Pequenas tentativas banais, amadoras, desajeitadas (e as vezes contraditórias) de recortes, resumos e resenhas de livros, textos, documentários e filmes.
Mais uma sensacional história da Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Soldados dos EUA caem no mar, e depois de 47 dias no maior sofrimento em alto mar, são capturados por soldados inimigos do Japão. Zamperini, italiano imigrante do EUA, juntamente com o seu parceiro de guerra, sofrem o pão que o diabo e os japoneses amassaram, nos campos de concentração. A única forma de vencer os japoneses é continuarem vivos até o fim da guerra.
Não é uma obra prima. Não é um filme comovente. Todavia, tem uma ótima proposta; uma contundente crítica ao ambiente perigoso em que vivem as mulheres indianas, que mal têm a proteção do estado, quando sofrem ou são estupradas. O sistema policial e jurídico da Índia é uma verdadeira vergonha (bom, esse país é uma verdadeira vergonha em praticamente todos os quesitos). Este filme me fez lembrar o documentário Filha da Índia: A História de Jyoti Singh, que diz:
“Segundo os últimos números oficiais, uma mulher é estuprada na Índia a cada 20 minutos. Mas muitos estupros não são denunciados.”
Não são denunciados, porque as mulheres temem que o que pode acontecer é exatamente o que Pink trás em seu enredo.
Uma batalha do raciocínio lógico, inteligência e bom senso, contra a superstição, pensamento mágico e conveniente. Uma trama sensacional e instigante. Um verdadeiro clássico.
Vi o primeiro há pouco mais de dois anos, agora terminei a segunda parte da saga criminosa da família Corleone, os mais famosos gangsteres do cinema. Al Pacino (Michael Corleone) e Robert De Niro (Vito Corleone) estão impecáveis em suas performances.
Fechando a trilogia. Achei tão bom quanto os dois primeiros. Apenas acho que existe um exagero de elogios enorme em torno desses filmes. São ótimos filmes, mas nada arrebatadores.
Madalyn Murray O'Hair causou a fúria ensandecida de muitos "cristãos" norte-americanos, quando na década de 1960 conseguiu que a Suprema Corte daquele país banisse a oração das escolas, que até então era uma prática que todos os alunos deviam seguir, mesmo não compactuando com a religião cristã, ferindo a constituição de separação entre igreja e Estado. Está aí, um dos motivos dela ter sido por pouco mais de três décadas, "a mulher mais odiada da América". Este filme conta-nos um pouco de sua história de militância contra a religião, e sua trágica morte por assassinato em 1995, a qual certamente deixou muitas pessoas "di dels" felizes.
Filme bom, apesar de um defeito fundamental: tentar passar a visão de que os militares e governos norte-americano e britânico estão super preocupados com as mortes dos civis, seja no Oriente Médio, seja na África, como é o caso aqui. O lado bom do filme é que ele suscita um debate ético muito interessante e intenso. É moralmente ético tirar a vida de uma criança, para que outras 80 vidas (adultos e crianças) sejam salvas?
Belo filme, filme belo! Uma história de superação e vitória sobre o preconceito tolo, que a humanidade teima em ter, não importa a época ou lugar. E o pior é que começamos a mostrar o nosso lado ruim, mau e discriminador, desde crianças.
Acredito que este, tenha sido o filme mais tenso que já vi. A história de um estupro medonho de uma linda menina, quando ela caminhava para a escola. Ela sobrevive. Mas as consequências de ter sido violada serão para o resto de sua vida. Emociona demais. Desesperador, e ao mesmo tempo, apesar de todo o sofrimento advindo do estupro, um fio de esperança e alegria ressurgem em meio a dor.
Baseado numa obra do século XIX, do romancista português Eça de Queiroz, este filme é uma dura crítica ao celibato sacerdotal na igreja católica. Se o autor vivesse em nossos dias, sua obra sofreria uma modificação substancial - ao invés de terem como personagens, padres mulherengos, teria padres pedófilos, acobertados pelo Vaticano. É um ótimo filme.
Um negro é morto por um branco, numa discussão em uma oficina, em 1992. A família até hoje procura saber o porquê do assassino não ter sido julgado e preso. A justiça considerou que o homem branco agiu em legítima defesa. As evidências parecem sugerir que não. Strong Island (Ilha Forte) reflete a parcialidade racial do sistema jurídico norte-americano, visto que se fosse o contrário, é quase certeza que o negro seria julgado a passar uns bons anos trancafiado. O fantástico filme Tempo de Matar, com Samuel L Jackson e Sandra Bulock, alerta há mais de vinte anos, sobre as injustiças racistas feitas nos tribunais daquele país.
Na Nova Zelândia, uma mulher passa a ter comportamentos estranhos, e sua família extremamente supersticiosa e afundada na tradição nativa maori, diagnostica o comportamento bizarro e assustador da jovem, como uma possessão de um espírito maligno. Em nenhum momento pensaram que poderia ser um distúrbio mental, sem ligação alguma com o que acham ser o mundo mágico e sobrenatural de sua religião. O resultado é triste e desolador, visto que nos rituais de exorcismo feitos pelos próprios familiares, a tal "possessa" veio a óbito por afogamento, pois a família pensava que jogando água fria em seu rosto e fazendo ela engolir litros e mais litros de água, o tal espírito do mal sairia dela.
