Mostrando postagens com marcador Criacionismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Criacionismo. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Documentários Vistos (27)


Criacionistas, criacionistas... São incansáveis em tentar provar a idade do Universo em apenas 6 mil anos. E por que isso? Porque a Bíblia assim o diz, segundo eles. São contra a evolução, mas são incapazes de tentar apresentar um mecanismo científico, pelo qual os seres humanos vieram a existência. A Biologia evolutiva, com todas as limitações, defeitos, erros metodológicos, algumas fraudes, pelo menos vem propondo mecanismos viáveis, ainda que passíveis de dúvidas e sérias contestações. Mas o que os Cientistas da criação têm feito? De 1 a 10, nota 5 para esse documentário. Só porque acredito em um Criador. 


Escobar foi o Pelé e o Maradona das drogas. É o eterno paradigma dos grandes cartéis de drogas. Mandava e desmandava na Colômbia. Foi um narcoterrorista. Morreu em 2 de dezembro de 1993, com três tiros, quando tentava fugir através do telhado da casa em que estava escondido. Mas até hoje, não se sabe quem o matou de fato. O que sabemos é que para pegá-lo, o governo colombiano contou com a ajuda norte-americana, e teve que se aliar ao criminoso cartel de Cali e aos Lo Pepes (organização também criminosa), ambos inimigos mortais de Pablo Escobar. Se não assim não fosse, Escobar não teria sido pego no final de 1993. Talvez durasse mais alguns meses ou anos, ou quem sabe, com muitíssima sorte (sorte não, milagre mesmo), poderia estar vivo até hoje.


Segundo documentário que vejo de Russell Brand, que é um ex-viciado em drogas, que tem militado nos últimos anos, junto as autoridades inglesas e mundiais, para que o tratamento dos viciados em entorpecentes e álcool, sejam mais eficientes. Para ele, falta empenho do governo da Inglaterra, em tratar os usuários. A política estatal tem trabalhado de forma ineficiente para amenizar o problema de quem sofre desse mal, gastando milhões de forma irresponsável. 


O carinha compra um motel (hotel ao lado de uma rodovia), só para observar os hóspedes transando. Ele mesmo faz sozinho as reformas necessárias para que pudesse vê-las, sem ser descoberto. Durante mais ou menos 30 anos, esse foi o seu lazer noturno, noite após noite, com o consentimento de sua esposa. Não há vídeos, não há fotos, apenas as suas memórias.

Gay Talese, Jornalista conhecido e de grande credibilidade, conheceu Gerald Foos, o voyeur, em 1980, e depois de mais de três décadas, ambos resolvem, enfim, revelarem essa história inusitada ao grande público, através de uma matéria numa revista conceituada e posteriormente num livro. Gerald Foos acredita que seus "crimes" prescreveram, visto que segundo ele, o motel foi vendido em 1997. Portanto, a justiça americana não tem como cair em cima dele. 

Documentário muito bom, que nos surpreende com alguma reviravoltas no final. O livro já está publicado em português. 


Em tom amigável e não critico, o consagrado ator de Hollywood, Morgam Freeman, viaja o mundo em busca de respostas vindas das religiões para as questões centrais da vida humana. Freeman escuta atentamente o que a religião católica, protestante, budista, hinduísta e etc., tem a oferecer a humanidade sobre o que é a vida após a morte, como foi a criação do mundo, sobre os milagres, sobre a existência do mal, sobre quem é Deus, entre outras questões que sempre embaralham nossas cabecinhas inquietas. As respostas por vezes soaram hiper triviais e óbvias, as falas do Freeman também. Ele também conversou com especialistas, para situar o telespectador sobre os avanços científicos alcançados sobre os temas mencionados. São 6 documentários nessa primeira temporada. Eu gostei.

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Os Cientistas e os Seis Dias de Gênesis

Do Iluminismo do século XVIII para cá, cada vez mais estudiosos e pessoas comuns têm se revelado ateias, irreligiosas, agnósticas e anti-religião. Os tempos mudaram. Não vivemos mais em uma sociedade homogênea, onde todos diziam-se crentes em Deus, em Jesus, na Bíblia e na igreja. Esses fundamentos há muito tempo vêm sendo ridicularizados, questionados e abandonados. Nas universidades e Centros de Pesquisas são aonde mais se vê a indiferença pelo transcendente. Em alguns setores e departamentos universitários é generalizado o ceticismo e desdém pela crença em Deus. O passado com suas crendices ficou para trás. A Ciência possibilitou o conhecimento não completo e exaustivo, mas suficiente, para descartar qualquer metafísica sobrenatural em nosso mundo. Assim pensam, acredito eu, a maioria dos Cientistas e boa parte dos acadêmicos de outras áreas.

Considere o que diz Richard Dawkins (Ph.D em Zoologia na Universidade de Oxford), onde para ele, os cristãos estão desalentados e ansiosos para encontrarem Cientistas do primeiro escalão que creem em Deus.

“Fica cada vez mais difícil encontrar grande cientistas que professem sua religião ao longo do século XX. [...] O empenho dos apologistas para encontrar cientistas modernos destacados que sejam religiosos tem um certo ar de desespero, produzindo o som inconfundível de se raspar o fundo da panela. [...] Um estudo na importante revista Nature, de Larson e Witham, em 1998, mostrou que dentre os cientistas americanos considerados eminentes o bastante para serem eleitos para a Academia Nacional de Ciências (o equivalente a pertencer a Royal Society na Grã-Bretanha) apenas cerca de 7% acreditam num Deus pessoal. [...] O que é notável é a completa oposição entre a religiosidade do povo americano em geral e o ateísmo da elite intelectual". P. 140, 141, 142. (Deus, Um Delírio. São Paulo: Companhia das Letras, 2007).

