domingo, 4 de junho de 2017

Primeiro Contato: Tribo Perdida da Amazônia


Em 2014 foram encontrados os índios de uma das últimas tribos incontactadas restantes. Silvícolas sem nenhum conhecimento do mundo exterior. Nunca tinham tido contato com a tecnologia moderna. Mas quis o destino que eles tivessem essa aproximação com o homem branco.

Uma riqueza para a Antropologia! Uma riqueza cultural! Um momento histórico super importante para a Etnografia.

A tribo Sapanawa com 34 índios foi contactada, na fronteira entre o Brasil e o Peru. O momento foi filmado. Situação muitíssimo tensa, de ambos os lados. Só uma palavra dita pelos indígenas os homens brancos conseguiram entender: Shara = Bom.

Encontro perigoso, principalmente para os índios, que estavam querendo pegar as roupas dos brancos, pois viviam nus na floresta. Queriam levá-las e usá-las. Os Antropólogos desesperados tentavam impedi-los, visto eles não tinham imunidade contra as doenças dos brancos.

“Os antropólogos sabem que tribos isoladas, não têm imunidade contra vírus comuns, tornando roupas e objetos um perigo real.”

Basta lembrar que quando os europeus chegaram nas Américas, trazendo as doenças comuns da Europa, milhões de índios nem precisaram ser mortos por eles, posto que as mazelas dos portugueses e espanhóis, como uma simples gripe, já era suficiente para matá-los. Dessa maneira não poucos vieram a óbito.

O encontro foi uma surpresa que causou um frisson em todo mundo. Nove meses depois do primeiro contato, a tribo dos Sapanawa já estava sob a proteção da FUNAI. Vivendo em maior segurança e com o apoio médico da organização, mantendo ao máximo possível a identidade cultural deles.

Alguns hábitos já não eram mais os mesmos. A tribo já estava usando sandálias, roupas, espelhos, deitados em redes, com machados e facas para caçar e etc. Isso descaracteriza a identidade cultural deles, fazendo-os perder os seus mais primitivos modos de lidar e viver com a natureza? Não segundo, eles próprios. O líder, por nome Xina, diz que eles não querem mais ficar nus. Ele diz que sentem vergonha.

As mulheres da tribo adoram usar roupas e sandálias. Elas se sentem mais seguras. O líder chega a dizer que eles nunca dormiam direito na selva. Quanto a comida, era extremamente escassa e difícil. Passavam até quatro dias sem comer.

O documentário lança a sua atenção para um grande problema de outra tribo incontactada, que tem atacado moradores numa região, no Peru. A coisa lá é bem complicada e delicada, pois o governo peruano tem uma lei que proíbe o contato e quaisquer ataques e revides a essas tribos. Mas ao mesmo tempo, os moradores ribeirinhos se veem desprotegidos, pois esses índios têm atacados suas moradias, roubando e matando gente. Não é fácil resolver isso.

Voltando a mutabilidade dos hábitos dos Sapanawa, o Antropólogo José Carlos Meirelles diz algo importante:

“Por que que os índios têm que estar dentro de uma redoma de vidro, a todo tempo com penas, cantando e dançando? Não adianta a gente querer que os índios fiquem imutáveis, sabe? Que mudem nunca. Claro que eles vão conhecer o mundo e mudar. É perigoso? É. Dá problema? Dá. Vai morrer índio? Vai. Vai ficar índio pirado? Vai. Mas isso assim que é, meu amigo. Assim é que é a vida. Eu vejo assim, e não vejo nenhum problema. Daqui a vinte anos, trinta anos, tem um sapanawa lendo, escrevendo, estudando em Rio Branco, na Universidade do Acre. Qual é o problema? Quem não se modifica na natureza, quem não se adapta, morre. É Darwin."

A Incoerência do Relativismo

Os relativistas dizem: “Não existe esse negócio de verdades absolutas, esse negócio de certo ou errado!” Essa afirmação é auto refutável, autodestrutiva, ou seja, não satisfaz os seus próprios critérios de validade! Afirmam exatamente aquilo que estão tentando negar! Os relativistas estão ABSOLUTAMENTE certos de que não existem ABSOLUTOS! A pergunta que se deve fazer a eles é esta: “Vocês estão ABSOLUTAMENTE CERTOS disso?” Eles ficarão num beco sem saída. Toda e qualquer resposta que eles derem será contraditórias.

Porém, alguns relativistas dizem que essa pergunta, é uma “pegadinha filosófica”, ou, um “jogo de palavras” que são destruídas pela Filosofia da Linguagem. Afirmam que a linguagem é limitada e produz paradoxos que leva a certas ideias não poderem ser expressas plenamente a não ser em longos e "resolutos discursos". Dizem que “as contradições do discurso são causadas pelo paradoxo linguístico”. No entanto, se essa pergunta é um “jogo de palavras, a afirmação “Não existem verdades absolutas...” também o É! Pois a pergunta segue a mesma estrutura gramatical que a afirmação, usando as mesmas palavras chaves. Meu amigo Amadeu Leandro (Licenciado em Filosofia na UFRN) acertadamente diz:

“O problema com essa contradição é que ela não se restringe apenas a uma contradição linguística, mas lógica. Ora, devemos lembrar que os nossos pensamentos são expressos pela linguagem. É na e pela linguagem que ocorre a transmissão do pensamento. Querer dizer e tentar evitar as contradições do discurso afirmando que essas contradições são frutos do paradoxo linguístico é um escapismo. O mais interessante é ver que quando os relativistas se veem em contradição eles jogam a culpa para a linguagem. Mas por que também não seguir o caminho inverso, isto é, atribuir aos paradoxos linguísticos quando eles não cometem contradição? Vamos também classificar de paradoxo linguístico o enunciado de que ‘as contradições do discurso são causados pelo paradoxo linguístico’. Além do mais, se essa pergunta for um jogo de palavras e por isso deve ser rejeitada, então pelo mesmo raciocínio o discurso dos relativistas também o são, e logo devem rejeitá-lo. Esse é o calcanhar-de-Aquiles do relativista: ao tentar refutar alguém, refuta a si próprio, caindo na própria armadilha.”

