segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Brasil de Todos os Santos


VAINFAS, Ronaldo; SOUZA, Juliana Beatriz de. Brasil de todos os santos. 2 ed. - Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2002. 

Li esse pequeno livro quando estava na graduação, agora tive o prazer de lê-lo novamente. Sempre é bom ler algumas literaturas mais de uma vez. Assim relembramos muitas coisas e detalhes interessantes. Essa obra em questão, escrita pelos Historiadores Ronaldo Vainfas (Ph.D em História na USP) e Juliana Beatriz (Ph.D em História na Universidade Federal Fluminense), aborda a onipresente religiosidade dos nossos antepassados no Brasil Colonial. 

Histórias curiosas são contadas, deixando esse livro com uma leitura instigante e bem agradável. Os autores em algumas páginas nos contam histórias, em que a prática religiosa e o “profano” se imbricam de tal maneira, que podemos falar então, de uma “sensualização do religioso”, como dizem os autores. Um exemplo seria o desejo de certas mulheres querendo casar, e assim, rezavam ao seu santo de uma maneira nada comum. 

“Mulheres se ESFREGANDO nas imagens de São Gonçalo do Amarante pedindo a ele sua intermediação para conseguir um casamento [...] fazem-nos pensar que esta afetividade chegava mesmo, às vezes, a uma sensualização do religioso. [...] Tudo ou quase tudo na Colônia era acompanhado pelos santos, santas e pelo próprio Cristo, inclusive as intimidades amorosas”. P. 36, 39. (Ênfase acrescentada).

Um outro trecho curioso, diz: 

“Os colonos recorriam aos feiticeiros não só para obtenção de favores especiais, mas também, não raro, para contornar a ineficiência dos remédios de botica [convencionais]. As rezadeiras, benzedeiras e adivinhos se espalhavam pelas vilas e povoados coloniais. [...] Ligadas à resolução de dificuldades e à busca de uma melhora nas condições de vida, as feiticeiras ganharam força não só pela certa conivência do baixo clero [padres], mas, sobretudo, pela falta de nitidez, para os colonos, entre os limites do permitido e do condenado pela hierarquia católica nas práticas piedosas”. P. 23. 

Se no Brasil Colônia era assim, hoje não mudou muito não. Uma GRANDE parcela dos católicos consultam os feiticeiros atuais (médiuns, astrólogos, pais de santo) para que estes possam ajudá-los em suas pendências. A diferença é que hoje, não apenas o baixo clero (padres) sabe disso, mas o alto clero (bispos, cardeais, CNBB) tem conhecimento dessa miscelânea em que vivem os seus fiéis. Fazem vista grossa, porque se forem levar a sério o que o catecismo diz, a igreja vai à falência, com a excomunhão de tantos católicos. 

O livro nos traz uma breve explicação sobre um dos motivos da sobrevivência dos cultos afros no Brasil apesar da escravidão.

“Diante das religiosidades negras [...] o Santo Ofício foi, de toda maneira, pouco rigoroso, considerando o pequeno número de processos que moveu contra os denunciados. [...] No caso dos escravos, sua atuação foi muito limitada pelos interesses da escravidão. [...] Paradoxalmente a escravidão foi capaz de ‘proteger’ os africanos do Santo Ofício, para que continuassem escravos e, com isso, favoreceu a sobrevivência dos cultos negros urdidos na diáspora dos africanos no Brasil”. P. 24.

Como a igreja fazia parte e até incentivava o sistema escravagista, era-lhe muito conveniente, fazer vistas grossas as feitiçarias e macumbas praticadas pelos africanos e seus descendentes, mesmo que essa religiosidade fosse diametralmente oposta à fé da igreja. Não compensava ($$$) para ela condenar na inquisição esses pobres coitados. Menos mal. 

Existiam no Brasil colonial, as falsas beatas, um exemplo, era uma maluca que dizia que Jesus todo dia lhe dava um belo trato em seus pelos pubianos. 

“Entre essas mulheres estava a africana Rosa Egipcíaca, prostituta, [...] ganhou fama como mística. Dizia ter sido escolhida por Deus como esposa da Santíssima Trindade e que o Menino Jesus vinha diariamente pentear-lhe a carapinha [sim, é isso mesmo que você está pensando] e, em agradecimento, dava-lhe de mamar em seu peito”. P. 43.

E pra fechar, os Historiadores Ronaldo Vainfas e Juliana Beatriz, nos contam a história de uma tal Ana Jorge, que além de profanar objetos sagrados, ainda era violenta com os seus parceiros sexuais. Ela é quem gostava de bater. Gostava de um sexo selvagem. 

“Já sobre a mulata Ana Jorge pesava a fama de desrespeitar as imagens dos santos, também metendo-as debaixo do colchão antes de fornicar com seus amantes e de açoitá-los e jogá-los contra a parede, quando não lhe atendiam seus pedidos”. P. 34.

O que será que essa danadinha queria fazer na cama, hein?! 

sábado, 28 de novembro de 2015

As Perguntas Certas



JOHNSON, Phillip E. As Perguntas Certas. São Paulo: Cultura Cristã, 2004.

