terça-feira, 20 de setembro de 2016

Criacionismo: Verdade ou Mito?


HAM, Ken. Criacionismo: Verdade ou Mito? Rio de Janeiro: CPAD, 2011.

Livro produzido pela instituição norte-americana Respostas em Gênesis, que tem por finalidade provar que a Teoria da Evolução não tem nenhum poder epistêmico para explicar a vida biológica, colocando em seu lugar o Criacionismo Bíblico da Terra Jovem.

Coitados!

Se a Teoria da Evolução não estiver correta, não será a concepção imaginativa patrocinada por esse livro que irá substituí-la. 

O pior é que os autores são Cientistas, ora com Doutorado, ora com Mestrado. Isso só prova uma coisa: titulação acadêmica, embora tenha o seu devido e reconhecido valor, não imuniza ninguém, contra idéias tolas. 

Os escritores dessa obra juram que o universo, os seres humanos, os animais, plantas, bactérias, vírus etc., têm apenas 6 mil anos de existência. É uma saraivada de besteira em quase todas as páginas. 

A capa parece daqueles livros infantis, cheios de ilustrações coloridas para entreter as crianças. Seria até melhor que assim o fosse. 

Mas estou com eles num ponto: na crença de que existe um Deus que criou toda essa bagaça aqui. E algumas pouquíssimas coisas que escreveram são válidas.

Ken Ham, Bacharel em Ciência Aplicada pelo Instituto de Tecnologia de Queensland, na Austrália, e Jason Lisle, Ph.D em Astrofísica na Universidade do Colorado, EUA, perguntam:

“De todo modo, é lógico aceitar a existência de um Ser eterno? Será que a ciência moderna, que produziu nossa tecnologia de computadores, o ônibus espacial e os avanços médicos, pode sequer levar em conta essa noção?” P. 11.

Acredito que pode.

Uma das questões que mais os inimigos de Darwin têm trazido para o debate público é o problema da perda de informação genética nas mutações. Lee Spetner, Ph.D em Biofísica pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts, é chamado a falar:

“Não foi observada nem uma única mutação [uma das molas propulsoras da evolução] que acrescente um pouco de informação ao genoma. Isso, com certeza, mostra que não existem as milhões sobre milhões de mutações potenciais que a teoria exige. Pode bem não haver nenhuma mutação. O fracasso em observar até uma mutação que acrescente informação é mais apenas o fracasso em encontrar sustentação para a teoria; é uma evidência contra a teoria. Temos, aqui, um sério desafio para a teoria neodarwinista.” P. 19.

Werner Gitt, especialista em Teoria da Informação e Diretor do Instituto Federal e Tecnologia em Brunsvique, Alemanha, também é outro que toca nesse ponto:

“Essa noção é central nas representações de evolução, mas as mutações só podem causar mudanças em informação existente. Não pode haver multiplicação na informação, e os resultados, em geral, são prejudiciais. Não podem surgir novos códigos, para novas funções nem novos órgãos; as mutações não podem ser a fonte de nova informação (criativa).” P. 19.

Se nos processos de mutação, necessariamente se perde informação genética, como é possível acontecer à transformação de uma espécie mais simples (em termos genéticos) para uma mais complexa? Parece que deve haver mais informação! Não obstante, é exatamente a via oposta o que ocorre nos processos mutacionais, sendo estes benéficos ou perniciosos. 

Não sou Biólogo, na verdade, sou bem LEIGO, mas essa questão parece ser bem intrigante. Em conversa com o Filósofo Marcus Valério, conhecido por sua intrépida e bem sucedida defesa da evolução, ele me disse que esse papo de “origem e aumento da informação” é pura bobagem criacionista, se constituindo em seu “quinto estágio de desenvolvimento” na guerra contra a Teoria da Evolução. 

Terry Mortenson, Ph.D em História da Geologia na Conventry University, Reino Unido, revela uma das crenças chaves do criacionismo defendido no livro:

“[...] informações cronológicas da Bíblia deixam evidente que a semana da criação aconteceu há cerca de apenas 6.000.” P. 32-33.  

Pois é, até pessoas com formação acadêmica acreditam que a Terra e o Universo têm apenas 6 mil anos de existência. Esse tipo de declaração só atrapalha a relação entre Ciência e religião. O pressuposto fundamental desses criacionistas é que se a Bíblia é um livro inspirado pelo próprio Deus, então todo o empreendimento científico deve estar submetido a ela. Se a Ciência moderna entra em conflito com a interpretação que eles têm do Gênesis, é claro que essa “ciência” não é Ciência coisa alguma, mas erros de homens que estão comprometidos com falsas pressuposições.

Sobre a biogênese, um dos autores, Jason Lisle, Ph.D em Astrofísica na Universidade do Colorado, EUA, escreve:

“Há uma lei da vida bem conhecida: a lei da biogênese. Essa lei simplesmente afirma que a vida sempre vem da vida. É isso que a ciência observacional nos diz; os organismos reproduzem outros organismos segundo sua própria espécie. Historicamente, Louis Pasteur refutou uma forma de geração espontânea; ele demonstrou que a vida vem da vida anterior. Desde essa época, percebemos que essa lei é universal - e não conhecemos nenhuma exceção a ela. Claro que isso é exatamente o que esperaríamos da Bíblia. De acordo com Gênesis 1, Deus criou de forma sobrenatural os primeiros tipos diversos de vida sobre a Terra e os fez produzir segundo sua espécie. Perceba que a evolução de moléculas para o homem viola a lei da biogênese. Os evolucionistas acreditam que a vida foi formada (pelo menos, uma vez) de forma espontânea a partir de matéria química nao-viva". P. 44.