Ele continua:

“O relativista é contraditório quando nega a existência da verdade. Pois negar a verdade já é PRESSUPÔ-LA. É impossível alguém afirmar: “VERDADES NÃO EXISTEM”, se não acreditar na VERDADE dessa declaração. Negar isso é tão absurdo quanto o aluno que responde ausente enquanto o professor faz a sua chamada.

Com efeito, para um relativista rejeitar uma cosmovisão como falsa soa estranho. Um verdadeiro relativista jamais deve rejeitar a crença de alguém como falsa. Pois ao fazer isso, o relativista está supondo que o outro que adota um ponto de vista contrário ao seu, está errado, o que implica que o seu (a do relativista) é a certa. Mas aqui vai uma pergunta: como o relativista pode rejeitar uma crença de outra pessoa como falsa, se a verdade não existe? Um relativista para ser coerente com a sua filosofia deve aceitar todas as crenças, inclusive aquelas que ele discorda, como igualmente válidas, uma vez que não existe um padrão de verdade!

O relativista diz: “TUDO É RELATIVO.” Bem, se tudo é relativo, então não é verdade que tudo é relativo, pois essa proposição tem um ar de ABSOLUTA. Para falar a verdade, o grande inimigo do relativista são as suas ações. Pensam que verdades ou valores objetivos não existem, mas vivem como se eles existissem.

Só uma ironia: espero que os relativistas não discordem do meu argumento, já que não existem critérios fixos pelos quais possa discordar de mim. Na realidade, eles não podem dizer que o meu argumento está certo ou errado, já que não há padrões de verdade para fazer tal julgamento do meu texto.”

Outro amigo, Pedro Mendes, Licenciado e Pós-Graduado em Ciências da Religião na UERN, com perspicácia escreveu:

“Se ‘não existe verdade’, então a frase ‘não existe verdade’ não é verdadeira, logo, deve existir verdade. Se a ‘verdade é relativa’, a afirmação ‘a verdade é relativa’ também é relativa, o que implica haver uma verdade absoluta.

Se não há nenhuma verdade absoluta, mas somente interpretações dos fatos, a mentira também não existe, pois como pode a mentira existir sem a verdade? Não seria a mentira também uma simples interpretação dos fatos? Sem a absolutização da verdade, o bem e o mal são a mesma coisa, vistos por ângulos diferentes.

Dessa forma, a devota Madre Tereza de Calcutá e o tirano Adolf Hitler não passam de caricaturas humanas, frutos do seu próprio tempo. Em suma, a caridade e a bestialidade, seriam meras convenções humanas; a virtude e a piedade poderiam ser colocadas ao lado do ódio e da maldade, e tudo terminaria na mesma.

A verdade precisa existir, caso contrário, que sentido faz em dizer que o outro está errado? Por que se incomodar com as inverdades ou com as injustiças? Por que se chatear quando alguém toma o seu lugar na fila ou rouba ou seu sanduíche? Afinal, toda crítica que se faz ao outro não pressupõe uma verdade a priori? De outra forma, nenhuma crítica faria sentido, e nenhum juízo de valor aconselhável, você não acha? Anulando a verdade e a crítica, não estaríamos decretando com isso a morte do pensamento?”

Peter Lipton (Professor e Chefe do Departamento de História e Filosofia da Ciência na Universidade de Cambridge) diz:
                              
“Os filósofos não estão de acordo quanto a isto. Todavia, sou de opinião de que existem verdades absolutas. (…) Pode haver áreas em que não se possa chegar à verdade absoluta. Algumas pessoas diriam que as afirmações sobre questões éticas são desse exemplo; outras di-lo-iam acerca das afirmações sobre beleza. Porém, disto não se infere que não existam áreas em que há verdade absoluta.

Posto isto, a pergunta que se impõe é se dispomos de algum exemplo plausível de verdade absoluta. Eis um: «Há árvores em Portugal». Não é a frase mais excitante que imaginar se possa, concordo, mas é verdadeira, e não só para mim. É apenas verdadeira, absolutamente. Deixo-lhe a missão de descobrir exemplos mais interessantes.”

(http://www.paginasdefilosofia.net/page/92/ - Texto do livro de Alexandre  George, O Que Diria Sócrates, Gradiva, 2008, P. 37-39).

Norman Geisler (Ph.D em filosofia pela Universidade Loyola, membro da Associação Cientifica Americana, Sociedade Americana de Religião e da Sociedade Filosófica Americana) escreve:

“Existem muitas outras verdades sobre a verdade. Veja algumas delas:

•             A verdade é descoberta, e não inventada. Ela existe independentemente do conhecimento que uma pessoa tenha dela (a lei da gravidade existia antes de Newton).

•             A verdade é transcultural. Se alguma coisa é verdadeira, então ela é verdadeira para todas as pessoas, em todos os lugares, em todas as épocas (2 + 2 = 4 para todo o mundo, em todo lugar, o tempo todo).

•             A verdade é imutável, embora as nossas crenças sobre a verdade possam mudar (quando começamos a acreditar que a Terra era redonda, em vez de plana, a verdade sobre a Terra não mudou; o que mudou foi nossa crença sobre a forma da Terra).

•             As crenças não podem mudar um fato, não importa com que seriedade elas sejam esposadas (alguém pode sinceramente acreditar que o mundo é plano, mas isso faz apenas a pessoa estar sinceramente errada).
•             A verdade não é afetada pela atitude de quem a professa (uma pessoa arrogante não torna falsa a verdade que ela professa. Uma pessoa humilde não faz o erro que ela professa transformar-se em verdade).

[...]

Em resumo, é possível haver crenças contrárias, mas verdades contrárias é uma coisa impossível de existir. Isso parece suficientemente óbvio. Mas como lidamos com a assertiva moderna de que não existe verdade?

