domingo, 1 de abril de 2018

Espíritos Entre Nós



PRAAGH, James Van. Espíritos Entre Nós. Rio de Janeiro: Sextante, 2010. (PDF).

Não tem jeito. Assim como no Brasil, que temos os nossos charlatães midiáticos na área religiosa, os EUA também têm os seus. James Van Praagh é um médium muito conhecido por lá, que vende bastante livros, contando suas mentirosas histórias de contato com os espíritos dos mortos. É cada história mirabolante que ele conta, que não senti credibilidade alguma nas páginas deste livro. Parto do pressuposto de que diálogos com quem já morreu não acontecem, logicamente pensando dessa forma, pelo menos a princípio, não sentirei veracidade nos relatos do Praagh. Mas mesmo lendo a sua obra com essa pressuposição, não quer dizer que não poderia ser levado pelas evidências e histórias que ele traz, a um reposicionamento sobre tudo isso. Várias vezes comecei lendo um livro, ao qual, estava incrédulo quanto ao seu conteúdo, e a força do argumento, me mostrou que eu estava (ou podia estar) errado, deixando-me dúvidas e pensativo: “Será que ele pode estar certo? Pode haver um fundo de verdade nisso tudo?” Não descarto por completo a comunicação com os mortos. Acho que muita coisa doida pode acontecer nessa nossa existência caótica.

Vejamos algumas bobagens que ele diz.

A ciência tem menos valor que a necromancia:

“A ciência é boa e útil, mas não há nada melhor do que obter informações em primeira mão vindas de um espírito. Quando a compreensão e as palavras nos chegam diretamente dos espíritos que nos assombram, tudo atinge um novo patamar de entendimento”. P. 08.

Não sentimos dor ao morrer:

"Independentemente da forma de morte – homicídio, doença, acidente, suicídio ou velhice –, existe um fator constante que se repete. Ninguém sente dor ao morrer. Nunca me canso de repetir isso para as pessoas. Na verdade, é a ausência de dor que confunde muitos dos que acabaram de morrer, porque eles não percebem que se foram. Ninguém fica sozinho na hora da morte. Quando saímos do corpo, nossos entes queridos que já faleceram vêm nos receber. Talvez tenham se passado vários anos desde que os vimos pela última vez, mas os laços afetivos que nos uniam na Terra continuam muito presentes do outro lado." P. 15.

As almas estão presentes no seu próprio enterro, e dão pitacos sobre como eles deveriam ocorrer:

“Depois que os mortos abandonam o corpo físico e percebem que não estão mais conectados a ele, passam para a membrana que existe entre a Terra e a dimensão mais próxima. Nesse ponto, decidem se querem permanecer perto da Terra como espíritos terrenos ou se querem fazer a travessia para a luz. Durante essa brecha de oportunidade, os espíritos com freqüência vão a seu próprio enterro para ver os preparativos, quem aparece e assim por diante. Já ouvi muitos comentários esquisitos de espíritos quando estão no próprio funeral: ‘Por que é que colocaram esse vestido em mim?’ ‘Quem escolheu essas flores para o meu caixão?’ ‘Eu queria estar em um caixão mais bonito’. Ouvi com frequência espíritos dizendo que não gostam de caixão aberto. Muitos causam distúrbios em seus próprios funerais, para que seus parentes ‘entendam a mensagem’. E também há aqueles que não se importam com os detalhes do funeral e ficam muito surpresos ao presenciar toda a agitação ao redor do evento.” P. 20.

Os mortos têm o poder da onisciência sobre as mentes dos vivos (pensei que só Deus tinha):

“[...] espíritos são extremamente sensíveis e, por isso, têm a capacidade de captar com clareza cristalina nossos pensamentos e o que sentimos, como se tivessem algum tipo de radar especial. Ao pensar em um ente querido [morto], você pode atrair o espírito dele”. P. 26.

Os ateus vão se ferrar quando morrerem (ok, as religiões de um modo geral pensam assim mesmo):

“Com freqüência me perguntam: “O que acontece quando a pessoa não acredita na vida após a morte?” Uma pessoa que não acredita na vida após a morte ficará bastante surpresa ao descobrir que ainda está viva. Talvez demore muito tempo até compreender o que aconteceu e, durante esse período, ela vagará pelo plano astral inferior”. P. 41-42.

Nós escolhemos a família que teremos antes de vim parar na Terra:

“É muito freqüente que as pessoas me abordem dizendo: ‘Eu não escolhi minha família.’ Mas a verdade é que nós a escolhemos, por mais absurdo que isso possa parecer. Escolhemos os integrantes de nossa família antes mesmo de iniciarmos nossas existências terrenas. Na verdade, nossas famílias têm estado conosco durante muitas vidas. É interessante constatar como as almas viajam em grupos. Freqüentemente elas esperam até estarem todas juntas do outro lado para chegarem à Terra ao mesmo tempo”. P. 46.

Logo que morremos, tentamos nos comunicar com a nossa família:

“Por que os espíritos desejam se comunicar conosco? Os espíritos são iguaizinhos a nós, e seus motivos são diversos, mas parece que a razão mais comum para um espírito querer entrar em contato é para ajudar sua família enlutada. Logo depois que a pessoa passa para o outro lado, sente a dor e o sofrimento de seus parentes. O que o espírito deseja é simplesmente informar à família que não está morto, mas plenamente vivo, e por isso fica por perto. A maioria das famílias está em tal estado de choque ou tão envolvida com o funeral que não percebe seus entes queridos tentando chamar sua atenção. É como se não ouvíssemos a campainha do telefone e o deixássemos tocar e tocar. Os espíritos sentem uma grande frustração quando não conseguem se comunicar com seus entes queridos.” P. 65-66.

Os mortos estão em toda parte:

“Talvez não tenhamos consciência das muitas entidades que circulam ao nosso redor, mas os espíritos são capazes de vagar livremente por onde bem desejarem, porque, como já disse, eles não estão limitados à dimensão física. Não precisam de qualquer meio de transporte para ir de um lugar para o outro, porque viajam por meio de pensamentos. Um lugar assombrado é um local com alta concentração de atividade de espíritos que se estende por um longo período. Com base em minhas investigações, descobri que esses locais possuem uma forte ligação emocional com o espírito que nele se manifesta, como aconteceu com o seminário que era assombrado por pessoas que o tinham ocupado no passado. Os espíritos associam fortes lembranças mentais e emocionais a determinado lugar, com o desejo de revivê-las, e em alguns casos permanecem lá por não serem capazes de parar de repeti-las. É por isso que eles causam distúrbios na energia. Por outro lado, talvez os espíritos apenas desejem proteger um local para garantir que os atuais ocupantes respeitam seu lar e cuidam dele com o mesmo empenho.” P. 78.