A justiça da Nova Zelândia condenou alguns familiares, mas não os prendeu. O pior de tudo é que a família tão alienada nas tradições religiosas em que fora criada, ainda acredita que a maldição está presente entre eles. Não consideraram por um único momento em levar em conta o que a Medicina tem a dizer.
Quando Dois Mundos Colidem trata do conflito entre nativos e o governo peruano, que quer vender parte dos recursos naturais da Amazônia para empresas norte-americanas. A partir daí, os conflitos tornaram-se inevitáveis, ocasionando tanto a morte de indígenas quanto de policiais. No Brasil algo semelhante acontece, quando o governo brasileiro vendeu os direitos de exploração do ouro ainda existente na Amazônia a empresa canadense Colossus. Sob o pretexto de um hipotético desenvolvimento econômico do país, a destruição da natureza vira um mero detalhe sem importância, contanto que os empresários e governantes fiquem com o rabo cheio de dinheiro.
Judeus ultraconservadores e fechados em si mesmos fugidos da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), se instalam em Nova York, no bairro do Brooklyn. O fanatismo e o isolamento são bastante acentuados, fazendo com que alguns membros mais jovens rompam com a tradição ao qual foram criados. Mas não é fácil se adaptar ao novo mundo, que possui infinitas possibilidades, principalmente, quando esses jovens praticamente nada sabem sobre esse nascente universo que estão começando a ver e apreciar.
Como toda seita que se preze, o judaísmo hassídico é mais uma comunidade religiosa que encobre os casos de estupros que acontecem em seus bastidores. Os membros estão proibidos de dar qualquer queixa a polícia, por abusos sexuais. É difícil sair de religiões assim, com alguma dignidade, pois farão da sua vida um inferno, e você sempre será visto como o filho do diabo, rebelde, egoísta...
Um povo que foi tão perseguido e maltratado, podendo aprender e tratar os seus com mais dignidade, respeito e compaixão, acabam praticando coisas horríveis em nome de sua fé religiosa, que eles (aparentemente) não pensam por um momento, que ela pode ser uma grande quimera. Nada mais que um conto bonito para aliviar a tensão que é viver em mundo tão caótico e injusto.
Não bastasse a África com os seus vários problemas estruturais de ordem econômica, política e social, ela ainda tem de enfrentar os malditos caçadores ilegais de marfim, que matam um elefante a cada 15 minutos, para vender os seus chifres no mercado negro de Hong Kong e da China, gerando um empobrecimento incalculável nas savanas do continente africano. Eles assassinam sem piedade, destruindo toda a estrutura familiar que cada manada de elefantes possui. Quando um elefante é morto, toda a estrutura familiar desaba; fica desestruturada. O Extermínio do Marfim vai atrás desses canalhas FDP, para colocá-los na cadeia. Uma guerra se instala. E apesar de toda a matança de elefantes, avanços são conseguidos. Um grande traficante de marfim é preso, China e EUA se comprometem a acabar de vez com o comércio de marfim. Tomara que eles cumpram as metas estabelecidas. No entanto, a China ainda não fixou um prazo para a cessar de vez o comércio de marfim em seu território. Sinceramente, com o histórico de perversidade desse país, não dá para confiar muito nele.
KLEINMAN, Paul. Tudo o
que você precisa saber sobre filosofia. São Paulo: Editora Gente, 2014.
Este é o quinto ou
sexto livro de introdução a Filosofia que leio. Nunca apliquei meu tempo a me
aprofundar de fato em algum assunto de natureza filosófica, apenas arranho a
superfície de cada tema. Este aqui, julgo ser um bom livro para quem quer
começar a entender o que os Filósofos, verdadeiros mestres na arte de racionar,
estão discutindo, pensando, articulando, rearticulando ao longo dos últimos
2.500 anos, desde os antigos gregos pré-socráticos aos pensadores do século XX,
como Quine, Wittgenstein, Russel e tantos outros, que embaralharam o modo de
pensar do mundo contemporâneo. As temáticas de natureza filosófica nunca
morrem, até hoje, por exemplo, o Mundo das Formas de Platão, podem ser
discutidas, rebatidas, repensadas e ampliadas. O que ele propõe pode
corresponder a realidade. A Metafísica, tão contestada e, por vezes, dada como
morta, sempre ressurge, com novas forças. E a existência de Deus? Argumentos
novos têm sido criados, ideias novas têm sido incorporadas aos velhos argumentos
tradicionais, lhes dando uma nova roupagem, dando lugar a novos debates
intelectuais vêm sendo travados nos últimos tempos. E assim, caminha o fazer
filosófico.
