domingo, 8 de abril de 2018

A Conquista do Brasil 1500-1600



GUARACY, Thales. A Conquista do Brasil 1500-1600. 1. ed. - São Paulo: Planeta, 2015. (PDF).

Um livro que se propõe a contar os primeiros 100 anos de nossa história, mas que só vai até os anos da década de 1570. Guaracy investe muitas páginas nas batalhas travadas pela Baía da Guanabara, no Rio de Janeiro, onde houveram massacres sangrentos pela posse da terra. A partir da conquista definitiva, o Brasil passa a ser o foco principal de Portugal em suas investidas comerciais e econômicas, esquecendo-se das Índias e da África, que já não estavam sendo muito lucrativas.

Quanto aos jesuítas, não foram santos. Manoel da Nóbrega e José de Anchieta, por diversas vezes foram cruéis e impiedosos, diante da frustração de não conseguirem convencer os silvícolas a se converterem a sua fé e a cederem aos caprichos dos portugueses. Os jesuítas foram de importância máxima na alienação de indígenas e nas posses das terras brasileiras por Portugal.

Guaracy também gasta muito tempo, trazendo detalhes da antropofagia indígena, que aterrorizava (e não sem razão) os colonizadores, que nunca tinham presenciado até então, pessoas comendo pessoas.

Um ponto importante de sua obra é a figura de João ramalho, um português degredado, que passou a viver como uma espécie de cacique indígena, super bem adaptado ao modo de vida nativo. Ele e seus filhos mestiços deram muitas dores de cabeça aos jesuítas, soldados e aos governadores-gerais, mas também foi uma pessoa relevante na negociação entre os portugueses e indígenas. Eu desconhecia esse personagem tão marcante na história das primeiras décadas de nosso país.

Livro bom.

Os portugueses chegaram e arrasaram as tribos aqui existentes. E não adianta querermos amenizar esse genocídio, dizendo que os índios se matavam entre si, em suas guerras tribais. Genocídios não podem ser justificados por outros genocídios.

“Nessa época [1500], de acordo com os números mais aceitos por historiadores e antropólogos, estima-se que havia no território correspondente ao Brasil atual cerca de 3 milhões de índios, população duas vezes maior que a de Portugal, então com 1,5 milhão de habitantes. Ao longo da costa, estima-se que havia 1 milhão de tupis. O que a história registra a partir daí é apenas a versão do colonizador sobre a terra ‘descoberta’. Mesmo assim, os documentos oficiais de autoridades administrativas, cartas dos jesuítas e registros de viajantes envernizados de civilização europeia revelam sem culpas, como um direito quase natural, a violência bárbara da ocupação portuguesa, marcada pela escravização e, depois, pelo extermínio da civilização nativa, além do confronto mortal com outros europeus que ousaram disputar a riqueza brasileira.” P. 11-12.

Os indígenas eram na visão dos portugueses e dos jesuítas, pessoas inferiores, mesmo que fossem passíveis da “salvação” católica.

“O termo ‘índio’ não aparece entre os primeiros cronistas. Nas cartas dos jesuítas, viajantes e governantes portugueses do século XVI, eles se referem aos nativos brasileiros como ‘gentios’, os pagãos, em contraposição aos cristãos, ou mesmo ‘negros’, como os chama o padre Manoel da Nóbrega – termo que na época não designa necessariamente a cor, mas a gente da terra, com certa conotação de inferioridade, que o jesuíta empregava também para os mouros”. P. 12.

Engraçado que um perpetrador de assassinatos, em 2014, foi consagrado santo católico. É a igreja do Vaticano com as suas incoerências. Falo de José de Anchieta, que não foi nenhum santo, mas um agente de destruição de índios, juntamente com Manoel da Nóbrega.

“Santificados como missionários [os jesuítas Manoel da Nóbrega e José de Anchieta] que arriscavam a vida para converter índios ‘selvagens’ ao catolicismo, na realidade eram homens devotados à Inquisição portuguesa, com vocação política e moral por vezes duvidosa, se considerada pelos critérios do mundo contemporâneo. Também por vezes cruéis e impiedosos, não destoavam muito dos comerciantes ávidos e aventureiros com quem eventualmente precisavam se associar para implantar seu projeto de dominação religiosa e política no Brasil”. P. 14.

Os homens indígenas para cortejar o sexo oposto é que se enfeitavam:

"Ao contrário da sociedade europeia, onde tradicionalmente cabia à mulher enfeitar-se para atrair o homem, os índios eram como os pavões, nos quais somente o macho possui a cauda vistosa, para impressionar as fêmeas e assustar o inimigo". P. 23-24.

