nazismo tinha uma estreita conexão com o ocultismo. A própria suástica, símbolo do partido nazista está vinculada as religiões pagãs. Centros budistas e hinduístas já usavam o infame símbolo. Houve uma substituição de Deus, sendo colocado Hitler em seu lugar. Não foram poucos os alemães que adoraram, idolatraram e consideraram Hitler como o Soberano. Neste livro vão sendo ligados os pontos que conectam o nazismo ao misticismo da nova era.


É claro que os autores são violentamente contra o aborto. Bíblia e Ciência são chamados a apoiar o seu ponto de vista, de que o aborto não deve ser uma opção para as mães. Segundo eles é assassinato; é pecado; é atentar contra a vida de um inocente indefeso. Ponto final.


Outro livro sobre o aborto. Nenhuma argumentação fora do padrão. Tudo bem trivial e incompleto.


Pensava eu que esse livro defenderia a malandragem da cobrança dos dízimos. Contrariamente, o autor mostra-nos que essa cobrança descarada está completamente fora do ensino da Bíblia e apela para a história dos primórdios do Cristianismo para evidenciar que a taxação do dízimo não era prática nos primeiros séculos da igreja.


Rob Bell, um conhecido evangélico norte-americano andou dizendo coisas sobre o inferno que não condizem com o ensinamento tradicional cristão sobre ele. Os autores escreveram Apagando o Inferno para refutar as suas declarações pouco ortodoxas. Curiosamente os autores rompem com a visão tradicional de como será a punição dos infiéis. Sempre ouvimos que os suplícios sofridos pelos rebeldes será numa fornalha que não se apaga nunca. Porém, eles reinterpretam os textos da Bíblia para afirmar que as chamas do inferno não serão literais.  

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Livros Lidos (17)

Paul Tornier, Médico pela Escola de Medicina da Universidade de Genebra, traz nessa obra a crise existencial que acomete o homem moderno. Seu diagnóstico geral é que homem moderno abandonou suas raízes espirituais, e tal abandono resultou numa sociedade doente, neurótica e desarmônica. Somos como um adolescente rebelde, que se revoltou contra os valores que nos foram passados, e, agora, encontramo-nos sem eira nem beira, apoiando-se um dogmatismo muitas vezes pior que o fanatismo que advém da religião.

Somos uma sociedade cética, desiludida, amargurada e cínica, segundo Tournier. Abandonamos nossa herança espiritual (cristã) para abraçarmos ideologias que prometeram resolver nossos problemas, mas que não passaram de promessas fajutas. 

E qual seria a cura? Voltarmos as nossas raízes espirituais cristãs.


O assunto que esse livro trata mesmo que de forma bastante sucinta, é um dos temas mais espinhosos que os defensores da inerrância/infalibilidade das escrituras se depararam e se deparam diante das críticas dos judeus ortodoxos, dos Teólogos liberais e dos críticos em geral do Novo Testamento. 

O Eduardo de Proença, autor do livro, já em suas primeiras páginas começa enfraquecendo o clichê disseminado nas várias tradições cristãs que enfatizam a torto e a direito e de peito estufado que a “Bíblia é a sua única regra de fé e prática”. De acordo com ele, não é bem assim, mas a interpretação de cada uma dessas instituições (e de cada um de nós) é que se constitui a sua regra de fé e prática. 

Penso que há muita verdade nisso. Pois se assim não fosse, não existiriam tantas igrejas com interpretações tão díspares sobre o mesmo texto. E todas alegando um fiel comprometimento na exegese (interpretação) do mesmo. É uma igreja dizendo que a outra está errada e usando o mesmo livro para provar o pecado da outra. Chega a ser hilária essa situação.

No entanto, não advogo um relativismo interpretativo, dando o mesmo crédito a toda e qualquer interpretação. As ideias pós-modernas que pululam em certos setores da Academia são extremamente incoerentes e nocivas. Acredito que existem interpretações sóbrias e mais cuidadosas que chegam mais próximas da mensagem que o escritor sacro intentou comunicar. Ciente, é claro, de que não é nada fácil decifrar o seu real significado. 

