sábado, 17 de abril de 2021

Mateus 16.18 e os Estudiosos Protestantes

O evangélico médio, sobretudo o pentecostal/neopentecostal, acredita piamente que a Pedra na qual a igreja está edificada é Cristo, na passagem do evangelho de Mateus 16.18 . Eles acham que a intepretação de que a Pedra na qual Jesus falou é Pedro, é uma exegese espúria e tipicamente católica, não comportando lugar entre os estudiosos evangélicos. Mas será que é assim mesmo? Proeminentes eruditos evangélicos, dentre eles, muitos conservadores, necessariamente veem a Pedra na qual Jesus falou como se referindo a si mesmo? Intérpretes evangélicos não creem que a Pedra seja o apóstolo Pedro?

O texto de Mateus 16.18 diz assim na Nova Versão Transformadora:

“Agora eu lhe digo que você é Pedro, e sobre esta pedra edificarei minha igreja, e as forças da morte não a conquistarão.”

Listarei a seguir eruditos evangélicos conservadores, que afirmam que a Pedra na qual Jesus falou é Pedro.

“Em Mt 16:18 Jesus diz que Pedro é a rocha sobre a qual edificará a Sua igreja: ‘Também eu te digo que tu és Pedro\petros], e sobre esta pedra\petra) edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela’ (- Portão; Inferno), O fundamento aqui é o jogo de palavras entre petros e petra. Conforme Mc 3:16 e Jo 1:42, o próprio Jesus deu a Si mão o nome de Pedro. Em Mateus, Pedro já tem este nome quando é mencionado pela primeira vez em 4:18; muitos comentaristas tiram daí a conclusão de que em Mt 16:18 não está recebendo o nome, mas, sim a interpretação dele. Paulo emprega usualmente a forma aram. Cephas kepa\urochan, ‘pedra’ (1 Co 1:12; 3:22; 9:5; 15:5; G1 1:18; 2:9, 11, 14; cf. 1 Ciem 47:3). Em Jo 1:42, o único lugar no NT onde o subs. petros é empregado no seu sentido normal, declara-se que o nome Kephas significa petros: ‘E [André] o levou [a seu irmão, Simão] a Jesus. Olhando Jesus para ele, disse: Tu és Simão, o filho de João; tu serás chamado Cefas’ (que quer dizer Pedro).’ Tanto a transliteração aram. quanto a tradução gr,, kephas/petros, podem significar ‘rocha’ e, portanto, petra em Mt 16:18 pode ser traduzida como ‘rocha’. A assonância entre as palavras torna imediatamente evidente que Pedro é o ‘homem-rocha’, o alicerce sobre o qual Jesus edificará Sua igreja.” P. 1615.

BROWN, Colin; COENE, Lothar. (Orgs). Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento Volume 02. São Paulo: Vida Nova, 2007.

“O significado é: Você é Pedro, isto é, Rocha, e sobre esta rocha, isto é, sobre você, Pedro, edificarei minha igreja. Nosso Senhor, falando em aramaico, provavelmente tenha dito: 'E eu disse a você, você é Kepha, e sobre esta kepha edificarei minha igreja.' Jesus, pois, está prometendo a Pedro que ele está para edificar sua igreja sobre ele\ Eu aceito este ponto de vista.” P. 204.

HENDRIKSEN, William. Comentário do Novo Testamento: Mateus Vol 02. São Paulo: Cultura Cristã, 2001.

“Até que ficou demonstrado na última década do século XIX que normalmente Jesus deve ter ensinado em aramaico, a exegese protestante popular desse versículo contrastava petros, uma pedra, com petra, uma rocha, assim tentando descartar a idéia de que Pedro de alguma maneira deveria ser o fundamento da igreja. Já antes, quando a verdadeira natureza do grego koinê começou a se tornar conhecida, alguns estudiosos estavam insatisfeitos com o jogo de palavras, que se encaixava melhor com o grego clássico do que com o koinê. Uma vez que se compreendeu que o nome conferido era o termo aramaico Kepha (gr. kêphas, português Cefas), ficou claro que o suposto jogo de palavras tinha de ser abandonado, pois era impossível em aramaico. Que Cefas foi o nome dado, fica claro no uso que Paulo faz do nome ao citá-lo oito vezes e citar ‘Pedro’ som ente duas vezes (G1 2.7,8). Parece claro então que a formulação tão atacada da NEB (e de Phillips) é justificada: ‘Você é Pedro, a Rocha, e sobre esta rocha...’.” P. 1578.

BRUCE, F. F. (Org). Comentário Bíblico NVI: Antigo e Novo Testamentos. São Paulo: Editora Vida, 2009.

“Ao dar a bênção, Jesus se dirige a Pedro por ‘Simão Barjonas’ (Simão Bariona) e reconhece que o único meio de ele saber que Jesus é o Cristo é mediante revelação divina, e não mediante especulação humana. Bariona (“Barjona”) é termo aramaico que significa ‘filho de Jonas’. Jesus dá a Simão o novo nome ‘Pedro’ (petros), que significa ‘pedra’, visto que eles estão diante da grande pedra atrás da cidade tendo o monte Hermom visível à distância. Sobre esta pedra (petra) Jesus promete edificar a Igreja. É evidente que Jesus quer que a primeira pedra, Pedro, seja identificado com a segunda pedra.

Alguns estudiosos tentam distanciar as duas pedras comentando que Pedro é petros em grego (substantivo masculino), ao passo que a segunda pedra é petra (substantivo feminino). Eles sustentam que a primeira pedra denota uma pedrinha e a última, uma considerável formação geológica. Esta interpretação afirma que a petra sobre a qual Jesus edifica é a confissão de Pedro, não o homem Pedro.

É razoável que petra se torne petros quando se refere a Simão, porque em grego é natural que o homem traga a forma masculina do substantivo, e não a feminina. Do contrário seria como chamar André de Andréa! Além disso, a alegada diferença entre petros e petra se evapora quando o aramaico original é considerado: “Tu és Kejpha e sobre esta kepha edificarei a minha igreja”. (Kepha é o nome original de “Cefas”, usado para se referir a Pedro.) O significado mais óbvio do texto em aramaico, grego ou em nosso idioma é que Pedro é a pedra, opinião apoiada pela maior parte da erudição protestante. O uso de petros/petra em relação a edificar no contexto que se segue, exprime o ensino da Igreja em que Jesus e os apóstolos são a fundação da Igreja (At 2.42; Ef 2.20,21; Cl 1.18; 1 Tm 3.15; 1 Pe 2.4-7).” P. 101.

ARRINGTON, French, L.; STRONTAD, Roger. (Editores). Comentário Bíblico Pentecostal: Novo Testamento. 4 ª Ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006.

“Houve muita discussão sobre o significado das palavras de Cristo a Pedro, ‘Sobre esta pedra edificarei a minha igreja’. Também houve muita discussão sobre ‘as chaves do reino dos céus’ de que Jesus falou aqui. Não existe uma razão gramaticalmente convincente pela qual Cristo não estivesse se referindo a Pedro como a ‘rocha’.” P. 576.

RICHARDS, Lawrence O. Comentário Devocional da Bíblia. Rio de Janeiro: CPAD, 2012.