A antropofagia indígena era algo de embrulhar o estômago de qualquer europeu:

“[O prisioneiro de guerra] acabava sempre executado com um golpe na base da cabeça que lhe espatifava o crânio. De acordo com Staden [mercenário alemão do século XVI], em seguida à execução os índios esfolavam o corpo e tapavam o ânus do cadáver com um pedaço de madeira para não perder as vísceras. O corpo era esquartejado e assado no moquém. As mulheres e crianças (os ‘curumins’) ficavam com as vísceras, a língua e os miolos, recolhidos do chão em uma cabaça por uma das mulheres. Desses miúdos se fazia uma pasta rala chamada ‘mingau’, nome até hoje utilizado no Brasil para a papa das crianças. O sangue da vítima era recolhido pelos índios para banhar seus filhos homens, de modo a torná-los mais corajosos.

Os índios aguardavam que a carne esfriasse para comê-la, acompanhada de goles de cauim e baforadas de tabaco. As sobras eram assadas novamente e esfriadas quando quisessem consumi-las outra vez. Staden viu a carne de um português que conhecia, chamado Jerônimo, ficar pendurada três semanas na maloca onde dormia, sobre um fumeiro, ‘até que ficou seca como um pau’.” P. 25-26.

Comendo o prisioneiro de guerra, pensava-se que as suas virtudes eram ingeridas:

“Devorando o inimigo valoroso, os tupinambás acreditavam que se alimentavam também da sua bravura. Pela mesma razão, não comiam a carne daqueles que consideravam covardes, assim como de bichos de que não gostavam, como a preguiça, por acreditarem que ficariam mais lentos em combate. Desdenhavam dos portugueses por sua covardia. Na aldeia de Ubatuba, quando procurava salvar-se, dizendo que não era português, Hans Staden ouviu de seus algozes, conforme conta: ‘É um português legítimo, agora grita, apavora-se diante da morte’.” P. 27.

Os portugueses não eram altruístas e não estavam ali para ter piedade das comunidades nativas, no entanto, apesar de toda uma lógica interna dentro da visão indígena, para que crianças nascidas com deformidades sejam enterradas vivas, não podemos deixar de ver tal prática como um aspecto maléfico dessa visão. Algumas tribos ainda praticam hoje, o enterro de bebês vivos. Guaracy relata um caso presenciado pelo José de Anchieta:

“Num ambiente onde o indivíduo precisava sobreviver, e não podia se tornar um fardo para a coletividade, as crianças [indígenas] nascidas com deformidades, ou consideradas incapazes, eram eliminadas em seu nascimento, como acontece com os animais que matam as próprias crias que não se sustentarão sozinhas e, dessa forma, se tornarão um problema para o bando. Na carta ao padre-geral de São Vicente, em 31 de maio de 1560, José de Anchieta narra ter presenciado a execução de uma criança que nascera com um nariz que descia até o queixo, como uma tromba, e tinha a boca abaixo dele. Como se fazia nesses casos, o bebê foi enterrado vivo.” P. 28.

No contato com os europeus, muitas tribos foram dizimadas por doenças, as quais não tinham defesa natural.

“Livrar um índio de alguma doença era um bom começo para a catequese, melhor que o antigo discurso jesuíta, que ameaçava as tribos com desgraças e o fogo do inferno. Mesmo assim, Anchieta registra muitas mortes por doença, em função do próprio contato com o branco, causa que ele escamoteava para não perder também os acólitos que lhe sobravam vivos. Segundo ele, os carijós foram uma das tribos dizimadas por doenças originárias do convívio com os portugueses: ‘acometeu-os uma enfermidade repentina e morreram quase todos’.

Os jesuítas procuravam mudar os costumes indígenas, mas durante bastante tempo tiveram de tolerar os rituais que consideravam mais bárbaros. Em sua carta, Anchieta conta como, depois de uma luta contra os tupiniquins, dois guerreiros guaianazes mortos em batalha foram enterrados conforme o costume cristão. Os inimigos, porém, encontraram as covas, desenterraram os corpos e levaram os cadáveres para comê-los.” P. 60.

A igreja não via nenhum erro moral na escravização dos negros:

“Os jesuítas não se opunham à importação de escravos negros africanos, como acontecia nas posses portuguesas da Madeira e dos Açores e em Pernambuco e na Bahia. Não lhes interessava, ao final, se havia ou não escravidão, desde que todos estivessem ao alcance da influência catequética”. P. 101.