Abaixo, um pouco do que
o kleinman aborda em seu livro:
Existencialismo
"O Absurdo é uma das noções mais famosas
associadas ao existencialismo [tendência filosófica de alguns Filósofos do
século XIX e XX]. O argumento mais utilizado no existencialismo é o de que não
há razão para existir e a natureza não tem objetivo. Embora a ciência e a
metafísica possam ser capazes de oferecer uma compreensão do mundo natural, as
duas dão mais uma descrição do que uma verdadeira explicação, e não propõem
nenhuma visão de significado ou valor. De acordo com o existencialismo, como
humanos, devemos aceitar esse fato e perceber que a capacidade de entender o
mundo é uma conquista impossível. O mundo não tem significado além daquele que
damos a ele.
Além disso, se um indivíduo faz uma escolha, ela se
baseia em uma razão. No entanto, como ninguém é capaz de compreender o significado,
a razão é absurda assim como a decisão que se seguiu à escolha."P. 26.
Dualismo Mente e Corpo
"De acordo com o argumento da razão [um dos argumentos
a favor do dualismo mente e corpo], se nossos pensamentos são simplesmente o
resultado de causas físicas, então, não há motivo para acreditar que esses
pensamentos sejam baseados na razão e sejam racionais. A matéria física não é
racional e, ainda assim, nós, como humanos, temos razão. Dessa forma, a mente
não deve simplesmente derivar de uma fonte material."P. 82.
"Esse argumento [do dano cerebral] contra o
dualismo questiona como a teoria funciona quando, por exemplo, ocorre um dano
cerebral por traumatismo craniano, desordens patológicas ou abuso de drogas que
leve ao comprometimento da habilidade mental. Se o mental e o físico fossem
realmente separados um do outro, o mental não deveria ser afetado por esse tipo
de evento. De fato, os cientistas descobriram que provavelmente há uma relação
causal entre a mente e o cérebro e que, ao manipular ou prejudicar o cérebro, o
estado mental é afetado."P. 83.
O Paradoxo do Mentiroso
“Um dos mais famosos paradoxos que ainda são
amplamente debatidos até hoje foi proposto pelo antigo filósofo grego Eubulides
de Mileto, no século IV a.C., que propôs o seguinte:
‘Um homem afirma que está mentindo. O que ele diz é
verdadeiro ou falso?’
Não importa como a pessoa responda a essa pergunta,
haverá problemas porque o resultado é sempre uma contradição.
Se afirmarmos que o homem está falando a verdade,
isso quer dizer que ele está mentindo, o que, então, significaria que a frase
inicial dele é falsa.
Se dissermos que a afirmação inicial dele é falsa,
isso quer dizer que ele não está mentindo e, assim, o que ele afirmou é
verdadeiro.”P. 109.
Objetivo da Metafísica
"A metafísica se concentra na natureza e na
existência do ser e faz perguntas profundas e complexas em relação a Deus,
nossa existência, se existe um mundo fora de nossa mente e sobre o que é a
realidade". P. 124.
Ceticismo
"O ceticismo desempenhou um papel-chave
durante o Iluminismo em diversos avanços filosóficos, em virtude de a essência
do movimento ser o questionamento das verdades estabelecidas. Os filósofos
usaram o ceticismo como uma ferramenta para alavancar as novas ciências. [...]
Como a origem do Iluminismo está na crítica e na dúvida em relação às
doutrinas, o ceticismo influenciou as filosofias dos pensadores daquele
tempo."P. 142.
Friedrich Nietzsche
(1844-1900)
"Talvez Nietzsche seja mais famoso por sua
frase ‘Deus está morto’. Durante o final do século XIX, com a ascensão do
Estado alemão e os avanços da ciência, muitos filósofos alemães viam a vida
diária com muito otimismo. Nietzsche, por sua vez, enxergava o oposto. Para
ele, aqueles eram tempos problemáticos marcados fundamentalmente por uma crise
de valores.
Em seu livro, Assim falava Zaratustra, Nietzsche
conta a história de um homem que aos 30 anos experimenta viver fora da
sociedade. Ele gosta tanto dessa experiência, que decide viver assim pelos
próximos dez anos. Quando retorna à sociedade, ele declara que Deus está morto.
Em Assim falava Zaratustra, Nietzsche argumenta que os avanços da ciência
fizeram com que as pessoas desconsiderassem o conjunto de valores trazido pelo
cristianismo e que não havia mais na civilização essa poderosa compreensão para
determinar o que é bom ou mau.
Embora fosse verdadeiramente um crítico do
cristianismo, Nietzsche era um crítico ainda mais forte do ateísmo e temia que
esse fosse o próximo passo lógico. Ele não afirmava que a ciência apresenta um
novo conjunto de valores para as pessoas substituírem pelos do cristianismo. Ao
contrário, afirmava que o niilismo, o abandono de toda e qualquer crença, seria
o que substituiria o código moral do cristianismo.
Nietzsche acreditava que as pessoas sempre teriam a
necessidade de identificar uma fonte de valor e significado, e concluía que, se
a ciência não era essa fonte, então, ela surgiria assumindo outras formas, como
a de um nacionalismo agressivo. Ele não era favorável ao retorno às tradições
do cristianismo, mas queria descobrir como fugir dessa forma de niilismo pela
afirmação da vida."P. 150-151.
