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sexta-feira, 16 de abril de 2021

Darwin Sem Frescuras

 


LOPES, Reinaldo José; PIRULA. Darwin Sem Frescura: Como a Ciência Evolutiva Ajuda a Explicar Algumas Polêmicas da Atualidade. Rio de Janeiro: HarperCollins, 2019. (PDF).

Uma decepção!

Um livro que tem por finalidade ser simples, direto, agradável, e apresentar o velho "Darwin sem frescuras", faz exatamente o contrário. Bote frescura nisso! Leitura chata, maçante e desempolgante.

Poucos capítulos escapam.

Pirula, Doutor em Zoologia na USP, que já acompanhei em diversos vídeos, sempre se pautou pela clareza na exposição de suas ideias. No entanto, na escrita deste livro, vi um Pirula totalmente oposto.

Reinaldo José Lopes, Doutor em Estudos Linguísticos e Literários em Inglês na USP, um autor que também se pauta pela clareza e leitura atraente, a qual já pude constatar em um de seus livros, também falha miseravelmente nas páginas desta obra.

O livro se propõe aos leigos, mas passa longe disso. Eles querem ser engraçados, mas suas piadinhas artificiais não colam em nenhum momento.

Uma pena! Ambos têm uma habilidade brilhante para comunicar suas ideias, no entanto, deixaram ela de lado neste livro.

Vamos recortar algumas coisinhas desta obra.

Os autores rechaçam a acusação costumeira dos criacionistas, de que a evolução é falsa por falta de fósseis transicionais.

“Fósseis de transição são as lacunas de evidências mais trombeteadas pelos criacionistas. Para eles, a ausência dos 'elos perdidos' tornaria a Evolução uma ideia totalmente falsa. Falsa, na verdade, é essa afirmação dos criacionistas, e é falsa de muitas maneiras — não só porque os fósseis de transição não são fundamentais para provar a veracidade da Evolução, mas também porque existem centenas desses fósseis. Explicando o primeiro erro da afirmação: a genética, a embriologia, a anatomia comparada, a dinâmica populacional e mesmo experimentos com bactérias já seriam suficientes para demonstrar a Evolução. Os fósseis constituiriam apenas um bônus nesse mar de evidências paralelas.” P. 50.

A explosão cambriana, tão propalada pelo criacionistas, não é tão “explosiva” assim, pois ela levou 40 milhões de anos, o que acaba solapando a rapidez com que os criacionistas acham que a vida ocorreu.

“E essa explosão está registrada num crescente de diversidade que vai de 540 milhões a 500 milhões de anos atrás. Ou seja, a tal explosão, que na visão dos criacionistas seria a ‘criação de vida do nada’, levou 40 milhões de anos para acontecer. Isso está mais para um bolo assando que para uma explosão.” P. 81.

Há um capítulo inteiro sobre a homossexualidade.

“A homossexualidade aparece em todas as culturas e sociedades humanas, presentes e pretéritas (até onde podemos averiguar), em uma curiosa proporção que sempre oscila entre 4% e 10% da população. Ou seja, há uma quantidade mais ou menos fixa de pessoas na humanidade que preferem se relacionar com outras do mesmo sexo.” P. 119.

Existem ainda muitos que acreditam que a homossexualidade é simplesmente uma escolha do individuo. No Brasil, o propagador mais conhecido, e, diga-se de passagem, o mais estúpido, é o Silas Malafaia. Eles usam também a homossexualidade como evidência de que a evolução não é verdadeira.

“Expliquemos o questionamento: o fato de alguns preferirem se relacionar com pessoas do mesmo sexo traz uma consequência óbvia, que é a menor probabilidade de deixar descendentes. Se você deixa menos descendentes, é esperado que sua linhagem genética desapareça com o tempo. Seguindo essa lógica, se houvesse algo genético que favorecesse a homossexualidade, esses genes já deveriam ter sido extintos da população há muito tempo por mera desvantagem evolutiva. E aí? Para resolver essa questão, só existem dois caminhos, correto? 1) A homossexualidade não é inata (e, portanto, seria uma ‘escolha’ dos indivíduos, não tendo nada de genético); 2) a Evolução não existe. ‘Peguei vocês, seus escritores evolucionistas marxistas seguidores da agenda gayzista do George Soros’, diria algum leitor mais raivoso e conspiracionista.” P. 119.

Uma informação de grande importância que aparece no livro, em vista do atual contexto identitário e idiota que estamos vivendo, espalhado pelo movimento negro e pessoinhas da esquerda:

“Ao pessoal que condena o uso do termo mulato por considerá-lo pejorativo, há vários estudos defendendo a ideia de que ele não deriva da palavra ‘mula’, como se costuma pensar, mas do termo árabe muwallad — nascido —, que designava o mestiço de árabe com não árabe na Espanha muçulmana e na África.” P. 120.

Os homossexuais têm um jeito específicio de ser, têm traços identificáveis - aquilo que pejorativamente chamamos de boiolagem, viadagem, baitolagem?

“Mas, em linhas gerais, há uma curva gaussiana (aquelas curvas de gráfico em formato de sino, em que a parte mais alta indica a maioria) indicando que homossexuais apresentam, sim, trejeitos identificáveis na maioria dos casos. Isso poderia ser uma característica cultural? (Afinal, o meio gay acabaria por ‘contaminar’ as pessoas com estereótipos que elas incorporariam por identificação.) Até poderia, mas tudo indica que essa explicação não faz muito sentido. Isso porque foram realizados estudos internacionais aplicando os mesmos testes em várias culturas e continentes diferentes (Américas do Norte e do Sul, Oceania, Europa e Ásia) e os traços de feminilidade ou masculinidade que distinguem os homossexuais foram observados com mínimas diferenças em todos os países estudados. É claro que mais estudos precisam ser feitos para comparar os resultados com os de outras sociedades, mais fechadas e menos expostas à cultura de origem europeia.

