quarta-feira, 12 de julho de 2017

Os Judeus Que Construíram o Brasil


NOVINSKI, Anita; LEVY, Daniela; GORENSTEIN, Lina; RIBEIRO, Eneida. Os Judeus Que Construíram o Brasil. São Paulo: Planeta do Brasil, 2015.

Judeus! Povo rejeitado! Povo perseguido! Povo espalhado pelos quatro cantos do mundo! Povo protagonista das maiores e mais bem sucedidas histórias religiosas que a humanidade já viu.

Quatro Historiadoras judias da USP traz a saga sofrida desse povo, vítima de tantas perseguições e injustiças ao longo dos séculos.

Vamos a um resumo assistemático do que elas dizem.

Como judias que são, é notória a sua predileção pelos seus iguais, frente às crueldades feitas pelos governos europeus (em especial Portugal e Espanha) e brasileiro, juntos com a igreja católica, que fizeram de tudo para marginalizar/ostracizar os “assassinos” de Jesus, impondo-lhes as maiores humilhações, castrando o quanto puderam os seus direitos. O ódio aos judeus e cristãos-novos (judeus forçados a abraçar o catolicismo) veio de cima para baixo. Do catolicismo para o resto da sociedade.

“O mais feroz antissemitismo desceu do clero católico e das ordens religiosas para o povo ignorante e analfabeto. As classes mais abastadas acompanharam a ideologia da Igreja, que desde os séculos VI e VII colocaram os judeus numa categoria de ‘párias’.” P. 12.  

Mas surpreendentemente eles sempre superaram as dificuldades impostas. A inveja da inteligência e perspicácia deles aumentava mais ainda a raiva antissemita.

“O nível intelectual dos judeus, os profissionais liberais que praticamente monopolizaram a medicina em Portugal e no Brasil, acirraram as rivalidades entre os portugueses e os novos convertidos.” P. 12.

“Na nova terra [Brasil], foram pioneiros na agricultura, nas letras, na medicina, nas ciências e nas lutas pela liberdade e justiça.” P. 15.

A Igreja com sua perseguição implacável, fez com que muitos judeus se tornassem irreligiosos – abandonando até as suas raízes judaicas.

“Os bárbaros procedimentos da Inquisição e da Igreja, com seu fanatismo, afastaram muitos cristãos-novos da religião, motivo pelo qual se tornaram céticos, não sendo nem mais cristãos e nem judeus. Inquisição e Igreja tornaram-se sinônimos, Estado e Inquisição eram cúmplices, e muitas vezes Bispo e Inquisidor correspondiam à mesma pessoa.” P. 13.

Numa proporção maior, a maioria dos judeus, apesar das torturas e calamidades infligidas, continuavam com muita avidez mais crentes em seus costumes judaicos e religião.

“Quanto mais aumentavam as perseguições, mais os cristãos-novos se apegavam às suas tradições e ao judaísmo.” P. 17.

Os judeus destacaram-se nas grandes navegações:

“A moderna ciência da navegação estava intimamente ligada aos judeus que tinham experiência como homens do mar e pilotos de navios. [...] No século XV, o príncipe Henrique, o Navegador (1394-1460), conhecedor da tradição científica dos judeus, mostrou enorme interesse em atrái-los para Portugal. Formou um grupo de cientistas que faziam parte da famosa Escola de Sagres, que contribuiu decisivamente para as aventuras portuguesas.” P. 29, 30.

Na medida que a reconquista dos cristãos na península ibérica ia se concretizando, os judeus que ali viviam, passaram ter os seus direitos retirados, com as ordens da igreja católica. A perseguição aos judeus patrocinada pelo catolicismo foi feroz.

“A partir do século XIV, a legislação canônica, de caráter antijudaico e já aplicada ao restante da Europa, fez-se casa vez mais presente nos reinos cristãos. as restrições legais à liberdade dos judeus perduraram por muito tempo como posição do papado. Proibiam-se o proselitismo, a construção de novas sinagogas (apesar de se garantir que as existentes não poderiam ser destruídas ou pilhadas), o casamento com cristãos, a posse de escravos cristãos, os cargos públicos e o direito às heranças. Tratava-se de uma legislação repressiva destinada a impedir a convivência entre judeus e cristãos, que foi mantida e ampliada desde o IV Concílio de Latrão, 1215.” P. 37.

