segunda-feira, 29 de maio de 2017

Livros Lidos (30)



McLaren foi bastante criticado nos últimos anos por propor um evangelho relativista e pós-moderno. Há cerca de 9/10 anos, ele relativizou a homossexualidade, pois tinha dúvidas se ela era pecado ou não. Sua dúvida acabou quando casou o seu filho gay com outro homem. Nem lembro muito bem do que fala este aqui. Só sei quando o li pensei: Que amontoado de confusão é esse! Muito confuso tudo que ele escreve. Ele mesmo reconhece isso. Não que os livros dos auto-proclamados ortodoxos também não o sejam muitas vezes.


O sistema dispensacionalista de hermenêutica da Bíblia é um dos mais bem sucedidos métodos de interpretação, no sentido de que é a linha majoritária no meio evangélico. Naturalmente, essa hegemonia suscitará fúria e críticas dos que não acreditam nessa linha de raciocínio. Pink ataca sem dó o dispensacionalismo, ou um espantalho dele.


Geralmente dizemos que Deus tem três atributos básicos. Onipresença, Onipotência e Onisciência. Este último (a Onipotência de certo modo, também) é reformulado pela Teologia Relacional, que diz que Deus não sabe exaustivamente o que acontecerá no futuro. Seria a versão tupiniquim do Teísmo Aberto, criado nos EUA. Gondim foi (e é) o grande proponente dessa teologia no Brasil. Nicodemus, um calvinista, logicamente repudia essa visão, visto que acredita que Deus determina tudo ativamente.


Peter Wagner é um dos grandes caciques da superstição evangélica norte-americana. Ensina um monte de besteiras sobre demônios, batalha espiritual e etc. O cara é loucão mesmo. Mas Humildade é um bom livro. A humildade é uma das virtudes mais difíceis de adquirirmos.


Palma é um dos maiores eruditos pentecostais. Neste livro, ele faz uma análise da controversa doutrina do batismo no Espírito Santo. Essa doutrina enfatiza o falar em línguas desconhecidas, como dádiva concedida por Deus, ao cristão que busca essa fonte de poder. Muitos eruditos evangélicos e católicos repudiam a interpretação pentecostal.   

domingo, 28 de maio de 2017

Livros Lidos (29)


Flew foi considerado o maior Filósofo ateu do século passado. Mas a coisa mudou. Depois de mais de 50 anos de reflexões filosóficas e científicas, ele finalmente veio a crer na existência de Deus. O Deus cristão? Não necessariamente. Ele virou uma espécie de deísta. No entanto, essa reviravolta causou um frisson enorme no meio acadêmico. A fúria de muitos ateus proeminentes, como Richard Dawkins, por exemplo. Dawkins até disse que Flew estava senil e, que por isso, chegou ao disparate de mudar de visão, depois de tantos anos militando contra a existência de Deus. Acusações de senilidade a parte, o fato é que o livro está aí. Nele, Flew revela o porquê da mudança. Se fosse o contrário, é claro que, os cristãos de um modo geral, entrariam em fúria contra o desertor da fé. É assim mesmo.


Jesus era um louco, um mentiroso ou o salvador? Para o apologista McDowell, baseado nessa tríade de C. S. Lewis, Jesus só pode ter sido uma dessas três opções. Neste livro, ele irá argumentar fortemente em favor da messianidade de Jesus, lançando vários argumentos pró-cristianismo e respondendo as objeções contra a historicidade da ressurreição física de Cristo, apoiando-se em estudiosos escolhidos a dedo, que ele não é besta, para “provar” o que deseja.  Tudo bem, em maior ou menor grau, todos fazemos isso.


Três figuras proeminentes do cristianismo protestante do século XX são biografadas, mostrando os seus caminhos até a fé cristã. C. S. Lewis, de longe o mais conhecido e importante; Charles Colson, importante apologista e com um ministério na restauração de prisioneiros; e o próprio autor do livro, que nos conta como ele veio ao cristianismo.


Hunt escreveu esse livro no formato de perguntas e respostas que incomodam e lançam dúvidas sobre a fé cristã. Olha, quando li esse livro em 2008, o capítulo que mais gostei, foi o capítulo sobre oração. Talvez se o lesse novamente, eu já não tenha a mesma impressão. O livro tem os seus méritos.


Hunt é conhecido por escrever livros longos e bem documentados, apesar de seus extremismos e idolatria pela nação de Israel. Este Um Apelo à Razão..., ele escreveu com muita preguiça, só pode. Livro fraco. Entretanto, quando o li, uma citação que ele faz, me chamou atenção. Um discurso do respeitado Paleontólogo Collin Paterson, em 1981, onde ele parece ser completamente cético a Teoria da Evolução. Mandei essa citação para um evolucionista conhecido na web, e ele me mandou um texto em inglês do TalkOrigins, explicando a distorção que os criacionistas fazem dessa palestra do Paterson.   

sexta-feira, 26 de maio de 2017

A Intolerância da Tolerância


CARSON, Donald. A Intolerância da Tolerância. São Paulo: Cultura Cristã, 2013.