Ele comete alguns equívocos bem evidentes. A lei da biogênese diz apenas que vida física só pode ser gerada por outra vida FÍSICA. Sendo assim, pelo menos a princípio, ela contraria tanto o criacionista, como o evolucionista. O próprio Lisle diz "que essa lei é universal - e [que] não conhecemos nenhuma exceção a ela". Mas logo em seguida, ele afirma uma exceção à mesma: Deus, um ser espiritual e, portanto, não físico, criou todas as formas de vida. Portanto, esse argumento precisa ser reformulado. Outros elementos científicos, e uma boa injeção de filosofia são precisos para que o argumento dele seja válido, consistente e coerente. Por enquanto, sua conclusão não se segue das premissas.

Lisle costuma sempre invocar as Leis da Lógica em suas investidas contra o ateísmo. 

"É possível imaginar um universo no qual as leis da física sejam diferentes; mas é difícil imaginar um universo (consistente) no qual as leis da matemática sejam diferentes. As leis da matemática são um exemplo de 'verdade transcendente'. [...] Todas as leis da natureza, da física e da química à lei da biogênese, dependem das leis da lógica. As leis da lógica, como as da matemática, são verdades transcendentes. Não se pode imaginar que as leis da lógica poderiam ser algo distinto do que são. [...] Sem as leis da lógica, o raciocínio seria impossível. P. 48, 49.

Agora esse infeliz acertou. Os filhotes de Foucault só faltam ter um infarto, quando ouvem isso. Que tenham. 

Lisle em seguida pergunta:

"Mas de onde vem as leis da lógica? O ateísta nao pode explicar as leis da lógica, embora possa aceitar que existam a fim de ter algum pensamento racional." P. 49.

Num mundo estritamente material, como as leis da lógica, que são imateriais poderiam existir? 

Monty White, Ph.D em Química na Universidade de Aberystwyth, Reino Unido, trás o repetido, porém, relevante problema dos fósseis:

"Não se pode exagerar o fato de que há muitos locais no registro fóssil em que se poderia esperar que encontrássemos essa abundância de formas intermediárias - porém, elas não estão lá. Todos os evolucionistas sempre apontam um punhado de formas transicionais altamente questionáveis (por exemplo, equinos), ao passo que deveriam ser capazes de nos mostrar milhares de exemplos incontestáveis". P. 306.

Geralmente os evolucionistas quando ouvem que o registro fóssil é uma evidência contrária a evolução gradualista, dizem que os criacionistas estão sendo desonestos, pois já foram encontrados vários fósseis intermediários. Entretanto, o evolucionista Eugene Koonin, Ph.D em Biologia Molecular na Universidade Estadual de Moscou, Rússia, estaria sendo desonesto quando fez está afirmação?

“As principais transições em evolução biológica mostram o mesmo padrão de súbita emergência de diversas formas em um novo nível de complexidade. As relações entre os principais grupos dentro de uma nova classe de entidades biológicas emergentes são difíceis de decifrar e não parecem encaixar no padrão de árvore que seguindo a proposta original de Darwin, permanece a descrição dominante da evolução biológica. Os casos em questão incluem a origem das moléculas complexas de RNA e os desdobramentos das proteínas; os principais grupos de vírus; árquea e bactéria; e as principais linhagens dentro de cada desses domínios procarióticos; os supergrupos eucarióticos; e os filos animais. Em cada uma dessas conexões importantes na história da vida, os ‘tipos’ principais parecem surgir RAPIDAMENTE e PLENAMENTE equipados com as características de assinatura do respectivo novo nível de organização biológica. ‘GRAUS’ ou FORMAS INTERMEDIÁRIAS DIFERENTES ENTRE OS TIPOS NÃO SÃO DETECTÁVEIS”. (Ênfase acrescentada). P. 87-88.

(MAGALHÃES, Francisco Mário Lima. Design Inteligente: A Metodologia de Convergências das Ciências Sob a Ótica da Criação. São Paulo: Reflexão, 2014). 

Bodie Hodge, Mestre e Bacharel em Engenharia Mecânica na Universidade do Sul de Illinois, a exemplo de Lisle, fala sobre o pepino que os ateus têm diante da imaterialidade das Leis da Lógica.

 “[...] a lógica não é uma entidade material, por isso ela se torna um problema para o ateísta materialista que nega o reino imaterial. De uma perspectiva materialista, o pensamento lógico é a mesma coisa que o pensamento ilógico – apenas uma reação química que ocorre dentro no cérebro. Assim, de um ponto de vista materialista, a percepção da lógica deve-se a um processo aleatório. [...] em uma visão de mundo puramente materialista, não há base para existir lógica nem verdade, uma vez que elas são imateriais”. P. 217.

É isso mesmo! Como disse no início, estou com eles na crença de que existe um Deus. Um ser superior que trouxe tudo à existência: o cosmos e a vida biológica. Algumas objeções que eles lançaram contra a Teoria da Evolução, acho que são válidas. Mas a avalanche de besteiras que escrevem, é de espantar!