“O nome Pedro faz um trocadilho, no grego, com a palavra ‘rocha’ (petra). Há quatro principais interpretações para este jogo de palavras: (a) a pedra é a confissão de Pedro (‘tu és o Cristo’, v. 16), sobre a qual a igreja é edificada; (b) Jesus mesmo é a pedra, como Pedro depois testifica (1 Pe 2.5-8); (c) Pedro, como representante dos apóstolos, é o fundamento da igreja (Ef 2.20). (d) Por sua confissão, Pedro representa o tipo de pessoa sobre a qual a Igreja será edificada.

A primeira e segunda possibilidades são freqüentemente defendidas, por indicar que o nome de Pedro é petros e a pedra é petra. Porém esta diferença linguística não é significativa neste contexto. A segunda possibilidade é improvável porque Jesus descreve-se a si mesmo. nesta passagem, não como a fundação, mas como construtor da igreja.

Não fosse pelo abuso desta passagem pela Igreja Católico-Romana, é pouco provável que qualquer dúvida fosse levantada de que a referência é a Pedro. Mas a pedra fundamental é Pedro como representante dos apóstolos (v. 15, nota), e cuja confissão a respeito de Cristo lhe foi revelada pelo Pai. Como Pedro mesmo declara posteriormente (1Pe2.4-8), todos os crentes se tornaram ‘pedras vivas’ por causa da associação deles com Cristo e com os apóstolos, como o fundamento da igreja (Ef 2.20-21; Ap 21.14).” P. 1124.

Bíblia de Estudo de Genebra. São Paulo e Barueri: Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999.

“Pedra: Pode também ser traduzido por rocha; em grego há um jogo de palavras entre petros ‘pedra, rocha’, usada aqui como nome próprio (aportuguesado para Pedro), e petra ‘rocha, penha’ (rocha, traduzida em Mt 7.24-25). Jesus usou, provavelmente, a forma aramaica kefá (Cefas; cf. Jo 1.42; 1Co 1.12; Gl 2.9), que significa tanto ‘rocha’ como ‘pedra’.”

Bíblia de Estudo Almeida. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil.

“Chegamos à última interpretação, que é a melhor. Consiste em que Pedro mesmo é a rocha, mas em um sentido especial. Não é a rocha sobre a qual se funda a Igreja; essa rocha é Deus. É a primeira pedra basal de toda a Igreja. Pedro foi o primeiro homem da Terra que descobriu quem era Jesus. Foi o primeiro homem que efetuou o salto de fé que via em Jesus Cristo o Filho do Deus vivo. Em outras palavras, Pedro foi o primeiro membro da Igreja e, nesse sentido, a Igreja está fundada sobre ele. Este é o significado. É como se Jesus tivesse dito a Pedro: "Pedro, você é o primeiro em compreender quem sou eu; portanto, é a primeira pedra, a pedra fundamental, o princípio mesmo da Igreja que fundo." E nos séculos por vir, qualquer um que faz o mesmo descobrimento que Pedro fez é outra pedra que se acrescenta ao edifício da Igreja de Cristo.” P. 571.

BARCLAY, William. Comentário do Novo Testamento. Tradução: Carlos Biagini. (PDF).

“Assim, Mateus 16.13-20 traz a famosa “confissão” na estrada para Cesaréia de Filipe. Em resposta a ela, e apenas no relato que Mateus faz do episódio, Jesus louva a percepção de Pedro como vinda do céu e diz que ele é a rocha sobre a qual edificaria a sua igreja, prometendo-lhe as chaves do reino. Não há aqui nenhuma base para as idéias católicas de papado ou de sucessão apostólica. O que Jesus predisse foi o papel de destaque que Pedro teria como líder no começo da igreja, integrando novos grupos étnicos na comunidade cristã (veja At 1— 12).” P. 595.

DOCKERY, David S. Manual Bíblico Vida Nova. São Paulo: Vida Nova, 2001.

“E sobre esta pedra... Agora, ‘pedra’ torna-se petra (feminino), e com base na distinção entre petros (acima) e petra (aqui), muitos tentam evitar identificar Pedro como a pedra sobre a qual Jesus edifica sua igreja. Alega-se que Pedro é uma mera ‘pedra’; mas Jesus mesmo é a ‘pedra’, conforme Pedro mesmo atesta (IPe 2.5-8; como, entre outros, Lenski, Gander, Walvoord). Outros adotam alguma outra distinção: e.g., ‘sobre essa pedra da verdade revelada — a verdade que você acaba de confessar — edificarei minha igreja’ (Allen). Contudo, se não fosse pela reação protestante contra os extremos de interpretação do catolicismo romano, seria duvidoso que muitos considerassem que ‘pedra’ fosse alguma outra coisa ou outra pessoa que não Pedro.

Embora seja verdade que, no grego antigo, petros petra possam ter o sentido de “pedra” e ‘rocha’, respectivamente, a distinção está grandemente limitada à poesia. Além disso, nesse caso, a base aramaica é inquestionável; e o mais provável é que kêpâ’ tenha sido usado nas duas orações (‘você é Kêpâ’, e sobre esta kêpâ’’ ), uma vez que a palavra foi usada para o nome e para ‘pedra’. A Peshita (escrita em siríaco, língua cognata com o aramaico) não faz distinção entre as palavras nas duas orações. O grego faz a distinção entre petros e petra apenas porque tenta preservar o jogo de palavras, e, no grego, o feminino petra não pode servir muito bem como nome masculino.

[...]

Se Mateus não quisesse dizer nada mais além de que Pedro era uma pedra em contraste com Jesus, a Rocha, a palavra mais comum a ser usada seria lithos (‘pedra’ de quase qualquer tamanho). Então, não haveria jogo de palavras — e esse é exatamente o ponto!” P. 431.

CARSON, D. A. O Comentário de Mateus. São Paulo: Shedd publicações, 2010.

“Esta é uma das passagens mais controversas e debatidas em toda a Escritura. Os católicos romanos têm apelado para esta passagem para defender a idéia de que Pedro foi o primeiro papa. A questão fundamental diz respeito a relação de Pedro com ‘esta pedra’. Em grego, ‘Pedro’ é Petros (‘pedra’), que está relacionada com a petra (‘rock’). O outro nome NT de Pedro, Cefas (. Cf. João 1:42, 1 Coríntios 1:12), é o equivalente aramaico: kepha’ significa ‘pedra’, e se traduz em grego como Kephas. ‘Esta rocha’ foi por diversas vezes interpretado como referindo-se (1) o próprio Pedro; (2) a confissão de Pedro; ou (3) Cristo e seus ensinamentos. Por várias razões, a primeira opção é a mais forte. Todo o pronunciamento de Jesus é direcionado para Pedro, e a palavra de ligar ‘e’ (gr. kai) identifica mais, naturalmente, o rock com o próprio Pedro.” P. 1441.

Bíblia de Estudo ESV. Illinois, EUA: Published by Crossway Bibles Wheaton, 2007.

