Mostrando postagens com marcador Tabu. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Tabu. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Tabu Brasil: Nudez


Nudez! 

Em nossa cultura é praticamente impossível não vincular o nu ao sexo, ao erotismo, a pornografia, a putaria e outras coisas mais. 

Estamos acostumados a erotizar o corpo despido. Associamos o estar sem roupas a libido, a sexualidade a ser exercida. 

Não é dessa maneira que umas poucas pessoas veem a nudez. 

Por exemplo, no Rio Grande do Sul, na comunidade Colina do Sol, todas as pessoas que ali moram, vivem nuas. Para eles, a nudez é algo tão natural quanto comer, tomar banho, conversar, praticar esportes e etc. Com rígidas regras de convivência, eles vivem numa mini cidade, onde a roupa tem pouca importância. Apenas quando está muito frio, ou noutras pequenas circunstâncias, é que eles se cobrem com um pedaço de tecido. Algumas pessoas que querem visitar e conhecer o local, pensam erroneamente, que ali é um antro de putaria. Mas talvez, excetuado a nudez inerente do local, eles vivem com sérias restrições de comportamento até mais severas que as do mundo "normal". Carinhos excessivos em público são duramente proibidos. Eles não falam claramente, mas ereção em público é pecado capital nessas localidades.

O Brasil vive uma ironia, ou podemos chamar de hipocrisia mesmo. No Carnaval é permitido que peitos e bundas sejam plenamente exibidos em público, seja na TV, seja nos bailes e nas ruas. Podem estar crianças, pessoas idosas, não importa, pois pelo menos nesses quatro dias de folia, a lei que pune a nudez em público, como atentado violento ao pudor é SUSPENSA. Que sistema legal é esse que arbitrariamente resolve tirar férias nos dias dessa festa? Não estou criticando a nudez carnavalesca, mas a flexibilidade injustificada do nosso sistema de leis. 

Quando a Sara Winter, ainda feminista na época em que esse documentário foi feito, foi fazer um protesto contra os vergonhosos gastos para a copa do mundo, mostrando seus lindos e apetitosos seios (acho que sejam, pois estão embaçados; e ok, sou mais um que não sabe desassociar a nudez do sexo), ela e suas companheiras de militância foram arrastadas pela policia. Num protesto pacífico e com uma acusação legítima, pessoas são presas e punidas, por estarem com os seios à mostra, sem fazer atos e gestos obscenos. No entanto, na futilidade do carnaval, pessoas podem fazer insinuações sexuais em rede televisiva nacional e ainda são aplaudidas e idolatradas. Vai entender uma coisa dessas. 

Ficarmos nus é, e continuará sendo um TABU. Nossa formação ético-religiosa-cultural não nos permite ir além. Pra falar a verdade, a roupa protege-nos não apenas fisicamente, mas psicologicamente. Nossa história de vida está de certa forma refletida em nosso corpo. Sejam defeitos, cicatrizes, marcas... Por que deveríamos expô-las aos outros? Quem diabo se importa em ver nossas pelancas, estrias, celulites, bunda murcha, manchas?! Não obstante, se tem pessoas que não ligam, que assim vivam em seus lugares e paraísos do naturismo, como a localidade Colina do Sol. 

Que todos sejam felizes. Ou com roupa ou sem.

Tabu: Medicina Alternativa


Quando os tratamentos convencionais, não trazem os resultados esperados, é hora de buscar ajuda na medicina milenar, nos procedimentos heterodoxos, na sabedoria dos monges, na ciência popular. Esse pelo menos é o pensamento de muitos, que vão atrás da resolução de seus problemas de saúde, quando os remédios alopáticos deixam a desejar. 

Tabu: Medicina Alternativa vem trazer as histórias de várias pessoas que foram em busca de tratamentos não validados pela medicina acadêmico-científica. Mas apesar de sua falta de comprovação pelos rígidos métodos dos laboratórios de ciências, os métodos alternativos, ainda são muito populares e vistos como possibilidades viáveis, na cura das doenças e vícios que acometem as pessoas que os buscam. 