"Longe de promover a paz, a nova tolerância está se tornando cada vez mais intolerante, fomentando a miopia moral, provando ser incapaz de engajar-se em discussões sérias e competentes sobre a verdade, deixando males pessoais e sociais inflamarem e permanecendo cega às percepções políticas e internacionais do nosso perfil cultural tolerante." P. 140.

Carson denuncia a (nova) tolerância como basicamente intolerante e incoerente. Para a (nova) tolerância, todas as ideias e ideologias se equiparam no mesmo nível. Portanto, ninguém pode abrir a boca e dizer que o outro está errado. As pessoas são sensíveis demais, podem se ofender. Naturalmente como Teólogo que é, ele leva esse problema para o campo da religião.

Podemos dizer que o islamismo, por exemplo, é uma religião e visão de mundo equivocada? Até podemos. Mas em certos círculos, onde a (verdadeira) tolerância deveria ser a mediadora no conflito de ideias, afirmar coisas contra Maomé, contra o Alcorão, pode jogar a vida acadêmica do Professor ou do estudante para o saco, sob a acusação de intolerância caso façam tal afirmação.

A coisa se inverteu. Em nome da tolerância (falsa tolerância, diga-se de passagem), na verdade o que tem prevalecido é a intolerância. Reformularam de tal modo o conceito de tolerância, que este perdeu o antigo e verdadeiro sentido.

A antiga ideia de Tolerância pode se resumir na frase erroneamente atribuída a Voltaire: "Posso discordar do que dizes, mas defenderei até a morte o seu direito de poder dizê-lo."

Agora o novo conceito é: "Você não pode dizer que a cultura árabe (ou qualquer outra cultura, religião...) está errada, visto que isso se caracteriza como ofensa e intolerância para com eles. Em nome da tolerância não toleramos que você abra a boca para afirmar que os outros estão errados. Você está sendo desrespeitoso."

Para quem pensa que isso é bobagem, Carson enumera vários exemplos recentes de cerceamento de opinião nas várias instâncias da sociedade de seu pais, os EUA e da Inglaterra. Tristemente as Universidades estão se tornando em antros de intolerância, que impendem o diálogo sincero de ideias.

É o pós-modernismo em ação, com a sua negação dos valores; da verdade; das metanarrativas...

É legítimo termos convicção de que nossa religião é a melhor

"Não há nada de errado em acreditar que sua religião monoteísta é a melhor, contanto que você viva de acordo com uma conduta moral e deixe que os outros pensem que a religião deles é a melhor." P. 18.

A Crença nos Absolutos atacada 

“A Declaração de Princípios sobre a Tolerância (1995) das Nações Unidas afirma: ‘A tolerância (...) envolve a rejeição do dogmatismo e do absolutismo’. Mas por quê? Uma pessoa não pode afirmar que determinado dogma seja correto, sustentando-o de modo absoluto e, ao mesmo tempo, insistir que os outros tenham o direito de sustentar opiniões conflitantes como dogmaticamente verdadeiras? Na verdade, a afirmação ‘A tolerância (...) envolve a rejeição do dogmatismo e do absolutismo’ não soa, de certo modo, um tanto dogmática e absoluta?

Thomas A. Helmbock, vice-presidente executivo da fraternidade norte-americana Lambda Chi Alpha, escreve: ‘A definição da nova tolerância é que todas as crenças, todos os valores, todos os estilos de vida e todas as percepções de afirmações sobre a verdade dos indivíduos são iguais (...) Não há hierarquia da verdade. Suas crenças e minhas crenças são iguais e qualquer verdade é relativa’. Se, porém, a nova tolerância considera todos os valores e todas as crenças como posições dignas de respeito, podemos razoavelmente nos perguntar se isso inclui o nazismo, o stalinismo e o sacrifício infantil - ou as respectivas posições do Ku Klux Klan e de muitos outros grupos de supremacia racial.” P. 22.

A Universidade e sua Intolerância

“[...] algo muito interessante é o modo como as universidades, historicamente os baluartes da liberdade de expressão e de pensamento, têm, em nome da tolerância, demonstrado uma intolerância impressionante”. P. 38. 

Tolerância e Intolerância é algo intrínseco as todas as culturas

"Toda cultura e toda era necessariamente mostra certa tolerância e certa intolerância. Nenhuma cultura pode ser tolerante ou intolerante com tudo: é simplesmente impossível. Uma cultura que tolera o genocídio (por exemplo, os nazistas) não tolerará, digamos, os judeus a quem deseja exterminar ou a prática homossexual. Uma cultura que tolera quase todos os tipos de relacionamentos sexuais poderá, no entanto, rejeitar, por exemplo, o estupro ou a pedofilia ou, em muitos casos, a bigamia e a poligamia". P. 53.

A Intolerância dos muçulmanos 

“É importante notar que, na maior parte dos países muçulmanos, e certamente onde quer que a sharia seja aplicada, os não muçulmanos podem se converter ao islamismo, mas muçulmanos não podem se converter a nada. Sempre haverá sanções e, nos casos mais rigorosos, a punição é a morte. A afirmação de que o islamismo em seu cerne é uma religião de paz e tolerância não se sustenta muito bem se uma pessoa aplicar este simples teste duplo: (a) Os membros do ummah, o povo muçulmano, são livres para se converter a outra religião sem temer punições? (b) Os membros de qualquer religião ou não religião propagam suas crenças [em países muçulmanos] de modo tão aberto como os muçulmanos o fazem?” P. 73.