Não para por aí:

“Nesse ano [1215], o papa Inocêncio III introduziu a obrigação de os judeus usarem uma insígnia para serem diferenciados dos cristãos. [...] reiterava-se a proibição aos cargos públicos ou qualquer posição em que os cristãos ficassem submetidos à sua autoridade. Médicos judeus não poderiam tratá-los, por exemplo. Em meados do século XIII, essas medidas, aliadas ao final da Reconquista e à cristianização da sociedade, proporcionaram um campo fértil para o antissemitismo. [...] As difamações de que os judeus cometiam crimes contra crianças cristãs foram se tornando cada vez mais correntes.” P. 37.

Quando a peste negra dizimou a Europa, os judeus foram o bode expiatório.

“No início do século XIV, a acusação dos judeus como envenenadores e destruidores dos cristãos chegou ao ponto de estes serem responsabilizados pela peste negra que assolou a Europa em 1348”. P. 38.

A superstição e ódio aos judeus eram tão grandes, que as autoras relatam um caso que ilustra bem isso:

“Em 1506, deu-se em Lisboa um incidente que levou a um massacre, e milhares de judeus perderam a vida. Reunido na igreja, o povo acreditou tratar-se de um milagre, um feixe de luz que entrava pela janela iluminando a cruz. Um cristão-novo [judeu convertido ao catolicismo], ao tentar esclarecer que se tratava de um fenômeno natural, foi imediatamente atacado e morto pela multidão.” P. 43.

Quanto aos judeus que construíram o Brasil:

“O rei D. Manuel arrendou o Brasil por dez anos ao cristão-novo Fernando de Noronha, que liderava um grupo de homens de negócios, em sua maioria cristãos-novos, que foram os primeiros brancos a chegar à América Portuguesa.” P. 87.

Os judeus foram os pioneiros na agricultura na nova colônia de Portugal.

“A civilização brasileira, predominantemente agrícola, teve nos cristãos-novos seus principais experts, pois a agricultura era uma de suas principais atividades durante todo o período colonial. Foram os primeiros mercadores conversos, integrantes do grupo de Fernando de Noronha, que durante suas viagens, aproveitando as paradas para abastecer seus navios na Ilha da Madeira, Açores e São Tomé, negociaram as primeiras mudas de cana-de-açúcar, transplantando-as para o Brasil.” P. 88.

A primeira comunidade de judeus no Brasil formou-se em Pernambuco.

“Diogo Fernandes e sua mulher, Branca Dias, formaram a primeira comunidade de cristãos-novos do Nordeste de Brasil, a comunidade de Camaragibe, cujos membros foram denunciados como judeus secretos na Inquisição”. P. 91.

Os muitos dos judeus “convertidos” ao catolicismo eram os mais céticos da sociedade. Estavam mais preocupados na imanência que na transcendência.

“Precursores do homem secular, os cristãos-novos portugueses pouco se importavam com o mundo do além, com a salvação da alma ou com a redenção divina. Esses homens tinham por lema o ‘aqui’ e o ‘agora’. [...] Os cristãos-novos aprenderam a adaptar-se às situações adversas e ao mundo profano. O sentido da vida deixou de ser transcendental para concentrar-se na realidade”. P. 100-101. 

Mas como era caracterizado o judaísmo pelos fanáticos católicos?

- Negação do inferno cristão;

- Negar o purgatório;

- Defender o matrimônio dos padres;

- Sexo com moças solteiras;

- Não acreditar na imortalidade da alma.

“Quaisquer uma dessas proposições levavam o seu autor para os cárceres da inquisição. Muitos cristãos-novos que não praticavam nenhuma cerimônia judaica foram de judaísmo por expressar tais proposições.” P. 103.

Para manter a fidelidade a tradição judaica, mesmo que escondida das autoridades, o casamento entre judeus tinham o propósito de preservação de sua identidade. Até casamentos entre parentes próximos eram comuns.

“A família desempenhou um papel importante na manutenção da identidade judaica. Os casamentos endogâmicos eram praticados como uma estratégia de preservação do segredo judaísmo, das tradições familiares e dos bens. Também representaram rejeição aos valores culturais cristãos que os conversos eram obrigados a seguir. Os casamentos mais comuns ocorriam entre primos, seguidos de uniões entre tios e sobrinhas.” P. 113.

A cristãs-novas tinham uma escolaridade maior que as portuguesas.

“As mulheres portuguesas eram em sua maioria analfabetas, enquanto mais da metade das cristãs-novas no Brasil eram alfabetizadas.” P. 114.