Relativismo
“Os sistemas ético e moral são diferentes para cada
cultura. De acordo com o relativismo cultural, todos esses sistemas são
igualmente válidos e nenhum é melhor do que outro. A base do relativismo
cultural é a noção de que, na verdade, não existem padrões para o bem e o mal.
Desse modo, o julgamento de que algo é certo ou errado tem por base as crenças
de uma sociedade, pois todas as opiniões éticas e morais são influenciadas pela
perspectiva cultural de um indivíduo.
No entanto, existe uma contradição inerente ao
relativismo cultural. Se alguém assume a ideia de que não há certo ou errado,
então, em primeiro lugar, não há como fazer julgamentos. Para lidar com essa
contradição, o relativismo cultural criou a ‘tolerância’. No entanto, com a
tolerância chega também a intolerância, e isso significa que a tolerância tem
de implicar também um tipo de bem definitivo. Dessa forma, a tolerância vai
contra a noção essencial do relativismo cultural e os limites da lógica tornam
o relativismo cultural impossível.”P. 172.
“Em geral, os argumentos relativistas começam com
afirmações plausíveis que, por fim, resultam em conclusões implausíveis. No
final das contas, esses argumentos soam melhor quando colocados de maneira abstrata
(parecem se tornar falhos e triviais quando aplicados a situações reais). É por
essa razão que poucos filósofos defendem o relativismo”.P. 202.
Filosofia Oriental
"Em sentido bastante geral, porém, se os
objetivos da filosofia ocidental podem ser definidos pela busca e a comprovação
da noção de 'verdade', então, os da filosofia oriental são a aceitação das
'verdades' e a busca pelo equilíbrio. Enquanto a filosofia ocidental enfatiza o
indivíduo e os direitos individuais, a filosofia oriental enfatiza a união, a
responsabilidade social e a inter-relação entre tudo (que, por sua vez, não
pode ser separada do todo cósmico). É por isso que, muitas vezes, as escolas da
filosofia oriental são indistinguíveis das diferentes religiões existentes no
mundo."P. 209.
Budismo
"Os princípios filosóficos do budismo
firmam-se nas Quatro Nobres Verdades (a verdade do sofrimento; a verdade da
causa do sofrimento; a verdade do fim do sofrimento e a verdade do caminho que
liberta do sofrimento). O budismo defende a ideia de que, para terminar com o sofrimento,
a pessoa deve seguir o Nobre Caminho Óctuplo. A filosofia do budismo aborda
ética, metafísica, epistemologia, fenomenologia e a noção de que Deus é
irrelevante."P. 211.
Baruch Espinosa
“Para Espinosa [1632-1677], 'Amai ao próximo' era a
única mensagem de Deus, e a religião se transformara em uma superstição em que
as palavras colocadas em uma página significavam mais do que elas
representavam. Afirmava que a Bíblia não era uma criação divina, mas que
deveríamos olhar para ela como qualquer outro texto histórico, pois, como fora
escrito ao longo de muitos séculos, ele acreditava que não era confiável. Os
milagres, segundo Espinosa, não existiam e tudo tinha uma explicação natural;
porém, as pessoas escolhem não procurar essas explicações. Além disso, dizia
que as profecias não vinham de Deus e que não eram um conhecimento
privilegiado.
Para demonstrar respeito a Deus, segundo ele, a
Bíblia deveria ser reexaminada para que se encontrasse nela a 'verdadeira
religião'. Ele rejeitava a ideia de 'povo eleito' do judaísmo, argumentava que
as pessoas estão todas no mesmo nível e propunha a existência de uma religião
nacional. Então, revelava sua agenda política, declarando que a forma ideal de
governo era a democracia, porque assim haveria menos abuso de poder.” P. 246.
PRACONTAL, Michel de. A Impostura Científica em Dez
Lições. São Paulo: UNESP, 2001. (Versão em PDF).
“Encontramos
até impostores sinceros que acreditam realmente no que dizem”.
P. 13.
"Um bom cientista não é infalível, ele assume o risco do erro. Este último é inevitável, porque a ciência é feita por seres humanos. Não existe ciência pura, praticada por seres ideais num mundo sem paixões". P. 170.
Michel
de Pracontal é um Jornalista francês conhecido da sociedade científica mundial
de longa data, que vem há décadas trazendo para o grande público leigo, as
notícias e descobertas concernentes ao que os Cientistas têm feito. Com longos
anos de conhecimento acumulado sobre o que rola no mundo da Ciência, ele traz
nas páginas deste livro, as imposturas (embustes, mentiras, farsas, quimeras)
que muitos charlatães, incluindo Cientistas de verdade e pseudocientistas têm
aprontado mundo a fora. O que é muito bem elucidado é que as fabulações
fantasiosas estão aí para seduzir até mesmo quem deveria estar plenamente
vacinado contra ela: os Cientistas. Na verdade, estes às vezes caem em suas
garras, em busca de prestígio e notoriedade entre seus pares, mesmo quando já
conquistaram o seu lugar ao sol. A concorrência do mercado “força-os” a fazerem
pronunciamentos infundados e mentirosos. Muitas vezes, ele crêem piamente que
as suas teorias sem fundamento são a mais nova e sublime verdade sobre o mundo
natural.
