sábado, 7 de janeiro de 2017

Mercado Negro

Produtos Falsificados


A pirataria está disseminada em todos os lugares. E os EUA é um dos países que mais sofrem com esse mercado alternativo. Grandes marcas são imitadas. Às vezes seus produtos são tão cuidadosamente falsificados, que fica difícil em identificar o verdadeiro do falso. Como não é novidade, grande parte desses produtos são fabricados na China. Segundo o governo, bilhões de dólares deixam de ser arrecadados em impostos, devido a pirataria. É algo impossível de acabar, visto que todas as classes sociais consomem esses produtos que são mais bem em conta que os originais, mesmo que muitas vezes não tenham a mesma qualidade.  

Sexo à venda


Prostituição! Uma quantidade absurda de garotas de programa norte-americanas estão sob o jugo dos cafetões. Estes as escravizam; as torturam; as exploram; e se necessário for, as matam. Algumas conseguem escapar da tutela cruel desses exploradores, são as renegadas. Claro que eles odeiam a estas mais que tudo nessa vida. A desculpinha besta é que sob a “proteção” deles, elas estarão seguras diante de clientes violentos ou outros cafetões mais inescrupulosos que eles. O documentário Tricked, já resumido neste blog, traz detalhes horripilantes da vida dessas mulheres, vítimas desses cafetões. Aqui o link:


Armas Fantasmas


Os EUA é um país conhecido por ser bem liberal em relação à venda de armas para os seus cidadãos. Porém, a venda de armas tem que ser devidamente registrada, o usuário tem que fornecer todos os seus dados, se não, a venda não acontece. Todas as armas têm um número uma série de números que as identificam. Se o camarada fizer alguma merda com elas, a polícia tem como saber quem matou, assaltou ou cometeu qualquer outro delito com elas. Até mesmo, não sei como, pela balística da arma, as autoridades têm grandes chances de descobrir qual foi a arma. Pois bem, a bandidagem consegue colocar no mercado, armas fantasmas, ou seja, armas que não estão catalogadas. Aí, quem quiser subverter a lei, pode utilizar essas armas, correndo um risco menor de serem presas.

Os Malefícios do Moonshine


Bebidas alcoólicas existem de todos os tipos, sabores, texturas... Cervejas, conhaques, cachaças, whiskys, vodkas, vinhos e etc. As opções são as mais diversas – seja com teor alcoólico maior, ou menor, elas estão em qualquer supermercado, boteco, restaurante, bar... São legalizadas, e os impostos arrecadados pelo Estado chegam a bilhões todos os anos. Mas existe um mercado paralelo de bebidas embriagantes proibidas. O Moonshine é uma delas. Altamente inebriante, com teor alcoólico além do permitido, ela é feita às escondidas, e possui um público fiel de consumidores.

Apostas Ilegais


Apostar é permitido, que o diga a cidade de Las Vegas. Mas um submundo de certas apostas são terminantemente proibidas. Por exemplo, racha de carros. Mas não adianta, sempre haverá os contraventores dispostos a ganhar um dinheiro a mais, indo contra as leis do Estado. Dentro dessas apostas ilegais está a rinha de cães. Esses animais são treinados diária e pesadamente para matar. Os seus criadores não têm escrúpulos algum. Esse modo cruel de aposta ainda é praticado por cerca 40 mil pessoas nos EUA. Alguns criadores chegam a colocar cocaína nos pêlos de seus cachorros para que quando os seus oponentes os morderem, suas bocas fiquem dormentes e seus ataques se tornem nulos. 

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

A Filosofia Explica Grandes Questões da Humanidade


FILHO, Clóvis de Barros; POMPEU, Júlio. A Filosofia Explica Grandes Questões da Humanidade. 2. ed. – Rio de Janeiro: Casa da Palavra; São Paulo: Casa do Saber, 2014. (PDF).

Como é de praxe, comecemos pelos autores. Clóvis de Barros filho possui um Doutorado em Ciência da Comunicação na USP e Júlio Pompeu tem um Doutorado em Psicologia na Universidade do Espírito Santo. Como deu pra notar, nenhum dos dois tem formação acadêmica em Filosofia. Não são Filósofos profissionais, mas se aventuram a filosofar. Nada contra. Só os mais frescos ligariam. Inclusive, não duvido nada, muitos Filósofos.

O título é enganoso. Visto que a filosofia exposta por eles, não explica nenhuma das “grandes questões da humanidade”. Apenas levanta hipóteses, faz perguntas e mais perguntas, apresenta possíveis respostas e nos traz o pensamento dos Filósofos clássicos (Platão, Sócrates, Aristóteles, Espinosa...). Não explica, somente complica, ou sendo mais justo, amplia nossos horizontes intelectivos. Os autores reiteram que não podemos cobrar da Filosofia, além daquilo que ela pode nos fornecer (eu concordo). Se é assim, porque um título tão chamativo e diria até sensacionalista? Como eles já são Professores e autores populares, sabem que qualquer obra literária que colocarem nas prateleiras, irá ter uma boa rotatividade. Mesmo com minhas reclamações, aqui estou eu, com a leitura concluída do livro e ainda “perdendo” tempo, falando dele. Dando um desconto, o livro traz boas reflexões, principalmente as considerações do Pompeu.

