segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Virunga


“Que merda, são só macacos, quem se importa com a porra de um macaco?”

O capitalismo e seu mau uso pelas multinacionais. Nesse caso, pela empresa britânica SOCO. Esse documentário denuncia o que tem acontecido nos últimos anos na República Democrática do Congo. Um grupo destemido e abnegado de guardas florestais que bravamente têm lutado pela conservação do Parque Nacional Virunga, que abriga diversos gorilas-das-montanhas, fora, outros animais e a flora.

Infelizmente a SOCO, em sociedade com o governo corrupto do Congo, consegue os direitos de explorar e extrair o petróleo que parece ter no parque. Junte-se a isso, um grupo de rebeldes (M23) que começa uma guerra civil no país, querendo impor sua vontade, gerando caos, instabilidade e mortes de civis. Ambos, o grupo de rebeldes e o governo congolês estão a favor da empresa inglesa, e pouco se importam com a preservação da flora e fauna ali existentes.

O documentário logo em seu início nos relembra o passado sofrido e sangrento que o Congo teve. Desde Leopoldo II, rei da Bélgica, que destruiu e mutilou muitos habitantes do país no final do século XIX, aos anos mais recentes, em que o Congo sofreu os efeitos colaterais dos massacres ocorridos em Ruanda em 1994, quando diversos fugitivos e bandidos migraram para o seu território.

Pressão de uma empresa muito poderosa internacional, governo corrupto e rebeldes loucos para tomar o poder, está formado um trio dificílimo de derrotar. Quem sofre é a população civil, os pobres gorilas e outros animais, que nada têm a haver com essa ganância doentia por riqueza e poder desmedidos.  

O amor e dedicação que os guardas florestais chefiados por um francês, dispensam aos gorilas é um exemplo de amor à natureza. Eles vêm um propósito e missão em proteger a vida desses gorilas, que apenas querem viver em paz em seu habitat natural.

Uma jornalista francesa muito corajosa investigou a sujeira e pilantragem da SOCO, e com uma câmera escondida conseguiu filmar algumas conversas com dois contratados da empresa, um deles, John, ex-agente da Forças Especiais, disse:

“Que merda, são só macacos, quem se importa com a porra de um macaco?”

O que um ser humano desse merece? Um tiro bem dado na cabeça? Sim, sim. É um favor a humanidade e a natureza quem fizer isso. 

Parabéns a Netflix por veicular um tão importante documentário. Agindo assim, ela cumpre um importante papel de denunciar e informar a população mundial sobre a atual situação de mais um país da África tão sofrido e envolto nas trevas da guerra civil, corrupção governamental e olho grande das grandes empresas capitalistas. Vídeo super recomendado. 

Link do vídeo:

http://megafilmeshd.net/virunga/

Drogados: Efeito do Álcool


1 litro e meio de Vodca todo santo dia, para poder estar “legal”. A dependência do álcool é tão forte e poderosa, que se abster, ironicamente pode levá-lo a morte. O organismo pode entrar num colapso total, se não ingerir a sua vodca diária. Os órgãos do bebum do vídeo já se encontram numa situação tão critica, que o seu organismo não consegue nem se alimentar. Ele come em uma semana, o que uma pessoa come em um dia. Resultado: Enquanto está na clínica de reabilitação, a morte o encontra. 

Histórias de OVNIs: Os Aliens Construiram as Pirâmides?


Muitos pesquisadores não se contentam com as explicações oficiais sobre a construção das Pirâmides de Gizé dadas pela Arqueologia, Antropologia e História. Eles pensam que supostos extraterrestres deram uma ajudinha básica aos humanos, para erguerem esses monumentos e tantas outras construções com grandes blocos de pedra que pesam muitas toneladas, impossíveis de serem carregadas ou manipuladas com a atrasada tecnologia humana da época. 

As ideias do principal divulgador dessa tese, Erich Von Däniken, são amplamente contestadas nesse documentário, que foi feito sob medida, com boas doses de deboche e sarcasmo do narrador, para refutar as alegações mirabolantes do Däniken e de outros entusiastas de nossos amiguinhos intergalácticos.

O que gostei, é que a proposta do vídeo não é negar a possibilidade de vida inteligente além do nosso planeta, mas expor as falhas metodológicas e teóricas de certos Ufólogos e Médiuns.

OVNI Nazista


O Fenômeno UFO é um fato! Mas as interpretações sobre esse fato divergem. Nesse documentário nos deparamos com imagens de UFOS construídos pelos EUA, que se apropriaram da tecnologia nazista para criar os seus próprios discos voadores.

Quando a Alemanha perdeu a guerra, muitos de seus Engenheiros foram para os EUA e URSS, desenvolvendo nesses países o que tinham começado durante a Segunda Guerra. Nesse caso, talvez, os discos voadores, que muitas pessoas alegam avistarem nos céus, não são contos da carochinha. No entanto, as perguntas são: Trata-se de objetos voadores construídos pelo homem? São geringonças de outras civilizações? Em alguns casos, pode ser tecnologia humana, e noutros, tecnologia extraterrestre?