Não acho que ele esteja de todo errado. Cientistas cristãos, encontraremos muitíssimos, tanto aqui, no Brasil, como nos EUA, talvez, na Austrália, e alguns na Europa. Mas digamos, a nata dos Cientistas, não são cristãos e muito menos teístas.

De qualquer maneira, a reação de um grupo pitoresco de Cientistas da Criação veio nos anos 2000, quando de saco cheio de ouvirem de prestigiados Cientistas, como Stephen Jay Gold (Ph.D em Paleontologia pela Universidade de Columbia), Ernst Mayr (Professor Emérito da Universidade de Greifswald), dentre vários outros renomados estudiosos do mundo natural, onde eles disseram que virtualmente nenhum verdadeiro Cientista, atualmente acredita na criação literal do mundo em seis dias, conforme relata o primeiro livro da Bíblia hebraica, o Gênesis. Os Cientistas criacionistas resolveram escrever um livro, onde pudessem reunir um bom número de cristãos fundamentalistas e treinados em Ciência nas mais diversas áreas, para refutar essa generalização.

John Ashton (Membro do Royal Instituto de Química da Austrália e do Instituto de Alimentos, Ciência e Tecnologia da Austrália) reuniu 50 Cientistas para desmentir as declarações feitas contra a fé nos seis dias da criação. Todos eles são crentes na existência de Deus. O Criador é o fundamento da prática científica, dizem eles. Não adianta os Cientistas ateus negarem esse alicerce, sobretudo, quando Deus é quem deu ao ser humano a capacidade de aprender sobre a natureza e seus maravilhosos mistérios.

Aqui vão as dezenas de declarações desses Cientistas incomuns, reunidas no livro Em Seis Dias, publicado no Brasil, pela Sociedade Criacionista Brasileira, entidade da Igreja Adventista do Sétimo.

Ariel A. Roth, Ph.D em Biologia pela Universidade de Michigan, membro da Sociedade Americana de Geologia e membro da Sociedade de Geologia Sedimentar.

“Eu acredito que a ciência não estaria enfrentando algumas das questões insuperáveis sobre a origem da vida [...] se não tomar uma abordagem tão estreita. Faria bem a ciência se ela voltasse a ter uma atitude mais aberta e ampla que tinha vários séculos atrás, quando os fundamentos da ciência moderna foram estabelecidos. Basta observar que cientistas como Kepler, Boyle, Newton, Pascal e Linn acreditavam em Deus como o Criador, que estabeleceu as leis da ciência.” P. 96.

Andrew Macintosh, Ph.D em Teoria da Combustão pelo Instituto de Tecnologia de Cranfield, na Inglaterra e Ph.D em Matemática pela Universidade do País de Gales.

“Eu acredito que é porque os seres humanos não querem prestar contas a um Deus Criador que eles persistirem com uma teoria [a da evolução] que tem pouca evidência para apoiar isso.” P. 162.

John K. G. Kramer, Ph.D em Bioquimíca pela Universidade de Minnesota, EUA. Bacharel e Mestrado em Bioquímica pela Universidade de Manitoba. Possui Pós-Doutorado pelo Instituto Hormel e pela Universidade de Ottawa.

“Eu acredito em um Criador, porque eu vejo os seus projetos na natureza em todos os lugares e as provas de inteligência no DNA de cada célula.” P. 49.

Bob Hosken, Graduado em Bioquímica pela Universidade de Western Australia, um Mestrado em Bioquímica pela Universidade de Monash, Ph.D em Bioquímica pela Universidade de Newcastle.

“Cada animal é, de certa forma, projetado especialmente para se ajustar ao ambiente específico em que vive. Não posso deixar de atribuir a complexidade de tal projeto a um Criador, em vez de a forças evolucionárias movidas ao acaso.” P. 121.

George T. Javor, (Ph.D pela Columbia University) leciona Bioquímica na Loma Linda University, Loma Linda, Califórnia, EUA.

“Quando afirmamos que o nosso mundo foi criado por um Criador, que implica a existência de uma mente que não só inventou a natureza, mas trouxe tudo à existência. A grandeza de um Deus tal não pode ser exagerada. [...] A diferença entre um crente do século 20 no final do Deus Criador e aquele que vive em 1500 aC, no tempo de Moisés, resume-se ao fato de que agora temos uma melhor perspectiva sobre a grandeza do Senhor.” P. 133.

Timothy Standish, Ph.D em Biologia pela Universidade da Virgínia, Charlottesville, Virgínia. Bacharel em Zoologia na Universidade Andrews. Professor de Genética na Universidade Andrews.

“Eu acredito que Deus fornece evidências de Seu poder criador para que todos possam experimentar pessoalmente em nossas vidas. Para conhecer o Criador não requer um grau avançado na ciência ou teologia. Cada um de nós tem a oportunidade de experimentar o Seu poder criativo em recriar o Seu caráter em nós, passo a passo, dia a dia.” P. 113.

Jonathan Sarfati, Ph.D em Físico-Química pela Universidade Victoria, em Wellington, Nova Zelândia. Possui Bacharelado em Química por esta mesma Universidade.

“Ao ver as obras maravilhosas de projeto no mundo, a pessoa intelectualmente honesta deve concluir que elas foram feitas por um grande Designer.” P. 75.

