sábado, 20 de maio de 2017

Livros Lidos (22)


Em 1998, nos meus 12 ou 13 anos peguei esse livro que meu pai tinha comprado. Foi um dos primeiros livros que li na vida. Estava curioso para saber como são os rituais espíritas, em especial, os de matriz africana, como o Candomblé. Essa religião me assustava, assim como assusta milhões de brasileiros até hoje, por causa de suas peculiaridades litúrgicas. Num tom pesadamente crítico, Costa vê o espiritismo, seja ele o kardecista ou o africano, como manifestações maléficas contrárias ao Deus verdadeiro da Bíblia. Nenhuma novidade. Quaisquer livros evangélicos escritos por pentecostais, a religiosidade espírita será vista dessa maneira. 


É possível conversar com que já bateu as botas? Espíritas dizem que sim. Evangélicos em sua maioria esmagadora, dirão que não, e que é até pecado tentar se comunicar com quem já partiu. É vedado até mesmo a tentativa de diálogo com pessoas mortas. O livro do Hernandes adota essa perspectiva. Ele confere uma atenção especial ao livro de 1 Samuel 28, onde ocorre uma sessão mediúnica, em que o texto diz claramente que Saul travou uma conversa com o profeta Samuel, já morto. Para ele, a despeito do texto dizer: “Assim falou Samuel”, na verdade, não era Samuel, mas um espírito enganador que se passou pelo profeta. Muitos Teólogos evangélicos realmente admitem que ali, houve uma conversação entre dois mundos – dos vivos e dos mortos.  


O autor dispara suas críticas contra várias religiões e igrejas, que ele classifica como falsas, seitas e grupos com ensinos errôneos e perigosos. Alvo de sua metralhadora: Testemunhas de Jeová, Adventistas do Sétimo Dia, Islamismo, Catolicismo, Mormonismo... Achei a maneira do Soares escrever, um pouco desorganizada. Ele já escreveu livros melhores.


Esse foi o primeiro livro do Paulo Romeiro detonando a Teologia da Prosperidade (TP) e Confissão Positiva (CP). Foi escrito em 1993, quando essa aberração estava se espalhando pelas igrejas evangélicas Brasil a fora. Ele dá nome aos bois, dá nome as estrelas desse lixo de teologia – o grande divulgador e popularizador da TP e CP, Keneth Hagin; o pilantrão que até hoje vem ao Brasil pegar dinheiro dos incautos, Benny Him; o bonachão da RIT TV, R. R. Soares; a perturbada e celibatária (só um doido para querer casar com ela) Valnice Milhomens; e outros. Romeiro ainda estava calmo e paciente nessa época, mas anos depois sentiu a necessidade de escrever mais dois livros refutando esses ensinos, visto que eles estava se alastrando muito rapidamente pelos arraiais evangélicos.  


Um livro prático e informativo, na medida em que ele em cada livro da Bíblia, vai expondo o que as seitas e religiões entendem e ensinam sobre os textos bíblicos. É uma obra de embate, de confronto, pois seu propósito é refutar os ensinos de vários ramos teológicos, como testemunhas de Jeová, mormonismo, catolicismo, espiritismo e etc. Livro extenso. 

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Livros Lidos (21)


Daniel, um dos livros mais fascinantes da Bíblia. Muitas são as interpretações sobre as profecias do dito livro. Uns acreditam que não existe nada de sobrenatural no conteúdo dele, visto que ele é, segundo os Teólogos liberais, uma pseudoepigrafia – o autor do livro, que não foi esse tal de profeta Daniel, escreveu essas profecias, muito tempo depois dos acontecimentos que ela “profetiza”. Severino Pedro, não vê dessa forma, repetidas vezes ele declara que as profecias “se combinam entre si em cada detalhe”. Ele não é nenhum erudito sobre o livro de Daniel e tampouco um erudito em Teologia. É um Teólogo popular que bebeu da fonte que emana do Seminário Teológico de Dallas, EUA, considerado a fortaleza do dispensacionalismo, defendido pelo autor. 


O livro mais estranho do Novo Testamento. O mais difícil de interpretar. Mesmo assim, muita gente se arrisca a dizer: O Apocalipse diz isso, isso e aquilo. Meu conterrâneo, já morto, Severino Pedro, comentou cada versículo do último livro da Bíblia. Sucesso de vendas. Livro trivial, se comparado a outros comentários, que ganham em sofisticação teológica e exegética. Mas era o livro que tinha em casa, comprado por meu pai. Li o dito cujo em 2001 ou 2002.


Desse aqui não há muito o que falar. Pai comprou há muitos anos, e eu o doei para a biblioteca da igreja do qual um bom amigo meu é membro. Nem é mais publicado. Acredito que não vendeu o suficiente, aí a editora que não é nada besta, pois visa o LUCRO com o pretexto de que está divulgando o reino de Deus, encerrou as suas vendas. O tema do livro é: As recompensas que os cristãos irão receber no céu. Esse tribunal nada tem a ver com o juízo final. 


João de Oliveira foi um “Teólogo” e conhecido pastor da Assembleia de Deus, que afirmou nos anos 1960 que morreu, foi ao céu, e Deus o ressuscitou. Até gravou um LP contando o que viu no paraíso. Acredita quem quer, num é não? Pois é, eu não acredito. Paranoia de pentecostal. Mas o ponto desse pequeno livro é falar sobre o período de 1000 anos, que segundo alguns intérpretes da Bíblia acreditam que haverá no planeta, antes do juízo final. Outros estudiosos acham que o texto que fala sobre esses 1000 anos, é meramente simbólico.


Acho que esse foi o primeiro livro que li. Meados de 1997-1998. O autor todo empolgado com a chegada do ano 2000, com o surgimento da união européia, acreditava que o fim estava próximo. Posso arriscar que ele não imaginava que o mundo ainda estaria na sua marcha normal e natural, 20 anos depois. O arrebatamento não veio, o anticristo não veio. Muita especulação besta.  

Livros Lidos (20)


De algumas décadas pra cá, começou uma enxurrada de Bíblias de Estudo a serem publicadas em português, no Brasil. Se nos EUA, elas já eram populares e amplamente consumidas, aqui no brasil, não passou a ser diferente. Mas o que seria uma Bíblia de Estudo? A Bíblia não é uma só? As ditas Bíblias de Estudo, além de terem o texto do Antigo e Novo Testamentos, possuem notas explicativas, geralmente na parte inferior das páginas. Essas notas interpretam o texto bíblico, facilitando o entendimento do leitor. Obviamente as interpretações podem estar erradas. 