Uma afirmação falsa em si mesma é aquela que não satisfaz o seu próprio padrão. A afirmação — ‘Não existe verdade’ — pretende ser verdadeira e, portanto, derrota a si mesma. É como se um estrangeiro dissesse: ‘Eu não consigo falar uma palavra sequer em português’. Se alguém dissesse isso, você obviamente responderia: ‘Espere um minuto! Sua afirmação é falsa porque você acabou de falar em português!’.”

(GEISLER; Norman; TUREK, Frank. Não Tenho Fé Suficiente Para Ser Ateu. São Paulo: Vida, 2007. P. 36-37).

Dr. Mário Carabajal, Psicanalista Clínico e Presidente da Academia de Letras do Brasil, nos diz algo interessante:

Ao conhecer as verdades relativas, conhecemos também parte da verdade absoluta. Veja-se a teoria do átomo. Embora ela corresponda à realidade, não é completa. Não podemos dizer que esgotamos o assunto. Há muito ainda por conhecer sobre a natureza e a quantidade das partículas elementares que formam o átomo, sobre as causas que originaram sua mutabilidade, a ‘bola de fogo’ de César Lates... A atual teoria do átomo é uma verdade relativa, mas, ao mesmo tempo, ela contém graus de verdade absoluta em crescimento. Assim, a verdade relativa que conhecemos contém partículas da verdade absoluta, é um momento da verdade absoluta. O Pensamento Humano é, por natureza, capaz de conhecer a verdade absoluta que resulta da soma global das verdades relativas. Cada fase do desenvolvimento da ciência adiciona novas partículas a essa soma global de verdades relativas. A verdade absoluta está para a verdade relativa como o todo está para as partes.

(http://www.academialetrasbrasil.org.br/literoterapia.htm - Texto Introdução à Litoterapia)

No programa Café Filosófico da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, há alguns anos, Alípio Filho (Ph.D em Sociologia Université Rene Descartes, Paris V, Sorbonne) falou sobre A Concepção Construcionista da Realidade – visão predominante na Sociologia e Antropologia. Uma teoria que afirma que toda a realidade é um construto social; em outras palavras é a negação de verdades objetivas. Na sessão debate, um ouvinte lhe fez uma pergunta bastante capciosa, porém, uma pergunta que deitou por terra toda (ou quase toda) a teoria exposta pelo Alípio. A pergunta foi:

“Professor Alipío, eu queria perguntar se você não acha que essa posição construcionista não tem, vamos dizer, de base, uma posição realista na medida em que para perceber que a realidade é um construto, eu preciso perceber o que é a realidade em si. Então se ela não tem como fundamento uma percepção do real?! É isso.”

O questionamento de Anastácio Borges (Ph.D em Filosofia na Unicamp) mostrou a falácia do fundamento da Sociologia do Alípio (tudo é uma construção social). Ao longo de mais de 20 minutos, ele expôs a sua teoria de maneira clara e fluente (embora, às vezes, gaguejasse um pouco), contudo, quando se deparou com essa pergunta – gaguejou bastante e como resposta, disse que era uma questão importante, contudo, que o tempo era pouco para responder; falou sobre os pré-socráticos; nominalistas e naturalistas; admitiu que há uma base realista materialista, mas que essa realidade se dá através da linguagem... Enfim, fez uma explanação interessante, mas que não convenceu, ou, só convence quem já acredita ou quem está predisposto a crer nessa teoria.

Pois se tudo é uma construção social, por que os Sociólogos e Antropólogos fazem tanta questão de “provar” isso? Essa tese de que tudo é um construto, está mais para um postulado metafísico e dogmático que não pode ser provado. Pois se essa idéia for “verdade”, a própria afirmação (tudo é um construto social) também é fruto de uma construção social condicionada ao meio em que foi formulada! Não é uma afirmação OBJETIVA, mas construída socialmente. E, portanto, não tem mais valor do que a afirmação dos “reacionários”, “direitistas”, “religiosos atrasados”, de que nem tudo é uma construção social, de que existem absolutos morais, verdades objetivas e que se pode conhecer pelo menos parte da realidade em si. E, se, este for o caso, e É - por que esses Cientistas sociais, muitas vezes discordam veementemente quando são questionados pelos seus alunos em sala de aula? Não são raras às vezes, em que esses alunos mais perspicazes são tratados com desdém e ridicularizados por esses “intelectuais” contemporâneos.

O Filósofo Olavo de Carvalho percebeu uma ironia que acontece frequentemente quando se debate com os relativistas:

“Os sujeitos que menos toleravam objeções eram precisamente aqueles que mais proclamavam a relatividade de tudo e a inexistência de verdades absolutas”.


Ele está certíssimo! Eles acusam os veristas e moralistas de terem a mente fechada. Mas por que estes teriam a mente fechada? Por que não concordam com o relativismo e dizem que o mesmo está errado? Contudo, os relativistas, não concordam com o absolutismo verista e moral, dizem que os que abraçam essa visão não estão certos. Então pelo mesmo raciocínio, os relativistas teriam a mente fechada! No entanto, eles não admitem essa conclusão. Usam dois pesos e duas medidas. Mas não importa. A carapuça de mente fechada lhes caem muito bem. Não toleram nenhuma ideia que vá de encontro as suas teses relativistas. O que é um CONTRA-SENSO dos GRANDES, já que eles dizem não existir verdades absolutas ou objetivas. É interessante notar que muitos relativistas já escreveram longos textos, livros e artigos tentando “provar” a não-existência de verdades objetivas. Mas se elas não existem, pra quê se preocupar em convencer os veristas de seu “erro”? A maior prova de que os relativistas acreditam em verdades absolutas são seus extensos textos tentando negar a existência de tais VERDADES. Os relativistas só não querem admitir o óbvio.

