segunda-feira, 3 de julho de 2017

Documentários Vistos (13)


Esse é de longe o melhor documentário feito sobre o êxodo dos hebreus - história narrada nas páginas da Bíblia. A cronologia egípcia bate com a história de Moisés e da saída de Israel do Egito? Existem boas evidências de que os relatos bíblicos estão ancorados em fatos históricos? Esse documentário dirá que sim! Mas para quem pensa que os estudiosos que defendem a veracidade histórica do livro sagrado, são necessariamente cristãos ou judeus, terão uma surpresa inusitada aqui. As evidências arqueológicas apresentadas são persuasivas. Impressionaram-me.




O único defeito é ter apenas 24 minutos de duração. Tema espinhoso, de embrulhar o estômago: a morte. Pessoas em situações críticas nas UTIs, respirando através de aparelhos, tubos, sem poderem expressar suas vontades, dores, sofrimentos... O que fazer? Desligar os aparelhos e deixarem que as pessoas morram, é o ato mais humano a se fazer? A eutanásia pode ser considerada moralmente correta em alguns casos? Eu acredito que sim. Em momentos como esses, creio que a fé em Deus é uma centelha de conforto em meio a tanta dor, mesmo sabendo que as orações não irão fazer nenhuma cura milagrosa.


“Trinta por cento dos britânicos já usaram drogas ilegais. São 15 milhões de pessoas. Três milhões ainda usam. E um milhão têm problemas com drogas. Um milhão de criminosos desnecessários com quem o governo está em guerra”.

A mesma política antiquada de guerra as drogas que ocorre nos EUA, acontece na Inglaterra. Umaestratégia que se mostrou completamente ineficaz. Mas a não legalização das drogas têm as suas vantagens financeiras para quem está no topo. A descriminalização das drogas em Portugal, implantada em 2001, mostrou-se promissora. Documentário esclarecedor, produzido por Russel Brand, um apresentador e colunista britânico, muito conhecido em seu país, que já foi um viciado, e também foi casado com a cantora Katy Perry.


A semelhança do documentário Quebrando o Tabu e outros similares, esse é outro que apresenta argumentos contundentes a favor da legalização da maconha. Fica difícil defender a mesma política usada há décadas, que nada adiantou. Os argumentos e fatos mostrados são simplesmente demolidores. São duas horas de uma avalanche de provas difíceis de serem contraditas. Nota 10! Recomendado e aplaudido.


Devido ao sucesso do primeiro documentário Hot Girls Wanted (Garotas quentes), a Netflix que não é nada besta, resolveu fazer uma série com seis documentários retratando os bastidores do mundo dos filmes pornos, com menininhas de 18, 19, 20 anos. Putaria sempre dá audiência, né? Nessa série, não apenas a pornografia é retratada, mas também, os novos modos de relacionamentos amorosos, proporcionados pelos aplicativos de namoro, como o Tinder, Bumble (este segundo nunca tinha ouvido falar - vou baixá-lo). Quem nunca usou uma vez na vida (ou várias), o Tinder, o Badoo, o Adote Um Cara, o Happn, né não? O sexto episódio da temporada foca num caso que teve grande repercussão, onde uma jovem de 18 anos, filmou ao vivo um estupro, no aplicativo Periscope (também existe esse?), e no afã de ganhar muito likes e notoriedade, nada fez para que o estuprador parasse. Em troca de likes, deixou que sua amiga fosse violentada sexualmente.

Fé e Descrença: O Drama da Dúvida na Vida de Quem Crê


TUCKER, Ruth. Fé e Descrença: O Drama da Dúvida na Vida de Quem Crê. São Paulo: Mundo Cristão, 2008.

“Em minha própria peregrinação espiritual, que começou na infância, a dúvida e a fé têm coexistido. Não é uma condição que escolhei para mim, e não é algo que eu possa eliminar – nem necessariamente o desejaria”.

Que livro! Que livro! Que livro!

Ruth Tucker (Ph.D em História pela Northern Illinois University) brinda os leitores com essa obra diferenciada que analisa o papel da descrença na vida de quem crê. Revelando que a dúvida pode ser (e tem sido) uma parceira constante na caminhada de quem afirma acreditar em Deus (tendo em mente o deus judaico-cristão). Ela não alivia a sua própria peregrinação de fé, admitindo que a crença e a descrença andam lado a lado em suas caminhada, e que continuará assim. Vários místicos são trazidos a baila, demonstrado que os mesmos também tiveram as suas “noites escuras da alma”.  

Onde Deus está?

"Onde está Deus na vastidão do universo? Onde está Deus entre os bilhões de estrela e bilhões de anos-luz e bilhões de pessoas deste planeta? Respostas fáceis soam vazias. A fé serena, infantil de anos passados parece insuficiente em face das descobertas científicas que com demasiada facilidade atiram Deus num buraco negro. Quando contemplo o céu noturno, às vezes me pergunto se minha fé não é uma ficção de minha imaginação". P. 15. 

Parece que a fé não é de todos.

“Não há respostas fáceis para a pergunta de por que para uns acreditar é algo tão natural como respirar e para outros é uma luta emocional e intelectual que no fim não vale a pena”. P. 30.

São desonestos os ex-crentes?

“Dizer que as pessoas que lutam com dúvidas ou abandonam a fé são rebeldes ou desonestas simplesmente não está de acordo com os testemunhos”. P. 30.