Índice da Maldade - Mentes Malévolas



RESUMINDO APENAS O PRIMEIRO ASSASSINO DESSE VÍDEO: 

Quando criança desmembrava as bonecas da irmã. Adulto começou a fazer o mesmo com seres humanos. Cortava partes do corpo, comia e guardava na geladeira. Matou e mutilou 6 mulheres, além de ter matado os avós e sua mãe, decapitando esta. Como diz o vídeo, “mais tarde [ele] descreveu que cada homicídio era uma fantasia que se tornava realidade.”

domingo, 11 de outubro de 2015

Pierre Fatumbi Verger: Um Mensageiro Entre Dois Mundos


Pierre Fatumbi Verger foi um Escritor, Fotográfo, Antropólogo e Etnólogo francês que pesquisou exaustivamente a mitologia dos orixás, trazidos pelos africanos, quando estes foram coagidos a virem para o Brasil para trabalharem como escravos por aqui.

Verger antes de chegar à cidade de Salvador, viajou o mundo inteiro, pesquisando e fotografando as diversas culturas do Oriente ao Ocidente. Em 1946 finalmente chega à Bahia, lugar que o encantou logo de cara. Para ele, Salvador possuía um mistério e um encanto que os outros lugares pelos quais tinha passado e conhecido não tinham.

E foi com a ritualística do candomblé que ele se identificou e mergulhou profundamente nos seus mitos e histórias/estórias, iniciando a sua vivência e “conversão” a religião, pela ialorixá mãe Senhora, umas das mães de santo mais conhecidas e respeitadas de Salvador, tanto é, que mãe Stella de oxóssi, talvez a mãe de santo mais prestigiada da Bahia atualmente, foi discípula e substituta dela.

A “conversão” de Verger foi tão intensa que a pedido de mãe Senhora, ele teve que ir a fonte da religiosidade do candomblé, na África, mais precisamente no Benin, onde antigamente era o reino do Daomé. Ele passou 17 anos vivenciando no dia a dia a vida e a mística daqueles que dizem guardar todos os mistérios do mundo de xangô e dos outros orixás. Verger cumpriu todos os rituais humildemente, o que lhe rendeu praticamente todas, ou quase todas as honrarias possíveis que o culto aos orixás, voduns, eguns podem oferecer a uma pessoa.

Fotografou, escreveu, pesquisou de forma despretensiosa tudo que viu, deixando-nos um rico acervo histórico-antropológico sobre a transcedentalidade e imanência dos deuses africanos. Muitos livros foram escritos e que hoje são referência obrigatória a quem deseja estudar a religiosidade africana tanto aqui, no Brasil, como em sua origem, na África. Uma riqueza literária sem igual.

Até aí, tudo bem, uma história interessante de um branco europeu que deixa a sua cultura francesa judaico-cristã, imersa no racionalismo iluminista, para abraçar com o coração e alma as raízes religiosas africanas tão discriminadas e oprimidas pelo povo do velho continente.

No entanto, o documentário nos brinda com uma IRONIA inesperada! Deitado confortavelmente em minha cama, dei um pinote e uma gargalha demoníaca, voltando o vídeo alguns segundos, pois precisava ver e ouvir de novo, para ter certeza de que não tinha entendido errado.

O Verger apesar de ter devotado toda a sua vida ao candomblé, desde que chegou a Salvador, em entrevista ao Gilberto Gil, diz CLARAMENTE que não ACREDITA na REALIDADE ontológica dos orixás! Que belo BANHO DE ÁGUA FRIA nos candomblecistas!

Um dos Antropólogos entrevistado diz:

“O Verger tinha a relação ritual com o Candomblé, ele cumpria todas aquelas coisas: as obrigações, os gestos e etc. Mas uma crença em última análise, não.”

Até mesmo, mãe Stella, substituta de mãe Senhora, que foi a sacerdotisa espiritual dele, numa resposta confusa, diz ao Gil, que o Verger acreditava em partes no orixá.

E para que não fique dúvidas quanto a incredulidade do Verger, deixemos que ele mesmo fale.

Gilberto Gil pergunta:

"E o transe, a incorporação do orixá?"

Resposta do Verger:

"Para mim não é incorporação. Para mim é uma manifestação da verdadeira natureza da gente. Uma possibilidade de esquecer todas as coisas, que não tem nada que ver com você. [...] sou um idiota de francês racionalista. A mim não me contam histórias, eu não sou um idiota que acredita nessas coisas. [nesse momento, risadas do Gil]. É uma coisa “despoetizante” horrível. Eu sofri muito, gostaria muito de me deixar ir."

Que bomba para os fieis do Candomblé que tanto lhe admiram! Visto que por mais que ele ame e tenha dirigido praticamente toda a sua vida ao culto dessas divindades africanas, não crê na realidade espiritual dos transes que ocorrem nos terreiros. Não é que ele não acredita na veracidade do transe. Este realmente existe, mas para o Verger, tomando emprestada as palavras do Gothchalk "essas manifestações de aparência estranha não obedecem ‘a forças do além, mas do aquém’." [1]

Seu racionalismo francês não lhes deixa ser tão crédulo assim. O seu ceticismo despoja/desnuda/desmente, ou seja, despoetiza a poesia/realidade da religião africana. E isso, num certo sentido é horrível para ele, que sofreu muito, pois gostaria muito de se deixar ir, como seus irmãos brasileiros e africanos. Contudo, sua consciência está presa a “idiotice” do racionalismo, pois como mesmo diz: "eu não sou um idiota que acredita nessas coisas."