Repetindo o que escrevi lá em cima, aqui vai uma lista básica do que ensinam:

Universo – surge há 6 mil anos;

Humanidade – surgiu há 6 mil anos;

Todos os animais e plantas - surgiu há 6 mil anos;

Homens e dinossauros - foram contemporâneos;

Idiomas – surgem de uma hora pra outra na Torre de Babel;

Dilúvio de Noé – explica toda geologia do planeta.

Para defender todos esses pontos fazem uma mistura descarada e cara de pau de suposta ciência e teologia. Quando convém, usam a ciência, quando ela não pode lhes ser útil, invocam a Deus, e assim, vão construindo o seu “criacionismo científico”. Dessa maneira, convencem os incautos de suas igrejas.

Felizmente, grandes mentes cristãs protestantes, entre Teólogos, pastores, Filósofos e Historiadores, discordam veementemente deles.  

Fiquei impressionado com esse trecho:

“O ministério Answers in Genesis (AiG [Respostas em Gênesis]) afirma continuamente que alguém pode ser cristão independentemente de sua posição em relação à idade da Terra ou evolução. Todavia, esses cristãos, como a AiG também indica, não estão sendo coerentes.” P. 212.

Um mínimo de bom senso pelo menos. Tiveram a decência de não condenar ao inferno, quem discorda deles. Ate quem é evolucionista pode ser cristão.

Um criacionista vendo essa postagem pode disparar: “Você ainda não refutou com provas nenhuma afirmação que os autores fazem nesse livro.” Respondo: E precisa? Eles não mostraram absolutamente nenhuma evidência concreta, apenas especulações fantasiosas. Até cristãos conservadores, como Norman Geisler, William Lane, Hugh Ross, Bruce Waltke, Timothy Keller, entre outros, já escreveram livros e artigos refutando-os. Boa retórica não prova nada.

Respondendo a pergunta que o título faz:

O criacionismo é verdade ou mito?

O criacionismo defendido pelo Ham e seus coleguinhas é MITO. 

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Deus, Um Delírio


DAWKINS, Richard. Deus, um delírio. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.

Richard Dawkins (Ph.D em Zoologia na Universidade de Oxford, membro da Royal Society e da Associação Britânica para o Avanço da Ciência) é o mais ferrenho e militante Cientista contra a religião nos últimos anos. Sua contribuição e ataque contra o mundo da fé, já vem de algumas décadas. Em 2006 ele lançou sua maior investida contra o delírio daqueles que acreditam em Deus. O resultado é este livro aqui.

Ele possui muitas críticas construtivas, outras nem tanto. Muitas verdades, muitas meias-verdades, muitos exageros, erros, equívocos... 

O mais famoso Cientista ateu do mundo comete várias falácias. Mas eu gostei dessa obra, mais do que eu pensava que poderia gostar! Ele também acerta muito. Muito do que ele diz precisa ser pensado e ponderado, por aqueles que militam a favor da religião, e por aqueles que têm um olhar complacente sobre o comportamento religioso, muitas vezes bizarro. 

“Se este livro funcionar do modo como espero, os leitores religiosos que o abrirem serão ateus quando o terminarem." P. 29.

Essa pretensão do Dawkins, pelo menos em mim, não surtiu efeito. Sou um teísta com propensões ao deísmo, mesmo estando mais ou menos ciente dos buracos e fendas teóricas deste último. Ah, o primeiro também tem. 

Talvez O Dawkins dissesse que essa minha propensão é um possível caminho trilhado rumo ao ateísmo. Seria mais ou menos assim: Teísmo >>> Deísmo >>> Agnosticismo >>> Ateísmo. Lascou! Estou no meio do caminho! Tô bosta nenhuma.

Essa obra abarca muitas coisas; muitos assuntos; passeia por vários temas e polêmicas. Não poupa palavras ofensivas aos mais sensíveis. Como meus resumos, em quase sua totalidade são bem parciais, aqui não será diferente. Vamos dá algumas pinceladas no que o livro nos traz.

"Não há nada de que se desculpar por ser ateu. Pelo contrário, é uma coisa da qual se deve ter orgulho, encarando o horizonte de cabeça erguida, já que o ateísmo quase indica uma independência de pensamento saudável e, mesmo, uma mente saudável. Existem muitos que sabem, no fundo do coração, que são ateus, mas não se atrevem a admitir isso para suas famílias e, em alguns casos, para si mesmos". P. 26-27.

Num capítulo ele defende decisivamente que Einstein era ateu, citando uma fala dele:

"É claro que era mentira o que você leu sobre minhas convicções religiosas, uma mentira que está sendo sistematicamente repetida. Não acredito num Deus pessoal e nunca neguei isso, e sim o manifestei claramente. Se há algo em mim que possa ser chamado de religioso, é a admiração ilimitada pela estrutura do mundo, do modo como nossa ciência é capaz de revelar." P. 38. -

Dawkins mostra muito bem, com essa citação e tantas outras, que o maior Físico de todos os tempos não era um teísta ou deísta. Era ateu mesmo. Mas quem diabo se importa?! Como faço parte dos que creem, é claro que preferiria que ele fizesse parte do time.

Uma das frases mais conhecidas e muito apreciada pelos ateus é está:

"O Deus do Antigo Testamento é talvez o personagem mais desagradável da ficção. Ciumento, e com orgulho; controlador mesquinho, injusto e intransigente, genocida étnico e vingativo, sedento de sangue; perseguidor misógino, homofóbico, racista, infanticida, filicida, pestilento, megalomaníaco, sadomasoquista, malévolo". P. 55.