Clóvis de Barros Filho, por exemplo, é um dos queridinhos da vez – em suas palestras é bastante articulado e eloquente, fala com paixão, vocabulário amplo e despojado, não tem besteira em falar palavrões de vez em quando, é um baita palestrante. Está ao lado de Cortella, Karnal e Pondé, entre os mais populares intelectuais que suscitam muitos admiradores e detratores, no mundo internético. Quanto ao Pompeu, nem o conhecia. Mas como está escrevendo junto com o Filho, com certeza é figura (quase) tão conhecida quanto o primeiro.

Os primeiros capítulos foram escritos pelo Filho. Uma parte interessante dele, falando sobre a mentira, acerta bem o alvo.

“Mentir por conveniência nossa, com certeza. Mas também por conveniência do outro, do interlocutor, da vítima. Que terá no afastamento do real lesivo – proporcionado pela mentira – um unguento, uma sobrevida, um instante de alívio, ainda que temporário. Um bálsamo protetivo face à tristeza que supostamente ensejaria a verdade. Para quando a sinceridade parece cruel demais. Será que um doente, em estado terminal, precisa mesmo de relatos verídicos?

E você, senhora, na hora de dar um fora em seu parceiro, no momento de se justificar, precisa mesmo revelar que encontrou outro com melhores condições de proporcionar prazer? Com apetrechos e dotes que não consegue tirar da cabeça? Precisa falar daquela linguetada em diagonal acompanhada do atrito com a ponta do nariz que fez badalar os sinos da Catedral de Notre Dame, mesmo longe de Paris? Do número de investidas por encontro? Sobretudo para um marido de mais de uma década, de pegada frouxa, esporádica e inconsistente. Que nunca fez tocar nem a campainha de casa. Será tão necessário assim passar em revista os talentos e competências profissionais do pretendente? Do sucesso econômico – vencimentos diários superiores ao minguado salário docente? Da farta cabeleira face às fracassadas tentativas de implante?

Você imagina as causas do novo amor. Ou, pelo menos, os atributos determinantes da troca. Mas, na hora de justificar ao incrédulo cônjuge sua decisão, você mente. Diz que o problema é com você. Que não se sente à altura. Que o outro é legal em demasia. Que se pudesse escolher alguém para passar a vida eterna, não hesitaria em procurá-lo novamente. Mentiras. Por compaixão. Porque a verdade pode agredir muito. E muitos de nós não suportamos dar causa à tristeza do outro.” P. 21.

Caramba. É isso mesmo. Mentir é NECESSÁRIO. Sem a mentira a vida se tornaria mais cruel do que ela já é. Precisamos e devemos mentir, em várias ocasiões, não para prejudicar as pessoas, mas para poupá-las de potenciais sofrimentos, que não lhes trarão benefício algum.

Adentrando a difícil problemática do livre arbítrio humano, ele nos diz:

“Muitos questionam nossa liberdade. Afinal, se tudo no universo vive como só poderia viver, regido por causalidades materiais, e a pêra cai da pereira sem nunca poder se opor, por que seríamos diferentes? O que permitiria que fôssemos autores de nós mesmos? Semideuses, criadores da nossa própria trajetória? Assim, se o vento venta, a maré mareia e o sapo sapeia, não deveríamos, nós também, ser o mero resultado de vetores causais que nos determinariam absolutamente? O que nos facultaria transcender à inexorabilidade da matéria, de suas relações e seus fluxos?

O assunto vai longe. Consagraremos a ele um capítulo inteiro. Aqui basta deixar claro que não há ética entre sapos ou peras. Que se trata de uma prerrogativa exclusiva nossa. Humana, necessariamente humana. Justamente porque supomos, muitos de nós, que no nosso caso a vida é diferente. Que temos uma grande participação na sua definição. E que, para isso, refletimos e deliberamos. Porque, se fôssemos o mero resultado mecânico de uma combinação de variáveis, não faria sentido discutir sobre a melhor vida a viver, dado que seria a única, a necessária, a inexorável.

De fato, só faz sentido investir energia na identificação da melhor alternativa, se acreditarmos, de verdade, tratar-se de uma alternativa. Que a vida pode mesmo ser diferente do que ela é. E se algum chato defender obstinadamente a tese da inexorabilidade, sugiro que lance mão de um porrete e se ponha a golpeá-lo sem piedade. E quando suplicar para que pare, devolva-lhe o argumento: sou um mero resultado. Um autômato. Uma superestrutura consciente determinada por forças infraestruturais afetivas que não controlo. Sou um escravo da minha ira. Nada me fará parar.” P. 30-31.

Concordo com ele. Entretanto, ele sendo ateu, fica bem complicado defender a livre agência humana, visto que num universo sem Deus, somos meras combinações dos elementos da natureza. Dessa maneira como ele mesmo pergunta: O que nos facultaria transcender à inexorabilidade da matéria, de suas relações e seus fluxos?” Acho que a única escapatória é pressupor o Pressuposto do qual todos os outros derivam: Deus. Ciente, é claro, das dificuldades filosóficas, que esse Postulado nos traz. Creio que os obstáculos, apesar de espinhosos, são menos embaraçosos, quando afirmamos que temos liberdade, pelo fato de não sermos meros efeitos da matéria inanimada, que surgiu sem uma causa inteligente.

Os últimos capítulos são de autoria de Pompeu. Na verdade, achei a segunda parte do livro mais interessante. Sei que não é uma disputa, mas se podemos comparar, ele foi melhor que o Filho.