Pierre Fatumbi Verger foi realmente um mensageiro entre dois mundos, não apenas do Brasil & África, que é o sentido que o título do vídeo lhe atribui, mas também do mundo do misticismo e do racionalismo, que nega totalmente a realidade metafísica do primeiro. Em última análise, ele estava com o último. Ele passeou harmoniosamente entre esses dois mundos, encantando-se com a poesia e experiência "espiritual" do candomblé, sem deixar de lembrar que no final das contas, não há de fato, patavina nenhuma de orixás, que exista independente da mente daqueles que lhes atribuem importância e realidade. Somente um delírio confortante que os ajuda a viver e vencer as barreiras que a vida naturalmente impõe.

Não posso deixar de notar uma questão bem incômoda para os adeptos do Candomblé que tem a figura do Verger em tão alta estima. O cara simplesmente não acreditava que existia na realidade um panteão de orixás com nomes de xangô, exu, iemanjá... O que um adepto do Candomblé tem a dizer sobre isso? Seria a mesma coisa de um pastor ou um padre conhecido, íntegro e respeitado por todos os cristãos, dizer:

"Eu não acredito na bíblia e nem na ressurreição de Jesus. Até gosto dos rituais da igreja e os cumpro com muito amor e respeito, mas 'eu não sou um idiota que acredita nessas coisas'."

Estranho, não? O que os africanos do Benin, lugar onde ele se consagrou a babalaô, achariam se soubessem que aquele homem branco europeu que eles ajudaram a crescer no mundo mágico de seus orixás, na verdade vê tudo isso, apenas como uma manifestação psicológica produzida pelo cérebro e não como uma incorporação verdadeira vinda de fora, como eles tão devotamente creem? 

Até onde sei, até mesmo o Gilberto Gil, apresentador do documentário, o próprio Jorge Amado que é entrevistado, são céticos em relação à sobrenaturalidade das manifestações nos terreiros. Eles defendem e admiram a cultura religiosa africana, mas apenas por esta fazer parte da identidade de um povo e, não por sua correspondência verdadeira com um suposto mundo espiritual, até porque, se não me engano, eles são ateus. E talvez até o Verger também o seja.

Parabéns ao Gil, aos produtores e a mãe Stella por não omitirem essa informação polêmica e incômoda sobre ele. E é claro, ao próprio Verger. Um dia depois dessa entrevista, realizada em 1996, ele partiu - morreu. Será que foi para as terras de aruanda (na verdade, nem lembro o que o candomblé tem a dizer sobre o pós-morte)? Será que se encontrou com xangô, seu orixá? Com certeza não.

REFERÊNCIAS

GOTHCHALK, Carlos Humberto Mendes. Aprendendo a lidar com fenômenos incomuns. São Leopoldo: Sinodal, 2005. P. 39.

Debate: A Ciência Refuta Deus?


Um acalorado debate realizado em dezembro de 2012, sobre o poder da Ciência em refutar, ou tornar desnecessária a existência de Deus em explicar o Universo, a Vida, a Moralidade, o Sentido e Propósito de tudo que vemos ao nosso redor. 

Do lado afirmativo temos o Físico da Universidade do Arizona, Lawrence Kraus, e o Colunista da prestigiada revista Scientific American, Michael Shermer. Do lado negativo da proposta, temos o ex-Pesquisador do Hoover Institution na Universidade de Stanford, Dinesh D’ Souza, e o Professor de Ciências e Engenharia Nuclear do MIT, Ian Hutchinson.

Não achei o nível do debate muito bom. Ambos os lados não tiveram a perspicácia esperada. Por exemplo, Laurence kraus começa sua fala ridicularizando o lado oposto, como se isso fosse argumento. Ian Hutchinson carece da eloquência necessária para defender com inteligência o porquê da “Ciência [não] refutar Deus”, embora diga muitas coisas aproveitáveis e verossímeis. Michael Shermer vem com teorias inverificáveis de como a religião e crença nos deuses ou Deus surgiu, para assim, desqualificar as religiões. Dinesh D’ Souza foi o melhorzinho na argumentação, mas também senti que poderia ter sido mais mordaz em suas críticas ao cientificismo. 

O Filósofo Willian Lane Craig com todo o seu arsenal filosófico certeiro fez muita falta nesse debate. Poderia colocar também o Jornalista David Quinn, que deu uma surra de urtiga grande no Richard Dawkins. 