[...]

Esses traços — tanto de voz quanto de expressão corporal — que podem ajudar a identificar uma boa porcentagem de homossexuais são observados também (prenda a respiração e tente ler o parágrafo até o final antes de fechar o livro e jogá-lo fora)… em crianças . Sim, sabemos que é quase impossível falar sobre sexualidade de crianças, porque, por definição, crianças não possuem nenhuma libido ou interesse sexual. Toda e qualquer tentativa de sexualização de crianças de que temos notícia gera traumas e comportamentos anômalos decorrentes desses traumas. Porém, mesmo antes de os hormônios responsáveis pela libido aflorarem, esses traços ‘acessórios’, por assim dizer, de orientação sexual podem ser detectados. Igualmente em uma porcentagem bem alta (88% em alguns estudos), esses traços acabam por corresponder às preferências sexuais que os indivíduos terão depois da puberdade (e bissexuais ficam em um meio-termo, metade correspondendo, metade não). Essas crianças são chamadas de pré-homossexuais (existe, portanto, o termo pré-heterossexual também) na literatura acadêmica, pois não é possível classificá-las até chegarem a uma fase adulta, mas é possível identificar esses traços que indicam uma probabilidade alta (que nunca é de 100%, vale sempre lembrar) de que serão homossexuais. Um fato interessante é que, em meninas, essa detecção é menos acurada do que em meninos, ou seja, um menor número de meninas com comportamento pré-homossexual vai efetivamente ser lésbica na vida adulta. Mas, mesmo assim, o percentual também é alto.

Em resumo, há características objetivas de voz e linguagem corporal que podem ser observadas na maioria dos homossexuais, homens ou mulheres, que se repetem em diferentes culturas e modelos de sociedade e que são detectáveis pela maioria das pessoas, sejam homossexuais ou não.” P. 126-127.

Eles fornecem muitas explicações científicas que formam uma base sólida da homossexualidade não como uma escolha livre e espontânea das pessoas, mas de determinantes biológicos. Isso tem feito os religiosos evangélicos ficarem numa bica de sinuca, pois sempre afirmaram que a homossexualidade é escolha pecaminosa dos indivíduos, dizendo que se eles quiserem, podem parar e passar a gostar sexualmente de pessoas do sexo oposto.

quinta-feira, 5 de julho de 2018

O Capelão do Diabo



DAWKINS, Richard. O Capelão do Diabo. São Paulo: Companhia das Letras, 2005. (PDF).

Meu primeiro contato com este livro deu-se há uns 11 ou 12 anos, quando em visita a uma livraria, fui para a prateleira de religião, encontrando o infame O Capelão do diabo. Acho que o autor não ficaria feliz de saber que seu livro estava junto as “porcarias” metafísicas que ele mais odeia e que tem travado uma aguerrida batalha nas últimas décadas.

Richard Dawkins (Ph.D em Zoologia na Universidade de Oxford, membro da Royal Society e da Associação Britânica para o Avanço da Ciência) traz nesta obra uma série de artigos, cartas e ensaios reunidos. Foram escritos em momentos distintos, abrangendo temas que já são conhecidos em sua agenda literária. Evolução, Ciência, Religião, Ateísmo, Relativismo, Ética...

Aqui será o maior “resumo” que já fiz neste blog. Com o costumeiro modo de deixar que o próprio autor resumido fale por si mesmo, com várias citações da obra em questão.    

Dawkins não se mostra muito favorável as importunações que os Filósofos fazem ao trabalho científico, questionando o status de verdade deste.

“Os cientistas tendem a assumir uma visão confiante em relação à verdade e ficam impacientes com a ambigüidade filosófica a respeito de sua realidade ou de sua importância.” P. 11.

Outro grupo ao qual ele dispara suas críticas é ao pessoal das ciências humanas, que com um linguajar rebuscado sob o manto da erudição, não dizem nada com nada. O pior que ele tem muita razão no que diz.

“A física é um assunto genuinamente difícil e profundo, de tal maneira que os físicos necessitam dar duro — e o fazem — para tornar sua linguagem tão simples quanto possível (‘mas não mais simples do que seria necessário’, como insistiu Einstein, corretamente). Outros acadêmicos — alguns apontariam o dedo para as escolas européias de teoria literária e de ciências sociais — sofrem daquilo que Medawar (eu acho) chamou de ‘inveja da física’. Eles desejam ser considerados profundos, mas seu assunto é na realidade um tanto simples e raso, de modo que eles necessitam revesti-lo de uma linguagem difícil para reestabelecer o equilíbrio.” P. 12.

Há uma admissão de que o darwinismo traz em seu germe implicações morais perturbadoras, e que, felizmente podemos lutar elas.

“Não há contradição alguma em considerar o darwinismo correto enquanto cientista e acadêmico e, ao mesmo tempo, me opor a ele como ser humano. Isso não é mais incoerente do que explicar o câncer como médico e pesquisador e simultaneamente lutar contra ele no exercício da clínica. Por razões absolutamente darwinianas, a evolução nos legou um cérebro que se avolumou até o ponto de se tornar capaz de compreender a sua própria origem, de deplorar suas implicações morais e de lutar contra elas. Toda vez que usamos a contracepção, demonstramos que o cérebro pode contrariar os desígnios darwinianos.” P. 16.

Seu tiro de canhão agora disparado contra o relativismo cultural. Eu mesmo usei exemplo semelhante para o meu Professor de Antropologia.