A maior questão de todas:

"Quem é Deus? Essa é a pergunta fundamental relacionada à crença e a não-crença. Quem é Deus? Onde está Deus? Que afinidade Deus tem com os seres humanos? Essas perguntas e questões desafiam teólogos, filósofos, sociólogos, psicólogos e uma multidão de outros especialistas". P. 59.

A "noite escura da alma":

“Há um tipo especial de dúvida sobre a qual eu nada sei – a não ser por meio de minhas leituras, é a dúvida e escuridão que muitas vezes acometem os místicos e os que se entregam à meditação, aqueles que dedicam à vida à busca de Deus e que, no processo desse empreendimento, vão muito fundo ou atingem grandes alturas e acabam chegando a um lugar onde encontram o vazio e a escuridão. Há também aqueles cristãos que atingem uma escuridão espiritual acompanhada de depressão psicológica. Essas experiências muitas vezes são descritas como a noite escura ou simplesmente a escuridão da alma”. P. 69.  

Até João Batista, precursor de Jesus teve dúvidas.

“Sempre que minha fé está fraca e eu duvido da verdade da mensagem do evangelho, conforta-me saber que não estou só. Encontro companhia mesmo entre os ‘gigantes’ da Bíblia, inclusive João Batista.” P. 86.

Eis um caso extremamente intrigante. João Batista que teve dúvidas acerca da messianidade de Jesus, mandou que seus seguidores perguntassem a ele, se de fato ele era o Cristo. Jesus obviamente respondeu que sim – ele era o Cristo de Deus, enviado para salvar o mundo. Em vez de Jesus criticá-lo por isso, Jesus não o viu com olhos condenatórios. Pelo contrário, os maiores elogios que Jesus fez a uma pessoa, foram dirigidos a João, logo após esse ocorrido. Em Mateus 11. 7-11 está escrito:

Enquanto saíam os discípulos de João, Jesus começou a falar à multidão a respeito de João: "O que vocês foram ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento?

Ou, o que foram ver? Um homem vestido de roupas finas? Ora, os que usam roupas finas estão nos palácios reais.

Afinal, o que foram ver? Um profeta? Sim, eu lhes digo, e mais que profeta.

Este é aquele a respeito de quem está escrito: ‘Enviarei o meu mensageiro à tua frente; ele preparará o teu caminho diante de ti’.

Digo-lhes a verdade: Entre os nascidos de mulher não surgiu ninguém maior do que João Batista; todavia, o menor no Reino dos céus é maior do que ele.

A Ciência e a Filosofia, a dupla destruidora da fé:

"Mais talvez do que qualquer outra área de especialização acadêmica, a ciência e a filosofia têm o potencial de abalar as próprias fundações da fé. Vemos isso como um fato histórico observando como cientistas e filósofos, um após o outro, abandonaram a fé em que foram criados". P. 101.

O persistente problema do mal:

“Questões relativas à natureza e bondade de Deus e o problema do mal (teodicéia) estão entre as razões mais frequentemente citadas para abandonar a fé. Por exemplo, como é possível que um Deus bom – um Deus todo-poderoso – deixe Hitler exterminar milhões de judeus, ou que um terremoto mate dezenas de milhares de pessoas na Turquia, ou que terroristas assassinem milhares de pessoas nos atentados de 11 de setembro de 2001?” P. 122.

O mal praticado pelos seres humanos, me deixa muito mais de cabelo em pé, do que o mal natural, como os maremotos, doenças e etc. 

A incerteza da existência de Deus:

“A questão principal que me atormenta consciente e inconscientemente ao longo de toda a vida: a existência de Deus.” P. 140.  

Vários são os motivos que aparecem para manter as pessoas descrentes ou crentes, eis alguns:

"Perder a fé é um modo de reagir ao silêncio de Deus diante da dor e do sofrimento. Outros buscam aceitar o que teológica e filosoficamente está além da compreensão humana. Outros há que cerram os punhos contra Deus, consumidos mais pela raiva do que pela descrença. E, por mais incrível que pareça, alguns sentem a presença de Deus numa medida ainda maior durante períodos de grande perda e dor - quando Deus pareceria calar-se a respeito de sua dor. Para outros ainda, o aparente silêncio de Deus provoca uma paralisante incerteza acompanhada de uma determinação de manter-se na fé." P. 159.

Para uns (a maioria, na verdade), apesar de tudo, crer em Deus é algo compulsivo:

“Quando observo este gigantesco mundo intricado, não posso acreditar que ele aconteceu por acaso. Não quero dizer que tenho alguns bons argumentos a favor de sua criação e que acredito neles. Quero dizer que essa convicção surge de dentro de mim de modo irresistível quando contemplo o mundo. A tentativa de eliminá-lo não funciona. Quando ergo os olhos para os céus, não consigo crer que eles não declaram a glória de Deus. Quando olho para a terra, não consigo levar a bom termo a tentativa de crer que ela não mostra a obra das mãos dele.” P. 161. - Nicholas Wolterstorff, Ph.D em Filosofia na Universidade de Harvard.

Mais uma vez o problema do mal:

“O problema da dor e do mal é o terreno de todas as batalhas pela crença. Quer o mal seja percebido como uma ocorrência aleatória, quer seja perpetrado por Hitler ou por um evangelizador da televisão, é simplesmente natural que alguém se pergunte por que Deus não o impede. A única pergunta que realmente vale a pena fazer é ‘Que diacho está acontecendo aqui?’. Nenhum ponderado filósofo ou teólogo tem a resposta. A melhor reação é não dar resposta alguma.” P. 171.