Uma das primeiras Bíblias de Estudo em português foi escrita pelo biografado desse livro, um americano que veio como missionário para o Brasil, na década de 1970. Donald Stamps escreveu a Bíblia de Estudo Pentecostal, para ajudar os fieis de sua igreja, a Assembleia de Deus, a divulgarem melhor as suas crenças. Esse livro conta a história dele e de como ele veio a produzir essa ferramenta de estudos bíblicos. O título tem a ver com a conduta do Stamps antes de torna-se evangélico. Sabe aquela expressão: “O cabra era mais ruim do que merda!”? Pois pronto, esse era o Stamps. Converteu-se e passou de um extremo ao outro, visto que virou um fanático pentecostal e grande opositor da televisão. Naqueles tempos era vedado aos assembleianos (coitados) de verem TV. Ela era o instrumento do diabo.


Sim, eu li esse livro. Quando fazia o segundo ano do ensino médio, em 2002, tinha amigo que estudava comigo, que vez por outra, ia às reuniões de jovens da igreja Universal. Fiquei sabendo que ele tinha alguns livros e pedi emprestados. Um desses livros foi Orixás, Caboclos e Guias, livro que durante um período da década de 1990 foi proibido de ser comercializado, o que atiçava mais ainda a curiosidade de o porquê de uma literatura em plena democracia, está no índex do governo.

Peguei o livro e o li em 24 horas de ponta a ponta. Não porque era excepcional, cativante e com um conteúdo fora do comum. Pelo que lembro, Macedinho conta, conta, conta e conta de novo, dezenas de histórias de pessoas que supostamente deixaram a Umbanda e Candomblé, e viraram evangélicas. Livro de leitura bem fácil, que faz a leitura ser ultra rápida.


Livro lido com real interesse, no início de 2002. Horton era um pentecostal com amplas credenciais acadêmicas que o faziam se destacar dos demais, em sua tradição religiosa. Nesse livro ele expõe com muita empolgação, o que acredita que acontecerá no fim do mundo, adotando a popular concepção de um arrebatamento secreto, em que Cristo voltará para levar os seus fieis ao céu. Ele analisa as várias escolas hermenêuticas que se debruçam no estudo minucioso das profecias bíblicas. Seu ponto de vista é o dispensancionalismo, doutrina segundo qual Israel ainda tem um papel importante a desempenhar nos acontecimentos escatológicos (as últimas coisas que acontecerão aqui na terra, antes do juízo final).

Ele defende algo que não agradará a muitos crentóides. Pois crê que pelo menos uma vez na história, houve uma comunicação mediúnica – um morto vindo do além para comunicar-se com um vivo. É a aquela história de Saul e a sua consulta a uma feiticeira, em que Samuel já morto, vem lá não sei dá onde, e dá umas carcadas em Saul, por este está todo desmantelado e andando por caminhos que não agradam a Deus, inclusive por ter consultado uma bruxa. Boa parte dos evangélicos, apesar do texto dizer claramente que foi o próprio Samuel quem falou com ele, usam de subterfúgios interpretativos para negar a conversação entre Saul (vivo) e Samuel (morto), visto que isso dá munição pesada aos espíritas, que enfatizam que é possível travarmos diálogos com quem já juntou as pernas. 


Robinson Cavalcante, um dos grandes Teólogos anglicanos no Brasil, infelizmente assassinado pelo seu filho drogado há uns poucos anos, escreveu esse livro para trazer ao grande público a problemática da homossexualidade dentro da igreja anglicana. Ele rastreia essa questão desde a década de 1970. Nesses anos, já era discutida a viabilidade ou não dos homossexuais serem aceitos como membros e líderes das comunidades anglicanas mundo a fora. Cavalcante mostra-se terminantemente contra tal postura “progressista” dos vários setores do anglicanismo.  Chega a dizer que está sendo travada uma guerra no mundo espiritual sobre essa questão. Ele como líder da arquidiocese de Recife, foi um dos poucos no Brasil, salvo engano, que posicionou-se a favor da visão tradicional do cristianismo de que a homossexualidade é um pecado contra Deus.


As igrejas evangélicas hipocritamente dizem que: “A Bíblia é a noassa única regra de fé e prática.” Mentira. Todas, absolutamente todas, mantém crenças e comportamentos que não estão de acordo com os próprios critérios que elas dizem seguir. Quando lhes é conveniente, proíbem certas condutas, que nem estão proibidas na Bíblia. O pastor Ricardo Gondim escreveu esse livro em 1998, quando o cerceamento dos evangélicos era mais triste e medonho do que é hoje. Tudo era proibido, principalmente no meio pentecostal. Os tradicionais eram mais maleáveis. Dentro do próprio terreno hermenêutico utilizado pelos fanáticos pentecostais, Gondim magistralmente revelará que eles usam muito mal as escrituras para impor os seus preconceitos e obrigar os membros de suas igrejas a viverem debaixo de seu jugo legalista.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Testemunhas de Jeová: A Inserção de Suas Crenças no Texto da Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas


SILVA, Esequias Soares. Testemunhas de Jeová: A Inserção de suas Crenças no Texto da Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas. Dissertação de Mestrado em Ciências da Religião – Universidade Presbiteriana Mackenzie, 2007.

Link para baixar a dissertação:


Elas nem são tantas, se comparadas com as outras igrejas de tradição cristã. Seu número de fieis talvez tenha chegado agora em 2017, a 8 milhões de pessoas em todo mundo. Como se vê não está entre as grandes igrejas ou religiões mundiais. Passa bem longe. No entanto, fazem um barulho tremendo. As testemunhas de Jeová (TJ) quando menos esperamos, estão em nossas portas para nos falar sobre a mensagem de Jeová, de que o atual sistema de coisas está prestes a ter seu fim. São prestativas, educadas e atenciosas, ficam a nossa disposição para nos fornecer seus estudos bíblicos e aconselhamentos.

