Mostrando postagens com marcador Feminismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Feminismo. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 2 de julho de 2018

Breve História do Feminismo no Brasil


TELES, Maria Amélia de Almeida. Breve História do Feminismo no Brasil. São Paulo: Brasiliense, 1999.

Não levando em conta os exageros e tomadas equivocadas de decisões, conceitos e ideias, de certos movimentos feministas atuais, acho extremamente justa e bastante necessárias as reivindicações do mundo feminino, por igualdade, equidade, respeito e etc. Durante milênios, as mulheres não têm sido tratadas com justeza, por nós, homens. Somos egoístas. Somos egocêntricos. Pensamos que por sermos “másculos”, somos superiores.

Aqui no Brasil, durante a Colônia, Império, República... não foi/é diferente, um país encharcado no patriarcalismo, tratou, e ainda trata as mulheres de maneira inadequada.

“O feminismo é uma filosofia Universal que considera a existência de uma opressão específica a todas as mulheres. Essa opressão se manifesta tanto a nível das estruturas como das superestruturas (ideologia, cultura e política). Assume formas diversas conforme as classes e camadas sociais nos diferentes grupos étnicos e culturas. Em seu significado mais amplo, o feminismo é um movimento político. Questiona as relações de poder, a opressão e a exploração de grupos de pessoas sobre outras. Contrapõe-se radicalmente ao poder patriarcal. Propõe uma transformação social, econômica, política e ideológica da sociedade.” P. 10.

Muitas mulheres que se destacaram por questionarem o status privilegiado e opressivo das elites, foram consideradas loucas e meretrizes. Dona Beija, Chica da Silva, Marília de Dirceu, e outras mais.

Teles traz uma lista de algumas mulheres que se destacaram no Brasil colonial:

 - Ana Pimentel, que governou a capitania de São Vicente, na ausência de seu marido.

 - Brites de Albuquerque tomou conta da capitania de Pernambuco durante alguns anos.

 - Aqualtune, que foi uma das fundadoras do Quilombo dos Palmares, avó de Zumbi.

- Dandara, mulher de Zumbi, uma das guerreiras de Palmares.

 - Filipa Aranha, líder do Quilombo no Pará.

 - Tereza de Quariterê, que liderou um Quilombo no Mato Grosso.

- Zeferina, líder de vários negros para proteger o Quilombo do Urubu, na Revolta dos Malês.

- Maria Otiz, que lutou contra os holandeses.

Pode-se dizer que as mulheres, em sua totalidade eram analfabetas, pois apenas duas sabiam ler na cidade de São Paulo (séc. 17). No resto do Brasil essa equação não devia ser muito diferente.

"Consta que, em São Paulo, no século 17, apenas duas mulheres sabiam assinar o nome. [...] para mulher receber alguma instrução tinha de entrar no convento. Nessa época no Brasil a educação estava a cargo da igreja católica em especial dos padres jesuítas. A igreja disseminava a ideologia patriarcal e racionalizava o seu significado: 'Adão foi induzido ao pecado por Eva e não Eva por Adão. É justo que aquele que foi induzido ao pecado pela mulher seja recebido por ela como soberano'." P. 19-20.

No Brasil Império, a educação do sexo feminino ainda deixava muito a desejar. As mulheres só podiam aprender coisas básicas, nunca avançando aos níveis mais elevados da educação.

“Na primeira metade do século XIX, houve mulheres que começaram a reivindicar por seu direito à educação. O ensino então proposto (1837) só admitia para as meninas a escola de 1º grau, sendo impossível, portanto, atingir níveis mais altos, abertos aos meninos. O aspecto principal continuava sendo a preparação para as atividades do lar (trabalhos de agulha), em vez da instrução propriamente dita (escrita, leitura e contas). [...] O número de escolas para meninas era inferior ao de escolas para meninos (no Rio de Janeiro, na metade do século XIX, havia 17 escolas primárias para meninos e apenas 9 para meninas)”. P. 27-28.

Uma das mulheres que mais se destacou na história do nosso país foi Anita Garibaldi, na revolução Farroupilha, iniciada na década de 1830. Posteriormente, ainda lutou pela unificação da Itália, na Europa.