É um livro infinitamente rico. Os trechos aqui citados são só a ponta iceberg. Só lendo toda a obra para ter noção da extensão de tudo que ela trata em suas páginas.

Uma sinceridade que falta em 99% dos escritores religiosos. Tucker não tem pudor em revelar a sua vulnerabilidade. Pena que é um livro que saiu do catálogo da editora Mundo Cristão. Enquanto que muitas porcarias continuam sendo publicadas por ela. 

segunda-feira, 26 de junho de 2017

O Poder de Jesus: O Sacrifício


Alguns dos motivos que esse documentário enumera dos hábitos e crenças dos primeiros cristãos que iam contra os princípios do Império Romano:

- Não sacrificar aos deuses romanos;
- Reuniões cristãs secretas;
- Práticas estranhas aos olhos do Estado e da população;
- Separação de famílias pela conversão;
- Comportamento proselitista agressivo, dizendo que os deuses romanos são imorais.

Tudo isso somado, não poderia passar em branco pelo governo de Roma. Os cristãos podiam ser cristãos, contanto, que também fossem "romanos", aceitando praticar as diretrizes básicas das autoridades. E aí estava o problema. Como eles podiam participar dos sacrifícios de animais de uma religião politeísta, quando o seu salvador e Deus (Jesus) tinha morrido de uma vez por todas para salvá-los?

Agora, houve exagero, e ainda há, no número de cristãos que muitas vezes ouvimos que foram martirizados pelo império. Passa-se a ideia de que desde o seu surgimento, os cristãos foram implacavelmente perseguidos, mortos, torturados e intolerantemente esmagados pelas autoridades do grande império. Quando na verdade, muitos foram os períodos de paz e convívio tranquilo entre os primeiros crentes e o governo, onde milhares de cristãos viveram calmamente a sua fé, sem serem perturbados.

Assim como há um aumento injustificável do número de pessoas mortas pela inquisição católica, há também, fruto de uma propaganda cristã enganosa no passado - um mito de que muitíssimos e muitíssimos seguidores de Jesus foram martirizados pelo império romano em seus primeiros séculos.

Houve sim, momentos de intensa perseguição, mas não como nos é geralmente passado. Não há documentação histórica que ateste uma opressão/tirania/violência/repressão/tormento/vexação/acossamento ininterruptos contra os discípulos do homem de Nazaré.

Perpétua foi uma das principais mártires que caiu nas mãos sanguinárias dos romanos, sendo morta na arena, não por um soldado romano, que se negou a matá-la, mas por ela mesma, que pegou a espada e enfiou em seu pescoço, ali na frente de todos, para lhes mostrar que ela não se importava em morrer pela sua nova fé no galileu de Israel.  Num certo momento virou moda querer morrer pela fé cristã.

Os cristãos foram aumentando cada vez mais, principalmente quando houve uma enorme praga que devastou o império romano, que acredita-se que pode ter sido a varíola. E quem estava dando assistência aos moribundos? Os cristãos, quando ninguém estava disposto a ajudar a essas pobres almas, na porta da morte. O cristianismo jogou na cara da sociedade o seu valor enquanto religião, dando assistência de prestimosa importância. Mas isso não foi suficiente para que o império os vissem como não subversivos. Se não aceitassem a estrutura social-religiosa de Roma, deveriam pagar pelas consequências de tal escolha. Assim, houve períodos de caça aos adeptos dessa religião estranha e petulante.

Como é dito, nos últimos anos, já morreram mais pessoas por causa de sua fé em Jesus, do que nos primeiros trezentos anos da igreja. A perseguição hoje é muito mais acirrada em vários países pelo mundo a fora. Países muçulmanos, países da África, China, Coreia do Norte e etc. Basta uma rápida pesquisa na web, para vermos que atualmente apenas dizer que acredita em Jesus, em certas regiões do planeta, é arranjar um problemão, que muitas vezes custa a própria vida. 

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Desprogramado


Ted Patrick foi um negão cabra macho, que causou muita polêmica em 1970, por sequestrar e desprogramar – desfazer a lavagem cerebral que as seitas faziam em suas vítimas, lhes tirando a sua capacidade de pensar, racionar, e ter suas próprias ideias, para confrontar o mundo e se relacionar com ele e com os outros.

Os métodos de Patrick eram tudo, menos ortodoxos. O negão, com o consentimento dos pais da vítima de alguma religião maluca, sequestrava mesmo, o indivíduo, para lhes fazer uma lavagem cerebral ao contrário, esperando que ele voltasse a si, podendo ver as coisas com a sua inteligência crítica, sem as amarras do guru ou grupo religioso, que o havia fisgado com suas ideias egocêntricas e messiânicas infundadas.

É de surpreender que centenas dessas desprogramações deram certo. Um método rude, simples e direto, que tirou milhares de pessoas das garras das seitas que povoavam o cenário norte-americano há cinco décadas. Cientologia, Igreja do Reverendo Moon, Hare Krishna e tantas outras, que se cuidassem, pois a qualquer momento estava Ted Patrick com seus capangas, sequestrando os membros delas, a pedido dos pais, para que eles pudessem enxergar que eles estavam arruinados espiritualmente, enquanto estivessem numa religião que os tornavam totalmente passivos.