“De modo mais geral, quando líderes mundiais temem a violência, atentados à bomba e homicídios generalizados por causa da perspectiva da queima de uma cópia do Alcorão, mas não temem que haverá violência, atentados à bomba e homicídios generalizados por causa da perspectiva da queima de uma cópia da Bíblia, o que isso lhe diz sobre os níveis de tolerância dessas duas religiões?” P. 74.

A Intolerância para com os judeus

"Será que precisamos ressaltar que o antissemitismo na Europa está tendo um retorno terrível e impressionante? O número de judeus agredidos (principalmente se estiverem usando solidéus ou são identificáveis de outra forma) e o número de sinagogas danificadas e, ocasionalmente, destruídas, tem aumentado significativamente. O Congresso Judaico Mundial afirma que hoje o antissemitismo na Europa é o mais acentuado desde 1945.

Alguns anos atrás, um grupo de nações da União Européia mostrou que cerca de 60% dos europeus acham que Israel é a maior ameaça para a paz mundial - não a Coreia do Norte, não o Sudão, nem o Irã. Isso resulta da confluência de fontes altamente diversificadas: o racismo ressurgente de estilo nazista da extrema direita, o antissemitismo econômico e político da extrema esquerda (Israel e os Estados Unidos como o inimigo comum) e o ódio religioso dos judeus encontrado entre boa parte da população muçulmana europeia crescente". P. 90-91.

A Tolerância não vem só do secularismo

“O mito não é que as pessoas seculares possam ser tolerantes, pois muitas vezes o são. O mito da tolerância secular é que a tolerância vem naturalmente à pessoa secular; enquanto a intolerância vem naturalmente à pessoa religiosa. O mito sugere que, devido à sua virtude de ser secular, a pessoa esteja, de alguma forma, imune à tentação de difamar e perseguir o 'outro'. Isso é um mito, no sentido vulgar de que é uma crença sustentada com frequência e sem fundação sólida; mas também é um mito no sentido técnico - um conto moral que apoia e alimenta a cultura e as crenças daqueles que o sustentam.” P. 95. - John Coffey, Professor de História Moderna na Universidade de Leicester, Inglaterra. 

"[...] o relatório 'Mapeando a Homofobia na Austrália', recentemente publicado pelo Austrália Institute, diz que 62% dos cristãos evangélicos são homofóbicos. Com base em quê? A pergunta feita às pessoas foi se elas concordavam ou não com a seguinte afirmação, 'Acredito que a homossexualidade seja imoral'. Caso concordassem, eram classificadas como homofóbicas. Em outras palavras, sem qualquer engajamento moral com as complexidades em torno da sexualidade humana, uma classe inteira de pessoas foi meramente rotulada com a vergonha suprema: intolerância". P. 132.

Liberdade de religião 

"Um extenso legado de reflexão argumenta que se a liberdade de religião é progressivamente aparada, é apenas uma questão de tempo para que a liberdade, concebida em sua forma mais abrangente, também seja progressivamente aparada. Não é por acaso que a liberdade de religião é muitas vezes chamada de primeira liberdade - não meramente em seqüência histórica, mas também em seu poder fundacional." P. 150.

A Tolerância dos cristãos

"[...] para sermos justos, se algum imã na Arábia Saudita queimasse a Bíblia, seria difícil imaginar grupos de cristãos em alguma parte do mundo procurando uma mesquita para botar fogo". P. 162.

Rejeitando o relativismo

"Temos - interpreto assim - razões boas, mas não infalíveis para nossas perspectivas; e outros, com crenças diferentes, pensam que têm razões boas, mas não infalíveis para suas perspectivas. E mesmo se alguns de nós tivermos perspectivas infalivelmente verdadeiras, não podemos convencer a todos desse fato. No entanto esse fato, o fato de que pluralismo epistemológico não nos leva, ou não deveria nos levar, a pensar que o ceticismo é verdadeiro ou mesmo que o relativismo, o primeiro primo do ceticismo, é verdadeiro." P. 168.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Livros Lidos (28)


Foi uma febre O Código Da Vinci, de Dan Brown. Depois de todo o frisson desse livro, começaram a aparecer no mercado editorial, outras obras dele. Inclusive, livros bem mais antigos. Não li O Código..., mas Ponto de Impacto, peguei de meu vizinho emprestado. E olha, adorei. Fiquei um pouco frustrado quando terminei ele. Queria mais. Li na época, um carinha que tinha dado seu parecer sobre Ponto de Impacto, e ele especulava que Dan Brown, esperto, escreveu o livro, já pensando numa futura adaptação para as telinhas do cinema. Acho que ele tem razão. Ponto de Impacto traz muita tecnologia, ação e o seu final é surpreendente. Uma história de tirar o fôlego. Vale a pena lê-lo.   


