quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Somos Todos Canalhas


FILHO, Clóvis de Barros; POMPEU, Júlio. Somos todos canalhas: filosofia para uma sociedade em busca de valores. 1. ed. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2015. (PDF).

"Por mais interessante que possa parecer o argumento de um pensador, deixar-se seduzir por ele ao ponto de lhe consagrar um altar e desconsiderar todas as ideias discrepantes é contrário ao espírito da filosofia". P. 06.

Clóvis de Barros (Ph.D em Ciência da Comunicação na USP) e Júlio Pompeu (Ph.D em Psicologia na Universidade do Espírito Santo) são ótimos intérpretes da Filosofia, colocando em palavras simples as ideias dos antigos gregos e outros pensadores mais modernos.

Aqui, eles passeiam pela história do pensamento, explicitando formidavelmente os valores políticos, sociais e morais, que fizeram os Filósofos quebrarem a cabeça. Passando pela aristocracia dos valores gregos, com a mudança para valores igualitários, advindos do cristianismo, chegando aos ideais iluministas com Rousseau, Kant, discutindo o utilitarismo de Mill. Por fim, dialogando sobre o tema tão em voga da tolerância. Devo ter me esquecido de alguma coisa que eles trabalham, mas em geral é isso.

PS: não consegui identificar os motivos do título deste livro. Há apenas uma menção aos "canalhas" na última página.

Aqui vai uma longa citação, sobre o ceticismo niilista sobre a busca dos valores:

"Desde que o homem pensa, estamos em busca de valores absolutos tais como o bem, o sagrado, o belo – atemporais e independentes da história. O niilismo, que proclama a morte de Deus, contribuiu largamente para fazer acreditar na sua inexistência. Tanto para o niilismo filosófico quanto para o relativismo ético, toda investigação sobre valores é uma grande bobagem ou uma grande sacanagem; uma tentativa de fazer triunfar uma alegria sobre a atemporais e independentes da história. O niilismo, que proclama a morte de Deus, contribuiu largamente para fazer acreditar na sua inexistência. Tanto para o niilismo filosófico quanto para o relativismo ético, toda investigação sobre valores é uma grande bobagem ou uma grande sacanagem; uma tentativa de fazer triunfar uma alegria sobre a outra em nome de uma verdade absoluta que faz défaut.

O problema é que apesar disso tudo temos que continuar vivendo e convivendo. E, salvo o melhor juízo, nossa vida e nossa convivência continuam dependendo de escolhas. E estas sempre implicarão a identificação do que mais vale a pena. Portanto, ainda que eles sejam uma grande bobagem ou uma grande sacanagem, a verdade é que continuaremos precisando de valores para fazer nossas escolhas, encontrar nossos caminhos, seja na particularidade de nossas vidas íntimas ou na coletividade da nossa ética social.

[...] a convicção de que os valores não passam de uma grande bobagem parece atender aos interesses de muitos. Porque assim estaríamos definitivamente chafurdados no reino da animalidade, onde o triunfo da força é garantidor do triunfo dos apetites, dos prazeres em detrimento do que nos é estranho, alheio e sem importância." P. 07.

Se não temos livre arbítrio para deliberarmos racionalmente sobre a melhor maneira de viver, ainda assim, acreditamos que transcendemos a matéria, e é isso que importa. É isso que escrevem os autores:  

"[...] mesmo que alguém sugira que não há liberdade alguma e que não passamos de células ignorantes, incapazes de identificar a complexa rede de causalidades que nos determina estritamente, o fato é que dentro dessa ignorância nos acreditamos livres, senhores de certa autonomia de escolha, trazendo de novo à baila a necessidade da discussão sobre os valores". P. 07.

A diferença entre nós e os animais é que pensamos racionalmente sobre o nosso agir, já os outros seres vivos agem apenas por instintos. Um dos livros de Rousseau nos dão a base disto:

"[Tenho grande apreço] pelo texto de Rousseau intitulado Discurso sobre a origem da desigualdade entre os homens, o qual não canso de citar. Nele, o filósofo suíço explica que o gato nasce sabendo viver como gato. Toda a sua vida será regida pelo instinto. Portanto, tudo no gato é instintivo. Não há a menor possibilidade de ele tomar uma decisão ou fazer uma escolha, porque a escolha na sua vida já é dada pela natureza. Cada movimento seu obedece a uma espécie de programa felino. E é por isso que ele morrerá de fome, mas não comerá alpiste.