É curioso saber qual era os argumentos usados por Patrick para convencer os sectários de que eles estavam sendo descaradamente enganados. Pelos vídeos gravados na época, suas palavras eram objetivas e diretas. 

“O seu líder é um mentiroso”.

“Essa religião só quer o seu dinheiro”.

“Esse livro não tem qualquer fundamento.” 

“Você não vê que eles não deixam mais você pensar por si mesmo”.

“Ele não é o Cristo.”

É impressionante que Patrick tenha tirado tanta gente do inferno das seitas.

É claro que seus métodos de sequestro e cárcere privado foram questionados, criticados e desaconselhados por muitos. Muitas vezes ele foi preso e condenado por agir dessa maneira. Mas logo ele saía da prisão, já estava no outro dia, fazendo a desprogramação em algum jovem desmiolado, a pedido dos pais desesperados por perceberem que suas crias estavam indo por um caminho super perigoso.

Alguns que passaram pelo ritual de desprogramação são entrevistados e contam as suas experiências com Patrick. Uns lhes são gratos. Outros, até saíram das seitas, porém, guardam muitas mágoas do Patrick, por ele ter agido como agiu. Um entrevistado, depois de trinta anos, disse que não foi convencido. Na verdade, esse continua perturbado.

Ted Patrick participava sem constrangimento dos programas televisivos da época, explicando seus métodos. Quando questionado sobre sequestrar as pessoas, ele tinha uma resposta pronta, visto que partia do pressuposto de que os pais têm direitos sobre os filhos e pronto. Quando perguntado qual era a sua formação acadêmica, dizia que tinha estudado só até a décima série, e que devia ter parado na nona. Dizia que tinha doutorado em bom senso e experiência de sobra para fazer o que fazia. Pois sabia que estava fazendo o bem.

Suas ideias são a base para muitos estudiosos estudarem as seitas e convencerem as pessoas que fazem parte delas, a vê-las criticamente. O mundo não é mais o mesmo. Os métodos indelicados usados por Patrick, já estavam diminuindo na década de 1980. Nos anos 1990 já era impensável fazê-los, sob pena de mais uma prisão em seu currículo.

De qualquer forma, ele livrou várias almas bobinhas e ingênuas do caos das seitas e cultos. 

Documentários Vistos (12)


Após o término da segunda guerra mundial, a URSS criou várias cidades secretas e fechadas, que não constavam nos mapas para construir o seu poderoso arsenal nuclear. Dezenas de cidades foram construídas, e os russos, coitados, coagidos, a participarem dos projetos do governo. Desastres nucleares aconteceram, afetando não somente o ambiente natural, mas as pessoas que moravam nesses municípios. Só a partir de 1994 eles passaram a existir oficialmente. Hoje muitas dessas cidades continuam fechadas, e com usinas nucleares enriquecendo em doses cavalares o plutônio e o urânio. Seus moradores estão expostos a radiação, e o Estado russo, pouco faz por eles. Uma ativista dos direitos humanos, moradora da Cidade 40, assim chamada no período da extinta URSS, e hoje por nome de Ozersk, tenta de todas formas possíveis fazer com que o governo russo ampare a população afetada. Seu sucesso até 2015 foi irrisório diante de tantas pessoas vitimizadas pela radiação. O governo corrupto da Rússia tornou a estadia dessa militante um inferno, ao ponto dela ter que pedir exílio na França com suas duas crianças.


Em Mumbai, na Índia, existem 6 gabirus para cada habitante. É rato pra cacete. Para conter a peste de ratazanas, o governo contrata vários caçadores, que passam todas as noite atrás de ratos, com um pedaço de pau na mão. Isso mesmo, matam os Jerrys com simples pedaços de pau, fornecidos pelos governo. Cada matador têm que levar no mínimo 30 ratos mortos para o centro de coleta. Muitas vezes a cota não é atingida. O que prejudica drasticamente os seus salários. O governo paga uma mixaria por cada leva de 30 ratos mortos. E tem que ser gabiru mesmo, nada de matar e levar para os postos de coleta, ratos pequenos, pois estes não contam entre os 30. Na Índia até os gatos têm medo dos roedores; não se metem a besta com eles. Os caçadores são jovens até com nível de Pós-Graduação, outros estão na faculdade, têm famílias, possuem muitos sonhos. Mas no momento é o emprego de matar ratos a noite que as circunstâncias lhes oferecem.


Legal reconhecer e homenagear as quase três mil pessoas mortas no fatídico 11 de setembro de 2001. Mas quantas e quantas tragédias houveram de lá para cá, com milhares de mortes nos países pobres (como os da África), e não estamos nem aí. Parece que na mídia e no nosso inconsciente, americanos e europeus são mais humanos que os outros povos.


As pessoas se casam, mas o ideal de fidelidade de um para com o outro é tornada nula em boa parte dos casamentos. O site Ashley Madison é o exemplo maior de que o adultério está em alta. Bom, sempre esteve, mas agora temos a tecnologia disponível para agilizar nossos desejos. Essa mesma tecnologia num efeito reverso lascou a vida de milhões de usuários do Ashley Madison, quando o site foi hackeado e os dados de seus clientes foram expostos para Deus e o mundo ver. Um mar atividades antiéticas do site foram reveladas. Mas tem jeito não, o site continua aí, para os puladores de cerca, insaciáveis por novas aventuras sexuais. Pintos e vaginas nervosas, loucos para entrar em outros quintais.