Considerada umas das primeiras feministas, Nísia Floresta (1809-1885), defendeu o fim da escravidão e a autonomia das mulheres. Ela abriu uma escola feminina no Rio de Janeiro.

No mesmo século XIX, temos a primeira romancista, Maria Firmina, que escreveu um romance contra a escravatura. Ela também abriu uma escola para crianças, onde meninos e meninas podiam estudar.

Luísa Mahim, destacou-se na Revolta dos Malês, em 1835, rebelião de negros em Salvador.  Sua casa tornou-se uma espécie de quartel general.

Chiquinha Gonzaga, a primeira compositora popular, teve sua primeira ópera barrada por ela ser mulher. Questionada entre escolher o marido e o seu violão, optou por este.

Surge em 1888, o jornal A Família, Josefina Álvares era a sua dirigente. Ela defendia o direito das mulheres votarem, não aceitava que o homem chefiasse a família, queria o divórcio como um direito da mulher, a educação integral da mulher e contestava de forma veemente a dominação dos homens.

Pelos anos 1910...

“Já em 1910, Deolinda Dalho, professora, fundava o Partido Feminino Republicano, defendendo especificamente que os cargos públicos fossem abertos a todos os  brasileiros, sem distinção de sexo. Em 1917, no Rio, ela promoveu uma passeata com quase 100 mulheres, pelo direito de voto.” P. 43.

Pelos anos 1920...

“Em 1920, Maria Lacerda Moura, professora, juntamente com a bióloga Bertha Lutz, fundaram no Rio de Janeiro a Liga para a Emancipação Internacional da Mulher, um grupo de estudo cuja preocupação era batalhar pela igualdade política das mulheres. Maria Lacerda de Moura, porém, não tinha em mente apenas essa questão; dirigiu a revista Renascença e pregava o pacifismo, o amor livre e a emancipação da mulher”. P. 44.

Nos anos de 1964, Carmen da Silva escrevia artigos para revista Cláudia, destacando-se perante o público brasileiro. Também a feminista Betty Friedan quando esteve no Brasil, trouxe consigo o seu livro que causou um grande frisson nas mídias brasileiras, por defender ideias muito moderninhas para a época.  

A partir da metade da década de 1970, as mulheres começam a se emancipar, mesmo sob os desmandos da ditadura militar. Com o amparo da ONU, a mulher passa a construir a sua história autonomamente, questionando os disparates machistas e reivindicando os seus direitos. A opinião pública é obrigada a lhes dá ouvidos. Dois jornais tiveram grande importância, nesta ascensão feminina.

“Nós Mulheres e Brasil Mulher, juntos, fortaleceram as reivindicações femininas e ajudaram as mulheres a tomar consciência da sua condição. Cada um a seu modo, é claro. Ao se colocarem a serviço das mulheres das camadas populares, esses jornais trouxeram para o debate, ainda incipiente, a necessidade de transformação econômica e social, para que as condições de vida e trabalho de ambos os sexos de tornassem adequadas.” P. 91.

Depois surge em 1981 o jornal Mulherio, que teve importância salutar na nova década que se iniciava.

Ao longo da segunda metade do século XX, as mulheres lutaram junto aos movimentos sindicais, partidos de esquerda, por mais creches, melhores salários... Congressos feministas foram realizados... Teles reitera algumas vezes, que apesar da agenda progressista dos partidos de esquerda, as mulheres não tinham a visibilidade adequada neles. O machismo ainda prevalecia nos bastidores.  

Chega-se a última década do século, e ainda muitas coisas estão por se fazer a favor de uma maior autonomia e reconhecimento da mulher na sociedade.

sábado, 2 de junho de 2018

Sejamos Todos Feministas



ADICHIE, Chimamanda Ngozi. Sejamos Todos Feministas. São Paulo: Companhia das Letras, 2017. (PDF).

“[...] a palavra ‘feminista’ tem um peso negativo: a feminista odeia os homens, odeia sutiã, odeia a cultura africana, acha que as mulheres devem mandar nos homens; ela não se pinta, não se depila, está sempre zangada, não tem senso de humor, não usa desodorante.” P. 15.