O homem não seria assim porque tem condições de escolher e de tomar decisões. Não é 100% regido por seu instinto. Ele é capaz de exercer a sua liberdade justamente porque transcende a sua natureza. E por isso segura um pouco a onda das suas pulsões de vez em quando. Então, Rousseau tem aquela famosa frase: 'No homem a vontade fala ainda quando a natureza se cala.' E a vontade é exatamente essa instância deliberativa, racional, inteligente, que nos faz ir um pouco além da nossa condição instintiva. Costuma-se dizer que o pássaro é livre para voar. Na poesia isso fica bonito. Mas na filosofia sabemos que não há nenhuma liberdade no gesto do pássaro em voo. Ele é escravo do voo, determinado pelo instinto de pássaro. Não há escolha. O voo não é resultado da deliberação, mas uma inexorabilidade da tirania da natureza." P. 98.

Quem nunca valorizou ou gostou de algo, só porque a sociedade, ou pessoas de seu convívio valorizam/gostam?

"Quem nunca se perguntou se aquilo que busca com afinco, que diz que gosta, realmente se trata de algo de que gosta, genuinamente, ou se diz que gosta só porque todos dizem que é algo bom? É o caso quando conquistamos coisas que muitos desejam – os outros nos invejam e parabenizam, mas será que gostamos da coisa conquistada ou dos cumprimentos recebidos? Em resumo, até que ponto a nossa felicidade é mera organização íntima e singular dos nossos afetos e até que ponto essa organização é influenciada pelos outros?" P. 127.

Num país onde a leitura, o estudo, o prazer do conhecimento e da intelecção, é muitas vezes motivo de piada, temos nos últimos anos, um outro agravante: as redes sociais, que democratizaram a mediocridade da grande massa. Estamos sempre ávidos por mostrar como nossa vida é “maravilhosa” e “eletrizante”, e até objeto de inveja dos outros.

"Na falta de recursos intelectuais, educacionalmente adquiridos e desenvolvidos, o que resta é a imitação, adesão irrefletida à moda. Vida sem autonomia intelectual cujo único prazer desloca-se da percepção fantasiosa produzida pelo indivíduo para o aplauso da massa. Não é à toa que estes tempos de educação em baixa, de verdadeira aversão a tudo que lembra atividade intelectual, também são tempos de uma autoexposição inédita. Tempos de privacidade em baixa, fora de moda. É curioso como em menos de cinquenta anos passamos de uma ordem social em que os prazeres eram reservados a espaços íntimos, para poucos, para uma ordem em que os prazeres devem ser fotografados e compartilhados com milhões de espectadores. Antes, o prazer do jantar sofisticado. Agora, o prazer de contar ao mundo sobre o jantar sofisticado. Prazer dos joinhas ou likes do Facebook – como se o jantar perdesse o seu valor como experiência e adquirisse valor como elemento de exposição, como atrativo de aplausos sociais, estes, sim, definidores do prazer." P. 136.

Seria Deus o garantidor dos valores? Como podemos falar neles, sem partimos da premissa de que um Legislador que transcende nossas contingências e contradições é compulsoriamente necessário?

"Os valores são complexos exatamente porque se apresentam como referências por vezes contraditórias que se anulam, que apontam para soluções práticas opostas. Essa complexidade nos dá a chance de escolher, de deliberar individual ou coletivamente, moral ou eticamente, sobre os valores que queremos respeitar. É uma escolha sempre difícil porque, para identificar que valor vale mais, talvez precisássemos de alguma verdade absoluta, uma referência que estivesse no topo da pirâmide e que fosse garantida como fundamento. Talvez por isso muitos tenham dito que sem Deus fica difícil pensar em moral. Se entendermos Deus como o topo dessa pirâmide indiscutível, aí talvez a afirmação faça algum sentido." P. 164.

Mesmo tendo Deus como o topo dessa pirâmide, quais valores derivariam da Divindade Suprema? Este seria/é mais um problema. Mesmo que acreditemos numa verdade absoluta para mensurar os nossos valores, ainda assim, os valores continuariam a serem discutidos ad infinitum. E olha que acredito em Deus... 

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Crer ou cão crer: uma conversa sem rodeios entre um historiador ateu e um padre católico


MELO, Fábio; KARNAL, Leandro. Crer ou cão crer: uma conversa sem rodeios entre um historiador ateu e um padre católico. 1. ed. São Paulo: Planeta, 2017.

Um diálogo! E não um debate de um querendo convencer o outro; seja catequizando o ateu, para que este torne-se um cristão católico; seja a catequese às avessas, de um Historiador querendo incutir o ceticismo, para que o padre torne-se um ateu.

Uma conversa cordial entre dois amigos, que mostram os seus motivos de "crer ou não crer", sem ofender e sem achar que um é superior ao outro.

Gostei.

Algumas falas do Padre Fábio de Melo, 
Mestre em Teologia no Instituto Santo Inácio, em Belo Horizonte:

"Tenho dificuldades em acreditar em um Deus que negocie favores. E o pior, favores que são concedidos mediante exigências sádicas. Alguém promete que atravessará uma passarela de joelhos para que Deus lhe conceda um favor. Há um equívoco por trás dessa compreensão." P. 29.

