segunda-feira, 6 de junho de 2016

A Teoria da Evolução é “irrelevante” para o estudo da Medicina?

É um fato que Cientistas gabaritados, já não acreditam mais na Teoria da Evolução. Esses mesmos Cientistas dizem que existe uma controvérsia no meio acadêmico em torno da veracidade das ideias de Charles Darwin, naturalmente os Cientistas evolucionistas negam essa tal controvérsia. Segundo os darwinistas, o que existe são discursões de como o processo evolutivo ocorreu.  Mas a evolução em si, jamais é negada. Os mecanismos que a natureza criou para transformar uma espécie em outra é que são discutidos amplamente. Uma espécie de telos metafísico é que está fora de questão. Nesse caso, os inimigos de Darwin estão equivocados em afirmar que existe uma controvérsia, como se a comunidade dos Cientistas estivessem dividida entre Darwin e o Design Inteligente, ou outras formas de criacionismos.

Se a comunidade dos Cientistas está totalmente com Darwin, parece que a comunidade dos Médicos, não. Segundo alguns Professores de Medicina, a evolução é completamente descartada e irrelevante para os estudos que empreendem com os seus alunos. Um Médico pode ser formado e altamente preparado para exercer suas funções, sem nunca precisar acatar nenhum dos postulados da evolução darwiniana.

Aqui vai o depoimento de alguns Médicos sobre a “irrelevância” da evolução nos estudos na Medicina:

David Menton, Ph.D em Biologia na Universidade de Brow, EUA, e foi Professor de Medicina na Universidade de Washington.

"Se a teoria da evolução fosse colocada de parte, não haveria qualquer tipo de impacto negativo dentro da medicina uma vez que essa teoria não desempenha qualquer papel no ensino ou na práctica da mesma. Isto não quer dizer que não há profissionais de medicina que não subscrevem a teoria da evolução, ou que ela não é mencionada durante as palestras. De facto, de tempos a tempos ela é mencionada, mas pelas palestras que já participei, quando a teoria da evolução é mencionada, ela é citada de passagem – quase como uma confissão de fé – sem contribuir em nada para o tópico. Os professores não podem perder muito tempo com a teoria da evolução uma vez que eles têm verdadeiro conhecimento médico para passar aos estudantes, e perder tempo com especulações evolutivas é um desperdício. Se removermos a teoria da evolução do nosso estudo, não há nada no domínio da ciência empírica que não pode ser feito de forma progressiva".  - https://darwinismo.wordpress.com/2013/06/01/ser-medico-e-ser-evolucionista-e-contraditorio/

Michael Egnor, Neurocirurgião e Professor do Departamento de Pediatria da Stony Brook University.

“Na verdade, os médicos não investem muito tempo na teoria da evolução. Eles não a estudam nas escolas médicas e nunca usam crenças evolutivas quando se dedicam a tentar curar os pacientes. Não há disciplinas evolutivas nas escolas médicas. Não há ‘professores de evolução’ nas escolas médicas. Não há departamentos evolutivos nas escolas médicas. [...] Sou professor de neurocirurgia; trabalho e ensino numa escola médica, faço pesquisas em torno do cérebro e, em cerca de 20 anos, levei a cabo mais de 4000 operações ao cérebro. Nunca uso a teoria da evolução durante o meu trabalho. Será que seria um melhor cirurgião se assumisse que o cérebro é o resultado de causas aleatórias? Claro que não. Os médicos são detectives. Nós procuramos por padrões e no corpo humano, os padrões presentes possuem toda a aparência de terem sido criados. Começando na estrutura complexa do cérebro humano e acabando no não-menos-complexo código genético, os médicos sabem que os nossos corpos possuem evidências sobrepujantes em favor do design”. - https://darwinismo.wordpress.com/2012/02/19/sera-que-e-necessario-que-um-medico-tenha-fe-em-darwin/

Robert Cihak, formado em Medicina na Universidade de Harvard, pós-graduado na Escola de Medicina da Universidade de Stanford.

“É claro que a maioria dos médicos são cépticos do Darwinismo… Um cirurgião ocular conhece de forma íntima os surpreendentes meandros da visão humana. Logo, as histórias vagas e infantis em torno da evolução ocular não o enganam. E o sistema ocular é apenas um dos incontáveis órgãos e sistemas interdependentes do corpo que colocam em causa qualquer explicação Darwiniana.” - https://darwinismo.wordpress.com/2014/05/20/os-medicos-e-a-teoria-da-evolucao/

Jane Orient, Professora de Medicina na Universidade do Arizona.

“A evolução com o significado de ‘modificações com o passar do tempo’ é um facto indisputável, mas a evolução com o significado da origem de todas as espécies a partir dum ancestral comum é uma especulação imaginativa e desvairada, e ela não deveria ser ensinada como ciência e muito menos como um ‘facto’… As escolas deveriam ensinar a matemática, a lógica e o método científico, e os estudantes deveriam fazer observações cuidadosas, para além de aprender a planificar e levar a cabo experiências. A teoria da evolução de Darwin é, fundamentalmente, um tópico para a história ou para a filosofia.” - https://darwinismo.wordpress.com/2014/05/20/os-medicos-e-a-teoria-da-evolucao/

Cerca de 60% da comunidade dos Médicos norte-americanos creem num design. Willian Dembski, (Ph.D em Matemática na Universidade de Chicago, Ph.D em Filosofia na Universidade de Illinois e Professor associado de Pesquisa em Fundamentos Conceituais da Ciência na Baylor University) e Jonathan Witt (Ph.D em Literatura na Universidade do Kansas, EUA) citam importante pesquisa feita:

“[...] uma pesquisa feita pelo Instituto Finkelstein descobriu que cerca de 60% dos médicos dos EUA consideram que o design inteligente teve sua importância na origem dos seres humanos.” - Design Inteligente Sem Censura. São Paulo: Cultura Cristã, 2012. P. 31.

Não tenho ciência da repercussão que essa pesquisa teve em solo americano, mas devido às brigas históricas travadas entre darwinianos e criacionistas por lá, com certeza os evolucionistas catalogaram o depoimento de inúmeros Médicos proeminentes para desmentir quaisquer afirmações que venham desmerecer o estudo da evolução na área da Medicina.  

Mas vamos lá. Mesmo que o estudo da Biologia Evolutiva seja mesmo irrelevante para os estudos medicinais, se segue que o darwinismo não é a melhor teoria científica para explicar os seres vivos? Muitos Cientistas ignoram o que a Filosofia da Ciência tem a dizer sobre os empreendimentos científicos, postulados e pressupostos usados pelos Cientistas, entretanto, isso torna as abstrações da Filosofia sem importância para a Ciência? Cientistas de renome mundial, vez por outra, em sua completa ignorância, rejeitam o que os Filósofos têm a dizer. Até um Físico famoso chegou a afirmar que a Filosofia está morta. Cientistas podem trabalhar perfeitamente e descobrir coisas extraordinárias sem se importarem com o que a Filosofia diz ou deixa de dizer. No entanto, é válido afirmar, que por causa desse “descaso”, o estudo filosófico de como a Ciência caminha e funciona, é falso e pode ser jogado no lixo? Eu acho que não.