Tive contato a primeira vez com eles, em 2001, quando tive conhecimento que um bom amigo era uma TJ. A partir daí, ele foi presenteando-me com várias revistas e livros da Sociedade Torre de Vigia, nome oficial da religião. Travei vários diálogos com ele e seu pai, que tentaram me convencer de que eles estavam certos e de que eu, um pobre coitado, estava encharcado de crenças falsas e diabólicas.

De lá pra cá, adquiri várias obras da própria seita e li 95% delas. Também li vários livros contestando e escancarando os erros, mentiras e falcatruas dessa religião. O livro que venho postar, é exatamente uma literatura crítica e bem embasada na Crítica Textual para refutar a credibilidade da Bíblia utilizada por eles. Esse é o foco da dissertação do Esequias Soares da Silva, que talvez seja, o maior pesquisador dessa religião no Brasil. Sua dissertação virou um livro publicado pela editora Hagnos. Por isso, que coloquei a capa dele na postagem. Mas as páginas aqui enumeradas são da dissertação.

Tendo um bom conhecimento da história e do que elas pregam e defendem, li em algumas de suas publicações, que as testemunhas de Jeová foram o único grupo religioso que fora duramente perseguido pelos nazistas e que não compactuaram com ele. Fato é, que muitas testemunhas de Jeová foram vítimas de Hitler. Porém, o que a organização esconde de seus fieis, é que ela deu apoio ao nazismo, quando este se tornou o partido do poder na Alemanha. Praticamente nenhuma TJ tem ciência de que sua liderança mundial quis apoiar Hitler em sua loucura anti-semita. Essa página desastrosa da história dessa seita é descaradamente escondida das TJ. O trecho a seguir é longo, mas a leitura é muito válida.

“A Sociedade Torre de Vigia manifestou seu apoio a Adolf Hitler, que o recusou, entretanto, a organização disparou sua metralhadora giratória contra todas as igrejas classificando-as como aliadas do nazismo. Num artigo da revista Despertai!, de 8 de julho de 1998, intitulado Testemunhas de Jeová — Coragem Diante do Perigo Nazista, páginas 10 a 14, foram apresentadas as mesmas acusações. Porém, sempre procurou-se esconder o apoio aos nazistas: ‘Longe de estarmos contra os princípios advogados pelo governo da Alemanha, nós apoiamos sinceramente esses princípios e sublinhamos que Jeová Deus através de Jesus Cristo causará a realização completa destes princípios’.

As Testemunhas de Jeová realizaram uma conferência em Berlim, em 25 de junho de 1933, para apoiar o regime nazista, algo que a organização procura esconder e ousa declarar que ‘as Testemunhas de Jeová jamais expressaram apoio ao Partido Nazista’. Nessa reunião, com a participação de 7.000 presentes, redigiram um documento Erklärung, 'declaração' em alemão, conhecido como Declaração de Fatos, e distribuíram por toda a Alemanha 2.100.000 exemplares desse panfleto em apoio aos nazistas, manifestando sua hostilidade aos judeus, aos Estados Unidos, ao Reino Unido e à Liga das Nações. O documento foi enviado ao governo alemão, acompanhado de uma carta em que declara ter a Sociedade Torre de Vigia os mesmos objetivos dos nazistas afirmando terem os Estudantes da Bíblia harmonia com o Reich Alemão: ‘estes estão em perfeita harmonia com os objetivos similares do Governo Nacional do Reich Alemão’. O Führer, porém, recusou o apoio das Testemunhas de Jeová.

O relato do Anuário das Testemunhas de Jeová de 1975, no qual conta sua história na Alemanha, e o livro Testemunhas de Jeová – Proclamadores do Reino de Deus, página 693, omitem o conteúdo da Declaração e distorcem os fatos, colocando-se como a única religião perseguida pelo Reich com o apoio da ‘cristandade’. Cole e Macmillan [escritores das TJs] sequer mencionam essa Assembléia de Berlim, mas o conteúdo de Declaração dos Fatos foi publicado na íntegra no Anuário das Testemunhas de Jeová de 1934.

A revista Despertai!, de 22 de agosto de 1995, publicou um artigo intitulado Por Que as Igrejas se Calaram, páginas 12-15, uma crítica aos que apoiaram os nazistas. Penton [professor de História e de Ciências da Religião da University of Lethbridge, em Alberta, Canadá] ,já havia denunciado a organização, em algumas de suas publicações. Ele ficou indignado quando leu o artigo e enviou uma carta ao então presidente da Sociedade, Milton Henschel, afirmando ter ficado ‘profundamente chocado e enojado’, classificando a matéria de  ‘abominação histórica’. Alegou não esperar resposta dele, nem era esse seu desejo, mas enviou com a carta cinco documentos: (1) Uma fotocópia do ‘Erklärung original’; (2) uma fotocópia do ‘Erklärung’ como apareceu na edição alemã do Anuário das Testemunhas de Jeová de 1934; (3) uma fotocópia da Declaração, como ela aparece na edição inglesa do referido Anuário, em inglês; (4) uma fotocópia da carta de Hitler, mais uma tradução inglesa disso; (5) e uma cópia da revista The Christian Quest, edição da primavera de 1990.” P. 46-47.

A proibição absurda das transfusões de sangue, que vigora até hoje, foram estabelecidas na década de 1940. Proibiu-se o transplante de órgãos, na década de 1960, que era considerado ‘canibalismo’, no entanto, mudaram de opinião anos depois, revogando a sua proibição.

São sandices e proibições absurdas. Entretanto, isso não foi e nem é uma característica peculiar das TJ. Se analisarmos o histórico de cada religião, veremos muitos absurdos semelhantes. A própria igreja do autor, a Assembleia de Deus, é conhecida por ensinamentos bizarros e cerceamento de seus membros. A própria Ciência moderna criou conceitos destrutivos, misóginos, racistas e estúpidos, em anos não muito distantes.

Voltando ao meu amigo, ele sempre estava me dando as literaturas de suas religião para que eu pudesse lê-las e, quem sabe me converter numa TJ. Todavia, era bastante complicado ele ler algum livro contrário que eu lhe emprestasse ou desse. As TJ estão terminantemente proibidas de lerem livros ou revistas de outras religiões. Se tais livros "demoníacos" estiverem falando "mal" da Sociedade Torre de Vigia, aí a coisa piora mais ainda. Mas meu amigo desobedeceu as ordens e leu umas literaturas que lhe emprestei.