Mesmo que os teístas não tenham se saído tão bem, vejo o quanto é pobre a abordagem ateísta. Uma leitura de poucos livros pró-teísmo derruba fácil, fácil as proposições materialistas expostas nesse debate. Bem disse o Hutchinson num certo momento do debate:

Quer dizer, o que teve a Ciência moderna em primeiro lugar, foi à crença na fidelidade de Deus. De um Criador que fez uma criação racional. E um bom argumento que pode ser feito que a razão pela qual a Ciência como a conhecemos, a Ciência moderna, cresceu no ocidente, foi, em parte, porque o Cristianismo, em seus pontos de vista filosóficos e teológicos, incluindo a crença na fidelidade de Deus, serviu como uma espécie de ambiente hospitaleiro em que a Ciência pudesse crescer. Então na verdade, não é o caso em que os cientistas na história, tiveram de dizer a si mesmos: ‘Eu vou me tornar um ateu quando eu entrar no laboratório’. Muitos deles foram para o laboratório precisamente porque não eram ateus.

sábado, 10 de outubro de 2015

No Alto da Torre


No maior país capitalista do mundo, a educação é mais um produto a ser vendido. Um produto, diga-se de passagem, extremamente caro e dispendioso para os pais que resolvem colocar os seus filhos nas Universidades de Harvard, Princeton, Arizona, Nova Iorque, Califórnia e etc. A dívida dos alunos norte-americanos já chegou a cifra de 1 trilhão e 168 bilhões de dólares (isso no ano que o documentário foi feito). E eles não têm como quitar esse débito. Visto que uma mera graduação não é garantia NENHUMA de um bom emprego.

A partir dessa situação delicada e bem difícil, muitos tem questionado se vale a pena fazer um curso superior na terra do Tio Sam. Os gastos são enormes demais, e, por incrível que pareça, o retorno é o de menos. As Universidades numa corrida desesperada para estarem no "alto da torre" viraram centros de ensino quase que puramente mercadológicos. São verdadeiros lugares de entretenimento e baixo nível acadêmico por parte do alunato. Paradoxalmente, ainda conseguem manter níveis altos de qualidade acadêmica. Acredito que isso se dá nos níveis de Mestrado, Doutorado e Pós-Doutorado. 

Para quem pensa que o nível superior brasileiro é uma merda (e de fato o é), os EUA não estão indo muito bem. Um exemplo são os alunos da Universidade da Califórnia, aonde a média dos que conseguem terminar a graduação em quatro anos, é de apenas 16%. 

Link do vídeo:

http://megafilmeshd.net/ivory-tower/

O Ataque a Newburgh



O FBI através de um informante alicia, contrata e convence um grupo de jovens negros, sem perspectiva de vida, na cidade de Newburgh, perto de Nova Iorque, a fazerem um ataque terrorista contra uma sinagoga judaica, perto da ilha de Manhattan, lugar dos ataques terroristas, em 11 de setembro de 2011, para depois prendê-los, julgá-los, expor as suas imagens perante toda a nação, classificá-los como terroristas muçulmanos, e finalmente pousar como uma agência competente e eficaz contra o terrorismo.

Putz... Para quem pensa que só o governo brasileiro tem a prerrogativa de ser tão corrupto, está aí, um exemplo do que o próprio Estado pode fazer contra os seus cidadãos. Se os EUA têm a cara de pau de fazer tal coisa, contra seus próprios patrícios, o que pensar no que eles podem fazer e já fizeram contra outros países?! 

O governo em conluio com o FBI deu aos seus contribuintes (cidadãos norte-americanos) um belo e escrachado atestado de incompetência e corrupção. Parece que a política do governo é esta:

Se não há terroristas, ou se não encontramos terroristas muçulmanos em nosso território, vamos fabricá-los. Assim, o povo e a mídia saberão que estamos trabalhando e trazendo resultados. 

Link do vídeo:

http://www.filmesonlinegratis.net/assistir-o-ataque-a-newburgh-dublado-online.html

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Rock de Ouro: Era de Ouro



E vendo mais um documentário sobre a história da música, acabo de assistir esse material sobre o início do rock em Brasília, com as bandas: Aborto Elétrico, Plebe Rude, Capital Inicial e Legião Urbana.

Mesmo não sendo um entusiasta dessas bandas e cantores, não tem como não perceber a importância que elas tiveram para toda uma geração de jovens ansiosos e dispostos a viver sob um novo paradigma, rompendo com a merda da ditadura militar na política brasileira, e com os valores pseudo moralistas de uma sociedade hipócrita.O rock brasiliense surge num momento muito peculiar na história da nação. Um momento de transição da ditadura para a "democracia". 

Essas bandas extravasaram e denunciaram em suas letras e melodias a corrupção reinante e o marasmo social do nosso país.O vídeo não deixa de mencionar a prematura e triste morte do Renato Russo com apenas 36 anos, em 1996. Um cara tão talentoso não merecia o final que teve. 


Tropicália



Documentário um pouco confuso e disperso. Talvez devido ao próprio espírito do tropicalismo nos anos 1960. Para quem tem curiosidade em conhecer um pouco da história da música brasileira, é um riquíssimo material de pérolas sobre aqueles agitados anos musicais . Uma musicalidade ousada que pelo menos num primeiro momento driblou o patrulhamento ideológico da nefasta ditadura militar. Caetano, Gil, Gal, Maria Betânia, Tom Zé, Bem Jor, entre outros, fizeram uma bela história.