Henry Zuill, Ph.D e Mestre em Biologia pela Universidade Loma Linda, Califórnia. Possui Bacharelado em Biologia no Atlantic Union College.

“A biodiversidade é um poderoso testemunho sobre o Criador, que confirma Romanos 1:20: "A partir da criação do mundo, os atributos invisíveis de Deus, seu eterno poder como a sua divindade foram claramente observados no que ele fez.’” P. 67.

Jeremy L. Walter, Ph.D, Mestrado e Bacharel em Engenharia Mecânica na Universidade Estadual da Pensilvânia.

“[...] se um Deus Criador Todo-Poderoso existe, sua criação tem valor e finalidade puramente baseado em seu próprio conselho e vontade, e as suas criaturas seriam de especial valor e interesse para Ele. Sua onisciência garante projeto e conhecimento perfeito, e Ele poderia fornecer um padrão para tudo o que é verdadeiro. Como um ser amoroso e pessoal, é razoável que Ele deseja nossa comunhão e escolheu nos revelar os seus propósitos. A Bíblia afirma ser a Sua revelação especial, e ensina exatamente as verdades sobre Deus.” P. 18.

Jerry R. Bergman, Ph.D em Biologia Humana na Universidade de Columbia Pacific. Mestre e Bacharel em Psicologia na Universidade Estadual de Wayne. Mestrado em Sociologia na Universidade Estadual Bowling Green.

“Os cientistas, uma vez argumentaram que a vida era relativamente simples, que ela podia ser gerada espontaneamente [...]. Eles agora percebem que a célula humana é a máquina mais complexa conhecida no universo, muito mais complexa do que o computador mais caro. Essa percepção tem forçado muitas pessoas a concluir que a vida não poderia ter evoluído, mas deve ter sido criada instantaneamente como uma unidade em pleno funcionamento.” P. 37.

Todos estes são crentes convictos (pelo menos é a ideia que passam) na criação do mundo em seis dias literais de 24 horas há apenas alguns milhares de anos. Evidências eles têm? Bom, dizem que têm. Até apresentam algumas supostas provas para algo tão estranho a Ciência adotada pela comunidade científica majoritária. Mas seu principal motivo para tal, não é a Ciência. Ela é secundária, terciária, nesse caso. A Bíblia é a principal fonte para se afirmar que a natureza foi feita em seis dias. O raciocínio é simples: se a Bíblia é a palavra infalível de Deus, então o mundo da natureza não veio a ser o que é, por processos desordenados, e por meio da evolução. O Gênesis, segundo eles, é claro: Deus criou Adão e Eva e os animais em 144 horas. Portanto, está aí, a verdade sobre a origem dos seres vivos. Como eu já escrevi noutras postagens nesse blog, a Ciência é uma subserviente dessa pressuposição, quando eles vão estudar as plantas, as rochas, os animais e etc.  Todas as evidências, que, porventura venham encontrar, são automaticamente reinterpretadas para se adequar a sua visão FIXA.

Eduard Broudeaux, Ph.D em Química pela Universidade de Tulane e Professor Emérito da Universidade de New Orleans, resume bem, o pensamento dos cinquenta cientistas que escreveram Em Seis Dias:

“Finalmente, sou forçado a concluir, como manda a razão, que se a Bíblia é verdadeiramente a Palavra de Deus (como eu estou convencido de que é), então ela deve ser precisa em cada detalhe, incluindo o relato da criação em seis dias literais. A ciência me diz que a evolução não é, certamente, científica, enquanto a criação não está em desacordo com o que é verdadeiramente científico. Por isso, a criação é a visão mais aceitável das origens. A criação exige um ser sobrenatural, criador onipotente; e que a Bíblia é a única fonte convincente de que este Deus é o criador. Na verdade, é, então, o relato bíblico da criação deve ser preciso em cada detalhe, incluindo os seis dias de 24 horas para a conclusão do começo ao fim.” P. 197.

Junta-se a ele, Theo Agard, Médico e Ph.D em Física na Universidade de Toronto, Bacharel e Mestre em Medicina pela Universidade de Londres, que diz:

“Minha crença na criação sobrenatural deste mundo em seis dias se resume em grande parte, nos seguintes pontos: a teoria da evolução não é tão científica como muitas pessoas acreditam.” P. 197.

Fechando as citações, Andrew Snelling, Ph.D em Geologia na Universidade de Sidney, revela:

“Então, por que eu acredito no relato bíblico da criação por Deus ao longo de seis dias literais? [...] A razão é que a Bíblia ensina claramente a criação literal de seis dias e um dilúvio global, não só nos capítulos de abertura do Livro do Gênesis, mas também em todo o Antigo e Novo Testamento, inclusive sendo confirmada pelo próprio Jesus Cristo.” P. 265.

Se o livro quer passar a ideia de que existe uma controvérsia no meio acadêmico, quanto aos seis dias, ou quanto a evolução, só enganarão os desinformados. Fora esse grupo de 50 Cientistas, não existem mais do que duas ou três centenas deles mundo a fora. E a maioria nem são da área da Biologia, disciplina que realmente lida com os seres vivos, e que de fato importa para refutar a evolução das espécies.

Reiterando mais uma vez: Não sou evolucionista. E muito menos treinado em Ciência. Mas lúcido o suficiente pelas leituras fundamentalistas que já fiz até aqui, para rir dessa crença dos seis dias literais. A Bíblia pode perfeitamente ser interpretada de outra forma, mediante boa exegese dos textos sagrados. E se ela ensinar como dizem esses Cientistas os seis dias literais? Caso essa tenha sido a intenção do autor/autores de Gênesis, a resposta é simples: Numa visão científica, o primeiro livro das escrituras está errado e defasado, refletindo as crendices mitológicas do seu momento histórico.