Os primeiros Médicos no Brasil foram judeus.

“Segundo Licurgo Santos, todos os médicos no início da Colônia eram judeus. O médico mais importante do Brasil no século XVI foi o cristão-novo Mestre Afonso Mendes, cirurgião de Lisboa que veio para a Colônia com Men de Sá, terceiro governador-geral do Brasil.” P. 124.  

Sem fiscalização no começo da colonização, os judeus estavam livres para praticar a sua religião milenar. A inquisição e postura opressora das autoridades de Portugal ainda não estavam em voga.

“No século XVI, a colônia era relativamente pouco vigiada, e os cristãos-novos conseguiram preservar sua fé com uma relativa liberdade”. P. 124.

Os cristãos-novos na colônia portuguesa eram mais livres ideologicamente.

“Os cristãos-novos no Brasil caracterizavam-se principalmente por sua independência religiosa e seu espírito crítico. Em uma época que criticar o catolicismo era arriscar a vida, os cristãos-novos da Bahia ousavam desafiar o poder instituído.” P. 126.

E no tempo dos calvinistas holandeses, quando estes invadiram o Brasil, em especial Pernambuco (1630-1954), os judeus podiam praticar o judaísmo livremente?

“Muito se tem discutido sobre a liberdade religiosa que os judeus gozavam sob o domínio dos holandeses, mas é preciso considerar que essa liberdade era relativa, havia restrições aos judeus e aos cristãos-novos. Calúnias e difamações por parte do clero católico e os dos predicantes calvinistas eram freqüentes. Apesar de serem bem-sucedidos nos negócios, foram vítimas de antissemitismo tanto do lado dos calvinistas quando dos cristãos-velhos. As principais razões foram as rivalidades econômicas. Os calvinistas queixavam-se da ‘arrogância’ dos judeus, acusando-os de serem desonestos, dominarem todo o comércio açucareiro, casarem-se com mulheres cristãs e professarem sua fé judaica em locais públicos.” P. 137.

Novinski e as outras autoras manifestam no capítulo 4 um posicionamento bem positivo em relação aos bandeirantes, que no século XVII, entraram em vários conflitos com as reduções dos jesuítas. Nova luz é lançada sobre as investidas das bandeiras. Eis a explicação:

“Novas pesquisas vieram alterar diversas ideias que tínhamos sobre os bandeirantes. E uma das informações que mais contribuiu para essa mudança foi o conhecimento de que um grande número de bandeirantes, entre Raposo Tavares, eram de origem judaica, descendentes dos forçados a se batizar em 1497. O fato de serem cristãos-novos transforma radicalmente o quadro da Guerra das Missões Jesuíticas. O ódio que os bandeirantes nutriam pelos jesuítas tinha profundas razões ideológicas.

A historiografia clássica sobre as bandeiras atribuiu a fúria devastadora com que os bandeirantes atacaram as Reduções jesuíticas às motivações econômicas e às rivalidades na posse dos índios. Que interesses econômicos tenham feito parte dos planos dos bandeirantes é bem compreensível, mas os documentos sugerem que existia uma razão ideológica muito forte que influiu nessa guerra sangrenta.” P. 154.

Continuando:

“Jaime Cortesão foi o primeiro autor que relacionou o fenômeno das bandeiras com o Santo Ofício da Inquisição e nos apresenta Raposo Tavares como um inimigo da opressão e da teocracia dos jesuítas, defendendo a liberdade de cada homem de resistir a uma religião imposta pela força.” P. 156.

E mais:

“Os jesuítas, desde o início das invasões, sabiam perfeitamente que os paulistas eram cristãos-novos e os acusavam de serem judaizantes.” P. 158.

“Bandeirantes paulistas, iconoclastas e descrentes, combatiam o fanatismo e as superstições dos jesuítas, reprovando os dogmas da Igreja e hostilizando a instituição, que para eles era identificável com a Inquisição. Espalhados pelo Brasil, os bandeirantes pouco se importavam com a religião em geral. Muitos mantiveram a lembrança de sua identidade judaica, através das histórias que lhe contaram seus pais e avos. Mesmo indiferentes a qualquer prática religiosa, pequenos vestígios do judaísmo permanecem em seus costumes.” P. 159.

Finalizando sobre eles:

“Como inimigo do Santo Ofício da Inquisição guerrear contra os jesuítas espanhóis era lutar contra a instituição que matou milhares de cristãos-novos inocentes.” P. 161.