Citando as palavras do meu amigo Robson Filho, que conhece a história da música:

O Tropicalismo foi maravilhoso pro Brasil. Rita Lee na fase melhor fase da vida dela, Os Mutantes (álbum) - rock progressivo de "prima" reconhecido até por Kurt Cobain, Nirvana, como um dos melhores álbuns que ele ouviu na vida -, Gil, Tom Zé (o mais renegado pela mídia por dizer o que pensa sem medo da Globo), Torquato Neto e Caetano com a cabeça fervendo de ideias já pra se distanciar do marasmo da música brasileira que estava naquele momento com a morna (e nem por isso ruim) Bossa e MPB. Uma tradução da repressão do momento e um refluxo dos movimentos mundiais.

Link do vídeo:


Global Metal


Um antropólogo metaleiro resolve viajar o mundo e mostrar o quanto o Heavy Metal penetrou em todo globo. Começando pelo Brasil, de maneira resumida nos conta a história da banda Sepultura e como o Heavy chegou ao país. Passa pela China, Indonésia, Japão, Israel, Emirados Árabes, fechando o documentário com o primeiro show do Iron Maiden na Índia. 

Não sou fã de Heavy Metal, mas é um fantástico documentário. 

O autor do vídeo sintetiza tudo que viveu nessa aventura metaleira com estas palavras:

Eu percebi nessa jornada que embora o Heavy Metal faça parte do processo de globalização, algo único está acontecendo. O metal conecta as pessoas. Não importa a cultura, política ou a religião. E essas pessoas não estão só absorvendo o metal do ocidente. Elas as transformam, criando uma válvula de escape que não encontram em suas culturas. Uma voz que expressa seu descontentamento com o caos em uma sociedade que está em constante mudança. E para os metaleiros do globo: metal é mais que música; mais que uma identidade; metal é liberdade, e juntos, somos hoje uma tribo global.

Link do vídeo:


quinta-feira, 8 de outubro de 2015

As Raízes Teológicas da Ciência Moderna

Ateus e antirreligiosos desinformados ou de má fé, sempre estão gritando aos quatro cantos que a ciência e a fé estão em constante e sangrento conflito histórico. Nada de argumentar contra eles, deixarei que os próprios Cientistas, Filósofos e Historiadores falem. Sei que mesmo assim, a maioria dos revoltados ateus e odiadores do divino vão continuar berrando. Que berrem, então. 

Peter Harrison, Ph.D em História da Religião pela Universidade de Queensland e Mestrado nas Universidades de Yale e Oxford. É Professor de Ciência e Religião na Universidade de Oxford. Membro da Academia Australiana de Ciências Humanas. Foi Professor visitante das Universidades de Yale, Princeton. Também lecionou História e Filosofia na Universidade de Bond na Austrália.

Talvez a ciência não houvesse surgido no ocidente se não fosse por uma série de convicções religiosas sobre como o mundo seria. De que, por exemplo, o mundo seria governado por um legislador racional, uma divindade que havia estabelecido leis matemáticas, assegurando assim, a ordem no mundo. Assim, a própria ideia de que o mundo é um lugar racionalmente inteligível origina-se, pelo menos para essas pessoas, da ideia de que haveria um Deus que estabeleceu essa ordem. (1)

Stanley L. Jaki, Ph.D em Física pela Fordham University, com Pós-Doutorado em Filosofia da Ciência na Universidade de Stanford e de Princenton, EUA. Foi Professor de Física na Universidade de Seton Hall, New Jersey. Também foi Professor da Universidade de Oxford, Inglaterra.

A pesquisa científica só encontrou terreno fértil para desenvolver-se quando a fé em um criador pessoal e racional conseguiu penetrar totalmente em uma cultura inteira, começando com os séculos da Idade Média Alta. Foi essa fé que forneceu, em medida suficiente, crença na racionalidade do universo, confiança no progresso e avaliação no método quantitativo – todos esses indispensáveis à pesquisa científica. (2)

Ariel A. Roth, Ph.D em Biologia pela Universidade de Michigan, membro da Sociedade Americana de Geologia e membro da Sociedade de Geologia Sedimentar.

Os princípios de nossa ciência moderna emergiram de um paradigma intelectual em que Deus representa uma figura dominante. (3)

Paul Davis, Ph.D em Física pela Universidade de Londres. É Professor de Filosofia Natural no Centro Australiano de Astrobiologia na Universidade de Macquaire. No Reino Unido ganhou a Kevin Medal and Prize em 2001 pelo Instituto de Física e o Prêmio Michael Faraday de 2002 pela Royal Society.

As razões que determinaram que tenha sido a Europa a dar à luz a ciência são complexas, mas têm certamente muito a ver com a filosofia grega e a sua noção de que os seres humanos podiam alcançar uma compreensão do modo como o mundo funciona por intermédio do pensamento racional, e com as três religiões monoteístas — o judaísmo, o cristianismo e o islamismo — e a sua noção de uma ordem na natureza, ordem essa que era real, legiforme, criada e imposta por um Grande Arquitecto.