“Feminista: uma pessoa que acredita na igualdade social, política e econômica entre os sexos”. P. 66.

Deixando de lado as inconsistências e atos grotescos perpetrados por certos grupos feministas nos últimos tempos, creio ser inquestionável, que ainda há um grande abismo na relação de gêneros, que coloca num patamar muito acima, o sexo masculino, fazendo com que as mulheres ainda tenham que ser humilhadas, submissas e relegadas a uma sub raça humana. Claro que o grau de desigualdade varia de maneiras intensas de país para país. Na Nigéria, país da autora deste livro, o machismo que coloca as mulheres em situações humilhantes, é bem mais intenso do que noutros países, por exemplo. Mas aqui mesmo no Brasil, dependendo da região, o machismo que encara a mulher com desconfiança extrema, pode ser muito forte também.  Adichie incentiva homens e mulheres, a olhar para todos com igualdade social, política e econômica, sem distinção de gênero.  

Por que é importante discutir a disparidade de gêneros?

Alguns motivos:

Os autos postos executivos em sua maioria são protagonizados por homens:

“Existem mais mulheres do que homens no mundo — 52% da população mundial é feminina, mas os cargos de poder e prestígio são ocupados pelos homens. A já falecida nigeriana Wangari Maathai, ganhadora do prêmio Nobel da paz, se expressou muito bem e em poucas palavras, quando disse que quanto mais perto do topo chegamos, menos mulheres encontramos.” P. 22-23.

Discriminação de mulheres até mesmo em restaurantes:

“Sempre que vou acompanhada a um restaurante nigeriano, o garçom cumprimenta o homem e me ignora. Os garçons são produto de uma sociedade onde se aprende que os homens são mais importantes do que as mulheres, e sei que eles não fazem por mal — mas há um abismo entre entender uma coisa racionalmente e entender a mesma coisa emocionalmente. Toda vez que eles me ignoram, eu me sinto invisível. Fico chateada. Quero dizer a eles que sou tão humana quanto um homem, e digna de ser cumprimentada. Sei que são detalhes, mas às vezes são os detalhes que mais incomodam.” P. 27-28.

Discriminação na literatura:

“Em todos os lugares do mundo, existem milhares de artigos e livros ensinando o que as mulheres devem fazer, como devem ou não devem ser para atrair e agradar os homens. Livros sobre como os homens devem agradar as mulheres são poucos.” P. 33-34.

A deficiência na criação de meninas e meninos:

“A questão de gênero é importante em qualquer canto do mundo. É importante que comecemos a planejar e sonhar um mundo diferente. Um mundo mais justo. Um mundo de homens mais felizes e mulheres mais felizes, mais autênticos consigo mesmos. E é assim que devemos começar: precisamos criar nossas filhas de uma maneira diferente. Também precisamos criar nossos filhos de uma maneira diferente.  O modo como criamos nossos filhos homens é nocivo: nossa definição de masculinidade é muito estreita. Abafamos a humanidade que existe nos meninos, enclausurando-os numa jaula pequena e resistente. Ensinamos que eles não podem ter medo, não podem ser fracos ou se mostrar vulneráveis, precisam esconder quem realmente são — porque eles têm que ser, como se diz na Nigéria, homens duros.” P 36-38.

O erro de associar masculinidade a dinheiro:

“No ensino médio, quando um garoto e uma garota saem juntos, o único dinheiro de que dispõem é uma pequena mesada. Mesmo assim, espera-se que ele pague a conta, sempre, para provar sua masculinidade. (E depois nos perguntamos por que alguns roubam dinheiro dos pais...) E se tanto os meninos quanto as meninas fossem criados de modo a não mais vincular a masculinidade ao dinheiro? E se, em vez de “o menino tem que pagar,” a postura fosse “quem tem mais paga”? É claro que, por uma questão histórica, em geral é o homem quem tem mais dinheiro. No entanto, se começarmos a criar nossos filhos de outra maneira, daqui a cinquenta, cem anos eles não serão pressionados a provar sua masculinidade por meio de bens materiais.” P. 37-38.