Mais um livro concluído pela segunda vez. Já não lembrava mais das ideias defendidas pelo Phillip E. Johnson (Professor de Direito da Universidade de Berkeley, EUA) nesta obra, em que ele posiciona boa parte do seu arsenal argumentativo contra o naturalismo metafísico tão presente nas Universidades. Ele também fala de política, religião e temas correlatos.

Compartilho do pensamento do autor quando ele dispara a sua metralhadora contra o materialismo como realidade última. Entretanto, tenho dúvidas, se ele fez em algumas ocasiões “as perguntas CERTAS” e, consequentemente, se nos forneceu “as respostas CORRETAS”. 

O que fica claro em muitas páginas, é que ele quer apenas trocar o dogmatismo secularista-ateu dos ambientes acadêmicos, e colocar em seu lugar o dogmatismo judaico-cristão evangélico de direita, por mais que ele possa negar isto. 

Me junto aos Cientistas materialistas quando eles afirmam que o Projeto do Design Inteligente é o Criacionismo velho de guerra com uma nova roupagem. Apenas disfarçado. Os Cientistas desse movimento, sendo uma boa parte de cristãos, não usam a Bíblia em suas argumentações contra a Teoria da Evolução, e nem a usam a favor da visão de um Projeto deliberado na criação do Universo e dos seres vivos. Mas essa parece ser uma sutil estratégia para incutir nas escolas e universidades, a visão cristã defendida por eles. Se querem moldar a sociedade conforme sua visão de mundo, que o façam com honestidade e sem subterfúgios; que seja às claras!

No livro, Johnson admite a verdade, de que a maioria dos Biólogos acham a intervenção divina na criação desnecessária na explicação da criação e manutenção dos seres vivos. 

“[...] a vasta maioria dos biólogos, especialmente aqueles de maior prestígio, nega enfaticamente que Deus tenha qualquer relação com a evolução e [...] descartam o que eles denominam ‘criacionismo do projeto inteligente’, como algo inerentemente inaceitável para a ciência”. P. 33. 

Isso me lembra uma entrevista que li com o Astrônomo Rogério Mourão que dizia que a descrença na comunidade científica é maior entre os Biólogos e menor entre os Astrônomos. Estes lidam com uma realidade mais etérea, e aqueles, lidam diretamente com a inexorável realidade nua e crua da vida e obrigatoriamente da morte, especula o Mourão. 

“Há biologistas que acreditam... A explicação talvez é que eles, por terem mais contato com a vida e com a morte, acabem sofrendo mais da descrença. Os astrônomos, por sua vez, vivem numa esfera mais etérea.” [1]

Reforçando a sua tese de que os sistemas biológicos trazem em seu interior evidências/provas de que foram projetados, Johnson cita Gene Myers, premiado Cientista do Projeto Genoma, que diz:

“O que me deixa maravilhado é a arquitetura da vida. O sistema é extremamente complexo. É como se ele tivesse sido projetado... Há nele uma inteligência imensa. Eu não encaro isso como sendo não-científico. Outros podem pensar assim, mas não eu”. P. 35. 

O livro traz uma piada escrita pelo conhecido Richard Lewontin, Ph.D em Zoologia na Universidade de Columbia, EUA, que disse:

“O problema primordial [para a educação científica] não está em proporcionar ao público o conhecimento sobre a distância que existe até a estrela mais próxima ou sobre aquilo de que são feitos os genes... Antes está em levar as pessoas a rejeitar as explicações irracionais e sobrenaturais sobre o mundo [...] e a aceitar um aparato social e intelectual, a ciência, como o único gerador de verdade”. P. 59.  

Um Professor de Harvard dizer que a Ciência é a única geradora da Verdade é um analfabeto na área mais básica da Filosofia. Ele pode ensinar na melhor Universidade, ganhar os maiores prêmios do mundo científico, porém, falou asneira. Mais uma vez basta invocar as suposições nada científicas nas quais a ciência está ANCORADA e ACORRENTADA, para escrachar à falácia e a ingenuidade desse enunciado besta. 

Repetindo os pressupostos: Mundo Externo; Outras Mentes; a Matemática; Leis da Lógica; e para o horror dele, o próprio método científico que não pode ser provado por ele mesmo. Diante disso, como a Ciência pode ser o “único gerador de verdade”?! Nunquinha!  

“Se a ciência for nossa única fonte de conhecimento e se ela nos proporcionar o conhecimento apenas dos fatos e não dos valores, então distinguir entre o bem e o mal pode ser apenas uma questão de preferência pessoal”. P. 100. 

Se a corrente filosófico-ideológica do cientificismo (Só a ciência é capaz de gerar conhecimento verdadeiro) estiver “correta”, então se segue um total estado de anarquia. Não há distinção entre o que é algo certo e digno de valor, e algo errado e repulsivo. 

Os Cientistas do alto escalão, adeptos do cientificismo, por uma questão de coerência e integridade intelectual (no mundo que eles pregam, isso nem existe) não podem nem afirmar que os fundamentalistas religiosos que porventura queiram lhes destruir, estão intrinsecamente errados. Afinal de contas, não há certo e errado, não é mesmo?! A arbitrariedade é soberana! 

[1] - http://www.filosofiadasorigens.org.br/fo/index.php/aconteceu-na-midia-menu-artigos/107-alem-do-ceu-azul-dr-ronaldo-rogerio-de-freitas-mourao

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

O livro que fez o seu mundo


MANGALWADI, Vishal. O livro que fez o seu mundo. São Paulo: Vida, 2012.

