quarta-feira, 24 de maio de 2017

Livros Lidos (26)


Pense num circo de horrores. É este livro. Li num certo lugar, aqui na web, que um Psiquiatra aconselha as pessoas não lerem essa pérola de Rebecca Brown. Motivo? Várias pessoas ficaram com problemas psicológicos seríssimos, devido a leitura de Ele Veio Para Libertar Os Cativos. Posso dizer uma coisa com convicção: por mais que eu seja incrédulo ao conteúdo dessa obra, que considero mentirosa e fruto das loucuras e charlatanice da Brown, tenho plena empatia pelas pessoas crédulas - evangélicas bem bobinhas, diga-se de passagem, que o lerem. As páginas do livro têm o poder de impressionar quem vai lê-lo com mente já predisposta a acreditar. As superstições das igrejas pentecostais/neopentecostais, dos quais são a maioria dos leitores deste livro, já pavimentou o caminho para a aceitação dos absurdos ditos nele. É um conteúdo pesado, de fato, apesar de ridículo. A ideia que o livro passa é que o diabo e seus empregados têm um poder quase absoluto sobre tudo na vida. A natureza da realidade é está. Ontologia das mais precárias. Aí o crentelho que o lê, fica perturbado. Daria um assustador filme de terror.


Esse foi o segundo livro da Brown que li. Agora ela arranjou um comparsa para inventar mais mentiras. O livro é semelhante ao primeiro, aí de cima. Histórias e mais histórias que ela diz ter passado com as forças infernais. Felizmente muitas igrejas evangélicas não dão a mínima para o que ela diz. Eu dou. Aqui estou eu, escrevendo sobre essa merda.


Outro. Neste, ela começa falando sobre visões proféticas, que jura, que Deus lhe deu. Um ponto positivo é que num determinado capítulo, ela critica a teologia da prosperidade. Mas não compensa o caráter fantasioso e lendário de todo o resto.


Esse é hilário. Não que os outros também não sejam, para quem os lê como ficção, como os li. Mas olha as dicas da mulher e de seu marido. Ungir o seu computador com óleo de cozinha, caso não tenha o óleo ungido da igreja, para conter quaisquer avanços do diabo, que pode chegar na sua vida, pela web; o negócio é bloquear todos caminhos que o capeta possa usar para destruir a sua vida.


Esse aqui é antigo. Está no mercado editorial há bem mais tempo que os livros anteriores. Os autores relatam terem presenciando várias manifestações demoníacas, e defendem que a esquizofrenia é causada por espíritos malignos. Lasquem-se a Medicina e os estudos científicos. Uma das piores doenças mentais pode ser resolvida com orações de exorcismos.  

Refém do Diabo

Recentemente terminei um livro sobre os exorcismos do falecido padre Gabriele Amorth, a maior autoridade católica em expulsar o demônio das pessoas. Para não perder o costume, em complemento, temos neste documentário, a história do ex-jesuíta, o padre Malachi Martin, que descontente com os rumos do Concílio do Vaticano II, na década de 1960, vai para Nova Iorque, e nesta cidade, começa a escrever livros e fazer exorcismos. Ele já é morto, morreu em 1999. Mas deixou um legado para quem acredita que o diabo está mais vivo do que nunca e que está fazendo o seu trabalho de destruir vidas muito bem. Para conter o trabalho sórdido do inimigo de Deus e dos humanos é preciso estar preparado para expulsá-lo das pessoas que ele oprime e incorpora. Malachi Martin passou a sua vida ensinando que o diabo existe, o inferno existe, possessões existem. De acordo com ele, muitos, mas muitos padres mesmos, já não acreditam faz tempo, nessas coisas. Mas ele insiste: estão nas escrituras, Jesus falou delas.

Indo para o exorcismo propriamente dito: uma coisa facilmente percebida entre os exorcistas católicos é que eles dizem que suas sessões de exorcismos podem durar anos, meses, semanas, dias e horas com uma mesma pessoa. Dependendo do grau em que ela esteja envolvida com o mal, um exorcismo não adiantará muita coisa. Eles usam toda uma parafernália de objetos sagrados para auxiliá-los na hora de enfrentar o capeta. A água benta, crucifixos, livros com orações já prontas, estão entre os principais artefatos usados em seus rituais.

Em contraste, nas expulsões de espíritos malignos realizadas pelos pastores pentecostais, a coisa é bem mais simples, rápida e eficiente, caso o fiel cristão que irá expulsar o diabo, esteja em dia com Deus, mediante uma vida consagrada de oração, santificação e jejum. Se esses requisitos estiverem preenchidos, segundo eles, não há legião ou exército de demônios que resista, quando eles os expulsarem em nome Jesus. Dura minutos ou segundos, e a pessoa liberta, entregando a sua vida a Deus, não precisará de mais nenhuma sessão de exorcismo para obter sua cura total, pois já estará curada.

Percebe-se uma diferença gigante entre os dois grupos de soldados contra Lúcifer. O primeiro bem menos eficiente e moroso. O segundo, ágil e sem delongas em vencer o diabo. Em teoria, o grupo pentecostal parece estar numa maior sintonia com o que Jesus e os seus apóstolos realizaram no primeiro século. Não vemos nem Jesus e nem os seus discípulos demorando horas e até anos para libertarem as pessoas da possessão maligna, e pior, não há indicações de que os futuros exorcistas de eras posteriores teriam tantas dificuldades quanto os padres católicos têm para mandar os demônios para o quinto dos infernos.

Lendo o livro do Gabriele Amorth, vendo este e outros documentários produzidos sobre os exorcismos católicos, fica claro, que o demônio deita e rola com os padres e com as vítimas das quais estão possuindo, e que a coisa quase fica empatada, entre ele e Deus. Passa uma ideia de uma eterna luta entre o bem e o mal, em que nenhum no final das contas sairá vencedor. Sinceramente, é um deus fraco, o invocado pelos católicos.