Há elementos mitológicos no texto que não dá para serem descartados, impondo sobre ele nossa visão técnica e científica contemporânea.

As citações do Em Seis Dias foram um pouco adaptadas, por causa da péssima tradução feita. Parece que foi feita pelo Google Tradutor. Não falo da tradução da Sociedade Criacionista Brasileira, mas da versão que baixei no site MinhaTeca, da qual fiz uso.   

ASHTON, John F. Em Seis Dias: Por Que 50 Cientistas Decidiram Aceitar a Criação. Master Books, 2001. (Versão em PDF).

domingo, 28 de maio de 2017

Livros Lidos (29)


Flew foi considerado o maior Filósofo ateu do século passado. Mas a coisa mudou. Depois de mais de 50 anos de reflexões filosóficas e científicas, ele finalmente veio a crer na existência de Deus. O Deus cristão? Não necessariamente. Ele virou uma espécie de deísta. No entanto, essa reviravolta causou um frisson enorme no meio acadêmico. A fúria de muitos ateus proeminentes, como Richard Dawkins, por exemplo. Dawkins até disse que Flew estava senil e, que por isso, chegou ao disparate de mudar de visão, depois de tantos anos militando contra a existência de Deus. Acusações de senilidade a parte, o fato é que o livro está aí. Nele, Flew revela o porquê da mudança. Se fosse o contrário, é claro que, os cristãos de um modo geral, entrariam em fúria contra o desertor da fé. É assim mesmo.


Jesus era um louco, um mentiroso ou o salvador? Para o apologista McDowell, baseado nessa tríade de C. S. Lewis, Jesus só pode ter sido uma dessas três opções. Neste livro, ele irá argumentar fortemente em favor da messianidade de Jesus, lançando vários argumentos pró-cristianismo e respondendo as objeções contra a historicidade da ressurreição física de Cristo, apoiando-se em estudiosos escolhidos a dedo, que ele não é besta, para “provar” o que deseja.  Tudo bem, em maior ou menor grau, todos fazemos isso.


Três figuras proeminentes do cristianismo protestante do século XX são biografadas, mostrando os seus caminhos até a fé cristã. C. S. Lewis, de longe o mais conhecido e importante; Charles Colson, importante apologista e com um ministério na restauração de prisioneiros; e o próprio autor do livro, que nos conta como ele veio ao cristianismo.


Hunt escreveu esse livro no formato de perguntas e respostas que incomodam e lançam dúvidas sobre a fé cristã. Olha, quando li esse livro em 2008, o capítulo que mais gostei, foi o capítulo sobre oração. Talvez se o lesse novamente, eu já não tenha a mesma impressão. O livro tem os seus méritos.


Hunt é conhecido por escrever livros longos e bem documentados, apesar de seus extremismos e idolatria pela nação de Israel. Este Um Apelo à Razão..., ele escreveu com muita preguiça, só pode. Livro fraco. Entretanto, quando o li, uma citação que ele faz, me chamou atenção. Um discurso do respeitado Paleontólogo Collin Paterson, em 1981, onde ele parece ser completamente cético a Teoria da Evolução. Mandei essa citação para um evolucionista conhecido na web, e ele me mandou um texto em inglês do TalkOrigins, explicando a distorção que os criacionistas fazem dessa palestra do Paterson.   

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Em Defesa da Fé


STROBEL, Lee. Em Defesa da Fé. São Paulo: Vida, 2002.

"Hoje, os dados concretos apontam fortemente na direção da hipótese de Deus [...] Os que querem opor-se a ela não tem nenhuma teoria testável para apresentar, somente especulações sobre universos não vistos tecidas por uma fértil imaginação científica [...] Ironicamente, a imagem do universo legada a nós pela ciência mais avançada do século XX está, mais próxima em seu espírito da visão apresentada pelo livro de Gênesis do que qualquer coisa oferecida pela ciência desde Copérnico." P. 106. - Patrick Glynn, formado em Literatura, Filosofia e História em Harvard e Cambridge, chegando ao título de Ph.D. É Professor na Universidade de Georgestown, EUA.

"A minha fé pode ser resumida neste grande paradoxo: eu creio na ciência e eu creio em Deus. [...] Eu pretendo continuar a dar testemunho de ambos." P. 77. - Hugh Siefken, Ph.D e Mestrado em Física pela Universidade de Kansas, EUA.

Li essa pérola no primeiro semestre de 2004. É o segundo livro do ex-ateu Lee Strobel, que tem formação em Jornalismo pela Universidade de Missouri, Mestrado em Direito pela Universidade de Yale e ex-editor jurídico do The Chicago Tribune. Em seu primeiro livro, ele foi atrás de diversos especialistas acadêmicos de linha conservadora, para investigar a plausibilidade da pessoa de Jesus ser realmente a que está relatada nos evangelhos - o que o levou a abraçar o protestantismo cristão.

A obra que venho trazer a este blog, foi escrita anos depois de sua conversão, quando o mesmo resolveu pesquisar sobre outros temas difíceis em relação a fé cristã. Perguntas difíceis, espinhosas e amargas, que por vezes, levam muitos para longe da fé. 

Os especialistas conservadores foram mais uma vez consultados e colocados no canto da parede, para que sejam interrogados sobre Deus, Sofrimento, Bíblia, História da Igreja, Fé, Ciencia, Milagres e Razão.