“Mostre-me um relativista cultural voando a 10 mil metros de altura e eu lhe mostrarei um hipócrita [...] Se você está viajando de avião para um congresso de antropólogos ou de críticos literários, a razão pela qual provavelmente chegará ao seu destino — ao invés de despencar num campo cultivado — é que uma porção de engenheiros ocidentais cientificamente treinados acertaram nas contas.” P. 19.

Para Dawkins algumas coisas já não são mais passíveis de refutação na Ciência, visto que já foram convincentemente comprovadas (páginas a frente ele se contradiz). Posso não concordar com todos os exemplos citados por ele, mas tendo a subscrever que sim – há coisas que são simplesmente verdadeiras e ponto final. E isto em nada dogmatiza ou engessa a Ciência.  

“É simplesmente verdadeiro que o Sol é mais quente que a Terra e que a escrivaninha na qual eu escrevo neste momento é feita de madeira. Essas não são hipóteses que aguardam refutação, nem aproximações temporárias de uma verdade sempre impalpável; também não são verdades locais que poderiam ser contestadas em uma outra cultura. E o mesmo se pode dizer com segurança em relação a muitas verdades científicas, ainda que não possamos vê-las ‘com os nossos próprios olhos’. A dupla hélice do DNA será sempre verdadeira, assim como será sempre verdadeiro que, se você e um chimpanzé (ou um polvo ou um canguru) seguirem o rastro de seus antepassados até um ponto suficientemente longínquo, acabarão por encontrar um ancestral comum. P. 22.

Espiritualidade na Ciência? Sim.

“A ciência pode ser espiritual, até mesmo religiosa, no sentido não sobrenatural da palavra. P. 30.

Algo que impressiona é o Código Genético ser totalmente digital.

“É difícil ser exagerado em relação à absoluta euforia intelectual no campo da genética depois de Watson e Crick. O que ocorreu é que a genética se converteu num ramo da informática. O código genético é de fato digital, exatamente no mesmo sentido que os códigos dos computadores. Não se trata de uma analogia vaga, mas de uma verdade literal. Além do mais, diferentemente dos códigos dos computadores, o código genético é universal. [...] O código genético, por outro lado, com algumas poucas exceções secundárias, é idêntico em todas as criaturas vivas neste planeta, dos tiobacilos às sequóias-gigantes, dos cogumelos aos homens. Todas as criaturas vivas, ao menos neste planeta, são da mesma ‘marca’.” P. 30-31.

É comum ouvirmos que a Ciência não tem nada a dizer sobre a Ética, a Moral...Mas ela pode lançar (e tem lançado) luz sobre elas. Parece-me que muitos ainda não perceberam isso, ou fingem não perceber.

“A ciência não conta com um método para decidir o que é ético. Trata-se de um assunto que fica a cargo dos indivíduos e da sociedade. Mas a ciência pode ajudar a esclarecer as perguntas formuladas e pode também desfazer mal-entendidos que geram confusão.” P. 36.

Dawkins vê a si mesmo com uma pessoa totalmente imparcial na busca da verdade. Coitado, ele acredita mesmo nisso?

“No entanto, em qualquer lugar do mundo onde me pedissem para, numa única expressão, caracterizar o meu papel como professor de Compreensão Pública da Ciência, creio que eu escolheria Advogado da Verdade Desinteressada.” P.38.

Dawkins no início de seu livro passa uma visão absolutista da realidade que podemos aprender através do método científico, em resposta aos desmandos dos pós-modernistas que relativizam tudo. Mas agora entra em contradição ao dizer que ao invés de termos um conhecimento verdadeiro do mundo, temos apenas um conhecimento útil dele. Ele sem perceber acaba concordando com os pós-modernistas.

“Nossos órgãos sensoriais, como todas as partes de nosso corpo, foram modelados pela seleção natural darwiniana ao longo de inumeráveis gerações. Poderíamos pensar que eles foram moldados para nos dar um retrato ‘verdadeiro’ do mundo como ele “realmente” é. É mais seguro presumir que eles foram moldados para nos fornecer um retrato útil do mundo, que nos auxilie em nossa sobrevivência. De certo modo, o que os órgãos sensoriais fazem é ajudar o nosso cérebro a construir um modelo útil do mundo, e é nesse modelo que nos movemos. É um tipo de ‘realidade virtual’, de simulação do mundo real.” P. 47.

Biologia sem evolução? Dawkins não vê sentido nisto.

“Sem a evolução, a biologia se resume a uma miscelânea de fatos heterogêneos. Até que as crianças aprendam a raciocinar em termos evolutivos, os fatos que elas vierem a conhecer serão apenas fatos, sem nenhuma articulação entre eles e sem nada que os torne significativos ou coerentes. Com a evolução, há uma luz que penetra os mais íntimos recessos, os espaços mais remotos da ciência da vida. Não só se compreendem os fatos, como as razões deles. Como é possível ensinar biologia a menos que se comece pela evolução? Como, a bem da verdade, alguém pode se considerar uma pessoa instruída se nada sabe sobre a razão de sua própria existência?” P. 58.

A evolução tem aplicações interplanetárias, intergalácticas, abrange todo o Universo. Onde houver vida no Universo, ela passou por processos darwinianos, segundo o nosso amigo. Faz sentido, caso ela seja verdadeira mesmo.

“A evolução darwiniana não é simplesmente a base da vida em nosso planeta. É possível defender o argumento de que ela é essencial à vida em si mesma, um fenômeno universal onde quer que haja vida. Se essa suposição estiver correta, a luz lançada por Darwin vai muito mais longe do que jamais sonhou aquele homem gentil e modesto.” P. 62.