Li de ponta a ponta esse mesmo Antigo Testamento que o Dawkins leu, entretanto, não tive essa impressão horripilante. Mas verdade seja dita, certos trechos são difíceis de assimilar, sobretudo, quando as respostas formuladas deixam a desejar.

Mesmo que fosse (ou que seja) verossímil essa impressão do Biólogo de Oxford, esse Deus aí é fichinha perto do Deus de uma parte gigante dos protestantes, falo do deus calvinista. Este como dizem alguns é de fazer o sangue gelar.

Jerry Coyne (Ph.D em Biologia e Pós-Doutorado pela Universidade de Harvard, Professor de Biologia no Departamento de Ecologia e Evolução da Universidade de Chicago), junta-se ao Dawkins contra a religião:

"A ciência não é nada mais que uma forma de racionalismo, enquanto a religião é a forma mais comum de superstição". P. 102.

Dawkins dispara contra a subjetividade da experiência pessoal que acompanha a fé de muitos:

"Muita gente acredita em Deus porque acredita ter tido uma visão dele - ou de um anjo ou de uma virgem azul - com seus próprios olhos. Ou que ele fala com eles dentro de suas cabeças. Esse argumento da experiência pessoal é o mais convincente para aqueles que afirmam ter passado por uma. Mas é o menos convincente para todo o resto, e para qualquer pessoa que conheça psicologia." P. 125.

Um ponto interessante, que é de conhecimento comum, é que a maioria dos Cientistas do alto escalão não professam nenhum tipo de crença religiosa, inclusive a fé cristã. Bertrand Russell que foi um eminente Professor de Filosofia na Universidade de Cambridge, Inglaterra, é chamado a dizer algo semelhante, não apenas em relação aos Cientistas, mas aos intelectuais de um modo geral:

“A imensa maioria dos homens intelectualmente eminentes não acredita na religião cristã, mas esconde esse fato do público”. P. 138.

Dawkins reitera:

“Fica cada vez mais difícil encontrar grande cientistas que professem sua religião ao longo do século XX. [...] O empenho dos apologistas para encontrar cientistas modernos destacados que sejam religiosos tem um certo ar de desespero, produzindo o som inconfundível de se raspar o fundo da panela. [...] Um estudo na importante revista Nature, de Larson e Witham, em 1998, mostrou que dentre os cientistas americanos considerados eminentes o bastante para serem eleitos para a Academia Nacional de Ciências (o equivalente a pertencer a Royal Society na Grã-Bretanha) apenas cerca de 7% acreditam num Deus pessoal. [...] O que é notável é a completa oposição entre a religiosidade do povo americano em geral e o ateísmo da elite intelectual". P. 140, 141, 142.

James Watson (Prêmio Nobel de Medicina (1962), foi Professor das Universidade de Cambridge e Harvard, descobridor da Dupla Hélice do DNA) deu a seguinte resposta quando perguntando se ele conhecia muitos Cientistas religiosos:

“Virtualmente nenhum. Às vezes os encontro, e fico meio sem jeito [risos] porque, sabe, não consigo acreditar em ninguém que aceite a verdade pela revelação [livros ditos sagrados].” P. 141.

Benjamin Beit-Hallahm, (Ph.D em Psicologia Clínica da Universidade Estadual de Michigan, Professor da Universidade de Haifa, Israel) confirma:

“[...] entre os laureados pelo prêmio Nobel nas áreas científicas, assim como na literatura, houve um grau notável de irreligiosidade, se comparado com as populações das quais eles são oriundos". P. 141.

Dawkins, com toda acidez, que lhe é bem peculiar, e desdém furioso que nutre pelo sentimento religioso, admite que a religião esteve/está presente em todas as culturas.

"Embora os detalhes variem pelo mundo, nenhuma cultura conhecida deixou de ter alguma versão dos rituais dispendiosos e trabalhosos, das fantasias antifactuais e contraproducentes da religião. Alguns indivíduos cultos podem ter abandonando a religião, mas todos foram criados dentro de uma cultura religiosa e tiveram de tomar a decisão consciente de romper com ela." P. 219-220.

O grande Teólogo da Reforma Protestante, João Calvino, também tocou nesse ponto.

"[...] desde o começo do mundo, nenhuma cidade, nenhuma casa existiria que pudesse carecer de religião. Nisso há uma tácita confissão; está inscrito no coração de todos um sentimento de divindade”. P. 43. - A Instituição da Religião Cristã. Tomo I, livros, I e II. São Paulo: UNESP, 2008.

Geralmente esse fato é usado, como uma espécie de argumento positivo para a religião. Mas assim como todas as culturas, povos e tribos têm as suas atrocidades, pilantragens e bobagens, porque a religião estaria de fora? Um ateu pode sarcasticamente fazer essa observação.

Dawkins não se esquiva da questão da moralidade:

“SE DEUS NÃO EXISTE, POR QUE SER BOM?
[...] Quando uma pessoa religiosa dirige-a desse jeito para mim (e muitas fazem isso), minha tentação imediata é lançar o seguinte desafio: "Você realmente quer me dizer que o único motivo para você tentar ser bom é para obter a aprovação e a recompensa de Deus, ou para evitar a desaprovação dele e a punição? Isso não é moralidade, é só bajulação, puxação de saco, estar preocupado com a grande câmera de vigilância dos céus, ou com o pequeno grampo de dentro da sua cabeça que monitora cada movimento seu, até seus pensamentos mais ordinários".
 P. 295.