Devo salientar que com isso, não estou legitimando e nem aplaudindo os supostos exorcismos praticados pelos pentecostais. Não lhes dou crédito. Apenas vejo uma discrepância enorme sobre o que Jesus e seus apóstolos fizeram e o que fazem hoje os padres com seus supostos enfrentamentos contra o mal.

Sou bastante cético em relação aos dois. Ambos os grupos já deram evidências de sobra do quanto representam muitas coisas tolas e imundas.

Com isso, não quero dizer que descarto a existência do mal. E nem descarto, que existam padres e pastores comprometidos que fazem trabalhos sérios de ajuda aos mais oprimidos. O demônio pode existir, mas não temos provas concretas dele e nem de sua atuação. Prefiro ficar mais alinhado com o ceticismo da comunidade médica e científica. Embora alguns, ou muitos desta comunidade já não sejam céticos quanto ao demônio, exatamente por passarem por sérias experiências que lhes deixaram sem outra alternativa. E há ainda a visão dos Parapsicólogos que dão uma visão alternativa aos fenômenos de possessão.

E pra não ficar só na crítica a igreja católica, ela é muitíssimo mais prudente que os evangélicos pentecostais, que adoram ver o demônio e sua atuação em quase tudo. O catolicismo tem muito mais cautela nessas questões, visto que dá muita importância ao que a Psiquiatria diz sobre doenças mentais. A igreja católica rejeita quase todos os casos de pessoas que lhes procuram dizendo que estão com o diabo no corpo, pois sabe que são pessoas que precisam apenas de tratamento psicológico e psiquiátrico. Pentecostais/neopentecostais, não, eles são apaixonados pelo chifrudo, adoram ter contato com ele. Eu também adoro: lendo e vendo documentários e filmes que falam dele.

terça-feira, 23 de maio de 2017

Livros Lidos (25)


Keneth Hagin é considerado o por muitos como o pai da teologia da prosperidade – visão teológica que alastrou-se pelo Brasil. Ele não conformado em ensinar besteiras, ainda inventou a história ou talvez, teve alguma alucinação, de que foi ao inferno. Melhor: quase entrou na morada do capeta. Acredita quem quer. Eu não acredito.

Mary Baxter ganhou muito dinheiro na venda de livros, onde ela conta que teve experiências espirituais incríveis, como a de que foi ao inferno e passou 30 dias nele. Este livro é um amontoado de mentiras e bizarrices. Ou essa mulher é louca (dada a alucinações); ou é uma psicopata desvairada, muito esperta, que sabia muito bem como manipular os evangélicos com estórias mirabolantes. Os evangélicos são tolos, que até hoje, este livro vende muito nas prateleiras das livrarias direcionadas a esse público. E eles ainda querem dizer que os católicos são supersticiosos. Às vezes é difícil saber quem é mais.


O autor deste aqui, foi outro que se propôs a ganhar muito dinheiro vendendo suas histórias da carochinha. O que espanta é uma editora se diz séria, se prestar a vender uma obra tão grotesca quanto esta. A Thomas Nelson, editora que publica essa porcaria, sabe que provavelmente vai tirar muito dinheiro dos otários, que consomem esse tipo de conto. Lembrando, que nunca gastei um centavo para ler tais livros. Li todos, sem pagar nada.


Esse pessoal não conformado, acabaram inventando histórias de que crianças tiveram revelações do mundo espiritual. Agora não é o autor do livro que teve essas revelações, mas crianças, que ele gentilmente se deu ao trabalho de compilar essas visões. O meio pentecostal/neopentecostal é campeão em produzir visões, profecias e revelações, sem nenhuma credibilidade.


Mais um pastor brasileiro, que eu chamaria de pastoreco. Só ensina superstições nesse livro. Até fotos de parentes mortos que colocarmos num porta retrato, para ele é uma brecha que damos ao diabo. Por aí, se nota o teor deste pequeno livro, que vendeu e que vende horrores nas livrarias evangélicas brasileiras. 

sábado, 20 de maio de 2017

Livros Lidos (24)


É impressionante que nos diversos povos antigos, que não tiveram nenhum contato entre si, seja aqui na América, seja na Ásia, África, ou Oriente Médio, existiriam mitos semelhantes sobre um casal que desobedeceu a deus/deuses e, que por tal rebeldia perderam as regalias que dispunham pela graça dos deuses. Richardson vê nessas fontes e relatos, evidências de uma história real antiga, que ele atribui a história de Adão e Eva na Bíblia. É o que ele chama de O Fator Melquisedeque, baseado num personagem obscuro da Bíblia, que é mencionado no primeiro livro do Antigo Testamento, o Gênesis. Todos os povos têm uma ideia do Deus único. Os princípios do Genêsis estão presentes em todas as culturas. É um livro muito intrigante. Uma abordagem diferenciada. 


Cuninghan foi o fundador de uma das obras missionárias evangélicas mais conhecidas do século XX e XXI, a JOCUM (Jovens Com Uma Missão). Suas experiências espirituais e como ele veio a abrir essa organização de missões são o tema desse livro.


Outro livro impressionante do missionário Don Richardson. Ele conta em primeira mão, como testemunha ocular, suas experiências com tribos canibais, que ele conseguiu converter ao cristianismo. Relatos fortes.


Lidório tem ampla formação em Antropologia, com Ph.D na área. É um cara que conhece bem o terreno das culturas, comportamentos, condicionamentos religiosos, sociais e políticos. É um missionário presbiteriano, que em 1994, se a memória não me deixa falhar, fez um trabalho de conversão ao cristianismo numa tribo da África, onde ele relata que o primeiro da tribo a abraçar a crença cristã, foi o feiticeiro dela. Ele conta também como foi o trabalho de tradução da Bíblia para o dialeto local.