“A teocracia implantada por Rutherford [segundo presidente da religião] eliminou a liberdade de seus membros. As Testemunhas de Jeová não têm o direito de realizar pesquisas bíblicas em publicações de outras instituições religiosas. É dever delas aceitar todos os ensinos peculiares do Corpo Governante: ‘A associação aprovada com as Testemunhas de Jeová requer a aceitação de toda a série dos verdadeiros ensinos da Bíblia, inclusive as crenças bíblicas singulares das Testemunhas de Jeová’. A organização considera violação grave questionar suas crenças e práticas, chama esses questionamentos de 'idéias independentes' e afirma que tais procedimentos são satânicos.
As Testemunhas de Jeová conhecem muito pouco sobre os bastidores da sua religião. Assim, a melhor maneira de mantê-las desinformadas sobre isso é não permitir a leitura das publicações de outras religiões, consideradas literatura apóstata, 'publicações que promovem a religião falsa e lançam calúnias contra a organização de Jeová'. Os anciãos estão sempre alertas para proteger a congregação dessa literatura: 'os anciãos devem permanecer alertas para proteger o rebanho’.” P. 69.

Uma religião com um passado tão cheio de incoerências e ensinos que se mostraram errôneos, não pode arriscar a sua reputação tão frágil, permitindo aos seus membros que leiam livros fora seu curral doutrinário. Por exemplo, a liderança das TJ é conhecida por ter marcado a data do fim do mundo várias vezes, e como sabemos, o mundo está aí. Como justificar tais erros? Umas das datas mais enfatizadas para o fim, foi o ano de 1975. As TJ estavam em polvorosa por causa desse ano, esperando ansiosamente pela sua chegada e consequentemente pela vinda do reino de Deus. O ano chegou e tornou-se patente que tinha sido mais uma data inventada malandramente. A liderança assumiu a culpa? Não, não. Se tiveram a cara de pau de criarem arbitrariamente um ano para o fim, porque não teriam cara de pau semelhante para se eximirem de quaisquer responsabilidades? Vai aqui mais uma longa citação:

“Em 1975, o presidente Knorr e o vice-presidente, Frederick Franz, fizeram uma viagem ao redor do mundo. Os discursos do vice-presidente, em todos os países visitados, giravam em torno de 1975. Muita gente acreditou nessa mensagem. Muitos venderam fazendas, casas e abandonaram seus negócios; outros largaram empregos e foram com seus familiares para locais considerados de maior necessidade, calculando recursos financeiros suficientes até a data do evento. Muitos idosos, continua Raymond Franz [membro da liderança mundial expulso da religião], protelaram os tratamentos médicos e as ‘intervenções cirúrgicas’, outros ‘converteram em dinheiro apólices de seguro ou outros certificados de valor’. A data veio e se foi, e agora? O dinheiro acabou e a saúde piorou.

Qual a resposta da Sociedade Torre de Vigia para essas Testemunhas de Jeová? Raymond Franz estava lá, na época, e afirmou que a maioria dos membros do Corpo Governante, a princípio, ‘assumiu uma atitude de ‘esperar para ver.’ No ano seguinte, poucos desses membros insistiram na necessidade de se 'fazer alguma declaração reconhecendo que a organização havia se equivocado, que tinha estimulado falsas expectativas’, mas outros acharam ‘que isso ‘serviria apenas de munição para os opositores’. Muitos betelitas expressaram seu desapontamento e Raymond Franz citou algumas declarações deles, nas páginas 253 e 254. Em 1977, a revista A Sentinela voltou trazer à baila o assunto, mas sem assumir responsabilidades. Em 1980, na administração de Frederick Franz, o assunto aparece novamente nas páginas de A Sentinela, afirmando se tratar de mera possibilidade.

O Corpo Governante, às vezes, procura minimizar o fracasso dessa e de outras profecias, chamando-as de meras sugestões de datas incorretas, 'as Testemunhas de Jeová, devido ao seu anseio pela segunda vinda de Jesus, sugeriram datas que se mostraram incorretas’. A organização nunca assumiu, em suas publicações, essa responsabilidade, ao contrário, lança a culpa sobre as Testemunhas de Jeová.” P. 80.

O ponto principal da dissertação é o texto adulterado da bíblia (Tradução do Novo Mundo) usada pelas TJ, uma Bíblia que não foi traduzida por especialistas em grego, hebraico, aramaico e demais línguas antigas. Na verdade, nenhum dos tradutores dessa bíblia eram eruditos, ou seja, pessoas que tinham em seu currículo, estudos avançados nas línguas originais das escrituras sagradas. Tanto é, que a organização até hoje nunca divulgou os seus nomes, sob o pretexto de que eles não sejam louvados no lugar de Deus. Pura malandragem. Nenhuma outra organização religiosa e nenhum erudito em Religião, História, Teologia e Crítica Textual, fazem uso da Tradução do Novo Mundo. Na realidade, ela é uma piada em muitos pontos. Não foi traduzida das línguas originais. O intuito dela, como diz o subtítulo da dissertação, é inserir a sua teologia no texto bíblico. Todas as traduções da Bíblia têm os seus defeitos e carências, mas a maioria delas, passaram pelo crivo rigoroso da Crítica Textual, algo que não aconteceu com a tradução das TJ. Não existe um acadêmico que endosse ou recomende essa tradução. Seja esse acadêmico cristão, ateu, liberal... O propósito principal dessa bíblia foi enfraquecer a melhor interpretação que o cristianismo tradicional inferiu das escrituras sobre a natureza Deus, que é a doutrina da Santíssima Trindade. Sem exageros: é uma aberração a bíblia da Sociedade Torre de Vigia.  

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Uma Confissão


TOLSTÓI, Liev. Uma Confissão. São Paulo: Mundo Cristão, 2017.

“Qual o sentido de minha vida? Nenhum. Ou: O que vai ser da minha vida? Nada. Ou: Para que existe tudo o que existe e para que eu existo? Para existir.” P. 54.