Aí está uma resposta interessante!

E sobre Jesus, o que ele tem a dizer?

"Bom, não há como negar que, do ponto de vista moral, Jesus é um enorme avanço se comparado com o ogro cruel do Antigo Testamento. Se é que existiu, Jesus (ou quem quer que tenha escrito seus textos, se não ele) foi certamente um dos grandes inovadores éticos da história. O Sermão da Montanha é bastante progressista. Seu 'ofereça a outra face' antecipou Gandhi e Martin Luther King em 2 mil anos. Não foi à toa que escrevi um artigo chamado 'Ateus por Jesus' (e depois tive o prazer de ganhar de presente uma camiseta com esses dizeres)." P. 325.

Mas logo após algumas linhas vem a cipuada:

"Os valores familiares de Jesus, é preciso admitir, não são lá muito exemplares. Ele era seco, chegando a ser rude, com a própria mãe, e encorajou os discípulos a abandonar a família para segui-lo". P. 325.

Ele também fala sobre o aborto:

“A incoerência [dos que se posicionam inflamavelmente contra o aborto] fica evidente quando lembramos que a sociedade já aceita a FIV (fertilização in vitro), na qual os médicos rotineiramente estimulam as mulheres a produzir mais óvulos, que serão fertilizados fora do corpo. Mais de uma dezena de zigotos podem ser produzidos, dos quais dois ou três são implantados no útero. A expectativa é que, entre eles, apenas um ou talvez dois sobrevivam. A FIV, portanto, mata embriões em dois estágios do procedimento, e a sociedade em geral não tem nenhum problema com isso. Há 25 anos a FIV é um procedimento-padrão para levar alegria à vida de casais sem filhos.” P. 377.

O Biólogo de Oxford está certo. Se a vida começa na concepção, momento em que o esperma fertiliza o óvulo, e se a mesma não pode ser “assassinada”, a fertilização in vitro deveria ser alvo dos mais contundentes protestos daqueles que se dizem pró-vida. Mas não é isso que acontece. Nunca li em nenhum livro que se posiciona veementemente contra o aborto, uma linha sequer mencionando o caráter “assassino” da fertilização in vitro. Há anos em conversas com amigos, venho falando dessa contradição tão obvia dos mais conservadores.

E pra fechar:

“O poder de consolo da religião não a torna verdadeira. Mesmo que fizéssemos uma enorme concessão; mesmo que fosse demonstrado de forma conclusiva que a crença na existência de Deus é absolutamente essencial para o bem-estar psicológico e emocional humano; mesmo que todos os ateus fossem neuróticos desesperados levados ao suicídio por uma angústia cósmica infinita - nada disso contribuiria nem com um pingo de prova de que a crença religiosa é verdadeira." P. 445.

É um livro bem extenso, que trabalha muitos temas. Tinha marcado várias páginas para citar e comentar, mas ficaria muito longo esse resumo. Muitos argumentos bons e ruins eu deixei de frisar. Partes até mais importantes do que as que foram comentadas aqui. Mereço um desconto, pois muitos já fizeram suas respectivas resenhas e resumos.

Aos que demonizam o Dawkins, indico que o leia e, simplesmente não o subestime, porque ele já foi “refutado” por A ou B. Aos ateus que acham que ele é a última bolacha do pacote, sinto muito em dizer: num é não. Boas respostas teístas foram formuladas, que precisam ser levadas em conta. Sei que é difícil para ambos os lados olhar o outro com um mínimo razoável de imparcialidade e objetividade. Eu mesmo tenho essa dificuldade. Mas nos esforcemos. 

PS: o livro está em PDF completo na web.

sábado, 10 de setembro de 2016

A Verdadeira Idade da Terra


Os cientistas criacionistas são incansáveis em tentar provar que a Terra tem apenas 6.000 anos de existência, simplesmente porque a sua religiosidade assim o exige. São motivo, e com razão, de risos na Academia. Querem passar por cima de pau e pedra, a torto e a direito, para poderem provar que a verdadeira interpretação dos dados vindos da terra, fósseis, rochas e sedimentos, requerem um planeta jovem; uma Terra que está bem longe de tirar catinga do mijo (uma expressão muito usada aqui no nordeste), se comparado aos mais de 13 bilhões de anos, que a "falsa" ciência falível propõe

A tendenciosidade desse documentário chato é alarmante, além de dar sono. Quando assisto criacionistas assim, bradando aos quatro ventos, as supostas provas/evidências científicas de um dilúvio universal e uma de Terra extremamente jovem, lembro-me de Cientistas e Filósofos da Biologia que também são criacionistas da Terra jovem, todavia, são honestos o suficiente para admitirem que até o momento as evidências de uma Terra antiga são numerosas e bem embasadas na Ciência. Benjamim Clausen, Paul Nelson e John Mark, são alguns exemplos.

Citarei as palavras de admissão Benjamin L. Clausen (Ph.D em Física pela Universidade do Colorado, Boulder, com pesquisas em Física Nuclear no Laboratório Nacional de Los Alamos e no Instituto de Tecnologia de Massachussets, bem como em aceleradores em Amsterdam e em Dubna, Rússia). A citação é um pouco extensa, mas vale a pena lê-las.