Enfim, cheguei à última página desse livro. Demorei, mas cada página foi escrutinada! Um autor indiano que não tem nenhum pudor, vergonha ou medo de elogiar o Ocidente e criticar as injustiças que reinam em seu país, a Índia. Muitos advogados do multiculturalismo o crucificariam pela abordagem que ele faz nessa obra. Mas se podemos elogiar a nossa cultura, também podemos criticá-la e reconhecer as virtudes das outras. 

Para o Mangalwadi, quando as pessoas e civilizações colocaram em prática, ou levaram em conta os ensinos (seria melhor dizer, alguns ensinos) contidos na Bíblia, as coisas prosperaram; seja na educação, ciência, direitos humanos, liberdade, economia e etc. Ele é muito bom em sua defesa, mostrando e reestruturando a história de uma forma diferente da qual estamos acostumados a ver. Concordo com ele em muitíssimos pontos. 

Um desses pontos, é quando ele dispara algumas críticas contra o relativismo pós-moderno. Ele cita o J. Stanley Mattson, Ph.D em História Intelectual Americana na Universidade da Carolina do Norte, EUA, que escreve:

“[...] se não há verdade a ser descoberta – se toda verdade é apenas uma função de construtos sociais -, então a própria razão não tem autoridade genuína, e em seu lugar a moda e o marketing acadêmicos determinam em que uma cultura irá crer. [...] Ao abandonar a Verdade, abandonamos a única maneira viável de capacitar a comunidade real – isto é, mediante busca humilde e, sim, ‘ultrapassada’ do Bom, do Verdadeiro e do Belo”. P. 12.

Em adição ao que já foi dito pelo Mattson, penso que a propaganda de que a VERDADE não existe, é a maior MENTIRA já anunciada. Se a VERDADE inexiste, então a declaração que a nega, constitui-se numa grande FALSIDADE. Por que deveríamos acreditar nela? Acreditar em algo, já é pressupor que o objeto da crença é OBJETIVAMENTE VERDADEIRO.

Passeando mais algumas páginas me deparei com essa curiosa informação:

“À medida que a notícia do suicídio de Cobain [vocalista do Nirvana] se espalhou, muitos dos seus fãs o imitaram. A revista Rolling Stone noticiou que sua morte foi imitada por pelo menos 68 pessoas”. P. 22.

Por aí se nota, que o fanatismo e maluquice não é uma prerrogativa das religiões. Mas supostos jovens modernos e descolados em “solidariedade” ou muita frustração diante da morte de seu ídolo, tiraram a própria vida.

Como é de costume nesses livros, sempre há uma confrontação com o materialismo ateu, trazendo à tona as incoerências deste. Mangalwadi pergunta:

“Como pode [...] a mente humana – conhecer as leis invisíveis que regem o Universo e capturar essas leis em palavras, palavras que podem ser testadas e determinadas para que se saiba se são verdadeiras ou falsas? [...] por que a linguagem funciona? Se o homem não passa de um animal como os cães [segundo os ex-professores universitários do autor], como podem as leis ou verdades que regem este Universo ser postas em palavras?” P. 74.

“Se o homem não passa de um animal como os cães”, elas simplesmente não podem! Mas o avanço da ciência e estudos filosóficos têm nos mostrado que podem! O reducionismo materialista não pode dizer o porquê! Apenas se resignar ou espernear que nem uma criança teimosa diante desse fato! 

Como não tem como concordar com tudo que o autor diz, rejeito essa afirmação dele:

“Durante o século XX, a cultura americana ainda era moldada pela Bíblia. Por isso, ela conseguiu se livrar das consequências do mito secular desumanizador”. P. 99.

Foi isso mesmo que eu li?! Ele está dizendo que uma cultura imersa na discriminação e no racismo se livrou das consequências nefastas “do mito secular desumanizador”?! Putz... Num país em que foi preciso uma guerra civil para que os escravos tivessem a sua “liberdade”, ele vem falar que essa sociedade estava livre das práticas desumanizadoras?  Fora o incômodo fato de que os sulistas, aonde se concentrava o maior número de religiosos evangélicos “apegados” e “fiéis” a Bíblia, foi o lado que se posicionou contra a libertação dos negros. Esse Maganwaldi é cego ou o quê?!

Mas agora concordando com ele:

“Na Índia, a falta de água corrente produziu uma prática vexatória que envergonhou Mahatma Gandhi (mas que até hoje é praticada): obrigar intocáveis a carregar os excrementos de outras pessoas em caixas sobre a cabeça”. P. 124. 

Para o autor, as coisas ainda são assim, porque na Índia impera uma visão de mundo que não dignifica o ser humano. Dependendo da casta em que você nascer, você não será mais que uma pessoa inferior e desprovida dos direitos mais básicos. E ainda tem neguinho que reclama do Ocidente.

E ainda concordando:

“[...] O desejo de ler a Bíblia se tornou o combustível que colocou em movimento o motor da alfabetização da Europa”. P. 252.

Tem muito neguinho que teria náuseas ao ler isso. Mas basta saber o que os luteranos, calvinistas, puritanos e outros ramos do protestantismo fizeram em seus países com a política de que todos deveriam ler e estudar a Bíblia. E o único caminho para tal, era alfabetizar a massa populacional.