"Há tanto a evoluir, há tanto a avançar. Pode ser que daqui a algum tempo cheguemos à conclusão de que estávamos errados em matar e comer animais, não sei". P. 35.

"Eu encontrei na religião um conjunto que me anima. Minha religiosidade contempla arte, conhecimento, oração, cuidado com o corpo, terapia. Faço questão de viver uma religiosidade plural, que dialogue com o mundo que me cerca. Mas preciso reconhecer que encontro pessoas que não optaram pela religião e que desfrutam benefícios muito semelhantes aos que eu desfruto com as escolhas que fiz. Pessoas que descobriram o sustento, o ânimo por outras vias.

[...]

Posso identificar em muitas pessoas fora do cristianismo um movimento de evolução, de humanização, de superação daquilo que nos faz retroceder à crueza tribal. Pessoas já maduras para a prática da solidariedade, com senso de justiça apurado. Não estão ali os resultados do cristianismo que tanto que alcançar?

[...]

Encontrei muitos homens e mulheres que não professavam uma fé institucional e que sopravam ânimo em mim. Eu tive professores ateus no curso de Filosofia que me fizeram tão bem quanto os diretores espirituais, porque me aproximaram com muita reverência do mistério humano.

[...]

Hoje, para quem sou, crer como creio, preciso reconhecer as experiências que me foram proporcionadas pelos ateus. Ou pelos indiferentes religiosos, pelos que experimentaram Deus por outras vias". P. 73, 75. 

"Quando movida por interesses políticos, econômicos, ideológicos, a religião torna-se um mero instrumento de poder. Ao abrir-se ao processo mundano, esquecendo-se de que seu papel é promover o amor a Deus e o respeito ao humano, a religião passa a ser um obstáculo ao amadurecimento espiritual. Um discurso religioso tanto pode favorecer a maturidade humana como pode dificultá-la". P. 79. 

"Eu tenho uma repulsa natural ao discurso religioso que tenha como pano de fundo um Deus mercador negociando os seus favores. Eu acho que isso é mesquinho demais para ser cultivado. É um desserviço à fé. [...] Muita gente gravita nessa visão mesquinha de Deus. Para algumas pessoas é assim que funciona. Deus é o mercador com quem se negociam diariamente milagres e favores." P. 111. 

Algumas falas do Leandro Karnal, Doutor em História na USP:

"Quando passei por risco de morte, fiquei curioso se eu apelaria a uma oração, como numa aterrissagem forçada na África. Não aconteceu. Quando vi meu pai num caixão, também imaginei que seria um momento no qual a fé poderia tentar voltar, como memória daquele homem tão católico que eu amava. Não rezei e tive a certeza de que ali se acabava tudo. Meu pai existiria apenas em fotos e na lembrança do bem que fez. Mas, insisto, não foram pessoas ou atos que me afastaram da ideia de um Deus criador. Todo o sistema teológico e explicativo da religião foi parecendo ofensivo à razão e incapaz de se sustentar". P. 41. 

"Nunca considerei as religiões ruins em si (ou pelo menos piores do que todo o resto que criamos), mas passei a considerá-las humanas. Estados ateus matam e Estados religiosos também matam. Cientistas podem eliminar pessoas como inquisidores o fizeram. Mas cientistas e inquisidores são parte da aventura humana, bela e trágica. [...] A questão que tudo isso é humano, explicável, cognoscível, possível de ser dissecado em todas as suas fibras. [...] Nossa consciência humana valida milagres, cria curas, comprova aparições, atesta possessões, entrega-se ao poder de amuletos e sente bem-estar em lugares sagrados. Esse emaranhado de feixes nervosos e neurônios que, desde cognitiva, há 70 mil anos, elabora linguagens complexas também cria e mata deuses. Osíris existiu por mais tempo do que Jesus na crença dos egípcios. Deuses também morrem quando seus adoradores morrem." P. 46, 47-48. 

"Eu acho que nós inventamos essências, uma delas é o amor eterno, romântico; a outra é Deus; a outra é a bondade humana. Inventamos essências que tornam esse vale de lágrimas tolerável. São opiáceos variados em meio a muitas dores. Existe a dor, a solidão, o medo, a finitude representada pela morte, a ausência permanente da paz, o risco da perda de quem amamos, para insegurança quando um filho tarda em voltar para casa... muitas ansiedades. Como não ceder ao consolo da oração, da promessa, da entrega a um poder maior?" P. 57-58. 