A maioria das pessoas que nascem (ou nasceram) no ocidente, já nascem com uma religião que lhes é imposta. Na Rússia do século XIX, não era diferente e era muito mais forte o vínculo da sociedade, mesmo que superficial, com a religião estatal, no caso a Igreja Ortodoxa Russa. Mais uma igreja preocupada em se manter no poder, sem pouco se importar com os seus fieis, o que não é novidade alguma.

O grande e aclamado escritor Liev Tolstói, viveu debaixo da soberania dos Czars na Rússia, e como todo bom russo, era um católico ortodoxo. Sabe aquela historinha que conhecemos aqui no Brasil, do católico não praticante? Ou seja, o bebê nasce em um lar católico, é batizado, durante sua infância e adolescência vai uma ou outra vez a missa, visto que seus pais já não são tão praticantes assim, e tal não-praticidade lhe é passada, culminando muitas vezes em ceticismo e desdém pela religião inculcada. Chega um momento, que aquela religião com seus dogmas é quase que totalmente relativizada e tem pouca relevância nos negócios do dia a dia, sejam eles quais forem. Pois bem, era mais ou menos dessa forma na sociedade russa.

Tolstói, homem mui sábio, leitor e escritor voraz, percebeu que não tinha mais fé, logo cedo em sua vida. Esse livro é um relato pessoal e emocionante da sua crise de fé. Um desvelamento das mais profundas angústias de sua alma! Um desabafo! Uma peregrinação dolorosa da razão à fé.

Uma coisa é você não praticar o que a sua igreja manda e, mesmo assim, pensar que ainda é católico, mesmo tendo ciência que é um desleixado, mas com a consciência “limpa” diante de Deus, mantendo sua crença nele e nas doutrinas da igreja. Outra bem diferente é você chegar a pôr em dúvidas sérias e sinceras os ensinamentos da igreja em que foi criado, mesmo ainda tendo algum tipo de fé no deus que ela prega.

“A doutrina religiosa que me foi transmitida desde a infância desapareceu dentro de mim da mesma forma como nos outros; a única diferença é que, como comecei cedo a ler e pensar, minha renúncia à doutrina religiosa se tornou consciente também muito cedo. Aos dezesseis anos, parei de rezar e, por iniciativa própria, parei de ir à igreja e jejuar. Parei de crer no que tinham me transmitido desde a infância, mas acreditava em algo”.  P. 19. 

Posteriormente até a fé no deus trino não lhe era mais cabível. Chegou um tempo em que sua fé estava voltada para o progresso, mito herdado do iluminismo. Mas o tempo fez sua crença esmorecer. Escrevia, era Professor, viajava para a Europa, casou, teve filhos – mas estava exausto espiritualmente, posto que não sabia qual seria o sentido de sua vida.

“[...] comecei a ter momentos, no início, de perplexidade, de interrupções da vida, como se eu não soubesse como viver, o que fazer, e me perdia e caía no desânimo. Mas isso passava e eu continuava a viver como antes. Depois, esses momentos de perplexidade começaram a se repetir cada vez com mais freqüência e sempre da mesma forma”. P. 33. 

Tempos depois:

“[...] me convenci de que, em primeiro lugar, não se tratava de questões tolas infantis, mas sim das questões mais importantes e mais profundas da vida e, em segundo lugar, que eu, por mais que pensasse, não conseguia lhes dar resposta”. P. 34.

A coisa foi piorando, ao ponto dele cogitar o suicídio, mas numa confusão total, não queria chegar a esse ponto.

“A vida me dava enjôo – alguma força indeterminada me seduzia para que eu, de algum modo, me desvencilha-se da vida. Mas não se pode dizer que eu queria me matar. [...] com todas as forças eu desejava me afastar da vida. A idéia de suicídio me veio de maneira tão natural quanto, antes, me vinham os pensamentos sobre o aperfeiçoamento da vida. [...] Eu mesmo não sabia o que queria: tinha medo da vida, desejava me livrar dela e, no entanto, ainda esperava dela alguma coisa.” P. 36, 37.

Os vários ramos do saber, como a Biologia, a Sociologia, a Matemática, a Psicologia, a Medicina e tantos outros não davam respostas às perguntas referentes ao sentido da vida. Não é da competência delas inquirir e solucionar sobre as questões (sentido, propósito, finalidade) da existência. Nem a Filosofia com a sua argúcia está apta a resolver tal problema, mesmo que faça as perguntas certas.

A vida era um absurdo! Tirar a vida e acabar com tudo, era a saída mais racional, ou menos irracional. Mas algo novo depois de muitos anos, começava a surgir no raciocínio de Tolstói que o levou lentamente a outro caminho. Ele percebeu que:

“[...] toda a humanidade tem algum conhecimento do sentido da vida, não reconhecido e desprezado por mim”. P. 75.

Porém, um impasse veio-lhe a mente, visto que Tolstói não conseguia ver a fé e a razão como amigas. Para ele, estavam em pólos antagônicos. O sentido da vida não pode ser obtido pelo método da razão. A desrazão é a alavanca para o ser humano ter um vislumbre da essência da sua existência. Ele não queria abandonar a razão, mas tampouco queria perder a chance de salvar a sua vida, encontrando o sentido desta, que ele tanto necessitava.

“[...] Decorre daí que o saber racional não fornece o sentido da vida, ele a exclui; e o sentido atribuído à vida por milhões de pessoas, por toda a humanidade, se fundamenta num saber falso e desprezado.” P. 75.

Apesar de tudo e, com muitas ressalvas, o caminho lentamente estava sendo pavimentado para voltar a sua velha fé abandonada.

“[...] ou aquilo que eu chamava de racional não era tão racional como eu pensava, ou aquilo que me me parecia irracional não era tão irracional como eu pensava”. P. 76.

“[...] comecei a entender que, nas respostas fornecidas pela fé, se abriga a profunda sabedoria da humanidade e que eu não tinha direito de negá-la com base na razão, e que, acima de tudo, só essas respostas atendem à questão da vida.” P. 83.