“Definida a moda, haverá os de bom gosto e os de péssimo gosto, os in e os out, os dominantes e os dominados. Acrescente que o fato de que quando um objeto ou prática é consagrado como diferenciador estético do dominante e dominado, o acesso a ele passa a ser objeto de disputa e restrições. Ele deixa de ser para qualquer um. Podemos continuar com o exemplo da moda. Consagrado um estilo, as roupas e acessórios que nele se encaixam tornam-se mais caros e, portanto, coisa para poucos. Também quanto mais caro é um objeto, mais atrativa é a sua venda. Começa a ser falsificado. Pela falsificação barata se torna acessível e popular. É quando o chique vira brega, dando lugar a uma nova moda.” P. 90.

É isso mesmo. Somos assim. Uns mais, outros menos. Muitos são completamente idiotas e dependentes do que está em voga.

A abordagem que Pompeu faz do que é a Justiça é muito boa.

“Muitos aqui podem ter vivido até hoje sem nunca terem se perguntado o que é a justiça, mas dificilmente conseguiram chegar até aqui sem ponderar sobre o justo e o injusto. Por mais feliz que seja sua vida, em alguns momentos esse sentimento de que as coisas estavam fora do lugar, de que os acontecimentos pareciam conspirar sem motivo para a sua tristeza, os tomou de assalto. Certamente chamaram isso de injustiça. Eis a mais comum das experiências primeiras com a justiça. Torta, enviesada, surgida pela via oposta da injustiça e recebida como um sentimento e não uma ideia ou conceito. Sentimos algo ruim a que chamamos injustiça e por isso desejamos seu oposto, a justiça.” P. 94-95.

Algumas palavras a frente ele faz uma pergunta intrigante do ponto de vista da Filosofia:

“Mas se tudo o que chamamos de justiça for ideia contrafeita à de uma injustiça sentida, temos um sério problema: a dependência das sensações para pensar a justiça. [...] [Algo] seria injusto por ser essencialmente injusto, injusto nele mesmo, ou por apenas o sentirmos como injusto? Seja qual for a resposta, ela é problemática.” P. 95.

Realmente não se tem uma resposta conclusiva. Por mais que possamos pressupor Deus como a fonte da Justiça, as dificuldades persistem.

Expondo extraordinariamente o problema do que é Justo ou Injusto, aqui vai mais longa citação, mas que vale muito, lê-la até o final:

Se algo for injusto em essência, teríamos pela frente a difícil tarefa de apontar num conceito tal essência do injusto. Uma ideia abstrata que uma vez bem compreendida nos permitisse apontar com precisão caso a caso, acontecimento a acontecimento, o que é e o que não é injusto. Este grau de precisão nos julgamentos é o sonho de todo jurista, que permanece como um sonho justamente por não ter sido alcançado até hoje. Em respeito a este insistente esforço ao longo da história, podemos concluir, prematuramente, que nunca será alcançado. Na prática, uma justiça em essência funciona como os sonhos, que existem na medida em que se acredita neles. O problema é que cada crente a vê de um modo diferente, mas a defende como se fosse uma realidade tão concreta quanto as paredes do seu quarto.

Mas nossa segunda hipótese não é menos problemática. Nem todo evento afeta a todos da mesma maneira. Um mesmo acontecimento pode ser alegrador para uns e entristecedor para outros. Os entristecidos dirão que estão diante de uma injustiça e que o justo seria corrigir ou reparar os fatos e os sentimentos ruins surgidos em consequência deles. Já os que se alegraram com os fatos tendem a dizer que está tudo bem, que não há nenhuma injustiça e que qualquer pretensão de mudar os efeitos do que se passou é que seria injusta.

As duas hipóteses acabam caindo nos mesmos problemas, a falta de objetividade e a possibilidade de que alguém tome por universal uma ideia de justiça que é apenas particular, íntima até. A justiça não poderia ser apenas um sentimento oposto ao da injustiça e tampouco uma ideia que não fosse reconhecida por todos como válida. Eis o desafio que uma filosofia da justiça propõe: eliminar as incertezas sobre o justo e o injusto, afastando a justiça dos sentimentos e das ideias particulares, ambos efeitos do modo singular de ser afetado por um evento qualquer. Trata-se de substituir as emoções privadas por uma razão pública sobre o justo e o injusto.” P. 95.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

1808


GOMES, Laurentino. 1808: como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a história de Portugal e do Brasil. São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2007.

“O nome completo de D. João VI era João Maria José Francisco Xavier de Paula Luís Antônio Domingos Rafael de Bragança. Foi o último monarca absoluto de Portugal e o primeiro e único de um reino cuja existência não durou mais do que cinco anos: o Reino Unido do Brasil, Portugal e Algarves. Nasceu em 13 de maio de 1767 e morreu em 10 de março de 1826, dois meses antes de completar 59 anos”. P. 168.

Livro de leitura agradável, fluente e fácil, sobre a história de Dom João VI, rei de Portugal, em sua estada de 13 anos no Brasil (1808-1821). 1808 tornou-se um sucesso de vendas. Porém, é um livro escrito por um Jornalista. Os Historiadores ficaram putos da vida com isso. É como se o Laurentino não tivesse o direito de escrever um livro que compete “exclusivamente” a eles. Laurentino, segundo eles, adentrou num terreno que não é de sua ossada. E assim, de acordo com os “Guardiões da História”, escreveu um péssimo livro. Desconfio de que há uma mesquinharia infantil, por parte deles. Despeito e inveja, por muitos de seus trabalhos “acadêmicos” estarem arquivados, sem ninguém para lê-los e discuti-los.