E tem mais: se 60% dos Médicos creem numa espécie de design, os outros 40% parecem estar ao lado do barbudo do século XIX. O que seria muitos (e bote muitos nisso) Médicos. O que colocaria o darwinismo em larga vantagem, se comparado com o número de Cientistas que estudam diretamente os seres vivos (Biologia), que estão contra o velhinho feio e assustador da era vitoriana. Visto que os adeptos do Design Inteligente e os doidos de pedra dos criacionistas da terra jovem, arrisco dizer, não chegam a 1% na comunidade dos Biólogos.

Dessa forma, pode até ser verossímil (e creio que até seja mesmo) que a evolução não tenha validade alguma nos estudos médicos, mas disso não se segue que ela não seja a melhor explicação para complexidade do corpo humano tão estudado pela comunidade médica.

Por trás das afirmações de alguns (ou todos) esses Médicos, existe uma ideologia religiosa que os impele a serem com tanta veemência contra o darwinismo. E olha que nem acredito na evolução.

PS: o texto tem um “pecado” bem à vista. Todas as citações são de fontes secundárias (ou talvez até terciárias). E de um blog criacionista da terra jovem, ainda mais. Apenas a citação do livro do Dembski e Witt é que não foi retirada do blog Darwinismo Wordpress. Mesmo assim, é mais uma citação de segunda mão, que fiz. Mas fazemos citações indiretas a todo o momento e a toda hora. Sem elas, as conversações seriam impossíveis. Apenas presumi que as citações estão devidamente corretas e sem distorções. Sendo assim, elas servem ao propósito do texto.

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Um Mundo Imperfeito com Bad Designs: Evidência a Favor da Evolução ou Design Inteligente?


Palestra de Eduardo César Meurer, Ph.D e Mestre em Química na Unicamp, Pós-Doutorado em Química na Universidade de Purdue, EUA. Ele é mais um Cientista cético da Teoria da Evolução e das atuais teorias naturalistas sobre a Origem da Vida.

“Impossível quimicamente surgir proteínas por menores que sejam de uma sopa primordial. Evolução não explica Surgimento da vida. Não há evidência científica a favor da origem da vida pela evolução química, muito menos de como chegamos no nível de complexidade da Bioquímica dos organismo vivos.”

Sua palestra não é tão atraente. Por vezes, técnica demais, para uma pessoa leiga. 

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Clitóris: O Prazer Proibido


Tinha visto esse curioso documentário há alguns anos. Resolvi ver de novo. Coisas e temas interessantes são sempre legais relembrar. E para não esquecer, aqui vai um resumão.

De maneira empolgante a Jornalista científica do The New York Times, Natalie Angier diz:

“O clitóris é a única parte do corpo cuja função exclusiva é fornecer prazer. Por isso ele é tão incrível. É estranho as mulheres acharem que a sua sexualidade é mais restrita que a dos homens, pois o clitóris está lá, só para proporcionar prazer. [...] Ele é lindo. Na verdade, eu o acho lindo”.

O clitóris parece ser o patinho feio da sexualidade humana. O fato é que é pouco estudado e conhecido. Até pouco tempo, até mesmo os livros-textos de anatomia traziam poucas informações sobre o órgão do prazer feminino. Descrições completas eram feitas da ereção masculina, mas onde estava às descrições anatômicas do clitóris, um órgão não menos importante? Durante quase um século, a medicina moderna pouco fez em seus estudos e pesquisas.

“A ciência nunca ficou a vontade com o clitóris.”

Para termos uma noção da importância desse pequeno órgão esquecido e injustiçado, a apaixonada Jornalista fala mais uma vez:

“O clitóris é mais sensível que o pênis. É o tecido mais sensível de todos. Há mais terminações nervosas na sua extremidade do que em todos os outros órgãos, do que na língua, etc. Há 4 mil terminações nervosas vindas de cada lado, culminando numa cabeça de 8 mil terminações nervosas. No pênis são de 4 mil a 6 mil no total. Além do clitóris ter mais terminações nervosas, elas estão comprimidas num espaço muito menor, por isso ele é tão sensível. Muitas mulheres não gostam que toquem diretamente nele, porque é muito... Elas preferem um contato indireto.”

Em seguida, ela acaba com o pinto, chamando-o de espingarda, e talvez, aquelas espingardas enferrujadas e sem quase nenhuma utilidade. Enquanto que o pinguelo (aqui faço uso de um conhecido apelido, visto que o documentário denuncia a falta de nomes mimosos a ele) é uma potente arma de fogo que atira com eficácia em todas as direções.  

“Depois do orgasmo esses músculos não se relaxam completamente. Por isso as mulheres podem ter orgasmos múltiplos. Não acho que haja motivo para ter inveja do pênis, pois ele é uma espingarda e, pelo que sei, o clitóris é uma metralhadora, que pode atirar repetidamente durante muito tempo.”

Num breve apanhado histórico dos estudos sobre o pinguelo, vejamos:

- O primeiro a estudar o clitóris foi o Anatomista Renaldo Colombo, em 1559. Era um admirador da metralhadora feminina. “É um órgão lindo e muito útil.”

- Um século depois, o Anatomista Regnier de Graaf, que o estudou e chegou a conclusão que sem o clitóris, “nenhuma mulher aceitaria fazer filhos”.

 - George Kobelt, no ano de 1844, publica vários desenhos anatômicos do clitóris.

- Em 1900 o pinguelo finalmente está no Gray’s Anatomy, considerada na época, a bíblia da Anatomia. Mas curiosamente, na edição de 1948, ele é expulso de suas páginas.

Retrocedendo alguns séculos antes de Cristo, Hipócrates, o pai da Medicina, acreditava que as mulheres tinham esperma, e que para reproduzir elas deviam sentir prazer, esse prazer vinha do clitóris.

Na idade medieval um certo livro dizia:

“Lubrifique o dedo com óleo perfumado e friccione a vulva com movimentos circulares.”

O documentário passa a relatar a triste história de Melissa Cull, que teve o seu clitóris mutilado quando criança, por ele ser avantajado demais. Esse procedimento cirúrgico prejudicou toda a sua vida. Ela não consegue ter relações sexuais, não consegue ter prazer, não consegue ter uma vida saudável, pois uma parte de seu corpo foi-lhe arrancada sem o seu consentimento, apenas por uma questão estética que não lhe incomodava.

A parte final... Ah, bateu a preguiça. 

terça-feira, 10 de maio de 2016

Design Inteligente Sem Censura


DEMBSKI, Willian A.; WITT, Jonathan. 
Design Inteligente Sem Censura. São Paulo: Cultura Cristã, 2012.

"A mente fez a matéria ou a matéria fez a mente? As coisas na natureza são produto exclusivamente de forças irracionais, ou será que uma razão criadora desempenhou um papel nessa criação? Não só os teólogos têm debatido essa questão, mas igualmente os filósofos e cientistas, da antiga Atenas até os modernos ganhadores do Prêmio Nobel, como os físicos Albert Einstein, Arno Penzias e George Smoot. A razão é simples: essa pode ser a questão mais importante, a mais fundamental de todas.” P. 7.