Na página 22, já citada, Dawkins diz que a ancestralidade comum dos seres vivos será sempre verdadeira. Entretanto, sua contradição torna-se bastante aparente, quando diz que o darwinismo pode ser abandonado no futuro por não poder responder a questionamentos abalizados que venham a derrubá-lo. A pergunta é: o darwinismo será ou não será sempre verdadeiro? Pode haver um equívoco meu, se a ancestralidade comum não for parte inerente a ideia de evolução proposta por Darwin. O que acho que não é o caso. A ancestralidade comum faz parte do núcleo do pensamento evolutivo.

“Eu falei da vocação de Darwin para compreender as coisas da maneira correta, mas, seguramente, isso só pode significar ‘correta’ do nosso ponto de vista atual. Não seria o caso de sermos humildes o bastante para admitir que o nosso ‘correto’ pode estar completamente errado na opinião das futuras gerações de cientistas? A resposta é ‘não’. Há ocasiões em que a humildade por parte de uma geração pode mostrar-se imprópria, para não dizer pedante.

Atualmente podemos afirmar com confiança que a teoria de que a Terra gira em torno do Sol não apenas é correta no nosso tempo como será correta em todo momento futuro, ainda que a hipótese da Terra plana venha a reviver e a tornar-se universalmente aceita numa nova era das trevas da história humana. Não é possível afirmar exatamente que o darwinismo se encontra na mesma categoria incontestável.

 Pode ser que uma oposição respeitável a ele venha a ser produzida, e pode-se argumentar com seriedade que a atual reputação elevada do darwinismo nas mentes instruídas talvez não perdure ao longo de todas as gerações futuras. Darwin pode mostrar-se triunfante ao final do século XX, contudo temos que reconhecer a possibilidade de que novos fatos venham à luz, forçando nossos sucessores do século XXI a abandonar o darwinismo ou a modificá-lo até que ele se torne irreconhecível.

 Mas será que há um núcleo essencial do darwinismo, um núcleo que o próprio Darwin pudesse ter descrito como o cerne irredutível de sua teoria, que poderíamos situar como uma teoria virtualmente candidata a permanecer fora do alcance da refutação factual?” P. 81.

Ao contrário do que muitos alegam, há componentes hereditários na homossexualidade.

“Os fatos podem ser apresentados em algumas poucas palavras. Uma equipe de pesquisadores do National Institutes of Health, em Bethesda, Maryland, relatou na revista Science o seguinte padrão. A probabilidade de que os homens homossexuais tenham irmãos homossexuais é mais alta do que seria de se esperar se fosse apenas um acaso.

Significativamente, também a probabilidade de que eles tenham tios maternos homossexuais e primos do lado materno homossexuais é maior do que a esperada, o mesmo não ocorrendo do lado paterno. Esse padrão levanta a suspeita imediata de que ao menos um gene causador da homossexualidade nos homens se localiza no cromossomo X.a.

A equipe de Bethesda foi ainda mais longe. A tecnologia moderna possibilitou que procurassem por marcadores moleculares específicos no próprio código do DNA. Numa região, chamada de Xq28, perto da extremidade do cromossomo X, eles encontraram cinco marcadores idênticos partilhados por uma porcentagem sugestivamente alta de irmãos homossexuais. Esses fatos combinam-se com elegância entre si para confirmar indícios anteriores de um componente hereditário em relação à homossexualidade masculina”. P. 102.

Mas a genética do indivíduo não é determinante se ele será ou não homossexual.

“[...] o fato de um indivíduo possuir um gene particular não determina infalivelmente que ele será homossexual. É muito mais provável que a influência causal será estatística. O efeito dos genes nos corpos e no comportamento é como o efeito da fumaça do cigarro nos pulmões. Se você fuma muito, isso aumenta a probabilidade de que você tenha um câncer de pulmão. Mas não determina infalivelmente que você terá um câncer de pulmão. Nem garante infalivelmente que você não terá um câncer de pulmão se evitar o fumo. Vivemos num mundo estatístico.” P. 103.

“Os genes não têm o monopólio do determinismo.” P. 104.

Dawkins se pergunta sobre o porquê das religiões serem tão ridículas, dando o exemplo de uma distintiva crença católica.

“Seria possível pensar que algumas religiões são preferidas, não apesar de serem ridículas, mas precisamente porque são ridículas? Qualquer religioso iniciante poderia acreditar que o pão representa simbolicamente o corpo de Cristo, mas é preciso ser um católico verdadeiro, um católico até a raiz dos cabelos, para acreditar em algo tão bizarro como a transubstanciação. Se alguém pode acreditar nisso, pode acreditar em qualquer coisa.” P. 135.

Os televangelistas e suas vigarices escancaradas:

“Muitos de nós apostaríamos que ninguém teria sucesso se fosse à televisão e dissesse, com todas as palavras: ‘Envie-me seu dinheiro para que eu possa usá-lo para convencer outros trouxas a me enviar o dinheiro deles também’. E no entanto, hoje em dia, em qualquer grande cidade dos Estados Unidos nós podemos encontrar pelo menos um canal evangélico totalmente dedicado a esse tipo de fraude transparente. E eles conseguem sacos de dinheiro. Diante dessa parvoíce em escala tão assustadora, é difícil não nutrir um sentimento de compreensão ressentida em relação a esses vigaristas de ternos brilhantes.

Até que nos lembramos de que nem todos os trouxas são pessoas ricas, e de que quase sempre é com o parco dinheirinho das viúvas que os evangélicos engordam seus cofres. [...] Deus só aprecia verdadeiramente uma doação, disse ele, com sinceridade apaixonada, quando ela é substancial a ponto de representar um prejuízo para o doador. Anciãos pobres eram conduzidos em cadeiras de rodas para testemunhar o quanto eles se sentiam mais felizes depois de terem doado o pouco que tinham para o reverendo fulano de tal.” P. 136.