Ótimo documentário da Netflix.


Fantástico, fantástico, fantástico. A biodiversidade de animais e insetos que povoam a Terra é extraordinária. As imagens captadas pela BBC são perfeitas.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Livros Lidos (34)



Essas são as questões tratadas neste livro:

1. A questão da origem:

De onde eu vim?

2. A questão do destino:

Para onde vou?

3. A questão da finalidade:

Por que estou aqui?

4. A questão dos padrões morais:

Como devo viver?

O que responde melhor essas perguntas? O Ateísmo? O Teísmo Cristão? 



Lourenço é um dos poucos Cientistas que defendem o Criacionismo da Terra Jovem, que ele acredita ser o ensino retirados da Bíblia. Para ele é crucial que a igreja evangélica assim creia. É questão de extrema importância. Nesse livreto, ele força a barra para adequar a sua interpretação das escrituras ao que a Ciência descobriu. 


Johnson é o líder do Movimento de Design Inteligente, um projeto empreendido por vários Cientistas, com a finalidade de jogar por terra a Teoria da Evolução. Esse livro é um dos pioneiros nessa batalha contra Darwin e a comunidade científica. Lembrando que Johnson não é Cientista, mas sim, um grande especialista em Direito, na Universidade de Berkeley, Califórnia. 


Outro livro do Johnson contra a evolução. Ousado esse título, hein? Ele consegue "derrotar o evolucionismo com a mente aberta"? Não. Mas o livro tem seus méritos. Questões de crucial relevância levantadas que precisam ser respondidas. Meu problema com ele, algo que já expressei em outras postagens, é seu verdadeiro objetivo de colocar o teísmo cristão como pressuposto nas Universidades. No fundo, no fundo, me parece, que ele quer resgatar o velho criacionismo. 


Alister McGrath é um dos meus autores cristãos favoritos. Esse cara é equilibrado, inteligente, é possuidor de um vasto conhecimento científico, teológico e histórico, como poucos. Esse livro, juntamente com a sua esposa, é uma boa refutação das ideias centrais do Deus, Um Delírio, já postado nesse blog, Os McGraths dão uma bela resposta ao Dawkins. Lembrando que ele tem muitas coisas boas em seu livro antirreligioso. 

O Dia Que Durou 21 Anos


O vídeo nos traz “um documento inédito com imagens reveladoras que mostram como e porque os Estados Unidos da América decidiram interferir na política interna do Brasil, com o pretexto do avanço comunista vitorioso em Cuba. Criando as condições para o golpe militar de março de 1964.”

O Brasil era uma super potencia regional. Um país imenso com vasto potencial econômico. Vasto potencial de liderança. Os EUA não podiam se dar ao luxo de perdê-lo.

O Professor de História da UFRJ, Carlos Fico argumenta que o embaixador americano Gordon Lincoln foi de extrema importância para o êxito do golpe. A embaixada americana teve uma importância enorme naqueles anos. Ela nunca investiu tanto dinheiro como na época do golpe e da ditadura.

A revolta militar foi fomentada por Magalhães Pinto, Adhemar de Barros e Carlos Lacerda, governadores dos estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, respectivamente, com o apoio dos grandes veículos de comunicação.

Fazendo uma breve retrospectiva do poder político das Forças Armadas brasileiras, elas adquiriram grande poder de influência após a Guerra do Paraguai. A politização das instituições militares ficou evidente com a Proclamação da República, que derrubou o Império, com o tenentismo e a Revolução de 1930.

Em 1961, Goulart foi autorizado a assumir o cargo, sob um acordo que diminuiu seus poderes como presidente com a instalação do parlamentarismo. O país voltou ao sistema presidencialista um ano e alguns meses depois, e, como os poderes de Goulart cresceram, tornou-se evidente que ele iria procurar implementar políticas de esquerda, como a reforma agrária e a nacionalização de empresas em vários setores econômicos, independentemente do consentimento das instituições estabelecidas, como o Congresso.

Alguns autores afirmam que a ditadura, não foi exclusivamente militar, sendo, em realidade, civil-militar. Pelo menos no início, houve apoio ao golpe de alguns segmentos minoritários da sociedade: a elite que dominava o Brasil havia séculos, uma grande parte da classe média (que na época girava em torno de 35% da população total do país) e o setor conservador e anticomunista da Igreja Católica, na época majoritários dentro da Igreja.

Vivia-se, naquela época, a Guerra Fria quando os Estados Unidos procuravam justificar sua política externa intervencionista com sua suposta missão de liderar o "mundo livre" e frear a expansão do comunismo. A violenta luta internacional entre Estados Unidos e União Soviética, capitalistas e comunistas encontrou eco nos discursos da política brasileira.

Goulart procurava impulsionar o nacionalismo trabalhista através das reformas de base. Os setores mais conservadores, contudo, se opunham a elas. Um evento que aumentou a insatisfação entre setores conservadores militares ocorreu quando Jango decidiu apoiar os militares revoltosos de baixa patente da Revolta dos Marinheiros.

No dia 13 de março de 1964, João Goulart assina em praça pública, no Rio de Janeiro, três decretos, um de encampação das refinarias de petróleo privadas, outro de reforma agrária à beira de rodovias, ferrovias, rios navegáveis e açudes e um decreto tabelando aluguéis. Esses decretos de 13 de março foram usados como pretexto pelos conservadores para deporem João Goulart.