Willian Dembski, (Ph.D em Matemática na Universidade de Chicago, Ph.D em Filosofia na Universidade de Illinois, é Professor associado de Pesquisa em Fundamentos Conceituais da Ciência na Baylor University) e Jonathan Witt (Ph.D em Literatura na Universidade do Kansas, EUA) escreveram esse livro para mostrar a razoabilidade da Teoria do Design Inteligente (DI), frente a atual Teoria da Evolução (TE), que continua sendo o paradigma das Ciências Biológicas, nos centros de ensino de todo o mundo.

Segundo os autores, “a teoria do design inteligente sustenta que muitas coisas na natureza apresentam um sinal claro de terem sido projetadas. A teoria não é baseada no que os cientistas não sabem sobre a natureza, mas no que eles efetivamente sabem.” P. 7.

 [...] temos trabalhado para mostrar que a defesa do design inteligente é baseada em provas materiais e ferramentas de raciocinio disponíveis para toda pessoa, independente de credo.” P. 22.

“O DI oferece abundantes evidências positivas de que alguns padrões na natureza são o produto de uma inteligência criativa.”
 P. 35.

Essas afirmações afastariam o DI da acusação geral de que é mais uma abordagem do deus das lacunas – aquela velha forma de encaixar deus nas brechas de nosso conhecimento sobre a natureza. Se não sabemos como algo veio a surgir ou como funciona, a resposta simples, cômoda e preguiçosa é: deus o fez; deus o faz funcionar dessa forma.

Os departamentos de Biologia adotam o materialismo filosófico e metodológico, em suas investidas científicas. As causas de tudo o que há na natureza são puramente materiais; não há espaço para algo além disso; não há espaço para esse ser mitológico chamado Deus. Melhor manter Deus confortavelmente seguro fora do universo.” P. 20.

Em contrapartida, um contingente cada vez maior de Cientistas, segundo dizem os dissidentes de Darwin, estão batendo de frente com o materialismo reinante das Academias. Muitos que resolveram desafiar o darwinismo, até cargos perderam em suas universidades. Em muitos casos, bastou o DI ser mencionado em sala de aula, como uma abordagem viável ao empreendimento científico, para que o docente “rebelde” fosse demitido.

Mesmo que muitos darwinistas morram de ódio, Dembski e Witt mostram que as pesquisas científicas baseadas no DI estão cada vez mais comuns e sendo publicadas em revistas e periódicos especializados. Revisão por pares têm acontecido e pesquisas empreendidas pelos Cientistas do DI estão em escala ascendente.

Os autores fazem uma afirmação curiosa, que surpreenderia a muitos:

“[...] uma pesquisa feita pelo Instituto Finkelstein descobriu que cerca de 60% dos médicos dos EUA consideram que o design inteligente teve sua importância na origem dos seres humanos.” P. 31.

Adiante é discutida a viabilidade de o conhecido e disputado Flagelo Bacteriano ser um exemplo real de design na natureza. Michael Behe (Ph.D em Bioquímica pela Universidade da Pensilvânia), talvez o principal teórico do DI, diz que sim; Kenneth Miller (Ph.D em Biologia pela Universidade do Colorado, em Boulder), um dos mais proeminentes adversários do DI, afirma convictamente que não.

Os teóricos do DI insistem em jogar na cara dos evolucionistas, a ausência de um caminho evolutivo detalhado e destrinchado que pudesse formar as quarenta proteínas que compõem o motor flagelar. E não somente ele, mas vários sistemas aos quais eles chamam de irredutivelmente complexos. Tais sistemas precisam de todas as suas partes para poder funcionar; se uma parte faltar, nada funciona; são partes interdependentes.  Até mesmo um crítico do DI, Franklin Harold (ex-Professor de Microbiologia da Universidade de Washington) faz a seguinte admissão: “Não existe atualmente qualquer relato darwiniano detalhado da evolução de qualquer sistema bioquímico ou celular, apenas uma série de especulações fantasiosas”. P. 53.

Dembski e Witt explicam o conceito de Informação Complexa Especificada (CEI). Dembski o desenvolveu e o publicou em livro em 1998. Para que um sistema ou um evento ter CEI precisa ser complexo e especificado. Ambos precisam estar presentes. O interessante é que seu livro foi publicado por uma das editoras mais renomadas do planeta. Dembski alega que a inferência do design pode ser detectada se um dado evento tem uma chance de 10 seguido de 150 zeros de acontecer. Esse número é extremamente elevado.

Nos capítulos finais, os autores revelam a real e verdadeira intenção em ser contra a TE. Para eles, a sociedade deve ser moldada pela crença em Deus. E, diga-se de passagem, pelo deus judaico-cristão. A preocupação primária e prioritária não é com a Ciência, mas sim, com o status que a cosmovisão cristã tem na sociedade, segundo meu entendimento (e tendo em mente outros livros do DI que li).  

O darwinismo é materialista, e sendo assim, tem solapado a moral religiosa baseada no Cristianismo. Para evidenciar isso, eles lançam vários exemplos que vinculam as atrocidades do século XX, que de certa forma tiveram no darwinismo a sua legitimação científica. Nazismo, Eugenia e abortos, seriam alguns exemplos.

No último capítulo é dito que muitos Cientistas do DI e Cientistas que têm certa feição por ele estão sendo prejudicados em suas carreiras acadêmicas. Darwinistas têm colocado empecilhos as suas pesquisas e estudos, por estarem abertos a possibilidade de que o materialismo filosófico pode estar equivocado.

“[...] recomendações têm sido negadas a universitários, doutorados têm sido negados a estudantes de pós-graduação, e professores têm sido demitidos simplesmente por violar os dogmas sagrados do ateísmo metodológico e do darwinismo moderno. Os ataques contra os teóricos do design e aqueles que defendem o diálogo aberto e equilibrado da teoria têm aumentado tanto em frequência quanto em malignidade.” P. 117.

Infelizmente, existem muitos evolucionistas que estão nas universidades, para propagar o ateísmo de maneira feroz. E não são poucos. Muitos estão impondo seus valores materialistas nas mentes incautas dos seus alunos e obrigando-os a irem contra a sua consciência, e prejudicando a carreira de Professores pró-DI.

"Quando veio à luz que vários professores da Universidade Estadual de Iowa procuravam fazer que o astrônomo Guillermo Gonzalez fosse demitido por causa de seu ponto de vista de que as evidências científicas apontam para o design inteligente. [...] Em outro caso, desta vez na Universidade Tech do Texas, em Lubbock, o professor de biologia Michael Dini seguiu uma política declarada de negar até mesmo recomendações a excelentes alunos para as escolas de medicina, a menos que eles confessassem uma crença pessoal na evolução humana." P. 126.

Recomendações são dadas aos alunos de como proceder nos meios universitários. Se o discente ainda está no início da vida acadêmica, que tenha muita cautela em falar sobre o DI. A prudência nunca é demais. Se quer defender o DI, que espere um pouco até conseguir estabilidade nesse ambiente tão hostil à ideia de que Deus criou os seres vivos. 