Ciente de que nenhuma obra de História é de caráter definitivo, Laurentino sinaliza:

"Os acontecimentos do passado são imutáveis, mas a sua interpretação depende do incansável trabalho de investigação dos pesquisadores e também do julgamento dos leitores dos livros de História". P. 22.

“Embora não tenha a pretensão de ser um livro acadêmico, todas as suas informações são baseadas em relatos e documentos históricos, exaustivamente apurados e checados. Mesmo assim, não está isento de eventuais erros, factuais ou de interpretação, que necessitem ser corrigidos no futuro”. P. 24.

Gomes reconhece o caráter transitório do conhecimento histórico. Uma busca eterna pela verdade dos acontecimentos. Isso seria suficiente para esses Historiadores birrentos, pararem com os seus chiliques.

Falando sobre o atraso científico em Portugal, Gomes nos traz esse fato:

"Por escrúpulos religiosos, a Ciência e a Medicina eram atrasadas ou praticamente desconhecidas [em Portugal, nos séculos 18 e 19]. D. José, herdeiro do trono e irmão mais velho do príncipe regente, D. João, havia morrido de varíola porque sua mãe, D. Maria I, tinha proibido os médicos de lhe aplicar vacina. O motivo? Religioso. A rainha achava que a decisão entre a vida e a morte estava nas mãos de Deus e que não cabia à Ciência interferir nesse processo." P. 58-59.

Existem muitos grupos religiosos, ainda hoje, que privam seus membros de certos benefícios da Medicina. Testemunhas de Jeová, que preferem ver seus filhos morrerem a ter que fazer transfusão de sangue; certas igrejas evangélicas, adeptas da teologia da prosperidade, que incentivam seus membros a não tomarem remédio, mas confiarem de que Deus irá curá-las.

Sobre o estado de Carlota Joaquina e suas súditas, quando atracaram em terras tupiniquins:

"Carlota [Joaquina], as filhas princesas e outras damas da corte tinham desembarcado com as cabeças raspadas ou cabelos curtos, protegidas por turbantes, devido à infestação de piolhos que havia assolado os navios durante a viagem. Tobias Monteiro conta que, ao ver as princesas assim cobertas, as mulheres do Rio de Janeiro tiveram uma reação surpreendente. Acharam que aquela seria a última moda na Europa. Dentro de pouco tempo, quase todas elas passaram a cortar os cabelos e a usar turbantes para imitar as nobres portuguesas." P. 145.

Não mudamos. Até hoje somos propensos a imitar aqueles que estão em iminência. Muitas vezes, coisas tão bobas, diga-se de passagem.

Informações curiosas sobre as impressões de Charles Darwin, quando passou pelo Rio de Janeiro em 1832:

“Sublime, pitoresca, cores intensas, predomínio do tom azul, grandes plantações de cana-de-açúcar e café, véu natural de mimosas, florestas parecidas, porém mais gloriosas do que aquelas nas gravuras, raios de sol, plantas parasitas, bananas, grandes folhas, sol mormacento. Tudo quieto, exceto grandes e brilhantes borboletas. Muita água [...], as margens cheias de árvores e lindas flores”. P. 154-155.

Impressões do explorador britânico James Tuckey, quando esteve no Rio de Janeiro, no início do século XIX:

“As mulheres brasileiras têm, entre outros, o péssimo hábito de escarrar em público, não importando a hora, situação ou lugar”. P. 158-159.

Ainda bem que hábito já não existe mais entre as nossas mulheres.Será que João VI era homossexual?

“Poucos historiadores se arriscam a entrar na vida íntima de D. João VI. Dois deles, Tobias Monteiro e Patrick Wilcken, apontam evidências de que, na ausência da mulher, ele manteve um relacionamento homossexual — mais por conveniência do que por convicção — com Francisco Rufino de Sousa Lobato, um dos camareiros reais. Monteiro sugere que as funções de Francisco Rufino incluíam masturbar o rei com certa regularidade”. P. 172-173.

Parece ser regra Dom João ser depreciado pelos seus pesquisadores, Gomes parece está entre eles, não nutrindo muita simpatia por Dom João, quase sempre revelando as fraquezas, defeitos, tropeços ou a falta de higiene do regente:

Príncipe regente e, depois de 1816, rei do Brasil e de Portugal, D. João tinha medo de siris, caranguejos e trovoadas”. P. 167.

“Quase todos os historiadores o descrevem como um homem desleixado com a higiene pessoal e avesso ao banho. 'Era muito sujo, vício de resto comum a toda a família, a toda a nação', afirmou Oliveira Martins. ‘Nem ele, nem D. Carlota, apesar de se odiarem, discrepavam na regra de não se lavarem.’ A relutância da corte portuguesa em tomar banho contrastava com os costumes da colônia brasileira, onde o cuidado com o asseio pessoal chamava a atenção de quase todos os viajantes que por aqui passaram nessa época. ‘Apesar de certos hábitos que aproximam da vida selvagem os brasileiros da classe baixa, qualquer que seja a sua raça, é para notar que todos eles são notavelmente cuidadosos com a limpeza do corpo’, escreveu o inglês Henry Koster, que morou no Recife entre 1809 e 1820.” P. 168.

“Com seu caráter indeciso e medroso, governou Portugal em meio a um dos períodos mais turbulentos na história das monarquias européias.” P. 170.

“Sofria crises periódicas e profundas de depressão”. P. 170.

“Sua vida amorosa foi medíocre”. P. 171.