No capítulo 6 fala-se sobre os criptojudeus da Paraíba, do Maranhão e do Grão-Pará. Logo no início nos é dito sobre os judeus estabelecidos na Paraíba:

“A Paraíba apresenta uma história fortemente ligada ao judaísmo. Muito cedo os cristãos-novos estabeleceram-se em Nossa Senhora Neves. A fidelidade ao judaísmo nessa região do país foi mais representativa do que em outras. Os conversos não se assimilaram como no Rio de Janeiro, Minas ou na Bahia, perseverando mais tempo na identidade judaica, fieis às velhas tradições herdadas dos pais e dos avós. Podemos considerá-los, do ponto de vista religioso, como os mais radicais da história colonial. Transformaram a Paraíba, a partir do século XVI, em uma ‘terra de judeus’.” P. 176.

As autoras de forma certeira não deixam de criticar a inquisição católica:

“Foi uma máquina de extorquir dinheiro, um sistema de justiça corrupto que eliminava arbitrariamente seus competidores. Era composto de frades semianalfabetos que chocavam os espíritos mais esclarecidos. Esse mesmo ódio dos inquisidores aos cristão-novos existia ainda na Companhia de Jesus, que se opunha à entrada de conversos, judeus, negros e índios na Ordem. O Tribunal tinha a função de censura, fazendo lavagem cerebral nos réus, repetindo um palavreado vazio, cheio de bobagens e superstições, confundindo as mentes dos portugueses marranos e cristão-novos que não sabiam em que mundo se encontravam.” P. 181.

No último capitulo as autoras lamentam que apenas uma voz defendeu os judeus. Ironicamente, um jesuíta: padre Antônio Vieira. Ele até foi preso pela inquisição, por se posicionar a favor dos judeus. Nem os ilustrados, que se diziam livres da tirania e superstições bobas da igreja, abriram a boca para denunciar os graves delitos contra os descendentes de Abraão.  

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Documentários Vistos (14)


Documentário feito sob medida pelo governo, incentivando os afro-americanos para que pudessem ir lutar na Segunda Guerra Mundial. Filme histórico. Acredito que na época, ele convenceu muitos a se alistarem para combater os inimigos da democracia: Alemanha, Japão, Itália.

Lembrei do que o filme 42: A História de Uma Lenda diz:

“Afro americanos serviram o seu país bravamente. Mas voltaram pra casa depois de lutar na guerra [2ª Guerra Mundial] que livrou o mundo da tirania, só para encontrar racismo, segregação e a Lei de Jim Crow [separação entre negros e brancos nos lugares públicos]”.



Depois da Segunda Grande Guerra Mundial (1939-1945), não poucos soldados norte-americanos sobreviventes voltaram psiconeuróticos para casa. Precisaram ser tratados com as mais recentes técnicas psicológicas e psiquiátricas. O Hospital Mason foi um dos locais destinados a tratar desses pacientes. 

Documentário antigo, de 1946, que foi proibido pelo governo, visto que poderia atrapalhar o recrutamento de futuros soldados para as forças armadas. Era de certa forma humilhante terem tantos soldados sofrendo de psicoses, ansiedades, fobias, amnésia... Felizmente, segundo as filmagens do filme, muitos soldados tiveram melhoras significativas, voltando a ter uma vida "normal".

Só foi liberado ao grande público a partir da década de 1980.


"Salve o nosso Deus Jah Rastafári, Haile Salassie I, que vive e reina no coração de toda carne, coroado Rei dos Reis, Senhor dos Senhores, conquistador do Leão da Tribo de Judá, escolhido de Deus, luz de Si próprio, príncipes e princesas devem dar um passo à frente para deixar a Babilônia e se redimirem, oh mais ele evado Pai Eterno, Deus Imperado, Haile Selassie I, Jah! Rastafári." 

80% do que se passa neste documentário é Snoop e seus companheiros fumando a erva. Erva pura da Jamaica. O rapper vai a terra de Bob Marley em busca da espiritualidade rastafári e para gravar um disco inteiramente de reggae. Um Snoop diferente. O lado mais íntimo e pessoal do cantor em evidência, dissipando preconceitos bobos e infundados.