Nessa mesma trilha, até mesmo a ciência moderna se desenvolveu. Peter Harrison (Ph.D em História da Religião pela Universidade de Queensland e Mestrado nas Universidades de Yale e Oxford. É Professor de Ciência e Religião na Universidade de Oxford. Membro da Academia Australiana de Ciências Humanas. Foi Professor visitante das Universidades de Yale, Princeton. Também lecionou História e Filosofia na Universidade de Bond na Austrália) escreve:

“A Bíblia – seu conteúdo, as controvérsias que gerou, questões variantes como autoridade e, o mais importante, a nova maneira com que foi lida pelos protestantes – desempenhou um papel central no surgimento das ciências naturais no século XVII”. P. 275.

A revolução ocasionada por Lutero, Calvino e aderentes da Reforma Protestante e cientistas católicos deram origem à ciência moderna. Cadê as Universidades que não mencionam esse fato tão bem atestado pela história? Pura discriminação? Creio que sim. É possível.

“A ciência não foi fundada sobre a pressuposição de um materialismo sem Deus”. P. 283.

Não, não foi. Na verdade, a história mostra exatamente que foi a crença num Deus pessoal que criou um universo ordenado e, que assim, esse universo podia ser estudado e meticulosamente escrutinado pela mente humana, visto que o mundo era racional, e não fruto de um processo cego e sem finalidade alguma. Os ateus que engulam essa. 

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

A Fé na Era do Ceticismo


KELLER, Timothy. A Fé na Era do Ceticismo. São Paulo: Vida Nova, 2015.

Página após página a pujança e habilidade argumentativa do Keller me constrangia. Fiquei impressionado com a destreza dele a cada parágrafo e capítulos lidos. Nos primeiros capítulos (exceto o capítulo 5), tenho que admitir que fiquei simplesmente ESTUPEFATO com a maneira de como ele disserta sobre a fé. Ele destroça o ceticismo ateu, e mostra a razoabilidade do cristianismo, enquanto sistema de crença que pode nos dá uma nova cosmovisão.

Claro que nem tudo no livro me deixou impressionado. Nos capítulos finais minha empolgação e admiração diminuíram. Achei as palavras dele romantizadas demais. Algo que não é novidade nos livros cristãos. Às vezes penso que o cristianismo é a espécie de religião que criou a doença e depois inventou a cura para depois pousar de herói. 

Mas o livro é bom mesmo. Sem igual. O autor está de parabéns. Sua abordagem inteligente faz qualquer um ficar no canto da parede, que nem um camundongo diante de um gato furioso prestes a atacá-lo.
Aqui vão alguns trechos que julguei interessantes:

“Todas as dúvidas, por mais céticas e cínicas que pareçam, são, na verdade, um conjunto de crenças alternativas. Não é possível duvidar da crença A, a não ser a partir de uma postura de fé na crença B”. P. 21.

Só podemos ser incrédulos (ateus, por exemplo) em relação ao teísmo se tivermos uma postura de fé no ateísmo. Visto que não podemos provar a asserção de que Deus não existe. A questão é qual crença é a mais razoável: teísmo ou ateísmo.

Algumas páginas à frente, Keller escreve:

“A Rússia soviética, a China comunista, o Kmer Vermelho e (de uma forma diversa) a Alemanha nazista se dispuseram a controlar rigidamente a prática religiosa na tentativa de impedir que ela dividisse a sociedade ou minasse o poder do Estado. Resultado, porém, não foi mais paz e harmonia e, sim, mais opressão”. P. 31.

Em complemento, ele cita o Alister McGrath, Teólogo, Historiador e Cientista, que diz:

“O século 20 deu ensejo a um dos maiores e mais incômodos paradoxos da história humana: os maiores atos de intolerância e violência desse século foram praticados pelos que acreditavam que a religião gerava intolerância e violência”. P. 31.

Os ateus e antirreligiosos não têm o que dizer; aí tentam desmerecer sem argumentos esse tipo de declaração. Mas a grande ironia permanece: Estados ateus foram totalitários e assassinos.

Keller em sua defesa do teísmo não deixa de mencionar e refutar o badalado relativismo pós-moderno tão em voga nos meios universitários. Para reforçar seu argumento, ele faz uso do renomado Sociólogo Peter Berger, que está entre os acadêmicos sóbrios e inteligentes que não aderem a barca furada que é o relativismo. Berger diz que: "A relatividade relativiza a si própria". P. 36. E num é não?! 
Keller acerta quando dispara:

"O condicionamento social da crença é um fato, mas ele não pode ser usado como argumento de que toda verdade é completamente relativa, sob pena de o argumento refutar a si mesmo". P. 36.

E destruindo uma das falsas teses de Foucault, talvez o maior guru dessa geração de universitários imaturos, Keller escreve:

“Inspirados em Foucault [quase deus dos cursos de humanas], muitos afirmam que todas as alegações de verdade são exercícios de poder. Quando afirma ser dono da verdade, você está tentando exercer poder e controle sobre terceiros. [...] No entanto, o argumento de que toda a verdade é um exercício de poder padece do mesmo problema presente no argumento de que toda a verdade é culturalmente condicionada. [...] Se você afirmar que toda alegação de posse da verdade é um exercício de poder, então sua afirmação também é um exercício de poder. Foucault impunha a terceiros a verdade de sua própria análise mesmo negando a própria verdade como categoria”. P. 63, 64.