Este livro por mais que esteja desacreditado e tenha sido amplamente refutado, talvez seja o maior clássico da Ufologia do século XX. Impressionou-me a leitura dele, quando o li em 2007. Não tenho noção se todas as teses de Von Däniken foram devidamente refutadas. A despeito de ser considerado um bonachão pela comunidade acadêmica, ele ainda escreve, vende muito e sempre está dando seus pitacos em documentários sobre OVNIs na TV a cabo.


Uma maravilhosa ficção tendo como protagonista um dos Filósofos mais amados e odiados de todos os tempos. Tanto o livro como o filme são espetaculares. Vale o tempo gasto se debruçando neles. Esse também peguei de meu vizinho.


A Bíblia é a palavra de Deus? Se sim, ela não pode errar, certo? Precisa está isenta de erros de qualquer ordem, seja ele moral, científico, histórico e geográfico, não é mesmo? É exatamente isso que os escritores desse livro defendem. Cada capítulo foi escrito por um Teólogo protestante conservador, para defender a Bíblia como um livro perfeito. Ela é inerrante, segundo eles. Não contém erros de nenhuma espécie. Mas eles são rápidos em dizer que tal perfeição está contida apenas nos textos autógrafos, os manuscritos originais - textos que já se perderam há trocentos anos. Farão uma apologia abarcando várias áreas delicadas do texto bíblico, respondendo a questões linguísticas, arqueológicas, filosóficas e teológicas.


Archer foi um Teólogo com especialidade no Antigo Testamento que sabia falar quase trinta línguas. Um baita acadêmico. Sua enciclopédia tem a finalidade de corrigir muitos equívocos que geralmente se tem sobre os textos da Bíblia. Livro prático, porém, ele deixa a desejar em muitos temas abordados. Simplesmente não convence, apesar de toda a sua bagagem intelectual. Mas é sim, uma ótima obra. Vale a pena considerá-la. 

Livros Lidos (27)


Hanegraaf foi durante muitos anos presidente do Instituto Cristão de Pesquisas, instituição protestante norte-americana que tem por finalidade denunciar os erros, fanatismos, perigos e falcatruas das várias seitas e religiões que infestam aquele país. O próprio autor que lutou tanto contra os falsos ensinos, acabou aderindo as crenças que ele condenava. Neste ano, depois de flertar por cerca de uma década com a igreja católica ortodoxa, ele finalmente deixou o protestantismo para torna-se católico.

Mas quando ele escreveu esse livro, em 1996, estava longe de uma mudança tão drástica. O cristianismo evangélico estadunidense estava/está em crise, porque aderiu acriticamente os postulados da confissão positiva e da teologia da prosperidade. Milhares de igrejas agora ensinam que o verdadeiro servo de Deus, não pode ficar doente, e nem passar dificuldades financeiras. Fora outras aberrações teológicas.
Hanegraaf dá nomes aos bois, e não são poucos. Parece que eles apostaram entre eles, sobre quem ensinaria mais besteiras. Esse livro foi e é de salutar importância, apesar de seu autor atualmente ser tão sem noção quanto aqueles a quem criticou aqui.


Paulo Romeiro, pastor pentecostal, escreveu esse livro em 1995. É impressionante a quantidade de coisas bizarras que as igrejas evangélicas estavam ensinando naquela época. A coisa já estava muito feia. O engraçado é que são essas mesmas igrejas e povo que viviam criticando o catolicismo por este ser supersticioso.


Esse foi o terceiro livro de Romeiro abordando o tema da teologia da prosperidade em solo brasileiro. Fechando a trilogia com Super Crentes e Evangélicos em Crise. Um ótimo livro para quem entender um pouco do cenário pentecostal/neopentecostal em nosso país.


Primeiro livro que li sobre a teologia da prosperidade. Capa feia e que não chama nenhuma atenção. Mas o conteúdo é muito bom. Dificilmente um leitor honesto dará algum crédito as ideias propagadas pelos pregadores da riqueza e saúdes ilimitadas, depois que folheá-lo.


Uma onda que invadiu o meio evangélico brasileiro no final dos anos 1990 foi o tal do movimento G12, outra criação teológica maluca, porém, não veio da terra do tio Sam, mas sim, da América Latina, precisamente da Colômbia. Esse tal de G12 dividiu várias igrejas. Há troco de quê? De introduzir besteiras teológicas na cabecinha dos evangélicos. Esse livro, naturalmente é uma crítica a ele. Não é tão bem escrito, mas foi um dos primeiros textos a serem lançados contra o G12.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Livros Lidos (26)


Pense num circo de horrores. É este livro. Li num certo lugar, aqui na web, que um Psiquiatra aconselha as pessoas não lerem essa pérola de Rebecca Brown. Motivo? Várias pessoas ficaram com problemas psicológicos seríssimos, devido a leitura de Ele Veio Para Libertar Os Cativos. Posso dizer uma coisa com convicção: por mais que eu seja incrédulo ao conteúdo dessa obra, que considero mentirosa e fruto das loucuras e charlatanice da Brown, tenho plena empatia pelas pessoas crédulas - evangélicas bem bobinhas, diga-se de passagem, que o lerem. As páginas do livro têm o poder de impressionar quem vai lê-lo com mente já predisposta a acreditar. As superstições das igrejas pentecostais/neopentecostais, dos quais são a maioria dos leitores deste livro, já pavimentou o caminho para a aceitação dos absurdos ditos nele. É um conteúdo pesado, de fato, apesar de ridículo. A ideia que o livro passa é que o diabo e seus empregados têm um poder quase absoluto sobre tudo na vida. A natureza da realidade é está. Ontologia das mais precárias. Aí o crentelho que o lê, fica perturbado. Daria um assustador filme de terror.