Impecável, Estupendo, Extraordinário. A Colômbia é o segundo país com a maior biodiversidade da Terra. "Pelo seu tamanho sustenta a maior variedade de seres vivos do planeta." Possui a Fauna e a Flora menos explorada. Tem o rio mais lindo, o rio Arco-Íris. Você se esquece dos vários problemas políticos-sociais que esse país enfrenta, diante da beleza ímpar que ele apresenta em sua natureza. Documentário de encher os olhos. Lindo demais. Imagens perfeitas de uma natureza sublime e exuberante. E não tem como não mencionar: nossa espécie egoísta e egocêntrica destruindo algo tão belo e incrível. Gosto de um texto bíblico que diz, que Deus destruirá aqueles que destroem a terra. Que assim seja. Amém. Preparemos os coros. Tiramos mais do que podemos dar a natureza. Somos um bando de Filhos da P...

terça-feira, 4 de julho de 2017

Livros Lidos (34)


Synan é um dos principais historiadores norte-americano do movimento pentecostal. É uma obra incrível que traz informações das principais igrejas e nomes que se destacaram nesse novo cenário eclesiástico e espiritual que surgiu no início do século XX. Ele só deveria não omitir os vários casos de roubos e safadezas que os pastores pentecostais fizeram. 



O que ela diz? É simples: a homossexualidade é pecado; é um erro; é uma abominação; é contra a natureza. Os homossexuais sentem-se ofendidos com tais declarações que ela faz contra a sua conduta? Paciência. Ela diz e ponto final. O que eles podem fazer é questionar o status dela de livro divino, inspirado por Deus, dizendo que a Bíblia não reflete a realidade; que é cientificamente atrasada; historicamente imprecisa; que é um livro humano qualquer, que reflete os preconceitos e visões de sua época. Nada mais. Muitos crentes bufam de raiva quando a Bíblia é vista dessa maneira? Paciência. 

Livre arbítrio existe? Somos livres? Spurgeon dirá que não. Deus tudo determinou. Até mesmo o ato dele escrever esse livro. É uma questão filosófica e teológica espinhosa. Para Spurgeon, Deus ensina, na Bíblia, que não há liberdade no homem para fazer o que ele faz.


Uma critica contundente ao espírito anti-intelectual existente de modo generalizado nas denominações pentecostais. É uma crítica de dentro do movimento, visto que Nañes é um penteca. Ele vai na raiz do problema, no século XIX, rastreando os pregadores e igrejas norte-americanas que precederam o pentecostalismo, envolvendo-o num preconceito que dura até hoje contra o estudo teológico. É um livro muito bom. 


Acreditemos nela ou não, o fato é que a Bíblia, tanto no Antigo como no Novo Testamento, não aprova a conduta sexual entre pessoas do mesmo sexo. Mas mesmo assim, existem grupos cristãos gays, que nas últimas décadas reinterpretaram os textos bíblicos, fazendo com que eles não desaprovem as práticas homossexuais modernas. Joe Dallas refutará a hermenêutica das principais obras que surgiram defendendo esse ponto de vista. É também um livro que trata de como surgiu o atual movimento gay.    

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Documentários Vistos (13)


Esse é de longe o melhor documentário feito sobre o êxodo dos hebreus - história narrada nas páginas da Bíblia. A cronologia egípcia bate com a história de Moisés e da saída de Israel do Egito? Existem boas evidências de que os relatos bíblicos estão ancorados em fatos históricos? Esse documentário dirá que sim! Mas para quem pensa que os estudiosos que defendem a veracidade histórica do livro sagrado, são necessariamente cristãos ou judeus, terão uma surpresa inusitada aqui. As evidências arqueológicas apresentadas são persuasivas. Impressionaram-me.




O único defeito é ter apenas 24 minutos de duração. Tema espinhoso, de embrulhar o estômago: a morte. Pessoas em situações críticas nas UTIs, respirando através de aparelhos, tubos, sem poderem expressar suas vontades, dores, sofrimentos... O que fazer? Desligar os aparelhos e deixarem que as pessoas morram, é o ato mais humano a se fazer? A eutanásia pode ser considerada moralmente correta em alguns casos? Eu acredito que sim. Em momentos como esses, creio que a fé em Deus é uma centelha de conforto em meio a tanta dor, mesmo sabendo que as orações não irão fazer nenhuma cura milagrosa.


“Trinta por cento dos britânicos já usaram drogas ilegais. São 15 milhões de pessoas. Três milhões ainda usam. E um milhão têm problemas com drogas. Um milhão de criminosos desnecessários com quem o governo está em guerra”.