O regime socialista de Pol Pot no Camboja foi muito cruel e desumano. Foi uma das páginas mais sangrentas e tristes do século. Algo feio, terrível e lamentável. Foi nesse contexto que os autores trabalharam nesse país, dando esperança ao povo que estava sendo massacrado e dizimado pelo exército do governo cambojano.

Os Fatos Sobre o Islã

 
ANKERBERG, John; BURROUGHS, Dillon; WELDON, John. 
Os Fatos Sobre o Islã. Porto Alegre: Actual Edições, 2012.

O Islamismo surge seis séculos depois do Cristianismo. Alega ser a verdadeira religião, aparentemente não negando as contribuições espirituais de Moisés, dos profetas do Antigo Testamento e de Jesus. A diferença crucial é que as bíblias usadas no ocidente foram adulteradas, dizem as autoridades religiosas muçulmanas. Para eles, Jesus foi um profeta importante, mas Maomé é o selo dos profetas. Ele é mais importante que Cristo e os demais.

O Islamismo vem crescendo vertiginosamente nas últimas décadas, ao ponto de uma grande cidade estadunidense ter mais seguidores de Alá, do que seguidores da religião cristã. Os autores trazem está informação:

"Em 1974, a França tinha uma mesquita; hoje são mais de mil e setecentas. Existem hoje mais muçulmanos que metodistas em Chicago". P. 13.

A maioria dos seguidores de Alá, não são terroristas, mas vejo com muito receio esse alastramento deles nos países ocidentais. A religião, seja ela cristã ou muçulmana tem a capacidade de transformar pessoas pacíficas em pessoas más, caso não sejam bem conduzidas. Eu creio que o islã tem um potencial enorme nessa questão.

Segundo a crença islâmica, todo muçulmano deve cumprir certas regras fundamentais, para quem sabe, ser salvo por Alá. Uma dessas práticas é ir pelo menos uma vez a cidade sagrada de Meca durante sua vida. A primeira vista parece ser um mandamento relativamente fácil e tranquilo, caso o fiel tenha condições financeiras e saúde para tal peregrinação. Todavia, a coisa não é tão simples assim, como revela o livro aqui resumido:

 "O quinto e último pilar é o haj [se o muçulmano não cumprir, o inferno é o seu destino], a peregrinação à cidade de Meca, onde nasceu Maomé. Todo muçulmano que seja física e financeiramente capaz tem que fazer essa viagem uma vez na vida (a menos que seja um escravo).

O Dr. Emir Canner, um ex-muçulmano convertido ao cristianismo e hoje é decano de um seminário, contou-nos o seguinte, numa entrevista:

'Aqui está um grande problema para os muçulmanos. Atualmente, mais de dois milhões de muçulmanos vão a Meca todos os anos e a cidade está completamente lotada e não tem como receber mais gente. A média de vida de um muçulmano é cerca de 70 anos ou menos. Supondo que não há repetição, ou seja, cada haj é formado por dois milhões de novas pessoas, então apenas 140 milhões de muçulmanos conseguirão visitar Meca durante aquele período de vida. Porém, existem hoje 1,4 bilhões de muçulmanos. Ora, se apenas 10 por cento conseguem fazer a viagem, que esperança os outros 1,2 bilhões de muçulmanos podem ter de ir para o céu?'" P. 17-18.

Naturalmente para os islâmicos, o seu livro sagrado, o Corão ou Alcorão, é uma obra inspirada sobrenaturalmente e perfeita naquilo que afirma, assim acreditam uma boa parte dos cristãos em relação a Bíblia, que dizem, não conter erros ou contradições de nenhuma espécie.

"[...] o Islamismo afirma que o Corão é a palavra de Deus literal, ditada a Maomé de forma sobrenatural pelo anjo Gabriel. Os muçulmanos acreditam que o Corão é perfeito e sem erro. O doutor Musa Qutub e M. Vazir Ali, ambos conceituados eruditos muçulmanos, afirmam categoricamente que o Corão é o único livro que 'resiste ao exame minucioso de todo o seu conteúdo, tanto no nível macroscópico quanto no telescópico, sem tropeçar em nenhum ponto'." P. 47.

Contrariando o que o Corão diz acerca de Jesus, sua contribuição é zero quando o assunto é a historicidade do homem que andou por Israel no século I.

"[...] é importante lembrar que nenhum estudioso do Jesus histórico que não seja islâmico usa o Corão como fonte de informações históricas sobre Jesus, os apóstolos ou os primeiros anos do Cristianismo. Eles sabem que o Corão não é confiável." P. 50.

Como as crenças muçulmanas são muito distintas do Cristianismo na sua quase totalidade, os muçulmanos rejeitam os cristãos, como adoradores do verdadeiro Deus, Alá. Tentam desacreditar a fé cristã apelando para os podres da cristandade ao longo da história. Sua apologia se resume a isto. Mas isso credencia automaticamente o Islamismo? Claro que não.

“Mesmo que os apologistas muçulmanos conseguissem contestar o Cristianismo, isso não provaria a veracidade do Islamismo. Ainda seria necessário que o Islamismo, por seus próprios méritos, provasse ser a revelação de Deus, de forma independente. E, como as provas não existem, é nesse ponto que os apologistas muçulmanos falham”. P. 53.

O livro sagrado do islã carece de toda e qualquer evidência razoável de que merece alguma confiança em suas afirmações. O texto foi adulterado, mudado e ressignificado.

“[...] o Islamismo não apresenta nenhuma evidência genuína de que o Corão é inspirado, além da afirmação do próprio Maomé de que foi inspirado por Gabriel”. P. 54.