Esse foi o segundo livro da Brown que li. Agora ela arranjou um comparsa para inventar mais mentiras. O livro é semelhante ao primeiro, aí de cima. Histórias e mais histórias que ela diz ter passado com as forças infernais. Felizmente muitas igrejas evangélicas não dão a mínima para o que ela diz. Eu dou. Aqui estou eu, escrevendo sobre essa merda.


Outro. Neste, ela começa falando sobre visões proféticas, que jura, que Deus lhe deu. Um ponto positivo é que num determinado capítulo, ela critica a teologia da prosperidade. Mas não compensa o caráter fantasioso e lendário de todo o resto.


Esse é hilário. Não que os outros também não sejam, para quem os lê como ficção, como os li. Mas olha as dicas da mulher e de seu marido. Ungir o seu computador com óleo de cozinha, caso não tenha o óleo ungido da igreja, para conter quaisquer avanços do diabo, que pode chegar na sua vida, pela web; o negócio é bloquear todos caminhos que o capeta possa usar para destruir a sua vida.


Esse aqui é antigo. Está no mercado editorial há bem mais tempo que os livros anteriores. Os autores relatam terem presenciando várias manifestações demoníacas, e defendem que a esquizofrenia é causada por espíritos malignos. Lasquem-se a Medicina e os estudos científicos. Uma das piores doenças mentais pode ser resolvida com orações de exorcismos.  

Refém do Diabo

Recentemente terminei um livro sobre os exorcismos do falecido padre Gabriele Amorth, a maior autoridade católica em expulsar o demônio das pessoas. Para não perder o costume, em complemento, temos neste documentário, a história do ex-jesuíta, o padre Malachi Martin, que descontente com os rumos do Concílio do Vaticano II, na década de 1960, vai para Nova Iorque, e nesta cidade, começa a escrever livros e fazer exorcismos. Ele já é morto, morreu em 1999. Mas deixou um legado para quem acredita que o diabo está mais vivo do que nunca e que está fazendo o seu trabalho de destruir vidas muito bem. Para conter o trabalho sórdido do inimigo de Deus e dos humanos é preciso estar preparado para expulsá-lo das pessoas que ele oprime e incorpora. Malachi Martin passou a sua vida ensinando que o diabo existe, o inferno existe, possessões existem. De acordo com ele, muitos, mas muitos padres mesmos, já não acreditam faz tempo, nessas coisas. Mas ele insiste: estão nas escrituras, Jesus falou delas.

Indo para o exorcismo propriamente dito: uma coisa facilmente percebida entre os exorcistas católicos é que eles dizem que suas sessões de exorcismos podem durar anos, meses, semanas, dias e horas com uma mesma pessoa. Dependendo do grau em que ela esteja envolvida com o mal, um exorcismo não adiantará muita coisa. Eles usam toda uma parafernália de objetos sagrados para auxiliá-los na hora de enfrentar o capeta. A água benta, crucifixos, livros com orações já prontas, estão entre os principais artefatos usados em seus rituais.

Em contraste, nas expulsões de espíritos malignos realizadas pelos pastores pentecostais, a coisa é bem mais simples, rápida e eficiente, caso o fiel cristão que irá expulsar o diabo, esteja em dia com Deus, mediante uma vida consagrada de oração, santificação e jejum. Se esses requisitos estiverem preenchidos, segundo eles, não há legião ou exército de demônios que resista, quando eles os expulsarem em nome Jesus. Dura minutos ou segundos, e a pessoa liberta, entregando a sua vida a Deus, não precisará de mais nenhuma sessão de exorcismo para obter sua cura total, pois já estará curada.

Percebe-se uma diferença gigante entre os dois grupos de soldados contra Lúcifer. O primeiro bem menos eficiente e moroso. O segundo, ágil e sem delongas em vencer o diabo. Em teoria, o grupo pentecostal parece estar numa maior sintonia com o que Jesus e os seus apóstolos realizaram no primeiro século. Não vemos nem Jesus e nem os seus discípulos demorando horas e até anos para libertarem as pessoas da possessão maligna, e pior, não há indicações de que os futuros exorcistas de eras posteriores teriam tantas dificuldades quanto os padres católicos têm para mandar os demônios para o quinto dos infernos.

Lendo o livro do Gabriele Amorth, vendo este e outros documentários produzidos sobre os exorcismos católicos, fica claro, que o demônio deita e rola com os padres e com as vítimas das quais estão possuindo, e que a coisa quase fica empatada, entre ele e Deus. Passa uma ideia de uma eterna luta entre o bem e o mal, em que nenhum no final das contas sairá vencedor. Sinceramente, é um deus fraco, o invocado pelos católicos.

Devo salientar que com isso, não estou legitimando e nem aplaudindo os supostos exorcismos praticados pelos pentecostais. Não lhes dou crédito. Apenas vejo uma discrepância enorme sobre o que Jesus e seus apóstolos fizeram e o que fazem hoje os padres com seus supostos enfrentamentos contra o mal.