"Eu gosto de repetir que se mata em nome de Deus, como por exemplo na Inquisição. Mata-se em nome do ateísmo: os regimes mais genocidas do século XX foram ateus, a União Soviética de Stálin e a China de Mao. Mata-se perseguindo religiosos; Fidel Castro em Cuba, contra a santeria: mata-se em nome do estado e da purificação de raças (eugenia). O que eu acho comum em tudo isso é que gostamos de matar. [...] Então, diferentemente dos divulgadores do ateísmo, como Richard Dawkins, por exemplo, que começa citando John Lennon, 'Imagine um mundo sem Deus, esse é um mundo de paz', eu não acredito nisso, porque o que causa a nossa violência não é Deus ou o ateísmo. [...] As utopias matam muito, Utopias religiosas, utopias socialistas, todas elas. Porque querem produzir um mundo bom, e para esse mundo existir têm que eliminar..." P. 67. 

"O argumento clássico contra os ateus é que eles não explicam a origem de tudo. Tem gente que me pergunta: 'Então de onde você veio?'. Pelo que eu saiba foi da minha mãe. E a mãe dela? E assim até o símio ancestral. Então vem a pergunta: 'De onde veio o macaco?'. Eu digo: 'Da macaca!'. Aí é a minha vez de perguntar: Não é possível então que algo venha de nada? Não. Não é possível que algo gere a partir do nada? Não. Então de onde veio Deus? Ah Deus sempre esteve. Bom, aí no único caso em que essa explicação o favorece, você aceita que o nada gere nada." P. 164.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Guia Politicamente Incorreto dos Presidentes da República


SCHMIDT, Paul. Guia Politicamente Incorreto dos Presidentes da República. São Paulo: LeYa, 2016. (PDF).

"De Deodoro a Dilma [e a Temer]: 130 anos de autoritarismo, corrupção e incompetência." P. 09.

"[Uma] razão pela qual os brasileiros se interessam pouco por seus presidentes é o fato de quase todos terem sido, em que pese a propaganda oficial, desconcertantemente ruins. E a culpa disso eles dividem com o sistema de governo que os define, o presidencialismo". P. 10.

Terminado mais um livro da polêmica série do politicamente incorreto. Aquilo que muitos não querem ouvir. A série tem os seus exageros, seus furos, suas parcialidades. Mas todo livro tem em maior ou menor grau. Um dos defeitos desse livro é o autor ser de forma escrachada, um fã de FHC. Quanto a Lula e Dilma, Schimidt não nutre nenhuma simpatia pela dupla dinâmica. Eu também não. Mas nem gosto do FHC. No entanto, verdade seja dita: Lula COLHEU os frutos do Plano Real, plano este que ele chamou de “estelionato eleitoral”, quando da campanha de 1994.

O autor parece que é um cabra muito bonito, visto que faz questão de enfatizar os supostos “defeitos” físicos de todos os presidentes. Também adora mostrar as puladas de cerca dos chefes do executivo. Tenta trazer as páginas de seu livro a vida íntima deles.

Mas o que causou malefícios ao país? Os adultérios de nossos presidentes, ou as suas roubalheiras públicas? O que é mais vergonhoso?

Quanto aos militares no poder, o autor não nutre nenhuma simpatia. Foram verdadeiras vergonhas nacionais, desde Castelo Branco a João Figueiredo.

Poucos foram os presidentes que prestaram, para Schimitd. Prudente de Morais, Nilo Peçanha, Venceslau Brás, Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek e FHC. Ele exalta o parlamentarismo dos tempos de Dom Pedro II, que foi superior a todo o nosso período republicano.

Abaixo, citarei apenas algumas coisinhas que o autor escreveu sobre os presidentes. Não citarei sobre todos.

Floriano Peixoto, segundo presidente do Brasil (1891-1894), quis proibir o carnaval em fevereiro, passando a festa para junho.

"Como bom autocrata, Peixoto, queria regular todos os aspectos da sociedade, não só o econômico — tabelando preços de alimentos e congelando aluguéis —, mas também o cultural, determinando que, em 1892, o Carnaval fosse transferido para junho. Sua justificativa era que os grandes ajuntamentos dos bailes e desfiles no verão aumentavam o risco de epidemias, por sinal muito recorrentes na época. O povo, que não esboçara reação diante da queda do Império nem dos desmandos de seus despóticos presidentes, prorrompeu em protestos contra a mudança da data de seu folguedo favorito. 'O governo não quer que o povo se divirta', queixava-se um leitor no jornal O Combate, 'não há mais alegria! Não há mais divertimento! Não há mais amor! Não há mais Carnaval! Não há mais mulheres!'" P. 30-31.

Campo Sales (quarto presidente 1898-1902) fez um governo tão lixo, que na sua despedida da presidência foi escorraçado pela população.