A Bíblia também tem os seus probleminhas concernentes a Crítica textual, mas ela está muito à frente do Corão em sua importância histórica e teológica. Estudiosos que nem acreditam nela como palavra de Deus, admitem que ela foi preservada durante todos esses séculos.

Entretanto, os autores, cristãos bem conservadores, com certeza minimizam esses problemas. Na verdade, a maneira como eles defendem a Bíblia neste livro, parece até que partes dela não foram perdidas, ou trechos não foram acrescentados. Vale só mencionar o relato estranho do evangelho de Mateus relatando a ressurreição de vários santos, dizendo que eles andaram por Jerusalém, e que foram vistos por muitos. Se essa história bizarra foi acrescentada, porque não outras também? Mas concordo com os autores, quando afirmam que a integralidade da Bíblia foi preservada durante todos esses milênios.

“Textualmente, sabemos que a exatidão na transmissão do texto do Novo Testamento é de mais de 99 por cento, sendo a proporção de textos com variantes igual a 1%. Os especialistas em análise textual afirmam que não existe nenhuma doutrina cristã ou ensinamento moral baseado numa versão variante controversa, a maioria das quais é insignificante.” P. 67.

O corão passa longe disso. Será uma tarefa ingrata tentarmos encontrar acadêmicos não-muçulmanos que concordem com os defensores da preservabilidade dele desde o seu surgimento. 

Livros Lidos (23)


Richard Dawkins diz em seu livro Deus, um Delírio, que ele recebeu de “presente”, cerca de 6 milhões de exemplares dessa obra das testemunhas de Jeová. As pessoas com boas intenções, ingenuamente pensavam que um Biólogo treinado em Oxford, com Ph.D em Zoologia, iria se convencer através de um simples livro de bolso, de que a teoria da evolução está errada.

Não fui presenteado com 6 milhões de exemplares, mas pelo menos, ganhei um. Li e gostei de algumas partes. No entanto, como é costumeiro entre as publicações da Torre de Vigia, muitas citações foram tiradas de seus devidos contextos, passando a impressão de que o texto original citado apoiava de alguma forma a teoria criacionista. Cientistas são citados para corroborar a ideia defendida pelo livro de que a evolução é falsa, mas na verdade, eles quiseram dizer exatamente o contrário. Portanto, esse é mais um livro das testemunhas de Jeová não muito digno de crédito, apesar de ter algumas coisas aproveitáveis.


As testemunhas de Jeová são conhecidas por terem marcado a data da volta de Cristo e o fim do mundo por várias vezes consecutivas, contudo, como sabemos, deram com os burros n’água. Poderá Viver Para Sempre no Paraíso na Terra, na página 154, edição de 1989, da Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados (nome oficial da religião), diz o seguinte:

“Após chamar muita atenção para as muitas coisas que assinalaram o período de 1914 em diante, Jesus disse: ‘Esta geração de modo algum passará até que todas estas coisas [incluindo o fim deste sistema] ocorram.’ (Mateus 24:34, 14). A que geração se referia Jesus? Ele referia-se à geração de pessoas que viviam em 1914. As pessoas ainda remanescentes daquela geração são agora bem idosas. Contudo, algumas delas ainda estarão vivas de modo a presenciar o fim deste sistema iníquo. Assim, podemos ter certeza disto: Em breve haverá um fim súbito de toda a iniquidade e de todas as pessoas iníquas, no Armagedom.”

Estamos em 2017. Contam-se nos dedos as pessoas que nasceram em 1914. Elas têm entre 102 a 103 anos de idade hoje. A Torre de Vigia que não é nada besta, mudou há muito tempo essa sua crença sobre o fim do mundo, por terem sido tão malsucedidas em várias vezes em datá-lo. 


Outro livro que ganhei, e li. Algo de mais nele, além das costumeiras bobagens cridas pelas Testemunhas de Jeová? Nada além. Sempre repetindo o ano de 1914 como um marco fundamental na história humana, que eles teimam em dizer que Daniel profetizou sobre essa data. São teimosos.


Ganhei também. Li também. Bobagens e bobagens também. 


O primeiro, ou segundo livro que li das testemunhas de Jeová. Talvez o primeiro tenha sido um comentário do Apocalipse. Este aqui é um livro que eles davam a quem se interessasse em conhecer as suas crenças. Uma obra introdutória que já foi substituída. 

Livros Lidos (22)


Em 1998, nos meus 12 ou 13 anos peguei esse livro que meu pai tinha comprado. Foi um dos primeiros livros que li na vida. Estava curioso para saber como são os rituais espíritas, em especial, os de matriz africana, como o Candomblé. Essa religião me assustava, assim como assusta milhões de brasileiros até hoje, por causa de suas peculiaridades litúrgicas. Num tom pesadamente crítico, Costa vê o espiritismo, seja ele o kardecista ou o africano, como manifestações maléficas contrárias ao Deus verdadeiro da Bíblia. Nenhuma novidade. Quaisquer livros evangélicos escritos por pentecostais, a religiosidade espírita será vista dessa maneira. 


É possível conversar com que já bateu as botas? Espíritas dizem que sim. Evangélicos em sua maioria esmagadora, dirão que não, e que é até pecado tentar se comunicar com quem já partiu. É vedado até mesmo a tentativa de diálogo com pessoas mortas. O livro do Hernandes adota essa perspectiva. Ele confere uma atenção especial ao livro de 1 Samuel 28, onde ocorre uma sessão mediúnica, em que o texto diz claramente que Saul travou uma conversa com o profeta Samuel, já morto. Para ele, a despeito do texto dizer: “Assim falou Samuel”, na verdade, não era Samuel, mas um espírito enganador que se passou pelo profeta. Muitos Teólogos evangélicos realmente admitem que ali, houve uma conversação entre dois mundos – dos vivos e dos mortos.  


