segunda-feira, 24 de setembro de 2018

A Crise do Islã: Guerra Santa e Terror Profano



LEWIS, Bernard. A Crise do Islã: Guerra Santa e Terror Profano. Rio de Janeiro: Zahar, 2004. (PDF).

Bernard Lewis (Professor da Universidade de Princeton, EUA) é figura reconhecida pelos seus pares, quando o assunto é o mundo islâmico. Sendo bastante requisitado, principalmente depois dos ataques terroristas as Torres Gêmeas, no 11 de setembro de 2001. Lewis defende neste livro que o moderno terrorismo islâmico não encontra apoio nos ensinos do Alcorão, mas engana-se quem pensa que o islã é um corpo de crença pacífico por isso. Lewis algumas vezes reitera que a pena de morte é o ensino islâmico para os muçulmanos apóstatas. Uma religião que prega a matança daqueles estiveram em suas fileiras e resolveram não mais crer em seus dogmas, não pode ser uma religião de paz. É o máximo que a intolerância pode atingir.

Em seu livro, Lewis definirá o que é o islã, falará sobre as cruzadas contra os muçulmanos, o imperialismo islâmico que varreu o mundo no medievo, a jihad, explicará a ascensão do terrorismo, sobre como os EUA passou a ser considerado o “grande satã” e etc.

É um baita livro!

Vou me concentrar nas partes em que ele aborda o lado nada transigente do islã. Mostrando que o islã é uma religião inerentemente beligerante, que tem em seus fundamentos uma propensão para a espada, para a coação.

Mas antes de tudo, reconheçamos um fato:

“A expulsão de minorias religiosas é extremamente rara na história islâmica – ao contrário da cristandade medieval, na qual expulsões de judeus e, após a Reconquista, de muçulmanos eram normais e freqüentes. [...] diferentemente dos judeus e muçulmanos expulsos da Espanha e de outros países europeus, obrigados a encontrar o refúgio que pudessem em outro lugar, os judeus e cristãos da Arábia [em 641] foram reassentados em terras destinadas a eles – os judeus, na Síria e na Palestina e os cristãos, no Iraque.” P. 14.

Reconheçamos outro fato:

“No período que historiadores europeus vêem como um negro interlúdio entre o declínio da civilização antiga – Grécia e Roma – e o surgimento da moderna, ou seja, da Europa, o islã era a civilização que liderava o mundo, marcada por seus grandes e poderosos reinos, pela riqueza e variedade da indústria e do comércio, por suas ciências e artes engenhosas e criativas. Muito mais que a cristandade, o islã foi o estágio intermediário entre o antigo Oriente e o moderno Ocidente, para o qual contribuiu de modo significativo.” P. 17.

Um dos pilares do Ocidente é o Estado ser laico. O islã contempla uma sociedade laica? Infelizmente, não.

“Se é possível, no mundo islâmico, falar de um clero num senso sociológico limitado, não há o menor sentido em se falar de uma laicidade. A própria noção de algo separado, ou mesmo separável, da autoridade religiosa, expressa na linguagem cristã por termos como laico, temporal ou secular, é totalmente estranha ao pensamento e à prática do islã. Não foi senão a partir de tempos relativamente modernos que passaram a existir equivalentes para esses termos na língua árabe. Foram tomados emprestados do uso de cristãos de fala árabe, ou recém-inventados.” P. 19.

“Mas em nenhum país cristão da atualidade os líderes religiosos podem contar com um grau de crença e participação como o que continua a ser normalmente encontrado em terras muçulmanas. Em poucos países cristãos, se é que em algum, os princípios e práticas cristãos estão imunes a comentários críticos ou discussões no nível em que é aceito como normal mesmo em sociedades muçulmanas ostensivamente seculares e democráticas. Na realidade, essa imunidade privilegiada tem sido estendida, de facto, a países ocidentais onde comunidades muçulmanas estão já estabelecidas e onde crenças e práticas muçulmanas têm garantia de imunidade a críticas num nível que as maiorias cristãs perderam e as minorias judias nunca tiveram. Mais importante ainda: com muito poucas exceções, o clero cristão não exerce ou nem ao menos demanda o tipo de autoridade pública que ainda é normal e aceita na maior parte dos países muçulmanos.” P. 21.

Que coisa absurda! O islã não pode ser criticado e ridicularizado, mas o cristianismo sim. A religião de Maomé já tem privilégios garantidos em muitos recintos acadêmicos. Eu mesmo, quase fui engolido por um Professor universitário por levantar críticas a essa religião. Se eu fosse um aluno dele, estaria lascado. Todas as religiões devem ser despidas de quaisquer privilégios, não importando qual seja. Mas falar mal (ou falar a verdade mesmo?!) contra o islã e contra as religiões afro-brasileiras pode render a crucificação de quem se mete a penetrar a blindagem construída em torno delas. Enquanto isso, os muçulmanos estão cagando pra tolerância em suas terras.

Sobre a Jihad:

“A esmagadora maioria das autoridades mais antigas, citando as passagens relevantes do Alcorão, os comentários e as tradições do Profeta, discute jihad em termos militares. Segundo a lei islâmica, está de acordo com as escrituras fazer guerra contra quatro tipos de inimigos: infiéis, apóstatas, rebeldes e bandidos. Embora os quatro tipos de guerras sejam legítimos, apenas os dois primeiros contam como jihad. Portanto, a jihad é uma obrigação religiosa.

[...]

Durante a maior parte dos 14 séculos de história muçulmana registrada, a jihad foi mais comumente interpretada como luta armada para defesa ou aumento do poder muçulmano. Na tradição muçulmana, o mundo é dividido em duas casas: a Casa do Islã (Dar al-Islam), na qual existem governos muçulmanos e onde prevalece a lei muçulmana, e a Casa da Guerra (Dar al-Harb), o resto do mundo, ainda habitado por infiéis e, mais importante, sob governos infiéis. A presunção é que a obrigação da jihad continuará, interrompida apenas por tréguas, até que o mundo todo adote a fé muçulmana ou se submeta ao mando muçulmano. Aqueles que lutam na jihad qualificam-se para recompensas nos dois mundos, butim nesse, paraíso no próximo.” P. 27.

Essa é a religião de paz, preconizada pela grande mídia. Lewis, páginas atrás, escreve:

“As centenas de milhares de tradições e ditos atribuídos, com variados graus de confiabilidade, ao Profeta, e algumas vezes interpretados de maneiras muito diversas, oferecem ampla gama de orientações, das quais a interpretação militante e violenta da religião é apenas uma dentre muitas.” P. 15-16.

A primeira citação acima contradiz claramente com os fatos o segundo enunciado de que “a interpretação militante e violenta da religião é apenas uma dentre muitas.” O islã é uma religião beligerante.

Só os mal informados ou maus-caracteres dizem que o islã é uma religião pacífica. O islã é violento desde o berço.

“A jihad é apresentada, às vezes, como o equivalente muçulmano das cruzadas, e as duas são vistas como mais ou menos equivalentes. Em um certo sentido, isso é verdadeiro – ambas foram proclamadas e lançadas como guerras santas da fé verdadeira contra um inimigo infiel. Mas há uma diferença. As cruzadas são um evento tardio na história cristã e, de certo modo, marcam um afastamento radical dos valores básicos cristãos, tal como expressos nos Evangelhos. A cristandade estivera sob ataque desde o século VII, e havia perdido vastos territórios para o domínio muçulmano; o conceito de uma guerra santa, mais comumente uma guerra justa, era familiar desde a Antigüidade. Ainda assim, no longo conflito entre islamismo e cristandade, as cruzadas foram tardias, limitadas e de relativamente pouca duração. A jihad, ao contrário, está presente desde o início da história islâmica – nos textos sagrados, na vida do Profeta e nas condutas de seus companheiros e sucessores imediatos. Continuou a existir ao longo da história islâmica e mantém seu apelo até os dias atuais.” P. 29-30.