Linguagens sutis no casamento, que evidenciam a “inferioridade” da mulher:

“Até mesmo a linguagem que empregamos dentro do casamento é reveladora: frequentemente é uma linguagem de posse, não de parceria. Pensamos na palavra ‘respeito como um sentimento que a mulher deve ao homem, mas raramente o inverso. Tanto o homem quanto a mulher dizem: ‘Eu fiz isso porque queria paz no meu casamento’. Mas quando os homens dizem isso, em geral se referem a algo que eles não deveriam mesmo fazer. É como eles se justificam para os amigos, e no fim das contas isso serve para comprovar a sua masculinidade — ‘Minha mulher disse que não posso sair todas as noites, então daqui pra frente, pra ter paz no meu casamento, só vou sair nos fins de semana’. Quando as mulheres dizem que tomaram determinada atitude para ‘ter paz no casamento’, é porque em geral desistiram de um emprego, de um passo na carreira, de um sonho.” P. 43-44.

E finalmente, a necessidade de se usar a palavra feminismo:

“Algumas pessoas me perguntam: ‘Por que usar a palavra ‘feminista’? Por que não dizer que você acredita nos direitos humanos, ou algo parecido?’ Porque seria desonesto. O feminismo faz, obviamente, parte dos direitos humanos de uma forma geral — mas escolher uma expressão vaga como ‘direitos humanos’ é negar a especificidade e particularidade do problema de gênero. Seria uma maneira de fingir que as mulheres não foram excluídas ao longo dos séculos. Seria negar que a questão de gênero tem como alvo as mulheres. Que o problema não é ser humano, mas especificamente um ser humano do sexo feminino. Por séculos, os seres humanos eram divididos em dois grupos, um dos quais excluía e oprimia o outro. É no mínimo justo que a solução para esse problema esteja no reconhecimento desse fato.” P. 57-58.

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Para Educar Crianças Feministas


ADICHIE, Chimamanda Ngozi. Para Educar Crianças Feministas. São Paulo: Companhia das Letras, 2017. (PDF).

Abomino, como toda pessoa dotada de um mínimo de bom senso, certos comportamentos de grupos feministas atuais. Mas Chimamanda Ngozi me pareceu até o momento, uma feminista gente boa, que escreve com equilíbrio e muita sabedoria. Discordo de pequenos pontos abordados por ela, mas também, nada que venha comprometer o seu pequeno livro. A realidade é que há sim, uma disparidade sem tamanho na criação de meninas e meninos que evidenciam dois pesos e duas medidas em toda a sua formação, onde os padrões morais impostos as meninas sempre são maiores. Os meninos, os homens, ah, estes podem isso e aquilo. Por que? Ora, porque são homens, né?! Que os padrões morais sejam iguais para todos.

Segundo Adichie, o feminismo é contextual:

“Para mim, o feminismo é sempre uma questão de contexto. Não tenho nenhuma regra. [...] Por exemplo: muita gente acredita que, diante da infidelidade do marido, a reação feminista de uma mulher deveria ser deixá-lo. Mas acho que ficar também pode ser uma escolha feminista, dependendo do contexto. Se o [marido] dorme com outra mulher e você o perdoa, será que a mesma coisa aconteceria se você dormisse com outro homem? Se a resposta for ‘sim’, então sua decisão de perdoá-lo pode ser uma escolha feminista, porque não é moldada pela desigualdade de gênero. Infelizmente, a verdade é que, na maioria dos casamentos, a resposta a essa pergunta em geral seria negativa por uma questão de gênero — aquela ideia absurda de que ‘os homens são assim’, o que significa que os padrões para eles são mais baixos.” P. 07.

Ela fala sobre a premissa equivocada de que a mulher tem que estar apta a “dar conta de tudo”:

“Nossa cultura enaltece a ideia das mulheres capazes de ‘dar conta de tudo’, mas não questiona a premissa desse enaltecimento. Não tenho o menor interesse no debate sobre as mulheres que ‘dão conta de tudo’, porque o pressuposto desse debate é que o trabalho de cuidar da casa e dos filhos é uma seara particularmente feminina, ideia que repudio vivamente. O trabalho de cuidar da casa e dos filhos não deveria ter gênero, e o que devemos perguntar não é se uma mulher consegue ‘dar conta de tudo’, e sim qual é a melhor maneira de apoiar o casal em suas duplas obrigações no emprego e no lar.” P. 09.