Cuidado da próxima vez que for ao dentista:

“Acredite ou não, consultórios de dentista normalmente estão lotados de espíritos. Outros lugares surpreendentes são escritórios de advocacia e tribunais, por causa das emoções amedrontadoras ligadas a eles. Nesses contextos as pessoas estão esgotadas emocionalmente, sentem muita raiva, são acusadas – injustamente ou não, se de fato cometeram crimes. Alguns espíritos tiveram problemas com a lei quando estavam vivos, e gostam de absorver o máximo possível desse tipo de energia. Outros talvez tenham sido inocentes das acusações sofridas e só querem garantir que a justiça seja feita. Hospitais estão repletos de doenças, preocupações e medo da morte. Sempre que visito alguém em um hospital, vejo espíritos por perto. Alguns estão lá para sugar a energia das pessoas debilitadas, outros, para auxiliar seus entes queridos em sua passagem para o além. Há ainda alguns espíritos que acabaram de falecer e estão meio confusos em relação a seu paradeiro.” P. 81.

sexta-feira, 23 de março de 2018

Do Outro Lado: A História do Sobrenatural e do Espiritismo


PRIORE, Mary Del. Do Outro Lado: A História do Sobrenatural e do Espiritismo. 1 ed. - São Paulo: Planeta, 2014. (PDF).

A Historiadora Mary Del Priore (Ph.D em História na USP) sabe como ninguém trazer a baila assuntos que fogem da história tradicional, que geralmente se resumem a tratar de assuntos ligados a política e economia. Até mesmo para quem é formado em História e apaixonado pelo passado, sente-se frustrado em pegar em livros (acadêmicos) que só tratarão do que os bandidos (políticos) fizeram em décadas e séculos atrás. Mary percebendo que bons livros de História podem ser escritos saindo dessa mesmice historiográfica, sempre escreve sobre temas interessantes sobre a história do nosso país. E quer assunto mais intrigante e que chame mais a atenção, do que um que fale sobre o sobrenatural?

"O que há do 'outro lado'? Esta não é uma pergunta feita apenas por historiadores. E, sim, pela sociedade. Religiosos, filósofos, antropólogos, médicos, pesquisadores de várias áreas, além de cidadãos comuns, querem saber. Passa-se por um túnel frio e escuro para mergulhar em águas quentes e iluminadas? Voa-se, de forma invisível, sobre o próprio corpo? Seres de luz vêm nos buscar? Nada se sabe, embora se acumulem depoimentos daqueles que voltaram do além. Mesmo com o cérebro aparentemente estacionário, eles foram capazes de ter visões. Os cientistas chamam o fenômeno de EQM: experiência de quase-morte ou near-death experience, termo cunhado pelo psiquiatra norte-americano Raymond Moody depois de ter estudado mais de cem casos." P. 09.

Se o Brasil é o país mais católico do mundo, ele é o país mais espírita também. Seja mediante as religiões afros, nas suas várias manifestações, como o candomblé, umbanda, jurema, tambor de mina e etc. - seja através do chamado alto espiritismo, tendo como principal eixo os ensinos do francês Alan Kardec, o organizador da doutrina espírita.

Mary fez uma exaustiva pesquisa nos jornais e revistas do século XIX, livros de Kardec e livros, revelando o boom do espiritismo nos EUA, com as irmãs Fox, passando pela Europa, e chegando as terras brasileiras.

“[...] não há sociedade ou cultura na qual esteja ausente a preocupação dos vivos com os mortos, e da participação dos mortos na vida dos vivos. [...] A necessidade de religião - capaz de, na medida do possível, harmonizar o racional e o irracional – continua, de forma consciente ou subliminar, essencial ao equilíbrio humano.” P. 12.

O livro fala sobre o frisson das mesas volantes, do magnetismo, do sonambulismo, do curandeirismo... A reação da igreja católica que condenava todas essas manifestações, atribuindo ao diabo essas práticas que iam de encontro ao que ela ensinava e acreditava. Os jornais também denunciavam o novo movimento religioso, acusando-o de charlatanismo, enganador das massas pobres e ignorantes. As várias classes sociais, que a sua maneira aderiam as práticas espíritas, ora atrás de cura para as suas doenças, ora para saber o seu futuro, ou se comunicar com entes queridos.

No período medieval, a própria igreja ajudou a sedimentar o interesse e o medo dos espíritos, com histórias absurdas, algo que não é novidade no catolicismo.

“Na Idade Média, fantasmas e almas do outro mundo começaram a registrar sua existência. Cronistas da Igreja não hesitavam em comentar que os cadáveres saíam de sua sepultura, passeavam à vontade e, depois, voltavam aos túmulos que abriam com as próprias mãos. Montavam a milhares os testemunhos de tais fatos. Ao competir com os santos, defuntos ganhavam outra característica: a de fazer milagres, sobretudo por quem rezasse por eles. Além do mais, manifestavam-se aos vivos de diversas formas: por meio de sonhos e visões, na forma de fantasmas ou de mortos-vivos.” P. 23.

O grande codificador/organizador da doutrina espírita, foi o conhecido Alan Kardec.

“Em O Livro dos Espíritos, Kardec conta que sua conversão [crença na comunicação com os mortos] foi gradual. Levou dois anos. Não foi uma conversão súbita e emocional, mas sim pensada, refletida, ponderada; uma conclusão rigorosa a partir de um conjunto de 'princípios incontestáveis'. Para ele, o mundo espiritual era o prolongamento da vida concreta. E até mais importante, porque eterno. E passível de ser estudado cientificamente”. P. 34.

A doutrina espírita logo em seu início já adiantava que poderia haver erros ou má conduta dos espíritos contatados. Uma boa estratégia para sempre manter a religião espírita num patamar de veracidade. Se houve erro: a culpa é da interpretação do médium ou do espírito pilantra que quis enganar. Nunca será da própria estrutura de doutrinária e de crenças do espiritismo. Uma maneira esperta de continuar enganando.

“Como outras religiões, o espiritismo que chegava ao Brasil se apresentava como uma revelação, tal como a que tiveram Moisés ou Jesus Cristo. Ela não emanaria de Deus, mas de espíritos falíveis, por vezes trapaceiros, que, embora mortos, estavam perto dos vivos. Donde, para o destinatário da revelação, a necessidade de verificar e discutir tais mensagens.