PS: parece-me que a maioria dos Filósofos não estão a vontade em usar a expressão “verdade absoluta”, preferindo no lugar desta, “verdade objetiva”. Uns usam as duas expressões de forma intercambiável, como sinônimas.  

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Os Cientistas e os Seis Dias de Gênesis

Do Iluminismo do século XVIII para cá, cada vez mais estudiosos e pessoas comuns têm se revelado ateias, irreligiosas, agnósticas e anti-religião. Os tempos mudaram. Não vivemos mais em uma sociedade homogênea, onde todos diziam-se crentes em Deus, em Jesus, na Bíblia e na igreja. Esses fundamentos há muito tempo vêm sendo ridicularizados, questionados e abandonados. Nas universidades e Centros de Pesquisas são aonde mais se vê a indiferença pelo transcendente. Em alguns setores e departamentos universitários é generalizado o ceticismo e desdém pela crença em Deus. O passado com suas crendices ficou para trás. A Ciência possibilitou o conhecimento não completo e exaustivo, mas suficiente, para descartar qualquer metafísica sobrenatural em nosso mundo. Assim pensam, acredito eu, a maioria dos Cientistas e boa parte dos acadêmicos de outras áreas.

Considere o que diz Richard Dawkins (Ph.D em Zoologia na Universidade de Oxford), onde para ele, os cristãos estão desalentados e ansiosos para encontrarem Cientistas do primeiro escalão que creem em Deus.

“Fica cada vez mais difícil encontrar grande cientistas que professem sua religião ao longo do século XX. [...] O empenho dos apologistas para encontrar cientistas modernos destacados que sejam religiosos tem um certo ar de desespero, produzindo o som inconfundível de se raspar o fundo da panela. [...] Um estudo na importante revista Nature, de Larson e Witham, em 1998, mostrou que dentre os cientistas americanos considerados eminentes o bastante para serem eleitos para a Academia Nacional de Ciências (o equivalente a pertencer a Royal Society na Grã-Bretanha) apenas cerca de 7% acreditam num Deus pessoal. [...] O que é notável é a completa oposição entre a religiosidade do povo americano em geral e o ateísmo da elite intelectual". P. 140, 141, 142. (Deus, Um Delírio. São Paulo: Companhia das Letras, 2007).

Não acho que ele esteja de todo errado. Cientistas cristãos, encontraremos muitíssimos, tanto aqui, no Brasil, como nos EUA, talvez, na Austrália, e alguns na Europa. Mas digamos, a nata dos Cientistas, não são cristãos e muito menos teístas.

De qualquer maneira, a reação de um grupo pitoresco de Cientistas da Criação veio nos anos 2000, quando de saco cheio de ouvirem de prestigiados Cientistas, como Stephen Jay Gold (Ph.D em Paleontologia pela Universidade de Columbia), Ernst Mayr (Professor Emérito da Universidade de Greifswald), dentre vários outros renomados estudiosos do mundo natural, onde eles disseram que virtualmente nenhum verdadeiro Cientista, atualmente acredita na criação literal do mundo em seis dias, conforme relata o primeiro livro da Bíblia hebraica, o Gênesis. Os Cientistas criacionistas resolveram escrever um livro, onde pudessem reunir um bom número de cristãos fundamentalistas e treinados em Ciência nas mais diversas áreas, para refutar essa generalização.

John Ashton (Membro do Royal Instituto de Química da Austrália e do Instituto de Alimentos, Ciência e Tecnologia da Austrália) reuniu 50 Cientistas para desmentir as declarações feitas contra a fé nos seis dias da criação. Todos eles são crentes na existência de Deus. O Criador é o fundamento da prática científica, dizem eles. Não adianta os Cientistas ateus negarem esse alicerce, sobretudo, quando Deus é quem deu ao ser humano a capacidade de aprender sobre a natureza e seus maravilhosos mistérios.

Aqui vão as dezenas de declarações desses Cientistas incomuns, reunidas no livro Em Seis Dias, publicado no Brasil, pela Sociedade Criacionista Brasileira, entidade da Igreja Adventista do Sétimo.

Ariel A. Roth, Ph.D em Biologia pela Universidade de Michigan, membro da Sociedade Americana de Geologia e membro da Sociedade de Geologia Sedimentar.

“Eu acredito que a ciência não estaria enfrentando algumas das questões insuperáveis sobre a origem da vida [...] se não tomar uma abordagem tão estreita. Faria bem a ciência se ela voltasse a ter uma atitude mais aberta e ampla que tinha vários séculos atrás, quando os fundamentos da ciência moderna foram estabelecidos. Basta observar que cientistas como Kepler, Boyle, Newton, Pascal e Linn acreditavam em Deus como o Criador, que estabeleceu as leis da ciência.” P. 96.

Andrew Macintosh, Ph.D em Teoria da Combustão pelo Instituto de Tecnologia de Cranfield, na Inglaterra e Ph.D em Matemática pela Universidade do País de Gales.

“Eu acredito que é porque os seres humanos não querem prestar contas a um Deus Criador que eles persistirem com uma teoria [a da evolução] que tem pouca evidência para apoiar isso.” P. 162.

John K. G. Kramer, Ph.D em Bioquimíca pela Universidade de Minnesota, EUA. Bacharel e Mestrado em Bioquímica pela Universidade de Manitoba. Possui Pós-Doutorado pelo Instituto Hormel e pela Universidade de Ottawa.

“Eu acredito em um Criador, porque eu vejo os seus projetos na natureza em todos os lugares e as provas de inteligência no DNA de cada célula.” P. 49.

Bob Hosken, Graduado em Bioquímica pela Universidade de Western Australia, um Mestrado em Bioquímica pela Universidade de Monash, Ph.D em Bioquímica pela Universidade de Newcastle.

“Cada animal é, de certa forma, projetado especialmente para se ajustar ao ambiente específico em que vive. Não posso deixar de atribuir a complexidade de tal projeto a um Criador, em vez de a forças evolucionárias movidas ao acaso.” P. 121.