Entre os militares, um grupo defendia medidas rápidas diretas e concretas contra os chamados subversivos, ou inimigos internos, estes militares apoiavam sua permanência no poder pelo maior tempo possível; ao contrário do grupo anterior, o segundo era formado por militares que tinham por doutrina a tradição de intervenções moderadoras.

domingo, 18 de junho de 2017

Inferno Santo


Todo grupo religioso que arroga para si exclusividade exagerada é preciso ter muito cuidado com ele. Reunião de várias pessoas em torno de um guru que diz ser portador de uma mensagem especial, que irá transformar a vida de seus ouvintes, caso eles obedeçam as suas diretrizes, pode ter certeza, que tal “mestre” se trata de um manipulador psicopata. É o tipo de “mestre” espiritual que não aceita ser questionado, pois tem a iluminação única e exclusiva do Deus, do Universo, da Natureza, dos Deuses. O mundo está num atoleiro de erros, mas ele tem a solução para encontrarmos o nosso Eu interior, a verdadeira identidade espiritual. Isso também vale para grupos e ideologias políticas.

Nesse sentido, quase todas as igrejas têm um pouco de sectarismo. Elas sempre estão a manipular a mente de seus seguidores, com discursos do tipo: faça isso; não haja assim; não questione o homem de Deus; não questione a Bíblia; não pense, apenas aceite a verdade; se você sair da igreja, sua vida será um inferno... Assembleia de Deus, Adventista de Sétimo Dia, Igreja Mórmon, Congregação Cristã no Brasil, Igreja Católica, e os exemplos podem ser multiplicar. Todas essas mencionadas tem o seu quinhão sectário e perigoso. Cada uma acusa a outra de suas aberrações teológicas e vacilos históricos, mas dificilmente veem os seus erros como pecados vergonhosos. Sempre o quintal do outro está perdidamente sujo; no próprio quintal, uma leve varrida resolve o problema.

Vendo Holly Hell (Santo Inferno), não parei de pensar em como certas pessoas (inclusive eu) podem ser suscetíveis a ideias absurdas propagadas por algum manipulador astuto.

Michel Rostand enganou, manipulou e abusou de dezenas de pessoas, durante 22 anos, sem que ninguém o questionasse de dentro da seita. De 1985 a 2007, ele fez de fantoches vários homens e mulheres, que estavam totalmente submissos aos seus caprichos. O que começou com algumas palestras bobas de autoajuda nos rios, mansões, lagos, lagoas e florestas da Califórnia, se tornou numa verdadeira seita doentia.

Para não ser desmascarado, Michel Rostand vai para Austin, no Texas, e nesta cidade, agora com o nome mudado para Andreas, recomeça a sua saga enganadora, fazendo com que os seus seguidores de Los Angeles, o acompanhasse, deixando empregos, famílias e negócios para trás. Os anos foram se passando, e o narcisismo de Andreas aumentavam cada vez mais. As pessoas que o seguiam, estavam que nem patinhos obedientes, totalmente sem reação ao que lhes era mandado.

Andreas tinha demonstrado em suas palestras espirituais, um grande horror ao sexo, dizendo que este atrasava a evolução espiritual, mas por trás dos panos comia os homens de sua seita. Posteriormente foi descoberto que ele tinha sido um ator pornô de filmes gays. O infeliz até fez uma irrisória participação no clássico O Bebê de Rosemary.

Para encurtar a história, em 2007 ele foi desmascarado, e depois de 22 anos, seus fantoches viram a verdade de que ele era um aproveitador, que escravizou as suas mentes. Andreas foi para o Havaí, onde até hoje (inacreditável isso), conseguiu angariar novos otários para lhes servir. Muitos dos antigos fieis da seita continuaram com ele, mesmo sabendo de todas safadezas que ele fez. Com certeza o ajudaram a recrutar novas ovelhinhas para o seu pasto. Vai entender o ser humano, né? 

Um Estado de Liberdade


"Você pode ser dono de um cavalo, de uma mula, ou vaca ou boi, mas você não pode possuir um filho de Deus." - Newton Knight. 

Em 1776 na Guerra da Independência, os Estados Unidos consegue se libertar do jugo da Inglaterra. A partir daí, a ex-colônia inglesa deslanchar como potência no cenário global, aumentando sua economia e população. O norte se industrializa; o sul continua rural. Há um impasse entre norte e sul: ambos têm interesses distintos e antagônicos em como conduzir sua política, sociedade e economia. O norte pressiona o sul a acabar com a escravidão. O sul, baseado exclusivamente na monocultura do algodão, com grandes senhores latifundiários, não aceita em hipótese alguma que sua mão de obra gratuita e forçada, seja liberta. O norte almeja mais mercado consumidor, mas os negros sendo escravos, nada consomem, precisam ser “livres” para terem algum poder de compra. Esse é mais ou menos o contexto em que se desenrola a história real desse filme. Existiram outros fatores que levaram a Guerra de Secessão (1861-1865), mas o sistema escravagista é o que interessa a Um Estado de Liberdade.