Voltando a problemática que já está no título do livro, para Proença, os autores do Novo Testamento tiveram uma liberdade hermenêutica para lidar com os textos do Antigo Testamento, que nós não temos. Bom, como faz alguns anos que li esse livro, pelo que me lembro é isso que ele quis dizer. Eu mesmo tenho muita dificuldade em aceitar a interpretação do Evangelho de Mateus concernentes as vários episódios da vida de Jesus, que ele vincula a certos trechos do Antigo Testamento. Acho ele bem arbitrário.

Essa tal “liberdade” hermenêutica de Mateus e outros escritores do Novo Testamento é vista por muitos, como citações e interpretações distorcidas que eles fizeram das escrituras hebraicas para tentar provar uma messianidade que nunca existiu no personagem histórico conhecido como Jesus de Nazaré. 

De fato quando me deparo com certos textos nos evangelhos e suas supostas citações do Antigo Testamento, fica difícil ver alguma honestidade na pena dos evangelistas. Mas explicações têm sido propostas. Algumas interessantes, outras são evasivas desonestas, e por aí vai.


THEOlogando: Revista Teológica – Ano IV – número 4 - Fonte Editorial, 2010.

Apesar desse livro ter sido escrito por autores eminentemente cristãos, preocupados com o aspecto teológico da discussão desse tema tão espinhoso e doloroso, todos os onze textos escritos, se pautam pelo equilíbrio e sensatez. Os escritores fogem de ambos os extremos que existem sobre essa calorosa questão do aborto.

Nesses extremos, de um lado, vemos os fundamentalistas que querem suas convicções religiosas como leis sancionadas pelo Estado, proibindo toda e qualquer forma de aborto nos hospitais e clínicas médicas.

Na outra ponta da discussão, temos os que se auto intitulam do movimento “pró-escolha”, estes, algumas vezes, parecem sugerir a total liberdade para que a mulher faça a escolha de interromper a gravidez, pelos motivos mais banais. Como por exemplo, a mãe abortar o feto, porque descobriu que o sexo da criança não corresponde as suas expectativas. 

Posiciono-me a favor de que em alguns casos, o aborto é uma opção viável, e não se caracteriza como assassinato, como querem os do movimento “pró-vida”. Não acredito que um amontoado de células, mesmo com toda a potencialidade de se tornar um ser humano completo, tenha os mesmos valores intrínsecos que um ser humano já nascido e que se relaciona com outras pessoas possui. 

Há defeitos e furos filosóficos nessa forma de pensar? Talvez. Não duvido. E possivelmente eu não saberia responder satisfatoriamente as objeções que fossem lançadas contra essa visão. Porém, o mesmo é verdadeiro para a opção contrária que tantos os fundamentalistas defendem. É um assunto por demais enviesado, e que não se resolve na base do “eu estou certo, e sou do bem. E os outros estão errados, e são cúmplices dos assassinatos de bebês”.

Um trecho curioso que selecionei, escrito por Madonna Kolbenschlag (Universidade de Notre Dame, EUA):

“A postura da igreja [católica] sobre o aborto é um ‘ensinamento moral’; não se trata de uma doutrina de fé. A igreja ocasionalmente mudou seus ensinamentos morais, como, por exemplo, ao condenar a escravidão após tê-la aceito por séculos. Seu ensinamento acerca do aborto e controle de natalidade não é, em hipótese alguma, célebre por sua coerência”. P. 11-12.

Não me admira nada, se dentro de poucos anos essa instituição não reprovar mais o aborto nas primeiras semanas de gestação. Não espero coerência do catolicismo. Se bem que será um avanço, ela mudar o seu posicionamento sobre esse tema. Até mesmo as incoerentes igrejas evangélicas têm uma visão mais aberta e menos severa sobre o aborto. 



Quando trabalhava em um colégio perto do Shopping Midway (Natal-RN), em 2006, costumava ir a livraria Siciliano e ficar lendo os livros de lá, sentado nas poltronas numa boa, até voltar ao trabalho. Era um capítulo por dia. Assim, eu não precisava pagar os livros para ler.

Essa obra contando a trajetória do seriado Chaves no Brasil foi o primeiro livro. Foi escrito em 2004, por três jornalistas em comemoração aos 20 anos ininterruptos do programa no Brasil. O seriado começou a ser passado em 1984, e nesse ano de 2016, já faz 30 anos que essa série é veiculada em nosso país.