Apesar de a ciência ter começado na Europa, é universal e está agora à disposição de todas as culturas. Podemos continuar a dar valor aos sistemas de crenças das outras culturas, ao mesmo tempo que reconhecemos que o conhecimento científico é algo de especial que transcende a cultura. (4)

Ronald Numbers, Ph.D em História da Ciência na Universidade da Califórnia, Berkeley. Professor de História da Ciência e da Medicina na Universidade de Wisconsin-Madison.

O maior mito da história da ciência e da religião assegura que estes dois campos têm existido em um estado de constante conflito.
 (5)

Willian Lane Craig,  Ph.D em Filosofia pela Universidade de Birminghan, na Inglaterra, membro de nove Sociedades Acadêmicas, dentre as quais estão a Associação Filosófica Americana, Sociedade Americana de Religião e o Instituto de Filosofia da Universidade de Louvain, na Bélgica.

Os historiadores da ciência agora reconhecem o papel indispensável exercido pela fé cristã no crescimento e desenvolvimento da ciência moderna. [...] De fato nos últimos vinte e cinco anos do século XX, tem acontecido um diálogo próspero entre a ciência e a teologia na América do Norte e Europa [...]. O diálogo entre ciência e teologia tornou-se tão significante em nossos dias que as Universidades de Cambridge e a Universidade de Oxford criaram cátedras em ciência e teologia.
 (6)

John Lennox, Professor de Matemática e Filosofia da Ciência na Universidade de Oxford, na Inglaterra.

De passagem, nós devemos observar que a crença em Deus como Criador, longe de inibir a descoberta das leis da natureza, foi, historicamente, uma das principais motivações na busca por elas. (7) 

Benjamim Wiker, Ph.D em Filosofia na Universidade Vanderbilt, na Alemanha. Foi Professor da Marquette University, Universidade de Saint Mary of Minnesota, Thomas Aquinas College e a Universidade Franciscana de Steubenville.

Sem dúvida, o mito mais persistente sobre a relação da ciência com a religião em geral, e ao catolicismo em particular, é que sempre foram, são agora, e serão para sempre trancados em um antagonismo fundamental. (8)

Ernest Lucas, Ph.D em Química na Universidade de Kent; Ph.D em Estudos Orientais na Universidade de Liverpool; Pós-Doutorado em Bioquímica pela Universidade da Carolina do norte, EUA; Mestrado em Química pela Universidade de Oxford, Inglaterra.

Os fundadores da ciência moderna baseavam-se inteiramente em conceitos cristãos para acreditar na razão e em sua capacidade de entender a natureza. Isso pode soar estranho hoje, quando muitas pessoas têm a impressão de que a ciência e o cristianismo são rivais em alguns aspectos. Entretanto, ao longo dos últimos cinquenta anos, os historiadores e os filósofos da ciência vêm tornado cada vez mais claro que a ciência moderna deve muito ao cristianismo. (9)

Roger Trigg é Professor de Filosofia da Warwick University, Presidente Fundador da Associação Filosófica Britânica e Presidente Fundador da Sociedade Britânica para a Filosofia da Religião, da qual é atualmente Vice-Presidente. Foi Presidente da Sociedade Europeia para a Filosofia da Religião.

Os primeiros brotos da ciência moderna surgiram da crença de que há uma racionalidade intrínseca ao universo físico, em virtude de sua criação pela própria fonte de toda razão. Se a Razão permeia todo o universo, e nós fomos contemplados com uma participação nessa razão, podemos esperar compreender, ao menos de um modo limitado, como o universo funciona. [...] aqueles que pavimentaram a estrada para a ciência moderna tanto respeitavam a razão, como criam que a sua importância se assenta em sua conexão com a mente do Criador. [...] A sua crença em Deus deu-lhes a confiança de que o mundo físico, com toda a sua complexidade e vasta extensão, poderia ser compreendido. [...] Como matéria de fato histórico, a ciência moderna se desenvolveu a partir de uma compreensão do mundo como Criação ordenada por Deus, tendo a sua própria racionalidade inerente. (10)

REFERÊNCIAS

1 - Documentário O Teste da Fé, da editora Ultimato, 2013.

2 – BOA, Kenneth; BOWMAN, Robert. 20 evidências de que Deus existe. Rio de Janeiro: CPAD, 2011. P. 196. 

3 – ROTH, Ariel. A Ciência descobre Deus. São Paulo: Casa Publicadora Brasileira (CPB), 2010. P. 23.



6 – CRAIG, Willian Lane. Quem criou Deus? Orgs. Ravi Zacharias e Norman Geisler. São Paulo: Reflexão, 2014. P. 52, 53, 54.

7 - GOODING, David; LENNOX, John. Cristianismo: Ópio do Povo? Porto Alegre: A Verdade, 2013. P. 46.


9 – LUCAS, Ernest. Gênesis hoje. São Paulo: ABU, 2005. P. 20-21.

10 - http://www.stedmunds.cam.ac.uk/faraday/resources/Faraday%20Papers/Faraday%20Paper%202%20Trigg_PORT.pdf

A Educação Proibida


Tudo bem que os nossos sistemas didático-pedagógicos são defasados e defeituosos. A maneira tradicional de se avaliar o desenvolvimento cognitivo do alunato muitas vezes é injusta, e carece de critérios mais coerentes e adequados.