O autor dispara suas críticas contra várias religiões e igrejas, que ele classifica como falsas, seitas e grupos com ensinos errôneos e perigosos. Alvo de sua metralhadora: Testemunhas de Jeová, Adventistas do Sétimo Dia, Islamismo, Catolicismo, Mormonismo... Achei a maneira do Soares escrever, um pouco desorganizada. Ele já escreveu livros melhores.


Esse foi o primeiro livro do Paulo Romeiro detonando a Teologia da Prosperidade (TP) e Confissão Positiva (CP). Foi escrito em 1993, quando essa aberração estava se espalhando pelas igrejas evangélicas Brasil a fora. Ele dá nome aos bois, dá nome as estrelas desse lixo de teologia – o grande divulgador e popularizador da TP e CP, Keneth Hagin; o pilantrão que até hoje vem ao Brasil pegar dinheiro dos incautos, Benny Him; o bonachão da RIT TV, R. R. Soares; a perturbada e celibatária (só um doido para querer casar com ela) Valnice Milhomens; e outros. Romeiro ainda estava calmo e paciente nessa época, mas anos depois sentiu a necessidade de escrever mais dois livros refutando esses ensinos, visto que eles estava se alastrando muito rapidamente pelos arraiais evangélicos.  


Um livro prático e informativo, na medida em que ele em cada livro da Bíblia, vai expondo o que as seitas e religiões entendem e ensinam sobre os textos bíblicos. É uma obra de embate, de confronto, pois seu propósito é refutar os ensinos de vários ramos teológicos, como testemunhas de Jeová, mormonismo, catolicismo, espiritismo e etc. Livro extenso. 

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Livros Lidos (21)


Daniel, um dos livros mais fascinantes da Bíblia. Muitas são as interpretações sobre as profecias do dito livro. Uns acreditam que não existe nada de sobrenatural no conteúdo dele, visto que ele é, segundo os Teólogos liberais, uma pseudoepigrafia – o autor do livro, que não foi esse tal de profeta Daniel, escreveu essas profecias, muito tempo depois dos acontecimentos que ela “profetiza”. Severino Pedro, não vê dessa forma, repetidas vezes ele declara que as profecias “se combinam entre si em cada detalhe”. Ele não é nenhum erudito sobre o livro de Daniel e tampouco um erudito em Teologia. É um Teólogo popular que bebeu da fonte que emana do Seminário Teológico de Dallas, EUA, considerado a fortaleza do dispensacionalismo, defendido pelo autor. 


O livro mais estranho do Novo Testamento. O mais difícil de interpretar. Mesmo assim, muita gente se arrisca a dizer: O Apocalipse diz isso, isso e aquilo. Meu conterrâneo, já morto, Severino Pedro, comentou cada versículo do último livro da Bíblia. Sucesso de vendas. Livro trivial, se comparado a outros comentários, que ganham em sofisticação teológica e exegética. Mas era o livro que tinha em casa, comprado por meu pai. Li o dito cujo em 2001 ou 2002.


Desse aqui não há muito o que falar. Pai comprou há muitos anos, e eu o doei para a biblioteca da igreja do qual um bom amigo meu é membro. Nem é mais publicado. Acredito que não vendeu o suficiente, aí a editora que não é nada besta, pois visa o LUCRO com o pretexto de que está divulgando o reino de Deus, encerrou as suas vendas. O tema do livro é: As recompensas que os cristãos irão receber no céu. Esse tribunal nada tem a ver com o juízo final. 


João de Oliveira foi um “Teólogo” e conhecido pastor da Assembleia de Deus, que afirmou nos anos 1960 que morreu, foi ao céu, e Deus o ressuscitou. Até gravou um LP contando o que viu no paraíso. Acredita quem quer, num é não? Pois é, eu não acredito. Paranoia de pentecostal. Mas o ponto desse pequeno livro é falar sobre o período de 1000 anos, que segundo alguns intérpretes da Bíblia acreditam que haverá no planeta, antes do juízo final. Outros estudiosos acham que o texto que fala sobre esses 1000 anos, é meramente simbólico.


Acho que esse foi o primeiro livro que li. Meados de 1997-1998. O autor todo empolgado com a chegada do ano 2000, com o surgimento da união européia, acreditava que o fim estava próximo. Posso arriscar que ele não imaginava que o mundo ainda estaria na sua marcha normal e natural, 20 anos depois. O arrebatamento não veio, o anticristo não veio. Muita especulação besta.  

Livros Lidos (20)


De algumas décadas pra cá, começou uma enxurrada de Bíblias de Estudo a serem publicadas em português, no Brasil. Se nos EUA, elas já eram populares e amplamente consumidas, aqui no brasil, não passou a ser diferente. Mas o que seria uma Bíblia de Estudo? A Bíblia não é uma só? As ditas Bíblias de Estudo, além de terem o texto do Antigo e Novo Testamentos, possuem notas explicativas, geralmente na parte inferior das páginas. Essas notas interpretam o texto bíblico, facilitando o entendimento do leitor. Obviamente as interpretações podem estar erradas. 

Uma das primeiras Bíblias de Estudo em português foi escrita pelo biografado desse livro, um americano que veio como missionário para o Brasil, na década de 1970. Donald Stamps escreveu a Bíblia de Estudo Pentecostal, para ajudar os fieis de sua igreja, a Assembleia de Deus, a divulgarem melhor as suas crenças. Esse livro conta a história dele e de como ele veio a produzir essa ferramenta de estudos bíblicos. O título tem a ver com a conduta do Stamps antes de torna-se evangélico. Sabe aquela expressão: “O cabra era mais ruim do que merda!”? Pois pronto, esse era o Stamps. Converteu-se e passou de um extremo ao outro, visto que virou um fanático pentecostal e grande opositor da televisão. Naqueles tempos era vedado aos assembleianos (coitados) de verem TV. Ela era o instrumento do diabo.