Com a leitura desta obra e de outros livros e artigos sobre o DI, percebe-se que o mesmo está muito mais sofisticado em termos intelectuais que os seus parceiros criacionistas, que não hesitam em usar a Bíblia como um guia de Ciência. Estes são alvos de chacota, diante das afirmações ridículas que fazem.

Mas a dúvida ainda persiste: seria o DI uma conspiração de fundamentalistas religiosos protestantes, para mais uma vez incutir a ideia do deus bíblico na cabecinha dos alunos? Sempre esse pensamento me vem à mente, quando leio os seus escritos. Visto que a maioria dos que o defendem, são evangélicos bem conservadores. Todavia, estou ciente que isso não interfere em nada na cientificidade ou não do DI.

De qualquer maneira, mesmo com meus ínfimos conhecimentos, estou com os autores quando eles dizem:

"Há deficiências importantes na teoria moderna da evolução, e muitos cientistas são céticos em relação as suas pretensões." P. 127.

Claro que esses "muitos cientistas" pode ser relativizado, pois a maioria esmagadora deles acreditam na evolução. Inclusive, Biólogos cristãos, como Kenneth Miller e Francis Collins. 

domingo, 24 de abril de 2016

Fogo Estranho


MACARTHUR, John. Fogo Estranho. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2015.

John Marcarthur é um pastor calvinista fundamentalista muito respeitado e conhecido por escrever com contundência assuntos polêmicos e, muitas vezes, expor suas ideias com furor e raiva. Praticamente em todos os seus livros, percebe-se uma fúria “santa” e “justa” vinda de suas palavras. Várias de suas obras estão disponíveis em nossa língua, e sempre estão eivadas de algum tema explosivo do meio evangélico.

Fogo Estranho não é diferente. O seu modo peculiar de escrever com veemência continua nessa obra.  Ele vem tratar de maneira totalmente crítica e negativa, o movimento pentecostal/carismático, em toda sua existência de pouco mais de 100 anos. Macarthur não poupa ninguém. Desde os primeiros pentecostais até os atuais seguidores desse movimento, para ele, são tudo farinha do mesmo saco. Não há uma experiência genuína com o Espírito Santo, que lhes capacita a falar em outras línguas, curar doentes, decretar vitórias nas finanças e todas essas extravagâncias das igrejas carismáticas. É tudo balela; é tudo mentira; é tudo imaginação; é tudo emocionalismo.

Neopentecostalismo, evangelho da prosperidade, curas pela confissão positiva, são todos filhos do movimento penteca, surgido no início do século XX. Nesse caso, Macarthur irá irritar os pentecostais “clássicos” que alegam não aprovar as práticas curandeiras e supersticiosas que ocorrem a granel, em muitas denominações carismáticas. O autor coloca todas as manifestações carismáticas no mesmo pacote e as joga num saco de lixo. Nenhuma absolutamente nenhuma é digna de credibilidade e tem respaldo nas escrituras sagradas.

E como é a coisa mais fácil do mundo encontrar histórias mentirosas e descaradas no movimento carismático, Fogo Estranho não deixa de mencionar vários relatos bizarros de líderes pentecostais proeminentes. Aqui vai um exemplo, sobre um dos mais destacados líderes pentecas:

“Benny Hinn [...] com uma estranha profecia [afirma] que se os telespectadores da TBN [maior canal evangélico do planeta] colocarem os caixões de seus entes queridos falecidos na frente de um aparelho de televisão e a mão do morto tocar a tela, as pessoas ‘serão ressuscitadas dentre os mortos [...] aos milhares’.” P. 30.

Hinn é um dos pregadores evangélicos que sempre está dando a cara por aqui, no Brasil. Pastores ladrões como ele, sabem que a sua presença rende $$. O que ele fala, o povo evangélico muito bobo e crédulo acredita. É esse mesmo povo que vive falando mal e condenando os católicos por serem tão tolos em acatar os ensinos vindos do Vaticano. Dá para acreditar nisso? Eles apenas trocaram os ensinamentos fantasiosos do catolicismo, por outros tão fantasiosos quanto, ou até piores, em algumas situações. Chega a ser uma situação cômica, para não dizer trágica.

Fogo Estranho passeia pela história funesta de muitos líderes carismáticos, que se mostraram completamente desonestos e mentirosos, mas que infelizmente, continuam a enganar milhões de pessoas nos EUA e países do terceiro mundo. Muitas histórias são tão absurdas, que pessoas que não conhecem esse ambiente, ficariam céticas se ouvissem os milhares de relatos sem noção que esses pastores e líderes disseram vivenciar.

Outro exemplo trágico de como a loucura e arrogância chegou a níveis alarmantes no movimento carismático, são as afirmações de Peter Wagner, conhecido nome, que ajudou a popularizar as supostas manifestações divinas nas igrejas evangélicas.

“Eu sabia que Deus queria que eu empregasse a autoridade apostólica que ele havia me dado e decretasse, de uma vez por todas, que a doença da vaca louca chegasse ao fim na Europa e no Reino Unido. Foi o que fiz. [...] Era dia 1 de outubro de 2001. Um mês depois, um amigo meu enviou-me um artigo de jornal da Inglaterra, dizendo que a epidemia tinha sido interrompida e que o último caso notificado da doença da vaca louca foram em 30 de dezembro de 2001, um dia antes do decreto apostólico!” P. 107.

Esse é o tipo de pessoa que as milhares de igrejas pentecostais/carismáticas aplaudem e reverenciam. Esse charlatão jura que ele pôs fim, com o seu decreto de merda, a doença da vaca louca na Europa. Entretanto, Macarthur diz “Wagner, aparentemente, desconhece o fato de que a doença ainda existe na Europa, de modo que 67 casos de vacas infectadas foram registrados só em 2009”. P. 107.

Os exemplos podem ser multiplicados, triplicados, quadruplicados, quintuplicados... A saga pentecostal/carismática de inventar milagres e histórias sobrenaturais pululam aos milhões nos vários livros e revistas publicadas todos os anos. E por mais que esses fantasiosos relatos sejam refutados e provados falsos, sempre haverá um contingente enorme de neófitos que acreditarão nessas estórias.

E o que dizer do sinal mais distintivo do pentecostalismo, o polêmico ato de falar em línguas estranhas? Quem já visitou uma igreja pentecostal, provavelmente se deparou com pessoas em estado de transe, balbuciando, gritando e falando uma suposta língua sobrenatural vinda diretamente de deus. É algo bizarro! Assustador, em alguns casos! Pessoas em transe articulando um palavreado sem nexo, sem sentido, pensando que estão sendo o alvo do todo poderoso lá em cima.

Os Linguistas que pesquisaram a glossolalia das igrejas pentecas, são quase unânimes em dizer que são apenas falas desarticuladas. Não são línguas de verdade. Mas os pentecostais teimosos em legitimar a sua fé e experiência de êxtase religioso, preferem ignorar esses estudos. O engraçado é que se esses estudos acadêmicos confirmassem de alguma forma a balbúrdia das línguas praticadas nessas igrejas, os pentecostais seriam os primeiros a citarem essas pesquisas como evidência de que sua prática da glossolalia é verdadeira. Mas como esse não é o caso, eles preferem ignorar as pesquisas seculares, vindas de “incrédulos” que não conhecem a deus e suas manifestações.