“A
maioria dos impostores, sinceros ou não, protegem-se por detrás de uma muralha
de convicções contra a qual os melhores argumentos vão se despedaçar. Os ataques
de seus adversários nada mais fazem do que reforçar suas certezas. Os
cientistas não escapam dessas reações, a despeito do clichê obstinado segundo o
qual eles seriam verdadeiros santos laicos, encarnações vivas do Rigor e da
Imparcialidade. Não existe nenhuma razão para que os sábios pairem acima das
paixões que animam o comum dos mortais, mesmo que muitas pessoas queiram que
seja assim.” P. 15.
“Os
homens de ciência não estão mais bem preparados que qualquer outro contra a
tentação de tomar seus desejos pela realidade. A boa ciência é um exercício
difícil, sobretudo para os cientistas!Não se trata
absolutamente de concluir que os sábios são os únicos detentores da verdade:
essa crença bastante difundida, às vezes alimentada pelos cientistas, é a primeira
das imposturas.” P. 18.
“Houve um tempo, já superado, em que
os pesquisadores davam prioridade às publicações científicas em vez da mídia de
grande público”. P. 77.
A
impostura tem em seu time, pessoas de variadas classes:
“O
nível científico dos impostores varia do autodidata completo ao pesquisador
de renome internacional. Mais de um Prêmio Nobel deixou-se encantar pela música
da flauta mágica”. P. 15.
Ironicamente,
segundo Pracontal, as pessoas que mostram grande e intenso interesse na
Ciência, são as que mais dão crédito as imposturas criadas pela falsa ciência.
O avanço do conhecimento sobre o mundo, não fez recuar a crença nas fantasias e
fábulas.
“O
ponto crucial reside na constatação de que a ciência e a técnica não fizeram
recuar as crenças irracionais, e parecem até favorecê-las: ‘Se admitirmos que o
desenvolvimento dos conhecimentos científicos e a difusão do saber provocariam
o declínio das crenças no irracional, era de esperar que houvesse
incompatibilidade entre ciência e crença nas paraciências’, prosseguem Daniel
Boy e Guy Michelat. ‘Ora, constatamos que não é nada disso. Muito ao contrário,
quanto mais alguém se interessa pela ciência, mais acredita no paranormal e na
astrologia. Interessa-se tanto pela ciência quanto queriam ver seus limites
rejeitados. Para esses ‘crentes’, as paraciências representam, portanto, aquilo
que se situa para além da ‘ciência oficial’, e aquilo que é considerado
atualmente como paraciência amanhã certamente se tornará ciência. Assim, quase
a metade dos franceses julga que a ciência admitirá um dia a realidade da
transmissão de pensamento, da influência dos astros sobre o temperamento e dos
óvnis’.” P. 16.
Pracontal
lamenta que hoje em dia, a impostura científica é prática corriqueira. Fazer
Ciência de verdade é mais difícil; é mais trabalhoso; é menos glamoroso. O
grande público dá grande audiência as paraciências e falsas ciências. E não
pensemos que é um público não instruído. As fraudes científicas ajudam nesse
quadro, sobretudo quando Cientistas na concorrência de estarem no alto da torre,
acabam sucumbindo às tramóias e trapaças. A grande mídia sempre precoce e ávida
por audiência, atrelada ao mercado, não está nenhum pouco preocupada em
minimizar os efeitos das imposturas, visto que é muito mais proveitoso (porque dá
ibope) para ela, divulgar as ditas ciências alternativas e as “descobertas
extraordinárias, pois estas duas chamam mais a atenção da grande massa. A mídia
abole as fronteiras entre a ficção e a realidade.
“A
capacidade da mídia para produzir mentiras que passam por verdades não é nova.
Em 30 de outubro de 1938, Orson Welles semeia o pânico pelos Estados Unidos.
Sua versão radiofônica da Guerra dos mundos é tão convincente que os ouvintes
acreditam realmente na invasão dos marcianos. Desde essa demonstração, a
principal mudança foi o aumento de potência da mídia mais rápida, atingindo um
público mais numeroso, e dotada de um temível poder de reinvenção da
realidade.” P. 99.
Uma
das características que Pracontal apresenta dos impostores é está:
“Um
bom impostor varre com as costas da mão as mesquinhas barreiras da ciência
tradicional, abarca o universo inteiro com um olhar. Não hesita em apossar-se
de problemas velhos como a própria humanidade como se fosse o primeiro a
apresentá-los. Nada o detém, porque ele sabe, no fundo de si mesmo, que pode
fazer melhor do que Newton, Einstein e Darwin juntos.” P.
31.