Dawkins é irredutível. Não há harmonia entre religião e Ciência.

“Estarão a ciência e a religião convergindo? Não. Atualmente há cientistas cujas palavras soam religiosas, mas cujas crenças, se examinadas de perto, mostram-se idênticas às de outros cientistas que se referem a si mesmos, sem rodeios, como ateus.” P. 139.

Há coisas que Dawkins escreve que só lendo as próprias palavras dele para acreditar. Surpreendentemente ele diz que:

“[...] a religião [não] é em si a motivação para as guerras, os assassinatos e os ataques terroristas, mas que ela é o principal rótulo, e o mais perigoso, pelo qual se demarca uma oposição entre um ‘eles’ e um ‘nós’. Não estou afirmando nem mesmo que a religião seja o único rótulo pelo qual demarcamos as vítimas de nossos preconceitos. Há também a cor da pele, a língua e a classe social. Mas, com freqüência, como é o caso na Irlanda do Norte, esses rótulos não se aplicam, e a religião torna-se o único sustentáculo de uma divisão. Mesmo quando não está sozinha, ela é quase sempre um ingrediente explosivo na mistura desses rótulos. P. 148-149.

A bala do seu canhão agora é disparada contra a Homeopatia, que carece de testes que a legitimem como tratamento medicinal eficaz. Lembro que em 2004 o programa Fantástico exibiu durante quatro domingos seguidos, a batalha de um Cientista em tentar provar a cientificidade dos remédios homeopáticos. Os testes não foram favoráveis.

“Há uma saída possível em relação a esse problema, da qual os homeopatas frequentemente lançam mão desde que se chamou a atenção deles para essa dificuldade embaraçosa. O modo de ação de seus remédios, dizem eles, não é químico, mas físico. Eles concordam com a afirmação de que nem uma única molécula do ingrediente ativo subsiste no frasco que compramos, mas isso só importa se insistirmos em raciocinar nos termos da química. Eles acreditam que, por algum mecanismo físico que os próprios físicos desconhecem, uma espécie de ‘traço’ ou de ‘memória’ das moléculas ativas se imprime nas moléculas da água empregada para diluí-las. É o molde impresso fisicamente na água que cura o paciente, e não a natureza química do ingrediente original. Essa é uma hipótese científica, no sentido de que é passível de verificação. Ela é facilmente testável, na verdade, e se não me dou ao trabalho de fazê-lo é somente porque considero que o tempo e o dinheiro de que dispomos seria mais bem empregado no teste de uma hipótese mais plausível. Mas todo homeopata que realmente acredite em sua teoria deveria se esforçar dia e noite para comprová-la.

Afinal de contas, se os testes duplo-cego dos medicamentos prescritos aos pacientes produzissem repetidamente um resultado positivo confiável, ele ganharia um prêmio Nobel não somente de medicina como também de física. E teria descoberto um princípio da física novinho em folha, talvez uma nova força fundamental no universo. Com uma tal perspectiva em vista, os homeopatas com certeza devem estar se acotovelando uns com os outros na sua ânsia por chegar primeiro ao laboratório, correndo em disparada, como Watsons e Cricks alternativos, para reclamar para si esse brilhante galardão científico. Bem, na verdade eles não estão. Será que eles não acreditam de fato em sua teoria, afinal de contas?” P. 172.

Valeu demais a leitura. Gosto do Dawkins, apesar de seus exageros. Meus amigos é que não gostam.

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Documentários Vistos (27)


Criacionistas, criacionistas... São incansáveis em tentar provar a idade do Universo em apenas 6 mil anos. E por que isso? Porque a Bíblia assim o diz, segundo eles. São contra a evolução, mas são incapazes de tentar apresentar um mecanismo científico, pelo qual os seres humanos vieram a existência. A Biologia evolutiva, com todas as limitações, defeitos, erros metodológicos, algumas fraudes, pelo menos vem propondo mecanismos viáveis, ainda que passíveis de dúvidas e sérias contestações. Mas o que os Cientistas da criação têm feito? De 1 a 10, nota 5 para esse documentário. Só porque acredito em um Criador. 


Escobar foi o Pelé e o Maradona das drogas. É o eterno paradigma dos grandes cartéis de drogas. Mandava e desmandava na Colômbia. Foi um narcoterrorista. Morreu em 2 de dezembro de 1993, com três tiros, quando tentava fugir através do telhado da casa em que estava escondido. Mas até hoje, não se sabe quem o matou de fato. O que sabemos é que para pegá-lo, o governo colombiano contou com a ajuda norte-americana, e teve que se aliar ao criminoso cartel de Cali e aos Lo Pepes (organização também criminosa), ambos inimigos mortais de Pablo Escobar. Se não assim não fosse, Escobar não teria sido pego no final de 1993. Talvez durasse mais alguns meses ou anos, ou quem sabe, com muitíssima sorte (sorte não, milagre mesmo), poderia estar vivo até hoje.


Segundo documentário que vejo de Russell Brand, que é um ex-viciado em drogas, que tem militado nos últimos anos, junto as autoridades inglesas e mundiais, para que o tratamento dos viciados em entorpecentes e álcool, sejam mais eficientes. Para ele, falta empenho do governo da Inglaterra, em tratar os usuários. A política estatal tem trabalhado de forma ineficiente para amenizar o problema de quem sofre desse mal, gastando milhões de forma irresponsável. 


O carinha compra um motel (hotel ao lado de uma rodovia), só para observar os hóspedes transando. Ele mesmo faz sozinho as reformas necessárias para que pudesse vê-las, sem ser descoberto. Durante mais ou menos 30 anos, esse foi o seu lazer noturno, noite após noite, com o consentimento de sua esposa. Não há vídeos, não há fotos, apenas as suas memórias.