“‘Esta pedra’ tem sido interpretado diferentemente como se referindo (1) ao próprio Pedro; (2) à confissão de Pedro; ou (3) a Cristo e seus ensinamentos. Por várias razões, a primeira opção é a mais forte. Todo o pronunciamento de Jesus é dirigido a Pedro, e o conector ‘e’ (gr. Kay) identifica mais naturalmente a pedra com o próprio Pedro.” P. 1734.

Bíblia de Estudo NAA. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2018. 

“O nome ‘Pedro’, em grego, significa ‘rocha’ ou ‘pedra’. A frase sobre esta pedra é, portanto, um trocadilho: Pedro era a pedra fundamental, uma vez que foi o primeiro a confessar Jesus como o Cristo e também foi o líder dos apóstolos, isto é, o ‘membro fundador’ da igreja (ver Ef 2.20-22; Ap 21.14). Alguns estudiosos sugerem que Jesus se referiu a si mesmo quando disse esta pedra, mas parece claro que ele apontava para Pedro ou para a confissão do discípulo.” P. 1560.

Bíblia de Estudo Nova Versão Transformadora. 1. Ed. – São Paulo: Mundo Cristão, 2018.  

“Simão reconheceu a identidade de Jesus por meio da revelação divina (11:25-27), e essa é a razão pela qual Jesus lhe deu o nome de Pedro. Apesar de Mateus já ter se referido a Simão como Pedro, esta é a primeira vez no Evangelho que jesus fez assim. Jesus identificou Pedro como rocha sobre a qual a Sua igreja seria estabelecida. A proclamação, por Pedro e pelos demais apóstolos, do messiado de Jesus pôs o fundamento para a igreja (Ef 2 19-20; Ap 21:14).” P. 1575.

Bíblia King James 1611 Com Estudo Holman. 3º Ed. Niterói-RJ: BV Books, 2020.

“Se Pedro declarou que Jesus era o Messias, Jesus também tinha uma palavra para ele. O nome ‘Pedro’ ou sem nome nativo aramaico, ‘Cefas’, tem o sentido de ‘rocha’ ou ‘pedra’. Se Pedro estava preparado para afirmar que Jesus era o Messias, Jesus estava preparado para dizer que Pedro, com sua sujeição, seria ele mesmo a fundação de sua nova edificação. Da mesma forma como Deus deu a Abrão o nome de Abraão, indicando que ele seria pai de muitas nações (Gênesis 17:5), agora Jesus dá a Simão o novo nome de Pedro, a Rocha.” P. 22.

WRIGHT, N. T. Mateus Para Todos. 1 Ed. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2020.

“A palavra grega traduzida <<pedra>> é petra e serve de trocadilho ao nome de Pedro, que em grego é Petros. A interpretação católico-romana desta passagem é que Pedro é a pedra fundamental da igreja, que gozava de uma primazia entre os apóstolos e se tornou bispo de Roma, passando esta primazia a seus sucessores, os papas. Era difícil sustentar a primeira proposição e impossível defender as outras. Uns comentaristas, apoiados por alguns pais da igreja, tendem a identificar a pedra ou com a confissão de Pedro ou com o Senhor mesmo. A intepretação mais simples é que Pedro é indicado como a pedra, sem ser o único fundamento. Os doze fundamentos da igreja são mencionados em Ef. 2:20 e Ap. 21:44. Esta interpretação é apoiada pelo fato de que as mesmas palavras são dirigidas a todos os discípulos em [Mateus] 18:18, como a Pedro em [Mateus] 16:19.” P. 968.

DAVIDSON, F. (Org.). O Novo Comentário da Bíblia. São Paulo: Vida Nova, 1997. 

“Quando Pedro foi aclamado ‘A Pedra’, não se sabia ao certo que tipo de pedra ele provaria ser. Um oráculo, no livro de Isaías, sugere que a mesma pedra que ofereceria refúgio seguro em tempos de enchentes também seria uma pedra de tropeço e queda para quem fosse jogado contra ela (Is 8.14). Assim, no mesmo contexto, o primeiro evangelista mostra Jesus dizendo a Pedro: ‘Sobre esta pedra construirei minha igreja’, e: ‘Você é um obstáculo (skandalon) no meu caminho’ (Mt 16.18,23). Pedro tinha a capacidade de ser tanto uma pedra de tropeço quanto uma pedra fundamental. Graças à intercessão do Mestre a seu favor em uma hora crítica, Pedro fortaleceu seus irmãos e tornou-se uma rocha de estabilidade e um ponto de união.” P. 35.

BRUCE, F. F. Pedro, Estevão, Tiago e João: Estudo do Cristianismo Não-Paulino. São Paulo: Shedd Publicações, 2005.

“Do grego, petros e petra, respectivamente – um trocadilho. Alguns creem que a diferença na terminação das duas palavras distingue ‘Pedro’ de ‘Pedra’ – uma referência a Cristo ou à confissão de Pedro acerca de Jesus. Mas a palavra para ‘Pedra’ no grego é o substantivo feminino petra, enquanto ‘Pedro’, o nome de um homem, é o masculino petros. O jogo de palavras requer uma mudança no gênero, ainda que Pedro seja, de fato, a pedra. O trocadilho faz mais sentido dessa forma, já que, no v. 23, é o próprio Pedro que repentinamente transforma-se em um tipo diferente de pedra: uma ‘pedra de tropeço’. [...] nada nesta passagem, e em nenhum outro lugar da Bíblia, sugere que ele é infalível ou que tenha iniciado um processo de ‘sucessão apostólica’ de liderança da igreja.” P. 1574.

Bíblia de Estudo Thomas Nelson. 1° Ed. São Paulo: Thomas Nelson, 2021.

“Cristo profetizou nestas palavras dirigidas a Pedro: ‘sobre esta pedra edificarei a minha igreja.’ Há um trocadilho aqui com a palavra ‘pedra’, que é também o nome de Pedro. Jesus disse: ‘você é Pedro’ (masculino, petros), e ‘sobre esta pedra’ (feminino, petra) ‘edificarei a minha igreja’. O Espírito Santo desceu sobre a igreja no dia de Pentecostes após o sermão de Pedro quando ‘houve um acréscimo ao número de seguidores de aproximadamente três mil pessoas’ (At 2;41).” P. 1036.

Bíblia de Estudo Introdutória. 1° Ed. São Paulo: Thomas Nelson, 2025.

A finalidade de citar esses autores evangélicos é apenas para mostrar que não existe consenso algum sobre a passagem de Mateus 16.18 no arraial protestante, contrariando a visão simplista de que só os católicos afirmam que Pedro é a Rocha da passagem em questão. Admitir que a Rocha é o senhor Pedroca, não embasa a doutrina da sucessão apostólica e as implicações que a igreja católica tira dela, como bem diz alguns dos comentaristas acima.

Para Toda a Eternidade: Conhecendo o Mundo de Mãos Dadas com a Morte

 


DOUGHTY, Caitlin. Para Toda a Eternidade: Conhecendo o Mundo de Mãos Dadas com a Morte. Rio de Janeiro: DarkSide, 2019. (PDF).