Dois ingleses, um homem e uma mulher, viciados em heroína, resolvem acabar, depois de muitos anos de vícios e vidas destruídas pela droga, com a dependência do entorpecente. Vão até a Tailândia, num mosteiro budista, especializado em arrancar em poucos dias o vício das drogas, através de um severo tratamentos com nove ervas misturadas. Eles esperam se livrar de uma vez por todas do inferno em que se encontram.
Surpreendentemente, nesse lugar sagrado, a taxa de sucesso das pessoas que largam de uma vez por todas o vício das drogas é de 70%. Uma porcentagem alta e que valida a maneira radical com que os monges combatem as drogas. E ainda com o adicional de que o tratamento é gratuito. 

Na cidade se Hyderabad, na Índia, 500 mil pessoas estão em busca da cura da asma. O medicamento deve ser ingerido com um pequeno peixe vivo, que deve ser engolido ainda com vida. Há mais de 150 anos, milhões de pessoas são tratadas assim, nesse país. A mãe de uma criança com asma leva o seu filho, para engolir o tal remédio com o peixe. A criança, dias depois, tem uma melhora significativa. O efeito placebo explica a "cura" do garoto? Para os acadêmicos, sim. 

No Peru, um curandeiro sob a influência de tradições incas e cristãs, trabalha na cura daqueles que vem procurar os seus poderes, mediante ervas e sacrifícios de porquinhos da índia. Um jovem que durante muitos anos de sua vida, carregou muito peso, agora se encontra com discos lombares que lhes causam dores terríveis. Ele vai tentar se curar com esse xamã. Se submeterá ao ritual, onde o porquinho será dilacerado e os órgãos deste serão uma espécie de tomografia do que se passa em seu corpo. 

Ainda no Peru, numa barraca se vende suco de rã triturada no liquidificador. Quem o faz, garante que essa bebida cura qualquer doença. A rã é morta e sua pele é retirada, logo em seguida é fervida. Assim estará pronta para ser esfacelada no liquidificador, com uma erva dos andes. Muitos peruanos tomam, e juram que a bebida faz efeito. Até tornar as mulheres férteis, esse suco exótico consegue, segundo eles.

Quando os caminhos normais não nos servem, vamos por outros incomuns, por mais que sejam estranhos e irracionais. As vezes o desespero é tão presente e intenso, que pensamos: por que não tentar? Mesmo tendo ciência de que inexiste comprovação científica nessas abordagens terapêuticas extravagantes, para muitas pessoas desesperançosas, a aflição que uma doença/deficiência, vontade ou desejo acarreta, fala mais alto. E assim, qualquer ajuda é válida. 

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Tabu Brasil: Soro Positivo


Desde que apareceu os primeiros casos, a AIDS matou até hoje, cerca de 36 milhões de pessoas. É uma doença infecto-contagiosa transmitida pelo vírus HIV. Atualmente, 35 milhões de pessoas estão infectadas. 718 mil brasileiros são HIV positivo. A contaminação cresceu fora do que se esperava na última década entre os jovens. E impressionantemente, entre as pessoas de mais de 60 anos, houve um alarmante aumento de 157% entre 2001-2012! 

Os primeiros casos de HIV no Brasil foram no início da década de 1980. Era prevalecente entre os homossexuais. Logo em seguida, o vírus se espalhou entre os usuários de drogas, através das seringas. O primeiro caso de uma mulher infectada foi 1983. 

A doença para se manifestar pode durar 5, 7, 9 anos, ou menos que isso. Tem pessoas que podem ter o HIV e nunca desenvolverem a AIDS. Vai de cada sistema imunológico. 

Como avanço dos medicamentos retrovirais, ter HIV não é mais um atestado de óbito. Mas engana-se quem pensa, que os portadores do vírus têm uma vida fácil. São muitos comprimidos para tomar todos os dias. Os efeitos colaterais são inevitáveis. Exames de rotina, para ver a carga viral no sangue, também fazem parte da vida de um soro positivo. 

Três histórias distintas, porém, tendo em comum o vírus HIV, são contadas.

Um jovem homossexual, que teve a infelicidade de pegar o vírus ainda com 19 anos de idade. Começou seus relacionamentos sexuais com o preservativo, mas os deixou de lado, e não demorou muito para ser infectado. Há 11 anos, ele toma os remédios para o controle da carga viral. Nunca teve nada sério até então. Está para casar com um parceiro “limpo”. Está feliz. De vez em quando sente os efeitos colaterais dos remédios que toma diariamente.