“E me salvei do suicídio. Quando e como se deu, dentro de mim, essa reviravolta, não posso dizer. Assim como a força da vida se aniquilou dentro de mim gradualmente, de modo imperceptível, e acabei chegando à impossibilidade, aquela força da vida retornou para mim. E o estranho é que essa força de viver, que voltou para mim, não era nova, mas bem antiga – a mesma que me atraía nas primeiras fases de minha vida. Voltei aos primórdios, à infância e à juventude. Voltei a direção da fé, para aquela vontade que me produziu e que quer algo de mim; voltei para o objetivo único e principal de minha vida, ser melhor, ou seja, viver de acordo com aquela vontade; voltei para a convicção de que posso encontrar a expressão daquela vontade em algo que se esconde de mim, algo que toda a humanidade elaborou a fim de orientá-la, ou seja, voltei à fé em Deus, no aprimoramento moral, na tradição que transmite o sentido da vida”. P. 100.

Bonitinho e comovente, não é? Nem tanto. Páginas e mais páginas à frente (até antes dessa citação, Tolstói não esconde que mesmo “crendo”, dúvidas, tristezas e frustrações eram corriqueiras na sua “nova” vida. Muitas decepções com as ditas pessoas de “fé”. Dificuldades imensas entre transitar entre o reino da razão e da fé, e, em conviver com as arbitrariedades e exclusivismo da igreja ortodoxa russa. O livro acaba e fica subtendido, que as tensões ainda continuaram em sua vida. Elas só acabaram mesmo, quando ele desceu à sepultura.

Livro muito bom. O autor nos mostra uma sinceridade que falta a muitos. 

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Che 2: A Guerrilha


Che Guevara, um dos líderes da Revolução Cubana de 1953-1959, com Fidel Castro. Um ícone pop da contra cultura. Uma das personagens mais amadas e odiadas das últimas décadas. E que por isso, conseguiu a façanha de estar entre as 100 pessoas mais importantes do século XX. 

Não conformado com o "sucesso" da revolução em Cuba, Guevara queria universalizar a causa comunista-socialista. Para tal desafio, armou várias guerrilhas na América Latina, e também foi para o Congo, onde foi um fracasso. E por fim, tentou combater o governo boliviano opressor na segunda metade da década de 1960. Com documentos falsos, consegue sua entrada na Bolívia, passando a estar com outros guerrilheiros para se aventurar nas florestas bolivianas. 

Esse filme lançado em 2008, tem mais de 4 horas de duração. É dividido em duas partes. Chafurdando os DVDs que tenho de filmes e documentários gravados há alguns anos, encontrei esse filme que até então, não tinha visto ainda. Infelizmente, só tenho a segunda parte do filme, quando ele resolve partir para a Bolívia, para sua última guerrilha, onde ele é capturado e morto, pelo exército boliviano. 

Pelo que o filme mostra, as dificuldades foram imensas para que o pequeno exército tivesse o mínimo sucesso. Sempre doentes, pouca comida, os camponeses - pobres miseráveis - mal podiam ajudá-los. Foi quase um ano perambulando pelo mato da Bolívia, onde Che chegou a cogitar até a matança de um cavalo para alimentar os seus soldados. 

Ficou subtendido que uma das finalidades do filme era nos mostrar um Che bem cordial, camarada, companheiro, compreensivo com os seus soldados problemáticos e com os camponeses que ele ia se deparando no caminho. A película do premiado Diretor Steven Soder Berg tem o intuito de nos trazer uma imagem bem positiva de Guevara.

Nesse ponto, o filme não vai agradar a muitos. 

Pelo pouco que conheço da história de Che, ele foi um assassino frio e cruel, que não tinha piedade nem de seus soldados. Matava um, como se mata uma barata. O documentário Che Guevara: Anatomia de um Psicopata, que assisti há uns anos, traz uma biografia demoníaca do ídolo da Revolução em Cuba, totalmente destoante da imagem passada por esse filme. Pela cronologia da coisa, em 1966 quando ele chega na Bolívia, o cabra já tinha um histórico de peripécias macabras há muito tempo. No entanto, vemos um Che bem manso e tranquilo no filme. 

Independente de obras cinematográficas ou investigativas, exaltando-o ou demonizando-o, a verdade é que o rosto do dito cujo, quer gostemos ou não, é quase que onisciente. Quando menos esperamos, nos deparamos com algum maluco/a (?) com a cara dele estampada numa camiseta. 

Engula essa, seus capitalistas porcos! 

Viva la Revolución!

Che Vive!

domingo, 14 de maio de 2017

OBSESSÃO: A Guerra do Islã Radical Contra o Ocidente



Instrumentos de Satã: EUA, Israel e Ocidente.

Essa é a tríade demoníaca escolhida pelo islâmicos radicais para mitigar, ou até mesmo se eximir de seus problemas estruturais. O objetivo deles é a jihad (guerra santa). A educação antiocidental, lavagem cerebral e a doutrinação beligerante, há décadas vêm sendo inculcadas nas mentes das crianças e da população árabe em geral, para conquistar o mundo para Alá, o deus raivoso e biruta do Islamismo.

Este documentário já faz 11 anos que foi produzido. Em 2006, quando ele foi lançado, não havia o Estado Islâmico e nem o Boko Haram, o diabo da vez era o Osaminha Binbin, para os íntimos, que tinha mandado seus capangas atacar os EUA, anos antes. Apesar do tempo, Obsessão continua super atual. As coisas pioraram.

Nonie Darwish, filha de um terrorista já morto, revela:

“Alguns veem a situação atual no Oriente Médio como um choque de civilizações. Eu acho que é mais que isso, muito mais que isso. Acho que é uma declaração de guera do islã radical contra a cultural ocidental e a cultura judaico-cristã. E nós devemos saber disso. É uma declaração de guerra.”

Daniel Pipes, Ph.D em História na Universidade de Harvard, não mede as palavras: 

“Os muçulmanos [radicais] odeiam tudo que é diferente deles. Por exemplo, eles mataram mais de 100 mil argelinos, que não concordavam com seu pensamento sobre o islã.”

Para se ter uma ideia geral do quanto, nós ocidentais (principalmente EUA), somos “amados” pelos radicais de lá do oriente médio, aqui vai umas citações bem “delicadas” e “cordiais” dos nossos queridos muçulmanos, que como todos sabemos, adoram se suicidar para matar os seus desafetos:

“A morte mais honrada é aquela que se mata [os não muçulmanos]. E a morte mais honrada e o martírio mais glorioso são aqueles em que um homem é morto em nome de Alá” - Hassan Nasrallah, Hizbolah Secretary Geral.