Caitlin Doughty, Bacharel em História na Universidade de Chicago, traz neste livro os modos diversos de como as várias culturas lidam com a morte e tudo que ela enseja – rituais, enterros, cerimônias, símbolos, cremações, luto, lamentos.  Oportuno dizer que a autora trabalha diretamente com os defuntos, pois durante muitos anos, ainda uma garota de vinte e poucos anos, foi funcionária de um crematório na Califórnia, onde diariamente ela torrava corpos e mais corpos, história essa que pode ser vista em seu primeiro livro Confissões do Crematório. Atualmente ela é dona do seu próprio crematório, apesar de ser uma crítica mordaz desse tipo de tratamento dado aos mortos, preferindo que eles sejam enterrados. Ela é uma crítica feroz também da maneira de como o luto é praticado hoje em dia, sempre às pressas, corrido, de poucas horas, sem intimidade e sem tempo para que as famílias enlutadas possam lamentar de modo satisfatório o ente querido que se foi.

“Nos Estados Unidos, onde eu moro, a morte tornou-se um grande negócio desde a virada do século XX. Um século se mostrou ser a quantidade de tempo perfeita para os cidadãos esquecerem como os funerais eram antes: assunto da família e da comunidade. No século XIX, ninguém teria questionado o fato de a filha de Josephine querer preparar o corpo da mãe — seria estranho se ela não fizesse isso. Ninguém teria questionado uma esposa lavando e vestindo o corpo do marido ou um pai carregando o filho para o túmulo em um caixão caseiro. Em pouquíssimo tempo, a indústria funerária norte-americana se tornou mais cara, mais empresarial e mais burocrática do que qualquer outra indústria funerária no planeta. Se pudermos ser chamados de melhores em alguma coisa, seria em manter as famílias em luto separadas dos mortos.” P. 19-20.

O tipo de destino que cada povo dá aos seus mortos, geralmente causa estranhamento. Para uns queimar os mortos é inadmissível. Para outros enterrá-los não é nada respeitoso. Já para outros, a maneira mais correta e benéfica para a natureza é deixá-los para serem comidos pelos animais. O estranhamento diante do ritual alheio vem desde a antiguidade, sendo registrado por aquele que é considerado o pai da História, o grego Heródoto.

“O historiador grego Heródoto, em seus escritos há mais de 2 mil anos, produziu uma das primeiras descrições de uma cultura que se incomodava com os rituais de morte de outra. Na história, o governante do Império Persa convoca um grupo de gregos. Como eles cremam os mortos, o rei se questiona: ‘O que seria preciso para fazer com que [eles] comessem os pais mortos?’. Os gregos hesitam ao ouvir a pergunta e explicam que riqueza nenhuma no mundo seria suficiente para transformá-los em canibais. Em seguida, o rei convoca um grupo da tribo Callatiae, conhecida por comer a carne dos mortos. Ele pergunta: ‘Por que preço estariam dispostos a queimar os pais no fogo?’. Os membros da tribo imploram para que ele não mencione ‘tais horrores!’.” P. 22-23.

Mesmo que tenha crescido vertiginosamente o número de cremações nas últimas décadas, a igreja cristã de um modo geral, tanto em suas vertentes católica e evangélica, tem uma certa aversão a queimar os corpos de seus fiéis. Lembro que no livro Ressurreição, do apologista evangélico Josh McDowell, ele argumenta fortemente contra a cremação, pois esta não se coaduna com a doutrina da ressurreição dos mortos, que em breve acontecerá com a vinda do messias Jesus Cristo, para julgar a todos nós. Desta forma, a sua crença religiosa serve como parâmetro para rechaçar e criticar as outras formas de lidar com os mortos, que não seja o enterro dos mortos. Para ele, nas palavras de nossa escritora, quaisquer outros rituais que não sejam o enterro seriam “rituais de morte selvagens”.

“Como a religião é a fonte de muitos rituais de morte, nós muitas vezes invocamos a crença para desonrar as práticas dos outros. Em 1965, James W. Fraser escreveu em Cremation: Is It Christian? [Cremação: é algo cristão?] (spoiler: não) que cremar era “um ato bárbaro’ e ‘um apoio ao crime’. Para um cristão decente, é ‘repulsivo pensar no corpo de um amigo sendo tratado como um rosbife no forno, com todas as gorduras e tecidos derretendo e escorrendo’. Eu passei a acreditar que os méritos de um costume relacionado à morte não são baseados em matemática (por exemplo, 36,7% um ‘ato bárbaro’), mas em emoções, numa crença na nobreza única da própria cultura da pessoa. Isso quer dizer que consideramos os rituais de morte selvagens apenas quando eles não são como os nossos.” P. 27-28.

Para a autora, os rituais ocidentais de morte não são superiores. Na verdade, são até inferiores aos rituais de outras partes do mundo. O nosso modo é muito voltado para o capital e nada mais.

“[...] é errado alegar que o Ocidente tem rituais de morte superiores aos do restante do mundo. Mais ainda, devido à corporatização e à comercialização dos cuidados funerários, nós ficamos para trás do resto do mundo no que diz respeito a proximidade, intimidade e rituais relacionados à morte.” P. 30.

Quando surgiu a cremação no Ocidente? Apesar da ojeriza da igreja cristã, foi na Itália, terra onde está fincado o Vaticano, que a cremação apareceu. E foi um clérigo cristão que liderou a prática em território americano no século XIX.

“A cremação industrial em fornalhas surgiu na Europa no final do século XIX. Em 1869, um grupo de especialistas médicos se reuniu em Florença, na Itália, para denunciar o enterro como algo não higiênico e defender uma mudança para a cremação. Quase simultaneamente, o movimento pró-cremação saltou o oceano até os Estados Unidos, liderado por reformadores como o absurdamente nomeado reverendo Octavius B. Frothingham, que acreditava que era melhor para um cadáver se transformar em ‘cinzas brancas’ do que em uma ‘massa de podridão’.” P. 40.

Em minha subjetividade, estou com o reverendo aí. Prefiro a cremação, que acaba com tudo em questão de poucas horas, a o enterro que torna o corpo numa “massa de podridão”.

Pensava eu que a cremação não fazia mal algum ao meio ambiente; apenas o enterro é que o contaminava, com a liberação de pesados elementos químicos dos cadáveres sobre a terra, podendo chegar (e muitas vezes chega mesmo, principalmente em cemitérios públicos) ao lençol freático. Entretanto, a cremação tem a sua cota de estragos a natureza.

“Nossas máquinas crematórias ainda parecem os modelos introduzidos nos anos 1870 — monstros de dez toneladas feitos de aço, tijolo e concreto. Consomem milhares de dólares em gás natural por mês, liberando monóxido de carbono, fuligem, dióxido de enxofre e mercúrio altamente tóxico (proveniente das obturações dentárias) na atmosfera.” P. 42.

“Nos países em que a pira de cremação é a norma, como a Índia e o Nepal, as inúmeras cremações anuais queimam mais de 50 milhões de árvores e liberam carbono negro na atmosfera. Depois do dióxido de carbono, o carbono negro é a segunda principal causa das mudanças climáticas provocadas pelo homem.” P. 44.

“[...] obturações de amálgama de mercúrio nos dentes, cuja liberação tóxica no ar é uma das maiores preocupações ambientais em relação à cremação.” P. 133.