Mas aliviando o perfil do monarca, Gomes escreve:

“Oliveira Lima diz que, embora não tenha sido um grande soberano, capaz de proezas militares e golpes audaciosos de administração, D. João soube combinar bondade e inteligência e senso prático para se tornar um rei eficiente. “Foi brando e sagaz, insinuante e precavido, afável e pertinaz.” P. 177.

Informações curiosas sobre a situação dos negros pós-morte:

"[...] no Rio de Janeiro de D. João VI só os brancos tinham o privilégio de serem sepultados em igrejas, próximos de Deus e do paraíso celeste, segundo se acreditava na época. Os escravos eram jogados em terrenos baldios ou valas comuns, nas quais se atirava fogo e, depois, uma camada de cal." P. 239.

Sobre a punição para os escravos “teimosos”:

"A punição mais comum era o açoite do escravo, nas costas ou nas nádegas, quando fugia, cometia algum crime ou alguma falta grave no trabalho. [...] há relatos de viajantes e cronistas com referência a duzentos, trezentos ou até seiscentos açoites. Quantidade tão absurda de chibatadas deixava as costas ou as nádegas do escravo em carne viva. Numa época em que não havia antibióticos, o risco de morte por gangrena ou infecção generalizada era grande. Por isso, banhava-se o escravo com uma mistura de sal, vinagre ou pimenta malagueta — numa tentativa de evitar a infecção das feridas." P. 250.

E assim termino esse resumo desajeitado.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Narco Cultura


Se não bastassem as mortes que os grandes cartéis de drogas mexicanos provocam, estes agora estão inspirando toda uma cultura de entretenimento musical que os exaltam e os colocam como grandes heróis e ídolos que devem ser admirados, copiados e seguidos. 

Esse documentário vem mostrar o submundo dessas músicas repletas de violência e sua influência sobre os jovens mexicanos e até mesmo norte-americanos, incutindo-lhes uma visão distorcida e “benigna” do narcotráfico. Igualzinho o que os vários cantores de funk e rap fazem nas periferias do Rio de Janeiro e São Paulo.  

Para a infelicidade da sociedade mexicana, essas crianças, adolescentes e jovens, aderem numa boa às letras dessas músicas e até almejam serem como esses traficantes um dia. As meninas desejam serem suas mulheres, e os meninos querem ter sua AK-47 impondo respeito e temor. Lamentando essa triste situação, a Jornalista Sandra Rodrigues diz:

“Todo mundo canta essas músicas falando em corpos decapitados, matanças com AK-47. E quando começo a ouvir esses narco corridos do Movimiento Alterado, eu fiquei perplexa. Nem imaginamos como isso se arraigou fundo em nossas mentes e cultura. Para mim, é um sintoma de como estamos derrotados como sociedade. A molecada quer ficar parecida com os narcos. Para mim, é porque eles representam uma ideia de sucesso, poder, impunidade e poder sem limites. Se você pode matar uma pessoa, então tem poder sem limites”.

A realidade é bem feia e drástica. O resultado do tráfico de drogas nas cidades mexicanas são os mais devastadores possíveis. Richi Soto, investigador criminal, revela dados assustadores desse câncer na sociedade mexicana:

“Ciudad Juaréz sempre foi uma cidade perigosa. No ano de 2007, contabilizamos 320 homicídios. Pouco depois, a guerra contra o tráfico chegou à cidade. Em 2008, contabilizamos 1.623 casos de homicídios. Em 2009, houve 2.754 assassinatos. 3.622 pessoas foram assassinadas em Ciudad Juaréz em 2010. Em El Paso, Texas, do outro lado do rio bravo, houve apenas 5 homicídios nesse mesmo ano”.

Desses vários assassinatos, praticamente nenhum é de fato resolvido, e os assassinos presos e punidos. A Sandra Rodrigues, mais uma vez diz:

“Temos contado estatisticamente, por exemplo, o Sistema de Controle e Aplicação da Justiça, verificamos que de 100 crimes, por exemplo, homicídios, apenas 3 avançam um pouco na investigação até chegar aos tribunais, desses, um número ainda menor se constata que a pessoa, o suposto responsável, é culpado ou punido. Falamos de 97% ou mais dos casos sem solução de todos os 10.000 homicídios ou mais, que foram registrados nos últimos 4 anos. Nenhum desses sofreram punições, e isso incentiva a outros, e outros, e outros a cometerem delitos, pois não há punições”. 

O documentário, em seu final, traz estas palavras comoventes do investigador criminal, Richi Soto:

“Dirijo pelas ruas e vejo as pessoas sem esperança. Ouvem as sirenes e nos veem como anjos da morte. Vejo as ruas cheias de medo. Chorando por... Os jovens perderam os valores e agora estão vivendo... [...] Aqui tem um cheiro... Um cheiro ruim. Cheira a sangue. Cheira a morte".

Documentários Vistos (11)


O próprio Hawking conta a sua vida e obra acadêmica; suas descorbetas que ajudaram a fundamentar o Big bang, teoria sobre buracos negros etc.

Simplesmente emocionante. 


Essa é considerada a casa mal-assombrada mais famosa do planeta, devido à repercussão que os jornais da época deram aos relatos de seus moradores em 1976. Em 1974, a família que ali morava foi toda assassinada, e dois anos depois a casa foi ocupada pelos Lutz, família que jura que durante os 28 dias que viveram nela, presenciaram manifestações malignas sobrenaturais. 