Newton Knight, personagem protagonista, faz parte do exército dos confederados – os estados do sul, que não compactuavam com o fim da escravidão. Depois que seu sobrinho morre por levar um tiro numa trincheira, ele deserta e vai para casa levando o seu parente morto para a sua mãe. Os desertores eram severamente punidos. Os homens chamados para guerra tinham que permanecer nela até segunda ordem. Entretanto, para Newton, não havia motivos para ele lutar.

Ele acaba se metendo em mais confusões quando impede que soldados do governo arranquem os poucos recursos que os moradores têm, como milho, comida, tecidos, algodão, dinheiro... Estava estipulado pelo governo que 10% dos recursos dos sulistas podiam ser pegos pelos soldados, para ajudar na guerra. Porém, eles não pegavam apenas o dízimo da produção dos camponeses. Na verdade, era o contrário, eles só deixavam 10% dos recursos, as vezes nem isso.

Apontando as armas para esses furtadores do Estado, Newton arranja mais problemas, tendo que fugir para o pântano e se juntar a negros fugidos, que lá já estavam escondidos. Com a ajuda de outros negros e de uma comerciante da cidade mais próxima, eles formam um pequeno exército, que obtém êxito em desarticular os sulistas escravagistas. Um considerável pedaço do Mississipi e outras regiões são tomados por esse regimento de desertores negros e brancos. Newton mostra-se um intrépido defensor da liberdade.

Chega o ano de 1865, mês de abril, e a guerra chega ao seu fim, com os estados da União – que lutavam para que a escravidão terminasse - sendo os ganhadores desse episódio sangrento. A escravidão já não existia mais. Agora os negros são livres como os brancos, pelo menos em teoria. Um Estado de Liberdade nos conta uma realidade bem diferente. Os negros sulistas continuam trabalhando nas plantações de algodão, num regime de semiescravidão. Quase nada mudou.  A Klu Klux Klan é formada, assassinando vários negros. As dificuldades para os afrodescendentes eram gigantes.

Nas eleições que se aproximam, negros agora podem votar, mas quando o resultado das urnas saem, vê-se que seus votos não foram computados. Um caminho longo e difícil seria traçado, para quem sabe então, terem os seus direitos realmente respeitados.

Intercalando entre o século XIX e século XX, o filme se lança décadas a frente num tribunal onde o descendente de Newton e Rachel (uma escrava), fenotipicamente branco, mas com uma conjuntura genotípica mista, é julgado por ter violado as leis do Mississipi, ao se casar com uma branca. Ele mesmo sendo branco na aparência é considerado negro pelo Estado, por ser filho de uma mulher de “cor”. Ele é considerado culpado.  

Vemos que o caminho do racismo foi e ainda é, uma batalha muito além da Guerra da Secessão. 

quinta-feira, 15 de junho de 2017

A Caminhada Cristã na História


MATOS, Alderi Souza. A Caminhada Cristã na História. Viçosa, MG: Ultimato, 2005.

Segunda vez que leio esse livro do Alderi Souza de Matos, Ph.D em História da Igreja na Universidade de Boston, EUA. Livro muito bom. Leitura super agradável e bastante informativa. Alderi tenta ser bem equilibrado em suas abordagens, não poupando críticas a igreja, pelos seus erros passados. Ele é o Historiador oficial da Igreja Presbiteriana do Brasil, uma instituição calvinista teologicamente conservadora. De tudo ele fala um pouco.

Reforma Protestante e sua abertura para a multiplicidade de visões no cristianismo:

"A Reforma Protestante foi, entre outras coisas, o questionamento da noção de que uma determinada tradição cristã tem o direito exclusivo ao título de igreja. Antes, os reformadores afirmaram que, onde quer que o povo de Deus se reúna para ouvir a pregação fiel das escrituras e receber a ministração dos sacramentos bíblicos ai está presente a igreja. Com essa nova mentalidade, o protestantismo abriu as portas para a diversidade dentro do cristianismo". P. 21-22.

Foi a Reforma começar, para que as divergências se fizessem presentes, entre os próprios reformadores. Cada um acusando o outro de herege. Lutero discordava de Zwínglio quanto a eucaristia, onde até foi travado um debate entre os dois, cada qual irredutível em suas posições.

O celibato surgido no século quatro:

“A mais antiga estipulação sobre o assunto, o cânone 33 do concílio de Elvira, na Espanha (por volta do ano 305), declara o seguinte: ‘Decretamos que todos os bispos, sacerdotes e diáconos, e todos os clérigos envolvidos com o ministério, sejam totalmente proibidos de viverem com esposas e gerarem filhos. Quem assim o fizer será deposto da dignidade clerical.’” P. 52.

E assim, até hoje os sacerdotes católicos estão privados de terem suas esposas e filhos. Numa decisão sem pé nem cabeça, fruto de um repúdio injustificado do sexo. A partir do segundo século, o sexo já estava sendo visto, como prática abominável pelos primeiros cristãos.  

A confecção das cópias das escrituras:

"Durante mais de um milênio, as cópias parciais ou integrais da Bíblia eram feitas à mão, trabalho esse realizado principalmente por monges que pacientemente redigiam os manuscritos (hoje existem cerca de 2300 manuscritos bíblicos, produzidos entre os anos 300 e 1500). O fato de os livros serem copiados à mão tornava-os extremamente caros para a maioria das pessoas - copiar um livro como Isaías levava semanas ou meses. Por exemplo, no século 14 o custo de uma Bíblia podia ser equivalente ao salário de um ano inteiro de um sacerdote". P. 68-69.