George T. Javor, (Ph.D pela Columbia University) leciona Bioquímica na Loma Linda University, Loma Linda, Califórnia, EUA.

“Quando afirmamos que o nosso mundo foi criado por um Criador, que implica a existência de uma mente que não só inventou a natureza, mas trouxe tudo à existência. A grandeza de um Deus tal não pode ser exagerada. [...] A diferença entre um crente do século 20 no final do Deus Criador e aquele que vive em 1500 aC, no tempo de Moisés, resume-se ao fato de que agora temos uma melhor perspectiva sobre a grandeza do Senhor.” P. 133.

Timothy Standish, Ph.D em Biologia pela Universidade da Virgínia, Charlottesville, Virgínia. Bacharel em Zoologia na Universidade Andrews. Professor de Genética na Universidade Andrews.

“Eu acredito que Deus fornece evidências de Seu poder criador para que todos possam experimentar pessoalmente em nossas vidas. Para conhecer o Criador não requer um grau avançado na ciência ou teologia. Cada um de nós tem a oportunidade de experimentar o Seu poder criativo em recriar o Seu caráter em nós, passo a passo, dia a dia.” P. 113.

Jonathan Sarfati, Ph.D em Físico-Química pela Universidade Victoria, em Wellington, Nova Zelândia. Possui Bacharelado em Química por esta mesma Universidade.

“Ao ver as obras maravilhosas de projeto no mundo, a pessoa intelectualmente honesta deve concluir que elas foram feitas por um grande Designer.” P. 75.

Henry Zuill, Ph.D e Mestre em Biologia pela Universidade Loma Linda, Califórnia. Possui Bacharelado em Biologia no Atlantic Union College.

“A biodiversidade é um poderoso testemunho sobre o Criador, que confirma Romanos 1:20: "A partir da criação do mundo, os atributos invisíveis de Deus, seu eterno poder como a sua divindade foram claramente observados no que ele fez.’” P. 67.

Jeremy L. Walter, Ph.D, Mestrado e Bacharel em Engenharia Mecânica na Universidade Estadual da Pensilvânia.

“[...] se um Deus Criador Todo-Poderoso existe, sua criação tem valor e finalidade puramente baseado em seu próprio conselho e vontade, e as suas criaturas seriam de especial valor e interesse para Ele. Sua onisciência garante projeto e conhecimento perfeito, e Ele poderia fornecer um padrão para tudo o que é verdadeiro. Como um ser amoroso e pessoal, é razoável que Ele deseja nossa comunhão e escolheu nos revelar os seus propósitos. A Bíblia afirma ser a Sua revelação especial, e ensina exatamente as verdades sobre Deus.” P. 18.

Jerry R. Bergman, Ph.D em Biologia Humana na Universidade de Columbia Pacific. Mestre e Bacharel em Psicologia na Universidade Estadual de Wayne. Mestrado em Sociologia na Universidade Estadual Bowling Green.

“Os cientistas, uma vez argumentaram que a vida era relativamente simples, que ela podia ser gerada espontaneamente [...]. Eles agora percebem que a célula humana é a máquina mais complexa conhecida no universo, muito mais complexa do que o computador mais caro. Essa percepção tem forçado muitas pessoas a concluir que a vida não poderia ter evoluído, mas deve ter sido criada instantaneamente como uma unidade em pleno funcionamento.” P. 37.

Todos estes são crentes convictos (pelo menos é a ideia que passam) na criação do mundo em seis dias literais de 24 horas há apenas alguns milhares de anos. Evidências eles têm? Bom, dizem que têm. Até apresentam algumas supostas provas para algo tão estranho a Ciência adotada pela comunidade científica majoritária. Mas seu principal motivo para tal, não é a Ciência. Ela é secundária, terciária, nesse caso. A Bíblia é a principal fonte para se afirmar que a natureza foi feita em seis dias. O raciocínio é simples: se a Bíblia é a palavra infalível de Deus, então o mundo da natureza não veio a ser o que é, por processos desordenados, e por meio da evolução. O Gênesis, segundo eles, é claro: Deus criou Adão e Eva e os animais em 144 horas. Portanto, está aí, a verdade sobre a origem dos seres vivos. Como eu já escrevi noutras postagens nesse blog, a Ciência é uma subserviente dessa pressuposição, quando eles vão estudar as plantas, as rochas, os animais e etc.  Todas as evidências, que, porventura venham encontrar, são automaticamente reinterpretadas para se adequar a sua visão FIXA.

Eduard Broudeaux, Ph.D em Química pela Universidade de Tulane e Professor Emérito da Universidade de New Orleans, resume bem, o pensamento dos cinquenta cientistas que escreveram Em Seis Dias:

“Finalmente, sou forçado a concluir, como manda a razão, que se a Bíblia é verdadeiramente a Palavra de Deus (como eu estou convencido de que é), então ela deve ser precisa em cada detalhe, incluindo o relato da criação em seis dias literais. A ciência me diz que a evolução não é, certamente, científica, enquanto a criação não está em desacordo com o que é verdadeiramente científico. Por isso, a criação é a visão mais aceitável das origens. A criação exige um ser sobrenatural, criador onipotente; e que a Bíblia é a única fonte convincente de que este Deus é o criador. Na verdade, é, então, o relato bíblico da criação deve ser preciso em cada detalhe, incluindo os seis dias de 24 horas para a conclusão do começo ao fim.” P. 197.

Junta-se a ele, Theo Agard, Médico e Ph.D em Física na Universidade de Toronto, Bacharel e Mestre em Medicina pela Universidade de Londres, que diz:

“Minha crença na criação sobrenatural deste mundo em seis dias se resume em grande parte, nos seguintes pontos: a teoria da evolução não é tão científica como muitas pessoas acreditam.” P. 197.