“Tão gigantesca era sua impopularidade que, em gritante contraste com a apoteose da despedida de Prudente de Morais [terceiro presidente (1894-1898)], Campos Sales foi embora do Catete sob uma chuva de vaias e legumes podres. Quase toda a brigada policial precisou ser mobilizada para protegê-lo até a estação ferroviária. As janelas do seu trem foram apedrejadas e os xingamentos enraivecidos o perseguiram sem trégua por todo o infindável trajeto até o portão de sua casa em Campinas.” P. 50.

Como é regra na história na presidência de nosso país, Hermes da Fonseca, oitavo presidente (1910-1914), fez um péssimo governo. Talvez o pior presidente da República Velha. O Jornal Correio da Manhã de 15 de novembro de 1914, assim resume o seu mandato:

“Não haverá, por certo, em toda a história política do Brasil, lembrança de um governo que deixe o poder tão amaldiçoado, nem de um chefe de governo que saia da sua posição tão coberto pelo descrédito, pela cólera do povo e até, ultimamente, pelo ridículo. Por isso, a manhã do dia de hoje é como uma aurora de esperanças e a atmosfera que respiramos nos dá a ideia de ser mais oxigenada. Dir-se-ia que éramos cativos e reconquistamos a liberdade. O lixo da situação miserável que nos aniquilou vai, portanto, ser varrido. Façamos ao marechal Hermes, depois do balanço da sua obra, uma apoteose da vassoura.” P. 92.

A "brilhante" participação do Brasil na Primeira Guerra Mundial (1914-1918), no governo de Venceslau Brás, nono presidente:

“No ano de 1917, após ter três navios postos a pique por esquadras alemãs, o Brasil saiu de sua neutralidade e declarou guerra ao Segundo Reich em outubro. Por todo o país criou-se um clima de euforia patriótica e apoio à ‘gloriosa atitude brasileira de apoiar os Aliados’. O escritor Monteiro Lobato denunciou esse nacionalismo guerreiro como uma forma de desviar a atenção dos brasileiros dos verdadeiros problemas nacionais, como a precariedade da saúde pública e o 'caráter antidemocrático do governo presidencialista, que não dava poderes à Câmara e ao Senado, verdadeiros governantes das democracias parlamentares'.

Outros, no entanto, criticavam o governo por demorar em enviar tropas brasileiras à Europa, chamando o presidente de indeciso. A verdade é que Venceslau não via vantagem alguma para o Brasil nessa aventura. Por fim, incapaz de contemporizar por mais tempo, enviou reforços rumo ao conflito. Durante a viagem, os marinheiros confundiram um cardume de golfinhos com um submarino alemão e abriram fogo contra os pobres cetáceos, episódio imortalizado com o nome de Batalha das Toninhas. Foi a única que os brasileiros travaram: chegando a Gibraltar, em 11 de novembro, a I Guerra Mundial havia terminado.” P. 98-99.

Epitácio Pessoa, 11º presidente, como de praxe, foi um corrupto que espoliou a nação, e também era racista.

“[Quando] presidente, vetou a participação de futebolistas negros na seleção que disputaria o Campeonato Sul-Americano, em 1921.

[...]

Ao contrário do antecessor Venceslau Brás, não teve o menor escrúpulo em usufruir dos recursos públicos; a imprensa o acusava de ser um cabide de empregos. De fato, Epitácio recebia uma pequena fortuna em salários e aposentadorias pagos pelo contribuinte, como professor da Faculdade do Recife, em férias vitalícias, ministro aposentado do Supremo, senador e juiz da Corte Internacional de Haia. No exterior, recebia duas ajudas de custo, uma pela Corte e outra, ilegal, através de verba secreta do Itamarati. Também ganhou rios de dinheiro como advogado de empresas estrangeiras em processos contra o Brasil. Segundo um embaixador inglês ao Foreign Office, Pessoa estava ‘sempre pronto, em troca de vantagens pessoais, a colocar seus grandes conhecimentos jurídicos a serviço das corporações britânicas em dificuldades com as leis brasileiras’.” P. 110-111.

Getúlio Vargas, 14º (1930-1945) e 16º (1951-1954) presidente, foi o melhor homem do executivo que tivemos.

“Toda revolução é seguida por uma ditadura instaurada sob o pretexto, suposto ou sincero, de consolidá-la, e que, via de regra, acaba por trair seus princípios mais idealísticos. Foi assim com as revoluções francesa, russa, cubana. E com a brasileira. Elevado ao poder supremo por uma revolução, Getúlio Vargas, único civil brasileiro a se tornar ditador, transformou o país como homem nenhum já fez, antes ou depois. Não somente graças às suas inquestionáveis qualidades como estadista, mas também ao longo tempo que ficou no poder, foi o melhor de todos os presidentes do Brasil, a ponto de dar nome ao período que constituiu um divisor de águas na nossa história. Seu desserviço aos valores democráticos, contudo, foi proporcional à sua contribuição em tudo o mais.” P. 138.