“Quem pode dizer uma verdadeira palavra contra o jihad contra esses colonialistas? Casais jovens devem ser sacrificados. Gargantas devem ser cortadas e crânios esmagados. Esse é o caminho para a vitória.” – Saudi Cleric, Aed Al-Qami.

“Americanos são bestas na forma humana.” - Mamoun al-Timimi, Political Commentator.

“O que deixa Alá feliz? Alá fica feliz quando não-muçulmanos são mortos.” - Abu Hamza Al-Masri

Mas há uma ressalva importante: muitíssimos muçulmanos padecem e são mortos, caso se saiba que não aprovem a morte dos infiéis. Muitos não querem a guerra; não almejam a morte dos ocidentais.

“A maioria das pessoas não vê que os muçulmanos também são vítimas, pois se não concordam são mortos.” - Walid Shoebat, Former PLO Terrorist.

“Se um muçulmano ou árabe acreditar mesmo que o terrorismo árabe é terrorismo, ele pode falar isso publicamente? Ele será enforcado em sociedade muçulmana se disser que o Hamas é terrorista." – Tashibh Sayyed, Editor Pakistan Today.

Em contrapartida, os grupos terroristas estão se espalhando rapidamente pelos EUA e Europa. Usam a democracia existente nesses países, para decretarem a vitória de Alá sobre os governos britânico e norte-americano. A política de liberdade de expressão desses Estados, infelizmente, permite que imigrantes muçulmanos saiam dizendo abertamente em várias ocasiões que o fim dessas democracias está próximo, e que elas se tornarão nações islâmicas. É um mal silencioso, como diz um especialista no vídeo, é uma guerra sem representação estatal (país X contra país Y). A passividade dos centros de comunicação acaba ajudando a esses grupos extremistas a se espalharem ainda mais, visto que as mídias jornalísticas terminam dizendo que não há uma política global para destruição dos valores ocidentais.

A merda de tudo isso, é que tal passividade irresponsável já deu o seu veredicto na recente guerra mundial de 1939-1945, em que anos antes, o grupo nazista começou a adquirir poderes e arrancar territórios para si, e a Inglaterra e outros países europeus assistiram com cara de bunda ao crescimento de Hitler. O resultado de tudo isso já sabemos. De modo similar, há uma política de abrandamento do perigo que esses grupos representam.

Muçulmanos residentes que até então não tinham ideias criminosas de sair matando quem não segue o alcorão, podem ser recrutados por esses grupos, e de vítimas, por sofrerem lavagem cerebral, tornaram-se vilões ao virarem terroristas. Que essa bosta de ideologia assassina não dê as caras aqui no Brasil. Já basta os nossos bandidos.

Agora, quanto ao grande ódio que os palestinos nutrem por Israel e EUA, fui convencido até o momento, pois posso mudar de opinião, de que os palestinos são tratados que nem animais por Israel. Os documentários 5 CÂMERAS QUEBRADAS e 101 OCUPATTION me convenceram de que de um modo geral, os palestinos são as vítimas.

Diante da fragilidade do povo palestino e do povo árabe em geral, várias crianças são recrutadas para odiar tudo que não diga respeito ao islã. São ensinadas que Israel será destruído; que os valores ocidentais serão exterminados; e que o alcorão será o livro de todo planeta, para o engradecimento de Alá.

O terrorismo islâmico é uma realidade escancarada.

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Uma Voz Feminina na Reforma


ALMEIDA, Rute Salviano. Uma Voz Feminina na Reforma. São Paulo: Hagnos, 2010.

Passaram-se 5 séculos, e a Reforma Protestante sempre é lembrada, tendo como seus protagonistas e figuras importantes, as pessoas de Martinho Lutero (obviamente), João Calvino, Melancthon, Zwinglio e outros homens. Mas nunca, ou quase isso, se menciona o sexo feminino, como personagens chaves ou proeminentes no desenrolar dos acontecimentos que mudaram os rumos religiosos do continente europeu.

Rute Salviano Almeida, Pós-Graduada em História do Cristianismo pela Universidade de Piracicaba, vem preencher um pouco dessa lacuna existente. Esse é o seu primeiro livro, de três, enfocando a importância da figura feminina nos contornos da cristandade, posto que as mulheres não foram seres passivos no decurso dos eventos e incidentes surgidos na construção das identidades cristãs.

A história concentra-se, como diz a capa do livro, em Margarida de Navarra, irmã do poderoso rei católico da França, Francisco I. Margarida, ao contrário do irmão, tinha aderido ao protestantismo e tentou de todas as formas, diante das várias adversidades e entraves, fazer a nova doutrina ganhar terreno no território francês. Foi um trabalho árduo e desafiador.    

Naquele momento histórico-social, a França era uma nação mui rica e próspera. Sua população excedia e muito, praticamente todos os países europeus, inclusive Inglaterra e Espanha. Era produtora de vinho e trigo, exportando-os e fabricando vários tecidos e livros.

No quesito da moralidade, estava longe dos ideais cristãos. A ética bíblica estava longe do dia a dia dos franceses e da própria igreja.

 “A galanteria era imprescindível ao homem e o ardor sexual era louvado ao ponto de alguns homens cobrirem o sexo com uma peça chamada codpiece [tecido em couro para proteção e aumento do pênis]. Os noivos eram deitados em público em seu leito, na noite de núpcias, e na manhã seguinte todos voltavam para vê-los.” P. 29-30.

“O clero francês estava depravado quanto o restante da Europa. A igreja francesa também merecia censuras porque seu quadro religioso era terrível”. P. 31.

Jacques Lefèvre foi um dos pioneiros da Reforma na França. “Ele foi o primeiro católico no movimento reformador e o último dos reformadores no movimento católico, tornando-se um elo entre os tempos antigos e os modernos e operando a transição da teologia da Idade Média para a teologia da Reforma.” P. 34.

Ele até antecedeu Lutero em algumas coisas:

“A importância de Lefèvre no movimento da Reforma deveu-se também aos seus comentários bíblicos. O comentário dos Salmos foi publicado em 1509 e o das Epístolas de Paulo foi publicado em 1512, nos quais antecipou muitos dos ensinos de Lutero. Em 1523 publicou uma tradução francesa do Novo Testamento e em 1530 concluiu a tradução de toda a Bíblia”. P. 35.