A religião de “paz” decreta a morte daqueles que a abandonam. Quantos muçulmanos não ficam caladinhos na sua, com medo de terem suas vidas ceifadas brutalmente por terem renegado o “grande” profeta? Essa é a religião “pacífica”, segundo o politicamente correto de muitas, se não, da maioria das universidades, constituídas por docentes medíocres e hipócritas.

“As regras relativas a uma guerra contra apóstatas são um tanto diferentes, e sem dúvida mais rigorosas que as para uma guerra contra infiéis. O apóstata ou renegado, aos olhos muçulmanos, é muito pior do que o infiel. O infiel não viu a luz, e há sempre a esperança de que, um dia, ele a veja. No meio tempo, desde que atenda às condições necessárias, pode merecer a tolerância do Estado muçulmano e ter permissão para continuar a praticar sua própria religião e até mesmo aplicar suas próprias leis religiosas. O renegado é alguém que conheceu a fé verdadeira, não importa se por pouco tempo, e a abandonou. Não existe perdão humano para essa ofensa, e, de acordo com a esmagadora maioria dos juristas, o renegado deve ser morto, se for homem. Se for mulher, pode ser suficiente uma punição mais leve, como flagelação e prisão. A misericórdia divina pode perdoá-lo no outro mundo, se Deus assim escolher. Nenhum ser humano tem autoridade para tanto. Essa distinção é de alguma importância atualmente, quando líderes militantes proclamaram uma jihad dupla – contra estrangeiros infiéis e contra apóstatas domésticos. A maior parte, se não a totalidade, dos governantes muçulmanos que nós, no Ocidente, temos o prazer de ver como nossos amigos e aliados é vista por muitos – ou talvez pela maioria de seu próprio povo – como traidores e, muito pior que isso, como apóstatas.” P. 31.

Você é católico? Caso abandone o catolicismo, você não correrá perigo de morte por isso. Você é protestante? Caso abandone o protestantismo, você não será alvo de uma sentença de morte. No Ocidente, o máximo que você receberá, por ter rejeitado essa ou aquela vertente cristã, salvo algumas pequeníssimas exceções, é a pecha de um desviado, excomungado e nada mais. Essa já não é a realidade daqueles que impugnam a religião de “paz”, em terras islâmicas. Pobres muçulmanos.

“Nos cânones muçulmanos, a renúncia ao islamismo é uma apostasia – uma ofensa capital tanto para o que é mal-encaminhado quanto para o que o desencaminha. Sobre essa questão, a lei é clara e inequívoca. Se um muçulmano renuncia ao islã, mesmo que seja um novo muçulmano voltando à sua fé anterior, a penalidade é a morte. Nos tempos modernos, o conceito e a prática de takfir, reconhecer e denunciar a apostasia, têm sido muito ampliados. Não é pouco usual em círculos extremistas e fundamentalistas decretar que determinada política, ação ou mesmo fala de um muçulmano professo equivale a uma apostasia e pronunciar uma sentença de morte contra o acusado.” P. 36-37.

Todo imperialismo traz grande malefícios para os países subjugados, acho que ninguém de bom senso nega isso. Mas o imperialismo ocidental deixou marcas benéficas em alguns países muçulmanos, fazendo com que estes, hoje, tenham uma melhor estrutura social que os países não dominados.

“Afinal, houve alguns benefícios – infra-estrutura, serviços públicos, sistemas educacionais, bem como algumas mudanças sociais, notadamente a abolição da escravidão e a considerável redução, embora não a eliminação, da poligamia. O contraste pode ser visto muito claramente comparando-se os países que sofreram sob o jugo imperial, como o Egito e a Argélia, com aqueles que nunca perderam sua independência, como a Arábia e o Afeganistão.” P. 37.

Lewis em alguns momentos de seu livro reconhece a primazia intelectual e estrutural do mundo islâmico na era medieval, todavia, isso ficou para trás. A cultural islâmica como “a mais rica, mais poderosa, mais criativa e esclarecida região do mundo” (P. 35), ficou para trás. O mundo árabe em termos intelectuais e científicos é desprezível.

“Na Arábia Saudita, as universidades surgiram mais tarde, e em pequeno número. Atualmente, para uma população estimada em 21 milhões, há oito universidades – uma a mais que as sete instituições de ensino superior criadas pelos palestinos desde a ocupação dos territórios por Israel em 1967.” P. 37.

No país sede da religião alcorânica, a escravidão terminou tardiamente. Não é essa a religião da paz?

“A escravidão só foi legalmente abolida na Arábia Saudita em 1962, e a subjugação das mulheres permanece em plena vigência.” P. 37.

Eis as raízes filosóficas do sentimento de ódio contra os Estados Unidos:

“Entre os componentes do sentimento antiamericanista [entre os arábes] estavam certas influências intelectuais vindas da Europa. Uma dessas originava-se na Alemanha, onde uma imagem negativa da América fazia parte de uma escola de pensamento que incluía escritores tão diversos quanto Rainer Maria Rilke, Oswald Spengler, Ernst Jünger e Martin Heidegger. Para eles, os Estados Unidos eram o exemplo perfeito de civilização sem cultura; rica e confortável, materialmente avançada, mas desprovida de alma e artificial; montada ou, no melhor dos casos, construída, mas não arraigada; mecânica, não orgânica; tecnologicamente complexa, mas sem a espiritualidade e vitalidade das culturas enraizadas, humanas, nacionais dos alemães e de outros povos “autênticos”. A filosofia alemã e a filosofia da educação, em particular, desfrutaram de popularidade considerável entre intelectuais árabes e de alguns outros países muçulmanos na década de 1930 e início da década seguinte, e esse antiamericanismo filosófico era parte da mensagem.” P. 41.

No conflito de décadas entre Israel e os palestinos, convencido por dois documentários, fico ao lado dos palestinos. Mas tenho que concordar com o Lewis, com o que ele diz:

“O conflito Israel-Palestina certamente tem atraído muito mais atenção que qualquer um dos outros, por diversas razões. Primeira, dado que Israel é uma democracia e uma sociedade aberta, é muito mais fácil noticiar – e noticiar de forma errada – o que está acontecendo no país. Segunda, os judeus estão envolvidos, e, em geral, isso pode garantir uma audiência significativa entre aqueles que, por uma razão ou outra, são a favor deles ou contra. Um bom exemplo dessa diferença é a Guerra Irã-Iraque, que durou oito anos, de 1980 a 1988, e causou mortes e destruição muito maiores que todas as guerras árabe-israelenses juntas, mas recebeu bem menos atenção. É verdade que nem Iraque nem Irã são uma democracia, e a cobertura jornalística era, portanto, uma tarefa mais difícil e mais perigosa. Por outro lado, os judeus não estavam envolvidos, nem como vítimas nem como autores, e as notícias, portanto, eram menos interessantes.

Uma terceira e, em última instância, a mais importante razão para a primazia da questão palestina é que ela é, por assim dizer, uma queixa autorizada – a única que pode ser expressada com liberdade e segurança naqueles países muçulmanos onde a mídia está totalmente nas mãos do governo ou é estritamente supervisionada por ele. Na verdade, Israel serve como um útil bode expiatório para reclamações sobre as privações econômicas e a repressão política sob as quais vive a maior parte dos povos muçulmanos, e como uma maneira de desviar o ódio resultante. Esse método é amplamente favorecido pelo cenário interno israelense, onde qualquer impropriedade da parte do governo, do exército, dos colonos ou de quem quer que seja é imediatamente revelada e qualquer falsidade imediatamente denunciada por críticos israelenses, tanto judeus quanto árabes, na mídia e no Parlamento israelenses. A maior parte dos oponentes de Israel não sofre nenhum desses impedimentos em sua diplomacia pública.” P. 50-51.