O primeiro entrevistado é o Peter Kreeft (Ph.D em Filosofia pela Universidade de Fordham), que é questionado sobre o maior problema em relação a Deus: o sofrimento.

Sua resposta é que o próprio Deus, na pessoa de seu filho, sofreu também. Veio ao nosso encontro, padecendo as agruras da humanidade. E óbvio, um dia ele “fará justiça." Essa na verdade é a resposta apologética padrão.

Kreeft, num certo momento, diz que a liberdade concedida por Deus aos homens criou a possibilidade deste trazer ao mundo sofrimento e dor

“Deus criou a possibilidade do mal; as pessoas concretizaram essa potencialidade”. P. 49.

Noutra parte, Kreeft dá uma alfinetada no ateísmo:

"O ateísmo trata as pessoas de modo medíocre. Além disso, rouba à morte o seu significado, e se a morte não tem sentido, como pode a vida, em última análise, ter sentido? O ateísmo vulgariza tudo o que toca – veja as consequências do comunismo, a mais poderosa forma de ateísmo sobre a terra. E no fim, quando o ateu morre e se encontra com Deus em vez do vazio que havia predito, terá que reconhecer que o ateísmo foi uma resposta vulgar porque recusou a única coisa que não é vulgar – o Deus de valor infinito." P. 45.

O segundo entrevistado é Willian Lane Craig (Ph.D em Filosofia pela Universidade de Birminghan, na Inglaterra). O tema tratado é se a Ciência não contradiz os milagres. Craig diz que não. As leis naturais atuam sob condições ideais, quando não há a interferência de um agente externo. Um exemplo é citado pelo Strobel: caso uma fruta caia da árvore, não estaremos infringindo nenhuma lei da gravidade, caso a apanhemos antes dela cair no chão. Há uma intervenção externa e não violação dos mecanismos naturais.

Craig acaba enumerando alguns argumentos usados para provar a racionalidade da crença em Deus. O argumento cosmológico é o primeiro.

"Tanto filosófica quanto cientificamente eu argumentaria que o universo e o próprio tempo tiveram um principio em algum ponto do passado finito. Porém, como algo não pode simplesmente sair do nada, tem de haver uma causa transcendente do tempo e do espaço que trouxe o universo à existência." P. 100.

Mais quatro argumentos são propostos.

A terceira entrevista é com o Walter Bradley, Ph.D em Ciência de Materiais na Universidade do Texas, especialista em Termodinâmica e Polímeros.

O assunto em pauta é sobre a origem da vida, que tem se mostrado teimosamente um empecilho para a evolução química por meios estritamente naturalistas.

A evolução ao longo dos anos tornou-se talvez a maior aliada na guerra contra o deus judaico-cristão. Michael Denton (Ph.D em Bioquímica no King’s College de Londres) diz:

“No que diz respeito ao cristianismo, o advento da teoria da evolução [...] foi catastrófico [...] Provavelmente o declínio da crença religiosa pode ser atribuído mais à propagação e defesa da teoria darwinista da evolução pela comunidade intelectual e científica do que a qualquer outro fator isolado.” P. 121.

Se o darwinismo naturalista estiver correto, eis as implicações:

"Com efeito, o destacado evolucionista William Provine, da Universidade Cornell, admitiu honestamente que, se o darwinismo for verdadeiro, existem então cinco implicações inevitáveis: não existem evidências a favor de Deus; não existe vida após a morte; não existe um fundamento absoluto para o certo e o errado; não existe um sentido último para a vida; e as pessoas realmente não têm livre-arbítrio." P. 121.

Teorias naturalistas sobre a origem dos seres vivos vão sendo uma a uma refutadas, e Bradley chega a seguinte conclusão:

"Acho que as pessoas que acreditam que a vida surgiu de modo natural precisam ter muito mais fé que as pessoas que concluem racionalmente que existe um Planejador Inteligente.

Muitos [cientistas] já chegaram a essa conclusão. Porém, em alguns casos, a filosofia atrapalha. Se ele estão persuadidos de antemão que Deus não existe, então, não importa quão convincentes sejam as evidências, sempre negarão: 'Aguarde e nós encontraremos algo melhor no futuro'. Mas esse é um argumento metafísico. Os cientistas não são mais objetivos que qualquer outra pessoa. Todos eles se aproximam de questões como essa com idéias pré-concebidas." P. 149.

Em concordância, James Tour (Ph.D em Química Orgânica pela Universidade Purdue e Pós-Doutorado na Universidade Stanford e na Universidade de Wisconsin, Professor do Departamento de Química e do Centro de Ciência e Tecnologia em Escala Infinitesimal da Universidade Rice) dispara:

"Fico extasiado com Deus em virtude do que ele tem feito por meio de sua criação. Somente um principiante que nada sabe sobre ciência diria que a ciência prejudica a fé. Se você realmente estudar a ciência, ela o levará para mais perto de Deus." P. 153.

O conhecido apologista Norman Geisler (Ph.D em Filosofia na Universidade Loyola, EUA) é o quarto especialista a ser interpelado. Ele defenderá a credibilidade da Bíblia em relação à Arqueologia; tentará amenizar o massacre de crianças ordenados por Deus no Antigo Testamento; “conciliará” algumas contradições que aparecem nos textos bíblicos, etc.

O quinto entrevistado é o Ravi Zacharias (Professor visitante da Universidade de Cambridge), tratando da exclusividade Jesus como o único redentor da humanidade. E quem não aceitar a messianidade de Cristo em vida, está eternamente perdido? Seria justo condenar as pessoas de outras religiões que nunca tiveram contato com a mensagem cristã? Zacharias enfrentará essas perguntas intrigantes.