Harvey Siegel, Filósofo da Universidade de Harvard, faz coro com o Keller e o Berger:

"[...] o relativismo não pode se autoproclamar ou mesmo se autorreconhecer sem derrotar a si mesmo". P. 152. 

Há quase cinco anos tenho constatado vez após vez, que um exército de acadêmicos inteligentemente não sucumbiram à falácia mais falaciosa (se é que posso dizer assim) dos últimos 50 anos.

Trabalhando o problemático problema do mal:

“Se você tem certeza de que este mundo natural é injusto e tomado pelo mal, está admitindo a realidade de algum padrão extranatural (ou sobrenatural) a partir do qual elabora o seu juízo”. P. 53.

Mas aquilo que chamamos (e sentimos, obviamente) de “dor e sofrimento físico” não poderia ser o critério pelo qual classificamos e achamos o nosso mundo “injusto e mal”, não? Por exemplo, se virmos uma criança sendo torturada, nos compadecemos, porque sabemos que isso é doloroso tanto física como psicologicamente, e, portanto, adjetivamos tal ato como sendo “errado e cruel”. 

Nesse caso, talvez não fosse mera subjetividade, não invocar a figura divina, mas um dado compartilhado por todos (ou quase todos) – o de que ter a sua integridade física ferida é simplesmente algo ruim.

Os animais até onde sabemos não têm uma consciência tão sofisticada como a nossa e nem ficam discutindo as “questões últimas e primordiais” que tanto debatemos e, mesmo assim, SABEM (mesmo que instintivamente) que serem maltratados e torturados é algo não desejável. Não estão “admitindo a realidade de algum padrão extranatural (ou sobrenatural) a partir do qual elabora[m] o seu juízo”. Não precisam apelar para nada fora além deles mesmos.

Isso são apenas divagações supérfluas de minha parte, visto que compactuo do pensamento do autor nesse ponto, baseado numa série de argumentos complementares, que dão uma boa sustentação teórica ao enunciado citado. Queria poder elaborar melhor a questão, mas falta-me agudeza filosófica. 

Numa simplicidade sem igual, o Keller põe abaixo as declarações triunfalistas dos materialistas mais empolgados.

“Não há modelo experimental para verificar a declaração ‘é impossível existir uma causa sobrenatural para algum fenômeno natural’. Assim trata-se de uma pressuposição filosófica e não de uma descoberta científica. [...] Para ter certeza de que milagres não acontecem, você precisaria estar absolutamente convencido de que Deus não existe, e isso é um elemento de fé”. P. 115.

O Biólogo da Universidade de Oxford, Richard Dawkins, é outra mulher de malandro que adora apanhar. Dessa vez, Terry Eagleton, Professor de Teoria Cultural na Universidade Nacional da Irlanda e Professor Visitante da Universidade de Notre Dame, dá-lhe uma coronhada certeira. 

“Dawkins considera toda fé como fé cega e acha que as crianças cristãs e muçulmanas são criadas para crer sem questionar. Nem mesmo os clérigos idiotas que me maltratavam no primeiro grau pensavam assim. Para o Cristianismo, a razão, a argumentação e a dúvida honesta sempre tiveram importante papel na fé. [...] A razão, é claro, não é onipresente para os que creem, mas também não é para os tipos não religiosos mais sensíveis e civilizados. Até Richard Dawkins vive mais segundo a fé do que segundo a razão. Nutrimos várias crenças que não podem ser racionalmente justificadas, mas, ainda assim, elas nos parecem razoáveis”. P. 152.

E encerrando:

“Tudo o que conhecemos neste mundo é ‘contingente’, tem uma causa fora de si mesmo. Assim, o universo, que não passa de uma enorme montanha de tais entidades contingentes, teria de ser dependente de alguma causa fora de si mesmo”. P. 161.

Mais simples (e não simplista) do que isso, impossível.

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Tupac: Ressurrection


Considerado o maior Rapper de todos os tempos, esse vídeo de quase duas horas conta a história conturbada, polêmica e cheia de aventuras de Tupac Shakur. Nessa obra o que surpreende é que o próprio Rapper "narra" toda a sua história, inclusive a sua morte. E Muita criatividade dos produtores. Queria saber qual foi o tipo de tecnologia usada. 

Não sou fã de Rap/Hip-Hop e mal conheço as músicas dele, mas sabia através da “extinta” MTV da importância do Shakur no cenário da música norte-americana. O cara é uma espécie de deus do Rap por lá. Uma lenda! Um mito!

Esse vídeo reúne muitos elementos que me interessam sobre a constituição e formação da sociedade negra nos EUA. Uma nação marcada pela segregação, racismo, preconceito e etc. Uma verdadeira guerra diária muitos negros tem de enfrentar todos os dias para sobreviver nas periferias das grandes cidades estadunidenses.

Muitos acabam caindo nas garras do tráfico, drogas, assaltos, roubos, assassinatos e tudo o que não presta. O documentário não se furta a isso. Uma complexidade de fatores contribuiu e ainda contribuem para essa situação. Nessa perspectiva, a própria sociedade branca racista norte-americana produziu essa nefasta realidade.