Hoje o preço das Bíblias já não são tão caros assim. Os preços variam bastante. Têm Bíblias de todos os tamanhos e gostos. As editoras sob o pretexto de estarem divulgando o reino de deus, inventam todo tipo de Bíblias. Chega a ser ridículo esse comércio. Mas os editores dizem com a cara mais limpa do mundo: é para o reino de deus. O deus deles, é claro.

A religião cristã e sua incompatibilidade com o ensinamento espírita da reencarnação:

"Mas, afinal, o que é a reencarnação? Trata-se da crença de que a alma, ou o elemento psíquico do ser humano, passa para um outro corpo após a morte, fato esse que pode repetir-se muitas vezes com o indivíduo." P. 98.

"O cristianismo majoritário nunca professou a tese da reencarnação, pois ela não somente está ausente das escrituras, mas é contraditada por textos bíblicos como Hb 9.27 e Lc 23.43. É somente através de uma interpretação altamente figurada e tendenciosa de certas passagens que os espíritas podem encontrar a reencarnação na Bíblia." P. 100.

Existe pelo menos um caso nas escrituras que corrobora a realidade da comunicação dos mortos com os vivos. O pitoresco caso de Saul e Samuel. A Bíblia é clara quando diz que Samuel já morto, foi ter uma conversinha com Saul, mediante o intermédio de uma feiticeira. Os fundamentalistas têm um pepino grande para descascar.

Fanatismo religioso:

"Em todas as religiões existe o fenômeno do fervor espiritual intenso, por vezes extremado, que caracteriza certos indivíduos, grupos e movimentos. O cristianismo não é exceção. [...] Infelizmente, a história demonstra que muitas vezes o entusiasmo religioso ultrapassa os limites do bom senso e manifesta extravagâncias comportamentais e teológicas. Em alguns casos extremos chega ao fanatismo, com as consequências negativas, até destrutivas, daí advindas." P. 123-124.

Precisa de algum exemplo?

Destruição de culturas pelos cristãos:

"Um caso particularmente inquietante foi o da América Latina, em que o processo de conquista e colonização, abençoado pela igreja, deixou um rastro de destruição entre as populações nativas. Somente se levantaram umas poucas vozes de protesto". P. 145.

Se pudessem, os fanáticos evangélicos destruiriam até hoje monumentos em homenagem aos ídolos pagãos. Deduzo que a maioria evangélica de salvador, na Bahia, se tivessem autorização, colocariam abaixo o Dique do Tororó, que possui várias estátuas dos orixás – seres mitológicos cheios de mugangas, adorados no Candomblé.

Os primeiros calvinistas no Brasil e o seu total fracasso:

"Curiosamente, foi no Brasil que ocorreu a primeira tentativa da história do protestantismo mundial no sentido de evangelizar um povo não-cristão. Isso se deu em conexão com uma colônia francesa criada na Baía da Guanabara em 1555, a França Antártica. A pedido do líder do empreendimento, Nicholas Durand de Villegainon, o reformador João Calvino e a Igreja Reformada de Genebra enviaram catorze colonos, entre eles dois pastores. Esses imigrantes-missionários tinham dois objetivos: implantar uma igreja reformada entre os franceses e evangelizar os silvícolas. Nenhum desses objetivos pôde ser alcançado e quatro dos pioneiros acabaram sendo martirizados, mas esse evento se tornou um marco de grande importância na história das missões, nem sempre caracterizadas pelo sucesso." P. 154.

Isso ficou conhecido como a tragédia da Guanabara. Acho que Jean de Léry, calvinista que presenciou esses acontecimentos, escreveu um livro contando a aventura dos primeiros calvinistas no Brasil. E a primeira confissão de fé calvinista, foi feita aqui, em solo brasileiro.

Mais uma vez o celibato e abstinência sexual no casamento:

"Durante a Idade Média, e mesmo antes, a vida celibatária teria sido considerada a condição ideal para o cristão, o estado espiritual mais elevado. O grande erudito Jerônimo, que morreu no ano 420, foi particularmente enfático nesse sentido. A comparar a virgindade, a viuvez e o casamento, ele deu à primeira o valor numérico de 100, à segunda 60 e ao casamento 30. Mais de um milênio depois, em seus Exercícios Espirituais (1548), Inácio de Loyola exortou os seus seguidores a exaltarem o matrimônio, mas exaltarem ainda mais a castidade. De fato, ao se observar a longa lista de santos católicos, verifica-se que somente alguns poucos dentre eles foram casados.

[...]

Na concepção tradicional, o sexo, embora permitido dentro do casamento, não devia ser desfrutado. De acordo com um catecismo do final do século XV, os leigos pecavam sexualmente no casamento, quando, entre outras coisas, praticavam o sexo por prazer e não pelas razões que Deus ordenou, a saber, evitar o pecado da concupiscência e povoar a terra". P. 193, 194.

O sexo sempre sendo visto como um tabu entre boa parte dos cristãos mais fervorosos. Tudo começa em Maria, mãe de Jesus – que a igreja católica insiste em dizer que ela nunca foi furada por José, depois de Jesus ter nascido. Pergunto: José ficou sua vida inteira com uma mulher, sem dá nenhuma sapecada nela? Uma punhetinha de vez em quando? Certo, certo, gosto de descer o nível as vezes. Ou Deus o agraciou com a frigidez?