Macarthur cita o Professor de Linguística da Universidade de Toronto, William Samarin, que diz:

“Não há mistério sobre a glossolalia. Amostras gravadas são fáceis de se obter e analisar. Elas sempre acabam por ser a mesma coisa: sequências de sílabas, compostas de sons retirados de todos aqueles que o orador conhece, reunidos mais ou menos ao acaso, mas que, no entanto, surgem como unidades semelhantes a palavras e frases por causa do realismo, do ritmo e da melodia semelhante a linguagem. Glossolalia é, de fato, como a linguagem, em alguns aspectos, mas isso é só por que o orador (inconscientemente) quer que seja seja como linguagem. No entanto, apesar das semelhanças superficiais, a glossolalia não é fundamentalmente uma linguagem. Todos os tipos de glossolalia que já foram estudados não produziram recursos que cheguem a sugerir que eles refletem algum tipo de sistema de comunicação [...] Glossolalia não é um fenômeno sobrenatural [...] Na verdade, qualquer um pode produzir glossolalia se for desinibido e descobrir qual é o truque.” P. 154.

Samarin continua: "Quando o completo aparato da ciência linguística faz pressão sobre a glossolalia, ela acaba revelando ter apenas aparência de linguagem.” P. 155.

Por uma questão de justiça, existem Linguistas que defendem um ponto de vista contrário. O pentecostal Gutierrez Siqueira cita em seu blog, o Linguista Michael T. Motley, da Universidade da Pensilvânia, para quem a glossolalia das igrejas pentecas se caracteriza como uma linguagem. Explicando a tese do Motley, Siqueira chega à conclusão de que “nem a linguística ainda tem uma palavra final sobre a glossolalia”. É interessante o texto do Siqueira defendendo a legitimidade das línguas. Mesmo que eu prefira, baseado também no bom senso, a tese do Samarin.


Vale acrescentar que o fenômeno das línguas, não é exclusivo das igrejas evangélicas. A glossolalia está presente no catolicismo, mormonismo, unicismo, seitas orientais, religiões tribais, etc. Se os estudos linguísticos apontassem uma estrutura gramatical, fonética e sintática, as línguas estranhas faladas nessas outras comunidades religiosas, o Siqueira e os pentecostais atribuiriam tal estrutura de linguagem a quem? A Deus? Ao diabo?

Macarthur apesar de ser exagerado em muitos pontos, ser carrancudo e um fanático religioso, acerta e muito na escrita desse livro. Deixemos o seu legalismo e fundamentalismo besta de lado. Ele desmascara as bobagens do meio pentecostal/carismático, que já ultrapassaram as raias do absurdo. É preciso que haja vozes ferozes e por vezes raivosas, para criticar e expor os abusos desse meio religioso.

Quanto aos faladores de línguas, estes continuarão pensando que são os canais de deus.

domingo, 10 de abril de 2016

O Crescimento do Cristianismo


STARK, Rodney. O Crescimento do Cristianismo. São Paulo: Paulinas, 2006.

Eis um livro diferente!

Eis uma obra, que pode agradar a cristãos e a céticos!

Rodney Stark (Professor na Universidade de Washington, com Mestrado e Doutorado em Sociologia pela Universidade de Berkeley, na Califórnia) passeia pelos cinco primeiros séculos do cristianismo, reconsiderando e repensando o seu extraordinário crescimento.

Suas conclusões e análises baseadas nos pressupostos da Sociologia podem impressionar muitas pessoas, assim, como me impressionou. Além de fazer um estudo profundo de centenas de obras acadêmicas sobre o contexto cultural, social, religioso, demográfico, geográfico e econômico do período em análise, Stark vai aos documentos e fontes primárias, para tirar suas próprias conclusões.

Como eu disse, suas considerações podem agradar a ambos os lados. Pode agradar aos cristãos, na medida em que ele reconhece a superioridade moral do cristianismo em face do paganismo, quando aquele dignificou o ser humano, enquanto este, não tinha um víeis moral-doutrinário pelo qual os seus adeptos pudessem nortear as suas vidas. Também pode agradar aos céticos, pois sem desmerecer as questões metafísicas que podem estar envolvidas na fundação e crescimento da religião cristã, Stark, com muita maestria consegue explicar o sucesso do cristianismo, fazendo apenas uso das ferramentas da Sociologia. Mesmo que o cristianismo tenha atendido as demandas da época, isso não faz dele, a religião estabelecida por uma suposta divindade. Basta lembrar que o próprio Stark é agnóstico.

Um das surpresas que o autor nos traz é a sua conclusão de que a religião cristã não era uma religião só de pessoas pobres. Ele vai na contramão dessa visão amplamente conhecida e aceita. Para ele, pessoas abastadas aderiram à nova fé. “[...] ela não foi um movimento proletário, mas se baseou nas classes mais privilegiadas.” P. 45.

Outro ponto, em que ele discorda de muitos estudiosos, é sobre o pouco número de convertidos judeus. Ao contrário do que se afirma o cristianismo foi bem sucedido entre eles. Muitos abraçaram a fé em Jesus. “[...] os judeus continuaram representando uma fonte significativa de cristãos convertidos pelo menos até o século IV e que o judeu-cristianismo era ainda significativo no século V.” P. 63.

Um ponto que quero me ater mais detalhadamente, se encontra no capítulo 5, onde Stark nos fala do papel do sexo feminino, dentro das comunidades cristãs. No cristianismo, as mulheres eram bem mais valorizadas que no meio pagão. Isso por si só, é um elemento poderoso, para que as mulheres vindas de uma sociedade opressora, pudessem se converter a fé cristã. “[...] o cristianismo era extraordinariamente atraente porque no interior da subcultura cristã as mulheres tinham um status mais elevado do que no mundo greco-romano em geral.” P. 111.

Dessa forma, parece-me inadequada a tentativa daqueles que querem impor ao cristianismo primitivo a pecha de religião opressora e que inferioriza e discrimina as mulheres. Não é raro vermos na internet, pessoas, geralmente ateus nervosos, abrindo a boca para falar que o cristianismo sempre discriminou o sexo feminino. Pergunto-me: quantos livros de história da igreja, essas criaturas já leram?

O nascimento de uma menina, em não raras ocasiões era algo indesejado, entre a população greco-romana. Era amplamente legalizado matar um bebê, caso ele viesse com “defeito de fabricação”, ou seja, se não fosse menino. “O abandono de crianças indesejadas do sexo feminino [...] [era] moralmente aceito, [e] amplamente praticado por todas as classes sociais do mundo greco-romano.” P. 112.

Exemplificando esse ponto, basta olharmos para a opulenta cidade de Atenas, na Grécia, berço da civilização ocidental, com a democracia, artes, língua, matemática, filosofia e etc., não obstante, uma sociedade, onde as mulheres possuíam pouquíssimo valor e dignidade. Eram peças descartáveis e desvalorizadas.

“Em Atenas, o suprimento de mulheres era relativamente menor em razão do infanticídio feminino, praticado por todas as classes, e das mortes adicionais provocadas por aborto. O status das mulheres atenienses era muito inferior. As meninas recebiam pouca ou nenhuma educação.” P. 117.