A relação entre EUA e Israel:

"Durante muito tempo, esse relacionamento [entre EUA e Israel] foi moldado por duas considerações inteiramente diferentes: uma delas pode ser chamada ideológica ou sentimental; a outra, estratégica. Os norte americanos, escolados na Bíblia e em sua própria história, podem prontamente ver o nascimento do moderno Estado de Israel como um novo Êxodo e um retorno à Terra Prometida, e acham fácil desenvolver uma empatia por pessoas que parecem estar repetindo a experiência dos peregrinos fundadores, dos pioneiros e dos que os sucederam. Os árabes, por certo, não vêem dessa maneira, e muitos europeus também não." P. 53.

E os interesses norte-americano sobre o petróleo do Oriente Médio? Lewis responde:

“Desde o colapso da União Soviética, uma nova política norte-americana surgiu no Oriente Médio, relacionada com diferentes objetivos. Seu principal propósito é impedir a emergência de uma hegemonia regional – ou de uma única autoridade regional que possa dominar a área e estabelecer o controle monopolístico do petróleo do Oriente Médio. Essa tem sido a preocupação básica subjacente a sucessivas políticas norte-americanas para o Irã, Iraque ou para qualquer outra situação percebida como uma futura ameaça dentro da região.” P. 53.

Os interesses muitas vezes escusos dos EUA e da Europa:

“Há alguma justiça em uma acusação feita freqüentemente aos Estados Unidos e, em termos mais gerais, ao Ocidente: os povos do Oriente Médio reclamam cada vez mais que o Ocidente os julga com base em padrões diferentes e inferiores aos usados para julgar europeus e norte-americanos, tanto no que se espera deles quanto no que eles podem esperar em relação a seu bem-estar econômico e sua liberdade política. Afirmam que porta-vozes ocidentais repetidamente relevam ou mesmo defendem ações e apoiam governantes que eles próprios não tolerariam em seus países.

[...]

As mais flagrantes violações de direitos civis, liberdade política, até mesmo decência humana são ignoradas ou apagadas, e crimes contra a humanidade, que em um país europeu ou nos Estados Unidos invocariam uma onda de indignação, são vistos como normais e mesmo aceitáveis. Regimes que praticam tais violações são não apenas tolerados, mas até mesmo eleitos para a Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas, cujos membros incluem a Arábia Saudita, Síria, Sudão e Líbia.

[...]

Tal como muitos vêem no Oriente Médio, a posição básica dos governos europeus e norte-americano é: ‘Não nos preocupamos com o que vocês fazem com seus próprios povos em seus países, desde que sejam cooperativos em atender nossas necessidades e proteger nossos interesses.’” P. 55, 56.

O ressentimento do mundo árabe:

“As pessoas no Oriente Médio estão cada vez mais conscientes do profundo e crescente hiato entre as oportunidades do mundo livre além de suas fronteiras e a privação e repressão chocantes dentro delas. A raiva daí resultante é naturalmente dirigida, primeiro, contra seus governos e, depois, contra aqueles que, para elas, mantêm esses governantes no poder por razões egoístas. É certamente significativo que todos os terroristas identificados nos ataques de 11 de setembro em Nova York e Washington tenham vindo da Arábia Saudita e do Egito, isto é, de países cujos governantes são considerados amigos dos Estados Unidos.” P. 61.

O Ocidente corre perigo.

"Na Europa e nos Estados Unidos, devido à relutância dos Estados em se envolverem em assuntos religiosos, o ensino do islã em escolas e em outros locais tem sido, de modo geral, totalmente sem supervisão das autoridades”. P. 65.

Para os mais fanáticos seguidores de Maomé, a influência ocidental deve ser extirpada de seus países.

"Em termos amplos, os fundamentalistas muçulmanos são aqueles que sentem que os atuais problemas do mundo muçulmano resultam não de modernização insuficiente, mas de excessiva modernização, que vêem como uma traição aos autênticos valores islâmicos. Para eles, a solução é um retorno ao verdadeiro islã, incluindo a abolição de todas as leis e de outros arranjos sociais tomados emprestados do Ocidente, com a restauração da Lei Sagrada islâmica, a shari’a, como a efetiva lei da terra. De sua perspectiva, o conflito básico não é contra o intruso ocidental, mas contra o traidor ocidentalizador em casa. Seus inimigos mais perigosos, segundo vêem, são os muçulmanos falsos e renegados que governam os países do mundo islâmico e que importaram e impuseram costumes infiéis aos seus povos." P. 67.

O que pode acontecer com um não-muçulmano que “insultar” o profeta Maomé em terras muçulmanas?

“Os juristas dedicam considerável atenção à definição de ofensa, às regras de obter evidências e à punição apropriada. Mostram grande preocupação com que as acusações dessa ofensa não sejam usadas como um artifício para conseguir alguma vingança particular, e insistem em cuidadoso escrutínio das provas antes que qualquer veredicto ou sentença sejam pronunciados. A opinião majoritária é que UMA FLAGELAÇÃO E UMA PENA DE PRISÃO SÃO PUNIÇÕES SUFICIENTES – A SEVERIDADE DA FLAGELAÇÃO E O TEMPO DE APRISIONAMENTO DEPENDEM DA GRAVIDADE DA OFENSA. O caso do muçulmano que insulta o Profeta praticamente não é levado em consideração, e deve ter sido muito raro. Quando discutido, a opinião comum é de que se trata de um ato equivalente à apostasia.” P. 69. (Ênfase acrescentada).

Para os muçulmanos que rechaçam o mensageiro de Alá, a punição é a morte.

“A apostasia é uma das grandes ofensas na lei muçulmana, e resulta em pena de morte para homens. Mas a palavra importante nessa declaração é lei. A jurisprudência islâmica é um sistema de lei e justiça, não de linchamento e terror. Ela estabelece procedimentos de acordo com os quais uma pessoa acusada de uma ofensa deve ser levada a julgamento, confrontada com seu acusador e ter a oportunidade de se defender. Um juiz então dará um veredicto e, se for considerada culpada, pronunciará a sentença.” P. 69.

Religião de amor? Não, não.

“Os muçulmanos não são instruídos para dar a outra face, nem se espera que refundam suas espadas para transformá-las em arados e suas lanças em foices (Isaías 2:4). Essas admoestações certamente não impediram que os cristãos fizessem uma série de guerras sangrentas de religião dentro da cristandade e guerras de agressão fora dela.” P. 70.

O suicídio no islã:

“Os livros da lei islâmica são muito claros quanto à questão do suicídio. É um grande pecado, punido com a danação eterna sob a forma da repetição sem fim do ato através do qual o suicida se matou. As seguintes passagens, tiradas das tradições do Profeta, ilustram a questão vividamente:

O Profeta disse: Quem quer que se mate com uma lâmina será atormentado com aquela lâmina nos fogos do inferno.

O Profeta também disse: Aquele que se enforca enforcará a si mesmo no inferno, e aquele que se esfaquear esfaqueará a si mesmo no inferno. … Aquele que se lança de uma montanha e se mata lançará a si mesmo aos fogos do inferno para todo o sempre. Aquele que toma veneno e se mata levará seu veneno nas mãos e o beberá no inferno para todo o sempre. … Quem quer que se mate de alguma maneira será atormentado da mesma maneira no inferno. … Quem quer que se mate de alguma maneira neste mundo será atormentado do mesmo modo no dia da ressurreição.” P. 73.