O
sistema planetário de Ptolomeu é uma das mais persistentes imposturas na
história da Ciência. O autor escreve:
“O
sistema de Ptolomeu dava conta, grosso modo, do
movimento aparente dos planetas. Infelizmente, Ptolomeu tinha trapaceado: como
as observações não casavam muito bem com a teoria dos epiciclos, ele tinha
falseado os números para fazê-los entrar à força no sistema. Ptolomeu era um dos
mais perfeitos impostores da história das ciências”. P.
34.
Os
impostores querem “que o mundo se dobre às suas fantasias e às suas vontades”.P. 39.
Há
duas regras usadas pelos impostores, listadas por Pracontal, que achei particularmente
bem a cara deles.
“Seja
revolucionário. Apresente-se como inovador, um inventor, um criador. Seja um
gênio solitário. Afirme em alto e bom som sua singularidade. Ignore aqueles que
disseram a mesma coisa melhor que você e bem antes. Se o seu valor não for
reconhecido, considere como responsáveis o conformismo da sociedade, a
ortodoxia, a ‘ciência oficial’ e até mesmo – por que não? – um vasto complô
internacional destinado a fazê-lo calar-se.
Percorra
os atalhos batidos. Freqüente os lugares comuns. Só emita idéias banais, mesmo – e a
fortiori – revestidas de um discurso esotérico. Siga a corrente dos conceitos
mais comuns. Alimente as superstições. Os extraterrestres têm forçosamente uma
mensagem, o Universo tem forçosamente um sentido, a inteligência é forçosamente
hereditária, a atividade humana põe forçosamente o planeta em perigo”. P.
46-47.
A
impostura propaga-se pelo menos devido a três mitos, que Pracontal
magistralmente revela:
“1) O
mito de que em ciência tudo é possível, mito credenciado pela apresentação
simplista que a mídia faz da pesquisa: todo dia, são anunciados novos
resultados espetaculares, novas descobertas sensacionais; então, por que as
afirmações fantásticas dos impostores, elas também, não seriam exatas?
2) O
mito da revolução científica, realizada sem nenhum esforço por um gênio que uma bela manhã se
levanta dizendo: ‘Hoje vou revolucionar os fundamentos da física!’. Seria
agradável se a ciência progredisse dessa maneira, mas a realidade é mais
complexa. Só que a história das ciências é mal conhecida pelo público e, nesse
ponto, mais uma vez, a mídia raramente retifica a mira do tiro.
3) O
mito do gênio desconhecido: quando está privado de verdadeiros argumentos científicos, o que
acontece muito logo, o impostor desloca a discussão pretendendo que querem
reduzi-lo ao silêncio, que sua descoberta é inovadora demais para ser aceita, e
assim por diante. Como existem efetivamente exemplos históricos em que não
deram atenção aos verdadeiros inovadores, pelo menos num primeiro momento, e
como muitas pessoas gostam muito da idéia do gênio desconhecido, o argumento é
quase irrefutável.” P. 85.
A
fragmentação do saber científico também tem contribuído decisivamente para a
proliferação dos embustes científicos. Pracontal diz:
“A
fragmentação do saber e da prática científica multiplica as áreas que são
dominadas apenas por um número muito pequeno de especialistas. A isso se junta
o fato de que até mesmo os especialistas nem sempre têm um bom conhecimento da
história de sua especialidade [...] Os exemplos que balizam essa lição esboçam
o retrato de uma ciência movida pela esperança irracional, os preconceitos, a
busca da glória, a rivalidade, os lances ideológicos e os interesses
econômicos, assim como pela busca da verdade”. P.
117.
Nas
mais de quatrocentas páginas, vão sendo citadas várias imposturas científicas,
que vão desde Cientistas renomados a charlatães, como Uri Geller. A lista é
grande e, infelizmente, parcial, pois o número de imposturas é muito maior. Eis
algumas:
Cyril
Burt com a sua tese de que a inteligência é hereditária...
Dean
Hamer e a “descoberta” do “gene gay”...
Antoine
Priore e sua máquina de curar o câncer...
Jacques
Benveniste e sua afirmação de que a água possui memória...
O
caso Roswell...
Charles
Dawson e o Homem de Piltdown...
Mendell
e suas ervilhas (mas ironicamente essa impostura serviu a Ciência)...
Paul
Kammerer e o Sapo Parteiro...
Várias
histórias de Cientistas e suas teimosias são contadas. Uns acreditando
firmemente que estavam certos; outros, descaradamente falseando os dados. Até
mesmo as prestigiadas revistas Science
e Nature têm o seu quinhão na
divulgação de imposturas, sendo apressadas em publicar resultados que
precisavam passar por um crivo mais rigoroso, antes que tais imposturas fossem parar
em suas páginas. Os charlatães caras de pau, que não têm nenhuma vergonha em
enganar as pessoas, também são listados. Há muitos exemplos dados pelo autor,
que deixei de mencionar aqui.
Darcy Ribeiro foi Antropólogo, escritor e político.