O sexto entrevistado é o J. P. Moreland (Ph.D em Filosofia na Universidade do Sul da Califórnia). O inferno eternamente para aqueles que rejeitam o Cristianismo é algo justo? O inferno é um lugar de fogo que queimará para sempre os que forem para lá? Moreland diz que a linguagem do fogo é figurada, mas isso em nada altera o quanto será triste e ruim, para aqueles que forem para lá. Afinal, estarão por toda a eternidade conscientes de que Deus os julgou justamente.

O sétimo entrevistado é John Woodbrige, Ph.D em História na Universidade de Toulouse, França. As perguntas focam nas chacinas, atrocidades e guerras, perpetradas pela igreja ao longo dos séculos. As Cruzadas, A Inquisição, O Anti-Semitismo, Os Julgamentos das Feiticeiras de Salém e a Exploração Por Parte dos Missionários.

A oitava e derradeira entrevista é concedida por Lynn Anderson, Doutor em Ministério Cristão na Universidade de Abilene. Ele fala sobre as dúvidas que permeiam o caminhar diário do cristão. Defendendo que fé e dúvida são compatíveis, apesar de popularmente se pensar o contrário.

O livro é muito bom. Mas boas réplicas podem ser feitas a apologia de Em Defesa da Fé.  As melhores entrevistas foram com o Willian Lane Craig e Walter Bradley. As mais fracas foram com J. P. Moreland e Ravi Zacharias. E Geisler não me convenceu com a sua explicação sobre a matança das crianças ordenadas por Deus, no Antigo Testamento.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Livros Lidos (11)


Livro arrasador do Alister McGrath (Ph.D em Biofísica Molecular e Ph.D em Teologia Histórica na Universidade de Oxford). As ideias fundamentalistas e caricaturas do Sr. Dawkins, o maior cientista ateu do mundo, são esplendorosamente deitadas por terra. 

O autor com muita educação e cordialidade não se esquiva também de tecer altos elogios ao Dawkins como um importante Biólogo do século XX, e um excelente popularizador da ciência com o seu livro o Gene Egoísta. O McGrath, não é um crítico raivoso das ideias do Dawkins, contudo, não poupa críticas bem fundamentadas quando o Dawkins se mete a falar de coisas que não são de sua ossada.


Os quatro primeiros capítulos desse livro são aproveitáveis. O resto do livro é besteira por cima de besteira. Como um cara com Doutorado em Filosofia pode chamar um livro desse que não tem nenhum argumento filosófico contra a existência de Deus, de um "Tratado" (se bem que faz 9 anos que o li, não me lembro se o título em francês é o mesmo da versão em português)?!

Se os militantes ateus dependerem desse livro para vencer o teísmo em algum debate estão fritos. O livro na verdade, não ajudará em nada. Valeu o tempo gasto. Só fez evidenciar mais ainda o meu repúdio a um mundo puramente materialista.


Um bom livro para quem acredita que Ciência e crença em Deus podem ser conciliados. Foi um tempo muito bem gasto em 2011 quando li essa obra escrita por um Cientista do nível do Francis Colins, que possui um Ph.D em Físico-Química, é um renomado Geneticista e Diretor do Projeto Genoma, responsável pelo mapeamento do DNA humano.

"Os cientistas que se dizem ateus têm uma visão empobrecida sobre perguntas que todos nós, seres humanos, nos fazemos todos os dias. 'O que acontece depois da morte?' ou 'Qual é o motivo de eu estar aqui?'. Não é certo negar aos seres humanos o direito de acreditar que a vida não é um simples episódio da natureza, explicado cientificamente e sem um sentido maior. Esse lado filosófico da fé, na minha opinião, é uma das facetas mais importantes da religião. A busca por Deus sempre esteve presente na história e foi necessária para o progresso".

"Os cientistas ateus, que acreditam apenas na teoria da evolução e negam todo o resto, sofrem de excesso de confiança. Na visão desses cientistas, hoje adquirimos tanta sabedoria a respeito da evolução e de como a vida se formou que simplesmente não precisamos mais de Deus. O que deve ficar claro é que as sociedades necessitam tanto da religião como da ciência. Elas não são incompatíveis, mas sim complementares".


Dentre os livros que li em 2011, esse foi um dos mais importantes e empolgantes. Talvez o melhor livro em português sobre a controvérsia, por trazer três visões distintas sobre a origem dos seres vivos.

Um dos trechos mais importantes do livro é quando os defensores da interpretação literal dos primeiros capítulos de Gênesis admitem que os dados da natureza contradizem a sua visão. É um tipo de honestidade que falta a maioria dos criacionistas clássicos.

O primeiro ponto de vista defende que a Terra é jovem - nada de bilhões de anos. Tendo como referência primária o livro bíblico de Gênesis.

O segundo ponto de vista defende que a Terra é antiga - aceita os bilhões de anos propostos pela Ciência moderna. Interpreta os dias de Gênesis como não literais.

O terceiro ponto de vista defende a atual Teoria da Evolução, mas tendo o Deus judaico-cristão como o seu iniciador.


Um diálogo proveitoso e gostoso de se ler entre um religioso (Frei Beto) e um Cientista (Marcelo Gleiser), mediado pelo Astrólogo Waldemar Falcão (isso mesmo, nem tudo é perfeito). 