Na contracorrente da desvalorização da mulher, na subcultura cristã a coisa era diferente, Stark destaca o indubitável fato, de que o sexo feminino era valorizado e respeitado. As mulheres agora gozavam de direitos que lhes tinham sido arrancados. O cristianismo lhe devolveu essas prerrogativas. Elas agora eram reconhecidas como seres humanos com plenos direitos, se comparados à cultura pagã ao redor. Isso atraiu um grande contingente de mulheres para as comunidades cristãs. Nada de abortos, infanticídios, divórcios, poligamia, infidelidade no matrimônio (do marido, principalmente), incestos e etc.

“Em primeiro lugar, um aspecto importante do avançado status das mulheres na subcultura cristã é que as cristãs não toleravam o infanticídio. Isso decerto era o resultado da proibição contra todos os infanticídios. No entanto, a concepção mais favorável do cristianismo em relação às mulheres também é demonstrada em sua condenação do divórcio, do incesto, da infidelidade conjugal e da poligamia.” P. 119.

E tem mais: se os homens, no paganismo, podiam ser infiéis as suas esposas, sem nenhuma punição, no cristianismo não era assim. Para os homens, o discurso era de castidade até o casamento. Nada de usar o pinto para fornicar. E contraindo matrimônio, deviam ser fiéis as suas esposas. Ai daquele que traísse a sua mulher.

Se as viúvas pobres não tinham o amparo do Estado, e em certos caso, eram até hostilizadas por ele, no interior das igrejas, elas podiam contar com o apoio dos bispos e outros membros. Não seriam desamparadas. Documentos da época mostram a solicitude da igreja em ajudar essas mulheres. Uma paróquia cuidava de até 1.500 viúvas.

E quanto às práticas sexuais e métodos contraceptivos, o que diferenciava os cristãos dos pagãos?

Os últimos não tinham muitas restrições às variações sexuais, além do pênis e vagina. Para os romanos e outros povos, o sexo anal era amplamente aceito. Já o sexo oral, parece que não era muito praticado, visto que a higiene daquela época não permitia, quer dizer, não fazia dessa prática sexual, algo prazeroso para quem estava lá, usando a boca/língua. Pênis e vaginas eram bem fedidos.

“O sexo oral parece ter sido bem menos comum do que o sexo anal (compreensivelmente, dada a falta de limpeza), embora seja retratado em uma série de pinturas eróticas gregas, especialmente em vasos.” P. 138.

Fora isso, não poderia deixar de faltar entre eles, assim como em toda cultura, a famosa punhetinha e siririca; masturbação simultânea entre os casais. E vários outros métodos para evitar filhos. O coito interrompido era lei. Como eles tinham um razoável conhecimento de biologia reprodutiva, criaram alguns dispositivos para prevenir o encontro do esperma com o óvulo.

“Os romanos tinham compreensão adequada da biologia da reprodução e desenvolveram um acervo considerável de medidas preventivas.” P. 138.  

E que acervo era esse?

 - Plantas, como a cenoura silvestre, que reduzia a fertilidade;

 - Certos medicamentos introduzidos na vagina, que bloqueavam ou matavam o esperma;

 - Mel, chumaços de lã e unguentos;

 - Ventre de cordeiro em gestação e vesícula de bode, como preservativos;

Entretanto, as comunidades cristãs rejeitavam todos esses métodos e práticas sexuais. Sexo oral e anal eram proibidos. O coito era apenas para a reprodução. Nesse caso, o catolicismo romano seguiu de perto, pelo menos em teoria, durante séculos a moral cristã primitiva. Mas como os tempos são outros, a igreja não pode mais exigir de seus fiéis tamanho disparate. Até porque aposto, que poucos (e bote pouco nisso) foram os cristãos que só transavam para dar cria.

Esses fatos mostram que os cristãos desde seus primórdios viam o sexo com muita desconfiança e horror. O sexo até em sua forma mais “natural”, pênis/vagina, era um tabu, imagina a bronha/siririca, sexo oral e principalmente o anal. Mas a igreja sempre teve e terá os seus “rebeldes”.

O protestantismo herdou esse moralismo, e impôs e ainda impõe um medo tremendo do que o sexo pode acarretar. Transe antes do casório, pra você ver a ira divina em seus coros. Sempre os “pecados” de ordem sexual terão um peso maior nas comunidades evangélicas. Mas falar mal dos outros, difamações, injúrias... Ah, esses pequeninos deslizes ninguém vê.

“[...] judeus e cristãos opunham-se a práticas sexuais que desviavam o esperma da vagina. Como o relato bíblico de Onã explicita, a interrupção do coito e a masturbação recíproca eram pecados, tendo em vista que o sêmen se derramava no chão. Desse modo, Clemente de Alexandria [cristão do século II] escreveu: ‘Por causa de sua divina instituição para a propagação do homem, o sêmen não deve ser ejaculado inutilmente, nem danificado nem desperdiçado'. [...] Tanto judeus como os cristãos condenavam o coito anal. [...] Quanto ao sexo oral, Barnabé [cristão do século II] escreveu: ‘Vocês não devem [...] ser como aqueles homens de quem se ouve dizer que cometem iniquidade pela impureza de seus lábios. Tampouco devem juntar-se com mulheres impuras que cometem impureza com a própria boca’.” P. 142.

E sem me alongar mais, no entanto, me alongando de novo, o livro traz uma versão diferente, do que geralmente pensamos, sobre as perseguições que os primeiros cristãos sofreram. Sempre ouvimos e lemos que os cristãos foram extremamente perseguidos e mortos pelos romanos, por não se curvarem a religião do Estado, que tinha o Imperador como um deus, e por outras práticas que iam de encontro aos interesses do Roma. Desde livros pró-cristianismo a livros didáticos, a informação é sempre a mesma: os cristãos foram duramente perseguidos e mortos aos milhares nos três primeiros séculos (com pequenos intervalos de paz), até o Edito de Milão, em 313. Mas parece que as evidências históricas não corroboram essa “verdade” estabelecida.  

“[...] as perseguições raramente ocorriam, e só um diminuto número de cristãos chegou a ser martirizado – apenas ‘centenas, e não milhares’, segundo W. H. C. Frend. [...] A verdade é que governo romano parece ter se preocupado muito pouco com a ‘ameaça cristã’. Surpreendentemente houve pouco esforço no sentido de perseguir os cristãos, e, quando ocorria uma onda de perseguições, normalmente os bispos e outras figuras proeminentes eram tratados de maneira diferenciada.” P. 199-200.

Stark cita o martírio de Inácio de Antioquia, durante o governo do imperador Trajano. O interessante, é que na sua viagem para o lugar onde seria morto, Inácio recebeu várias visitas de muitos cristãos confessos, e nenhum deles foi preso. Era do conhecimento dos soldados a religião cristã deles. Mas por que não foram detidos também? Inácio na sua prisão podia escrever cartas às várias comunidades cristãs, e não foi proibido disso. Esse episódio parece evidenciar que o simples fato de ser um cristão, não era sinônimo de perseguição e necessariamente de ser martirizado por causa do cristianismo.