E como não poderia ser diferente, o mundo da indústria funerária está interessado unicamente na bufunfa que advém de cada defunto tratado “amorosamente” por eles. Dougthy conta um episódio que ilustra muito bem isso.

“Depois do furacão Katrina, um grupo de monges beneditinos no sul da Louisiana começou a vender caixões de cipreste de baixo custo feitos à mão. O Comitê de Embalsamadores e Diretores Funerários do estado emitiu uma ordem de cessar e desistir, alegando que só funerárias licenciadas pelo comitê podiam vender “mercadoria funerária”. Um juiz federal acabou ficando do lado dos monges e disse que estava claro que a venda dos caixões não representava risco à saúde pública, e que a motivação do comitê era puro protecionismo econômico.” P. 53.

Cuidar dos mortos começa a render muito dinheiro:

“Quando os cuidados funerários se tornaram uma indústria no começo do século XX, houve um abalo sísmico em relação a quem era responsável pelos mortos. Cuidar do cadáver passou de um trabalho visceral e primitivo executado por mulheres a uma ‘profissão’, uma ‘arte’ e até uma ‘ciência’ executada por homens bem pagos. O cadáver, com toda a sujeira física e emocional, foi tirado das mulheres.” P. 134.

E para que o dinheiro continue entrando:

“Um executivo da Service Corporation International, a maior empresa funerária e de cemitérios do país, admitiu recentemente que ‘a indústria foi realmente construída em torno da venda de caixões’. Conforme cada vez menos pessoas veem valor em colocar o corpo preparado da mamãe em um caixão de 7 mil dólares e acabam procurando cremações simples, a indústria precisa encontrar uma nova forma de sobreviver financeiramente, vendendo não um ‘serviço funerário’, mas uma ‘reunião’ em uma ‘sala de experiências multissensoriais’.” P. 212.

Um ritual que ficou bastante conhecido na internet, graças aos vídeos no YouTube, são os mortos de Tana Toraja, na Indonésia. A própria autora esteve lá, para testemunhar como os vivos lidam com os seus parentes que se foram. Lá é comum o defunto ficar meses e até anos dentro de casa, sendo tratado como se estivesse vivo.

“Em Toraja, durante o período entre a morte e o funeral, o corpo fica em casa. Pode não parecer um choque, até eu contar que esse período pode durar de vários meses a vários anos. Durante esse tempo, a família cuida do corpo e o mumifica, leva comida, troca as roupas e fala com o cadáver.

Na primeira vez que Paul visitou Toraja, ele perguntou a Agus se era incomum uma família deixar um parente morto em casa. Agus riu da pergunta. ‘Quando eu era criança, meu avô ficou em casa por sete anos. Meu irmão e eu dormíamos com ele na mesma cama. De manhã, nós vestíamos roupas nele e o colocávamos de pé encostado na parede. À noite, ele voltava para a cama’.” P. 68.

Além da Indonésia, Doughty detalha os rituais fúnebres de vários outros lugares do planeta, tais como: Japão, México, Espanha, Bolívia, entre outros.

sexta-feira, 16 de abril de 2021

Terra Plana, Galileu na Prisão e Outros Mitos Sobre Ciência e Religião


NUMBERS, Ronald L. (Org). Terra Plana, Galileu na Prisão e Outros Mitos Sobre Ciência e Religião. 1ª Ed. - Rio de Janeiro: Thomas Nelson, 2020. (PDF).

Um assunto que sempre chama a atenção das pessoas é a relação, ou conflito entre a religião e a ciência. Em muitas conversas sobre, podem sair faíscas, brigas, desentendimentos e chateações, quando os interlocutores defendem pontos de vista antagônicos. Essa discussão e diálogo vem de longa data. Somos apenas mais uma geração discutindo e lendo sobre essa temática que causa paixões.

Temos em português mais uma obra lançada, buscando lançar nova luz nesse suposto conflito entre a razão cientifica e o sentimento religioso. Este livro traz 25 capítulos que elucidam muitos dos mitos que se alastraram por aí, que colocaram essas duas crianças travessas sempre em pé de guerra.

A distribuição de cientistas e historiadores é bem eclética, comportando teístas cristãos, agnósticos e ateus, todos juntos em uníssona voz, para refutar as lendas que ainda estão na boca do povo e na boca de muitos de seus pares acadêmicos.

A leitura de cada capítulo é bem agradável e fácil de ler. A participação de cada autor é curta, mostrando objetivamente o resultado de suas pesquisas, que deixará muitos inimigos da religião descontentes. Mas deixará também aqueles crentes criacionistas, desanimados com alguns capítulos, visto que a obra não é a favor do criacionismo e nem do seu irmão mais novo, o Design Inteligente.

O primeiro capítulo trata do mito de que “a ascensão do cristianismo foi responsável pelo fim da ciência antiga”. O autor do texto, David C. Lindberger, Ph.D em História e Filosofia da Ciência na Universidade de Indiana, EUA, discorda totalmente. Usando muitas citações de teólogos cristãos dos primeiros séculos, os acusadores querem montar um argumento de que esses cristãos eram completamente avessos ao estudo da filosofia clássica e da filosofia natural. Lindberger mostra o devido contexto de muitas dessas citações. Uma de suas conclusões é esta:

“Nenhuma instituição ou força cultural do período patrístico ofereceu mais encorajamento para a investigação da natureza que a igreja cristã. A cultura contemporânea pagã não era mais favorável à especulação desinteressada do cosmos que a cultura cristã. Vale dizer que a presença da igreja cristã aprimorou, ao invés de prejudicar, o desenvolvimento das ciências naturais.” P. 28.

No capítulo dois, o mito em questão é: Que a Igreja Cristã Medieval Impediu o Avanço da Ciência. Michael H. Shank, Ph.D em História da Ciência em Harvard, tem isto a nos dizer:

“O imaturo conceito da Idade Média como um milênio de estagnação trazida pelo cristianismo praticamente desapareceu entre estudiosos familiarizados com o período, mas se mantém vigoroso entre popularizadores de história da ciência, talvez porque, ao invés de consultar estudiosos sobre o assunto, os mais recentes popularizadores se baseiam acriticamente em seus antecessores.” P. 31.

A Terra era plana para os cristãos medievais? A igreja ensinou isto? A reposta dada no terceiro capítulo, por Lesley B. Cormack, Ph.D em História e Filosofia da Ciência na Universidade de Toronto, Canadá, é negativa.

“Poucas pessoas ao longo da Idade Média acreditavam que a Terra era plana. [...] Colombo não poderia ter provado que a Terra era redonda, pois já o sabia.” P. 40.

“Muitos autores populares de vernáculo na Idade Média também apoiavam a ideia de uma Terra redonda. O livro de Jean de Mandeville, Viagens à terra prometida e ao paraíso terreno além, escrito em cerca de 1370, foi um dos livros mais lidos na Europa dos séculos 14 a 16. Mandeville foi explícito ao declarar que a Terra era redonda e navegável. [...]Com exceção de Lactâncio e Cosme, todos os grandes estudiosos e muitos autores de vernáculo interessados pelo formato físico da Terra, desde a queda de Roma até o tempo de Colombo, articularam a teoria de que a Terra era redonda. [...] Porém, com exceção de Cosme, nenhum escritor medieval negou que a Terra era esférica, e a Igreja Católica nunca se posicionou a respeito.” P. 41-42.           