Fechando as citações, Andrew Snelling, Ph.D em Geologia na Universidade de Sidney, revela:

“Então, por que eu acredito no relato bíblico da criação por Deus ao longo de seis dias literais? [...] A razão é que a Bíblia ensina claramente a criação literal de seis dias e um dilúvio global, não só nos capítulos de abertura do Livro do Gênesis, mas também em todo o Antigo e Novo Testamento, inclusive sendo confirmada pelo próprio Jesus Cristo.” P. 265.

Se o livro quer passar a ideia de que existe uma controvérsia no meio acadêmico, quanto aos seis dias, ou quanto a evolução, só enganarão os desinformados. Fora esse grupo de 50 Cientistas, não existem mais do que duas ou três centenas deles mundo a fora. E a maioria nem são da área da Biologia, disciplina que realmente lida com os seres vivos, e que de fato importa para refutar a evolução das espécies.

Reiterando mais uma vez: Não sou evolucionista. E muito menos treinado em Ciência. Mas lúcido o suficiente pelas leituras fundamentalistas que já fiz até aqui, para rir dessa crença dos seis dias literais. A Bíblia pode perfeitamente ser interpretada de outra forma, mediante boa exegese dos textos sagrados. E se ela ensinar como dizem esses Cientistas os seis dias literais? Caso essa tenha sido a intenção do autor/autores de Gênesis, a resposta é simples: Numa visão científica, o primeiro livro das escrituras está errado e defasado, refletindo as crendices mitológicas do seu momento histórico.

Há elementos mitológicos no texto que não dá para serem descartados, impondo sobre ele nossa visão técnica e científica contemporânea.

As citações do Em Seis Dias foram um pouco adaptadas, por causa da péssima tradução feita. Parece que foi feita pelo Google Tradutor. Não falo da tradução da Sociedade Criacionista Brasileira, mas da versão que baixei no site MinhaTeca, da qual fiz uso.   

ASHTON, John F. Em Seis Dias: Por Que 50 Cientistas Decidiram Aceitar a Criação. Master Books, 2001. (Versão em PDF).

quarta-feira, 31 de maio de 2017

O Físico


Filme de primeira linha. História fantástica.

Idade Média, no século X na Inglaterra. Tempos sombrios para quem ficasse doente. A ciência médica era paupérrima, limitada, amadora e supersticiosa. Os barbeiros andarilhos (Médicos itinerantes) faziam coisas triviais, como arrancar dentes, decepar membros, usar sanguessugas.  Havia pouquíssimos conhecimentos sobre o corpo humano, sobre as doenças, suas causas e tratamentos.

Um barbeiro, por nome Bader, perambulava de cidade em cidade, oferecendo os seus serviços medicinais – ora fazendo algo de útil, ora dando golpes nos pobres doentes. Um garoto órfão junta-se a ele, passando a ser seu discípulo. O seu mestre quase fica cego, mas é curado por barbeiro judeu, que diz ter aprendido várias técnicas cirúrgicas com o melhor Físico (Médico) do planeta, que dá aulas no Oriente, a cerca de um ano de viagem da Inglaterra.

Rob, o protagonista do filme e pupilo do barbeiro pilantra, resolve ir estudar com Ibn Sina, o grande Professor que “tudo” cura. Converte-se malandramente em judeu, visto que na Pérsia, lugar para onde vai, cristãos não são tolerados de forma alguma. Depois de muito esforço e grandes dificuldades, consegue chegar em seu destino, sendo aceito para ouvir e aprender as técnicas do grande Físico.

Os problemas logo começam a aparecer. Primeiro, a peste negra que invade a cidade, trazida pelos seljúcidas, grupo de muçulmanos fanáticos e extremos, que não toleram os infiéis e nem os próprios seguidores do islã, que consideram relapsos. A peste negra causa muitas mortes, caos e alvoroço na cidade. Rob descobre que as pulgas alojadas nos ratos são as verdadeiras transmissoras da doença. Com esse novo conhecimento adquirido, ele, Ibin Sina, e seus colegas da escola de Medicina, conseguem acabar com a peste, pondo fim as mortes, que estavam acontecendo as dezenas todos os dias.

Rob ganha destaque diante de seu mentor, e questiona os ensinamentos engessados do próprio mestre. Sugere que os corpos sejam abertos, para que possam ser estudados. É aí, que a coisa complica. As três religiões monoteístas proíbem sob a pena de morte, a abertura de um corpo humano. Para eles, é o pecado da necromancia.

Nesse momento, não há como não associar o atraso medicinal e científico daquele momento histórico, ao fanatismo religioso. Teria o filme esse objetivo? Por causa de pudores metafísicos baseados em tradições puramente humanas, não se podia avançar nos conhecimentos médicos e, assim, melhorar a vida das pessoas. A religião frequentemente tem esse histórico negativo em suas páginas. O corpo humano só pôde ser explorado de fato, a partir do século XV, devidos as proibições ridículas da igreja católica, que até hoje continua a fazer discursos ilegítimos contra certas pesquisas e práticas médicas.

Rob pega escondido o corpo de um velho morto, abre-o e começa a anotar e desenhar o que vê. É preso e condenado a morte. O rei da cidade, livra-o. Quando os fanáticos seljúcidas estão para atacar a cidade e matar os infiéis, em conluio com um mulá (chefe espiritual muçulmano) que habita a cidade, o rei é acometido pela misteriosa “doença do lado”. Enfermidade que perpassa o filme do começo ao fim. Rob, Ibn Sina e um aluno judeu, graças ao conhecimento adquirido pela “necromancia” de Rob, extirpam a “doença do lado” do rei. Tal doença não é nada mais, nada menos, que a incômoda apendicite, que se não tratada logo, mediante uma cirurgia banal, leva a pessoa a morte.

De qualquer forma, os seljúcidas invadem a cidade e a tomam para si. O fanatismo e obscurantismo religioso, pelo menos nessa cidade, venceu. Rob foge e abre um próspero hospital em Londres.

É um ótimo filme, que pode trazer discussões amplas e importantes reflexões. 