Nesse momento histórico, as mulheres ainda careciam da dignidade que lhes é peculiar, como ser humano que são. O sexo feminino era rebaixado em todas as instâncias da vida religiosa, social, política, familiar e comunitária. Os papeis relegados as mulheres eram sempre de submissão e inferioridade. Os seus direitos eram apenas cuidar dos filhos e fazerem a vontade de seus maridos e pais. Educação para elas? Nem pensar. Nem mesmo o movimento renascentista lhes tirou dessa condição subalterna. Mas a Reforma Protestante foi de importância salutar na transformação da mulher na sociedade.

“O Renascimento não mudou essa condição porque foi um movimento essencialmente burguês que restringia as classes menos privilegiadas. A Reforma, contudo, começou a proclamar sua concepção de que todas as pessoas eram iguais e podiam ser seus próprios sacerdotes. Sendo assim, também as mulheres deviam estudar para obter um maior conhecimento das doutrinas bíblicas. Foi, portanto, o protestantismo que despertou a mulher para a educação.” P. 52.

Logicamente algumas mulheres fugiam do fatalismo imposto. E Margarida de Navarra é o exemplo do livro em foco. Ela nasceu em 1492, e seu irmão Francisco I, futuro rei da França, nasceu dois anos depois. Ela era uma mulher das letras, das artes, dos estudos teológicos, boa filha, irmã atenciosa, que sempre apoiou o reinado de Francisco I. Casou duas vezes, visto que ficou viúva aos 33 anos, casando depois com um jovem de 22 anos, que passou a ser rei de Navarra, um pequeno reino entre a França e a Espanha. Teve dois filhos, embora o segundo, um menino, tenha morrido com poucos meses. Sua primogênita, Joana, tornou-se uma intrépida defensora da Reforma.

Foi praticamente a rainha da França, devido a sua influência no reino, nos primeiros anos de Francisco I. Sabia conduzir com maestria os negócios do Estado, sendo diplomata, enfermeira de seu irmão, quando este esteve doente, embaixadora, supervisora do exército em tempos de batalha e conselheira.

“Margarida atraía para a corte francesa poetas, filósofos, teólogos e escritores que reconheciam nela não somente uma ‘patronese’ das artes, como também alguém com quem podiam conversar de igual pra igual.” P. 111.

Margarida destacava-se pelas muitas caridades que fazia ao povo mais pobre da França. E também aos que aderiam à causa protestante, que estavam sofrendo perseguições em seus respectivos países.

“Sua caridade não tinha limites e excedia sua renda. Quando qualquer caso de angústia  peculiar lhe era relatado, ia visitar os sofredores e os inquiria sobre a situação. Em caso de doenças, enviava seus próprios médicos para visitar os doentes. Também dava dinheiro e o que mais fosse necessário aos seus súditos carentes.” P. 127.

“Ela gastava a maior parte de sua renda com pensões para os pobres de seu reino, custeando uma pequena nação de órfãos, aflitos, idosos e decrépitos, cujas vidas sobreviveram por causa dela. Enviou grandes somas para os refugiados luteranos na Suíça e na Alemanha. Consigo mesma, cotundo, gastava muito pouco.” P. 128.

Com a fundação do Colégio de França, importante instituição para fazer frente à Sobornne, Margarida e seu irmão estimavam a presença do grande humanista Erasmo de Roterdã como diretor da escola, mas ele declinou o convite. Outra figura convidada foi o conhecido reformador Melanchton, mas este também não pôde ir. O pensamento de Margarida em relação à virgem Maria, a eucaristia, as missas, a predestinação, a justificação diante de Deus apenas pela fé, sua apreciação da literatura luterana causaram-lhe repulsa pelos sacerdotes católicos da Sobornne. Ela desejava uma igreja purificada, livre da imoralidade e longe da teologia escolástica. Porém, era muito mais tolerante que os católicos e os desafetos destes, os reformadores. Ela mesma abrandou sua estima por Calvino, por este ser muito dogmático e intolerante em questões doutrinárias.

Jacques Lefêvre foi quem inicialmente lhe inculcou as boas novas da Reforma. Ele por aderir as ideias luteranas passou a ser persona non grata pelos fanáticos da Sobornne, desesperados com o crescimento dos dissidentes.

“Talvez ninguém represente melhor os sentimentos que inspiraram o começo do movimento da Reforma na França como Margarida, porque, além de afetuosa, era cheia de coragem e entusiasmo. Ela ouvia avidamente a pregação de Lefèvre, Roussel e desejava aprender o caminho da salvação e cooperar na divulgação das ideias da Reforma.” P. 145.

Margarida juntou esforços para converter o rei e sua mãe, mas sem sucesso. Em várias ocasiões intercedeu a seu irmão para que prisioneiros religiosos acusados de heresia pela Sobornne fossem soltos, obtendo êxito em muitos de seus pedidos.

“[...] pode ser comprovado que a atuação de Margarida na defesa e proteção dos reformadores foi de grande valia para a causa da Reforma. Sua posição privilegiada concedeu os meios para atuar, porém foram a sua fé e compaixão que a motivaram a agir”. P. 151

Devido as suas ideias, escritos e alguns de seus livros serem conhecidos por todos, tentaram assassiná-la duas vezes. Ela foi uma exímia escritora e poetisa, que através da literatura expressava a sua fé em Cristo, dentro dos ideias reformistas. Em suas obras, não faltavam críticas a hipocrisia dos monges e abades católicos.

Depois da morte do rei, seu irmão, Margarida não viveu muitos anos. Faleceu em 1549, aos 57 anos de idade, depois de ter militado em favor da Reforma, enfrentando inúmeros momentos tempestuosos lhe que vieram. Sua morte foi muitíssimo lamentada poetas, eruditos e pelos mais pobres, que ela tanto socorreu.

Vale lembrar, que Margarida não foi nenhuma santa, mártir, e que foi sujeita a todo tipo de defeitos e paixões. Não teve uma vida perfeita. Humana simplesmente humana. Conquistou, acertou, errou... Foi conivente em muitos momentos com os erros de seu irmão, calando-se diante das injustiças cometidas. Mas seus feitos benéficos em favor dos reformadores perseguidos e dos pobres estão registrados como suas marcas indeléveis, frutos de sua convicção de que assim, o cristão deve se portar.