A igreja medieval proibia dissecação de corpos? Não, essa é a resposta de Katkarine Park, Ph.D em História da Ciência na Universidade de Harvard, capítulo cinco.

“A maioria das autoridades na igreja medieval não somente toleravam, mas encorajavam a abertura e desmembramento de corpos humanos para fins religiosos: o embalsamento de corpos santos por evisceração; sua divisão para render relíquias corporais; a inspeção dos órgãos internos de homens e mulheres santos buscando sinais de santidade; e a operação que mais tarde veio a ser chamada cesariana, cujo objetivo era batizar fetos extraídos dos corpos de mulheres que morreram no parto. Todas estas práticas apontam para a falsidade da alegação de que a igreja como instituição estava comprometida com a integridade do corpo humano após a morte, assim como a prática comum de dividir os corpos de príncipes e nobres antes do enterro. Ao mesmo tempo, a cultura medieval colocava limites distintos na aceitação do tratamento de cadáveres humanos, o que dramaticamente restringia o número de cadáveres disponíveis para dissecação. Porém, estes limites refletiam valores seculares de honra pessoal e familiar, e decoro ritual, e foram aplicados por governos locais, não por autoridades religiosas.” P. 55.

Somente o cristianismo foi o responsável pelo surgimento da ciência moderna? Negativo. Quem trabalha essa questão no capítulo nove, é Noah J. Efron, Ph.D em História e Filosofia da Ciência na Universidade de Tel Aviv, Israel. Depois de enumerar os vários elementos que tornam o cristianismo um dos grandes responsáveis pelo concebimento da ciência na modernidade, ele faz essa ressalva:

“Por todos estes motivos, não se pode recontar a história da ciência moderna sem reconhecer a importância crucial do cristianismo. Mas isto não significa que o cristianismo e apenas o cristianismo produziu a ciência moderna, assim como a observação de que a arte moderna não pode ser recontada sem reconhecer Picasso não significa que Picasso criou a arte moderna. A história é simplesmente mais que isso.” P. 90.

Os católicos não contribuíram para a revolução da ciência? No capitulo 11, Lawrence Principe, Ph.D em História da Ciência na Universidade John Hopkins, afirma que eles contribuíram e muito.

“A Igreja Católica talvez seja a maior e mais longa patrocinadora da ciência na história, que muitos dos que contribuíram para a Revolução Científica eram católicos, e que diversas instituições e perspectivas católicas foram influências-chave na ascensão da ciência moderna.” P. 108.

No mito 21, Matthew Stanley, Professor de História da Ciência na Universidade de Nova York, desmente o popular boato de que Albert Eisntein acreditava em um deus pessoal.  

"Em quase todos os casos o termo Deus parece ter funcionado para Einstein como um tipo de marcador linguístico, fornecendo uma forma evocativa e memorável de se referir à ordem e compreensibilidade do universo." P. 195. 

"Além de negar um Deus pessoal, ele rejeitou os fundamentos do teísmo ocidental como vida após a morte e livre-arbítrio humano." P. 197. 

Darwin Sem Frescuras

 


LOPES, Reinaldo José; PIRULA. Darwin Sem Frescura: Como a Ciência Evolutiva Ajuda a Explicar Algumas Polêmicas da Atualidade. Rio de Janeiro: HarperCollins, 2019. (PDF).

Uma decepção!

Um livro que tem por finalidade ser simples, direto, agradável, e apresentar o velho "Darwin sem frescuras", faz exatamente o contrário. Bote frescura nisso! Leitura chata, maçante e desempolgante.

Poucos capítulos escapam.

Pirula, Doutor em Zoologia na USP, que já acompanhei em diversos vídeos, sempre se pautou pela clareza na exposição de suas ideias. No entanto, na escrita deste livro, vi um Pirula totalmente oposto.

Reinaldo José Lopes, Doutor em Estudos Linguísticos e Literários em Inglês na USP, um autor que também se pauta pela clareza e leitura atraente, a qual já pude constatar em um de seus livros, também falha miseravelmente nas páginas desta obra.

O livro se propõe aos leigos, mas passa longe disso. Eles querem ser engraçados, mas suas piadinhas artificiais não colam em nenhum momento.

Uma pena! Ambos têm uma habilidade brilhante para comunicar suas ideias, no entanto, deixaram ela de lado neste livro.

Vamos recortar algumas coisinhas desta obra.

Os autores rechaçam a acusação costumeira dos criacionistas, de que a evolução é falsa por falta de fósseis transicionais.

“Fósseis de transição são as lacunas de evidências mais trombeteadas pelos criacionistas. Para eles, a ausência dos 'elos perdidos' tornaria a Evolução uma ideia totalmente falsa. Falsa, na verdade, é essa afirmação dos criacionistas, e é falsa de muitas maneiras — não só porque os fósseis de transição não são fundamentais para provar a veracidade da Evolução, mas também porque existem centenas desses fósseis. Explicando o primeiro erro da afirmação: a genética, a embriologia, a anatomia comparada, a dinâmica populacional e mesmo experimentos com bactérias já seriam suficientes para demonstrar a Evolução. Os fósseis constituiriam apenas um bônus nesse mar de evidências paralelas.” P. 50.

A explosão cambriana, tão propalada pelo criacionistas, não é tão “explosiva” assim, pois ela levou 40 milhões de anos, o que acaba solapando a rapidez com que os criacionistas acham que a vida ocorreu.

“E essa explosão está registrada num crescente de diversidade que vai de 540 milhões a 500 milhões de anos atrás. Ou seja, a tal explosão, que na visão dos criacionistas seria a ‘criação de vida do nada’, levou 40 milhões de anos para acontecer. Isso está mais para um bolo assando que para uma explosão.” P. 81.

Há um capítulo inteiro sobre a homossexualidade.

“A homossexualidade aparece em todas as culturas e sociedades humanas, presentes e pretéritas (até onde podemos averiguar), em uma curiosa proporção que sempre oscila entre 4% e 10% da população. Ou seja, há uma quantidade mais ou menos fixa de pessoas na humanidade que preferem se relacionar com outras do mesmo sexo.” P. 119.

Existem ainda muitos que acreditam que a homossexualidade é simplesmente uma escolha do individuo. No Brasil, o propagador mais conhecido, e, diga-se de passagem, o mais estúpido, é o Silas Malafaia. Eles usam também a homossexualidade como evidência de que a evolução não é verdadeira.

“Expliquemos o questionamento: o fato de alguns preferirem se relacionar com pessoas do mesmo sexo traz uma consequência óbvia, que é a menor probabilidade de deixar descendentes. Se você deixa menos descendentes, é esperado que sua linhagem genética desapareça com o tempo. Seguindo essa lógica, se houvesse algo genético que favorecesse a homossexualidade, esses genes já deveriam ter sido extintos da população há muito tempo por mera desvantagem evolutiva. E aí? Para resolver essa questão, só existem dois caminhos, correto? 1) A homossexualidade não é inata (e, portanto, seria uma ‘escolha’ dos indivíduos, não tendo nada de genético); 2) a Evolução não existe. ‘Peguei vocês, seus escritores evolucionistas marxistas seguidores da agenda gayzista do George Soros’, diria algum leitor mais raivoso e conspiracionista.” P. 119.