Será mesmo? Não duvido que coisas desse tipo possam acontecer. Embora as explicações psicológicas e parapsicológicas expliquem razoavelmente bem a maioria dessas experiências. Creio que no caso em questão, o sobrenaturalismo está descartado, por mais que Danny, o único membro da família entrevistado, garanta com plena convicção e muita emoção que vivenciou coisas terríveis vindas do além na dita casa.


Um excelente documentário que põe diante de nossos olhos a beleza da complexidade da vida em todas as suas formas e aparências. Um grupo de Cientistas e Filósofos da Ciência reúne-se para criar uma nova abordagem para tentar entender a complexidade dos seres vivos. Nascia o Movimento do Design Inteligente.

Contrapondo-se a aceita Teoria da Evolução, eles afirmaram e afirmam que as modernas descobertas da Biologia Molecular põem em xeque os postulados básicos da Biologia Evolutiva. Segundo esses acadêmicos, os seres vivos possuem uma “complexidade Irredutível” e “complexidade especificada” que impossibilitam que a aleatoriedade, acaso e não propósito da evolução tenha o poder de gerar toda essa gama de seres biológicos existentes.

Será que estão certos? Desafiar um paradigma da Academia não é nada fácil, e tem gerado debates acalorados. Quanto a crítica que fazem ao naturalismo metafísico, já estão há anos luz à frente dos Cientistas aderentes dessa corrente, no entanto, precisam suar muito a camisa para não só trazer a tona os problemas da Evolução Biológica (o que é relativamente fácil), mas sim, colocar no lugar dela, um paradigma que supra os requisitos básicos de uma verdadeira ciência. Entretanto, o que é (seria) uma verdadeira ciência? 

O ponto negativo do vídeo é a dublagem. Péssima, por sinal.


Documentário sobre a história do principal ator das arte marciais no cinema. Suas performances e lutas podem até não ser as melhores e atraentes diante de tantos bons filmes de lutas que surgiram depois, mas mito é mito, lenda é lenda. 

Tristemente como o vídeo nos conta, Bruce Lee morreu precocemente em 1973, simplesmente por uma reação a um analgésico que tomou para dor de cabeça. Morte banal. No entanto, o legado permanece eterno. 


Dois grupos rivais de chimpanzés querem ocupar o mesmo território em uma floresta africana. Mas apenas um grupo poderá ocupá-lo e desfrutar as cobiçadas castanhas ali presentes.

Muito legal esse documentário produzido pela Disney. A semelhança de características sociais humanas são facilmente percebidas no dia a dia desses chimpanzés. Nosso parentesco genético ajuda a explicar isso. 

Nota 1000 para excelência e cuidado que os produtores tiveram na produção dessa magnífica obra que exalta a natureza. Super aprovado! 

Livros Lidos (19)


YANCEY, Philip. A pergunta que não quer calar. São Paulo: Mundo Cristão, 2015.

O autor, Philip Yancey, um talentoso Jornalista e escritor cristão, sempre trabalha questões espinhosas, numa forma que poucos conseguem fazer. 

E qual é A PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR? 

"Onde está Deus no sofrimento humano?" 

Para os que acreditam na existência desse Ser Eterno e Pessoal, essa é a pergunta mais difícil, mais complicada e mais penosa e árdua, a se responder. 

Não existem respostas fáceis e prontas. Sobriamente Yancey admite:

"De forma alguma essas reflexões 'resolvem' o problema da dor; elas nem sequer começam a tratar de outras questões vividas por quem está sofrendo". P. 128. 

Yancey tenta trazer algum consolo, enraizando a fé e a esperança, no Deus sofredor, Jesus Cristo. O Deus que tomou a forma humana e veio viver entre nós. 

É convincente as reflexões que ele traz? Elas só podem ser acatadas e assimiladas pela fé num Deus que um dia, não sabemos como, irá consertar toda a injustiça e maldade que atravessa a história deste planeta tão conturbado e calejado de tantas coisas (aparentemente?) sem sentido. 

Caso a realidade não seja assim, então qual é a resposta a pergunta de Jó, que ecoa por todos esses séculos?

"Ora, se o único lar pelo qual espero é a sepultura, se estendo a minha cama nas trevas, se digo à corrupção mortal: Você é meu pai, e se aos vermes digo: Vocês são minha mãe e minhã irmã, onde está então minha esperança?" (Jó. 13-14).


Livro chato e enfadonho. Quase que não termino o dito cujo. Foi lido no início de 2008. 

Desde o final de 2003 me interesso pelo fascinante tema Ufologia. Tem muita bobagem no meio; muitas teorias malucas e charlatanice. No entanto, tem muitos pesquisadores sérios estudando o fenômeno UFO. 

É um fenômeno que até muitos governos e cientistas reconhecem como um fato.



Existem livros que nos acrescentam bastante informação, conhecimento, reflexão e etc. Mas esse o que me acrescentou? Quase nada! Esperava que o autor fosse fazer um apanhado histórico do cristianismo protestante até o movimento pentecostal. O que não foi o caso. Apenas uma explanação chata e sem vida sobre a pentecostalidade na América Latina, o que tornou a leitura bastante engasgada do começo ao fim.


O teólogo Stanley Horton é uma das raras mentes intelectuais produzidas pelo movimento pentecostal. Umas das poucas obras de qualidade acadêmica de que dispõe o público brasileiro adepto dessa perspectiva religiosa. Para quem pesquisa o movimento pentecostal, esse livro é de extrema importância, por tratar e expor os assuntos que compõem o pentecostalismo clássico. Cada capítulo escrito por um Teólogo penteca de verdade, não os pretensos "Teólogos" brasileiros, onde a mediocridade é latente e edêmica.