Como Kardec mesmo dizia, o risco de erro e mistificação não seria jamais eliminado. Ele não tomava tais mensagens por verdades. Cada espírito poderia ensinar alguma coisa aos homens. Mas nenhum ensinaria tudo. Cabia ao interessado formar um conjunto de informações com a ajuda de documentos, ligando uns aos outros. Daí a importância da interpretação ‘científica e moral’, fundamental no kardecismo.” P. 39.

Como era um novo movimento espiritual que estava dando as caras, o espiritismo de Kardec naturalmente entraria em conflito com a igreja católica. Kardec tinha plena consciência disto e foi cauteloso quanto a essa delicada questão.

"De início, Kardec evitou se chocar com a Igreja. Não queria atrair a fúria de uma instituição que era um pilar político. Além disso, num país de cultura católica, seria suicídio exigir que os católicos escolhessem entre suas crenças e o espiritismo. Mas, a partir de 1864, quando suas obras foram colocadas no Index de leituras proibidas pelo Santo Ofício da Inquisição, tornou-se quase impossível conciliar catolicismo e espiritismo". P. 42.

O espiritismo nega ensinamentos centrais do cristianismo, e Kardec sabia dessas diferenças.

“Um dos pontos favoritos das teses de Kardec era a negação do inferno e de seus castigos eternos. Segundo ele, ninguém poderia acreditar numa tal ideia, incompatível com a da existência de um Deus, sinônimo de amor. O único critério de salvação não devia ser o medo, mas a retidão de princípios e a caridade. Fora dessa última não haveria salvação”. P. 42.

O catolicismo não aprovava e nem aprova a comunicação com os mortos, porém, isso é bem contraditório, visto que o fiel católico é orientado a rezar pedindo ajuda a Maria ou a um panteão de santos mediadores, ou seja, pessoas que já morreram. O que é a reza/oração, se não uma espécie de comunicação/diálogo entre quem pede (humano vivo) e entre quem o escuta e responde (Deus, Maria, santos), respondendo com um sim ou um ano, a prece do fiel?

“A Igreja, como já vimos, também movia sua guerra contra a doutrina [espírita]. Desde 1864, ela colocou no Index de livros proibidos as obras espíritas e perseguia a necromancia, ou seja, a comunicação com os mortos, a qual considerava maldita. A ordem era: que os padres respondessem às manifestações de espíritos com a arma tradicional, os exorcismos. Do ponto de vista do Santo Ofício, os espíritos eram assimilados a demônios, e os que os invocavam, a adeptos de Satã.” P. 94.

Toda religião é filha de seu tempo, portanto, por mais que o kardecismo pregasse a prática da caridade e do amor, o racismo estava incluso em suas práticas espirituais, tanto na Europa quando no Brasil. Em terras brasileiras, o espiritismo negro/africano já existia há séculos. Os seguidores de Kardec não queriam ser associados a eles.  

"No final dos anos 1880, com os grupos kardecistas mais organizados, a preocupação era não confundir espíritas e curandeiros. Havia discriminação. Afinal, os espíritos de índios e negros eram considerados pelos kardecistas ‘involuídos’ e ‘carentes’. Kardec, na verdade, nada escreveu a esse respeito. Porém, ao se referir a ‘povos bárbaros e antropófagos’, diferenciando-os dos civilizados, e ao considerar a escravidão um fator cármico, ele os convidava a evoluir espiritualmente." P. 72.

Pensou errado aqueles que decretaram o avanço ininterrupto da razão materialista rumo a uma sociedade sem religião e sem superstição. A França, um dos berços das Luzes estava afundada e crendices de todos os tipos.

“Em 1800, Napoleão quis conhecer o estado de 'superstição' na França, e em cada localidade representantes foram encarregados de anotar comportamentos 'irracionais'. A enquete revelou que, em todas as classes sociais, nas cidades ou no campo, crendices estavam bem vivas: magia, feitiçaria, lobisomens, curandeiros, possessão, evocação de espíritos… A França parecia tomada pelo sobrenatural. A crença em presságios e na adivinhação parecia mais forte do que o sentimento religioso”. P. 76.

A ironia da coisa é que o século XIX era a continuação do período das luzes (iluminismo), que apregoava que a razão e a ciência preencheriam todas as lacunas da existência. Mas aí vem o espiritismo e o sobrenatural e mostram que não seria assim não. A crença nos espíritos ganhava novo fôlego, e não recrudesceria com o avanço da medicina e ciências em geral. E assim tem sido desde então. Adentramos o século XXI, com a fé no além, nos espíritos, na comunicação com os mortos...

sexta-feira, 16 de março de 2018

Documentários Vistos (32)


Insetos: Uma Aventura Gastronômica anuncia uma tendência cada vez maior: dietas em que moscas, besouros, baratas, gafanhotos, larvas e tantos outros insetos farão parte do cardápio de um número cadA vez maior de pessoas. De acordo com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), em 2050, devido ao grande aumento populacional, os insetos serão parte importante do cardápio de bilhões de seres humanos. E não apenas de pessoas na África, Oriente ou Ásia (o que já é uma realidade há muito tempo), mas de países da Europa também. Os insetos são grande fontes de proteínas e outrós nutrientes essenciais à saúde humana. E não nos espantemos, os insetos são mais saudáveis do que os hambúrgueres que comemos. Pesquisas estão sendo patrocinadas para tornar os insetos parte de nossa alimentação diária. Mas os pesquisadores do vídeo estão preocupados com as grandes empresas, que provavelmente ocuparão os grandes mercados desses "novos" alimentos.


Maria, mãe de Jesus. Maria, mãe de Deus. Maria, Rainha dos Céus. Maria, mãe de toda humanidade. Maria, de vários nomes compostos - seja Aparecida, Guadalupe, Conceição...

O Brasil já pode ser considerado um país evangélico. O número de pessoas que frequentam as várias denominações protestantes, excedem em muito os que vão a missa aos sábados ou domingos. 

Contudo, ainda somos uma nação mariana. A América Latina de ponta a ponta, ainda adora, venera e cultua essa semideusa do catolicismo romano, seja na sua forma mais "tradicional", seja sob os auspícios do sincretismo africano ou indígena. 

Neste documentário, vemos a fé em Maria, manifestada de várias formas, até o caso curioso de uma devota, que insiste, assim como o protestantismo, de que ela não foi virgem a vida inteira. Essa devota dá a entender que até mesmo Jesus foi concebido normalmente pela via sexual, entre Maria e José, seu marido.


O suicídio tem sido uma constante entre adolescentes e jovens, que muitas vezes, sabem esconder muito bem as suas angústias internas, fazendo com que familiares e amigos pensem que está tudo muito bem com eles. Mas o vazio da alma está lá, destruindo a pessoa por dentro. Neste documentário, uma jovem que teve a sua melhor amiga levada pelo suicídio, resolve fazer algo para ajudar os jovens que estão sendo levados por essa maré de desespero que é a depressão. Uma atitude louvável e de amor ao próximo.