Sobre o presidente que construiu Brasília:

"[Os cinco anos de Juscelino Kubitschek na presidência (1956-1961)] foi um interlúdio de democracia, honradez e eficiência no meio dos 130 anos de autoritarismo, corrupção e incompetência da história republicana brasileira". P. 188.

João Goulart, presidente (1961-1964), foi o mais tarado chefe do executivo que tivemos. O cara era um pegador de domésticas e prostitutas.

“Ainda adolescente, engravidou uma empregada de 16 anos, expulsa de casa pela família Goulart. O filho, Noé, foi criado por outra família e, em 1977, requereu na justiça, com sucesso, parte dos bens de Jango. Em 43, outra empregada da família, Laires de Lencina, ficou grávida de Jango. Também expulsa da fazenda, teve uma filha, que acabou criada pela irmã, Juraci, esposa de Gregório Fortunato, o Anjo Negro de Getúlio Vargas.

Matriculado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, interessava-se apenas por futebol e pelos prostíbulos da capital gaúcha. Em um deles contraiu sífilis, que lhe afetou o joelho esquerdo, dificultando a sua locomoção e impedindo-o de jogar futebol. Jango sempre atribuiu sua leve claudicação a um coice de cavalo.

[...]

Quando secretário de Justiça, continuava assíduo dos lupanares de Porto Alegre, a tal ponto que seu assessor precisava levar os processos da Secretaria ao bordel favorito de Jango, o Cabaré da Mônica.

[...]

Quanto às infidelidades de Jango, nem ele mesmo se dava ao trabalho de negá-las.

— Você vai ser a primeira em tudo, vai ser sempre a primeira mulher — disse à noiva, com seu carregado sotaque gaúcho —, mas não vai me proibir de sair à noite.

Ela relembrou em uma entrevista, quarenta anos depois, que ‘não houve uma vedete do Carlos Machado que o Jango não tivesse comido... sem contar a paixão pelo jogo, pelo turfe e pelo álcool’.” P. 216, 217.

Sobre a Ditadura Militar:

“Esses cinco ditadores [presidentes da ditadura militar (1964-1985)] — todos oriundos do Colégio Militar de Porto Alegre, fundado por Júlio de Castilhos — não somente governaram por meio de arbítrio e acentuada violência, mas também governaram muito mal, pois adotaram a política udenista de total sujeição ao capital externo aliada a um desenvolvimentismo que privilegiava obras faraônicas, os quais produziram, durante o governo Médici, um curto e ilusório “milagre econômico” seguido, a médio e longo prazo, de um endividamento externo monstruoso e uma bola de neve inflacionária que só derreteu vinte anos depois sob o sol do Plano Real.

[...]

Tacanhos, de escassa cultura, parca nobreza de caráter, provincianos e com limitado entendimento de tudo o que ocorria no mundo fora de seus quartéis, os generais-presidentes condenaram o país a uma indigência cultural equivalente à material, impondo a censura, reprimindo intelectuais e artistas, contribuindo para que o cinema nacional, promissor no início da década de 60, degenerasse em fábrica de pornochanchadas, e que o principal produto da cultura brasileira fosse a telenovela.” P. 226.

Sobre o presidente playboy e macumbeiro:

“[...] Collor [presidente (1990-1992)] fez algumas coisas boas pelo país. Iniciou, ainda que timidamente, o processo de privatizações de estatais dispendiosas, verdadeiros cabides de emprego e focos de corrupção; enxugou a máquina pública suprimindo ministérios, autarquias e fundações, demitiu funcionários fantasmas e reduziu restrições à importação. Infelizmente, porém, o seu Plano Collor I revelava-se um fracasso. Por falta de dinheiro em circulação, os preços haviam caído, mas a produção também. A economia ficou estagnada, o Brasil entrou em recessão, com altos níveis de desemprego... e a inflação ressurgiu. O Plano Collor II foi igualmente ineficaz, e a inflação voltou a subir em maio de 91, chegando a 20%”. P. 261.

Palavras de Dilma Rousseff, sobre FHC:

“O acadêmico inovador, o político habilidoso, o ministro-arquiteto de um plano duradouro de saída da hiperinflação e o presidente que contribuiu decisivamente para a consolidação da estabilidade econômica.” P. 273.

A ironia:

“Em seus dois mandatos [de FHC], quase 600 mil famílias de agricultores sem-terra foram assentadas, mais que o dobro do total nas três décadas precedentes, e em quantidade bem maior que nos dois subsequentes governos esquerdistas”. P. 278.

Lula foi um zoófilo! Perdeu o cabaço com um animal. Foi com um cachorro? Com um jumentinho? Com uma burrinha? Só o barbudo sabe.