A mesma política antiquada de guerra as drogas que ocorre nos EUA, acontece na Inglaterra. Umaestratégia que se mostrou completamente ineficaz. Mas a não legalização das drogas têm as suas vantagens financeiras para quem está no topo. A descriminalização das drogas em Portugal, implantada em 2001, mostrou-se promissora. Documentário esclarecedor, produzido por Russel Brand, um apresentador e colunista britânico, muito conhecido em seu país, que já foi um viciado, e também foi casado com a cantora Katy Perry.


A semelhança do documentário Quebrando o Tabu e outros similares, esse é outro que apresenta argumentos contundentes a favor da legalização da maconha. Fica difícil defender a mesma política usada há décadas, que nada adiantou. Os argumentos e fatos mostrados são simplesmente demolidores. São duas horas de uma avalanche de provas difíceis de serem contraditas. Nota 10! Recomendado e aplaudido.


Devido ao sucesso do primeiro documentário Hot Girls Wanted (Garotas quentes), a Netflix que não é nada besta, resolveu fazer uma série com seis documentários retratando os bastidores do mundo dos filmes pornos, com menininhas de 18, 19, 20 anos. Putaria sempre dá audiência, né? Nessa série, não apenas a pornografia é retratada, mas também, os novos modos de relacionamentos amorosos, proporcionados pelos aplicativos de namoro, como o Tinder, Bumble (este segundo nunca tinha ouvido falar - vou baixá-lo). Quem nunca usou uma vez na vida (ou várias), o Tinder, o Badoo, o Adote Um Cara, o Happn, né não? O sexto episódio da temporada foca num caso que teve grande repercussão, onde uma jovem de 18 anos, filmou ao vivo um estupro, no aplicativo Periscope (também existe esse?), e no afã de ganhar muito likes e notoriedade, nada fez para que o estuprador parasse. Em troca de likes, deixou que sua amiga fosse violentada sexualmente.

Fé e Descrença: O Drama da Dúvida na Vida de Quem Crê


TUCKER, Ruth. Fé e Descrença: O Drama da Dúvida na Vida de Quem Crê. São Paulo: Mundo Cristão, 2008.

“Em minha própria peregrinação espiritual, que começou na infância, a dúvida e a fé têm coexistido. Não é uma condição que escolhei para mim, e não é algo que eu possa eliminar – nem necessariamente o desejaria”.

Que livro! Que livro! Que livro!

Ruth Tucker (Ph.D em História pela Northern Illinois University) brinda os leitores com essa obra diferenciada que analisa o papel da descrença na vida de quem crê. Revelando que a dúvida pode ser (e tem sido) uma parceira constante na caminhada de quem afirma acreditar em Deus (tendo em mente o deus judaico-cristão). Ela não alivia a sua própria peregrinação de fé, admitindo que a crença e a descrença andam lado a lado em suas caminhada, e que continuará assim. Vários místicos são trazidos a baila, demonstrado que os mesmos também tiveram as suas “noites escuras da alma”.  

Onde Deus está?

"Onde está Deus na vastidão do universo? Onde está Deus entre os bilhões de estrela e bilhões de anos-luz e bilhões de pessoas deste planeta? Respostas fáceis soam vazias. A fé serena, infantil de anos passados parece insuficiente em face das descobertas científicas que com demasiada facilidade atiram Deus num buraco negro. Quando contemplo o céu noturno, às vezes me pergunto se minha fé não é uma ficção de minha imaginação". P. 15. 

Parece que a fé não é de todos.

“Não há respostas fáceis para a pergunta de por que para uns acreditar é algo tão natural como respirar e para outros é uma luta emocional e intelectual que no fim não vale a pena”. P. 30.

São desonestos os ex-crentes?

“Dizer que as pessoas que lutam com dúvidas ou abandonam a fé são rebeldes ou desonestas simplesmente não está de acordo com os testemunhos”. P. 30.

A maior questão de todas:

"Quem é Deus? Essa é a pergunta fundamental relacionada à crença e a não-crença. Quem é Deus? Onde está Deus? Que afinidade Deus tem com os seres humanos? Essas perguntas e questões desafiam teólogos, filósofos, sociólogos, psicólogos e uma multidão de outros especialistas". P. 59.