PS: a Carisma, nova editora, tem publicado obras relevantes sobre a Teologia Pentecostal. 



Um doido metido a Astrônomo, dizendo que o mundo em breve o irá ter o seu destino interrompido por esse tal Hercólubus. Li essa merda em 2008. Em tudo que era lugar em Natal-RN, cartazes desse livro estavam pregados. Parecia aqueles anúncios de cartomantes em postes. A propaganda foi grande. Pelo que lembro, o fim estava bem próximo. Acho até que já expirou o tempo pretendido pelo autor para o derradeiro dia. 

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Os 100 Maiores Mistérios do Mundo


SPIGNESI, Stephen J. Os 100 Maiores Mistérios do Mundo. São Paulo: Difel, 2004. (Versão em PDF).

Quando baixei esse livro, pensei que o conteúdo seria sensacionalista e desprovido de seriedade, mas não foi o caso. Stephen J. Spignesi (formado em Ciências Humanas pela Cornell University, em Direito pela New York Law School, em Ciências Exatas na Adelphi University, e também tem formação em Astronomia na Universidade de Princeton) tenta se pautar pelo equilíbrio e bom senso diante dos mistérios que permeiam a história humana. Às vezes, achei que ele viaja na maionese – é crédulo demais; noutras poderia ser menos cético. Também muitos dos mistérios listados, não são mistérios coisa nenhuma; são pura balela.

“Estou aberto à noção de uma realidade não-física e acredito que a realidade na qual vivemos aqui na Terra não é — nem pode ser — a única realidade. Acredito que muitas das pessoas que afirmam ter visto OVNIs, ou encontrado água através da hidroscopia, ou conseguido entrar em contato com os mortos estão falando a verdade, e não delirando; elas tampouco (o que seria pior) são mentirosas caras-duras. Acredito que, por algo soar absurdo e impossível, isso não quer dizer que o fato em si seja absurdo e impossível. Acredito que a espécie humana não compreende nem um décimo das incríveis complexidades e mistérios da vida em nosso universo. Acredito que é mais fácil ser cínico do que ter uma mente aberta.” P. 9.

Ele continua:

“O maior problema com os céticos implacáveis, aqueles que descartam até a possibilidade de que a atividade paranormal seja real, é que o desprezo e o ceticismo deles não deixam espaço para nada além de sua própria visão de mundo. Isso é arrogância numa proporção cósmica. Sem dúvida, a maioria dos relatos paranormais é falsa. No entanto, a literatura sobre eventos extraordinários oferece incontáveis casos inexplicáveis, mas, ainda assim, convincentes.” P. 9.

Sobre um dos maiores mistérios que rondam a existência humana estão às supostas interações entre nós, e os espíritos, sejam eles as almas dos mortos, espíritos malignos, demônios e etc.

“A atividade dos poltergeists é um ramo dos fenômenos paranormais extraordinariamente convincente. Várias testemunhas relatam ter visto a mesma coisa: quadros girando nas paredes, cadeiras movendo-se pelo chão da sala por vontade própria, textos surgindo do nada. Será que todas essas testemunhas devem ser consideradas mentirosas ou loucas?” P. 9.

Eu mesmo já tive experiências com esse tipo de coisa, quando criança. Até hoje essas lembranças são muito fortes. E por mais que eu tente passar pelo crivo da incredulidade e ceticismo, racionalizando as manifestações que vi, não consigo explicar por meios naturais o que presenciei, não apenas uma vez, mas em três ocasiões. E poderia até colocar uma quarta experiência, porém, essa não foi tão nítida.

Algumas pessoas dizem que certas casas, locais e ambientes, são propícios a terem manifestações paranormais ou demoníacas; seriam espécies de portais, onde os espíritos do além podem aparecer à vontade ou com mais frequência. O problema não estar pessoa que está sendo perseguida por um espírito, mas o local onde ela mora. Saindo desse ambiente carregado, a interação nada desejosa termina.

Noutras situações parece que o problema está na pessoa, que não importa para onde ela vá, o disgramado do encosto/capeta/satanás vai encher o saco dela.

Entretanto que fique claro: acredito que a maioria dos casos ditos paranormais são explicados pela Ciência; e se não puderem ser desvendados por ela no momento atual de nosso conhecimento, isso não implica necessariamente em dizer que são sobrenaturais. Um dia poderão ser explicados e veremos que não tinham nada a ver com o outro mundo.     

Voltando ao que vivenciei, dormindo no colchão com meu pai, acordo de madrugada, quando olho para o lado, há cerca de um metro e meio de mim, vejo um ser deitado no chão, inerte, de olhos abertos, olhando para o teto, tinha um pano enrolado na cabeça, nu e não tinha sexo.

Virei para o lado de pai, que estava a minha esquerda, daí olhei de novo para ver se aquele ser bizarro ainda estava lá, e ele estava. Me virei mais uma vez para o lado de pai, e depois olhei de novo, para ver se aquela coisa estranha ainda se encontrava, pior que sim. Acordei meu pai, e quando ele olhou, ela tinha desaparecido.