Marcelo Gleiser (Ateu, Ph.D em Física pelo King’s College da Universidade de Londres, Mestrado em Física pela UFRJ, Bacharelado em Física na PUC, no Rio de Janeiro. É Professor de Física e Astronomia e Pesquisador da Universidade Darmouth College, em Hanover, EUA. Membro da Academia Brasileira de Filosofia e membro da Sociedade de Física Americana) falando sobre alguns cientistas que zombam da idéia de Deus.

"Claro [que] tem cientistas que são pessoas profundamente religiosas, de todas as religiões. As pessoas se perguntam: “Mas não é incompatível?” Não, não é. Eles dizem que o estudo da ciência, da natureza, para eles, os ajuda a apreciar a obra de Deus. Para eles, quanto mais aprendem sobre o mundo, mais se aproximam ou mais admiram o Criador deles... As pessoas podem perguntar: “Ah, mas existem ateus fundamentalistas, tipo Richard Dawkins, Sam Haris.” É verdade. Mas esses cientistas não são a voz da ciência". 

"Eles são alguns cientistas quem têm o parecer deles sobre o que acham dessa questão, mas não falam por toda a ciência, nem por todos os cientistas". 

"Recentemente [Stephen Hawking] andou falando grandes besteiras com relação a essa questão [a origem do universo]. Chegou a afirmar que Deus é desnecessário. Só esqueceu de dizer que essa ciência a que se refere é altamente especulativa, mais metafísica do que física. É importante fazermos uma distinção entre o que a ciência pode e o que a ciência não pode tratar. Uma das coisas importantes nessa discussão é que existe uma grande diferença entre o 'porquê' e o 'como', e a ciência é muito boa com o 'como'".

Livros Lidos (10)


GEISLER, Norman; TUREK, Frank. Não tenho fé suficiente para ser ateu. São Paulo: Vida, 2007.

Um dos livros mais interessantes e inteligentes que eu li em 2007. Os autores Norman Geisler (Ph.D em Filosofia na Universidade Loyola) e Frank Turek (Doutorando em Teologia), são bastante habilidosos em destruir as várias falácias que estão presentes no ateísmo e na ciência presa ao naturalismo filosófico. Desde refutações ao relativismo epistêmico e moral, passeando pelo preconceito que muitos cientistas nutrem pela ideia de um pé divino na configuração do Universo, os escritores apresentam argumentos fincados na lógica e na ciência que evidenciam a racionalidade de se crer numa mente inteligente que criou o cosmos.

Também o problema da origem da vida é explicitado, o que acaba enfraquecendo e muito a evolução das espécies por meio da seleção natural e mutações gênicas, visto que se a evolução química da primeira vida se mostra extremamente inviável, o problema da teoria da evolução se encontra logo em seu início. Embora, Darwin, tenha criado a sua teoria pressupondo a primeira vida já formada e " pronta" para iniciar o seu processo gradualista. 

Um dos trechos que julgo mais importante no livro é este:

“Nossa capacidade de raciocinar pode vir apenas de um de dois lugares possíveis: ou a nossa capacidade de raciocinar surgiu com base em uma inteligência preexistente ou surgiu baseando-se em uma matéria inanimada. Os ateus/darwinistas/materialistas crêem, pela fé, que nossa mente surgiu de matéria inanimada e sem nenhuma intervenção inteligente. Dizemos que isso é pela fé porque tal afirmação contradiz toda observação científica, a qual demonstra que o efeito não pode ser maior do que sua causa”. P. 97.

“Faz muito mais sentido acreditar que a mente humana é feita à imagem de uma Grande Mente — Deus. Em outras palavras, nossa mente pode aprender a verdade e pode raciocinar sobre a realidade porque ela foi criada pelo Arquiteto da verdade, da realidade e da própria razão. O materialismo não pode explicar a razão, assim como não pode explicar a vida. O materialismo simplesmente não é racional”. P. 97.

Os autores estão repletos de razão. Como o ateu pode reivindicar racionalidade, se ele acredita que tudo é resultado do acaso irracional? Como ele pode confiar em suas capacidades cognitivas? Segundo as premissas adotadas por eles mesmos, o ateísmo seria tão irracional quanto qualquer outra visão. Contudo, são poucos os ateus que se dão conta da contradição em que se encontram. 

Jay Budziszewski, Ph.D em Filosofia pela Universidade de Yale e Professor na Universidade do Texas, em Austin, concorda:

"O mote 'apenas a razão!' é completamente sem sentido. A própria razão pressupõe fé. Por quê? Porque uma defesa da razão pela razão é circular e, portanto, sem valor. Nossa única garantia de que a razão humana funciona é Deus que a fez." P. 141.

Em suma, o livro pode até não transformar um ateu em um crente na existência de um ser inteligente que criou o cosmos, mas pelo menos, o cético honesto terá um respeito maior pela visão de mundo teísta.


Escrito pelo Filósofo Denis Lecompte (Ph.D em Filosofia, Letras, Teologia e Ciências Humanas), esse livro retrata resumidamente a história do ceticismo em relação as religiões vigentes desde a antiguidade grega a idade moderna com os iluministas. Segundo o escritor, o ateísmo propriamente dito, ou seja, como um sistema organizado de pensamento só surge no século XVIII, na França.

“[...] pela primeira vez na história da humanidade, afirmar-se um ateísmo que se proclama radical e sistemático. [...] é efetivamente em seu seio que se vê surgir a elaboração e a afirmação de um ateísmo materialista, que se pretende inteiro e racionalista”. P. 92.