"A extrapolação no tempo para trás, de milhares de anos de história registrada para os bilhões de anos para o universo, é amplamente apoiada cientificamente, mas também requer cuidados". 

"O tempo é um ponto de divergência entre a ciência e a Bíblia". "O desenvolvimento gradual ao longo de milhões de anos é a explicação mais fácil para a seqüência vertical no registro fóssil". 

"Embora a explicação envolvendo longas eras não seja perfeita, ela explica mais do que a teoria de zoneamento ecológico, flutuação e mobilidade. Outras evidências geológicas, embora não impossíveis de ajustar em um modelo de cronologia curta, são mais fáceis de serem ajustadas em um modelo de longo tempo".

"2) um número maior de dados atuais são melhor explicados por um modelo de tempos longos do que curtos;" 

3) demonstrar que certos dados não requerem longas eras não dá necessariamente apoio para um modelo de cronologia curta; apenas os coloca numa categoria de ajuste alternativo; 

"4) nenhum modelo geológico abrangente ajusta todos os dados, de forma que problemas com um modelo de longas eras não implica necessariamente que um modelo de tempos curtos é correto;"

"5) não há disponível nenhum modelo de tempo curto para rivalizar o modelo de longas eras;" 

"6) finalmente, qualquer modelo bíblico de cronologia curta deverá incluir alguma atividade sobrenatural, tornando-se inaceitável como um modelo científico;" 

"7) aceitar a Bíblia porque a ciência a apóia leva à tendência de colocar a ciência acima da Bíblia e a razão a percepção dos sentidos acima da revelação, tornando mais fácil descartar a Bíblia quando uma evidência científica for incompatível com ela".

Diante do que ele escreveu, sabe o porque dele ainda acreditar numa Terra jovem? Ele mesmo explica:

"Devido as possibilidades de erro ao desenvolver um modelo de história da Terra, prefiro cautela — a certeza bíblica e incerteza científica, acima da certeza científica e incerteza bíblica". 

Para ele, o ensino bíblico é de uma Terra Jovem e de um Dilúvio Universal e, portanto, deve encarar e visualizar o mundo da natureza sob esse prisma, mesmo diante das evidências científicas em contrário. Mas pelo menos, ele tem a hombridade de reconhecer as fragilidades de sua posição, coisa que falta a maioria (creio eu) dos criacionistas ditos científicos.

Esses trechos foram tirados do seu texto IDADE RADIOISOTÓPICA, PARTE III: Tempo na Ciência e na Bíblia. 

Pena que não está mais disponível na internet. 

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Maravilhas Modernas: Cemitérios


Lugar onde iremos morar! Podemos prolongar de todas as formas, mas esse dia está chegando! Estamos ininterruptamente rumo ao mundo silencioso! Uma passagem só de ida! Entraremos mas nunca sairemos. Nossa companhia? Vermes (se formos enterrados), e talvez fantasmas! 

20 bilhões de verdinhas é a cifra da indústria da morte só nos EUA (talvez tenha aumentando, pois o documentário foi produzido há uns já). Caixões caríssimos, túmulos e cemitérios de “luxo”. A variedade é grande, e é um mercado que nunca terá falta de clientes.

Por lá cerca de 75% dos mortos são enterrados, e 25% são incinerados. Com certeza aqui no Brasil, a superstição tão arraigada na mente do povo, não lhes permite serem cremados. 

No sepultamento dos antigos egípcios, os nobres, como estamos cansados de saber, eram mumificados. O processo durava meses, iniciando-se com a retirada do cérebro do defunto pelo nariz. Vários processos químicos e médicos eram feitos para que o morto fosse preservado para a vida além-túmulo. 

A incineração do cadáver era o método utilizado na Grécia, mais ou menos a partir do ano 800 a.c. Em 600 a.c. o ato de cremar os mortos chegou a Roma, permanecendo ali até a ascensão do Cristianismo, no quarto século, quando infelizmente a cremação foi acusada de ser um pecado contra Deus. 

"Um dos fatores que fizeram os romanos adotar a cremação foi a questão higiênica. As cidades careciam de higiene. E todos temiam a contaminação associada à decomposição."

Antigamente quando as pessoas entravam em coma, não era incomum serem consideradas mortas, e, portanto, aptas para o enterro. Imagine você acordando atordoado dentro de um caixão lacrado, debaixo de várias pás de areia, e saber que não pode sair dali? Se não morreu antes, morrerá em poucos minutos numa agonia horrível, lutando pela vida.

O filme Sepultado Vivo, que passou a exaustão no SBT, na década de 1990, traz uma história semelhante, com a exceção de que o carinha enterrado com vida consegue escapar, e depois se vinga enterrando a mulher viva, juntamente com o amante dela morto, em cima da coitada. 

No tocante a cremação, o primeiro crematório moderno surge em 1876 nos EUA. É comprovadamente mais prática, mais simples e mais barata. E mais ecológica e higiênica. Muitos cemitérios, no nosso "organizado" Brasil, têm contaminado o solo e o lençol freático. Domicílios próximos a eles acabam prejudicados. Não é preciso nem frisar, mas já frisando que isso acarreta várias doenças para a população que mora ao redor.

Entretanto, a mentalidade bitolada do povo brasileiro rejeita e rechaça o procedimento de incineração de seus defuntos. Tudo isso, devido a uma herança católica e evangélica (consciente ou inconsciente), derivadas do judaísmo, bem entranhada na cabecinha de cada um. 