Tive outras experiências menos traumáticas, mas tão reais quanto esta. Como desprezar os vários depoimentos sobre esse tipo de coisa, que muitas pessoas dizem ter vivenciado? Certo é que o ceticismo e cautela devem ser nossos guias, sobretudo, quando o depoente é religioso e supersticioso demais. No entanto, quando passamos por situações anormais, fica difícil descartar a veracidade do paranormal.

Dentre os mistérios que Spignesi trata, eis alguns:

Mistério 1: Abduções Alienígenas

“Será que as pessoas que afirmam ter sido abduzidas por alienígenas estão apenas em busca de publicidade? Será que elas contam suas histórias loucas só para chamar a atenção? Será tudo o que alegam ter acontecido com elas uma mera invenção?” P. 15.

“A maioria das pessoas que oferecem relatos de experiências de abdução é discreta, gente reservada que foge da atenção da mídia e que não quer ficar em evidência. Elas muitas vezes sentem-se constrangidas em contar suas histórias, e muitas tentam distanciar-se de toda essa subcultura de OVNIs/abduzidos. Se tivessem inventado as histórias a fim de chamar a atenção e lucrar com o fato, você não acha que elas seriam receptivas a todo e qualquer tipo de atenção e que encorajariam o interesse em suas histórias?” P. 16.

Mistério 6: Psi Animal

“Os animais podem ler nossa mente? Podemos conversar com nossos bichinhos de estimação através do pensamento? Será que um animal sabe quando alguém vai morrer? Será que eles conseguem viajar por milhares de quilômetros através de territórios desconhecidos a fim de localizar seus donos? A resposta a todas essas perguntas parece ser um improvável ‘sim’. Há inúmeras histórias de animais que demonstram comportamentos que não seriam possíveis sem algum tipo de habilidade extrassensorial. E muitas dessas histórias resultam de experiências científicas, com técnicas controladas e válidas.” P. 29.

Mistério 7: Área 51

“[...] baseados em provas empíricas, depoimentos e no senso comum, parece extremamente improvável que quaisquer dos rumores sobre ETs na Área 51 sejam verdadeiros. O mais provável é que lá ocorram pesquisas muito avançadas que o governo não deseja que venham a público e que explicam muito bem a segurança mais rígida do que o normal nessa grande porção do sul de Nevada.” P. 32.

Mistério 12: Atlântida

Ele (Platão) a inventou — provavelmente utilizando um antigo mito egípcio como fonte. Ninguém menos que Aristóteles, discípulo de Platão, confirmou que a história era uma fábula escrita para ressaltar um ponto de vista.” P. 47.

Mistério 27: Demônios, Possessão e Exorcismo

“As doenças mentais são, em geral, as culpadas por comportamentos "demoníacos", e é por isso que a Igreja Católica sempre envia as pessoas, com medo de elas ou seus entes queridos estarem possuídos, a um psiquiatra, antes de discutir a possibilidade de um exorcismo.” P. 96-97.

Mistério 42: Cadáveres Incorruptos

“[...] as explicações científicas não satisfazem totalmente os curiosos. Há relatos de corpos enterrados sob condições extremamente "favoráveis à decomposição" — túmulos escavados em solo úmido, enlameado etc. — e de corpos de santos que permanecem intactos, sem o menor sinal de deterioração.
Os santos católicos não são os únicos que permanecem incorruptos após a morte. Há registros de homens e mulheres considerados santos em outras religiões que foram encontrados em perfeito estado após várias décadas enterrados.” P. 147.

Mistério 51: Aparições de Maria

“A Virgem Maria aparece para pessoas na Terra? Acho que sim, mas o número de aparições verdadeiras do ser transcendental que foi a mãe de Jesus é muito menor do que o relatado.” P. 171.

Mistério 93: OVNIs (Objetos Voadores Não identificados)

“Por que um piloto [vários pilotos] da Força Aérea — alguém com um treinamento meticuloso para fazer julgamentos e tomar decisões de modo racional, sóbrio — inventaria um relatório em que conta sobre uma nave circulando seu avião e depois voando para longe numa velocidade considerada impossível para qualquer aeronave conhecida? A maioria das pessoas racionais diria: ‘Ele não inventaria’.” P. 307-308.

Como tinha dito, muitos mistérios que ele lista, não tem nada de paranormal ou sobrenatural. Na verdade, nem deveriam estar na lista. Por exemplo, o mistério 63: “Paul está morto”. Perde tempo demais, expondo os motivos e evidências que pessoas malucas usam para provar que o integrante do Beatles morreu em um acidente de carro na década de 1960, e foi substituído por outra pessoa. Claro que o Spignesi não acredita nessa história, não obstante, gastou muitas páginas falando sobre ela, assim como estou escrevendo um parágrafo sobre esse “mistério” tão tolo.

Um mistério que ele poderia mencionar seria a glossolalia presente nas igrejas pentecostais. Fenômeno que varreu o mundo no século XX, e continua ainda hoje, com pessoas em estados alterados da consciência falando palavras ininteligíveis. Essas línguas o que seriam? Sinal divino? Ou nada além de meros transes sem conexão alguma com o transcente? Minha resposta seria: meros transes.

Ele poderia trabalhar também temas mais sérios, como o mistério da origem da vida, origem do universo e o problema de como surgiu à consciência.

Outros mistérios listados pelo autor são:

Leitura de mãos

O Tabuleiro Ouija

Numerologia

A Arca de Noé

Experiências de Quase Morte

As Linhas de Nazca

O Código da Bíblia

Vida Após a Morte

Levitação

Viagem no tempo

Satanismo

E etc.