Sim, eu li esse livro. Quando fazia o segundo ano do ensino médio, em 2002, tinha amigo que estudava comigo, que vez por outra, ia às reuniões de jovens da igreja Universal. Fiquei sabendo que ele tinha alguns livros e pedi emprestados. Um desses livros foi Orixás, Caboclos e Guias, livro que durante um período da década de 1990 foi proibido de ser comercializado, o que atiçava mais ainda a curiosidade de o porquê de uma literatura em plena democracia, está no índex do governo.

Peguei o livro e o li em 24 horas de ponta a ponta. Não porque era excepcional, cativante e com um conteúdo fora do comum. Pelo que lembro, Macedinho conta, conta, conta e conta de novo, dezenas de histórias de pessoas que supostamente deixaram a Umbanda e Candomblé, e viraram evangélicas. Livro de leitura bem fácil, que faz a leitura ser ultra rápida.


Livro lido com real interesse, no início de 2002. Horton era um pentecostal com amplas credenciais acadêmicas que o faziam se destacar dos demais, em sua tradição religiosa. Nesse livro ele expõe com muita empolgação, o que acredita que acontecerá no fim do mundo, adotando a popular concepção de um arrebatamento secreto, em que Cristo voltará para levar os seus fieis ao céu. Ele analisa as várias escolas hermenêuticas que se debruçam no estudo minucioso das profecias bíblicas. Seu ponto de vista é o dispensancionalismo, doutrina segundo qual Israel ainda tem um papel importante a desempenhar nos acontecimentos escatológicos (as últimas coisas que acontecerão aqui na terra, antes do juízo final).

Ele defende algo que não agradará a muitos crentóides. Pois crê que pelo menos uma vez na história, houve uma comunicação mediúnica – um morto vindo do além para comunicar-se com um vivo. É a aquela história de Saul e a sua consulta a uma feiticeira, em que Samuel já morto, vem lá não sei dá onde, e dá umas carcadas em Saul, por este está todo desmantelado e andando por caminhos que não agradam a Deus, inclusive por ter consultado uma bruxa. Boa parte dos evangélicos, apesar do texto dizer claramente que foi o próprio Samuel quem falou com ele, usam de subterfúgios interpretativos para negar a conversação entre Saul (vivo) e Samuel (morto), visto que isso dá munição pesada aos espíritas, que enfatizam que é possível travarmos diálogos com quem já juntou as pernas. 


Robinson Cavalcante, um dos grandes Teólogos anglicanos no Brasil, infelizmente assassinado pelo seu filho drogado há uns poucos anos, escreveu esse livro para trazer ao grande público a problemática da homossexualidade dentro da igreja anglicana. Ele rastreia essa questão desde a década de 1970. Nesses anos, já era discutida a viabilidade ou não dos homossexuais serem aceitos como membros e líderes das comunidades anglicanas mundo a fora. Cavalcante mostra-se terminantemente contra tal postura “progressista” dos vários setores do anglicanismo.  Chega a dizer que está sendo travada uma guerra no mundo espiritual sobre essa questão. Ele como líder da arquidiocese de Recife, foi um dos poucos no Brasil, salvo engano, que posicionou-se a favor da visão tradicional do cristianismo de que a homossexualidade é um pecado contra Deus.


As igrejas evangélicas hipocritamente dizem que: “A Bíblia é a noassa única regra de fé e prática.” Mentira. Todas, absolutamente todas, mantém crenças e comportamentos que não estão de acordo com os próprios critérios que elas dizem seguir. Quando lhes é conveniente, proíbem certas condutas, que nem estão proibidas na Bíblia. O pastor Ricardo Gondim escreveu esse livro em 1998, quando o cerceamento dos evangélicos era mais triste e medonho do que é hoje. Tudo era proibido, principalmente no meio pentecostal. Os tradicionais eram mais maleáveis. Dentro do próprio terreno hermenêutico utilizado pelos fanáticos pentecostais, Gondim magistralmente revelará que eles usam muito mal as escrituras para impor os seus preconceitos e obrigar os membros de suas igrejas a viverem debaixo de seu jugo legalista.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Testemunhas de Jeová: A Inserção de Suas Crenças no Texto da Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas


SILVA, Esequias Soares. Testemunhas de Jeová: A Inserção de suas Crenças no Texto da Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas. Dissertação de Mestrado em Ciências da Religião – Universidade Presbiteriana Mackenzie, 2007.

Link para baixar a dissertação:


Elas nem são tantas, se comparadas com as outras igrejas de tradição cristã. Seu número de fieis talvez tenha chegado agora em 2017, a 8 milhões de pessoas em todo mundo. Como se vê não está entre as grandes igrejas ou religiões mundiais. Passa bem longe. No entanto, fazem um barulho tremendo. As testemunhas de Jeová (TJ) quando menos esperamos, estão em nossas portas para nos falar sobre a mensagem de Jeová, de que o atual sistema de coisas está prestes a ter seu fim. São prestativas, educadas e atenciosas, ficam a nossa disposição para nos fornecer seus estudos bíblicos e aconselhamentos.

Tive contato a primeira vez com eles, em 2001, quando tive conhecimento que um bom amigo era uma TJ. A partir daí, ele foi presenteando-me com várias revistas e livros da Sociedade Torre de Vigia, nome oficial da religião. Travei vários diálogos com ele e seu pai, que tentaram me convencer de que eles estavam certos e de que eu, um pobre coitado, estava encharcado de crenças falsas e diabólicas.