A essa altura, não espanta que muitos muçulmanos neguem os 6 milhões de judeus mortos na segunda grande guerra.

“No que se refere ao Holocausto, não é incomum encontrar três posições na mídia árabe: nunca aconteceu; foi grandemente exagerado; de qualquer forma, os judeus mereciam. Ninguém ainda afirmou que a destruição do World Trade Center nunca aconteceu, embora, com o passar do tempo, isso não esteja além da capacidade de teóricos com visão conspiratória. O discurso atual entre muitos dos comentaristas muçulmanos – embora, de forma alguma, de todos – é argumentar que nem muçulmanos nem árabes poderiam ter feito isso.” P. 74.

É claro que o livro é extremamente mais rico e explicativo do que mostrei toscamente aqui. De todo modo, as passagens mostradas provam por A mais B, que o islã está muito longe de ser uma religião que prega o amor e a paz, como muitos meios midiáticos e a esquerda querem nos fazer crer.

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

O Nascimento de Uma Nação (1915)


O negro é um ser bestial, insolente, desonesto, não-confiável, estuprador de mulheres brancas, intratável, incapaz de viver integrado em uma sociedade civilizada... Essa é a mensagem que O Nascimento de Uma Nação, filme “saído do forno”, de 1915, nos passa. É um filme mudo com mais de três horas de duração, que conta a história de duas famílias, uma nortista e a outra sulista, que se veem em lados opostos devido a Guerra Civil Americana (1861-1865), visto que o lado norte queria o fim da escravidão, enquanto que o lado sul queria mantê-la.

Com o lado nortista vencedor, começa-se a “integração” do negro a sociedade, como um agente “livre/autônomo”. O filme é dividido em duas partes, e na segunda, na reconstrução da nação, o negro é retratado como totalmente incapaz de viver honestamente numa sociedade democrática, fazendo com que a Ku Klux Klan tome as rédeas, para pôr em ordem a cidade sulista de Piedmont, no estado do Alabama, que foi tomada por negros malcriados, descuidados e péssimos administradores, que arruinarão tudo que ela tem de decente e de valor. A assassina Ku Klux Klan é tida como a salvadora da pátria e dos valores civilizados, que estão sendo solapados pela negraiada corrupta e pervertida. No final, a Ku Klux Klan vence e os negros são colocados no seu devido e apropriado cantinho, com os brancos estando no seu merecido lugar de direito, como raça ariana superior e divinamente estabelecida.

O Nascimento de Uma Nação é um marco na história do cinema. Usou de novas técnicas para filmar um longa, usou o que havia de mais tecnológico na época (1915), e é considerado, apesar de seu teor ultra racista, um dos filmes mais importantes já feitos. Na época conseguiu arrecadar mais de 10 milhões de dólares, tendo um lucro exorbitante em vista do que tinha gasto em sua produção.

Infelizmente, o seu conteúdo preconceituoso cimentou ainda mais o sentimento de ódio nutrido pelos brancos naquele país. A Ku Klux Klan que estava extinta, reapareceu perseguindo, linchando e matando negros. Ainda hoje essa organização está atuando, diluída entre vários grupos de ódio, que pregam a supremacia branca e protestante, sem o governo mexer um dedinho sequer para acabar com elas. Existem mais de 200 grupos que destilam a sua raiva doentia não somente contra negros, mas contra judeus, latinos, católicos e etc., como nos diz o documentário O Livro Secreto da América: América Nazista. São uma mistura das ideias de Hitler e da KKK.

O filme é uma tortura para nós, acostumados as produções modernas, visto que é mudo, poucas legendas e extremamente longo.

Felizmente, diante de uma conscientização maior dos grandes estúdios, uma grande avalanche de filmes denunciando o terror do racismo têm sido lançados ano a ano. Creio que eles possuem um grande potencial de minar esse sentimento tão horrível, mas ainda tão presente na cabeça de tantos milhões de pessoas.

Este filme tem um legado demoníaco e abjeto, mas é de salutar importância assisti-lo, principalmente, para quem quer entender a longa e odiosa trajetória da marginalização do negro na sociedade norte-americana, que tristemente está muito longe de acabar.

quarta-feira, 22 de agosto de 2018

O Céu é de Verdade



Focando um pouco do meu tempo nos relatos de EQM, visto que li dois livros sobre o tema, e estou com vistas a ler um terceiro, resolvo assistir este filme, que traz a história de Colton Burpo, que acometido por uma apendicite, que estourou e contaminou os outros órgãos, deixando-o à beira da morte. No período em que passou desacordado na sala de cirurgia, segundo ele conta, sua mente estava bem ativa, e diz ter visitado o céu. Verdade ou mentira?

Colton é apenas um lindo menino, filho do pastor da cidade, que diz ter encontrado Jesus, enquanto estava doente na cama do hospital. Jesus lhe mostrou partes do céu, ele viu anjos, e de quebra, ainda conversou com sua irmãzinha que nem chegou a nascer, devido a um aborto natural.

Os seus pais, apesar de serem cristãos, ficam bastante relutantes em acreditar que ele presenciou realmente essas coisas. O seu pai, Todd Burpo, acredita que o filho teve uma experiência real, mas questiona a interpretação que Colton dá a ela.  O relato do filho incomoda não apenas os seus pais, mas também, a igreja do qual fazem parte. Há muita incredulidade em crer que ele de fato tenha ido ao paraíso.

Moradores de uma cidade pequena, a história chega aos ouvidos de seus habitantes, que também não acreditam numa história tão fantástica como essa. Chacotas, piadas e risos, são as reações mais comuns, diante de tudo isso.

Todd vai atrás de uma Psicóloga que diz que seu filho interpretou o que supostamente viu, conforme o que aprendeu de sua religião. Condicionamento total.

Para resumir, no fim das contas, seus pais e a igreja passam a acreditar no relato do pequeno Colton.

As Experiências de Quase-Morte é um fenômeno universal. É um fenômeno intrigante e instigante. Muitas pessoas que passaram por ela, contam coisas que viram no hospital, na sala de cirurgia, nos quartos vizinhos, que seriam impossíveis de saber, na situação em que estavam – apagadas, em coma, quase do outro lado.

Como explicar em termos puramente naturalistas/materialistas esses abundantes testemunhos vindos de toda parte?

Não estou aqui endossando o testemunho do Colton, dando-lhe um atestado de verdadeiro, até porque, é uma grande verdade, que se ele fosse de uma outra cultura religiosa, com certeza, não teria encontrado um ser chamado Jesus, mas sim, algum ser espiritual cultuado em sua religião.

Mas em todo caso, as experiências das pessoas de encontrarem um Ser de Luz são extensas, e todas guardam pontos em comum. É difícil tratar todas elas, apenas como mecanismos produzidos pelo cérebro, como forma de atenuar o fim da existência, dando um senso de paz ao moribundo prestes a ter extinta de uma vez por todas, a sua vida mental.

Este filme, naturalmente, tem a finalidade de legitimar a visão cristã de um céu esperando os fiéis depois da morte. Entretanto, podemos sair dessa restrição, e vê-lo por um víeis mais amplo. Um filme que traz mais uma história de EQM, que desafia os postulados do materialismo metafísico, tão presentes na comunidade científica, mesmo que ele seja um relato ficcional, pois ele traz os elementos comuns de uma EQM, independente dele ser um embuste ou não.

É claro, não custa nada lembrar que essas histórias vindas de comunidades evangélicas têm uma grande chance de serem pura propaganda religiosa e embuste, mesmo que envolvam crianças. Alex Malarkey, uma criança que ficou em coma em 2004, também disse ter visitado o céu, e contou como era o paraíso. Pois bem, ele mesmo desmentiu há poucos anos, toda a história. Ele MENTIU. Mas o prejuízo já estava feito, um livro contando a sua história foi lançado, e pessoas foram enganadas. Aqui no Brasil, o livro foi comercializado pela editora CPAD, com o nome O Menino que Voltou do Céu. Venderam um engodo.

Fica de alerta, quando ouvirmos histórias fantásticas de EQM que confirmam essa ou aquela visão religiosa. Esse é o diferencial dos livros Uma Prova do Céu e Vida Depois da Vida, que não têm o propósito de provar que visão X de dada religião é a verdadeira, porque fulano e beltrano, que passaram pela EQM, constataram a sua veracidade. As EQM ultrapassam qualquer visão religiosa, não confirmando nenhuma em especial.  

terça-feira, 21 de agosto de 2018

O Diabo e Padre Amorth



"O diabo não existe."

"A crença em demônios ficou no passado." 

"Possessões demoníacas não são nada mais que distúrbios psiquiátricos, ou estados alterados da consciência, isso, quando não passam de mentiras descaradas." 

Estas são basicamente as respostas dadas pelos céticos quando se deparam com essa questão. Outros, ainda munidos de certa incredulidade, não descartam por completo que algo muito estranho esteja em curso, mas ainda são relutantes em afirmar ou acreditar que exista uma força pessoal e maligna externa que esteja infernizando a vida da pessoa “possessa”. Até muitos daqueles que deveriam estar na linha de frente na “defesa” do demônio, os padres, não mais creem na sua existência, e reinterpretam as passagens evangélicas em que Jesus enfrenta os mensageiros de Lúcifer possuindo as pessoas, dizendo que aquelas pessoas possuídas, na verdade, estavam doentes. O condicionamento cultural limitado da época fazia os judeus verem o sobrenatural onde ele não estava.

O padre Gabriel Amorth está na contramão de todas essas visões contemporâneas. Morto desde 2016, aos 91 anos, foi considerado o maior exorcista da igreja católica das últimas décadas, cujo trabalho incansável de tratar as pessoas com o capeta no corpo se estendeu até os seus últimos dias. 

Este documentário tem um tom especial. Ele foi produzido por nada mais nada menos que o Cineasta William Friedkin, Diretor do clássico O Exorcista, de 1973. Sendo que agora, não é um exorcismo ficcional que ele filmará, mas um exorcismo feito pelo padre Amorth em uma mulher bastante oprimida por uma legião de demônios. Friedkin nos diz que nunca até então tinha visto um exorcismo de verdade, e, que agora, depois de 45 anos, finalmente viu uma mulher supostamente possessa sendo exorcizada pelo padre Amorth.

O exorcismo é mostrado. Padre Amorth, ajudantes, padres, familiares e amigos da possessa começam o ritual de expulsão do maligno dela.  A mulher não demora muito para manifestar gritos, sofrimento, falar com uma voz gutural e estranha, ficar agitada, dizer que é satanás... Devo admitir, que é um pouco perturbador ver o seu sofrimento. Ela está possuída por uma força espiritual maligna ou manifestando algum distúrbio tratável pela Medicina? E mesmo se a medicina não tiver no momento os dispositivos e meios eficazes para tratá-la, num futuro próximo a Ciência não elucidará em termos puramente cerebrais tal distúrbio?

Uma das cenas mais interessantes é quando Friedkin mostra o vídeo que gravou, a vários Médicos, para que eles deem o seu parecer científico sobre o exorcismo em questão. Suas respostas são um pouco vagas.

Noutras ocasiões, já dei meu parecer, e aqui o repito. Pode ser verdade que algumas pessoas estejam possuídas por forças espirituais de outras dimensões da realidade. E alguns homens da Ciência não descartam essa possibilidade.

No caso dessa mulher, a resposta mais razoável é que ela sofre de problemas psicológicos e psiquiátricos, acrescente-se a isso, o meio religioso e social em que foi criada, aí, para ela e seus parentes (católicos) acreditarem que está sendo usada pelo diabo é um pulo.  

O documentário sofreu várias críticas de falta de credibilidade. Para começar, a voz que a mulher emite em seu exorcismo. Fica claro que o som dela foi modificado pelo editor, dando-lhe um ar de malignidade. Outra coisa: Friedkin diz que vai atrás dela meses depois, e ela não quer vê-lo, ele vai atrás dela na igreja, e diz que a mesma começa a manifestar-se como um animal no chão, enchendo-o de medo e pavor. Pois bem, se ela não queria mais ser filmada, não queria mais participar do documentário, como ele que ele pode expor a vida dela, dessa maneira? Duvido muito que ela tenha permitido que a sua história fosse ao ar.

Fica a pergunta, tudo não passa de charlatanismo do Friedkin ou dos dois? Ou a insensibilidade de Friedkin foi tão grande, que ele pouca se importa de mostrar ao mundo inteiro a dor dessa mulher?

E o padre Amorth foi um fanático católico, que dizia que o demônio tinha medo dele (neste documentário é o oposto, o tinhoso não medo algum), e que a igreja católica era a única verdadeira, declaração que os espíritos do mal confirmavam. Basta ler o seu livro  Memórias de um Exorcista.

terça-feira, 14 de agosto de 2018

Canção da Liberdade



Há uns 12 anos, numa madrugada sem sono, liguei a TV e estava passando este filme no SBT. Logo me chamou a atenção, devido ao tema abordado em sua trama. O racismo e o Movimento pelos Direitos Civis, na década de 1960, em todo o território norte-americano, principalmente nos estados sulistas, onde a discriminação e perseguição aos negros eram e ainda é mais intensa que nos estados do norte.

Sempre garimpando na internet filmes sobre o racismo, demorei anos a fio para encontrar este. Finalmente consegui baixá-lo e colocá-lo disponível no Youtube. Infelizmente, não está em sua melhor qualidade visual, mas dá para apreciá-lo numa boa, e ver o quanto o nefasto racismo que gerou uma cruel segregação é uma ferida aberta na história do país da “liberdade”.

Canção da Liberdade conta em seu elenco com o renomado ator negro, Danny Glover, que faz o papel de pai de Owen, um adolescente indignado com o racismo e preconceito vigentes na cidade em que vive. 

A história se passa na fictícia cidade de Quinlan, no Mississipi, uma cidadezinha tranquila e pacata, mas que guarda em suas entranhas um ódio visceral dos negros que ali habitam. A segregação é total. Negros não podem entrar em lanchonetes, não podem frequentar a biblioteca, a justiça eleitoral coloca várias dificuldades para o direito de voto dos negros, mesmo que a constituição do país lhes “garanta” essa prerrogativa.

Não conformados com a situação de humilhação porque passam, os negros de Quinlan começam a se organizar para reverter o quadro degradante em que a segregação os colocam. Imbuídos da ideia de não-violência, resistirão as investidas dos brancos racistas sem apelarem para o revide físico, suportando as pancadas, chutes e murros, numa tentativa de pouco a pouco ir minando a segregação. 

Em muitos lugares da nação, o Movimento Pelos Direitos Civis está progredindo e fazendo as estruturas segregacionistas verem os primeiros tijolos de seus muros ruírem. Em Quinlam, seus moradores negros nutrem essa esperança, não sem discordarem e discutirem calorosamente sobre as estratégias que devem tomar. No final das contas, a não-violência é o caminho que resolvem adotar.

Encarceramentos, surras e humilhações, que já eram esperados não demoram a acontecer. Quando Owen e Archie Mullen, outro ativista negro estão saindo da prisão, uma corja de moradores brancos tentam linchá-los, e um homem empunhando uma Bíblia, provavelmente o pastor da cidade, interpela Owen:

“Não acredita em jesus, acredita?”

Ao que Archie Mullen responde:

“Acredita que Jesus Cristo é amor?”

O “cristão” retruca:

“Não estou falando com você. Você vai pro inferno, negro! E vai logo!”

Numa outra ocasião do filme, uma “mulher de Deus” tem uma “inteligente” e “divina inspiração” ao dizer:

“Deus nos fez separados. Deve ter uma razão. Enfim, percebi... Ele quer que cada um saiba o seu lugar e fique nele! De outro modo, haveria desordem. E Deus não quer desordem!”

Nunca é demais lembrar que o estado do Mississipi tinha e tem uma concentração massiva de evangélicos conservadores, aqueles que se dizem a luz do mundo, e veem a si mesmos como os iluminados de Deus.

O racismo dos evangélicos ainda é tão acentuado que o protestante Ronald Syder, Ph.D em História na Universidade de Yale, traz em seu livro (O Escândalo do Comportamento Evangélico. Viçosa, MG: Ultimato, 2006), os seguintes números:

“Em 1989 George Gallup Jr. e James Castelli publicaram os resultados de uma pesquisa para determinar quais grupos nos Estados Unidos eram mais propensos a rejeitar vizinhos negros – um bom indicador de racismo. Católicos e cristãos não evangélicos foram classificados entre os menos propensos; 11% fizeram objeção ao contato entre negros e brancos. Os protestantes históricos chegaram próximo dos 16%. Com 17% batistas e evangélicos ficaram entre aqueles mais propensos a repudiar a possibilidade de ter vizinhos negros, e 20% dos batistas do sul rejeitaram a ideia de ter vizinhos negros.” P. 25.

Ele escreve mais:

“Durante o movimento de direitos civis, quando os protestantes históricos e os judeus se uniram aos afro-americanos em sua luta histórica por liberdade e igualdade, líderes evangélicos foram quase totalmente omissos. Alguns se opuseram ao movimento; outros não se pronunciaram. Quando Frank Gaebelein, então co-editor de Christianity Today, não apenas cobriu a marcha de Martin Luther King sobre Selma, como também endossou o movimento e a ele se juntou, experimentou oposição e hostilidade da parte de outros líderes evangélicos.” P. 25.

E conclui com uma pergunta desconcertante:

“[...] como é possível que os evangélicos sejam as pessoas mais racistas e preconceituosas de nossa sociedade?” P. 47.

Voltando ao filme, com muitos sofrimentos e dores, os pretinhos de Quinlan conseguem a liberdade de não serem mais segregacionados. Entretanto, para quem conhece um pouco da história dos negros, isso não seria o final de práticas racistas nos EUA.

Mais um filme espetacular!


terça-feira, 24 de julho de 2018

Pablo Escobar: Anjo ou Demônio?



Chamá-lo de traficante, ou narcotraficante, é um eufemismo diante do que ele fez na Colômbia nos anos 1970-1990, deixando o seu rastro implacável de destruição e de admiração e devoção na cabeça de muitos pobres a quem ele ajudou dando moradias e um pouco de dignidade, em troca de sua fidelidade. Pablo Escobar foi um mega NARCOTERRORISTA, que o mundo já mais viu desde sua morte em 2 de dezembro de 1993. O cara é um ídolo para os habitantes do bairro que ele construiu. As pessoas rezam a ele. Na sua morte, muitos na Colômbia choraram a sua partida, porque lhes viam como um homem bom e generoso, preocupado com os mais necessitados, coisa que o estado não era. Escobar continua sendo um paradigma complexo e que deixa estupefato quem quer conhecer a sua história.

“Durante vários anos, principalmente na década de 1970, Pablo Escobar Gaviria passou despercebido no nariz das autoridades. Nunca levantou suspeitas sobre o império criminoso e multimilionário que crescia vertiginosamente. Durante esse período, não ostentava fortuna, nem deixava ver o verdadeiro alcance de sua atividade delituosa. Cercou-se de muito poucas pessoas que não conheciam a magnitude de suas atividades, nem a perversidade de seu gênio enigmático. Com sigilo e inteligência de sobra, foi tecendo toda sua estrutura do empório do narcotráfico mais sólido e temerário do século XX.”

Pablo Escobar: Anjo ou Demônio? é um documentário de 2007 que traz o depoimento de muitas pessoas que fizeram parte dos conturbados anos em que Escobar aterrorizou a Colômbia. Aqui vão algumas impressões de quem o conheceu.

Alfonso Valdivieso, ex Fiscal General:

“Bom, uma pessoa que teve uma habilidade especial para o mal, uma predisposição para a perversidade.”

José Joaquim Caicedo, Advogado:

“Era um homem muito frio, com uma inteligência incrível. Um homem que sempre estava dois ou três anos na frente dos outros. Em 1988 quando o conheci, ele já falava do que ia acontecer em 1991 ou em 1992. Ou seja, projeções políticas. Ele me falava muito sobre política. E, de fato, muitas das projeções de Pablo Escobar viraram realidade. Um homem que se projetava para frente, para o futuro. Um homem muito frio. Com certeza a maior mente criminosa do século XX.”

Cesar Gaviria, ex Presidente da Colômbia:

“Uma mente muito complexa. Um homem com uma capacidade enorme de manipular a opinião pública.”

Enrique Parejo, ex Ministro da Justiça:

“Eu diria que Pablo Escobar era um monstro.”

Pablo Escobar foi:

“O mais fiel dos amigos e o mais desapiedado dos inimigos. Nunca aceitou a traição e foi implacável e cruel com seus detratores. Seu único foi fumar maconha. Nunca cheirou a cocaína que traficava. E sua família era absolutamente intocável.”

Pablo Escobar redefiniu a estrutura político-social da Colômbia.

“Para alguns setores da impressa do país, Pablo transformou a linguagem, a cultura, a fisionomia, a economia e até a justiça. A Colômbia era o país do café e das esmeraldas, e se converteu num piscar de olhos, no país da cocaína. As forças armadas foram infiltradas, corroídas e dizimadas com seu poderio e brutalidade. Por sua conta, mudou-se o sistema judicial e foi modificada a política penitenciária e até os desenhos das prisões. O Capo havia conseguido tudo o que havia proposto. Não apenas havia desenhado o negócio da cocaína, como também havia redesenhado o país para que se adequasse ao seu negócio.”

E terminando, aqui vão as palavras de Alfonso Valdivieso, ex Fiscal General:

“O que aconteceu com nós colombianos é uma lição que a humanidade deve aprender. Não deve apenas ficar registrada na História, mas não deve se repetir.”  

Documentário riquíssimo em informações.

sexta-feira, 20 de julho de 2018

O Sol Tornará a Brilhar


Quando penso no maior ator negro do cinema, não me vem à mente, Morgan Freeman, Denzel Washington, Cuba Gooding Jr., Will Smith, entre tantos outros. Eu penso em Sidney Poitier - este sim - creio ser o maior ator negro da história cinematográfica, com seus filmes que julgo impecáveis e bastante atuais, com temáticas que são caras ao povo negro, que ainda sofre discriminações por serem quem são, pessoas com mais melanina. Poitier estrelou grandes filmes de peso, verdadeiros clássicos, como: Adivinhe Quem Vem Para o Jantar; No Calor da Noite; Ao Mestre Com Carinho 1 e 2, com a música To Sir, with Love, cantada na estonteante voz da atriz e cantora Marie McDonald, sendo uma das canções mais belas e emocionantes já feitas; enfim, muitos outros filmes fantásticos. 

O Sol Tornará a Brilhar é mais um que entra nesse formidável time de filmes espetaculares do ator em questão, tratando mais uma vez, dos conflitos e problemas que envolvem o negro. Filme de 1961, que retrata a vida de uma típica família negra, na cidade de Chicago, na região norte dos EUA, que em tese, seria um lugar melhor e com a tensão racial mais reduzida que na parte sul da nação. 

O personagem de Poitier (Walter Lee) é um jovem sonhador, com esperanças de poder largar o seu emprego de motorista de um branco, e se tornar um empresário no ramo das bebidas com outros três colegas. Mas para isso, ele tem que convencer a sua mãe, a matriarca da família, a lhe dar parte da herança que o seu pai deixou. Ela, sendo uma mulher de princípios religiosos rigorosos, não admite que o dinheiro conquistado com tanto suor, seja investido em algo tão ilícito como a venda de bebidas inebriantes, gerando grande conflitos com o seu filho.  

Nesse ínterim, há conflitos entre ele e sua mulher, que está grávida novamente; conflitos entre a sua irmã e a sua mãe, quando aquela resolve revelar o seu ateísmo, causando grande decepção; o filho de Walter Lee, por falta de espaço no sobrado, dorme no sofá, e há todo o incentivo e pressão de seus amigos para que ele possa arranjar a parte dele na sociedade para que possam abrir essa loja de bebidas, e poderem serem donos de seus próprios umbigos, não tendo que dar mais satisfação a patrões brancos. 

99,9% da história passa-se no pequeno sobrado, onde são travados muitos diálogos interessantes que revelam para nós, do século XXI, quais eram os problemas sociais, financeiros e de identidade pelos quais passavam os negros norte-americanos, no início dos anos 1960. A trama está recheada de conversas sobre família, passado negro africano, futuro, profissão, emancipação... Os diálogos são pertinentes.

Dona Lena, a matriarca, é convencida a dar 3.500 dólares (na época essa quantia era uma pequena fortuna) da herança para que seu filho corra atrás de seus sonhos. Outra parte do dinheiro, ela tem a ousada ideia de dar entrada numa casa num bairro de pessoas brancas. Nesse bairro, não há gente de cor. Mas ela não quer saber disso. Compra a casa, e quando todos estão empolgados arrumando os móveis e utensílios para fazer a mudança para o novo lar, aparece em seu sobrado o presidente da associação de moradores do bairro em que irão morar, dizendo que os moradores não querem eles como vizinhos, por não compartilharem um “passado comum”. Mas ele garante, não é de forma alguma por questão racial. E para se verem livres dos negros inoportunos, tais moradores brancos e “gente de bem” oferecem uma quantia em dinheiro maior do que a aqueles investiram na casa, para que os deixem em paz no seu pacato bairro de brancos. 

Tal cena representa muito bem o discurso daqueles que são racistas, mas juram pela mãe, pai e Deus, que não são. Isso é algo tão comum em nossa sociedade, que mascara o racismo de tal forma, que quando o negro abre a boca e denuncia a discriminação, é acusado de querer dividir a sociedade, quando na verdade, ela sempre foi dividida e racista. 

No final das contas, eles não aceitam o suborno. Muitas outras coisas acontecem. Será que Walter Lee, personagem do Poitier, consegue o seu tão sonhado negócio? 

Aprovado e indicado. 

quarta-feira, 18 de julho de 2018

Malala


"Se ficar em silêncio, então você perde o direito de existir. O direito de viver. Se meu direito é violado e me silencio, é preferível morrer a ficar vivo. [...] A educação dá a você o poder de questionar. O poder de desafiar. De ser independente." Ziauddin Yousafzai, pai de Malala.

Acadêmicos públicos como a Ayaan Hirsi Ali, ex muçulmana, tem alertado o mundo para o caráter intrinsecamente violento da religião islâmica, que tem em seu bojo as sementes para o uso da força beligerante contra aqueles que não estão dentro dos muros dos ensinamentos do seu profeta Maomé. Não adianta querer florear o Alcorão, tentando nos passar a ideia de que o islã é uma religião de paz, pois definitivamente não é. Ela possui o germe da coerção e da alienação. Infelizmente grupos como o talibã tem seguido à risca o militarismo maometano, assassinando quem não está em consonância com a sua agenda ideológica de violência e morte. 

Quanto a educação secular de meninas, acredito que o islã não tenha proibições específicas. Se for este o caso, o talibã vai além do que o Alcorão diz,  militando na total ignorância de meninas, para que estas não estudem, para que continuem ignorantes, sem poderem pensar minimamente por si mesmas, mantendo total poder sobre suas mentes.

Malala Yousafzai foi uma das vítimas do talibã, que com apenas 15 anos, juntamente com o seu destemido pai, ousaram desafiar as ordens arbitrárias e retrógradas desse grupo terrorista, insistindo na educação das crianças de uma pequena região no interior do Paquistão. Não deu outra! Malala sofreu um terrível ataque quando estava indo a escola, que quase lhe tirou a vida. Felizmente ela não sucumbiu, e voltou com mais força e determinação, pronta para o combate contra as trevas do anti-intelectualismo imposto a certas regiões do seu país. Se antes do atentado contra a sua vida, sua voz já estava sendo ouvida, agora mais do que nunca, ela voltaria com força total, para lutar em favor das milhões de meninas entregues a má sorte de terem nascido em regiões pobres e carentes de cultura. 

Este emocionante e lindo documentário biografa a vida dessa maravilhosa alma feminina, que ganhou a simpatia do mundo, trazendo para sua causa a atenção, apoio e patrocínio de políticos, grandes empresários, astros da música e da grande mídia, dando uma visibilidade tamanha para a sua obra, que culminou no ano de 2014 no Prêmio Nobel da Paz. 

Malala teve uma dolorosa recuperação depois de ter recebido uma bala na cabeça, onde os Médicos estavam receosos de que ela teria grandes limitações depois que saísse do hospital, não podendo ter a mesma saúde, intrepidez e postura de antes. Algumas imagens de sua recuperação são mostradas, e foram momentos difíceis, pois todo seu corpo estava muito debilitado, com movimentos prejudicados, e uma Malala que não prometia muita coisa depois daquilo. 

Algumas sequelas ficaram, sua boca não abre direito, um de seus olhos não pisca, entretanto, Malala teve uma ótima recuperação. Cenas do cotidiano de sua casa, com o seu pai, mãe e irmãos, dão um toque especial ao documentário, evidenciando o clima de amor e união entre todos eles. Malala juntamente com a sua família, agora moram na Inglaterra, estão exilados de seu país, pois se voltarem, o talibã promete que a matará. Os terroristas do Paquistão acenderam uma fagulha que está incendiando o mundo inteiro com o trabalho de Malala pela educação de meninas, seja no Oriente, seja na África... 

Malala continua sendo muçulmana, acreditando que a sua religião é inerentemente pacífica. Talvez lá na frente, tomará ciência de que não é esse o caso. 

terça-feira, 17 de julho de 2018

Zeitgeist: O Filme


Com 11 anos de “atraso” venho a assistir a esse barulhento documentário que descortina as “verdades” escondidas de nós, pobres humanos alienados, enganados pelas grandes corporações, governo (dos EUA, claro) e pela religião cristã (está não podia faltar). Fomos e somos constante, metódica e sistematicamente manipulados como marionetes a não vermos a verdadeira natureza dos acontecimentos mundiais, defende o Zeitgeist (Espírito do Tempo). Esta é mais uma produção que não tem nenhuma modéstia em dizer para o mundo, que agora sim, nós conheceremos a verdade através dela, que mediante pesquisa exaustiva, original e o mais importante, altruísta!, nos legou a verdade que tanto precisávamos para sair da Caverna do antigo Filósofo grego, nosso amigo Platão. Peter Joseph, o produtor e diretor deste filme, conseguiu bons fiéis seguidores, que agora acham que foram iluminados, fazendo coro as suas verdades reveladas.

Tudo o que vemos, ouvimos e aprendemos, é mentira, a começar pelo cristianismo que plagiou as suas histórias de outras religiões mais antigas, em especial a egípcia com o seu deus Hórus, que foi descadaramente plagiada para compor a história de Jesus. A Bíblia é um conglomerado de escritos com simbologia astrológica que visa manipular malignamente os seus seguidores. Não preciso dizer, mas já dizendo, que tal argumento é desprovido de provas documentais e carece do apoio dos estudos acadêmicos sobre Jesus e a religião do antigo Egito. Não é citada uma obra acadêmica sequer que pelo menos forneça algum indício de plausibilidade as alegações feitas. Mesmo que fosse anexada ao argumento, uma obra científica que desse peso as afirmações feitas, isso ainda não seria suficiente para provar nada. Seria preciso muita articulação histórica, teológica... Portanto, se quer refutar a história de Jesus e sua credibilidade, que faça uso de argumentações legítimas e não de falácias e informações nitidamente falsas.

O 11 de setembro de 2001 mostra-se como a maior mentira já contada pelo governo americano neste século, para poder ganhar legitimidade em suas guerras posteriores contra o Iraque e o Afeganistão, controlando aquelas áreas e garantindo os seus inesgotáveis poços de petróleo, produto tão precioso para os EUA, que não pode prescindir desse combustível fóssil. O ataque aéreo contra as torres não foi colocado em ação pelos terroristas de Osama Bin Laden, mas tudo foi minuciosamente orquestrado pelo próprio país atacado. Como o Zeitgeist prova assertiva tão polêmica? Apelando para vários vídeos recortados de políticos, especialistas, jornalistas, frases soltas e mostradas freneticamente, esperando convencer quem assiste, que a sua teoria da conspiração é rica em fontes diversificadas, como entrevistas, documentos, vídeos... Não obstante, de cara percebe-se as falácias pulando na tela como pipocas, incorrendo em erros de correlação, falsas causações, falsos dilemas, apelos irrelevantes e etc. A mesma coisa vale aqui: se quer apresentar uma explicação alternativa sobre os atentados do 11 de setembro, que tenha o mínimo de respeito, usando argumentos decentes, e não associações confusas e disparatadas, como as que estão no vídeo. O atentando ocorrido na Espanha também é mencionado como pura manipulação para fins escusos.

O dedo de Zeitgeist é apontado para os grandes bancos, corporações financeiras, para as guerras mundiais e do Vietnã, que pasmem!, estão na mesma esfera de manipulação e mentira que o atentando em Nova Iorque e ao Pentágono. A mesma estratégia é feita, vídeos recortados e rápidos, com muitas frases e ditos, que certamente, muitas das ditas falas podem estar descontextualizadas, dando a entender e significar coisas que não foram intencionadas por quem as disse. Nessa trilha o autor vai criando um suposto e poderoso argumento ao seu favor.

Agora verdade seja dita, é claro que há manipulações e inverdades ditas pelo governo, pelas corporações e pela mídia. Mas não precisamos recorrer a espantalhos para sabermos disso. É muito claro que dificilmente ou nunca saberemos de informações comprometedoras sobre o fatídico 11 de setembro. Tem muito caroço nesse angu. Muitos fios soltos. O governo americano não é nenhum anjinho inocente na história do mundo. E não querendo entrar na mesma vibe conspiracionista do idealizador deste filme, não há garantias de que não haja um dedinho dos EUA na destruição do World Trade Center e de outros episódios dramáticos.

Eita, parece que comprei a ideia do filme.

domingo, 15 de julho de 2018

Testemunhas de Jeová e o Problema de Abuso Infantil



Elas batem à sua porta com sorrisos largos e simpáticos, estão bem vestidas, mulheres com vestidos floridos e sombrinhas por causa do sol, homens com roupas sociais e maletas executivas. Eles falam com prazer sobre Deus, sobre Jesus, sobre a Bíblia, entregam-lhe folhetos, livros, fazem convites para estudos bíblicos, e passam a imagem de que são o povo mais feliz e correto do planeta. São oito milhões deles em todo mundo, cerca de 860 mil aqui em nosso país. É um número pequeno, é verdade, em vista dos mais de sete bilhões de pessoas que ocupam o globo. Contudo, é uma seita perigosa, que protege estupradores e pedófilos em suas fileiras.

Não é só o Vaticano e a sua política nojenta, que faz vistas grossas e dá mingau na boquinha de molestadores de pequenos e adolescentes. Mas a organização que vê a si mesma como a única representante de Deus, também é mais uma religião que não mede esforços para manter-se num falso padrão de alta moralidade, colocando a instituição acima de crianças inocentes que foram sexualmente abusadas.

Este documentário feito por um “apóstata”, aquele tipo de pessoa que foi expulsa da religião por “má” conduta, clareia direitinho os mecanismos pelos quais as lideranças das testemunhas de Jeová escondem, minimizam, atenuam e desmentem, os milhares de casos de abusos infantis que ocorrem há muitas décadas entre os seus membros. Não são casos isolados. Não são abusos aqui e ali. Há procedimentos sistemáticos para calarem as vítimas, para que estas não entrem em contato com as autoridades policiais.

Os líderes mundiais dessa seita são chamados por eles de Corpo Governante. É vergonhoso os vídeos desses crápulas mentindo sobre os milhares de estupros em sua religião, como se não bastasse os estupros mentais que os fiéis já sofrem por aprenderem um monte de baboseiras sem fundamento que lhes são passadas todas as semanas, minando progressivamente as suas capacidades de pensar e criticar ideias contraproducentes.

Lastimável que mesmo as testemunhas de Jeová assistindo a esse documentário, ainda abram a boca para defenderem essa organização. Há um componente espiritual, psicológico e social muito forte nisto. A alienação dos membros dessa instituição é assustadora. Enquanto isso, pedófilos continuarão a estuprar os seus filhos. E ainda ficam chateadas quando dizemos que são uma SEITA! A Torre de Vigia é igual ou até pior que o Vaticano em proteger estupradores, visto que o catolicismo até onde tenho conhecimento, fornece esconderijo aos seus padres, cardeais e bispos (o que já é inadmissível), enquanto que a Torre de Vigia além de dar abrigo aos seus líderes, igualmente concede guarida aos membros comuns que venham a molestar crianças.

Este documentário apresenta algumas histórias de ex testemunhas de Jeová que corajosamente depois de anos de abusos sexuais, resolveram ir à justiça comum denunciar os seus molestadores e dizer a verdade  de que os seus pastores nada fizeram para que eles fossem devidamente punidos com os rigores da lei. Processos foram ganhos, e a Torre de Vigia teve que desembolsar milhões de dólares para indenizar as vítimas. E de onde veio o dinheiro para pagá-las? Dos fieis otários e ingênuos, porém sinceros, que dão o seu sangue para que a organização cresça cada vez mais.

O problema não é ter em suas fileiras pedófilos e outros tipos de criminosos, porque é uma triste realidade que toda instituição tem as suas maçãs podres, mas sim, em não entregá-los a justiça do país para que sejam julgados e presos. As testemunhas de Jeová consideram as práticas de pedofilia acontecendo nos bastidores de sua religião apenas como um pecado, desvio, infração, ou erro, que não são passíveis do castigo externo do estado. A pedofilia praticada por seus membros, para eles não é crime, mas no máximo, um pecado, que somente cabe a eles julgarem quais procedimentos tomarem para disciplinar o infrator. A essa altura, podemos vislumbrar o caráter ignominioso dessa seita.

Documentário esclarecedor.