Sou bastante cético em relação aos dois. Ambos os grupos já deram evidências de sobra do quanto representam muitas coisas tolas e imundas.

Com isso, não quero dizer que descarto a existência do mal. E nem descarto, que existam padres e pastores comprometidos que fazem trabalhos sérios de ajuda aos mais oprimidos. O demônio pode existir, mas não temos provas concretas dele e nem de sua atuação. Prefiro ficar mais alinhado com o ceticismo da comunidade médica e científica. Embora alguns, ou muitos desta comunidade já não sejam céticos quanto ao demônio, exatamente por passarem por sérias experiências que lhes deixaram sem outra alternativa. E há ainda a visão dos Parapsicólogos que dão uma visão alternativa aos fenômenos de possessão.

E pra não ficar só na crítica a igreja católica, ela é muitíssimo mais prudente que os evangélicos pentecostais, que adoram ver o demônio e sua atuação em quase tudo. O catolicismo tem muito mais cautela nessas questões, visto que dá muita importância ao que a Psiquiatria diz sobre doenças mentais. A igreja católica rejeita quase todos os casos de pessoas que lhes procuram dizendo que estão com o diabo no corpo, pois sabe que são pessoas que precisam apenas de tratamento psicológico e psiquiátrico. Pentecostais/neopentecostais, não, eles são apaixonados pelo chifrudo, adoram ter contato com ele. Eu também adoro: lendo e vendo documentários e filmes que falam dele.

terça-feira, 23 de maio de 2017

Livros Lidos (25)


Keneth Hagin é considerado o por muitos como o pai da teologia da prosperidade – visão teológica que alastrou-se pelo Brasil. Ele não conformado em ensinar besteiras, ainda inventou a história ou talvez, teve alguma alucinação, de que foi ao inferno. Melhor: quase entrou na morada do capeta. Acredita quem quer. Eu não acredito.

Mary Baxter ganhou muito dinheiro na venda de livros, onde ela conta que teve experiências espirituais incríveis, como a de que foi ao inferno e passou 30 dias nele. Este livro é um amontoado de mentiras e bizarrices. Ou essa mulher é louca (dada a alucinações); ou é uma psicopata desvairada, muito esperta, que sabia muito bem como manipular os evangélicos com estórias mirabolantes. Os evangélicos são tolos, que até hoje, este livro vende muito nas prateleiras das livrarias direcionadas a esse público. E eles ainda querem dizer que os católicos são supersticiosos. Às vezes é difícil saber quem é mais.


O autor deste aqui, foi outro que se propôs a ganhar muito dinheiro vendendo suas histórias da carochinha. O que espanta é uma editora se diz séria, se prestar a vender uma obra tão grotesca quanto esta. A Thomas Nelson, editora que publica essa porcaria, sabe que provavelmente vai tirar muito dinheiro dos otários, que consomem esse tipo de conto. Lembrando, que nunca gastei um centavo para ler tais livros. Li todos, sem pagar nada.


Esse pessoal não conformado, acabaram inventando histórias de que crianças tiveram revelações do mundo espiritual. Agora não é o autor do livro que teve essas revelações, mas crianças, que ele gentilmente se deu ao trabalho de compilar essas visões. O meio pentecostal/neopentecostal é campeão em produzir visões, profecias e revelações, sem nenhuma credibilidade.


Mais um pastor brasileiro, que eu chamaria de pastoreco. Só ensina superstições nesse livro. Até fotos de parentes mortos que colocarmos num porta retrato, para ele é uma brecha que damos ao diabo. Por aí, se nota o teor deste pequeno livro, que vendeu e que vende horrores nas livrarias evangélicas brasileiras. 

sábado, 20 de maio de 2017

Livros Lidos (24)


É impressionante que nos diversos povos antigos, que não tiveram nenhum contato entre si, seja aqui na América, seja na Ásia, África, ou Oriente Médio, existiriam mitos semelhantes sobre um casal que desobedeceu a deus/deuses e, que por tal rebeldia perderam as regalias que dispunham pela graça dos deuses. Richardson vê nessas fontes e relatos, evidências de uma história real antiga, que ele atribui a história de Adão e Eva na Bíblia. É o que ele chama de O Fator Melquisedeque, baseado num personagem obscuro da Bíblia, que é mencionado no primeiro livro do Antigo Testamento, o Gênesis. Todos os povos têm uma ideia do Deus único. Os princípios do Genêsis estão presentes em todas as culturas. É um livro muito intrigante. Uma abordagem diferenciada. 


Cuninghan foi o fundador de uma das obras missionárias evangélicas mais conhecidas do século XX e XXI, a JOCUM (Jovens Com Uma Missão). Suas experiências espirituais e como ele veio a abrir essa organização de missões são o tema desse livro.


Outro livro impressionante do missionário Don Richardson. Ele conta em primeira mão, como testemunha ocular, suas experiências com tribos canibais, que ele conseguiu converter ao cristianismo. Relatos fortes.