Link do vídeo:

http://megafilmeshd.net/tupac-resurrection/

A Evolução do Criacionismo


Uma inteligente exposição feita pelo Marcus Valério, Mestre em Filosofia pela UNB, sobre a história do Criacionismo, enquanto sistema de pensamento teológico que se pretende científico para destronar a Teoria da Evolução do seu lugar de primazia na comunidade científica e principalmente nas escolas. Ele divide essa história em quatro períodos básicos:

1 – Período: Nas primeiras décadas do século XX, a estratégia criacionista foi simplesmente proibir o ensino da Evolução nas escolas. 

2 – Período: Surge o Criacionismo “Científico” em meados da década de 1960, que tenta refutar a Evolução usando a ciência.

3 – Período: Surge o Criacionismo Filosófico que questiona o status epistemológico do Darwinismo.

4 – Período: É o que vivemos atualmente, com os adeptos do Design Inteligente, grupo que nasce no início da década de 1990, e que perdura até hoje. 

Para o palestrante, o Criacionismo não foi e não é ciência de modo algum. E apesar de admitir uma certa sofisticação epistemológica no Design Inteligente, este carece das mesmas falhas do Criacionismo das décadas anteriores. 

Realmente muitas de suas criticas são válidas e merecem ponderação da parte de quem adota a posição divergente da Academia. Mas ele só conta metade da história. Muitas questões poderiam ser colocadas que minimizam o impacto do que ele disse. De qualquer forma, sou fã desse cara, desde o início de 2006 eu leio os textos dele, que são maravilhosamente bem escritos e bem articulados. É um verdadeiro Filósofo. 

As Mutações do Criacionismo


Basicamente nessa palestra, Marcus Valério, Mestre e Bacharel em Filosofia pela Universidade de Brasília, nos apresenta o que seria o 5º estágio do Criacionismo: a subjetividade da mente, com a sua capacidade de dar sentido e intencionalidade a tudo que está ao seu redor. Segundo ele, a Evolução não consegue explicar essa faceta da identidade humana. Mas acredita que a Psicologia Evolutiva seja muito promissora em explicar certos aspectos da psique humana.

Ele admite que cérebro e mente não são a mesma coisa e, que portanto, existe uma dimensão humana que talvez não seja apenas um epifenômeno da matéria. Dessa forma, os criacionistas opositores da Teoria da Evolução teriam um refúgio inexpugnável para argumentar em favor de uma suposta divindade que nos concede essa cognição que objetifica tudo ao redor, mesmo que essa tal objetificação possa ser apenas aparente. 

Lembrando que a exposição dos quatro primeiros estágios do Criacionismo ele deu na palestra A Evolução do Criacionismo.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Surpreendido pelo Sentido


MCGRATH, Alister. Surpreendido pelo Sentido. São Paulo: Hagnos, 2015.

"Será que a natureza está cravejada e estampada com indícios dos seus sentidos, e a mente humana foi modelada de tal modo que eles possam ser identificados e sua relevância possa ser apreendida?" P. 23.

"Ser humano é ansiar por sentido e por respostas para os enigmas da existência." P. 66.

Mais um livro do Teólogo e Biofísico Molecular Alister McGrath, folheado de capa a capa. O McGrath trabalha nesta fascinante obra, a busca e o anseio intrínseco por SENTIDO que todos nós temos. Desde os Cientistas ao homem comum e rude, a peregrinação por algo que explique os fios soltos e (supostamente) desconexos da realidade, se faz presente.

Que estrutura de pensamento e visão de mundo, explica melhor a realidade? Através de que lentes podemos melhor analisar o mundo que nos cerca e construir “um mapa mental da realidade que nos permita nos posicionar, ajudando-nos a encontrar nosso caminho ao longo da estrada da vida?” P. 25.

McGrath admite que não podemos provar que visão de mundo amarra melhor os fatos da realidade.

"[...] coisas em que realmente vale a pena acreditar estão além de qualquer prova. Nossas crenças mais importantes são as que simplesmente não podem ser provadas." P. 34.

“Defender que algo é verdade e confiável pode ser justificado sem necessariamente ser provado. Pode haver bons motivos para eu acreditar que algo seja verdade e, ainda assim, perceber que não posso provar isso.” P. 177.

Um ateu cientificista apressado pensaria que tal declaração só poderia vim de um religioso bitolado e que em relação a Ciência esse enunciado não se aplica. Acontece que também a Ciência está incluída aí. Ela é justificável e seria um contrassenso não confiarmos nela, mas, por exemplo, a indução, método do qual a Ciência depende, não pode ser provada em hipótese alguma. O maior defensor da Teoria da Evolução darwiniana do século XIX, o Filosofo e Biólogo Thomas Huxley tem algo a dizer:  

"O único ato de fé no convertido para a ciência é a confissão da universalidade da ordem e da absoluta validade, em todos os tempos e sob todas as circunstâncias, da lei de causação. Essa confissão é um ato de fé, porque a verdade dessas proposições, pela natureza da questão, não é passível de prova." P. 64.