Desenvolveu importantíssimos trabalhos nas áreas da Sociologia, Antropologia e
Educação. Foi uns dos fundadores da Universidade de Brasília e seu primeiro
reitor. Tem 36 obras publicadas, e entre elas está O Povo Brasileiro, lançada
em 1995, uma obra que conta a história dos povos que originaram a nossa nação e
dos povos que atualmente fazem parte dela. Nesta obra, o Darcy mostra toda a
sua dedicação e amor pelos índios e pelo nosso país. Este filme é baseado nessa
obra e conta com a participação mais que especial dos cantores e compositores
Chico Buarque e Gilberto Gil - também fazem parte, o Cientista, Filósofo e Professor
universitário Aziz Nacib Ab'Sáber, o conceituado Jornalista Washington
Luís Rodrigues Novaes, o Historiador Carlos Serrano, o Antropólogo francês
François Neyt e o ator Matheus Nachtergaele,
que na época em que o filme esse documentário foi produzido, nem era o ator consagrado
que é hoje. O filme é dividido em duas
partes, só a primeira tem pouco mais de três horas de duração e mostra a origem
de nosso país em três matrizes. A Matriz Tupi, Lusa e Afro. O filme mostra que
somos uma cultura sincrética. O Chico Buarque lê um trecho do livro, que diz:
“Surgimos da confluência do
entrechoque, do caldeamento do invasor português com índios silvícolas e com
negros africanos”.
Aí está a nossa origem! E um pouco mais adiante o filme começa a falar da
Matriz Tupi.
MATRIZ TUPI
O Matheus Nachtergaele nos conta que
em 1500, o número de índios no Brasil podia totalizar entre 1 a 8 milhões,
distribuindo–se da Foz do Oiapoque ao sistema fluvial do Paraná, Paraguai e
Uruguai. Aziz Ab` Saber, nos diz que os índios Tupinambás eram o mais aguerridos
e os mais diversificados em sua cultura. Nas palavras de Darcy:
“[...] chegaram a conhecer a natureza
em detalhe, sabia o nome de cada bichinho, de cada planta e sabia pra quê
servia ou não servia”.
Eis os fatos que o filme nos apresenta sobre os índios:
Eles eram auto–suficientes, sabiam tudo que precisavam fazer. Sabiam fazer
a sua casa, sua roça, seus intrumentos, seu arco, sua flecha, sua canoa e etc.
Os Tupinambás foram os índios que tiveram mais contato com os europeus, se
dedicaram a caça e as festas
Viviam em malocas, cada maloca podia caber até 600 pessoas.
Havia liberdade sexual, exceto o adultério feminino, que podia acabar em
espancamento.
O divórcio era simples e fácil de se concretizar.
A homossexualidade era comum, não era segredo pra ninguém.
As divisão de tarefas entre homens e mulheres era bem acentuada.
Para os indígenas não havia uma delimitação clara entre trabalho e arte.
Cada coisa tinha que ser perfeita.
Os Tupinambás tinham um macabro, sinistro e complexo ritual de sacrifício
quando pegavam um prisioneiro de outra tribo.
O filme mostra impressionantes imagens dos índios em suas
aldeias, fazendo as mais inúmeras tarefas. Isso se deve ao fato de o Darcy ter
passado vários meses vivendo com eles. E nessa estadia com os índios, ele
conheceu a figura carismática, o Anancanpucum, um índio informante, que Darcy
considera o homem mais sábio que encontrou na vida. Pois ele lhe ditou toda a
sua genealogia de mil e cem nomes! Então Darcy faz a pergunta:
“Qual
é o nobre que é capaz de ditar espontaneamente mil e cem parentes?”
Tem toda razão. No final da Matriz Tupi é dito que herdamos vários hábitos dos indígenas, tais como: o banho
diário, centenas de frutas e ervas. Mas a maior herança que eles nos deixaram é
o testemunho de que um povo pode viver magnificamente integrado a natureza, respeitando–a.
Nas palavras de Washington Novais:
“O índio desde que nasce, ele
aprende a se relacionar com tudo de forma bonita, tudo tem rituais, o índio
festeja o plantio, o índio festeja a colheita, festeja o nascimento, e não
festeja mas ele cultua a morte. O índio se enfeita muito, o índio canta muito,
o índio dança muito, o índio brinca muito, o índio rir muito. Eu acho que é
muito difícil pra nossa nossa cultura suportar tanta beleza.”
Dizer que "nossa cultura não suporta tanta beleza", é balela. O brasileiro "comum" rir muito, festeja muito, brinca muito, a sua maneira. Essa idealização da cultura indígena em detrimento da cultura tecnológica e liberal, não passa de pura hipocrisia, visto que o Novais prefere viver na última.
MATRIZ LUSA
Nessa segunda Matriz, o filme nos mostra a precocidade de
Portugal e o surgimento com nação, a primeira do mundo. A Judith Cortesão que é
portuguesa nos diz que Portugal tem as fronteiras mais antigas da Europa. Uma
faixa estreita com apenas um milhão ou um milhão e meio de habitantes. Portugal
era um país de pescadores e de navegadores, haja vista o seu território
praticamente todo voltado para o mar. É por isso que o filme nos mostra através
do depoimento do Roberto Pinho que nos conta que a tecnologia naval de Portugal
foi desenvolvida de maneira diferente dos países europeus por uma questão de
sobrevivência. E a consequência disso foi a sua chegada ao Brasil.