A diferença inadequada na educação das meninas e meninos:

“Outra conhecida, uma americana, me contou uma vez que levou o filho de um ano a um espaço de recreação infantil em que várias mães levavam seus bebês, e percebeu que as mães das meninas eram muito controladoras, sempre dizendo ‘não pegue isso’ ou ‘pare e seja boazinha’, e que os meninos eram incentivados a explorar mais, não eram tão reprimidos e as mães quase nunca diziam ‘seja bonzinho’. Sua teoria é que pais e mães inconscientemente começam muito cedo a ensinar às meninas como devem ser, que elas têm mais regras e menos espaço, e os meninos têm mais espaço e menos regras.” P. 12.

Não gostamos de mulheres poderosas:

“[...] é uma triste verdade: nosso mundo está cheio de homens e mulheres que não gostam de mulheres poderosas. Estamos tão condicionados a pensar o poder como coisa masculina que uma mulher poderosa é uma aberração. E por isso ela é policiada. No caso de mulheres poderosas, perguntamos: ela tem humildade? Sorri? Mostra gratidão? Tem um lado doméstico? Perguntas que não fazemos a homens poderosos, o que demonstra que nosso desconforto não é com o poder em si, mas com a mulher. Julgamos as poderosas com mais rigor do que os poderosos”. P. 14.

Como deve ser a educação de uma menina:

“Temos um mundo cheio de mulheres que não conseguem respirar livremente porque estão condicionadas demais a assumir formas que agradem aos outros. Então, em vez de ensinar [a sua filha] a ser agradável, ensine-a a ser honesta. E bondosa. E corajosa. Incentive-a a expor suas opiniões, a dizer o que realmente sente, a falar com sinceridade. E então elogie quando ela agir assim. Elogie principalmente quando ela tomar uma posição que é difícil ou impopular, mas que é sua posição sincera. Diga-lhe que a bondade é importante. Elogie quando ela for bondosa com outras pessoas. Mas ensine-lhe que sua bondade nunca deve ser tratada como se não fosse nada. Diga-lhe que ela também merece a bondade dos outros. Ensine-a a defender o que é seu. Se outra criança pegar o brinquedo dela sem permissão, diga-lhe para pegar de volta, porque seu consentimento é importante. Diga-lhe para falar, para se manifestar, para gritar sempre que se sentir incomodada com alguma coisa.” P. 19.

Mulheres são dignas, independentemente de serem boas ou não: 

“Ao [...] ensinar [a sua filha] sobre opressão, tenha o cuidado de não converter os oprimidos em santos. A santidade não é pré-requisito da dignidade. Pessoas que são más e desonestas continuam seres humanos e continuam a merecer dignidade. [...] as mulheres não precisam ser boas e angelicais para ter reconhecidos seus direitos de propriedade. Nos discursos sobre gênero, às vezes, há o pressuposto de que as mulheres seriam moralmente ‘melhores’ do que os homens. Não são. Mulheres são tão humanas quanto os homens. A bondade feminina é tão normal quanto a maldade feminina. 

E existem muitas mulheres no mundo que não gostam de outras mulheres. A misoginia feminina existe e esquivar-se a reconhecê-la é criar oportunidades desnecessárias para que as antifeministas tentem desacreditar o feminismo. Refiro-me àquele tipo de antifeministas que adora dar exemplos de mulheres dizendo: ‘Não sou feminista’, como se uma pessoa nascida com vagina, ao declarar isso, estivesse de certa forma desacreditando automaticamente o feminismo. Se uma mulher diz não ser feminista, a necessidade do feminismo não diminui em nada. No máximo, isso nos mostra a extensão do problema, o alcance real do patriarcado. Mostra-nos também que nem todas as mulheres são feministas e nem todos os homens são misóginos.” P. 27.