Link dele completo no Youtube:

terça-feira, 30 de maio de 2017

Depois que o Pornô Acaba 2


“Você tem que sair do negócio antes que o negócio canse de você. E para muitas pessoas já vi o negócio se cansar delas antes mesmo delas estarem prontas, e isso é devastador.” – Lisa Ann, ex-atriz pornô.

Da década de 1970 pra cá, a indústria dos filmes pornográficos inundou o mercado, com todos os tipos de filmes, temas, variedades sexuais e fetiches. É até difícil pensar em algo que eles já não tenham feito. De filmes comuns, com penetração pênis-vagina, pênis-anus, a filmes verdadeiramente bizarros e nojentos. Não obstante, o foco de todos eles serem o sexo, a multiplicidade de práticas é gigante. Tudo para entreter os tarados de plantão.

Assim como no futebol, a carreira de atriz de filmes adultos não tem muita longevidade. A idade chega, o corpo com o passar dos anos, não é mais o mesmo. Como diz a citação acima, o negócio se cansa de certas atrizes, quando elas menos esperam. Para que o negócio, ou seja, os cafetões empresariais das produtoras de películas adultas, não descartem logo os pedaços de carne femininos contratados, muitas atrizes se poupam, pelo menos a princípio de fazerem sexo anal e/ou dupla penetração. As atrizes da velha guarda entrevistadas nesse documentário, se pouparam assim, para que tivessem uma vida longa nos sets de filmagens.

As atrizes que aparecem, vão desde os anos 1970, até anos recentes. Fizeram a festa de muitos marmanjos, punheteiros de plantão, que compravam ou alugavam as fitas VHS, para se matarem vendo as performances dessas lindas e apetitosas mulheres.  Algumas lamentam que o mundo pornô tenha mudado tanto. Na verdade, veem uma decadência sem precedentes no mercado, devido à internet, que joga tudo de graça para os usuários. Foi-se o tempo em que as atrizes eram bem remuneradas pelo árduo trabalho sexual.

Elas se arrependem de algo? Claro que sim. Mas nada fora do normal. Na mesma proporção que qualquer pessoa. Erraram, acertaram, fizeram merda, ganharam muito dinheiro, gastaram além do que podiam, umas foram mais sensatas, outras mais deslumbradas... Pode até existir pesquisas científicas que evidenciem que esse trabalho de exposição sexual traz problemas psicológicos sérios a quem se arrisca a trabalhar na área, mas pelo menos no documentário aqui, parece que todas as atrizes estão dentro do padrão de saúde psicológica. São felizes e infelizes do mesmo jeito que nós, seres humanos “normais”.

O objetivo não é julgá-las, mas ouvir suas histórias. Os puritanos por mais que odeiem esse ramo, têm que conviver com a realidade de que os filmes pornográficos são os mais vistos e apreciados.    

A contradição da indústria que é tão liberal e despudorada é que inúmeras vezes as atrizes tocaram na questão das filmagens inter-raciais, que muitas delas não fizeram. Ainda é tabu gravar cenas com pessoas negras. O racismo está presente até onde (em tese) ele não deveria estar. Uma atriz diz que não grava com negros - aí quando uma mulher dessa sofre preconceito e discriminação da sociedade, acha ruim e injusto. Vai entender o ser humano.

Depois que o Pornô Acaba 2 é um ótimo documentário.

Link para o resumo do primeiro:

Eu Sou Sun Mu


Moroso, parado, lento, enfadonho. Talvez reflita o que é a vida monótona e sofrida da parte norte da Coreia. Sun Mu é um desertor da Coreia do norte. Uma alma abastarda que conseguiu fugir do país, por um rio, chegando a China, e por sorte, durante uma semana, passando por todo o território chinês, passando pela Tailândia, chegou finalmente a terra da liberdade, a Coreia do Sul. Caso ele fosse descoberto como um desertor na China, seria deportado para a Coreia do Norte, visto que os dois países são nações amigas, socialistas e parceiras nos crimes contra a humanidade.

Sun Mu é um artista, um pintor, que retrata em suas pinturas e quadros, a realidade do que é a vida em seu país natal. Vida nada fácil e nada agradável. Vida de escravidão e submissão completa aos três ditadores comunistas/socialistas daquele país.

É um artista talentoso, que ainda no período em que esteve na Coreia do norte, já fazia suas pinturas e quadros, tudo dentro das regras impostas pelo governo norte-coreano. Ele conta que era/é estritamente proibido fazer quadros, ou pinturas do chefe do governo, o ditador. Numa certa ocasião, ele fez um desenho de Kim II-Sung, o primeiro ditador morto em 1994, que ainda hoje, os habitantes coreanos são obrigados a prestar-lhes reverências, adorações e homenagens. Sun Mu teve medo de ser pego e punido severamente pela blasfêmia de desenhá-lo. Felizmente não chegou ao conhecimento de ninguém, o infame desenho.

Sun Mu, agora livre, expõe sua arte pelo mundo, nas várias galerias que o convidam para expor o seu talentoso trabalho. Sua arte pode ser mostrada sem muitos problemas, como já foi, em exposições na Coreia do Sul, seu novo país, e noutras galerias de arte na Europa, por exemplo. Apesar dele preservar o seu rosto, sendo bastante discreto e cuidadoso, visto que nunca se sabe o que governo da Coreia do Norte pode aprontar.

Sun Mu recebe um inusitado convite para apresentar seus quadros na China, país nada amigável da liberdade, e conhecido por restringir criminosamente a autonomia de seus cidadãos. Ele aceita o perigoso convite. Os preparativos vão sendo feitos pelo seu contratante, um artista chinês, preocupado em divulgar em seu país, o que um “rebelde” norte-coreano tem a dizer através da pintura o que é o dia a dia de seu antigo país “abandonado”.