Uma informação de grande importância que aparece no livro, em vista do atual contexto identitário e idiota que estamos vivendo, espalhado pelo movimento negro e pessoinhas da esquerda:

“Ao pessoal que condena o uso do termo mulato por considerá-lo pejorativo, há vários estudos defendendo a ideia de que ele não deriva da palavra ‘mula’, como se costuma pensar, mas do termo árabe muwallad — nascido —, que designava o mestiço de árabe com não árabe na Espanha muçulmana e na África.” P. 120.

Os homossexuais têm um jeito específicio de ser, têm traços identificáveis - aquilo que pejorativamente chamamos de boiolagem, viadagem, baitolagem?

“Mas, em linhas gerais, há uma curva gaussiana (aquelas curvas de gráfico em formato de sino, em que a parte mais alta indica a maioria) indicando que homossexuais apresentam, sim, trejeitos identificáveis na maioria dos casos. Isso poderia ser uma característica cultural? (Afinal, o meio gay acabaria por ‘contaminar’ as pessoas com estereótipos que elas incorporariam por identificação.) Até poderia, mas tudo indica que essa explicação não faz muito sentido. Isso porque foram realizados estudos internacionais aplicando os mesmos testes em várias culturas e continentes diferentes (Américas do Norte e do Sul, Oceania, Europa e Ásia) e os traços de feminilidade ou masculinidade que distinguem os homossexuais foram observados com mínimas diferenças em todos os países estudados. É claro que mais estudos precisam ser feitos para comparar os resultados com os de outras sociedades, mais fechadas e menos expostas à cultura de origem europeia.

[...]

Esses traços — tanto de voz quanto de expressão corporal — que podem ajudar a identificar uma boa porcentagem de homossexuais são observados também (prenda a respiração e tente ler o parágrafo até o final antes de fechar o livro e jogá-lo fora)… em crianças . Sim, sabemos que é quase impossível falar sobre sexualidade de crianças, porque, por definição, crianças não possuem nenhuma libido ou interesse sexual. Toda e qualquer tentativa de sexualização de crianças de que temos notícia gera traumas e comportamentos anômalos decorrentes desses traumas. Porém, mesmo antes de os hormônios responsáveis pela libido aflorarem, esses traços ‘acessórios’, por assim dizer, de orientação sexual podem ser detectados. Igualmente em uma porcentagem bem alta (88% em alguns estudos), esses traços acabam por corresponder às preferências sexuais que os indivíduos terão depois da puberdade (e bissexuais ficam em um meio-termo, metade correspondendo, metade não). Essas crianças são chamadas de pré-homossexuais (existe, portanto, o termo pré-heterossexual também) na literatura acadêmica, pois não é possível classificá-las até chegarem a uma fase adulta, mas é possível identificar esses traços que indicam uma probabilidade alta (que nunca é de 100%, vale sempre lembrar) de que serão homossexuais. Um fato interessante é que, em meninas, essa detecção é menos acurada do que em meninos, ou seja, um menor número de meninas com comportamento pré-homossexual vai efetivamente ser lésbica na vida adulta. Mas, mesmo assim, o percentual também é alto.

Em resumo, há características objetivas de voz e linguagem corporal que podem ser observadas na maioria dos homossexuais, homens ou mulheres, que se repetem em diferentes culturas e modelos de sociedade e que são detectáveis pela maioria das pessoas, sejam homossexuais ou não.” P. 126-127.

Eles fornecem muitas explicações científicas que formam uma base sólida da homossexualidade não como uma escolha livre e espontânea das pessoas, mas de determinantes biológicos. Isso tem feito os religiosos evangélicos ficarem numa bica de sinuca, pois sempre afirmaram que a homossexualidade é escolha pecaminosa dos indivíduos, dizendo que se eles quiserem, podem parar e passar a gostar sexualmente de pessoas do sexo oposto.

segunda-feira, 12 de abril de 2021

Os Cientistas e a Busca Por Vida Extraterrestre

O assunto envolvendo Objeto Voador Não Identificado (OVNI) e vidas inteligentes fora do planeta Terra, ainda está envolto em muitas polêmicas, mentiras, charlatanice, piadas, zombarias e risos, devido a uma certa parcela de sensacionalismo vindo de muitos de seus pesquisadores, os Ufólogos, que são criativos em inventar narrativas inverossímeis e inverificáveis, que fazem muita gente não levar a sério a hipótese de vida inteligente extraterrestre.

Mas na contramão de todo o ceticismo, incredulidade e desconfiança, cientistas e divulgadores científicos estão abertos a essa possibilidade, contrariando a visão, ou mito, de que só os entusiastas da Ufologia, dão crédito aos homens verdes do espaço, OVNIs e civilizações avançadas.

Salvador Nogueira, colunista da revista Scientific American Brasil e assessor de comunicação da Sociedade Brasileira de Física, escreveu:

"Aos que preferem acreditar que tudo não passa de imaginação [UFOs], um fato notável é que muitos países tenham dedicado tantos esforços a investigar o fenômeno. Convenhamos que é no mínimo estranho gastar dinheiro para estudar uma coisa que supostamente não existe. Os franceses, por exemplo, deixaram o assunto sob encargo da CNES, a agência espacial francesa. Uma investigação em andamento, iniciada em 1977, já registrou cerca de 6 mil casos, dos quais 14% seguem sem explicação. Embora oficialmente os relatórios não defendam que os OVNIs são alienígenas, os líderes do estudo já vieram a público dizer que essas aparições eram máquinas voadoras físicas além do nosso conhecimento, e que a melhor explicação para os casos mais enigmáticos era a hipótese extraterrestre." P. 221.

Apesar do trecho acima, Nogueira é acertadamente cauteloso, quando diz que:

"[...] é aí que está o problema dos OVNIs – e mais ainda dos casos de abdução,em que pessoas alegam ter sido sequestradas, contatadas e estudadas por alienígenas. Há testemunhos aos montes (de pessoas com e sem diagnóstico de problemas psiquiátricos), mas faltam provas materiais conclusivas. Ninguém até hoje conseguiu levar um pedaço de espaçonave para análise em laboratório, o que facilmente demonstraria sua origem extraterrestre, e vídeos e fotos se tornam cada vez menos relevantes. Se antes eles eram fáceis de falsificar, agora você pode até baixar softwares em seu celular que fazem isso de forma automática. Sem evidências palpáveis, o fenômeno escapa do alcance da ciência. Não há como teorizar a respeito, nem prever novas ocorrências. Talvez por isso, a maioria dos cientistas prefira manter uma distância saudável do tema, embora poucos corajosos, como o astrobiólogo David Grinspoon e o físico Michio Kaku, admitam que há um percentual de casos inexplicados que dá margem à especulação de que se trata de visitantes alienígenas." P. 221.

NOGUEIRA, Salvador. Extraterrestres: onde eles estão e como a ciência vai encontrá-los. São Paulo: Abril, 2014. (PDF).