Aqui em Natal estava para sair há uns anos, o primeiro crematório da cidade. Não sei se finalmente está funcionando. É uma evolução da sociedade em escolher a cremação, visto que a resistência é muito grande em ter seus entes queridos se tornando pó em poucos minutos. É como se estivesse profanando o corpo.  

Design Inteligente: Ciência ou Religião?


Palestra de Enézio de Almedia (Mestrado em História da Ciência pela PUC e Bacharel em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Amazonas), respondendo as seguintes perguntas:

A Teoria do Design Inteligente (TDI) é religião disfarçada de ciência (o velho criacionismo de guerra)? 

A TDI falsa ciência? 

É uma teoria genuinamente científica? 

Para ele, naturalmente, a TDI não é o histórico criacionismo que tanto militou contra a Teoria da Evolução no século XX (e nesse século também). Os vários tipos de criacionismos estão comprometidos com várias proposições derivadas de livros considerados sagrados. Assim acontece com o criacionismo judaico, que tem a Torá, como ponto de partida; o criacionismo cristão, que além do pentateuco, tem as escrituras cristãs como referencial; o criacionismo islâmico baseado do Alcorão, e tantos outros tipos. 

Nao é assim que acontece com a TDI. Ela não tem comprometimento algum com os pontos defendidos pelo criacionismo clássico, visto que não adota, por exemplo, a ideia de que o universo tem milhares de anos. Muitos de seus membros comungam da visão de ancestralidade comum, um dos principais pontos do darwinismo. Outros motivos são listados para diferenciar e afastar as duas visões. 

A afirmação da TDI é basicamente esta:

Através do estudo sistemático da natureza está se tornado cada vez mais incisivo que ela nos apresenta claros sinais empíricos de intervenção inteligente. Sabemos disso, através da Complexidade Irredutível e da Complexidade Especificada (ou Informação Complexa Especificada). Termos criados por Behe e Dembski. 

Claro que os darwinistas rejeitam peremptoriamente os conceitos que esses termos carregam. 

Refutando a acusação de que o Design Inteligente não é Ciência, Almeida Filho responde que não existe isso que se chama de CIÊNCIA; e que não existe O MÉTODO CIENTÍFICO. O que temos são várias formas de ciências, e com isso vários métodos científicos. Cada qual, com suas configurações distintas na construção de modelos que tentam explicar o nosso mundo. 

O Design Inteligente (DI) ao contrário do que afirmam os darwinistas, faz predições e é testável, usando as mesmas ferramentas metodológicas de seus oponentes. 

No tocante a terceira pergunta, o DI é uma teoria científica, porque trabalha com evidência empírica. Não tem como pressuposto, os discursos de dado livro sagrado. 

Uma pergunta que o palestrante faz, é que se o DI não é ciência, e muitos de seus acusadores trabalham com o falseamento popperiano, porque usam a falseabilidade para desacredita-la? O DI colocou suas afirmações na mesa para serem analisadas e refutadas - o mascote do DI é o Flagelo Bacteriano, que segundo Almeida Filho, ainda não foi falseado. Diz ele, que até tentaram, porém sem sucesso. 

Em 1998, William Dembski (Ph.D em Matemática na Universidade de Chicago, Ph.D em Filosofia na Universidade de Illinois) falou que os proponentes do DI esperavam "que o DNA tanto quanto possível" exibisse função útil, ao contrário do que propõe a teoria evolutiva. Aqui as palavras dele:

"Em uma visão evolutiva, nós esperamos bastante DNA inútil. Agora, se por outro lado, os organismos exibem design intencional, nós esperamos que o DNA o tanto quanto possível exiba função." 

Essa predição feita pelo DI, tem sido corroborada com a descoberta de que o DNA-LIXO não tem nada de lixo. Ele possui várias funções, não é inútil como os darwinistas diziam que era. 

É uma boa palestra que mostra que o DI merece ser ouvido.

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Porque a Bíblia me diz assim


Um ótimo documentário falando sobre a tensão que vivem muitos homossexuais que foram criados numa atmosfera extremamente religiosa nas igrejas fundamentalistas. O vídeo mostra inúmeras histórias de pais religiosos e conservadores que acabam mudando a sua visão sobre a sexualidade humana quando se deparam com a realidade de que seus filhos criados desde pequenos na igreja não sentem atração pelo sexo oposto.

O documentário tenta reinterpretar os velhos textos bíblicos que falam em termos negativos sobre a relação sexual entre iguais. Uma nova interpretação é proposta, indicando um novo olhar sobre as escrituras, embora esse não seja o foco do vídeo. 

Particularmente, como também já estudei esses mesmos textos, acredito que a Bíblia condena sim, a prática sexual entre iguais. Fazendo coro aos fundamentalistas que adoram jogar o texto do livro bíblico na cara dos homos, aqui vai ele:

Por causa disso Deus os entregou a paixões vergonhosas. Até suas mulheres trocaram suas relações sexuais naturais por outras, contrárias à natureza. Da mesma forma, os homens também abandonaram as relações naturais com as mulheres e se inflamaram de paixão uns pelos outros. Começaram a cometer atos indecentes, homens com homens, e receberam em si mesmos o castigo merecido pela sua perversão.” (Romanos 1. 26-27).

O revisionismo hermenêutico sobre esse texto não me convenceu. Porém, isso não quer dizer que os escritores sacros não estavam errados sobre essa faceta da conduta humana. Esse é o ponto. 