Os materiais vão chegando, a galeria aos poucos vai sendo toda decorada com os quadros de Sun Mu, os detalhes vão sendo discutidos e ajeitados. Um clima de tensão se instala entre o dono da galeria que convidou Sun Mu, e este. Ambos devem ser extremamente cautelosos. Estão preocupados, mas mesmo assim, resolvem ir em frente. Sabem que em Pequin, existem vários agentes da Coreia do Norte.

O dia D chega. A galeria é aberta ao grande público. Sun Mu está em Pequin com a sua mulher e suas duas lindas filhas pequenas. Teme por ele e por sua família. Não demora muito para que a galeria comece a causar um grande incômodo ao governo chinês. A galeria é fechada. As autoridades não chegaram a ver Sun Mu. O dono da galeria é coagido a prestar depoimentos por vários dias, e seu telefone é vigiado pela polícia.

O documentário tem um final feliz, no sentido de que Sun Mu não é pego, embora esse fosse um perigo real. E tomara que o dono da galeria não seja mais importunado pelo governo chinês. Na China basta você soltar um pum que não agrade aos governantes, para que seja feito de cobaia pelo Estado.

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Livros Lidos (33)


Jesus é de fato o salvador? Os autores defendem que sim. Mostrarão que várias profecias referentes ao futuro messias se cumpriram na pessoa de Jesus, no século I. As profecias citadas e explicadas neste livro, foram todas reconhecidas pelos judeus da antiguidade como messiânicas. Os autores recorrem a Ciência da Probabilidade para enfatizar que é impossível essas profecias terem sido cumpridas numa só pessoa por mera coincidência.


Este livro é uma resposta aos neo-ateus que vêm fazendo um  burburinho enorme mundo a fora dizendo que Deus é uma ilusão, mito, lenda, consolo para os fracos e etc. Esperava uma refutação mais bem elaborada. zacharias enrola muito no início. Mas tem coisas aproveitáveis.


Uma defesa bem fraca do cristianismo. Nada comparada as apologias do Geisler, Craig...


Livro muito bom, escrito por um Filósofo católico. É uma crítica ao secularismo e dogmatismo naturalista da Universidade de Harvard. O título é sensacionalista. Não há debate nenhum entre Jesus e Sócrates. O título no original em inglês é Sócrates encontra Jesus. Numa ficção muito bem articulada, Sócrates aparece na Universidade de Harvard e passa frequentar as aulas de Teologia dela. Tem contato com a história de Jesus e passa a fazer sérios questionamentos a teologia liberal do curso teológico.  


Livro introdutório para quem quer defender o cristianismo. O capítulo sobre A Crítica de Hume sobre a Causalidade e a Confiabilidade Básica do Senso de Percepção foi-me muito útil. Sprool ainda fala sobre a Lei da Não Contradição, Niilismo, Positivismo Lógico, Paradoxo, Causalidade, Mistério, Teologia Natural e etc. 

Livros Lidos (32)


O nazismo tinha uma estreita conexão com o ocultismo. A própria suástica, símbolo do partido nazista está vinculada as religiões pagãs. Centros budistas e hinduístas já usavam o infame símbolo. Houve uma substituição de Deus, sendo colocado Hitler em seu lugar. Não foram poucos os alemães que adoraram, idolatraram e consideraram Hitler como o Soberano. Neste livro vão sendo ligados os pontos que conectam o nazismo ao misticismo da nova era.


É claro que os autores são violentamente contra o aborto. Bíblia e Ciência são chamados a apoiar o seu ponto de vista, de que o aborto não deve ser uma opção para as mães. Segundo eles é assassinato; é pecado; é atentar contra a vida de um inocente indefeso. Ponto final.


Outro livro sobre o aborto. Nenhuma argumentação fora do padrão. Tudo bem trivial e incompleto.


Pensava eu que esse livro defenderia a malandragem da cobrança dos dízimos. Contrariamente, o autor mostra-nos que essa cobrança descarada está completamente fora do ensino da Bíblia e apela para a história dos primórdios do Cristianismo para evidenciar que a taxação do dízimo não era prática nos primeiros séculos da igreja.


Rob Bell, um conhecido evangélico norte-americano andou dizendo coisas sobre o inferno que não condizem com o ensinamento tradicional cristão sobre ele. Os autores escreveram Apagando o Inferno para refutar as suas declarações pouco ortodoxas. Curiosamente os autores rompem com a visão tradicional de como será a punição dos infiéis. Sempre ouvimos que os suplícios sofridos pelos rebeldes será numa fornalha que não se apaga nunca. Porém, eles reinterpretam os textos da Bíblia para afirmar que as chamas do inferno não serão literais.  

Livros Lidos (31)


Mais uma carrada de histórias inverossímeis e descabidas, contadas por esse casal. Mas evangélico pentecostal/neopentecostal é um bicho supersticioso ao extremo. Esse tipo de livro é venda na certa.


Umas das crendices existentes no meio pentecostal/neopentecostal é a crença de que maldições podem ser passadas pelos nos antepassados. O capeta inoportuno passa a encher o saco dos filhos, netos, bisnetos... Para se livrar, obviamente, Emerich tem a solução. Ao contrário dos vários livros sem embasamento bíblico-teórico escritos para defender a realidade das maldições hereditárias, Heranças do Passado é uma baita pesquisa exegética bem escrita e bem persuasiva. Emerich é habilidoso. Sabe dialogar academicamente sobre o tema, tendo destreza sobre sua apologia das maldições.


Outro que li que é pura besteira. Tudo é o demônio. Ele é um ser onipresente. Esse tipo de livro é um câncer no mercado editorial.


Neste livreto, o autor passa-nos um panorama de quem é o chifrudo. Livro simples, objetivo. Só lembrando que a figura de Satã não é muito bem desenvolvida no Antigo Testamento.


Outra modalidade de crença sobre espíritos malignos é que certas regiões geográficas podem ser habitadas por demônios específicos. Cemitérios, casas, florestas, montanhas... Alguns textos bíblicos pauperrimamente interpretados e histórias inverificáveis são a sustentação a essa crendice.