“Segundo outra história contada por ele — e nesta podemos crer, pois não é do tipo que rende dividendos políticos, muito pelo contrário —, Lula, ainda menino, perdeu a virgindade com um animal, embora não saibamos de qual espécie. Como ele mesmo conta, ‘Um moleque, naquele tempo, com 10, 12 anos, já tinha experiência sexual com animais... A gente fazia muito mais sacanagem do que a molecada faz hoje. O mundo era mais livre.’ Nota-se que, já em 1979, o ano dessa entrevista que deu à revista Playboy, Lula cultivava o famoso hábito de atribuir a todo mundo seus próprios desvios.” P. 288.

Dedo no cu:

“[Lula] orgulhoso não só da própria ignorância e primitivismo, mas também de sua escatológica falta de educação, disse uma vez à sua ministra do Meio Ambiente, Marina Silva: — Marina, essa coisa de meio ambiente é igual a um exame de próstata. Não dá para ficar virgem toda a vida. Uma hora eles vão ter que enfiar o dedo no cu da gente. Companheira, se é para enfiar, é melhor enfiar logo.” P. 294-295.

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Filmes Vistos (13)


Mais uma sensacional história da Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Soldados dos EUA caem no mar, e depois de 47 dias no maior sofrimento em alto mar, são capturados por soldados inimigos do Japão. Zamperini, italiano imigrante do EUA, juntamente com o seu parceiro de guerra, sofrem o pão que o diabo e os japoneses amassaram, nos campos de concentração. A única forma de vencer os japoneses é continuarem vivos até o fim da guerra.


Não é uma obra prima. Não é um filme comovente. Todavia, tem uma ótima proposta; uma contundente crítica ao ambiente perigoso em que vivem as mulheres indianas, que mal têm a proteção do estado, quando sofrem ou são estupradas. O sistema policial e jurídico da Índia é uma verdadeira vergonha (bom, esse país é uma verdadeira vergonha em praticamente todos os quesitos). Este filme me fez lembrar o documentário Filha da Índia: A História de Jyoti Singh, que diz:

“Segundo os últimos números oficiais, uma mulher é estuprada na Índia a cada 20 minutos. Mas muitos estupros não são denunciados.”

Não são denunciados, porque as mulheres temem que o que pode acontecer é exatamente o que Pink trás em seu enredo.


Uma batalha do raciocínio lógico, inteligência e bom senso, contra a superstição, pensamento mágico e conveniente. Uma trama sensacional e instigante. Um verdadeiro clássico. 


Vi o primeiro há pouco mais de dois anos, agora terminei a segunda parte da saga criminosa da família Corleone, os mais famosos gangsteres do cinema. Al Pacino (Michael Corleone) e Robert De Niro (Vito Corleone) estão impecáveis em suas performances.


Fechando a trilogia. Achei tão bom quanto os dois primeiros. Apenas acho que existe um exagero de elogios enorme em torno desses filmes. São ótimos filmes, mas nada arrebatadores.

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Filmes Vistos (12)


Madalyn Murray O'Hair causou a fúria ensandecida de muitos "cristãos" norte-americanos, quando na década de 1960 conseguiu que a Suprema Corte daquele país banisse a oração das escolas, que até então era uma prática que todos os alunos deviam seguir, mesmo não compactuando com a religião cristã, ferindo a constituição de separação entre igreja e Estado. Está aí, um dos motivos dela ter sido por pouco mais de três décadas, "a mulher mais odiada da América". Este filme conta-nos um pouco de sua história de militância contra a religião, e sua trágica morte por assassinato em 1995, a qual certamente deixou muitas pessoas "di dels" felizes.


Filme bom, apesar de um defeito fundamental: tentar passar a visão de que os militares e governos norte-americano e britânico estão super preocupados com as mortes dos civis, seja no Oriente Médio, seja na África, como é o caso aqui. O lado bom do filme é que ele suscita um debate ético muito interessante e intenso. É moralmente ético tirar a vida de uma criança, para que outras 80 vidas (adultos e crianças) sejam salvas?


Belo filme, filme belo! Uma história de superação e vitória sobre o preconceito tolo, que a humanidade teima em ter, não importa a época ou lugar. E o pior é que começamos a mostrar o nosso lado ruim, mau e discriminador, desde crianças. 


Acredito que este, tenha sido o filme mais tenso que já vi. A história de um estupro medonho de uma linda menina, quando ela caminhava para a escola. Ela sobrevive. Mas as consequências de ter sido violada serão para o resto de sua vida. Emociona demais. Desesperador, e ao mesmo tempo, apesar de todo o sofrimento advindo do estupro, um fio de esperança e alegria ressurgem em meio a dor. 