De lá pra cá, adquiri várias obras da própria seita e li 95% delas. Também li vários livros contestando e escancarando os erros, mentiras e falcatruas dessa religião. O livro que venho postar, é exatamente uma literatura crítica e bem embasada na Crítica Textual para refutar a credibilidade da Bíblia utilizada por eles. Esse é o foco da dissertação do Esequias Soares da Silva, que talvez seja, o maior pesquisador dessa religião no Brasil. Sua dissertação virou um livro publicado pela editora Hagnos. Por isso, que coloquei a capa dele na postagem. Mas as páginas aqui enumeradas são da dissertação.

Tendo um bom conhecimento da história e do que elas pregam e defendem, li em algumas de suas publicações, que as testemunhas de Jeová foram o único grupo religioso que fora duramente perseguido pelos nazistas e que não compactuaram com ele. Fato é, que muitas testemunhas de Jeová foram vítimas de Hitler. Porém, o que a organização esconde de seus fieis, é que ela deu apoio ao nazismo, quando este se tornou o partido do poder na Alemanha. Praticamente nenhuma TJ tem ciência de que sua liderança mundial quis apoiar Hitler em sua loucura anti-semita. Essa página desastrosa da história dessa seita é descaradamente escondida das TJ. O trecho a seguir é longo, mas a leitura é muito válida.

“A Sociedade Torre de Vigia manifestou seu apoio a Adolf Hitler, que o recusou, entretanto, a organização disparou sua metralhadora giratória contra todas as igrejas classificando-as como aliadas do nazismo. Num artigo da revista Despertai!, de 8 de julho de 1998, intitulado Testemunhas de Jeová — Coragem Diante do Perigo Nazista, páginas 10 a 14, foram apresentadas as mesmas acusações. Porém, sempre procurou-se esconder o apoio aos nazistas: ‘Longe de estarmos contra os princípios advogados pelo governo da Alemanha, nós apoiamos sinceramente esses princípios e sublinhamos que Jeová Deus através de Jesus Cristo causará a realização completa destes princípios’.

As Testemunhas de Jeová realizaram uma conferência em Berlim, em 25 de junho de 1933, para apoiar o regime nazista, algo que a organização procura esconder e ousa declarar que ‘as Testemunhas de Jeová jamais expressaram apoio ao Partido Nazista’. Nessa reunião, com a participação de 7.000 presentes, redigiram um documento Erklärung, 'declaração' em alemão, conhecido como Declaração de Fatos, e distribuíram por toda a Alemanha 2.100.000 exemplares desse panfleto em apoio aos nazistas, manifestando sua hostilidade aos judeus, aos Estados Unidos, ao Reino Unido e à Liga das Nações. O documento foi enviado ao governo alemão, acompanhado de uma carta em que declara ter a Sociedade Torre de Vigia os mesmos objetivos dos nazistas afirmando terem os Estudantes da Bíblia harmonia com o Reich Alemão: ‘estes estão em perfeita harmonia com os objetivos similares do Governo Nacional do Reich Alemão’. O Führer, porém, recusou o apoio das Testemunhas de Jeová.

O relato do Anuário das Testemunhas de Jeová de 1975, no qual conta sua história na Alemanha, e o livro Testemunhas de Jeová – Proclamadores do Reino de Deus, página 693, omitem o conteúdo da Declaração e distorcem os fatos, colocando-se como a única religião perseguida pelo Reich com o apoio da ‘cristandade’. Cole e Macmillan [escritores das TJs] sequer mencionam essa Assembléia de Berlim, mas o conteúdo de Declaração dos Fatos foi publicado na íntegra no Anuário das Testemunhas de Jeová de 1934.

A revista Despertai!, de 22 de agosto de 1995, publicou um artigo intitulado Por Que as Igrejas se Calaram, páginas 12-15, uma crítica aos que apoiaram os nazistas. Penton [professor de História e de Ciências da Religião da University of Lethbridge, em Alberta, Canadá] ,já havia denunciado a organização, em algumas de suas publicações. Ele ficou indignado quando leu o artigo e enviou uma carta ao então presidente da Sociedade, Milton Henschel, afirmando ter ficado ‘profundamente chocado e enojado’, classificando a matéria de  ‘abominação histórica’. Alegou não esperar resposta dele, nem era esse seu desejo, mas enviou com a carta cinco documentos: (1) Uma fotocópia do ‘Erklärung original’; (2) uma fotocópia do ‘Erklärung’ como apareceu na edição alemã do Anuário das Testemunhas de Jeová de 1934; (3) uma fotocópia da Declaração, como ela aparece na edição inglesa do referido Anuário, em inglês; (4) uma fotocópia da carta de Hitler, mais uma tradução inglesa disso; (5) e uma cópia da revista The Christian Quest, edição da primavera de 1990.” P. 46-47.

A proibição absurda das transfusões de sangue, que vigora até hoje, foram estabelecidas na década de 1940. Proibiu-se o transplante de órgãos, na década de 1960, que era considerado ‘canibalismo’, no entanto, mudaram de opinião anos depois, revogando a sua proibição.

São sandices e proibições absurdas. Entretanto, isso não foi e nem é uma característica peculiar das TJ. Se analisarmos o histórico de cada religião, veremos muitos absurdos semelhantes. A própria igreja do autor, a Assembleia de Deus, é conhecida por ensinamentos bizarros e cerceamento de seus membros. A própria Ciência moderna criou conceitos destrutivos, misóginos, racistas e estúpidos, em anos não muito distantes.

Voltando ao meu amigo, ele sempre estava me dando as literaturas de suas religião para que eu pudesse lê-las e, quem sabe me converter numa TJ. Todavia, era bastante complicado ele ler algum livro contrário que eu lhe emprestasse ou desse. As TJ estão terminantemente proibidas de lerem livros ou revistas de outras religiões. Se tais livros "demoníacos" estiverem falando "mal" da Sociedade Torre de Vigia, aí a coisa piora mais ainda. Mas meu amigo desobedeceu as ordens e leu umas literaturas que lhe emprestei.