Porém, não é o melhor caminho substituir o sistema vigente, por esse sistema contraditório e relativista proposto por esse documentário. De maneira análoga, não é porque o sistema capitalista tem os seus defeitos (que não são poucos) que devemos aderir ao socialismo/comunismo.

Tive muita paciência pra terminar de assistir esse vídeo de mais de 2 horas e 20 minutos de puro sentimentalismo e psicologia barata. O sistema educacional apresentado é IRREAL e UTÓPICO. Na teoria é lindo e maravilhoso, mas na vida real é inviável e sem nenhuma lógica.

Meu amigo Pedro Mendes, Professor formado e com Especialização em Ciência da Religião pela UERN, tem umas respostas bem afiadas contra esse sistema de educação:

A morte da cultura clássica, a elevação da baixaria, da indisciplina em sala de aula e o analfabetismo funcional são consequências diretas do modelo de educação adotado no Brasil nos anos 80, cujo patrono é o aclamado Paulo Freire... O professor, em qualquer área que atue, está sendo obrigado a se enquadrar nesse modelo macabro, o que implica dizer que ele não pode censurar o erro, que, por sua vez, deixa de ser erro, para não contrariar o aluno, nem traumatizá-lo. Não há espaço para o pensamento crítico, nem juízo de valor por parte do professor, que está obrigado pedagogicamente a elogiar as ações mais desengonçadas dos alunos...

Ele continua:


Os professores de educação física, por exemplo, devem elogiar as péssimas atuações dos alunos na prática esportiva para não expor os alunos a algum tipo de vexame. Os professores de Ensino Religioso, no meu caso, devem considerar todo tipo de bizarrice, mesmo que seja um ritual com fezes de animal, como riqueza cultural, tudo isso em nome da diversidade cultural e religiosa. Com exceção, é claro do cristianismo, já que este sustenta a cultural ocidental opressora. Os de português devem ter muito cuidado com o preconceito linguístico, não importa a priori a ortografia, a escrita, se o aluno se fez compreendido, por que censurar? Por que corrigir? E os professores de história? hehehe... cuidado com o que diz sobre a escravidão, a colonização e os indígenas...

O Jefferson C. Gois, escreveu uma resposta fantástica nos comentários do vídeo no Youtube, mas ela foi retirada. Felizmente consegui salvar a tempo. Ele escreve:

Tenho que discordar da maioria, pois em minha opinião a escola deve ensinar a ciência elementar, com os mesmos critérios e métodos para todo os alunos, através de currículo estabelecendo linearmente o começo, meio e fim.

O comportamento social e moral deve ser ensinado pela família, no critério da mesma, e indiretamente pela sociedade por via da experiência cotidiana. O primeiro prima pela teoria o segundo pela prática.

A formação cultural diversificada ou aprendizado experimental deve ser da iniciativa de cada um, por toda a vida, sendo na forma autodidática, extensiva por cursos ou dentro de institutos na carreira acadêmica.

O documentário trás uma linha revolucionária de proposta não somente ao sistema de educação atual, mas também possui o sociologismo como viés. A sociedade e a educação são sistemas integrados, simbióticos. O modelo atual, claramente direcionado pelas corporações empresariais, produziu todo o progresso dos séculos XIX e XX, sendo a idade de ouro das ciências. Propiciou a tecnologia que foi necessária para viabilizar a Internet e este vídeo, que trata essa mesma educação que o tornou possível, praticamente como sendo uma forma de violência psicológica execrável.

Uma nova educação deveria ser o epílogo de uma nova sociedade, o inverso não traria a paz como foi dito, mas, causaria revoluções e guerras pela quebra de paradigma de uma geração que não estaria adequada ao modelo sócio-econômico vigente.

A mensagem que não está clara no documentário, mas que fica subentendida é sobre qual sociedade está sendo proposta pelos idealizadores, e indiretamente, qual o modelo econômico que fará esta nova educação viável. Estas questões necessitam de respostas antes da adesão entusiasmada daqueles que pensam em alterar todo o sistema de ensino.

Minha instrução elementar foi adquirida através do sistema atual e não me senti mais desbastado criativamente dentro dele, do que sou por ação das oligarquias política, cultural e econômica da vida cotidiana. Esta barreira não será removida pelo grau de instrução ou por outra metodologia educacional. Trata-se da origem social de nascimento, como se houvesse um teto máximo alcançável para determinada geração da linha familiar. A família longilínea gera herança, riqueza, poder e liberdade que são fatores desagregadores da família e equilibram o conjunto da sociedade ao decorrer das gerações. Como já mencionei, a família tem um dever na educação comportamental e moral, aqui justifico esta necessidade.

Todavia, mais do que esperar do governo ou da escola, individualmente devemos tomar a iniciativa de nossa própria formação através do complemento educacional extracurricular, cursos diversos, assim como a via autodidata e experimental que jamais foram tão acessíveis como nos dias de hoje.

Atlântico Negro: Na Rota dos Orixás



Excelente documentário realizado pela TV Brasil, sobre a relação da religiosidade brasileira com o misticismo africano trazido pelos negros escravizados. À relação do nosso país com o reino do Daomé, atualmente, o Benin, é muito forte devido aos descentes dos ex-escravos habitarem nesse lugar. 