E refutando a ideia tão desgastada de que a Ciência e a Religião são inimigas mortais, ele dispara:

“Hoje, os historiadores da ciência consideram essa ideia [conflito entre ciência e religião] quase inaceitável, principalmente porque é muito difícil reconciliá-la com os fatos da história. [...] A ideia de que a ciência e a religião vivem em permanente estado de conflito se tornou muito popular no final do século 19, em grande parte por motivos sociológicos. Apesar de essa ideia persistir na mídia popular, perdeu apoio acadêmico como resultado do aumento do nosso conhecimento sobre as interações históricas entre ciência e religião.” P. 54-55.

Para o autor, a Religião Cristã é imprescindível na busca por Sentido. Somente a Ciência é impotente e incapaz de nos provê-lo.

“[As] questões mais profundas e mais envolventes a respeito da natureza do universo têm origem fundamentalmente em uma busca religiosa por sentido. O conceito de um universo regido por uma lei, com uma ordem que pode ser entendida e é confiável, surgiu em grande parte das crenças fundamentais sobre a natureza de Deus, expressas na noção das ‘leis da natureza’." P. 68.

McGrath argumenta acertadamente que o método científico é neutro.

"[...] o método científico, quando aplicado de forma apropriada e legítima, é neutro do ponto de vista religioso - nem uniformemente aprobatório nem uniformemente crítico das crenças religiosas. Uma vez que o método científico claramente não traz em seu bojo o ateísmo, aqueles que querem explorar as ciências como uma arma contra a religião têm de complementar sua defesa de maneiras que aumentem sua plausibilidade. Uma dessas maneiras fundamenta-se no uso da retórica agressiva, ridicularizando os que desafiam suas óbvias incorreções." P. 57.

"A ciência, em sua melhor atuação e a mais autêntica não tem credo, nem religioso nem antirreligioso." P. 64.

A sintonia fina do universo é um dos ramos bastante usado na Teologia Natural, para mostrar a ressonância do universo com a existência de um Criador. No entanto, em resposta, muitos contestam que por mais que a vida seja improvável, só podemos pensar sobre isso, exatamente por estarmos aqui. McGrath responde a isso: 

“[...] alguns argumentam que a aparente sintonia fina cósmica não é nada mais que uma casualidade interessante, um feliz acaso. As constantes fundamentais em questão precisavam ter algum valor – então por que não esses valores? Não há uma relevância e um significado ainda maiores. Para dar um exemplo: a população dos Estados Unidos da América é de pouco mais de 300 milhões de pessoas. Há apenas um presidente. A probabilidade de qualquer norte-americano se tornar presidente, por conseguinte, é de aproximadamente 1 em 300 milhões. Mas e daí? Alguém precisa ser presidente. Talvez seja muitíssimo improvável que determinado indivíduo seja o presidente, mas é uma certeza que alguém o será.

Não obstante, essa analogia presidencial é claramente inválida. As regras do jogo são que alguém precisa ser o presidente dos Estados Unidos. Mas o universo não precisou vir à existência. É tanto o fato de o universo estar aqui quanto o fato de ele ser muitíssimo improvável que exigem explicação.” P. 112-113. 

Para se livrarem das implicações favoráveis ao teísmo, que a fina sintonia do universo traz, cientistas ateus têm proposto a teoria de incontáveis universos, onde forçosamente, em algum desses universos, a vida surgiria. McGrath argumenta que não. 

“Hoje a hipótese do multiverso continua pouco mais que um exercício matemático fascinante, mas altamente especulativo. Essa hipótese, talvez de forma não sensata, foi adotada por ateístas ansiosos por solapar a potencial relevância teológica da sintonia fina do universo. Assim, parte da atração da hipótese do multiverso para os físicos ateístas, [...] está no fato de que ela parece evitar qualquer inferência de projeto ou divindade. No entanto, é possível usar em grande medida os mesmos argumentos para sustentar a existência de Deus no caso de um multiverso quanto no caso de um universo, com a hipótese do multiverso sendo consistente com o entendimento de Deus, e não o elemento intelectual destruidor desse entendimento.” P. 113-114.

Minha única crítica ao livro se deve ao fato de o McGrath ainda gastar muitas linhas refutando as alegações ingênuas e sem sentido do Dawkins. Pelas minhas contas, desde 2003, ele faz isso. Acho que o McGrath pode dialogar com outros autores em suas obras sobre Ciência, Fé e Razão.

sábado, 17 de outubro de 2015

Deep Sea 3D



Estonteantes imagens das profundezas do oceano foram filmadas para compor esse belo documentário. Camarões, tubarões, lulas gigantes, águas-vivas, polvos, corais, algas e várias espécies de pequenos e grandes peixes aparecem em toda a sua beleza e engenhosidade. Cada um desses seres são peças fundamentais para que o equilíbrio seja mantido no fundo do mar. Eles vivem numa simbiose que mantém a grandiosidade do oceano. Mas o lado ruim da coisa não poderia deixar de ser exposto. E como sempre o homem é o responsável.


“Nos últimos 50 anos, 90% dos grandes peixes foram extraídos dos oceanos. Estamos tirando mais do que os mares podem nos dar. Agora sabemos que a matança de tubarões é uma das razões para a morte dos corais. A pesca excessiva dizima uma espécie após a outra. Ecossistemas inteiros começam a enfraquecer”.

O que os governos e as grandes empresas pesqueiras pensam? Ah, foda-se o ecossistema. A natureza tem os seus milagres. Ela dará o seu jeito de se recuperar e, assim, depredaremos e enriqueceremos às  suas custas mais uma vez. Sempre foi assim.  