O veganismo me atrai. Mas só na teoria, pois não teria força e determinação para não ingerir carnes e derivados. Acho que eles estão certos em olhar com mais empatia, para bois, vacas, galinhas, carneiros e tudo que é animal comestível aqui no ocidente. Ingestão de carnes e derivados, é uma alimentação que tem como força-motriz, a violência e a tortura. Parece soar hipócrita, termos pena e compaixão de um cãozinho sendo morto e torturado, mas olharmos uma galinha como simples alimento. Ambos (cachorro e galinha) são sencientes, sentem dor. Não há diferença alguma entre eles quanto a isso. Mas por uma questão histórico-social, endeusamos um, e escolhemos o outro para ser torturado e nos servir de alimento.

Este documentário apresenta os motivos pelos quais o veganismo é uma legítima e a única posição verdadeiramente empática para com os seres sencientes. 

Eu mesmo sendo simpático (mas como continuo comendo carne, sou apenas um dissimulado para eles) a causa vegana, poderia lançar várias objeções válidas e até aparentemente tolas contra essa posição, todavia, como eles já são rejeitados pela grande maioria das pessoas e pelas grandes multinacionais de alimentos (verdadeira máfia), então deixa pra lá. 

Sei também que existem veganos malucos por aí. Querem invadir fazendas, frigoríficos e lugares privados, para colocar em liberdade os animais que ali se encontram, como é o caso de um casal que aparece neste vídeo. 


Os EUA apesar de seu histórico protestante, a partir da década de 1960 começou a dá profusão há um número infindável de seitas e cultos esotéricos dos mais pitorescos e estranhos possíveis. Não que aquele país já não tivessem em seu seio, seitas e religiões exóticas até então. Lembremos o boom do espiritismo moderno que começa lá, com as irmãs Fox. Lembremos que o pentecostalismo evangélico com suas línguas estranhas também tem o seu início lá. Tantas e tantas foram as seitas que tiveram a sua origem nesse país. 

Da segunda metade do seculo XX, em especial na Califórnia, práticas ocultas pulsam que nem ferida aberta. É um culto mais esquisito e excêntrico que o outro. As pessoas estavam cansadas do protestantismo hipócrita que reinavam entre as religiões majoritárias. 

Este documentário, sendo de produção protestante, obviamente desaprova esses cultos, visto que ferem os seus princípios de fé. Ele é antigo e traz entre os seus pesquisadores o icônico Teólogo Dave Hunt, conhecido pelas exaustivas pesquisas na área de seitas e religiões, e, é claro, sempre olhando a sua crença e fé com mais parcimônia e suavidade.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Filmes Vistos (18)



Acho que esta franquia só não supera em terror o filme Espíritos, de 2004. Sobrenatural 1 e 2 em vários momentos me deixaram com um frio na barriga. Achei bem macabro e assustador. O terceiro já não achei tão envolvente. A franquia assume a costumeira visão espírita da realidade, onde espíritos malignos de pessoas mortas infernizam a vida daqueles que ainda não partiram para o outro lado. A princípio pensei que seria mais uma típica história de poltergeists tão repetida ad nausean no cinema, mas Sobrenatural te coloca num ambiente espiritual insano e aparentemente sem esperanças, que deixa no chinelo todos os outros filmes sobre almas penadas, que se tem a torto e a direito pó aí. Se têm pessoas que viram e não se assustaram - comigo foi diferente. Fui surpreendido por uma ótima e criativa história. Excelente trilogia. E o quarto, já está nas telas do cinema.


Frank Lucas, uma lenda do tráfico de drogas na década de 1970, que aproveitando a longa estadia dos soldados norte-americanos no Vietnã, traficava quilos e mais quilos da mais pura heroína produzida neste país. O bandidão tornou-se um milionário em pouco tempo, sendo o maior senhor das drogas em Nova Iorque, monopolizando quase todo o mercado dos entorpecentes, com a sua "Magia Azul", nome dado as suas carreirinhas de cocaína. Pois bem, O Gângter vem trazer a impressionante ascensão deste negão do Harlem, protagonizado pelo inconfundível Denzel Washington. Filme muito bom.


Inquietante, doloroso e lancinante. Mas na mesma proporção, lindo, maravilhoso e esplêndido. Tensão do começo ao fim. Uma criança adquire uma doença degenerativa, que em poucos meses faz ela perder quase todas as suas capacidades motoras e cognitivas. O desespero se instala nos pais, para saber o que está havendo com seu filho. A criança é diagnosticada com Adrenoleucodistrofia (ALD), doença sem cura, que leva o paciente em não mais que dois anos. Os pais inconformados iniciam uma corrida frenética para buscar uma cura ou um tratamento adequado para o seu pequenino, visto que a medicina da época não dispunha de meios adequados, para tratar quem tinha essa doença. O pai incrivelmente, sem ser Médico ou Cientista, pesquisando por conta própria, os intricados caminhos da bioquímica, encontra a solução para evitar os sintomas da doença, conseguindo a proeza de prolongar a vida de seu filho e de todas as crianças que sofrem do mal da ALD. Foi além da comunidade científica, que devia ter descoberto o tal "óleo". Filme impressionante de verdade. Interpretações marcantes, cenas fortíssimas. Quem é pai ou mãe se sentirá muito desconfortável em assistir.


Mais uma história que aponta aquilo que já estamos cansados de saber: os males do vício em álcool. Denzel interpreta um piloto de avião viciado em bebidas e drogas, que se vê em um turbilhão de problemas, decorrentes de um acidente aéreo, ao qual ele era o comandante, matando 6 pessoas e ferindo outras centenas. A mídia e a população estão no seu encalço. O avião caiu porque ele estava sob o efeito de bebidas inebriantes? Como todo alcoólatra teimoso, ele não admite que é escravo das bebidas - que nem criança birrenta, bate o pé e diz: “escolhi beber, e paro quando eu quiser.” Num momento crucial, ele surpreende, tomando uma decisão que mudará drasticamente a sua vida. Um ótimo drama. Não me lembro de ver um filme desse negão que não tenha gostado.


Nossa, que filme! Que história! Como já disse outras vezes, não sou muito de ver filmes românticos. Mas este é formidável! Adaline, devido a um acidente não envelhece mais. Ficará com carinha e saúde de uma mulher de 29 anos para sempre. Mas os problemas advindos dessa condição lhe custaram muito caro. 

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Seremos História?