A "noite escura da alma":

“Há um tipo especial de dúvida sobre a qual eu nada sei – a não ser por meio de minhas leituras, é a dúvida e escuridão que muitas vezes acometem os místicos e os que se entregam à meditação, aqueles que dedicam à vida à busca de Deus e que, no processo desse empreendimento, vão muito fundo ou atingem grandes alturas e acabam chegando a um lugar onde encontram o vazio e a escuridão. Há também aqueles cristãos que atingem uma escuridão espiritual acompanhada de depressão psicológica. Essas experiências muitas vezes são descritas como a noite escura ou simplesmente a escuridão da alma”. P. 69.  

Até João Batista, precursor de Jesus teve dúvidas.

“Sempre que minha fé está fraca e eu duvido da verdade da mensagem do evangelho, conforta-me saber que não estou só. Encontro companhia mesmo entre os ‘gigantes’ da Bíblia, inclusive João Batista.” P. 86.

Eis um caso extremamente intrigante. João Batista que teve dúvidas acerca da messianidade de Jesus, mandou que seus seguidores perguntassem a ele, se de fato ele era o Cristo. Jesus obviamente respondeu que sim – ele era o Cristo de Deus, enviado para salvar o mundo. Em vez de Jesus criticá-lo por isso, Jesus não o viu com olhos condenatórios. Pelo contrário, os maiores elogios que Jesus fez a uma pessoa, foram dirigidos a João, logo após esse ocorrido. Em Mateus 11. 7-11 está escrito:

Enquanto saíam os discípulos de João, Jesus começou a falar à multidão a respeito de João: "O que vocês foram ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento?

Ou, o que foram ver? Um homem vestido de roupas finas? Ora, os que usam roupas finas estão nos palácios reais.

Afinal, o que foram ver? Um profeta? Sim, eu lhes digo, e mais que profeta.

Este é aquele a respeito de quem está escrito: ‘Enviarei o meu mensageiro à tua frente; ele preparará o teu caminho diante de ti’.

Digo-lhes a verdade: Entre os nascidos de mulher não surgiu ninguém maior do que João Batista; todavia, o menor no Reino dos céus é maior do que ele.

A Ciência e a Filosofia, a dupla destruidora da fé:

"Mais talvez do que qualquer outra área de especialização acadêmica, a ciência e a filosofia têm o potencial de abalar as próprias fundações da fé. Vemos isso como um fato histórico observando como cientistas e filósofos, um após o outro, abandonaram a fé em que foram criados". P. 101.

O persistente problema do mal:

“Questões relativas à natureza e bondade de Deus e o problema do mal (teodicéia) estão entre as razões mais frequentemente citadas para abandonar a fé. Por exemplo, como é possível que um Deus bom – um Deus todo-poderoso – deixe Hitler exterminar milhões de judeus, ou que um terremoto mate dezenas de milhares de pessoas na Turquia, ou que terroristas assassinem milhares de pessoas nos atentados de 11 de setembro de 2001?” P. 122.

O mal praticado pelos seres humanos, me deixa muito mais de cabelo em pé, do que o mal natural, como os maremotos, doenças e etc. 

A incerteza da existência de Deus:

“A questão principal que me atormenta consciente e inconscientemente ao longo de toda a vida: a existência de Deus.” P. 140.  

Vários são os motivos que aparecem para manter as pessoas descrentes ou crentes, eis alguns:

"Perder a fé é um modo de reagir ao silêncio de Deus diante da dor e do sofrimento. Outros buscam aceitar o que teológica e filosoficamente está além da compreensão humana. Outros há que cerram os punhos contra Deus, consumidos mais pela raiva do que pela descrença. E, por mais incrível que pareça, alguns sentem a presença de Deus numa medida ainda maior durante períodos de grande perda e dor - quando Deus pareceria calar-se a respeito de sua dor. Para outros ainda, o aparente silêncio de Deus provoca uma paralisante incerteza acompanhada de uma determinação de manter-se na fé." P. 159.

Para uns (a maioria, na verdade), apesar de tudo, crer em Deus é algo compulsivo:

“Quando observo este gigantesco mundo intricado, não posso acreditar que ele aconteceu por acaso. Não quero dizer que tenho alguns bons argumentos a favor de sua criação e que acredito neles. Quero dizer que essa convicção surge de dentro de mim de modo irresistível quando contemplo o mundo. A tentativa de eliminá-lo não funciona. Quando ergo os olhos para os céus, não consigo crer que eles não declaram a glória de Deus. Quando olho para a terra, não consigo levar a bom termo a tentativa de crer que ela não mostra a obra das mãos dele.” P. 161. - Nicholas Wolterstorff, Ph.D em Filosofia na Universidade de Harvard.