Aqui vão alguns link de resenhas ou resumos, que julgo serem mais bem trabalhados que o meu (embora nem os tenha lido por preguiça):



terça-feira, 29 de março de 2016

Jovem aloucada


Link do filme para assistir online:


Existe uma realidade que os pastores, líderes e pais evangélicos tentam esconder. Muitos dos seus filhos adolescentes não queriam estar no âmbito de “santidade”, que as comunidades religiosas oferecem. Muitos desses jovens queriam estar vivendo essa época tão importante da vida, livres das amarras e ameaças que a igreja impõe. Filhos de pais evangélicos começam a ouvir desde a infância os terríveis sermões de seus pais, pastores e pessoas da igreja, de que um inferno de fogo horrível lhes espera, caso não consigam (melhor dizendo: não queiram) viver conforme as regras da igreja e da Bíblia.

Esses jovens vivem uma vida bipolar: na igreja e com os parentes evangélicos, o comportamento é norteado pelos princípios ditos bíblicos; fora desse ambiente, eles assumem uma atitude bem “mundana” e “pervertida”. Vão à igreja e comportam-se de acordo com as regras impostas, porque são submissos aos seus pais, de quem dependem para viver. Mas na verdade, almejam viver e fazer o que os outros jovens vivem e fazem.

Um dilema se impõe!

Jovem Aloucada vem trazer a história de uma jovem que vive esses conflitos. E pior ainda, a guerra se trava entre a religião e a sexualidade, um tabu no meio religioso evangélico. Todos os membros da igreja são ensinados a se guardarem até o casamento. Quem comete o “pecado” da fornicação, está cometendo um dos maiores crimes contra o todo-poderoso.

Daniela faz parte de uma família evangélica fundamentalista. Deve viver os valores religiosos que lhes foram passados, porque é assim que uma jovem de deus deve proceder. Porém, como uma adolescente que já experimentou os prazeres do sexo, ela não consegue “andar na linha”. Até expulsa do colégio ela foi, por ter transado com um colega de classe. O colégio sendo protestante não atura esse tipo de pecado em seus aposentos.

A partir daí, os conflitos se intensificam com a sua mãe, uma mulher fervorosamente religiosa, que ameaça mandar Daniela para o campo missionário, para que ela entre nos eixos. Uma exceção, seria sua tia, uma mulher menos religiosa e mais compreensiva.

Daniela tem um blog em que conta seus desejos, aventuras, taras sexuais e conflitos com a sua religião. A página faz muito sucesso na web, conseguindo muitos leitores jovens, que vão ao seu blog contar as suas experiências.  

Ela começa a trabalhar em um canal evangélico, onde se apaixona por um jovem. Consegue namorá-lo. Contudo, Tomás, seu namorado, devido as suas convicções morais-religiosas se nega a transar com ela. Daniela começa a ter um relacionamento amoroso com sua amiga de trabalho, Antônia. Nesse meio tempo, ela finalmente obtém sucesso em levar seu namorado para cama. Pronto, agora ela está no céu, pode transar com sua amiga e com seu namorado. Está apaixonada pelos dois. Quer os dois. E como não pode romper totalmente com a tradição evangélica ao qual foi criada, ainda continua frequentando as reuniões de sua igreja.

Quando Tomás descobre que ela transa com Antônia e, que ainda por cima, as suas transas com ela são tema das postagens de Daniela no blog, ele termina o namoro com ela. Sua mãe a expulsa de casa, quando fica sabendo que sua filha é bissexual, e o filme termina com ela buscando um novo caminho.

O filme é bom, traz um assunto pertinente e espinhoso para os protestantes. A realidade de muitos jovens da igreja é mais ou menos essa. Essa obra não vai agradar a maioria dos evangélicos. Têm linguagem inapropriada para o moralismo pregado pelos mais conservadores. As cenas, nem se fala. Os mais moralistas temem e tremem, quando vêem uma vagina, bunda ou pênis.

Jovem Aloucada pode ser classificado como drama e, também como um gênero erótico. O roteiro peca em alguns momentos. A história poderia ser melhor desenvolvida. Acho que se tivesse uns 15 ou 20 minutos a mais, o enredo poderia ter uma desenvoltura melhor.

Filme recomendado. 

domingo, 20 de março de 2016

Tricked


Prostituição, comumente conhecida como a profissão mais antiga desse mundo. As mulheres que estão nesse ramo, geralmente são conhecidas como “as mulheres de vida fácil”. O pensamento parece simples e lógico: a mulher abre as pernas para um desconhecido, por alguns minutos ou horas, e pronto, já ganha o seu dinheirinho. Fácil, não?!

Seria muito bom, se a realidade fosse essa. Pois assim, além delas acalmarem os milhões de pintos carentes e nervosos, ainda estariam levando uma “vida fácil, sossegada e feliz”.

Apesar de elas fazerem caridade todos os dias, mesmo que tal “altruísmo”, algumas vezes, possa ser bem caro, a maioria dessas garotas não estão felizes em fazer o que fazem.

O que Tricked vem denunciar e informar é a triste condição das garotas de programa, que estão presas, num regime de escravidão, nas mãos dos cafetões. A realidade é que muitas delas levavam uma vida normal e nem pensavam em se prostituir. No entanto, foram enganadas por essas almas imundas. A principal ex garota de programa entrevistada revela:

“Eu tinha 17 anos, mas a idade das garotas forçadas a se prostituírem é doze anos. Nem consigo imaginar. É como ser estuprada sem parar. ”

Uma ex escrava sexual nos conta:

“Comecei quando tinha onze anos. Costumava ganhar 1500 dólares por noite, porque era nova e tinha o corpo pequeno, tinha o corpo que molestadores de crianças gostam. O meu cafetão tirou minha virgindade e eu me apaixonei por ele. Foi meu primeiro amor, meu primeiro em tudo. O apelido para ele era ‘papai do jardim’, porque ele só tinha menores com ele. [...] Os cafetões sabem quando estamos vulneráveis e fracas. São essas que eles procuram.”

Um milionário e grande cafetão, sem nenhum constrangimento diz essas palavras:

“Podemos evitar a questão, mas todas as mulheres são prostitutas ou putas. A definição de prostituta é uma mulher que vende a boceta por dinheiro. A puta fode de graça. Podem perguntar a qualquer mulher. Você vende a sua boceta ou dá sua boceta de graça? Só pode haver duas respostas. Ou vende ou dá de graça.”

Não existe um relacionamento saudável e de iguais entre as garotas e os cafetões. Estes as escravizam e as tratam como meros objetos, para que eles possam obter seus lucros, à custa da prostituição delas. São verdadeiros criminosos; são os verdadeiros senhores de escravos do século XXI. O Jornalista Nicolas Kristof acentua bem a questão:

“Claro que sabia que tinha muita prostituição em cidades americanas, mas, como a maioria das pessoas, achava que a relação entre as mulheres e os cafetões era mais como uma sociedade. E quando comecei a entrevistá-las e as sobreviventes que trabalhavam com elas, ficou cada vez mais claro de que não é uma sociedade. Os cafetões exploram as garotas e as controlam e recorrem à violência em todas as cidades do país.”