Baseado numa obra do século XIX, do romancista português Eça de Queiroz, este filme é uma dura crítica ao celibato sacerdotal na igreja católica. Se o autor vivesse em nossos dias, sua obra sofreria uma modificação substancial - ao invés de terem como personagens, padres mulherengos, teria padres pedófilos, acobertados pelo Vaticano. É um ótimo filme.

Documentários Vistos (26)


Um negro é morto por um branco, numa discussão em uma oficina, em 1992. A família até hoje procura saber o porquê do assassino não ter sido julgado e preso. A justiça considerou que o homem branco agiu em legítima defesa. As evidências parecem sugerir que não. Strong Island (Ilha Forte) reflete a parcialidade racial do sistema jurídico norte-americano, visto que se fosse o contrário, é quase certeza que o negro seria julgado a passar uns bons anos trancafiado. O fantástico filme Tempo de Matar, com Samuel L Jackson e Sandra Bulock, alerta há mais de vinte anos, sobre as injustiças racistas feitas nos tribunais daquele país.


Na Nova Zelândia, uma mulher passa a ter comportamentos estranhos, e sua família extremamente supersticiosa e afundada na tradição nativa maori, diagnostica o comportamento bizarro e assustador da jovem, como uma possessão de um espírito maligno. Em nenhum momento pensaram que poderia ser um distúrbio mental, sem ligação alguma com o que acham ser o mundo mágico e sobrenatural de sua religião. O resultado é triste e desolador, visto que nos rituais de exorcismo feitos pelos próprios familiares, a tal "possessa" veio a óbito por afogamento, pois a família pensava que jogando água fria em seu rosto e fazendo ela engolir litros e mais litros de água, o tal espírito do mal sairia dela. 

A justiça da Nova Zelândia condenou alguns familiares, mas não os prendeu. O pior de tudo é que a família tão alienada nas tradições religiosas em que fora criada, ainda acredita que a maldição está presente entre eles. Não consideraram por um único momento em levar em conta o que a Medicina tem a dizer.


Quando Dois Mundos Colidem trata do conflito entre nativos e o governo peruano, que quer vender parte dos recursos naturais da Amazônia para empresas norte-americanas. A partir daí, os conflitos tornaram-se inevitáveis, ocasionando tanto a morte de indígenas quanto de policiais. No Brasil algo semelhante acontece, quando o governo brasileiro vendeu os direitos de exploração do ouro ainda existente na Amazônia a empresa canadense Colossus. Sob o pretexto de um hipotético desenvolvimento econômico do país, a destruição da natureza vira um mero detalhe sem importância, contanto que os empresários e governantes fiquem com o rabo cheio de dinheiro.


Judeus ultraconservadores e fechados em si mesmos fugidos da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), se instalam em Nova York, no bairro do Brooklyn. O fanatismo e o isolamento são bastante acentuados, fazendo com que alguns membros mais jovens rompam com a tradição ao qual foram criados. Mas não é fácil se adaptar ao novo mundo, que possui infinitas possibilidades, principalmente, quando esses jovens praticamente nada sabem sobre esse nascente universo que estão começando a ver e apreciar. 

Como toda seita que se preze, o judaísmo hassídico é mais uma comunidade religiosa que encobre os casos de estupros que acontecem em seus bastidores. Os membros estão proibidos de dar qualquer queixa a polícia, por abusos sexuais. É difícil sair de religiões assim, com alguma dignidade, pois farão da sua vida um inferno, e você sempre será visto como o filho do diabo, rebelde, egoísta... 

Um povo que foi tão perseguido e maltratado, podendo aprender e tratar os seus com mais dignidade, respeito e compaixão, acabam praticando coisas horríveis em nome de sua fé religiosa, que eles (aparentemente) não pensam por um momento, que ela pode ser uma grande quimera. Nada mais que um conto bonito para aliviar a tensão que é viver em mundo tão caótico e injusto.


Não bastasse a África com os seus vários problemas estruturais de ordem econômica, política e social, ela ainda tem de enfrentar os malditos caçadores ilegais de marfim, que matam um elefante a cada 15 minutos, para vender os seus chifres no mercado negro de Hong Kong e da China, gerando um empobrecimento incalculável nas savanas do continente africano. Eles assassinam sem piedade, destruindo toda a estrutura familiar que cada manada de elefantes possui. Quando um elefante é morto, toda a estrutura familiar desaba; fica desestruturada. O Extermínio do Marfim vai atrás desses canalhas FDP, para colocá-los na cadeia. Uma guerra se instala. E apesar de toda a matança de elefantes, avanços são conseguidos. Um grande traficante de marfim é preso, China e EUA se comprometem a acabar de vez com o comércio de marfim. Tomara que eles cumpram as metas estabelecidas. No entanto, a China ainda não fixou um prazo para a cessar de vez o comércio de marfim em seu território. Sinceramente, com o histórico de perversidade desse país, não dá para confiar muito nele.