Gay Talese, Jornalista conhecido e de grande credibilidade, conheceu Gerald Foos, o voyeur, em 1980, e depois de mais de três décadas, ambos resolvem, enfim, revelarem essa história inusitada ao grande público, através de uma matéria numa revista conceituada e posteriormente num livro. Gerald Foos acredita que seus "crimes" prescreveram, visto que segundo ele, o motel foi vendido em 1997. Portanto, a justiça americana não tem como cair em cima dele. 

Documentário muito bom, que nos surpreende com alguma reviravoltas no final. O livro já está publicado em português. 


Em tom amigável e não critico, o consagrado ator de Hollywood, Morgam Freeman, viaja o mundo em busca de respostas vindas das religiões para as questões centrais da vida humana. Freeman escuta atentamente o que a religião católica, protestante, budista, hinduísta e etc., tem a oferecer a humanidade sobre o que é a vida após a morte, como foi a criação do mundo, sobre os milagres, sobre a existência do mal, sobre quem é Deus, entre outras questões que sempre embaralham nossas cabecinhas inquietas. As respostas por vezes soaram hiper triviais e óbvias, as falas do Freeman também. Ele também conversou com especialistas, para situar o telespectador sobre os avanços científicos alcançados sobre os temas mencionados. São 6 documentários nessa primeira temporada. Eu gostei.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Livros Lidos (34)



Essas são as questões tratadas neste livro:

1. A questão da origem:

De onde eu vim?

2. A questão do destino:

Para onde vou?

3. A questão da finalidade:

Por que estou aqui?

4. A questão dos padrões morais:

Como devo viver?

O que responde melhor essas perguntas? O Ateísmo? O Teísmo Cristão? 



Lourenço é um dos poucos Cientistas que defendem o Criacionismo da Terra Jovem, que ele acredita ser o ensino retirados da Bíblia. Para ele é crucial que a igreja evangélica assim creia. É questão de extrema importância. Nesse livreto, ele força a barra para adequar a sua interpretação das escrituras ao que a Ciência descobriu. 


Johnson é o líder do Movimento de Design Inteligente, um projeto empreendido por vários Cientistas, com a finalidade de jogar por terra a Teoria da Evolução. Esse livro é um dos pioneiros nessa batalha contra Darwin e a comunidade científica. Lembrando que Johnson não é Cientista, mas sim, um grande especialista em Direito, na Universidade de Berkeley, Califórnia. 


Outro livro do Johnson contra a evolução. Ousado esse título, hein? Ele consegue "derrotar o evolucionismo com a mente aberta"? Não. Mas o livro tem seus méritos. Questões de crucial relevância levantadas que precisam ser respondidas. Meu problema com ele, algo que já expressei em outras postagens, é seu verdadeiro objetivo de colocar o teísmo cristão como pressuposto nas Universidades. No fundo, no fundo, me parece, que ele quer resgatar o velho criacionismo. 


Alister McGrath é um dos meus autores cristãos favoritos. Esse cara é equilibrado, inteligente, é possuidor de um vasto conhecimento científico, teológico e histórico, como poucos. Esse livro, juntamente com a sua esposa, é uma boa refutação das ideias centrais do Deus, Um Delírio, já postado nesse blog, Os McGraths dão uma bela resposta ao Dawkins. Lembrando que ele tem muitas coisas boas em seu livro antirreligioso. 

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Os Cientistas e os Seis Dias de Gênesis

Do Iluminismo do século XVIII para cá, cada vez mais estudiosos e pessoas comuns têm se revelado ateias, irreligiosas, agnósticas e anti-religião. Os tempos mudaram. Não vivemos mais em uma sociedade homogênea, onde todos diziam-se crentes em Deus, em Jesus, na Bíblia e na igreja. Esses fundamentos há muito tempo vêm sendo ridicularizados, questionados e abandonados. Nas universidades e Centros de Pesquisas são aonde mais se vê a indiferença pelo transcendente. Em alguns setores e departamentos universitários é generalizado o ceticismo e desdém pela crença em Deus. O passado com suas crendices ficou para trás. A Ciência possibilitou o conhecimento não completo e exaustivo, mas suficiente, para descartar qualquer metafísica sobrenatural em nosso mundo. Assim pensam, acredito eu, a maioria dos Cientistas e boa parte dos acadêmicos de outras áreas.

Considere o que diz Richard Dawkins (Ph.D em Zoologia na Universidade de Oxford), onde para ele, os cristãos estão desalentados e ansiosos para encontrarem Cientistas do primeiro escalão que creem em Deus.

“Fica cada vez mais difícil encontrar grande cientistas que professem sua religião ao longo do século XX. [...] O empenho dos apologistas para encontrar cientistas modernos destacados que sejam religiosos tem um certo ar de desespero, produzindo o som inconfundível de se raspar o fundo da panela. [...] Um estudo na importante revista Nature, de Larson e Witham, em 1998, mostrou que dentre os cientistas americanos considerados eminentes o bastante para serem eleitos para a Academia Nacional de Ciências (o equivalente a pertencer a Royal Society na Grã-Bretanha) apenas cerca de 7% acreditam num Deus pessoal. [...] O que é notável é a completa oposição entre a religiosidade do povo americano em geral e o ateísmo da elite intelectual". P. 140, 141, 142. (Deus, Um Delírio. São Paulo: Companhia das Letras, 2007).

Não acho que ele esteja de todo errado. Cientistas cristãos, encontraremos muitíssimos, tanto aqui, no Brasil, como nos EUA, talvez, na Austrália, e alguns na Europa. Mas digamos, a nata dos Cientistas, não são cristãos e muito menos teístas.