Elas apanham, elas sofrem todo tipo de agressão verbal e física, para saberem que têm “dono”.

“Às vezes, se não fizesse dinheiro suficiente, era agredida com extensões elétricas, tacos, martelos. Ele costumava ameaçar minha família. Dizia que ia matar minha família.”

Uma policial que trabalha investigando e prendendo esses bandidos, dá o seu parecer sobre a índole e caráter dos cafetões:

“Sou Agente de Polícia e alguns destes caras me assustam. Uma das minhas garotas me contou que engravidou e que o cafetão a obrigou a fazer uma lavagem íntima com água sanitária. E foi muito doloroso e como não funcionou, ele deu uma surra até ela abortar. E a garota quase morreu, e teve de ir para o hospital por causa da infecção, teve de fazer uma histerectomia completa. Essa garota tem agora 19 anos.”

O principal ponto de prostituição nos Estados Unidos fica em Las Vegas, cidade das luzes, das noitadas, do luxo, do prazer, dos jogos... Nada surpreendente em o vídeo direcionar parte de sua denúncia a esta cidade tão conhecida das telas do cinema. E nela, não é diferente, muitas garotas estão nas mãos dos cafetões, que lhes exploram até sugar a sua última gota de sangue, se possível. Por trás de todo o luxo e glamour, esconde-se o mundo negro do tráfico e exploração de mulheres. Karen Hugues, vice-Tenente de Las Vegas, reconhece:

“O vício em Las Vegas está mais presente do que na maioria das cidades. Eu e minha equipe consideramos Las Vegas o foco para o tráfico sexual nos Estados Unidos. E dizemos isso porque é o principal destino para os traficantes trazerem garotas para explorar. Por quê? Porque tem muito dinheiro nesta cidade. Tem muitas oportunidades para se misturarem. O cenário de luxo de Las Vegas é o que consolida a venda com os possíveis clientes. E essas vítimas se encaixam perfeitamente nessa paisagem.”

A situação dessas garotas é muito complicada, visto que o governo federal não repassa os recursos financeiros necessários, para que as investigações, prisões e libertação dessas mulheres, tenham maior resultado e sucesso. Os policiais reclamam que dispõem de pouco dinheiro e agentes para um trabalho tão delicado. Enquanto isso, milhares de cafetões exploram e abusam de mulheres, e ficam mais ricos e poderosos, andando em carros de luxo, comprando imóveis, e o que é pior, se blindando contra a polícia.

O documentário termina, dizendo que atualmente há mais pessoas sendo escravizadas, do que em qualquer outra época. Não acho que seja exagero, basta olharmos para difícil situação dos dalits na Índia. Milhões de garotinhas nesse país são exploradas sexualmente. E o que dizer da Coréia do Norte e da China?

Em complemento, deixo o link da resenha do livro ANTES QUE SEJA TARDE, postado aqui no blog, que trata da escravidão dos dalits na Índia:


E o link do filme ANTES QUE SEJA TARDE, também resenhado aqui no blog:

quarta-feira, 16 de março de 2016

Guerra Sem Cortes


Historicamente, o Atlântico Norte sempre se colocou como o ápice da evolução social. Sempre se consideraram os povos mais civilizados e mais aptos a conduzirem a história do mundo. O eurocentrimo – a Europa como o centro do mundo. E depois, colonizadores e imigrantes europeus, se instalam no norte do Novo Mundo e fundam as treze colônias inglesas. Passam-se os anos, e essas colônias se emancipam. Os Estados Unidos começam a sua jornada de sucesso econômico e militar. A exemplo do Velho Mundo, se acham os mais sábios e racionais na condução das políticas internacionais. Não querendo mais a intromissão dos europeus na América, os norte-americanos formulam a doutrina Monroe, a “América para os americanos”. Não para todos americanos, o que incluiria os latinos. Mas a América para os norte-americanos.

A Europa e os Estados Unidos, nunca olharam para a história dos outros povos como relevante e significativa em si mesma. Africanos e asiáticos eram, e ainda são vistos com estranhamento. Ainda nos dias atuais, não poucos norte-americanos vêem os países mais pobres e necessitados, como países atrasados culturalmente e necessitados de uma “ajudinha” para entrar no eixo do processo verdadeiramente civilizatório. O Oriente Médio tem sido o foco do seu olhar de “amor” e “compaixão”.

Depois de toda essa enrolação, que todo mundo ta cansado de saber, vamos ao filme.

Um grupo de soldados dos EUA estão entediados em Samarra, no Iraque, ao norte de Bagdá. Os eventos se passam em 2006. Ficam o dia inteiro revistando pessoas que entram e saem num determinado ponto da cidade. Estão de saco cheio de estarem no meio do que eles chamam de “negros do deserto”, “ratos”, uma forma pejorativa e desrespeitosa de se referirem aos habitantes da cidade.

Muitos não aguentam mais estar longe de casa. Alguns reclamam de estar a meses sem transar. E é nesse ponto que o filme vai focar.  

Nesse grupo de soldados, têm dois soldados de índole duvidosa (não que os outros também não tenham), eles têm em mente uma jovem de 15 anos, que idealizam estuprar. Numa noite, juntamente com outros soldados, eles resolvem ir a casa dessa garota para abusarem dela. Um soldado tenta impedir o estupro, porém é ameaçado de morte por um dos estupradores. Ele então vai para fora da casa, pois não teve coragem suficiente para defender a honra da menina.

O estupro acontece. A menina é violada como se fosse um bicho. Sem piedade ou misericórdia ela é abusada e morta. Sua família é assassinada. Os soldados saciam a sua animalidade e brutalidade. Um soldado que sempre está com uma câmera, filma as atrocidades feitas. É cúmplice.  Na verdade, o filme é uma espécie de diário desse soldado que a tudo registra. Temos acesso ao dia a dia dos militares, através da câmera pessoal dele.

O soldado que reprovou esses atos, com a consciência bastante perturbada, resolve denunciar os estupradores. Irá enfrentar uma série de perguntas, que questionarão a integridade e honestidade de sua acusação. A alta cúpula dos militares presume que os soldados acusados, são inocentes. Ele pode se lascar, tentado delatar seus companheiros.

O filme termina, mas ficamos sem saber, se a denúncia surtiu o efeito desejado. Não sabemos se foram punidos ou não. Provavelmente não foram.

Guerra Sem Cortes é baseado nas inúmeras histórias, vídeos e notícias referentes aos acontecimentos da guerra do Iraque. As cenas do estupro causam náuseas e indignação a qualquer pessoa normal. Uma garota inocente, que não fez mal algum a sociedade e a ninguém, é tratada pior que um animal, para aplacar a luxúria de dois lixos humanos. O que mais indigna é saber, que esses estupros foram ignorados pelas altas instâncias militares no mundo real.

Se até as militares norte-americanas são muitas vezes estupradas pelos soldados e estes não são punidos, como mostra o documentário GUERRA INVÍSÍVEL, imagine as pobres mulheres que foram violentadas no Iraque, onde na visão de muitos militares, seriam menos que humanos (ratos, negros do deserto)?

Link de GUERRA INVISÍVEL: