sexta-feira, 16 de abril de 2021

Darwin Sem Frescuras

 


LOPES, Reinaldo José; PIRULA. Darwin Sem Frescura: Como a Ciência Evolutiva Ajuda a Explicar Algumas Polêmicas da Atualidade. Rio de Janeiro: HarperCollins, 2019. (PDF).

Uma decepção!

Um livro que tem por finalidade ser simples, direto, agradável, e apresentar o velho "Darwin sem frescuras", faz exatamente o contrário. Bote frescura nisso! Leitura chata, maçante e desempolgante.

Poucos capítulos escapam.

Pirula, Doutor em Zoologia na USP, que já acompanhei em diversos vídeos, sempre se pautou pela clareza na exposição de suas ideias. No entanto, na escrita deste livro, vi um Pirula totalmente oposto.

Reinaldo José Lopes, Doutor em Estudos Linguísticos e Literários em Inglês na USP, um autor que também se pauta pela clareza e leitura atraente, a qual já pude constatar em um de seus livros, também falha miseravelmente nas páginas desta obra.

O livro se propõe aos leigos, mas passa longe disso. Eles querem ser engraçados, mas suas piadinhas artificiais não colam em nenhum momento.

Uma pena! Ambos têm uma habilidade brilhante para comunicar suas ideias, no entanto, deixaram ela de lado neste livro.

Vamos recortar algumas coisinhas desta obra.

Os autores rechaçam a acusação costumeira dos criacionistas, de que a evolução é falsa por falta de fósseis transicionais.

“Fósseis de transição são as lacunas de evidências mais trombeteadas pelos criacionistas. Para eles, a ausência dos 'elos perdidos' tornaria a Evolução uma ideia totalmente falsa. Falsa, na verdade, é essa afirmação dos criacionistas, e é falsa de muitas maneiras — não só porque os fósseis de transição não são fundamentais para provar a veracidade da Evolução, mas também porque existem centenas desses fósseis. Explicando o primeiro erro da afirmação: a genética, a embriologia, a anatomia comparada, a dinâmica populacional e mesmo experimentos com bactérias já seriam suficientes para demonstrar a Evolução. Os fósseis constituiriam apenas um bônus nesse mar de evidências paralelas.” P. 50.

A explosão cambriana, tão propalada pelo criacionistas, não é tão “explosiva” assim, pois ela levou 40 milhões de anos, o que acaba solapando a rapidez com que os criacionistas acham que a vida ocorreu.

“E essa explosão está registrada num crescente de diversidade que vai de 540 milhões a 500 milhões de anos atrás. Ou seja, a tal explosão, que na visão dos criacionistas seria a ‘criação de vida do nada’, levou 40 milhões de anos para acontecer. Isso está mais para um bolo assando que para uma explosão.” P. 81.

Há um capítulo inteiro sobre a homossexualidade.

“A homossexualidade aparece em todas as culturas e sociedades humanas, presentes e pretéritas (até onde podemos averiguar), em uma curiosa proporção que sempre oscila entre 4% e 10% da população. Ou seja, há uma quantidade mais ou menos fixa de pessoas na humanidade que preferem se relacionar com outras do mesmo sexo.” P. 119.

Existem ainda muitos que acreditam que a homossexualidade é simplesmente uma escolha do individuo. No Brasil, o propagador mais conhecido, e, diga-se de passagem, o mais estúpido, é o Silas Malafaia. Eles usam também a homossexualidade como evidência de que a evolução não é verdadeira.

“Expliquemos o questionamento: o fato de alguns preferirem se relacionar com pessoas do mesmo sexo traz uma consequência óbvia, que é a menor probabilidade de deixar descendentes. Se você deixa menos descendentes, é esperado que sua linhagem genética desapareça com o tempo. Seguindo essa lógica, se houvesse algo genético que favorecesse a homossexualidade, esses genes já deveriam ter sido extintos da população há muito tempo por mera desvantagem evolutiva. E aí? Para resolver essa questão, só existem dois caminhos, correto? 1) A homossexualidade não é inata (e, portanto, seria uma ‘escolha’ dos indivíduos, não tendo nada de genético); 2) a Evolução não existe. ‘Peguei vocês, seus escritores evolucionistas marxistas seguidores da agenda gayzista do George Soros’, diria algum leitor mais raivoso e conspiracionista.” P. 119.

Uma informação de grande importância que aparece no livro, em vista do atual contexto identitário e idiota que estamos vivendo, espalhado pelo movimento negro e pessoinhas da esquerda:

“Ao pessoal que condena o uso do termo mulato por considerá-lo pejorativo, há vários estudos defendendo a ideia de que ele não deriva da palavra ‘mula’, como se costuma pensar, mas do termo árabe muwallad — nascido —, que designava o mestiço de árabe com não árabe na Espanha muçulmana e na África.” P. 120.

Os homossexuais têm um jeito específicio de ser, têm traços identificáveis - aquilo que pejorativamente chamamos de boiolagem, viadagem, baitolagem?

“Mas, em linhas gerais, há uma curva gaussiana (aquelas curvas de gráfico em formato de sino, em que a parte mais alta indica a maioria) indicando que homossexuais apresentam, sim, trejeitos identificáveis na maioria dos casos. Isso poderia ser uma característica cultural? (Afinal, o meio gay acabaria por ‘contaminar’ as pessoas com estereótipos que elas incorporariam por identificação.) Até poderia, mas tudo indica que essa explicação não faz muito sentido. Isso porque foram realizados estudos internacionais aplicando os mesmos testes em várias culturas e continentes diferentes (Américas do Norte e do Sul, Oceania, Europa e Ásia) e os traços de feminilidade ou masculinidade que distinguem os homossexuais foram observados com mínimas diferenças em todos os países estudados. É claro que mais estudos precisam ser feitos para comparar os resultados com os de outras sociedades, mais fechadas e menos expostas à cultura de origem europeia.

[...]

Esses traços — tanto de voz quanto de expressão corporal — que podem ajudar a identificar uma boa porcentagem de homossexuais são observados também (prenda a respiração e tente ler o parágrafo até o final antes de fechar o livro e jogá-lo fora)… em crianças . Sim, sabemos que é quase impossível falar sobre sexualidade de crianças, porque, por definição, crianças não possuem nenhuma libido ou interesse sexual. Toda e qualquer tentativa de sexualização de crianças de que temos notícia gera traumas e comportamentos anômalos decorrentes desses traumas. Porém, mesmo antes de os hormônios responsáveis pela libido aflorarem, esses traços ‘acessórios’, por assim dizer, de orientação sexual podem ser detectados. Igualmente em uma porcentagem bem alta (88% em alguns estudos), esses traços acabam por corresponder às preferências sexuais que os indivíduos terão depois da puberdade (e bissexuais ficam em um meio-termo, metade correspondendo, metade não). Essas crianças são chamadas de pré-homossexuais (existe, portanto, o termo pré-heterossexual também) na literatura acadêmica, pois não é possível classificá-las até chegarem a uma fase adulta, mas é possível identificar esses traços que indicam uma probabilidade alta (que nunca é de 100%, vale sempre lembrar) de que serão homossexuais. Um fato interessante é que, em meninas, essa detecção é menos acurada do que em meninos, ou seja, um menor número de meninas com comportamento pré-homossexual vai efetivamente ser lésbica na vida adulta. Mas, mesmo assim, o percentual também é alto.

Em resumo, há características objetivas de voz e linguagem corporal que podem ser observadas na maioria dos homossexuais, homens ou mulheres, que se repetem em diferentes culturas e modelos de sociedade e que são detectáveis pela maioria das pessoas, sejam homossexuais ou não.” P. 126-127.

Eles fornecem muitas explicações científicas que formam uma base sólida da homossexualidade não como uma escolha livre e espontânea das pessoas, mas de determinantes biológicos. Isso tem feito os religiosos evangélicos ficarem numa bica de sinuca, pois sempre afirmaram que a homossexualidade é escolha pecaminosa dos indivíduos, dizendo que se eles quiserem, podem parar e passar a gostar sexualmente de pessoas do sexo oposto.

segunda-feira, 12 de abril de 2021

Os Cientistas e a Busca Por Vida Extraterrestre

O assunto envolvendo Objeto Voador Não Identificado (OVNI) e vidas inteligentes fora do planeta Terra, ainda está envolto em muitas polêmicas, mentiras, charlatanice, piadas, zombarias e risos, devido a uma certa parcela de sensacionalismo vindo de muitos de seus pesquisadores, os Ufólogos, que são criativos em inventar narrativas inverossímeis e inverificáveis, que fazem muita gente não levar a sério a hipótese de vida inteligente extraterrestre.

Mas na contramão de todo o ceticismo, incredulidade e desconfiança, cientistas e divulgadores científicos estão abertos a essa possibilidade, contrariando a visão, ou mito, de que só os entusiastas da Ufologia, dão crédito aos homens verdes do espaço, OVNIs e civilizações avançadas.

Salvador Nogueira, colunista da revista Scientific American Brasil e assessor de comunicação da Sociedade Brasileira de Física, escreveu:

"Aos que preferem acreditar que tudo não passa de imaginação [UFOs], um fato notável é que muitos países tenham dedicado tantos esforços a investigar o fenômeno. Convenhamos que é no mínimo estranho gastar dinheiro para estudar uma coisa que supostamente não existe. Os franceses, por exemplo, deixaram o assunto sob encargo da CNES, a agência espacial francesa. Uma investigação em andamento, iniciada em 1977, já registrou cerca de 6 mil casos, dos quais 14% seguem sem explicação. Embora oficialmente os relatórios não defendam que os OVNIs são alienígenas, os líderes do estudo já vieram a público dizer que essas aparições eram máquinas voadoras físicas além do nosso conhecimento, e que a melhor explicação para os casos mais enigmáticos era a hipótese extraterrestre." P. 221.

Apesar do trecho acima, Nogueira é acertadamente cauteloso, quando diz que:

"[...] é aí que está o problema dos OVNIs – e mais ainda dos casos de abdução,em que pessoas alegam ter sido sequestradas, contatadas e estudadas por alienígenas. Há testemunhos aos montes (de pessoas com e sem diagnóstico de problemas psiquiátricos), mas faltam provas materiais conclusivas. Ninguém até hoje conseguiu levar um pedaço de espaçonave para análise em laboratório, o que facilmente demonstraria sua origem extraterrestre, e vídeos e fotos se tornam cada vez menos relevantes. Se antes eles eram fáceis de falsificar, agora você pode até baixar softwares em seu celular que fazem isso de forma automática. Sem evidências palpáveis, o fenômeno escapa do alcance da ciência. Não há como teorizar a respeito, nem prever novas ocorrências. Talvez por isso, a maioria dos cientistas prefira manter uma distância saudável do tema, embora poucos corajosos, como o astrobiólogo David Grinspoon e o físico Michio Kaku, admitam que há um percentual de casos inexplicados que dá margem à especulação de que se trata de visitantes alienígenas." P. 221.

NOGUEIRA, Salvador. Extraterrestres: onde eles estão e como a ciência vai encontrá-los. São Paulo: Abril, 2014. (PDF).

Stephen J. Spignesi, formado em Astronomia na Universidade de Princeton, tem algo importante a dizer sobre as pessoas que alegam ter tido experiências com alienígenas.

“Será que as pessoas que afirmam ter sido abduzidas por alienígenas estão apenas em busca de publicidade? Será que elas contam suas histórias loucas só para chamar a atenção? Será tudo o que alegam ter acontecido com elas uma mera invenção?” P. 15.

“A maioria das pessoas que oferecem relatos de experiências de abdução é discreta, gente reservada que foge da atenção da mídia e que não quer ficar em evidência. Elas muitas vezes sentem-se constrangidas em contar suas histórias, e muitas tentam distanciar-se de toda essa subcultura de OVNIs/abduzidos. Se tivessem inventado as histórias a fim de chamar a atenção e lucrar com o fato, você não acha que elas seriam receptivas a todo e qualquer tipo de atenção e que encorajariam o interesse em suas histórias?” P. 16.

SPIGNESI, Stephen J. Os 100 Maiores Mistérios do Mundo. São Paulo: Difel, 2004. (PDF).

O já citado Nogueira, concorda.

"Por outro lado, pessoas que dizem ter visto artefatos voadores me parecem críveis, pelo menos em alguns casos bem documentados. Se eles têm origem alienígena, ninguém sabe. Mas, como não se pode descartar a existência de outras civilizações no Universo, bem como a viabilidade de voos interestelares, é uma hipótese que não pode ser afastada por completo.” P. 239.

Michael Shermer, Ph.D em História da Ciência na Claremont Graduate University, e Mestre em Psicologia Experimental na Universidade Estadual da Califórnia, participou de um programa de TV com pessoas que tinham sido supostamente abduzidas. Eis, a impressão que teve delas:

“Descobri que não eram nem loucos nem ignorantes, como alguns poderiam esperar. Eram pessoas saudáveis mentalmente, racionais, inteligentes, que tinham em comum uma experiência irracional. Estavam convencidos da realidade da experiência – nenhuma explicação racional que eu pudesse oferecer, de alucinação a sonhos lúcidos ou falsas memórias, conseguiu convencê-los. Um homem ficou com lágrimas nos olhos ao me contar como a abdução havia sido traumática para ele. Outra mulher explicou que a experiência lhe custara um casamento feliz com um rico produtor de televisão. Pensei: ‘O que há de errado aqui? Não há a menor evidência de que qualquer dessas afirmações seja verdadeira, mas essas pessoas são normais, racionais e sua vida foi profundamente afetada por essas experiências’.” P. 169.

Mesmo com um cauteloso ceticismo diante daqueles que afirmam ter tido contato com extraterrestres, Shermer diz que:

“[...] há uma possibilidade real de que existam extraterrestres em algum lugar do cosmo (a sua chegada aqui na Terra já é uma outra história).” P. 170.

SHERMER, Michael. Por Que as Pessoas Acreditam em Coisas Estranhas. 1. Ed. Rev. e Ampl. São Paulo: JSN Editora, 2011. (PDF).

Governos já faz algum tempo, liberaram seus arquivos secretos, e finalmente reconheceram o fenômeno UFO. Um exemplo é o governo da Grã-Bretanha que liberou sua documentação secreta sobre a investigação de OVNIs no céu brasileiro. No mínimo, intrigante! O documentário que relata isso, pode ser visto aqui:

Também há casos de acobertamento. O documentário OVNI: A Maior História Já Negada denuncia a política de acobertamento da Força Aérea dos EUA, sobre a existência de OVNIs. O governo representado pelo Pentágono e CIA, desde a década de 1940 tem trabalhado arduamente para desacreditar todo e qualquer relato sobre os avistamentos de discos voadores. Cientistas têm sido pagos e contratados para ridicularizarem o fenômeno UFO.

Mesmo que a busca e o interesse por vidas inteligentes ainda seja marginal no campo acadêmico, é cada vez mais comum, cientistas do alto escalão estarem receptivos e crentes na existência de vida inteligente fora da Terra. Obviamente, não creem em qualquer suposta prova, evidência ou relato. Continuam bastante céticos, mas se despojaram dos preconceitos que envolvem o tema.

No documentário Mistérios do Espaço: Alienígenas, da NatGeo, infelizmente, retirado do YouTube, Seti Shostak (Ph.D em Astrofísica pelo Instituto de Tecnologia da Califórnia) admite:

“A menos que haja algo de muito miraculoso no nosso sistema solar e no nosso planeta, a vida deve ser algo muito corriqueiro, ou seja, deve haver vida em um grande número de planetas, e alguns deles devem ter dado origem à vida inteligente”.

No documentário Contato Alienígena: Espaço Sideral, Stephen Hawking, que dispensa apresentações, disse:

"Os humanos devem tomar muito cuidado em relação a responder quaisquer sinais de civilizações alienígenas."

Elisa Quintana, Ph.D em Física pela Universidade de Michigan, revela que:

"Se isso [qualquer forma de vida] for encontrado, não só irá nos levar a uma compreensão do universo de uma forma completamente nova como nos fará rever nosso papel no cosmo. Deixaremos de ser os únicos seres vivos do universo."

Michio Kaku (Ph.D em Física na Universidade de Berkeley) é um entusiasta.

“Em breve teremos o telescópio [Webb] em órbita e teremos milhares de planetas para observar”, disse Kaku. “É por isso que acho que as hipóteses de entrarmos em contacto com uma civilização alienígena são bastantes altas.”

“Há alguns colegas meus que acreditam que devemos entrar em contacto com eles. Acho que é uma ideia terrível”. [...] Agora, pessoalmente, acho que os alienígenas lá fora seriam amigáveis, mas não podemos apostar nisso. Portanto, acho que faremos contacto, mas devemos fazê-lo com muito cuidado”.

Avi Loeb, ex-professor de Astrofísica na Universidade de Harvard, é outro entusiasta da vida extraterrestre:

“Eu não vejo a busca por assinaturas tecnológicas como algo diferente da busca pela natureza da matéria escura. Nós investimos centenas de milhões de dólares na busca por partículas massivas que interagem mais fracamente, um dos principais candidatos a matéria escura. E, até o momento, essas buscas falharam. Isso não significa que foram um desperdício: faz parte do processo científico.”

Quando revolvi citar todo esse pessoal acima, não tinha conhecimento que a BBC publicou uma matéria intitulada Por que cientistas de renome cada vez mais defendem a busca por vida extraterrestre.

Quem aparece na matéria é Andrew Siemion, Ph.D em Astrofísica pela Universidade da Califórnia, dizendo:

"Agora estamos prontos para fazer a pesquisa mais completa de todo o céu (em busca de inteligência extraterrestre) que nunca foi feita antes".

Anthony Beasley, Ph.D em Astrofísica pela Universidade de Sydney, mostra sua empolgação:

"Quando os seres humanos olham para o céu noturno, eles se perguntam 'há alguém lá fora?' Agora temos a capacidade de responder a essa pergunta e talvez fazer uma descoberta que seria considerada a mais profunda descoberta científica na história da humanidade".

terça-feira, 6 de abril de 2021

Darwin Não Era Racista?

O grande Charles Darwin, criador da teoria da evolução das espécies, destoava do pensamento hegemônico da sociedade europeia e de seu país, a Inglaterra vitoriana, de que existiam raças superiores, sendo estas, os europeus, enquanto que as raças inferiores, eram os nativos da América, asiáticos e africanos? Darwin estava à frente do seu tempo nessa delicada e triste questão da história humana?

De acordo com Thiago Lustosa Jucá, Bacharel em Biologia, Mestre e Doutor em Bioquímica na Universidade Federal do Ceará, o velho Darwin não era racista.

“Darwin vinha de uma família liberal e antiescravagista, o que o impedia de diferenciar as pessoas segundo os critérios de raça e muito menos adotar convicções racistas. Inclusive, ao constatar a escravidão de perto no Brasil, Darwin deixou registrado em seu diário de bordo, em 1832, que 'nunca mais voltaria a um país em que houvesse escravidão'." P. 43.

JUCÁ, Thiago Lustosa. Afinal, Por Que a Ciência é Uma Janela Aberta de Leitura do Mundo? Porto Alegre, RS: Editora Fi, 2020.

Fiquei embasbacado, quando li isso. Visto que a realidade foi exatamente o contrário do que ele afirma. Darwin não se diferenciava dos demais quanto a considerar certos grupos de pessoas inferiores. Isso era praxe na Europa do século XIX. Cientistas, Filósofos, políticos, religiosos e pessoas comuns, tinham plena certeza de que eles, europeus brancos, estavam acima dos demais povos quanto a inteligência, perspicácia, civilidade e outras coisas mais. A Europa era o ápice da civilização, dos bons costumes, da boa maneira de viver e se portar. Enquanto que as outras sociedades e povos estavam aquém dessas virtudes.

O pesquisador do darwinismo Iba Mendes, cita o Nélio Marco, Professor de Metodologia de Ensino de Ciências Biológicas da USP, que mostra muito bem o racismo do senhor Darwin.

“Escreveu Darwin numa carta a um amigo, W. Graham, em julho de 1881, pouco antes de morrer: ‘Posso contestar que a seleção natural mais fez para o progresso da civilização do que V. parece inclinado a admitir... As chamadas raças caucasianas mais civilizadas derrotaram o turco falso na luta pela existência. Olhando para o mundo num futuro não muito distante, creio que um número considerável de raças inferiores terão sido eliminadas pelas raças mais altamente civilizadas através do mundo!’.

Pelas passagens já reproduzidas e por tantas outras que se encontram em seus escritos, não resta dúvida de que Darwin era um cidadão orgulhoso de sua nacionalidade. Mais que isto, estava convencido de que a sociedade baseada na competição generalizada era a única forma de se atingir o estágio ‘superior’ de ‘civilização’. Ainda jovem, a bordo do Beagle, lamentou as relações igualitárias que os índios da Terra do Fogo mantinham.

Escreveu ele em seu diário: “A perfeita igualdade entre os indivíduos que compõem as tribos da Terra do Fogo deverá retardar-lhes, por muito tempo, a civilização (...) até que algum chefe se levante com poder suficiente para garantir-se a posse de vantagens adquiridas, simples animais domésticos por exemplo, parece quase impossível que o estado político do país possa melhorar. Atualmente, o simples pedaço de tecido que se dá a um índio é rasgado em mil pedaços para contentar a todos, nenhum ficando mais rico do que o outro.

Era com esses olhos que Darwin observava a natureza à sua volta. Vendo uma pradaria sul-americana coberta por uma única espécie vegetal, não tardava a pensar que o lugar tinha sido originalmente ocupado por muitas espécies nativas, que teriam sido exterminadas pela conquistadora. E indo além, adiantava que tal espécie era europeia! Só podia ser mesmo. Europeus massacrando nativos e impondo seu domínio em terras distantes não era nada de incomum naqueles tempos." P. 92.

Iba Mendes ainda faz citação direta do livro de Darwin A Origem do Homem e a Seleção Sexual, que diz:

“Em algum período futuro não muito distante se medido em séculos, as raças civilizadas do homem exterminarão e substituirão, quase com certeza, as raças selvagens no mundo todo. Ao mesmo tempo, os macacos antropomorfos... serão sem dúvida exterminados. A brecha entre o homem e seus parentes mais próximos será ainda mais larga, pois ela se abrirá entre o homem num estado ainda mais civilizado, esperamos, do que o próprio caucasiano, e algum macaco tão inferior quanto o babuíno, em vez de, como agora, entre o negro ou o australiano e o gorila.” P. 78-79.

Iba Mendes cataloga muitos outros ditos de Darwin, que claramente expõem a sua visão de que existem raças superiores (ingleses, europeus) e raças inferiores (negros).

MENDES, Iba. O Maravilhoso Mundo de Darwin. Poeteiro Editor Digital São Paulo – 2016.

O documentário Onde Darwin Errou?, do Nildo Viana, Doutor em Sociologia na Universidade de Brasília, detalha muito bem o racismo de Darwin, apesar do seu horrível conteúdo ideológico marxista. Pode ser assistido aqui: 


Para justificar o falso não racismo de Darwin, Jucá escreve: 

“Inclusive, ao constatar a escravidão de perto no Brasil, Darwin deixou registrado em seu diário de bordo, em 1832, que ‘nunca mais voltaria a um país em que houvesse escravidão’.” 

Isto em nada ajuda no argumento de que Darwin não era racista. Uma coisa não exclui a outra. Robert J. Richards, Ph.D em História da Ciência pela Universidade de Chicago, escreve o seguinte:

"Apesar de Darwin reconhecer a existência de raças mais elevadas e mais baixas, ele certamente não acreditava que isto justificava um tipo de tratamento menos que humano para os mais baixos na escala." P. 178.

NUMBERS, Ronald L. Terra Plana, Galileu na Prisão e Outros Mitos Sobre Ciência e Religião. 1º Ed. - Rio de Janeiro: Thomas Nelson, 2020. (PDF).

Abraham Lincoln e os estados da União lutaram contra os confederados na Guerra Civil Americana para acabar com a escravidão, todavia, eles continuavam sendo racistas. A população americana na época dos direitos civis, na década de 1960, não era a favor que a escravidão dos negros voltasse, mas disto não se segue que grande parcela dela não era irredutivelmente racista. Ser contra o sistema de trabalho forçado não diz nada sobre olhar para os outros como iguais. É apenas uma condição que nem é necessária, na medida em que se investiga a escravidão antiga, onde o escravo era o que era, não por ser um ser humano inferior, mas, sim, por ser um cativo de guerra.   

Que fique claro, que isso em nada depõe contra a veracidade ou não da teoria da evolução proposta por Darwin. Como já disse, o contexto social e cultural do meio em que ele cresceu e viveu, era puramente racista. Quando nascemos em um ambiente assim, é muito difícil suplantar os valores que nos são passados.

sexta-feira, 20 de novembro de 2020

O Papel Subalterno das Mulheres no Islã (5° Parte)

As atrocidades e crimes cometidos contra as mulheres muçulmanas, não param. Estudiosos e mais estudiosos dessa execrável realidade, têm se juntado em uníssono, para denunciar o quanto o islã e as sociedades machistas muçulmanas, têm oprimido violentamente o sexo feminino.

Phyllis Chesler, Ph.D em Psicologia na New School for Social Research; Robert Spencer, Mestre em Estudos Religiosos na Universidade da Carolina do Norte.

“A lei islâmica - Sharia - que os terroristas estão lutando para impor ao mundo determina a discriminação institucionalizada contra as mulheres. O apartheid islâmico de gênero vai muito além da cidadania de segunda classe. Destina-se a esmagar e subordinar as mulheres.”

“[...] em todo o mundo muçulmano, as mulheres sofrem restrições em seus movimentos, suas opções conjugais, suas oportunidades profissionais e muito mais. No Kuwait, na Arábia Saudita e em outros lugares, as mulheres não podem votar ou ocupar cargos. De acordo com a Amnistia Internacional, na Arábia Saudita ‘as mulheres ... que caminham desacompanhadas ou que estão na companhia de um homem que não é seu marido nem parente próximo correm o risco de prisão por suspeita de prostituição ou outras ofensas 'morais'. Nem é a opressão das mulheres em terras muçulmanas algum acidente momentâneo da história. De acordo com a feminista saudita Wajeha Al-Huwaider, a vida de muitas mulheres árabes é semelhante à das prisioneiras. No entanto, a mulher árabe é prisioneira em sua própria casa, não cometeu nenhum crime, não foi capturada em batalha, não pertence a nenhum exército terrorista. De acordo com o exilado iraniano Freidoune Sahebjam, autor de O apedrejamento de Soraya M, o pecado da mulher islâmica é ter nascido mulher, o que constitui um 'crime capital' em uma era de jihad.

Os homens usaram o Alcorão e a tradição islâmica e a lei sistematicamente para criar o que a defensora das mulheres egípcias muçulmanas, Dra. Nawal El-Saadawi, chama de 'um sistema de classes patriarcal em que os homens dominam as mulheres'. A presunção, como diz o Alcorão, de que 'os homens têm um status acima das mulheres' é generalizada no mundo islâmico.9 E a pressão para que as mulheres se submetam a essa situação está presente desde a fundação do Islã.” P.6-7.

“Para o xeque Muhammad Sayyed Tantawi, o Grande Imam do Cairo al-Azhar, a universidade mais antiga e prestigiosa nas terras do Islã, a circuncisão feminina é ‘uma prática louvável isso [honra] as mulheres’.” P. 7-8.

“O Instituto de Ciências Médicas do Paquistão determinou que mais de noventa por cento das esposas paquistanesas foram agredidas, espancadas ou abusadas sexualmente - por crimes como cozinhar uma refeição insatisfatória ou deixar de dar à luz um filho do sexo masculino. Dominar suas mulheres pela violência é uma prerrogativa a que os homens muçulmanos se agarram com tenacidade. Na primavera de 2005, quando o Chade, nação do leste da África, tentou instituir uma nova lei de família que tornaria ilegal o espancamento de esposas, os clérigos muçulmanos consideraram a resistência à medida não islâmica. Espancamento de filha e espancamento de irmã são tão rotineiros quanto a esposa - espancar e psicologicamente ‘temperar’ as meninas para que aceitem tal tratamento quando forem crescidas.” P. 9.

“O xeque Yousef Qaradhawi, um dos clérigos islâmicos mais respeitados e influentes do mundo, escreveu: ‘Se o marido sente que sentimentos de desobediência e rebeldia estão se levantando contra ele em sua esposa, ele deve fazer o possível para retificar sua atitude com gentileza de palavras, persuasão gentil e raciocínio com ela. Se isso não ajudar, ele deve dormir separado dela, tentando despertar sua natureza feminina agradável para que a serenidade seja restaurada e ela possa responder a ele de maneira harmoniosa. Se essa abordagem falhar, é permitido que ele bata levemente nela com as mãos, evitando seu rosto e outras partes sensíveis’.” P. 10.

“Um homem muçulmano pode se divorciar de qualquer uma de suas esposas simplesmente dizendo ‘Eu me divorcio de você’ ou ‘Você é divorciada’. O Alcorão estipula apenas que o homem espere por um intervalo adequado para se certificar de que sua esposa não está grávida. Se o casal se divorciando tem filhos, eles normalmente vão com o pai, e ele não deve à esposa nenhum apoio financeiro ou de qualquer outro tipo.” P. 12.

“Um saudita chamado Homaidan Al-Turki foi condenado em setembro de 2006 a 27 anos de prisão perpétua por manter uma mulher como escrava e abusar sexualmente dela em sua casa no Colorado. Al-Turki afirmou que foi vítima de preconceito anti-muçulmano. Ele disse ao juiz: “Meritíssimo, não estou aqui para me desculpar, pois não posso me desculpar por coisas que não fiz e por crimes que não cometi. O estado criminalizou esses comportamentos muçulmanos básicos. Atacar os comportamentos tradicionais dos muçulmanos foi o ponto focal da acusação’.” P. 13.

“A escravidão sexual é possível principalmente porque a própria escravidão ainda existe no mundo muçulmano. A Arábia Saudita só aboliu a escravidão em 1962; O Iêmen e o Omã não seguiram o exemplo até 1970. A escravidão é praticada abertamente hoje em dois países muçulmanos, Sudão e Mauritânia. De acordo com a prática histórica, os escravos muçulmanos no Sudão escravizam principalmente não-muçulmanos e principalmente cristãos.” P. 14.

“As feministas ocidentais devem entender que, como as mulheres em todos os lugares, as mulheres árabes e muçulmanas internalizaram os pontos de vista de sua cultura. E, portanto, justificam práticas das quais são vítimas - espancamento de mulheres, purdah, poligamia, véu e, acima de tudo, mutilação genital feminina. Na América, na década de 1960, a maioria das mulheres negou ser economicamente discriminada ou, se provado que estava errada, insistiu que isso não as incomodava. Elas se culparam inteiramente quando foram assediadas sexualmente, estupradas ou espancadas. Apenas anos de educação e luta começaram a mudar essas atitudes entre mulheres e homens americanos. Se as feministas ocidentais não estão comprometidas com a mesma luta pelas mulheres islâmicas, são culpadas de hipocrisia.

Finalmente, as feministas ocidentais devem apoiar dissidentes muçulmanos, tanto homens quanto mulheres, que estão arriscando suas vidas em uma batalha pelos direitos das mulheres sob o Islã. Do jeito que está, o feminismo de esquerda hoje fez exatamente o oposto: entrando em uma aliança tácita com os islamistas - contra as mulheres e contra seus próprios princípios feministas. As feministas devem adotar um padrão universal de direitos humanos e abandonar sua lealdade a um de padrão relativismo multicultural que justifica, até romantiza, a barbárie indígena, o terrorismo totalitário e a perseguição de mulheres, minorias religiosas, homossexuais e intelectuais. A recusa de julgar entre a civilização e o atraso, e entre o racionalismo esclarecido e o fundamentalismo teocrático nos põe em perigo e afunda ainda mais as vítimas da tirania islâmica em sua atual desesperança.” P. 26.

CHESLER, Phyllis; SPENCER, Robert. A Opressão Violenta das Mulheres no Islã. Los Angeles, CA: David Horowitz Freedom Center, 2007.

James M. Arlandson, Ph.D em Literatura Comparada na University of California, Riverside, e Mestre em Religião no Southern California College.

“Imam Muhammad ibn al-Hasan (falecido em 795), estudante e colega de Abu Hanifah, fundador de uma escola de direito, cita com aprovação Malik ibn Anas (falecido em 795), que é outro fundador de uma escola de direito [islâmico], em uma seção intitulada “O Direito do Marido sobre Sua Mulher”. Esta opinião diz que o marido tem a responsabilidade do céu ou do inferno por sua esposa.

‘… [Uma] tia paterna dele veio ao Mensageiro de Allah e que ela alegou que ele perguntou a ela, 'Você tem um marido?' Ela respondeu: 'Sim'. Então ela alegou que ele perguntou a ela: 'Como você está em relação a ele?' e que ela disse, 'Eu apenas falho no que sou incapaz de fazer.' Ele disse: 'Então veja como você está em relação a ele, porque ele é o seu paraíso ou o seu inferno.'

Podemos interpretar a última cláusula teologicamente ou internamente. Se for teológico, então o marido tem controle sobre o destino de sua esposa na vida após a morte - céu ou inferno. Se for doméstico, ele pode tornar a vida dela feliz (paraíso) ou miserável (inferno). Ambas as interpretações podem ser verdadeiras ao mesmo tempo. O princípio fundamental é que o marido tem autoridade sobre a esposa em assuntos religiosos.”

“Para o ‘crime’ de imoralidade sexual (zina), que no Islã é punível com morte por adultério e chicotadas por fornicação, quatro homens devem provar o crime. Mulheres são excluídas. Portanto, isso significa que se uma esposa suspeitar de adultério do marido, ela não poderá fazer com que quatro mulheres o peguem em flagrante. Ela tem que conseguir quatro homens.”

“Apesar das proclamações dos tradicionalistas de que o Islã é universal (transcultural) e atemporal em todas as suas decisões e versos divinos do Alcorão, ele está muito enraizado na cultura patriarcal do século VII.

O Islã diz que ‘os homens estão um grau acima [das mulheres] em status’; [...] O próprio Allah tornou os homens superiores às mulheres. Muhammad também diz no hadith: ‘Esta [diminuição do testemunho de uma mulher] é por causa da deficiência da mente de uma mulher’. Essa declaração insulta a única qualidade dos humanos que os exalta e lhes dá dignidade: sua mente racional e pensante.

Se o Islã elevou o gênero feminino acima da condição das mulheres antes que o Islã entrasse em cena, não foi longe o suficiente para os padrões de hoje. O Alcorão, as tradições e a lei sharia clássica são muito limitados pelo tempo e pela cultura.

O Islã, interpretado de forma clássica, [...] não eleva o status das mulheres. A visão do Islã sobre as mulheres é de fato profundamente influenciada por sua cultura do século VII.

[...]

A lei islâmica, no que diz respeito às mulheres, nunca deve se espalhar pelas sociedades modernas que valorizam a vida e a liberdade, o que levará, eventualmente, à felicidade.”

Andréa Fernandes, Advogada, possui o Curso de Extensão em Relações Internacionais do Oriente Médio, na UnB.

“Em 2015, os crimes de honra foram responsáveis pela morte de pelo menos 1.100 paquistanesas[6] e 1.000 indianas. São comuns os casos de violência como o sofrido por Zeenat Rafig, de 18 anos, que foi torturada, estrangulada e queimada viva pela própria mãe por se casar sem a autorização da família, o que é considerado “desonra” no país[7]. Até rejeição de proposta de casamento é motivo para que uma mulher seja queimada viva.

Quando a província de Punjab aprovou lei penalizando todas as formas de violência contra a mulher, mais de 30 grupos religiosos juntamente com os principais partidos islâmicos exigiram a sua revogação imediata sob pena de protesto. A proposta para amenizar a fúria misógina paquistanesa adveio do Conselho de Ideologia Islâmica, que cumpre a ‘nobre missão’ de assessorar o governo, aconselhando-o que tornasse ‘legal’ o ato dos maridos ‘baterem levemente’ em suas mulheres. Melhor do que matar, não?”

Amauri Costa de Oliveira, Mestre em Ciências da Religião na Universidade Presbiteriana Mackenzie.

“Outra problematização grave de interpretação da realidade existente nas hostes do Islã, é verificado na condição social da mulher. Apesar da alegação de que o islamismo inicial promoveu a elevação do status feminino em comparação com os ritos religiosos anteriores, de fato persiste nos povos islâmicos em maior ou menor grau, muitas atitudes de descriminação das mulheres que recebem a sansão da Sharia. Por exemplo, pelos costumes islâmicos ao homem é facultado o direito à poligamia, com as mulheres herdando apenas a metade do patrimônio familiar que os homens; o testemunho da mulher em juízo sofre limitação ou não aceitação; em caso de acusação de adultério as mulheres são castigadas com severidade maior que os homens, restando ao marido o poder de castigar fisicamente a esposa. Em muitas nações islâmicas, as mulheres não podem agir judicialmente quando são rejeitadas ou nos casos em que os filhos são retirados em razão do divórcio. Outro problema sério é o casamento forçado e os crimes de assassinato em defesa da honra”. P. 102.

OLIVEIRA, Amauri Costa de. Tolerância e Liberdade Religiosa no Islã. Dissertação de Mestrado em Ciências da Religião na Universidade Presbiteriana Mackenzie, 2018.

http://tede.mackenzie.br/jspui/bitstream/tede/3698/2/Amauri%20Costa%20de%20Oliveira.pdf

David Wood, Ph.D em Filosofia na Fordham University, EUA, que já citamos na primeira parte desta série, tem algo mais a nos falar.

Embora seja verdade que Muhammad elevou o status das mulheres árabes em alguns aspectos, não podemos deixar esse fato obscurecer outras questões, a saber: (1) que Muhammad permitiu que os maridos espancassem suas esposas, (2) que ele proclamava repetidamente a inferioridade das habilidades intelectuais das mulheres, (3) que ele ensinou que as perspectivas das mulheres para a vida após a morte são extremamente sombrias e (4) que, segundo Muhammad, é aceitável que os homens estuprem suas mulheres em cativeiro. Quando combinados com as passagens acima que descrevem o impacto benéfico de Maomé na sociedade, esses quatro fatos nos permitem chegar a uma imagem mais precisa e abrangente da visão de Maomé sobre as mulheres.

[...]

[Muhammad disse]: Ó mulheres, você deve dar caridade e pedir muito perdão, porque eu te vi em massa entre os habitantes do inferno. Uma senhora sábia entre eles disse: Por que, Mensageiro de Allah, nosso povo está a granel no inferno? Sobre isso, o Santo Profeta observou: Você amaldiçoa demais e é ingrato com seus cônjuges. Não vi ninguém faltando no senso comum e falhando na religião, mas (ao mesmo tempo) roubando a sabedoria dos sábios, além de você. Sobre isso, a mulher observou: O que há de errado com nosso senso comum e com a religião? Ele (o Santo Profeta) observou: Sua falta de bom senso (pode ser bem julgada pelo fato) de que a evidência de duas mulheres é igual a um homem, isso é uma prova da falta de bom senso.

O Profeta (que as bênçãos e a paz de Allah estejam com ele) disse: ‘O testemunho de uma mulher não é igual à metade do de um homem?’ As mulheres disseram: ‘Sim’. Ele disse: "Isso é devido à deficiência de sua mente’.

[...]

Muhammad permitiu o abuso conjugal, afirmou repetidamente que as mulheres têm mentes inferiores, alegou que a maioria das pessoas no inferno são mulheres e permitiu que seus homens fizessem sexo com seus cativos. Essa situação provavelmente ainda era melhor do que a das mulheres antes da ascensão do Islã; no entanto, Muhammad estava longe de ser ‘o maior defensor dos direitos das mulheres que o mundo já viu’.

[...]

Em seus esforços para fornecer evidências para o Islã, os muçulmanos tendem a exagerar a imoralidade na Arábia antes da ascensão do Islã, tanto que às vezes entram em conflito com suas próprias reivindicações. Por exemplo, muitas vezes se afirma que o infanticídio feminino era terrivelmente difundido na Arábia e que Maomé melhorou a situação proibindo o infanticídio. No entanto, os muçulmanos também sustentam que havia poligamia desenfreada na Arábia, na qual os homens às vezes se casavam com centenas de mulheres; Maomé supostamente melhorou a situação limitando os homens a não mais que quatro esposas. O problema aqui é óbvio. Se todo mundo estava matando suas filhas, como poderia haver tantas mulheres para casar? Se o infanticídio fosse comum, as mulheres teriam sido uma mercadoria rara. Mas havia muitas mulheres por aí, então o infanticídio não poderia ter sido muito comum. Além disso, quando os muçulmanos são criticados por permitirem a poligamia, eles freqüentemente argumentam que a poligamia era aceitável no tempo de Maomé por causa da escassez de homens. No entanto, se o infanticídio fosse tão comum quanto os muçulmanos afirmam, haveria uma escassez ainda maior de mulheres, de modo que a poligamia seria desnecessária.”

Wafa Sultan, Psiquiatra pela Universidade de Aleppo, na Síria, e destacada crítica e pesquisadora do islã.

“Durante meus trinta e dois anos de vida na Síria, testemunhei inúmeros atos de violência e crueldade cruéis. Como médico praticante na Síria, tenho visto e tratado inúmeras mulheres abusadas que foram severamente espancadas e estupradas com a aprovação tácita da Sharia e da ‘honra’ da família.

[...]

As mulheres muçulmanas que sofrem imensamente sob a lei da Sharia, inclusive no Ocidente, não são dignas de proteção do governo?

[...]

Minha sobrinha foi forçada a casar com seu primo quando ela tinha onze anos e ele tinha mais de quarenta. Seu casamento era válido sob a sharia islâmica porque o profeta Muhammad se casou com sua segunda esposa, Aisha, quando ela tinha 6 anos e ele tinha mais de cinquenta. Minha sobrinha por muitos anos foi terrivelmente abusada e não tinha o direito de pedir o divórcio.

[...]

Aos 28 anos, minha sobrinha cometeu suicídio, incendiando-se; ela deixou para trás quatro filhos.

Enquanto trabalhava como médica na Síria, testemunhei muitos crimes cometidos em minha sociedade em nome do Islã. Certa vez, quando eu trabalhava em uma pequena vila, uma mulher de trinta e poucos anos veio ao meu escritório reclamando de náusea, vômito e dor nas costas. Um exame revelou que ela estava grávida de três meses. Assim que contei a notícia, ela caiu na cadeira e começou a gritar, estalando o rosto: ‘Peço-lhe médica, peço-lhe que me salve da bagunça em que estou. Meu filho vai me matar. Eu não me importo com a minha vida. Mereço morrer, mas não quero que meu filho suja as mãos com meu sangue.’

‘O que há de errado, Fátima? Eu perguntei.

‘Meu marido morreu há cinco anos e me deixou com quatro filhos. Seu irmão me estupra todos os dias em troca de alimentar meus filhos. Se ele soubesse que eu estava grávida, provocaria meu filho, de 15 anos, a me matar em vez de ser exposto a desgraça pública’.

Enviei-a para ver um ginecologista. Quando ela voltou para me ver, cerca de duas semanas depois, ela parecia magra, abatida e doente. "Eu vim para agradecer." ela disse. ‘Mas eles realizaram a operação para remover o feto sem anestesia. Eu não tinha dinheiro suficiente para pagar pelos medicamentos para me sedar, então o médico teve que operar sem eles. A dor era insuportável. Eu quase morri.’

[...]

Sob a lei islâmica da sharia, por exemplo, os muçulmanos masculinos têm controle total sobre suas parentes. Um pai pode casar sua filha em qualquer idade com qualquer homem de sua escolha sem o consentimento dela.

[...]

No cotidiano, existem incontáveis abusos domésticos de mulheres muçulmanas: estupros e assassinatos de honra que são frequentemente ignorados pelos chamados ‘progressistas’, que afirmam ser grandes defensores dos direitos humanos.”

Vejamos o que este site islâmico tem a nos dizer sobre as mulheres. Julguem por si só se isto não relega a mulher a um papel subalterno.

“[...] e ela [esposa] não está autorizada a deixar o lar conjugal, exceto com a permissão dele [seu marido]. Então ele tem que gastar com ela e cuidá-la, e isso é a troca para que ela se mantenha disponível para o prazer dele.

[...]

Foi narrado de Jaabir que o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse em seu Sermão de Despedida:

‘Temei a Allah a respeito das mulheres! Certamente vós as conduzis para a segurança de Allah, e a relação (sexual) com elas foi feita lícita através das palavras de Allah. Vós também tendes direitos sobre elas, e que elas não permitam que ninguém, de quem não gostais, sente-se em vossas camas [ou seja, não o deixar entrar em vossas casas]. Mas se elas fizerem isso, podeis castigá-las, mas não severamente. Seus direitos sobre vós são que deveis fornecê-las alimentos e roupas de forma adequada.’ (Narrado por Muslim, 1218).

[...]

Os direitos do marido sobre sua esposa estão entre os maiores direitos; de fato, seus direitos sobre ela são maiores do que os direitos dela sobre ele.

[...] em virtude das faculdades físicas e mentais que Allah deu somente aos homens.

[...]

‘Ali ibn Abi Talhah disse, narrado de Ibn 'Abbaas: ‘Os homens têm autoridade (protetores e mantenedores) sobre as mulheres’, quer dizer, eles estão no comando delas, ou seja, a mulher deve obedecer ao homem nas questões de obediência que Allah a ordenou, e obedecê-lo tratando bem de sua família e cuidando de sua riqueza. Esta foi a visão de Muqaatil, al-Saddi e al-Dahhaak (Tafsir Ibn Kathir, 1/492)

(b) Disponibilizar-se para seu marido. Um dos direitos que o marido tem sobre sua esposa é que ele possa apreciá-la (fisicamente). Se ele se casa com uma mulher e ela é capaz de ter relações sexuais, ela é obrigada a submeter-se a ele de acordo com o contrato, se ele a solicita.

[...]

Se uma esposa se recusa a responder ao pedido do marido em ter relações sexuais, ela fez algo haraam e cometeu um grande pecado, a menos que ela tenha uma razão shar’i (legislativa) válida como menstruação, jejum obrigatório, doença, etc.

Foi narrado que Abu Hurairah (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: ‘O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: ‘Quando um homem chama sua esposa para a cama e ela se recusa, e ele vai dormir com raiva dela, os anjos a amaldiçoarão até a manhã.’ (Narrado por al-Bukhari, 3065, Muslim, 1436).

(c) Não consentir (a presença de) alguém que o marido não goste. Um dos direitos que o marido tem sobre sua esposa é que ela não deve permitir entrar em sua casa qualquer pessoa que ele não goste.

[...]

Foi narrado por Sulaimaan ibn 'Amr ibn al-Ahwas: meu pai me disse que estava presente na Peregrinação da Despedida (Hujjat al-Wadaa') com o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Ele [o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele)] louvou e glorificou a Allah, então pregou um sermão e disse: "Tratais as mulheres com bondade, porque elas são prisioneiras e vós não tendes nenhum outro poder sobre elas afora isso, se elas forem culpadas pela lascívia pública, então, recusai-vos a compartilhar vossas camas, e golpeai-as, mas não severamente. Mas se elas retornarem à obediência, então não busqueis meios contra elas. Vós tendes direitos sobre vossas mulheres e vossas mulheres têm direitos sobre vós. Vossos direitos sobre vossas mulheres são que elas não devem deixar qualquer um que não gosteis se sentar em sua cama e não devem deixar qualquer um que não gosteis entrar em vossa casa. Os direitos delas sobre vós são que devais alimentá-las e vesti-las bem." (Narrado por al-Tirmidhi, 1163 - ele disse que este é um hadith sahih hasan, também narrado por Ibn Maajah, 1851).

[...]

(d) Não sair de casa, exceto com a permissão do marido. Um dos direitos do marido sobre sua esposa é que ela não deve sair de casa, exceto com sua permissão.

Os Shaafa'is e Hanbalis disseram: ela não tem o direito de visitar (nem mesmo) seu pai doente, exceto com a permissão de seu marido, e ele tem o direito de impedi-la de fazer isso... porque a obediência ao marido é obrigatória, e não é permitido negligenciar uma ação obrigatória por algo que não seja obrigatório.

(e) Disciplina. O marido tem o direito de disciplinar sua esposa se ela o desobedecer em algo bom, não se ela o desobedecer em algo pecaminoso, porque Allah ordenou disciplinar as mulheres, abandonando-as quanto à cama (assuntos íntimos) e batendo (suavemente) nelas, quando elas não obedecem.

Os Hanafis mencionaram quatro situações em que um marido está permitido a disciplinar sua esposa batendo suavemente nela. Estas são: não se adornar quando ele não quiser que ela se adorne; não responder quando ele a chama para a cama e ela esteja taahirah (pura, isto é, sem menstruação); não rezar; e sair de casa sem sua permissão.

A evidência de que é permissível disciplinar a esposa inclui as ayaat (versículos – interpretação do significado):

‘E àquelas de quem temeis a desobediência, exortai-as, pois, e abandonai-as no leito, e batei-lhes (levemente, se é útil)’. [Corão an-Nisaa’ 4 :34].”