Leonardo DiCaprio além de fazer ótimos filmes, agora fez um excelente documentário sobre aquecimento global e mudanças climáticas. Digamos que Seremos História? é o documentário Uma Verdade Inconveniente atualizado, confirmando tudo aquilo, que Al Gore gritou (e ainda grita) aos quatro cantos do planeta, sobre os malefícios que o mundo moderno tem produzido com as suas emissões de gases, provenientes de combustíveis fosseis. DiCaprio não é apenas um aventureiro, querendo criar a imagem de bom moço preocupado com a humanidade, ele realmente se mostra interessado e engajado em conscientizar o mundo para esse tema de grande envergadura, que deve ser do interesse de todos nós, se queremos um futuro para nós, e para os que virão.

O ator de Hollywood denuncia aquilo que está mais do que claro, para quem pesquisa um pouquinho sobre mudanças no clima. Estamos na beira do precipício. Falta vontade política para que os EUA se interesse de verdade em diminuir os poluentes que estão destruindo o planeta. Os políticos, como é de praxe, em sua maioria, são corruptos e comprados pelas multinacionais, para desacreditarem perante o grande público, sobre o aquecimento global, dizendo que este é uma grande farsa de alarmantes fanáticos mal intencionados. Infelizmente, tais discursos negacionistas confundem a cabeça de muitos, que compram a ideia de que não há consenso na comunidade científica, sobre o aquecimento do globo. O que é uma mentira deslavada. Mas se têm criaturas "bem" informadas que negam a esfericidade da terra, porque não teriam pessoas que teimosamente neguem o aquecimento global?

A coisa está tão feia, que na produção de Seremos História?, DiCaprio concomitantemente estava fazendo O Regresso, filme em que ele ganhou o Oscar de melhor ator, e para que as gravações pudessem ser finalizadas, 200 pessoas, entre atores e produtores, tiveram que ser deslocadas para a Argentina, em caráter de emergência, para terminarem as gravações, milhares de quilômetros de onde o longa estava sendo filmado, porque não havia mais neve, resultado do aquecimento global. Em anos anteriores isso não aconteceria, pois a neve estaria lá, no seu devido lugar - branquinha branquinha. No entanto, as mudanças climáticas já se fazem sentidas há anos, e se não diminuirmos drasticamente nosso consumo de combustíveis fosseis, a merda vai ser grande. Vários lugares, como DiCaprio bem mostrou, já estão sofrendo as consequências.

Em discurso na ONU, DiCaprio disse:

"Como Mensageiro da Paz da ONU, eu viajei pelo mundo inteiro nos dois últimos anos. Eu vi cidades como Pequim, sufocada pela poluição industrial, antigas florestas boreais no Canadá que foram desmatadas, e florestas tropicais na Indonésia que foram incineradas. Na índia, conheci fazendeiros, cujas as colheitas foram levadas pela chuva. Nos EUA, vi o aumento do nível do mar inundar as ruas de Miami. Na Groelândia e no Ártico, fiquei impressionado, ao ver geleiras antigas desaparecendo rapidamente, muito antes das previsões científicas. Tudo que eu vi, aprendi na minha jornada, me deixou apavorado. Eu penso na vergonha que cada um de nós vai sentir, quando nossos filhos e netos olharem para o passado e perceberem que havia maneiras de frear essa devastação, mas que faltava vontade política para fazer isso”.

O Acordo de Paris ratificado em 2015 por 195 países promete diminuir a emissão de carbono, gerando um retrocesso nos efeitos do aquecimento global. Foi um grande passo, porém, insuficiente na opinião de DiCaprio, dos Cientistas, de Obama (entrevistado por DiCaPrio) e do papa Francisco (entrevistado por DiCaprio). Sobre o tal acordo, em sua mesma fala na ONU, DiCaprio alerta:

“Sim, nós alcançamos o Acordo de Paris. Essa causa reuniu mais países para assinar um acordo do que qualquer outra causa da história da humanidade, e essa é uma razão para acreditar. Mas, infelizmente, as evidências mostram que isso não vai ser suficiente. É necessário fazer uma grande mudança agora. Uma mudança que traga uma nova consciência coletiva. Uma nova evolução coletiva da raça humana, inspirada e possibilitada, por um senso de urgência de todos vocês. Hoje nós podemos comemorar, mas isso não vai significar nada se os senhores voltarem aos seus países e não fizerem nada além das promessas desse acordo histórico. Após 21 anos de debates e conferências, é hora de declarar: chega de conversa, chega de desculpas, chega de estudos que leva 10 anos, chega de permitir que empresas de combustíveis fósseis manipulem e ditem a ciência e as políticas que afetam o nosso futuro. O mundo está atento agora. Vocês podem ser celebrados pelas gerações futuras, ou rechaçadas por elas. Vocês são a única esperança da Terra. Queremos que ela seja protegida, ou a humanidade e todas as criaturas que valorizamos desaparecerão.”

Link para assistir online:


Disponível também na Netflix.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Documentários Vistos (30)


"Acredito que a evolução da sociedade possa ser medida pelo valor dado aos direitos da mulher." 

O Cineasta francês Nills Tavernier visita cinco países miseráveis (Camarões, Camboja, Senegal, Nicarágua e Etiópia), onde a emancipação feminina é uma luta diária e árdua, e conta neste documentário a história de cinco mulheres batalhadoras, que têm dado o sangue para que o sexo feminino tenha plena igualdade de direitos. A verdade nua e crua é que as mulheres ainda são tratadas como seres humanos subservientes em não poucos países e regiões. Aqui no Brasil, bem menos do que nesses países, obviamente.


O aquecimento global é um fato. Mas sempre têm aqueles que querem desmentir a obviedade das descobertas científicas. Hoje em dia, tem maluco pra tudo, tem até gente negando a esfericidade da Terra, porque não teria almas teimosas negando o aquecimento do planeta. Al Gore, conhecido político norte-americano, vem alertando o mundo há décadas sobre as catástrofes que podem vim e virão, caso as nações, inclusive o seu querido tio Sam, principal poluidor do planeta, não mudem drasticamente o seu modus operandi. Acredito que teremos um futuro tenebroso. Tsunami na Ásia em 2004, Katrina em 2005, e Tsunami no Japão em 2011, que o digam.