Uma história curiosa que os escritores contam é que na época em que a Ana Maria Braga estava para sair da Record para ir trabalhar na Globo, os diretores do SBT ficaram muito preocupados com a audiência que ela teria na nova emissora, visto que se na Record, ela já estava com um considerável ibope, imagine na rede Globo. 

Em reunião com o Silvio Santos, este lhes disse que colocassem o Chaves pra passar na hora do programa dela na Globo. Eles ficaram bastante incrédulos com essa ordem do Silvio. Porém, o resultado foram vários e vários dias, com o Chaves dando de lavada na audiência e lascando o recém programa da Ana Maria. A Globo teve que passar o “Mais Você” para o horário da manhã.


FERREIRA, Dario Fortes; LAUAND, Jean; SILVA, Marcio Fernandes. Opus Dei: Os Bastidores. Campinas, SP: Verus, 2005.

Livro terminado sobre o “Opus Dei", perigosa seita católica, porém, insignificante quanto ao número de adeptos no Brasil e no resto do mundo. Mesmo assim, já fez e faz uma verdadeira lavagem cerebral sobre as pessoas que dela fazem parte. Não há amor, solidariedade, compaixão. A não ser, é claro, que isso objetive o crescimento da instituição. 

Nas primeiras páginas, já ficamos ficamos de ficar de cabelo em pé, com as práticas de “piedade” impostas por essa organização católica aos seus membros:

“[...] O diretor falou-me sobre o cilício, um cordão com pontas de ferro usado por debaixo da roupa, sobre uma das coxas, durante algumas horas por dia, como mortificação corporal obrigatória para os numerários. Falou-me sobre as disciplinas, uma espécie de chicote de cordas com que os numerários praticam mortificação corporal, em geral uma vez por semana. Ganhei o meu kit de autoflagelação”. P. 24.

A capacidade de persuasão e coerção psicológica dessas seitas é de invejar qualquer partido político. O interessante é que inúmeras pessoas de nível superior caem nas malhas dessa instituição destruidora. E o que igreja católica faz para conter os abusos do Opus Dei? Nada! 

Os autores do livro tentam isentá-la. O que vejo como algo contraproducente. Se livraram das amarras dessa subcultura católica, mas teimam em inocentar o catolicismo. Vai entender uma coisa dessas. 

O problema do Opus Dei e da igreja Católica que o apóia, é colocar a instituição acima das pessoas. Estas são peças descartáveis diante da entidade. As pessoas são meios para se chegar a um fim, e não o contrário. Não são tratadas como um fim em si mesmas. 

“Um rapaz paraplégico, ou que tenha alguma outra limitação física séria, não poderá ingressar na Obra como numerário [membro], jamais será objeto prioritário da Obra e menos ainda freqüentará por muito tempo um centro de numerários. A prelazia [líderes] não ‘perde tempo’ com ele. Se porventura a Obra admitir que um paraplégico freqüente um centro com regularidade, será para‘plantar’ uma exceção (quem disse que há discriminação na prelazia?), ou porque ele é útil de algum modo; caso seus pais sejam ricos...”. P. 140.

Para se atingir um fim, qualquer meio é necessário! Até usar pessoas com problemas físicos para sensibilizar os de fora, e assim, ganhar novos adeptos. As armas do Opus Dei é pressão psicológica, ideológica e espiritual. Lá dentro você não pensa; os líderes pensam por você. 

Com muito pesar e tristeza, essas são as palavras fortes e sem rodeios dos autores do livro, que já foram um dia membros do Opus Dei:

“Não podemos fingir. A Obra produz o mal. A Obra produz danos psíquicos em seus membros, promove o fanatismo, separa os filhos de suas famílias, desrespeita a intimidade das pessoas, escraviza as consciências, induz à intolerância, infantiliza seus membros, instrumentaliza-os para obter dinheiro [...], engana a mente”. P. 134.

“Sejamos claros: a Obra estupra. Estupra a intimidade das pessoas, estupra a confiança que muitos de nós depositamos nela um dia e que muitos depositam nela hoje. Ela parece inofensiva, mas não é”. P. 135.