Stephen J. Spignesi, formado em Astronomia na Universidade de Princeton, tem algo importante a dizer sobre as pessoas que alegam ter tido experiências com alienígenas.

“Será que as pessoas que afirmam ter sido abduzidas por alienígenas estão apenas em busca de publicidade? Será que elas contam suas histórias loucas só para chamar a atenção? Será tudo o que alegam ter acontecido com elas uma mera invenção?” P. 15.

“A maioria das pessoas que oferecem relatos de experiências de abdução é discreta, gente reservada que foge da atenção da mídia e que não quer ficar em evidência. Elas muitas vezes sentem-se constrangidas em contar suas histórias, e muitas tentam distanciar-se de toda essa subcultura de OVNIs/abduzidos. Se tivessem inventado as histórias a fim de chamar a atenção e lucrar com o fato, você não acha que elas seriam receptivas a todo e qualquer tipo de atenção e que encorajariam o interesse em suas histórias?” P. 16.

SPIGNESI, Stephen J. Os 100 Maiores Mistérios do Mundo. São Paulo: Difel, 2004. (PDF).

O já citado Nogueira, concorda.

"Por outro lado, pessoas que dizem ter visto artefatos voadores me parecem críveis, pelo menos em alguns casos bem documentados. Se eles têm origem alienígena, ninguém sabe. Mas, como não se pode descartar a existência de outras civilizações no Universo, bem como a viabilidade de voos interestelares, é uma hipótese que não pode ser afastada por completo.” P. 239.

Michael Shermer, Ph.D em História da Ciência na Claremont Graduate University, e Mestre em Psicologia Experimental na Universidade Estadual da Califórnia, participou de um programa de TV com pessoas que tinham sido supostamente abduzidas. Eis, a impressão que teve delas:

“Descobri que não eram nem loucos nem ignorantes, como alguns poderiam esperar. Eram pessoas saudáveis mentalmente, racionais, inteligentes, que tinham em comum uma experiência irracional. Estavam convencidos da realidade da experiência – nenhuma explicação racional que eu pudesse oferecer, de alucinação a sonhos lúcidos ou falsas memórias, conseguiu convencê-los. Um homem ficou com lágrimas nos olhos ao me contar como a abdução havia sido traumática para ele. Outra mulher explicou que a experiência lhe custara um casamento feliz com um rico produtor de televisão. Pensei: ‘O que há de errado aqui? Não há a menor evidência de que qualquer dessas afirmações seja verdadeira, mas essas pessoas são normais, racionais e sua vida foi profundamente afetada por essas experiências’.” P. 169.

Mesmo com um cauteloso ceticismo diante daqueles que afirmam ter tido contato com extraterrestres, Shermer diz que:

“[...] há uma possibilidade real de que existam extraterrestres em algum lugar do cosmo (a sua chegada aqui na Terra já é uma outra história).” P. 170.

SHERMER, Michael. Por Que as Pessoas Acreditam em Coisas Estranhas. 1. Ed. Rev. e Ampl. São Paulo: JSN Editora, 2011. (PDF).

Governos já faz algum tempo, liberaram seus arquivos secretos, e finalmente reconheceram o fenômeno UFO. Um exemplo é o governo da Grã-Bretanha que liberou sua documentação secreta sobre a investigação de OVNIs no céu brasileiro. No mínimo, intrigante! O documentário que relata isso, pode ser visto aqui:

Também há casos de acobertamento. O documentário OVNI: A Maior História Já Negada denuncia a política de acobertamento da Força Aérea dos EUA, sobre a existência de OVNIs. O governo representado pelo Pentágono e CIA, desde a década de 1940 tem trabalhado arduamente para desacreditar todo e qualquer relato sobre os avistamentos de discos voadores. Cientistas têm sido pagos e contratados para ridicularizarem o fenômeno UFO.

Mesmo que a busca e o interesse por vidas inteligentes ainda seja marginal no campo acadêmico, é cada vez mais comum, cientistas do alto escalão estarem receptivos e crentes na existência de vida inteligente fora da Terra. Obviamente, não creem em qualquer suposta prova, evidência ou relato. Continuam bastante céticos, mas se despojaram dos preconceitos que envolvem o tema.

No documentário Mistérios do Espaço: Alienígenas, da NatGeo, infelizmente, retirado do YouTube, Seti Shostak (Ph.D em Astrofísica pelo Instituto de Tecnologia da Califórnia) admite:

“A menos que haja algo de muito miraculoso no nosso sistema solar e no nosso planeta, a vida deve ser algo muito corriqueiro, ou seja, deve haver vida em um grande número de planetas, e alguns deles devem ter dado origem à vida inteligente”.

No documentário Contato Alienígena: Espaço Sideral, Stephen Hawking, que dispensa apresentações, disse:

"Os humanos devem tomar muito cuidado em relação a responder quaisquer sinais de civilizações alienígenas."

Elisa Quintana, Ph.D em Física pela Universidade de Michigan, revela que:

"Se isso [qualquer forma de vida] for encontrado, não só irá nos levar a uma compreensão do universo de uma forma completamente nova como nos fará rever nosso papel no cosmo. Deixaremos de ser os únicos seres vivos do universo."

Michio Kaku (Ph.D em Física na Universidade de Berkeley) é um entusiasta.

“Em breve teremos o telescópio [Webb] em órbita e teremos milhares de planetas para observar”, disse Kaku. “É por isso que acho que as hipóteses de entrarmos em contacto com uma civilização alienígena são bastantes altas.”

“Há alguns colegas meus que acreditam que devemos entrar em contacto com eles. Acho que é uma ideia terrível”. [...] Agora, pessoalmente, acho que os alienígenas lá fora seriam amigáveis, mas não podemos apostar nisso. Portanto, acho que faremos contacto, mas devemos fazê-lo com muito cuidado”.

Avi Loeb, ex-professor de Astrofísica na Universidade de Harvard, é outro entusiasta da vida extraterrestre:

“Eu não vejo a busca por assinaturas tecnológicas como algo diferente da busca pela natureza da matéria escura. Nós investimos centenas de milhões de dólares na busca por partículas massivas que interagem mais fracamente, um dos principais candidatos a matéria escura. E, até o momento, essas buscas falharam. Isso não significa que foram um desperdício: faz parte do processo científico.”

Quando revolvi citar todo esse pessoal acima, não tinha conhecimento que a BBC publicou uma matéria intitulada Por que cientistas de renome cada vez mais defendem a busca por vida extraterrestre.

Quem aparece na matéria é Andrew Siemion, Ph.D em Astrofísica pela Universidade da Califórnia, dizendo:

"Agora estamos prontos para fazer a pesquisa mais completa de todo o céu (em busca de inteligência extraterrestre) que nunca foi feita antes".

Anthony Beasley, Ph.D em Astrofísica pela Universidade de Sydney, mostra sua empolgação:

"Quando os seres humanos olham para o céu noturno, eles se perguntam 'há alguém lá fora?' Agora temos a capacidade de responder a essa pergunta e talvez fazer uma descoberta que seria considerada a mais profunda descoberta científica na história da humanidade".