Um defeito do livro, creio eu, é em quase não trabalhar o “retorno do religião”, algo que está explicito em seu título. O autor trabalha diminutamente a volta do religioso. Poderia ter explorado mais essa questão. Se resume apenas a mencionar em pouquíssimas páginas a ascensão do misticismo da Nova Era e de um cristianismo “rejuvenescido”.

De qualquer forma, como um filósofo sensato que é, a sua conclusão sobre o ateísmo não poderia deixar de ser mais sóbria:

“O cientificismo e o materialismo ateu não dão conta da realidade. [...] o materialismo entendido num sentido, duro, ‘chato, totalitário e ateu mostra-se inviável e inaceitável”. P. 138-139.

Por incrível que pareça, até alguns Filósofos ateus, a exemplo do Bradley Monton e Thomas Nagel, chegaram a conclusões semelhantes.


Em mais um livro concluído do Alister McGrath (Ph.D em Biofísica Molecular e Ph.D em Teologia Histórica na Universidade de Oxford), constato novamente as grandes habilidades do autor em transmitir conhecimento abalizado e seguro de uma maneira espetacular.

Em poucas páginas ele destrói as pretensões materialistas mais otimistas dos cientificistas. Mostrando o quanto o ateísmo é limitado em suas asserções. No que concerne ao Cristianismo propriamente dito, discordo de algumas conclusões do autor.

O McGrath sempre deixa claro ao longo de toda sua obra, os limites epistemológicos do que defende e escreve. Eis uma qualidade que está ausente tanto em teístas como ateístas.

Conheço alguns crentes que pensam que suas argumentações racionais, baseadas na lógica e raciocínios abstratos têm poderes quase mágicos para persuadir e convencer os discordantes. São cativos das ilusões que nos foram legadas pelo iluminismo.


Esse livro repete os vários argumentos propostos a favor da Teoria do Design Inteligente em detrimento da aceita Teoria da Evolução. De maneira didática e organizada, traça rapidamente a viagem de Darwin no navio Beagle e sua posterior formulação da Teoria da Evolução.

Mostra os erros e fraudes que ocorreram no final século XIX e no século XX de alguns cientistas para provarem a cientificidade da evolução, tais como: a experiência de Urey-Milley, o Homem de Java, o Homem de Piltdown, o Homem de Nebraska, o Homem de Pequin, os Embriões de Hackel e etc. Estes são os velhos exemplos repetidos ad nauseam. Porém, o autor menciona casos recentes de fraudes cientificas tentando corroborar a teoria. Fraudes estas, que eu desconhecia, ou não lembrava. 

Um dos pontos positivos do livro foi em mostrar que dois importantes pilares históricos do Darwinismo estão sendo cruelmente solapados pela Academia. A ideia de um “Ancestral Comum” e a famosa “Árvore de Darwin”, conceitos interligados na teoria. Cientistas e revistas importantes são amplamente citados expondo as fragilidades desses conceitos ultrapassados da teoria, segundo eles.

O livro peca, a exemplo dos demais que tratam dessa questão, em não expor o que realmente é a Teoria do Design Inteligente de maneira didático-sistemática. Apenas se restringe a enumerar os inúmeros buracos que a Teoria da Evolução possui. Tudo bem, que faz parte do labor científico tentar falsear com rigor, lógica e pesquisas as teorias dominantes. 

No entanto, se os adeptos do Design, afirmam possuir uma teoria concorrente, que então apresentem os mecanismos pelos quais o tal Designer criou os seres vivos. Pois se não conseguem fazer isso, ou ainda se afirmarem não possuírem no momento os aparatos científicos e tecnológicos para tal, fica evidenciado que a sua teoria, pelo menos nesse quesito falha dos mesmos problemas epistemológicos que a teoria paradigmática é acusada de sofrer.


Phillipp E. Johnson (Professor de Direito na Universidade de Berkeley, na Califórnia) trata de assuntos relacionados ao materialismo filosófico, ciência, darwinismo, ética e etc.

O prefácio foi escrito pelo renomado Dallas Willard, Ph.D em Filosofia na Universidade Wisconsin-Madison, que num certo momento diz:

"A razão é a capacidade humana de determinar, por meio do pensamento, o que é ou não real. Séculos atrás, o pensador honesto tinha de estar disposto a seguir a pergunta ainda que esta conduzisse a um universo sem Deus. O mesmo se dá com o pensador honesto de hoje. Ele tem de se dispor a seguir a pergunta ainda que esta conduza a um universo governado por Deus. Atualmente, esta última possibilidade é o motivo de aqueles que se julgam responsáveis por tudo que é razoável e certo se tornarem intolerantes e arrogantes. Eles não suportam esta estar errados sobre a não existência de um Deus real." P. 11.

O  objetivo de Johnson é romper os alicerces do naturalismo metafísico, fazendo as perguntas e questionamentos certos para expor as fragilidades epistêmicas em que a Academia está imersa. Creio que ele é bem sucedido nessa empreitada.

O autor não tem receio em tentar propor um novo alicerce para o desvendar da realidade no mundo natural. Esse novo (quer dizer velho) fundamento seria o Deus judaico-cristão. O subtítulo do penúltimo capítulo é: "E se começarmos com a Palavra?". Uma alusão clara ao Logos joanino. O Cristo dos evangelhos.

Depois ele que não reclame e resmungue quando os oponentes do Projeto do Designer Inteligente, classificarem esse movimento sarcasticamente como apenas mais uma "evolução" do bom e velho criacionismo bíblico tão caro aos mais fervorosos literalistas do Gênesis.