De qualquer maneira, a reação de um grupo pitoresco de Cientistas da Criação veio nos anos 2000, quando de saco cheio de ouvirem de prestigiados Cientistas, como Stephen Jay Gold (Ph.D em Paleontologia pela Universidade de Columbia), Ernst Mayr (Professor Emérito da Universidade de Greifswald), dentre vários outros renomados estudiosos do mundo natural, onde eles disseram que virtualmente nenhum verdadeiro Cientista, atualmente acredita na criação literal do mundo em seis dias, conforme relata o primeiro livro da Bíblia hebraica, o Gênesis. Os Cientistas criacionistas resolveram escrever um livro, onde pudessem reunir um bom número de cristãos fundamentalistas e treinados em Ciência nas mais diversas áreas, para refutar essa generalização.

John Ashton (Membro do Royal Instituto de Química da Austrália e do Instituto de Alimentos, Ciência e Tecnologia da Austrália) reuniu 50 Cientistas para desmentir as declarações feitas contra a fé nos seis dias da criação. Todos eles são crentes na existência de Deus. O Criador é o fundamento da prática científica, dizem eles. Não adianta os Cientistas ateus negarem esse alicerce, sobretudo, quando Deus é quem deu ao ser humano a capacidade de aprender sobre a natureza e seus maravilhosos mistérios.

Aqui vão as dezenas de declarações desses Cientistas incomuns, reunidas no livro Em Seis Dias, publicado no Brasil, pela Sociedade Criacionista Brasileira, entidade da Igreja Adventista do Sétimo.

Ariel A. Roth, Ph.D em Biologia pela Universidade de Michigan, membro da Sociedade Americana de Geologia e membro da Sociedade de Geologia Sedimentar.

“Eu acredito que a ciência não estaria enfrentando algumas das questões insuperáveis sobre a origem da vida [...] se não tomar uma abordagem tão estreita. Faria bem a ciência se ela voltasse a ter uma atitude mais aberta e ampla que tinha vários séculos atrás, quando os fundamentos da ciência moderna foram estabelecidos. Basta observar que cientistas como Kepler, Boyle, Newton, Pascal e Linn acreditavam em Deus como o Criador, que estabeleceu as leis da ciência.” P. 96.

Andrew Macintosh, Ph.D em Teoria da Combustão pelo Instituto de Tecnologia de Cranfield, na Inglaterra e Ph.D em Matemática pela Universidade do País de Gales.

“Eu acredito que é porque os seres humanos não querem prestar contas a um Deus Criador que eles persistirem com uma teoria [a da evolução] que tem pouca evidência para apoiar isso.” P. 162.

John K. G. Kramer, Ph.D em Bioquimíca pela Universidade de Minnesota, EUA. Bacharel e Mestrado em Bioquímica pela Universidade de Manitoba. Possui Pós-Doutorado pelo Instituto Hormel e pela Universidade de Ottawa.

“Eu acredito em um Criador, porque eu vejo os seus projetos na natureza em todos os lugares e as provas de inteligência no DNA de cada célula.” P. 49.

Bob Hosken, Graduado em Bioquímica pela Universidade de Western Australia, um Mestrado em Bioquímica pela Universidade de Monash, Ph.D em Bioquímica pela Universidade de Newcastle.

“Cada animal é, de certa forma, projetado especialmente para se ajustar ao ambiente específico em que vive. Não posso deixar de atribuir a complexidade de tal projeto a um Criador, em vez de a forças evolucionárias movidas ao acaso.” P. 121.

George T. Javor, (Ph.D pela Columbia University) leciona Bioquímica na Loma Linda University, Loma Linda, Califórnia, EUA.

“Quando afirmamos que o nosso mundo foi criado por um Criador, que implica a existência de uma mente que não só inventou a natureza, mas trouxe tudo à existência. A grandeza de um Deus tal não pode ser exagerada. [...] A diferença entre um crente do século 20 no final do Deus Criador e aquele que vive em 1500 aC, no tempo de Moisés, resume-se ao fato de que agora temos uma melhor perspectiva sobre a grandeza do Senhor.” P. 133.

Timothy Standish, Ph.D em Biologia pela Universidade da Virgínia, Charlottesville, Virgínia. Bacharel em Zoologia na Universidade Andrews. Professor de Genética na Universidade Andrews.

“Eu acredito que Deus fornece evidências de Seu poder criador para que todos possam experimentar pessoalmente em nossas vidas. Para conhecer o Criador não requer um grau avançado na ciência ou teologia. Cada um de nós tem a oportunidade de experimentar o Seu poder criativo em recriar o Seu caráter em nós, passo a passo, dia a dia.” P. 113.

Jonathan Sarfati, Ph.D em Físico-Química pela Universidade Victoria, em Wellington, Nova Zelândia. Possui Bacharelado em Química por esta mesma Universidade.

“Ao ver as obras maravilhosas de projeto no mundo, a pessoa intelectualmente honesta deve concluir que elas foram feitas por um grande Designer.” P. 75.

Henry Zuill, Ph.D e Mestre em Biologia pela Universidade Loma Linda, Califórnia. Possui Bacharelado em Biologia no Atlantic Union College.

“A biodiversidade é um poderoso testemunho sobre o Criador, que confirma Romanos 1:20: "A partir da criação do mundo, os atributos invisíveis de Deus, seu eterno poder como a sua divindade foram claramente observados no que ele fez.’” P. 67.

Jeremy L. Walter, Ph.D, Mestrado e Bacharel em Engenharia Mecânica na Universidade Estadual da Pensilvânia.