Mais uma vez o problema do mal:

“O problema da dor e do mal é o terreno de todas as batalhas pela crença. Quer o mal seja percebido como uma ocorrência aleatória, quer seja perpetrado por Hitler ou por um evangelizador da televisão, é simplesmente natural que alguém se pergunte por que Deus não o impede. A única pergunta que realmente vale a pena fazer é ‘Que diacho está acontecendo aqui?’. Nenhum ponderado filósofo ou teólogo tem a resposta. A melhor reação é não dar resposta alguma.” P. 171.

É um livro infinitamente rico. Os trechos aqui citados são só a ponta iceberg. Só lendo toda a obra para ter noção da extensão de tudo que ela trata em suas páginas.

Uma sinceridade que falta em 99% dos escritores religiosos. Tucker não tem pudor em revelar a sua vulnerabilidade. Pena que é um livro que saiu do catálogo da editora Mundo Cristão. Enquanto que muitas porcarias continuam sendo publicadas por ela. 

segunda-feira, 26 de junho de 2017

O Poder de Jesus: O Sacrifício


Alguns dos motivos que esse documentário enumera dos hábitos e crenças dos primeiros cristãos que iam contra os princípios do Império Romano:

- Não sacrificar aos deuses romanos;
- Reuniões cristãs secretas;
- Práticas estranhas aos olhos do Estado e da população;
- Separação de famílias pela conversão;
- Comportamento proselitista agressivo, dizendo que os deuses romanos são imorais.

Tudo isso somado, não poderia passar em branco pelo governo de Roma. Os cristãos podiam ser cristãos, contanto, que também fossem "romanos", aceitando praticar as diretrizes básicas das autoridades. E aí estava o problema. Como eles podiam participar dos sacrifícios de animais de uma religião politeísta, quando o seu salvador e Deus (Jesus) tinha morrido de uma vez por todas para salvá-los?

Agora, houve exagero, e ainda há, no número de cristãos que muitas vezes ouvimos que foram martirizados pelo império. Passa-se a ideia de que desde o seu surgimento, os cristãos foram implacavelmente perseguidos, mortos, torturados e intolerantemente esmagados pelas autoridades do grande império. Quando na verdade, muitos foram os períodos de paz e convívio tranquilo entre os primeiros crentes e o governo, onde milhares de cristãos viveram calmamente a sua fé, sem serem perturbados.

Assim como há um aumento injustificável do número de pessoas mortas pela inquisição católica, há também, fruto de uma propaganda cristã enganosa no passado - um mito de que muitíssimos e muitíssimos seguidores de Jesus foram martirizados pelo império romano em seus primeiros séculos.

Houve sim, momentos de intensa perseguição, mas não como nos é geralmente passado. Não há documentação histórica que ateste uma opressão/tirania/violência/repressão/tormento/vexação/acossamento ininterruptos contra os discípulos do homem de Nazaré.

Perpétua foi uma das principais mártires que caiu nas mãos sanguinárias dos romanos, sendo morta na arena, não por um soldado romano, que se negou a matá-la, mas por ela mesma, que pegou a espada e enfiou em seu pescoço, ali na frente de todos, para lhes mostrar que ela não se importava em morrer pela sua nova fé no galileu de Israel.  Num certo momento virou moda querer morrer pela fé cristã.

Os cristãos foram aumentando cada vez mais, principalmente quando houve uma enorme praga que devastou o império romano, que acredita-se que pode ter sido a varíola. E quem estava dando assistência aos moribundos? Os cristãos, quando ninguém estava disposto a ajudar a essas pobres almas, na porta da morte. O cristianismo jogou na cara da sociedade o seu valor enquanto religião, dando assistência de prestimosa importância. Mas isso não foi suficiente para que o império os vissem como não subversivos. Se não aceitassem a estrutura social-religiosa de Roma, deveriam pagar pelas consequências de tal escolha. Assim, houve períodos de caça aos adeptos dessa religião estranha e petulante.

Como é dito, nos últimos anos, já morreram mais pessoas por causa de sua fé em Jesus, do que nos primeiros trezentos anos da igreja. A perseguição hoje é muito mais acirrada em vários países pelo mundo a fora. Países muçulmanos, países da África, China, Coreia do Norte e etc. Basta uma rápida pesquisa na web, para vermos que atualmente apenas dizer que acredita em Jesus, em certas regiões do planeta, é arranjar um problemão, que muitas vezes custa a própria vida.