“A teocracia implantada por Rutherford [segundo presidente da religião] eliminou a liberdade de seus membros. As Testemunhas de Jeová não têm o direito de realizar pesquisas bíblicas em publicações de outras instituições religiosas. É dever delas aceitar todos os ensinos peculiares do Corpo Governante: ‘A associação aprovada com as Testemunhas de Jeová requer a aceitação de toda a série dos verdadeiros ensinos da Bíblia, inclusive as crenças bíblicas singulares das Testemunhas de Jeová’. A organização considera violação grave questionar suas crenças e práticas, chama esses questionamentos de 'idéias independentes' e afirma que tais procedimentos são satânicos.
As Testemunhas de Jeová conhecem muito pouco sobre os bastidores da sua religião. Assim, a melhor maneira de mantê-las desinformadas sobre isso é não permitir a leitura das publicações de outras religiões, consideradas literatura apóstata, 'publicações que promovem a religião falsa e lançam calúnias contra a organização de Jeová'. Os anciãos estão sempre alertas para proteger a congregação dessa literatura: 'os anciãos devem permanecer alertas para proteger o rebanho’.” P. 69.

Uma religião com um passado tão cheio de incoerências e ensinos que se mostraram errôneos, não pode arriscar a sua reputação tão frágil, permitindo aos seus membros que leiam livros fora seu curral doutrinário. Por exemplo, a liderança das TJ é conhecida por ter marcado a data do fim do mundo várias vezes, e como sabemos, o mundo está aí. Como justificar tais erros? Umas das datas mais enfatizadas para o fim, foi o ano de 1975. As TJ estavam em polvorosa por causa desse ano, esperando ansiosamente pela sua chegada e consequentemente pela vinda do reino de Deus. O ano chegou e tornou-se patente que tinha sido mais uma data inventada malandramente. A liderança assumiu a culpa? Não, não. Se tiveram a cara de pau de criarem arbitrariamente um ano para o fim, porque não teriam cara de pau semelhante para se eximirem de quaisquer responsabilidades? Vai aqui mais uma longa citação:

“Em 1975, o presidente Knorr e o vice-presidente, Frederick Franz, fizeram uma viagem ao redor do mundo. Os discursos do vice-presidente, em todos os países visitados, giravam em torno de 1975. Muita gente acreditou nessa mensagem. Muitos venderam fazendas, casas e abandonaram seus negócios; outros largaram empregos e foram com seus familiares para locais considerados de maior necessidade, calculando recursos financeiros suficientes até a data do evento. Muitos idosos, continua Raymond Franz [membro da liderança mundial expulso da religião], protelaram os tratamentos médicos e as ‘intervenções cirúrgicas’, outros ‘converteram em dinheiro apólices de seguro ou outros certificados de valor’. A data veio e se foi, e agora? O dinheiro acabou e a saúde piorou.

Qual a resposta da Sociedade Torre de Vigia para essas Testemunhas de Jeová? Raymond Franz estava lá, na época, e afirmou que a maioria dos membros do Corpo Governante, a princípio, ‘assumiu uma atitude de ‘esperar para ver.’ No ano seguinte, poucos desses membros insistiram na necessidade de se 'fazer alguma declaração reconhecendo que a organização havia se equivocado, que tinha estimulado falsas expectativas’, mas outros acharam ‘que isso ‘serviria apenas de munição para os opositores’. Muitos betelitas expressaram seu desapontamento e Raymond Franz citou algumas declarações deles, nas páginas 253 e 254. Em 1977, a revista A Sentinela voltou trazer à baila o assunto, mas sem assumir responsabilidades. Em 1980, na administração de Frederick Franz, o assunto aparece novamente nas páginas de A Sentinela, afirmando se tratar de mera possibilidade.

O Corpo Governante, às vezes, procura minimizar o fracasso dessa e de outras profecias, chamando-as de meras sugestões de datas incorretas, 'as Testemunhas de Jeová, devido ao seu anseio pela segunda vinda de Jesus, sugeriram datas que se mostraram incorretas’. A organização nunca assumiu, em suas publicações, essa responsabilidade, ao contrário, lança a culpa sobre as Testemunhas de Jeová.” P. 80.

O ponto principal da dissertação é o texto adulterado da bíblia (Tradução do Novo Mundo) usada pelas TJ, uma Bíblia que não foi traduzida por especialistas em grego, hebraico, aramaico e demais línguas antigas. Na verdade, nenhum dos tradutores dessa bíblia eram eruditos, ou seja, pessoas que tinham em seu currículo, estudos avançados nas línguas originais das escrituras sagradas. Tanto é, que a organização até hoje nunca divulgou os seus nomes, sob o pretexto de que eles não sejam louvados no lugar de Deus. Pura malandragem. Nenhuma outra organização religiosa e nenhum erudito em Religião, História, Teologia e Crítica Textual, fazem uso da Tradução do Novo Mundo. Na realidade, ela é uma piada em muitos pontos. Não foi traduzida das línguas originais. O intuito dela, como diz o subtítulo da dissertação, é inserir a sua teologia no texto bíblico. Todas as traduções da Bíblia têm os seus defeitos e carências, mas a maioria delas, passaram pelo crivo rigoroso da Crítica Textual, algo que não aconteceu com a tradução das TJ. Não existe um acadêmico que endosse ou recomende essa tradução. Seja esse acadêmico cristão, ateu, liberal... O propósito principal dessa bíblia foi enfraquecer a melhor interpretação que o cristianismo tradicional inferiu das escrituras sobre a natureza Deus, que é a doutrina da Santíssima Trindade. Sem exageros: é uma aberração a bíblia da Sociedade Torre de Vigia.