Lidório tem ampla formação em Antropologia, com Ph.D na área. É um cara que conhece bem o terreno das culturas, comportamentos, condicionamentos religiosos, sociais e políticos. É um missionário presbiteriano, que em 1994, se a memória não me deixa falhar, fez um trabalho de conversão ao cristianismo numa tribo da África, onde ele relata que o primeiro da tribo a abraçar a crença cristã, foi o feiticeiro dela. Ele conta também como foi o trabalho de tradução da Bíblia para o dialeto local.


O regime socialista de Pol Pot no Camboja foi muito cruel e desumano. Foi uma das páginas mais sangrentas e tristes do século. Algo feio, terrível e lamentável. Foi nesse contexto que os autores trabalharam nesse país, dando esperança ao povo que estava sendo massacrado e dizimado pelo exército do governo cambojano.

Os Fatos Sobre o Islã

 
ANKERBERG, John; BURROUGHS, Dillon; WELDON, John. 
Os Fatos Sobre o Islã. Porto Alegre: Actual Edições, 2012.

O Islamismo surge seis séculos depois do Cristianismo. Alega ser a verdadeira religião, aparentemente não negando as contribuições espirituais de Moisés, dos profetas do Antigo Testamento e de Jesus. A diferença crucial é que as bíblias usadas no ocidente foram adulteradas, dizem as autoridades religiosas muçulmanas. Para eles, Jesus foi um profeta importante, mas Maomé é o selo dos profetas. Ele é mais importante que Cristo e os demais.

O Islamismo vem crescendo vertiginosamente nas últimas décadas, ao ponto de uma grande cidade estadunidense ter mais seguidores de Alá, do que seguidores da religião cristã. Os autores trazem está informação:

"Em 1974, a França tinha uma mesquita; hoje são mais de mil e setecentas. Existem hoje mais muçulmanos que metodistas em Chicago". P. 13.

A maioria dos seguidores de Alá, não são terroristas, mas vejo com muito receio esse alastramento deles nos países ocidentais. A religião, seja ela cristã ou muçulmana tem a capacidade de transformar pessoas pacíficas em pessoas más, caso não sejam bem conduzidas. Eu creio que o islã tem um potencial enorme nessa questão.

Segundo a crença islâmica, todo muçulmano deve cumprir certas regras fundamentais, para quem sabe, ser salvo por Alá. Uma dessas práticas é ir pelo menos uma vez a cidade sagrada de Meca durante sua vida. A primeira vista parece ser um mandamento relativamente fácil e tranquilo, caso o fiel tenha condições financeiras e saúde para tal peregrinação. Todavia, a coisa não é tão simples assim, como revela o livro aqui resumido:

 "O quinto e último pilar é o haj [se o muçulmano não cumprir, o inferno é o seu destino], a peregrinação à cidade de Meca, onde nasceu Maomé. Todo muçulmano que seja física e financeiramente capaz tem que fazer essa viagem uma vez na vida (a menos que seja um escravo).

O Dr. Emir Canner, um ex-muçulmano convertido ao cristianismo e hoje é decano de um seminário, contou-nos o seguinte, numa entrevista:

'Aqui está um grande problema para os muçulmanos. Atualmente, mais de dois milhões de muçulmanos vão a Meca todos os anos e a cidade está completamente lotada e não tem como receber mais gente. A média de vida de um muçulmano é cerca de 70 anos ou menos. Supondo que não há repetição, ou seja, cada haj é formado por dois milhões de novas pessoas, então apenas 140 milhões de muçulmanos conseguirão visitar Meca durante aquele período de vida. Porém, existem hoje 1,4 bilhões de muçulmanos. Ora, se apenas 10 por cento conseguem fazer a viagem, que esperança os outros 1,2 bilhões de muçulmanos podem ter de ir para o céu?'" P. 17-18.

Naturalmente para os islâmicos, o seu livro sagrado, o Corão ou Alcorão, é uma obra inspirada sobrenaturalmente e perfeita naquilo que afirma, assim acreditam uma boa parte dos cristãos em relação a Bíblia, que dizem, não conter erros ou contradições de nenhuma espécie.

"[...] o Islamismo afirma que o Corão é a palavra de Deus literal, ditada a Maomé de forma sobrenatural pelo anjo Gabriel. Os muçulmanos acreditam que o Corão é perfeito e sem erro. O doutor Musa Qutub e M. Vazir Ali, ambos conceituados eruditos muçulmanos, afirmam categoricamente que o Corão é o único livro que 'resiste ao exame minucioso de todo o seu conteúdo, tanto no nível macroscópico quanto no telescópico, sem tropeçar em nenhum ponto'." P. 47.

Contrariando o que o Corão diz acerca de Jesus, sua contribuição é zero quando o assunto é a historicidade do homem que andou por Israel no século I.

"[...] é importante lembrar que nenhum estudioso do Jesus histórico que não seja islâmico usa o Corão como fonte de informações históricas sobre Jesus, os apóstolos ou os primeiros anos do Cristianismo. Eles sabem que o Corão não é confiável." P. 50.

Como as crenças muçulmanas são muito distintas do Cristianismo na sua quase totalidade, os muçulmanos rejeitam os cristãos, como adoradores do verdadeiro Deus, Alá. Tentam desacreditar a fé cristã apelando para os podres da cristandade ao longo da história. Sua apologia se resume a isto. Mas isso credencia automaticamente o Islamismo? Claro que não.