“[...] se um Deus Criador Todo-Poderoso existe, sua criação tem valor e finalidade puramente baseado em seu próprio conselho e vontade, e as suas criaturas seriam de especial valor e interesse para Ele. Sua onisciência garante projeto e conhecimento perfeito, e Ele poderia fornecer um padrão para tudo o que é verdadeiro. Como um ser amoroso e pessoal, é razoável que Ele deseja nossa comunhão e escolheu nos revelar os seus propósitos. A Bíblia afirma ser a Sua revelação especial, e ensina exatamente as verdades sobre Deus.” P. 18.

Jerry R. Bergman, Ph.D em Biologia Humana na Universidade de Columbia Pacific. Mestre e Bacharel em Psicologia na Universidade Estadual de Wayne. Mestrado em Sociologia na Universidade Estadual Bowling Green.

“Os cientistas, uma vez argumentaram que a vida era relativamente simples, que ela podia ser gerada espontaneamente [...]. Eles agora percebem que a célula humana é a máquina mais complexa conhecida no universo, muito mais complexa do que o computador mais caro. Essa percepção tem forçado muitas pessoas a concluir que a vida não poderia ter evoluído, mas deve ter sido criada instantaneamente como uma unidade em pleno funcionamento.” P. 37.

Todos estes são crentes convictos (pelo menos é a ideia que passam) na criação do mundo em seis dias literais de 24 horas há apenas alguns milhares de anos. Evidências eles têm? Bom, dizem que têm. Até apresentam algumas supostas provas para algo tão estranho a Ciência adotada pela comunidade científica majoritária. Mas seu principal motivo para tal, não é a Ciência. Ela é secundária, terciária, nesse caso. A Bíblia é a principal fonte para se afirmar que a natureza foi feita em seis dias. O raciocínio é simples: se a Bíblia é a palavra infalível de Deus, então o mundo da natureza não veio a ser o que é, por processos desordenados, e por meio da evolução. O Gênesis, segundo eles, é claro: Deus criou Adão e Eva e os animais em 144 horas. Portanto, está aí, a verdade sobre a origem dos seres vivos. Como eu já escrevi noutras postagens nesse blog, a Ciência é uma subserviente dessa pressuposição, quando eles vão estudar as plantas, as rochas, os animais e etc.  Todas as evidências, que, porventura venham encontrar, são automaticamente reinterpretadas para se adequar a sua visão FIXA.

Eduard Broudeaux, Ph.D em Química pela Universidade de Tulane e Professor Emérito da Universidade de New Orleans, resume bem, o pensamento dos cinquenta cientistas que escreveram Em Seis Dias:

“Finalmente, sou forçado a concluir, como manda a razão, que se a Bíblia é verdadeiramente a Palavra de Deus (como eu estou convencido de que é), então ela deve ser precisa em cada detalhe, incluindo o relato da criação em seis dias literais. A ciência me diz que a evolução não é, certamente, científica, enquanto a criação não está em desacordo com o que é verdadeiramente científico. Por isso, a criação é a visão mais aceitável das origens. A criação exige um ser sobrenatural, criador onipotente; e que a Bíblia é a única fonte convincente de que este Deus é o criador. Na verdade, é, então, o relato bíblico da criação deve ser preciso em cada detalhe, incluindo os seis dias de 24 horas para a conclusão do começo ao fim.” P. 197.

Junta-se a ele, Theo Agard, Médico e Ph.D em Física na Universidade de Toronto, Bacharel e Mestre em Medicina pela Universidade de Londres, que diz:

“Minha crença na criação sobrenatural deste mundo em seis dias se resume em grande parte, nos seguintes pontos: a teoria da evolução não é tão científica como muitas pessoas acreditam.” P. 197.

Fechando as citações, Andrew Snelling, Ph.D em Geologia na Universidade de Sidney, revela:

“Então, por que eu acredito no relato bíblico da criação por Deus ao longo de seis dias literais? [...] A razão é que a Bíblia ensina claramente a criação literal de seis dias e um dilúvio global, não só nos capítulos de abertura do Livro do Gênesis, mas também em todo o Antigo e Novo Testamento, inclusive sendo confirmada pelo próprio Jesus Cristo.” P. 265.

Se o livro quer passar a ideia de que existe uma controvérsia no meio acadêmico, quanto aos seis dias, ou quanto a evolução, só enganarão os desinformados. Fora esse grupo de 50 Cientistas, não existem mais do que duas ou três centenas deles mundo a fora. E a maioria nem são da área da Biologia, disciplina que realmente lida com os seres vivos, e que de fato importa para refutar a evolução das espécies.

Reiterando mais uma vez: Não sou evolucionista. E muito menos treinado em Ciência. Mas lúcido o suficiente pelas leituras fundamentalistas que já fiz até aqui, para rir dessa crença dos seis dias literais. A Bíblia pode perfeitamente ser interpretada de outra forma, mediante boa exegese dos textos sagrados. E se ela ensinar como dizem esses Cientistas os seis dias literais? Caso essa tenha sido a intenção do autor/autores de Gênesis, a resposta é simples: Numa visão científica, o primeiro livro das escrituras está errado e defasado, refletindo as crendices mitológicas do seu momento histórico.

Há elementos mitológicos no texto que não dá para serem descartados, impondo sobre ele nossa visão técnica e científica contemporânea.

As citações do Em Seis Dias foram um pouco adaptadas, por causa da péssima tradução feita. Parece que foi feita pelo Google Tradutor. Não falo da tradução da Sociedade Criacionista Brasileira, mas da versão que baixei no site MinhaTeca, da qual fiz uso.   

ASHTON, John F. Em Seis Dias: Por Que 50 Cientistas Decidiram Aceitar a Criação. Master Books, 2001. (Versão em PDF).