Uma senhora de 60 anos conta a sua história de infecção. Depois de uma vida inteira, chega a terceira idade carregando o HIV em seu corpo. Pegou de seu antigo parceiro. Nunca imaginou que ele poderia lhe contaminar. Nesse caso, as mulheres continuam sendo um grupo de risco, visto que seus maridos e namorados podem ser infiéis, acabar se contaminando e passar o vírus para suas mulheres. Isso acontece com uma freqüência alarmante.

O terceiro caso é de uma jovem de trinta e poucos anos, considerada o primeiro bebê portador do vírus, em 1983. Sofre desde a infância com os problemas que o vírus pode acarretar. Oscilou entre fazer o tratamento com os antivirais, e parar de tomá-los. Passou por prolongadas internações. Mas hoje, apesar das seqüelas e saúde limitada, está bem na medida do possível, e está para ser mamãe. É casada com um soro positivo.

Enfim... Documentário pesado. A cura ainda não está disponível. E não há esperanças concretas de que ela virá nos próximos anos. O tratamento avançou bastante desde os primeiros casos no começo dos anos 1980. Ouvimos aqui e ali, que a cura já foi encontrada, mas a indústria farmacêutica não está interessada em fornecer os comprimidos que tenham o poder de extirpar por completo o HIV do organismo. Ela perderia muito dinheiro. O mundo dos remédios não é filantrópico, benevolente, altruísta...

Não duvido dos boatos de que a solução para o problema do HIV/AIDS tenha sido encontrado.   

domingo, 7 de fevereiro de 2016

Tabu América Latina: Espetáculos Únicos


Até onde vai o direito dos animais?

Quais são os limites que nós, seres humanos, devemos ter no tratamento que dispensamos a eles?

Seriam as rinhas de galo, moralmente erradas?

Os rodeios, onde touros são feridos até a morte, não são contra o princípio da empatia que devemos ter, visto que os animais também são seres sensíveis (sentem dor)?


A NatGeo levanta nesse episódio da série Tabu América Latina, essas e outras perguntas, que eu mesmo, não consigo ter respostas coerentes e satisfatórias. Ao mesmo tempo em que senti indignação ao ver touros, cavalos e galos, por meio do seu sofrimento e dor, servirem para o puro entretenimento e lucro de seus organizadores e apostadores, sinto que esse meu senso de “empatia” e de “justa indignação” perante os maus tratos desses animais, dá de cara com a parede, quando lembro que todos os dias, saboreio uma coxa de frango, um bife de carne...


Muito simples de entender: Podemos apontar o dedo em riste e jogar na cara desses filhos da puta que fazem essas rinhas, o seguinte:

“Vocês se divertem e ganham dinheiro, com o sofrimento e tortura desses animais. Vocês queriam estar no lugar deles? Queria ver, se fossem vocês! Não se incomodam com o fato de que eles sofrem bastante, e não queriam estar lutando? Não lhes resta um pingo de consideração e empatia?”

São apontamentos legítimos? Sim, são. Mas eles poderiam legitimamente responder:

“Vocês se deliciam e ganham dinheiro, com a morte desses animais para se alimentarem. Eles vivem em gaiolas minúsculas, tomando hormônios e outras coisas mais, para engodarem, além de suas capacidades naturais, para vocês encherem a pança. Vocês queriam estar no lugar deles? Queria ver, se fossem vocês! Não se incomodam com o fato de que eles sofrem bastante, e não queriam lhes servir de alimentos? Não lhes resta um pingo de consideração e empatia?”

Como se vê aquele que atirou a pedra primeiro, pode esperar, que ela virá como um bumerangue de volta. Não são questões fáceis. É um problema ético muito difícil e espinhoso.

E mesmo eu me alimentando todos os dias de carne, ainda acho que uma sociedade mais evoluída (mais evoluída segundo que padrão?) não deve tolerar nenhum tipo de rinha de galos, touradas ou quaisquer outros eventos que venham torturar os animais. Incoerente? Sim, incoerente. Como eu disse, não tenho uma resposta adequada e justa para a questão. Mas quem diabo se importa?