Link do vídeo:

http://cineemcasa.com/2015/05/assistir-fundo-do-mar-dublado-hd-online-gratis.html

Face a Face com a CRIAÇÃO


Nesse DVD temos cinco pequenas exposições sobre a complexidade da natureza explicadas pelo Físico, Adauto Lourenço. Não sou fã dele, pois já identifiquei algumas inverdades e embustes em algumas de suas palestras ministradas em 2008. No entanto, isso não é motivo para descredenciar tudo que ele falou ou venha a falar. As Universidades também estão cheias de embusteiros, aclamados como os donos do saber. 

Como peguei o DVD emprestado, e não o encontrei completo na NET, aqui estão apenas alguns trechos:

O lugar ideal:

 https://www.youtube.com/watch?v=aSx19rw5XPA

Feitos a Sua Imagem e Semelhança:

https://www.youtube.com/watch?v=FUXTO2uCsUs

A Capacidade de Caçar a Noite:

https://www.youtube.com/watch?v=tRixIQF6NpQ

A Estrutura das Asas das Aves:

https://www.youtube.com/watch?v=gIKqY4lZ1_o

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Amazônia


O que falar? Documentário sobre um macaquinho liberado na Amazônia. Os câmeras, não sei de que forma, seguem "todos" os passos e interação dele com os outros bichos da floresta. Com certeza um chip que mostrava a localização exata do animal foi colocado. Parece até que o macaco e outros bichos da floresta seguiram um roteiro pré-estabelecido pelos diretores. Bem ficcional. Os caras sabem deixar tudo bem "natural". 

Link do vídeo:

http://megafilmeshd.net/amazonia/

Cristianismo: Ópio do Povo?

GOODING, David; LENNOX, John. Cristianismo: Ópio do Povo? Porto Alegre: A Verdade, 2013.

Eis um livro fraco, apesar de concordar com muitas de suas ideias. A pergunta presente no título não é bem trabalhada do ponto de vista histórico, visto que a frase dita por Karl Max (sobre a religião de um modo geral ser “o ópio do povo” e não apenas o Cristianismo) localizada no século XIX tem todo um contexto histórico-econômico-social complexo e desafiador.

O livro não passa basicamente de uma exposição do que é o Cristianismo sob a ótica do protestantismo conservador. Nada mais que isso. Já conhecia um de seus autores, o Matemático de Oxford, John Lennox, que frequentemente participa de debates e palestras expondo brilhantemente as incongruências do materialismo filosófico e a coerência do teísmo. Num determinado trecho, os autores escrevem:

“Um dos mitos mais profundamente enraizados que moldou o pensamento das pessoas no mundo moderno é a ideia de que a ciência tornou a crença em Deus e no sobrenatural desnecessária e impossível para uma pessoa pensante. É um mito muito difundido e enganoso, que, infelizmente, tornou-se confundido com a verdadeira ciência na mente de muitas pessoas.” P. 41.

Esse mito ainda é muito difundido nos departamentos universitários, mas tenho a leve impressão de que isso está mudando. Muitos acadêmicos estão abrindo o bico e se posicionado ao lado do teísmo, da fé, sem com isso, sacrificar o intelecto. Pra falar a verdade, todos nós sacrificamos o intelecto em maior ou menor grau, em alguma área da vida.

“De passagem, nós devemos observar que a crença em Deus como Criador, longe de inibir a descoberta das leis da natureza, foi, historicamente, uma das principais motivações na busca por elas.” P. 46.

Exemplos abundam: Kepler, Galileu, Newton, Bacon, Faraday... A verdade é verdade, sendo dita uma vez ou milhares de vezes. Ou nem sendo dita. E ainda hoje é a motivação de milhares de Cientistas. 

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Domingo Espetacular: Cair no Espírito


Por mais que seja o sujo falando do mal lavado, a rede record prestou um grande serviço a sociedade brasileira com essa matéria de quase 40 minutos, mostrando as mugangas atribuídas a Deus que essas MERDAS de igrejas pentecostais e neo-pentecostais andam fazendo por aí.

É claro que o BANDIDO Edir Macedo teve interesses escusos em produzir esse documentário expondo os podres dessas igrejas que lhes são rivais, porém, não deixou de expor uma grande verdade sobre essas igrejas.

Até a ídola e tão idolatrada cantora gospel, Ana Paula Valadão, é exposta tendo os seus chiliques espirituais, que a bichinha jura com todas as suas forças que foi o Espírito Santo quem operou esses transes que ela vez por outra tem.

Sabe de nada, inocente.

Santos Populares



Diante de tanta baboseira religiosa, é fácil entender o porque de tanta gente ter nojo das religiões/seitas e ser ateu. O homem é um ser religioso por natureza. Acontece que essa religiosidade que lhe é inerente não é exercida com inteligência e bom senso.

É muito mais preferível uma Europa secularizada à uma sociedade tão tola e dada a todo tipo de superstição bizarra como a sociedade latino-americana. Países atrasados são bastante propícios a esse tipo de religiosidade tosca que o documentário expõe.

A maioria da população não tem estudos, não leem e não tem a assistência do Estado. O que culmina gerando uma população fraca e refém das ideias mais absurdas que se possa imaginar.