O filme vai traçando a história de Portugal dessa
maneira:
Portugal sempre foi ponto de encontro de vários povos de
culturas diferentes e foi palco de várias invasões, que de certa forma
trouxeram vários costumes a cultura portuguesa. No século VIII a.c, os fenícios
invadiram a península trazendo a metalurgia do ferro e a primeira escrita,
juntamente com o conselho da cidade; logo após, vieram os gregos e os
cartagineses marcados pela navegação e o comércio. Em 218 chegam os romanos que
trazem consigo um latino impuro que dá origem a língua portuguesa e espanhola.
Após isso, apropriaram–se da península os bárbaros, visigodos e alanos; até a
invasão dos árabes que introduzem os algarismos arábicos.
Graças a estes fatores os portugueses conseguiram ter um
bom desenvolvimento em sua tecnologia naval, como em seu comércio de
especiarias que respectivamente chegaram na península com os gregos e
cartagineses, sem falar no uso do astrolábio e da bússola que foram invenção dos árabes e chineses.
Pode–se concluir que o povo português e consequentemente
o povo brasileiro, são uma miscigenação cultural de árabes, romanos, gregos e
outros povos que participaram deste processo de formação cultural portuguesa.
MATRIZ AFRO
Nessa matriz o filme nos conta que a espécie humana surgiu na África há
milênios. Isso é verdade. É quase unaminidade entre os estudiosos concordarem
com isso. A África é um continente que vem abrigando ao longo do tempo povos e
nações das mais variadas. O Darcy nos diz que o negro era massa substancial da
força de se fazer trabalho no Brasil. Afinal de contas, eles trabalharam
arduamente na construção desse país. O
Matheus Nachtergaele revela que os primeiros africanos que chegaram aqui vieram
da costa ocidental africana ao norte do Equador. E nos relata algumas características dos povos bantus:
Possuíam objetos de cerâmica
Praticavam a agricultura e criavam gado
Haviam domesticado várias plantas
Dominavam as técnicas de metalurgia
E antes dos europeus chegarem a África, se ordenavam em Estados
Conheciam o comércio, a moeda e a escravidão
Conferiam um valor sagrado ao ferro
O sagrado estava presente de maneira intensa em todas as áreas da vida
Acreditavam na existência de dois mundos, o visível e o invisível
E reverenciavam os seus antepassados
O filme passa agora a relatar as características do reino do Congo, a lista
é a seguinte:
Existia três ordens, a aristocracia, os homens livres e os escravos
O rei não era confundido com os comuns mortais
O rei cometia incesto com a irmã e assim tornava–se o sem–família. Podendo agora ter domínios sobre as todas
as pessoas do reino
E assim o filme vai nos revelando mais uma faceta da nossa origem. Fala da
chegada dos nagôs, iorubás e gegês. Esses povos trouxeram os voduns e orixás e
orikis. A mãe de santo Estela de Oxóssi faz uma observação importante sobre o
porque da cultura e religiosidade negra está tão enraizada no nosso cotidiano:
“Quando você
consegue uma coisa, você tem uma coisa e pra isso você se sacrificou, você
chorou, você passou horas com isso, você valoriza muito mais aquilo. Se você
sofreu por causa daquilo é evidente que você valoriza muito mais. Daí que a religião
africana chegou ao brasil através de muito sofrimento, de muitas perdas, e isso
fortaleceu o descendente de africano. Porque ele sabe ‘que se eu tenho meu
orixá, eu sofri por causa dele, eu apanhei por causa dele, por causa da minha
linguagem, por causa do meu nome, da minha forma de ser. Se as pessoas quiseram
cortar essa característisca minha, é porque ela é de muito valor e ameaçava’.
Você vê que foi plantado uma vida no negro pra um novo mundo e ele cultivou ao
moldo dele e conseguiu florescer muita coisa e está sendo preservada.”
Eis um exemplo de perseverança e fé.
E para concluir o Darcy diz:
“A cultura brasileira, tem por
sua base a negra, por sua base índia. Já incorporou essas bases. Tem um vigor
que vai permitir que ela floresça formidavelmente. E floresça não por
peculiaridade, mas por criatividade.”
E o Chico Buarque concorda:
“O negro vem a ser o componente
mais criativo na cultura brasileira.”
Haja vista sua culinária, suas festas, a Capoeira e etc...
O Povo Brasileiro é um documentário extenso, composto por dois DVDs. Resumi (por
preguiça) apenas as três primeiras partes do primeiro DVD, ainda temos nele: Encontros
e Desencontros, Brasil Crioulo, Brasil Sertanejo e Brasil Caipira. No segundo
DVD, temos Brasil Sulino, Brasil Caboclo e Invenção do Brasil.
Há críticas sérias que podem ser feitas as conclusões do Darcy e dos outros que participam, no entanto, é um documentário magnífico.
O documentário completo está no YouTube, dividido em 30 partes.