A cidade de Denver, no estado do Colorado, em 2014, finalmente liberou o uso recreacional da maconha. Os maconheiros da cidade agora podiam ficar chapados sem preocupações se iriam ou não serem pegos pela polícia e passarem algumas horas ou dias no chilindró. Um jornal aproveita a nova situação da cidade para investir parte de seus recursos em pesquisar e noticiar coisas relacionadas a cannabis. No mesmo ano, 𝐌𝐮𝐣𝐢𝐜𝐚, presidente do Uruguai, também libera a venda de maconha em seu país. Um ponto de interrogação fica no ar. O que acontecerá, em médio e longo prazo, com os maconheiros a todo vapor, relaxando sob os efeitos do 𝐓𝐇𝐂? Ouvi falar que a legalização aqui no nosso vizinho, não deu muito certo. Eu tinha uma expectativa melhor em relação a este documentário, mas o achei muito disperso e desorganizado. Existem outros bem melhores.


"Os humanos devem tomar muito cuidado em relação a responder quaisquer sinais de civilizações alienígenas." - Stephen Hawking, Professor de Matemática na Universidade de Cambridge.

Para o famoso Astrofísico, que está cada vez mais crente na existência de seres inteligentes habitando outros mundos, o nosso contato com eles será catastrófico. Tipo o filme Guerra dos Mundos, Independence Day... De minha parte, não descarto que esses seres estejam rodando e rondando o nosso planeta. Mas não há provas concretas, mas apenas evidências que me soam muitas vezes obscuras e inconclusivas. Este documentário é um exemplo, visto que traz muitas especulações rasas. Mas já supostamente me contradizendo: há sim indícios verossímeis de vidas pensantes fora do globo terráqueo.


O pedantismo japonês fez com que fossem lançadas duas bombas atômicas sobre o seu território, em agosto de 1945. Mais de 215 mil pessoas (em sua maioria, civis) foram mortas como que num passe de mágica. Mas a teimosia do Japão em não se render, não justifica, para mim, o lançamento desses demônios nucleares em Hiroshima e dias depois em Nagasaki. A velha máxima continua: um erro não pode justificar outro. Tsutomo Yamaguchi passou pelo inferno de sobreviver ao lançamento das duas bombas. Aos 90 anos de idade, em 2006, resolveu contar a sua história de sobrevivência e fazer um alerta ao mundo, para que nunca mais ocorra algo assim. Em 2010 ele faleceu, aos 93 anos. 

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Filmes Vistos (17)


Existe vício em drogas, vício em bebidas, vício em internet... e também vício em pornografia e sexo. Esses dois últimos são os vícios apresentados neste filme. Para quem pensa que isso é besteira, não é. Como todo vício, a pornografia e o sexo desenfreado, são destrutivos, são alienantes, e bastante prejudiciais a uma vida normal e saudável. É um labirinto difícil de sair. Terapia do Amor de maneira leve, mas séria, aborda muito bem a vida de alguns viciados, que lutam diariamente contra essa vontade compulsiva em fazer sexo, se masturbar e ver pornografia. Uma verdadeira guerra no território mental e físico.


Inglaterra, começo do século XX. O país que tinha sido pioneiro na abolição da escravatura, décadas atrás, é o mesmo que deixa muitas de suas mulheres em regime de semi-escravidão nas fábricas e ainda nega-lhes o direito de voto. Mas surgem mulheres guerreiras e corajosas, que estão dispostas a pagarem um alto preço pelo sufrágio universal. 

Em uma das cenas, a protagonista presa, resolveu fazer greve de fome, as autoridades não aceitando que uma das rebeldes vire mártir, foram até a cela, e com a ajuda de outras mulheres, colocaram um funil em sua boca, para que ela coma a força. Pois bem, o fato de muitas mulheres da época, oprimirem e aceitarem que as suas iguais fossem maltratadas e relegadas a seres de segunda classe, não minimiza em nenhum milímetro a causa feminista de querer o sufrágio. Só porque mulheres também faziam parte do lado opressor, não quer dizer que a luta das sufragistas era ilegítima, e que o governo não precisava reparar aquela situação injusta e cruel. Digo isto, porque vez por outra vejo argumentações estúpidas (e racistas?), trazendo exemplos de negros que tinham escravos no Brasil Colonial, e assim, tentam deslegitimar a luta dos movimentos negros atuais, como se o erro de uns negros (e mesmo que tivessem sido muitos) minimizasse drasticamente a opressão mortal iniciada pelos brancos.


Impressiona-me que pessoas estudadas ainda tenham a audácia de defender o comunismo soviético. A história de Milada Horáková é mais um exemplo, dentre milhões, de que o socialismo implantado no leste europeu foi um atraso na política e na vida de seus cidadãos. Este filme trata de uma falsa democracia implantada na Checoslováquia, na década de 1940, tendo como foco a perseguição sofrida por Milada, onde ela foi presa e brutalmente torturada na prisão, para que admitisse os crimes de sabotagem contra governo "democraticamente estabelecido". Seu final foi a morte por enforcamento. Há um leve puxa-saquismo para o bloco capitalista liderado pelo tio Sam, porém, isto em nada, alivia a responsabilidade das barbaridades cometidas pelo bloco socialista.


Retrata em toda a sua crueza os horrores da escravidão norte-americana, que alguns ainda disseram, ou por ingenuidade ou má fé mesmo, que lá, os escravos foram tratados com mais humanidade, se comparado com o tratamento aqui no Brasil.

O Nascimento de Uma Nação tem cenas que chocam, meu estômago se revirou com algumas. Este longa conta a história de Nat Turner, um escravo pacífico, que sabia ler, e que era um pregador da bíblia, que ajudava aos fazendeiros a manterem os escravos submissos e obedientes, pois assim, estariam obedecendo a vontade divina. Mas chega um momento que não dá mais para aguentar tanto sofrimento e injustiça, e se apossando de uma nova visão do texto sagrado, ele junta um grupo de escravos para se rebelarem contra os brancos que os escravizam.

A carnificina, então começa. As cenas em que os escravagistas são mortos são um alento para quem vê, apesar de serem bem violentas, mas diante daquele contexto de vingança bem justificada, foi bem feito pra eles. Não dá pra ter pena alguma. O sangue pulsando no peito do ex-senhor de Turner, com uma machadada desferida pelo seu ex-escravo, torna-se uma coisa linda de se ver. Infelizmente, a história não é como queremos que ela seja, visto que no final do filme, o mal vence.

É uma história baseada em fatos reais, ocorrida na década de 1830, e nós sabemos que a Guerra Civil Americana só viria a acontecer 30 anos mais tarde, levando os negros a conseguirem a sua "liberdade".