Muitos escravos quando de sua libertação voltaram para a África e ali fincaram morada. Voltaram ao continente de seus antepassados. E seus descendentes atuais, mesmo não sabendo falar português e nunca terem vindo ao Brasil, se consideram brasileiros. O amor que eles têm pelo Brasil é imenso.

A religiosidade africana no Brasil é mostrada em São Luís e na Bahia. Gostemos ou não, o culto aos orixás e voduns está atrelado à vida de muitos brasileiros. O legado africano nesse quesito está extremamente alicerçado em nosso país. Está presente na musicalidade, artes, lugares e etc.

Eu mesmo oscilo em acreditar ou não nessas supostas manifestações mediúnicas que ocorrem nesses terreiros. Podem ser verídicas. E se o forem, a grande questão é: São manifestações do bem ou do mal? Ou podemos ir por uma terceira via (no momento não sei qual), e não adentrarmos nesse maniqueísmo de Bem X Mal? O vídeo diz:

O culto dos voduns e dos orixás foi muito marginalizado no Ocidente. O vodun quase sempre aparece associado ao mal; a feitiçaria. Raramente é apresentado em suas expressões religiosas originais. 

Mesmo tendo minhas críticas a essas religiões, tenho que levar em conta o que os próprios adeptos dessas expressões religiosas dizem. É difícil se desvincular de nossas visões construídas durante toda uma vida. 

Mas talvez, essa apresentação das expressões religiosas originais tenham sido mal interpretadas pelos seus adeptos. Esse pode ser X da questão. É isso que os cristãos dizem a séculos aos seguidores dos voduns e orixás. Argumentam de maneira desajeitada e desamorosa, é verdade. Eles acreditam que os "macumbeiros" estão iludidos e enganados por essas supostas entidades que cultuam. Por isso, as apresentam da maneira que sua religião as vê. Como demônios e espíritos enganadores. 

Dança das Cabaças: Exu no Brasil


Seria ele o diabo, o capeta, o tinhoso? Essa é a classificação que parte da tradição judaico-cristã lhe atribui. Isso deixa os seus adoradores bastante chateados com essa designação negativa. Dizem que os cristãos estão sendo injustos e não entendem o papel desse orixá em seus cultos. De forma similar muitos dos estudiosos “politicamente corretos”, dentre eles, sociólogos, antropólogos, historiadores e cientistas da religião, se doem quando os protestantes afirmam que as religiões afro são coisas do tinhoso.

Porque será que eles saem furiosamente em defesa dessas religiões, se muitos deles são ateus ou agnósticos? Seria um senso de “justiça” que pulsa em suas mentes, e assim, eles se veem incumbidos de defender essas religiões oprimidas pelo homem branco, mau, opressor e etnocêntrico?! Ou será porque essas manifestações afros rompem com a moral judaico-cristã tão odiada por eles? 

A figura de exu, por exemplo, é de um ser amoral. Uma entidade que faz o que lhe solicitarem, se ele achar justo o que o seu pedinte tem a lhe oferecer. Isso entra radicalmente em choque com a moral cristã. A figura da pomba-gira (exu entidade, e não exu orixá), uma espécie de puta/rapariga/prostituta/rameira, é uma das entidades mais conhecidas e cultuadas em muitas dessas celebrações. Bom, não preciso nem dizer o que a moralidade cristã tem a dizer sobre isso. 

O Mestre em Geografia, Marcelo Alonso Morais, Umbadista e Pesquisador, escreve:

Esse caráter mutante em suas atitudes levou o colonizador europeu a associar o orixá Exu à figura do demônio cristão. [1]

Se muitos cristãos tem a concepção de que a figura de exu é um demônio, que assim o faça, e pouco se importem com o que os adeptos do candomblé/Umbanda/Macumba/Catimbó ou esses estudiosos achem disso. Visto que a cosmovisão construída na mente daqueles lhes dá a legitimação necessária para adjetivar qualquer manifestação espiritual que saia dos parâmetros estabelecidos pelo seu credo religioso como vinda do chifrudo.

De modo semelhante, os seguidores de exu, também podem demonizar, se assim acharem necessário, a religião cristã. Podem expor as contradições internas do credo cristão, visto que sua religiosidade tem ensinamentos e práticas contrárias ao cristianismo tradicional. Ambas são mutuamente excludentes. 

Guerra de visões religiosas, não são obrigatoriamente sinônimo de intolerância. Essa moda tão corrente hoje em dia do "politicamente correto", é muitas vezes a mais intolerante das ideias. Mas se os fieis de dada religião quer convencer e converter o adepto da religião oposta ao seu credo religioso, que tenha muito cuidado nas palavras e no seu comportamento perante a devoção alheia. Como não quero convencer ninguém a nada no âmbito da fé, não me preocupo muito em medir as palavras para me referir ao sentimento religioso de outrem. 

Liberdade religiosa e democracia é isso. 

REFERÊNCIAS

1 - MORAIS, Alonso Morais. Umbanda: Uma Religião Essencialmente Brasileira. Rio de Janeiro: Novo Ser, 2012. P. 43.