A Bíblia e nenhuma visão religiosa, ou filosófica consegue abarcar a complexidade da vida e da natureza humana. Sei que isso é muito caro para os que têm ou dizem ter a Bíblia no maior apreço e estima em suas vidas. 

Algo que o documentário não menciona, são os vários ministérios cristãos conservadores que foram criados para ex-homossexuais que fracassaram. O maior exemplo foi o Ministério Exodus sediado nos EUA. Era a maior referência citada pelas igrejas conservadoras para “provarem” que existem pessoas “libertas” das “garras” da homossexualidade. Há alguns anos esse ministério fechou suas portas. Motivo? Depois de décadas de experiências fracassadas, viram-se forçados a admitir que suas técnicas terapêuticas e espirituais não tinham tido sucesso algum. Chegaram a pedir desculpas aos homossexuais. No Brasil, um ministério semelhante procedeu da mesma forma. 

Basta vermos os relatos dos muitos supostos ex-homossexuais, que dão o seu testemunho de “libertação” nessas igrejas pentecostais/neopentecostais. Os trejeitos efeminados ainda permanecem. Que tipo de libertação foi essa, em que o camarada não conseguiu se livrar das características que o identificavam como homossexual?

Não quero cair no extremo de dizer que uma pessoa não pode mudar a sua conduta sexual (há estudiosos sérios que afirmam que algumas pessoas podem mudar). No entanto, as igrejas que vendem esses relatos de libertação estão muito aquém de provarem realmente que há tais curas em seus suas comunidades.

Vamos especular um pouquinho:

- Algumas pessoas nascem homossexuais. Como explicar aqueles garotinhos de apenas 4 anos de idade que já tem todos (ou quase todos) os trejeitos de uma menina?

- Algumas pessoas nascem propensas a serem gays. Vai depender de seu meio se vão ou não abraçar essa condição.

- Algumas pessoas podem numa determinada fase da vida experimentar durante um tempo relacionamentos homossexuais, mas como sua condição real é a heterossexualidade, no final acabam voltando a terem relacionamentos com o sexo oposto. Não seria esse o caso de muitos “libertos”?  

Acredito que essas várias possibilidades são possíveis. Ok, eu sei que fui redundantemente redundante.

Pra terminar, vejo que todas as igrejas sempre dão uma ênfase especial a alguns assuntos e “pecados” em detrimento de outros. E todas terão o texto na ponta da língua (mentira, muitas nem isso têm) para "provar" que a vontade de Deus é essa, e não aquela. Lhes É CONVENIENTE deixar outros  “pecados” ou práticas em stand by. Se forem perguntados o porquê, a resposta será: 

"PORQUE A BÍBLIA ME DIZ ASSIM
." 

Será que diz mesmo?


Bruxos e o Poder


“Mito? Realidade? Até que ponto os círculos mais conspícuos do poder, apelam para sacerdotes, pitonisas, adivinhos e bruxos, pra conseguir chegar ao governo e manter-se no poder? Qual a verdade por trás desses boatos?”

Na América Latina não são poucos os políticos que recorrem aos bruxos e feiticeiras, para poder chegar ao poderem ou se manter nele. Esse é o tema do documentário em questão. Vários líderes da política latina, que se submeteram aos rituais de bruxaria para garantir o seu lugarzinho entre os poderosos. Argentina, Cuba, Haiti, Nicarágua e México, são os países mencionados. Vincent Fox (México), Evita Perón (Argentina), Fidel Castro (Cuba), são apenas alguns desses políticos.

O fí de pai sem mãe, que postou o vídeo, colocou o nome do Collor no título, só pra chamar a atenção. Nada se fala sobre os políticos brasileiros. Se bem que a ex-mulher do Collor, salvo engano, já apareceu em rede nacional jurando de pés juntos que ele recorreu a uma macumbazinha para chegar à presidência da república. 

Normal. Isso é muito comum por aqui. Os ricões também depositam sua fé nas entidades do outro mundo, numa barganha vergonhosa para serem figuras públicas proeminentes. E essas supostas divindades medíocres, contentam-se com sangue de bodes, galinhas, cachaça, velas e tudo que é apetrecho. Ah, dizem que tudo isso aí é apenas o tira-gosto; um aperitivo, pois na verdade, elas querem mesmo é a alma/espírito do sujeito ambicioso. 

Talvez a maioria dos políticos da Bahia invoquem os orixás, exus, pretos-velhos e toda sorte de entidades para obter êxito em suas carreiras politicas. 

Onde moro, há cerca de 16 anos trabalhava um porteiro e amigo, que me garantiu que a então prefeita ( Natal-RN) da época, Vilma Maia (ou de Faria) vez por outra levava uma carrada de animais para um terreiro perto de sua casa, para fazer uns trabalhos espirituais, com a finalidade de ganhar as eleições, agradecer a pomba gira, etc. Muitas pessoas já falaram que ela é uma macumbeira de mão cheia. Como eu disse: é comum políticos praticarem esse tipo de coisa. Vamos ver se os espíritos a ajudam a ganhar o cargo de vereadora, agora.

Como bem relata a History, esses políticos muitas vezes nada fazem se não consultarem os seus xamãs. Muitos destes possuem um poder imenso sobre as decisões tomadas por aqueles. Rasputin, aquele noiado da Rússia, no início do século XX, é o exemplo maior.

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