Este é o primeiro filme que vejo, que mostra o contato da humanidade com seres extraterrestres, onde a nossa raça é a vilã, destruidora do planeta alheio, querendo explorar e roubar os recursos naturais, matando e destruindo a natureza. Avatar é uma ótima crítica ao modo como os governos e multinacionais têm tratado a nossa fauna e flora, com o único objetivo de enriquecer, sob o pretexto do desenvolvimento. E um dos agravantes é a passividade dos "bons" - nós, que nada, ou pouco fazemos para impedir, e no pior cenário: quando fazemos parte da destruição ativamente. O que os humanos fazem em Pandora, planeta dos avatares, é o que nós estamos fazendo há décadas, para sustentar nossas vidinhas modernas e "felizes", debaixo de desculpas esfarrapadas de que temos essa ou aquela necessidade que precisam ser saciadas, mas que nunca são alcançadas, e assim, somos obrigados a explorar mais e mais.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Documentários Vistos (29)


Perfeito, genial, magnífico. A mãe África, apesar de todos os seus problemas sociais e políticos, consegue dar um show de exuberância e beleza no seu Reino Encantado. Uma explosão de cores e vida em suas florestas, rios, planícies e savanas. A BBC sempre com documentários em sua plenitude máxima.


Um país de grandes contrastes em sua natureza. Por um lado, montanhas desérticas, por outro, a riqueza da flora e fauna da Amazônia. Um pouco de cada coisa do Peru, praias, oceano, natureza, as misteriosas pinturas gigantescas de Nazca, ruínas de Machu Pichu, cultura peruana e etc.


Juro que queria ter a coragem de virar vegetariano ou vegano, sendo este último, a proposta deste documentário. Qual é a Saúde, por um lado é tendencioso, mas traz informações verdadeiras e fatos perturbadores sobre a associação nojenta do governo com as indústrias dos alimentos e dos remédios. Médicos e instituições que deveriam zelar pela saúde da população, fizeram um pacto com o diabo (multinacionais), para juntos lucrarem às custas das doenças de toda a sociedade. Nesse ponto, o documentário acerta em cheio.

O idealizador Kip Anderson demoniza todo tipo de carne e dá um status de messianidade ao veganismo, que mudará DRASTICAMENTE para MELHOR, a saúde, em apenas 14 dias, daqueles que adotarem um modo de vida sem carnes e seus derivados. Ele entrevista pessoas muitos doentes, que tomam vários comprimidos por dia, pessoas que estão, na verdade, moribundas, e como num toque de mágica, depois que passam a se alimentar sem carnes e laticínios, estão com as suas saúdes extremamente melhores. Digo MELHORES mesmo. Sinceramente, apesar de me deixar persuadir em vários momentos pelos argumentos apresentados, sinto que esses pacientes foram forjados. Se a alimentação vegana causa os benefícios exibidos, caramba, estamos diante então da solução de praticamente todos os problemas de saúde. O veganismo seria a "salvação" da humanidade.

É um filme rico em informações, mas que precisa ser bem dosado em muitos momentos. Pareceu-me utópico demais.


Esporte extremo, que exige treinamento e modo vida extremos. Homens barrigudos, mas que nem por isso, menos fortes, que competem entre si, para saberem quem é literalmente o homem que tem a maior capacidade física de levantar pesos sobre-humanos. Esporte perigoso - eles sabem disso. Precisam comer exageradamente. E nessa dieta, vai quase tudo. Precisam de camadas de gorduras para terem a força quase sobrenatural que possuem. É enfatizado diversas vezes, o quanto é torturante ter que comer a toda a hora. A alimentação torna-se a parte mais custosa e difícil da preparação. O Arnold Classic Strongman em Ohio é o campeonato almejado pelos quatro competidores biografados nesse documentário. Logicamente, apenas um sairá vencedor. É um documentário muito mais empolgante que o Generation Iron.


E quando pensamos que a estúpida e bestial prática de se arrancar os clitóris de crianças ficou no passado, ou apenas sobrevive em pequenas aldeias na África, ei que A Maçã de Eva nos diz exatamente o contrário. Milhões (e não milhares) de meninas foram rasgadas/dilaceradas, em nome de um costume cultural do mal. Ainda em muitas regiões da África (e não somente nela), meninas são submetidas a clitoridectomia, contra as suas vontades. Os males advindos desse procedimento são imensos e levados para o resto da vida.

O que é de estarrecer é que ainda existe quem defenda a não intervenção externa para dar um basta a esses costumes primitivos e bestiais. São os defensores do multiculturalismo, para quem todos os hábitos culturais se equivalem e não são nem melhores e nem piores que os outros. De maneira contraditória, acusam quem pensa diferente deles, de etnocêntricos. Lembro das palavras de Zigmunt Bauman, que são um belo chute no traseiro dos relativistas:


"A nova indiferença à diferença apresenta-se, em teoria, como uma aprovação do ‘pluralismo cultural’. A prática política constituída e apoiada por essa teoria é definida pelo termo ‘multiculturalismo’. Ela é aparentemente inspirada pelo postulado da tolerância liberal e do apoio aos direitos das comunidades à independência e à aceitação pública das identidades que escolheram (ou herdaram). Na realidade, contudo, o multiculturalismo age como uma força socialmente conservadora. Seu empreendimento é a transformação da desigualdade social, fenômeno cuja aprovação geral é altamente improvável, sob o disfarce da ‘diversidade cultural’, ou seja, um fenômeno merecedor do respeito universal e do cultivo cuidadoso. Com esse artifício linguístico, a feiúra moral da pobreza [ou extirpação do clitóris] se transforma magicamente, como que pelo toque de uma varinha de condão, no apelo estético da diversidade cultural". P. 33.


BAUMAN, Zigmunt. A Cultura no Mundo Líquido Moderno. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2013. (PDF).

A Cultura no Mundo Líquido Moderno


BAUMAN, Zigmunt. A Cultura no Mundo Líquido Moderno. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2013. (PDF).

Bauman (Professor de Sociologia da Universidade de Leeds e Varsóvia) é um dos teóricos mais lidos dos últimos anos. Suas análises sagazes da sociedade atual conseguem explicar muito bem o modo como temos vivido nas últimas décadas. Dezenas de livros sobre a sociedade hodierna são de autoria desse Sociólogo polonês, que tem servido de base para que outros acadêmicos construam as suas posições, teses e interpretações sobre como temos vividos nossas relações com o consumo, com os familiares, amigos e etc. 