“Mesmo que os apologistas muçulmanos conseguissem contestar o Cristianismo, isso não provaria a veracidade do Islamismo. Ainda seria necessário que o Islamismo, por seus próprios méritos, provasse ser a revelação de Deus, de forma independente. E, como as provas não existem, é nesse ponto que os apologistas muçulmanos falham”. P. 53.

O livro sagrado do islã carece de toda e qualquer evidência razoável de que merece alguma confiança em suas afirmações. O texto foi adulterado, mudado e ressignificado.

“[...] o Islamismo não apresenta nenhuma evidência genuína de que o Corão é inspirado, além da afirmação do próprio Maomé de que foi inspirado por Gabriel”. P. 54.

A Bíblia também tem os seus probleminhas concernentes a Crítica textual, mas ela está muito à frente do Corão em sua importância histórica e teológica. Estudiosos que nem acreditam nela como palavra de Deus, admitem que ela foi preservada durante todos esses séculos.

Entretanto, os autores, cristãos bem conservadores, com certeza minimizam esses problemas. Na verdade, a maneira como eles defendem a Bíblia neste livro, parece até que partes dela não foram perdidas, ou trechos não foram acrescentados. Vale só mencionar o relato estranho do evangelho de Mateus relatando a ressurreição de vários santos, dizendo que eles andaram por Jerusalém, e que foram vistos por muitos. Se essa história bizarra foi acrescentada, porque não outras também? Mas concordo com os autores, quando afirmam que a integralidade da Bíblia foi preservada durante todos esses milênios.

“Textualmente, sabemos que a exatidão na transmissão do texto do Novo Testamento é de mais de 99 por cento, sendo a proporção de textos com variantes igual a 1%. Os especialistas em análise textual afirmam que não existe nenhuma doutrina cristã ou ensinamento moral baseado numa versão variante controversa, a maioria das quais é insignificante.” P. 67.

O corão passa longe disso. Será uma tarefa ingrata tentarmos encontrar acadêmicos não-muçulmanos que concordem com os defensores da preservabilidade dele desde o seu surgimento. 

Livros Lidos (23)


Richard Dawkins diz em seu livro Deus, um Delírio, que ele recebeu de “presente”, cerca de 6 milhões de exemplares dessa obra das testemunhas de Jeová. As pessoas com boas intenções, ingenuamente pensavam que um Biólogo treinado em Oxford, com Ph.D em Zoologia, iria se convencer através de um simples livro de bolso, de que a teoria da evolução está errada.

Não fui presenteado com 6 milhões de exemplares, mas pelo menos, ganhei um. Li e gostei de algumas partes. No entanto, como é costumeiro entre as publicações da Torre de Vigia, muitas citações foram tiradas de seus devidos contextos, passando a impressão de que o texto original citado apoiava de alguma forma a teoria criacionista. Cientistas são citados para corroborar a ideia defendida pelo livro de que a evolução é falsa, mas na verdade, eles quiseram dizer exatamente o contrário. Portanto, esse é mais um livro das testemunhas de Jeová não muito digno de crédito, apesar de ter algumas coisas aproveitáveis.


As testemunhas de Jeová são conhecidas por terem marcado a data da volta de Cristo e o fim do mundo por várias vezes consecutivas, contudo, como sabemos, deram com os burros n’água. Poderá Viver Para Sempre no Paraíso na Terra, na página 154, edição de 1989, da Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados (nome oficial da religião), diz o seguinte:

“Após chamar muita atenção para as muitas coisas que assinalaram o período de 1914 em diante, Jesus disse: ‘Esta geração de modo algum passará até que todas estas coisas [incluindo o fim deste sistema] ocorram.’ (Mateus 24:34, 14). A que geração se referia Jesus? Ele referia-se à geração de pessoas que viviam em 1914. As pessoas ainda remanescentes daquela geração são agora bem idosas. Contudo, algumas delas ainda estarão vivas de modo a presenciar o fim deste sistema iníquo. Assim, podemos ter certeza disto: Em breve haverá um fim súbito de toda a iniquidade e de todas as pessoas iníquas, no Armagedom.”

Estamos em 2017. Contam-se nos dedos as pessoas que nasceram em 1914. Elas têm entre 102 a 103 anos de idade hoje. A Torre de Vigia que não é nada besta, mudou há muito tempo essa sua crença sobre o fim do mundo, por terem sido tão malsucedidas em várias vezes em datá-lo. 


Outro livro que ganhei, e li. Algo de mais nele, além das costumeiras bobagens cridas pelas Testemunhas de Jeová? Nada além. Sempre repetindo o ano de 1914 como um marco fundamental na história humana, que eles teimam em dizer que Daniel profetizou sobre essa data. São teimosos.


Ganhei também. Li também. Bobagens e bobagens também. 


O primeiro, ou segundo livro que li das testemunhas de Jeová. Talvez o primeiro tenha sido um comentário do Apocalipse. Este aqui é um livro que eles davam a quem se interessasse em conhecer as suas crenças. Uma obra introdutória que já foi substituída.