Aqui está a definição do termo que o fez ficar tão conhecido:

“Uso aqui a expressão 'modernidade líquida' para denominar o formato atual da condição moderna, descrita por outros autores como ‘pós-modernidade’, ‘modernidade tardia’, ‘segunda modernidade’ ou ‘hipermodernidade’. O que torna ‘líquida’ a modernidade, e assim justifica a escolha do nome, é sua ‘modernização’ compulsiva e obsessiva, capaz de impulsionar e intensificar a si mesma, em consequência do que, como ocorre com os líquidos, nenhuma das formas consecutivas de vida social é capaz de manter seu aspecto por muito tempo. ‘Dissolver tudo que é sólido’ tem sido a característica inata e definidora da forma de vida moderna desde o princípio; mas hoje, ao contrário de ontem, as formas dissolvidas não devem ser substituídas (e não o são) por outras formas sólidas – consideradas ‘aperfeiçoadas’, no sentido de serem até mais sólidas e ‘permanentes’ que as anteriores, e portanto até mais resistentes à liquefação. No lugar de formas derretidas, e portanto inconstantes, surgem outras, não menos – se não mais – suscetíveis ao derretimento, e portanto também inconstantes.” P. 11.

Bauman é cirúrgico em sua análise das relações de consumo que nos são "impostas". Somos manipulados a ter necessidades que nunca serão satisfeitas, pois novas aquisições nos serão oferecidas, com a promessa de que com elas, agora sim, seremos plenamente supridos. Mas nunca conseguimos chegar a esse nirvana; a esse estado de torpor. Então um novo ciclo se inicia ad infinitun. Somos geralmente feitos de trouxas, e raramente nos damos conta disso. São os males do capitalismo, numa sociedade relativista.

“Uma economia líquido-moderna, orientada para o consumidor, baseia-se no excedente das ofertas, no rápido envelhecimento e no definhamento prematuro do poder de sedução. [...] Um suprimento ininterrupto de ofertas sempre novas é imperativo para a crescente circulação de produtos, com um intervalo reduzido entre aquisição e alienação; as ofertas são acompanhadas pela substituição por produtos ‘novos e melhores’. [...] A função da cultura não é satisfazer necessidades existentes, mas criar outras – ao mesmo tempo que mantém as necessidades já entranhadas ou permanentemente irrealizadas. Sua principal preocupação é evitar o sentimento de satisfação em seus antigos objetos e encargos, agora transformados em clientes; e, de maneira bem particular, neutralizar sua satisfação total, completa e definitiva, o que não deixaria espaço para outras necessidades e fantasias novas, ainda inalcançadas.” P. 14.

Aqui é um bom diagnóstico do que é a nossa relação de consumo hoje em dia:

 “Se você não quer afundar, deve continuar surfando, ou seja, continuar mudando, com tanta frequência quanto possível, o guarda-roupa, a mobília, o papel de parede, a aparência e os hábitos – em suma, você. Uma vez que os esforços coordenados e resolutos do mercado de consumo fizeram com que a cultura fosse subjugada pela lógica da moda, torna-se necessário – para ser uma pessoa e ser visto como tal – demonstrar a capacidade de ser outra. [...] As pessoas que se apegam a roupas, computadores e celulares de ontem significam a catástrofe para uma economia cuja principal preocupação, e cuja condição sine qua non de sobrevivência, é o descarte rápido, e cada vez mais abundante, na lata do lixo, dos bens comprados e adquiridos; uma economia cuja coluna vertebral é a remoção do lixo”. P. 19-20.

Moda Líquida, segundo Bauman, que mais uma vez acerta na mosca. Tudo é volúvel, sujeito a desaparecer, a ser ultrapassado quando menos esperamos. E para não "morrermos afogados", cedemos, consumindo, consumindo e consumindo, para entrar na moda. É uma verdadeira paranoia, sobretudo, quando vejo neguinho/a todo ano, por exemplo, trocando de celular, porque precisa estar com o aparelho mais moderno, se não "pira" - precisa livrar-se do que já "não serve". Não que eu não tenha muitas vezes também, tal vontade, afinal, estamos todos dentro dessa teia esquizofrênica de consumo.

O velhinho da Polônia nos premia com uma sagaz crítica ao multiculturalismo, filhote querido do pós-modernismo, ou nas palavras Jonathan Friedman, citadas por Bauman, “modernistas sem modernismo”:

"Em suas consequências práticas, a filosofia do ‘multiculturalismo’, tão em voga entre os ‘modernistas sem modernismo’, refuta seu próprio valor teoricamente promulgado de coexistência harmoniosa de culturas. De modo consciente ou involuntário, de propósito ou por negligência, essa filosofia apóia tendências separatistas e, portanto, antagônicas, tornando assim ainda mais difícil qualquer tentativa de estabelecer seriamente um diálogo multicultural.

[...]

A nova indiferença à diferença apresenta-se, em teoria, como uma aprovação do ‘pluralismo cultural’. A prática política constituída e apoiada por essa teoria é definida pelo termo ‘multiculturalismo’. Ela é aparentemente inspirada pelo postulado da tolerância liberal e do apoio aos direitos das comunidades à independência e à aceitação pública das identidades que escolheram (ou herdaram). Na realidade, contudo, o multiculturalismo age como uma força socialmente conservadora. Seu empreendimento é a transformação da desigualdade social, fenômeno cuja aprovação geral é altamente improvável, sob o disfarce da ‘diversidade cultural’, ou seja, um fenômeno merecedor do respeito universal e do cultivo cuidadoso. Com esse artifício linguístico, a feiúra moral da pobreza se transforma magicamente, como que pelo toque de uma varinha de condão, no apelo estético da diversidade cultural". P. 33.

O discurso multiculturalista traz em si, o germe inerente da contradição. Promove aquilo que diz combater. Perpetua as facetas da opressão. Bauman ainda desfere páginas a frente, várias críticas a esse pensamento insustentável, mas que teima em estar na pauta de vários intelectuais.

E aqui vai uma palavrinha aos atuais “detentores do conhecimento”, que penso eu, se aplica direitinho aos defensores multiculturais:

"Enfrentar o status quo exige coragem, considerando-se o enorme poder das forças que o sustentam; coragem, porém, é uma qualidade que os intelectuais, antes conhecidos por sua bravura ou por seu destemor simplesmente heróico perderam nas suas empreitadas em busca de novos papéis e novos ‘nichos’ como especialistas, gurus acadêmicos e celebridades midiáticas". P. 35.

O livro ainda se aplica em falar sobre a cultura na Europa, que graças ao seu processo de unificação, tem sobrevivido aos males da globalização (que corrói a soberania do Estado-nação), preservando a sua identidade.

E por fim, a produção da cultura e sua atual relação com o mercado, são o tema do derradeiro capítulo. E mais uma vez, Bauman em suas análises, não vê com bons olhos, a submissão da arte ao deus mercado.

“Submeter a atividade cultural aos padrões e critérios dos mercados de consumo equivale a exigir que as obras de arte aceitem as condições de ingresso impostas a qualquer produto que aspire à categoria de bem de consumo – ou seja, justificar-se em termos de seu valor de mercado atual.” P. 73-74.