Ah, o amor cristão...

segunda-feira, 2 de abril de 2018

Histórias Íntimas: Sexualidade e Erotismo na História do Brasil



PRIORE, Mary Del. Histórias Íntimas: Sexualidade e Erotismo na História do Brasil. São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2011. (PDF).
Muito bom. Mary Del Priore (Ph.D em História na USP), em mais um livro que vem falar sobre temas do passado de nosso país que fogem do usual. Nada de falar de política e economia. Aqui ela trata de assuntos mais empolgantes, como o subtítulo do livro diz. As transformações que o Brasil, assim como boa parte do mundo ocidental passou na área da sexualidade, não foram poucas.

Hoje, a despeito das muitas dificuldades, as mulheres estão em situação muito mais vantajosas. Não são demonizadas por não casarem virgens. Escolher não se casar e não ser mãe é uma opção legítima. Trabalham fora, são empresárias.

Os gays estão em situação mais favorável.

Os casamentos já não precisam ser para sempre.

Os filhos de pais separados não são mais vistos com desconfiança.

E etc.

Há desvantagens também. Cada momento histórico com as suas dificuldades e contradições.

Numa comparação entre passado e presente, penso que o momento atual é melhor em praticamente todos os aspectos que a Del Priore aborda em seu livro.

Vejamos algumas de sua obra.

No Brasil Colônia, peidos e arrotos eram lugar comum na convivência dos que aqui moravam, o que horrorizava os povos “avançados” da do Velho Mundo. As senhoras peidonas era aconselhado que culpassem seus cachorrinhos quando soltassem gases.

“Quanto ao asseio e às regras de civilidade, contudo, havia muito que aprender. Os moradores da Colônia ainda estavam muito próximos de comportamentos julgados selvagens na Europa. Lá, desde a Idade Moderna, já se desaconselhava arrotar ou peidar em público. Na época das reformas religiosas, no século XVI, nos vários manuais de civilidade publicados graças ao aparecimento da imprensa, se recomendava apertar os glúteos com força, ‘não deixando escapar nada de mau gosto’. Ou que os ruídos fossem abafados pelos de uma falsa tosse. Às senhoras que sofriam de gases, era sugerido ter sempre cachorrinhos como companhia. Aos pobres quadrúpedes eram atribuídos os maus cheiros ou os ruídos anormais”.
P. 17-18.

Como acontece até hoje, a igreja católica tinha horror a vaginas, atribuindo a esse órgão vários males satânicos. Penetrá-la? Só para fins de procriação, o que passasse disso, era pecado. A vagina raspada era sinal de castidade, pudor, pureza e etc. As cabeludas eram a “porta do inferno” das mulheres da vida.

“Cobrindo totalmente o corpo da mulher, a Reforma Católica acentuou o pudor, afastando-a de seu próprio corpo. [...] Os pregadores barrocos preferiam [descrever a vagina] como a ‘porta do inferno e entrada do Diabo, pela qual os luxuriosos gulosos de seus mais ardentes e libidinosos desejos descem ao inferno’. A vagina só podia ser reconhecida como órgão de reprodução, como espaço sagrado dos ‘tesouros da natureza’ relativos à maternidade. Nada de prazer. As pessoas consideradas ‘decentes’ costumavam se depilar ou raspar as partes pudendas para destituí-las de qualquer valor erótico. Frisar, pentear ou cachear os pelos púbicos eram apanágios das prostitutas. Tal lugar geográfico só podia estar associado a uma coisa: à procriação.” P. 23.

A Renascença e o Iluminismo não causaram mudanças nos comportamentos sexuais. Os velhos tabus e preconceitos descabidos que vinham da Idade Média continuavam a assustar e alienar – num certo sentido até piorando a relação que tinham com a sexualidade.

“Os séculos ditos ‘modernos’ do Renascimento não foram tão modernos assim. Um fosso era então cavado: de um lado, os sentimentos, e do outro, a sexualidade. Mulheres jovens da elite eram vendidas, como qualquer animal, nos mercados matrimoniais. Excluía-se o amor dessas transações. Proibiam-se as relações sexuais antes do casamento. Instituíram-se camisolas de dormir para ambos os sexos. O ascetismo tornava-se o valor supremo. Idolatrava-se a pureza feminina na figura da Virgem Maria. Para as igrejas cristãs, toda relação sexual que não tivesse por finalidade a procriação confundia-se com prostituição. Em toda a Europa, as autoridades religiosas tinham sucesso ao transformar o ato sexual e qualquer atrativo feminino em tentação diabólica. Na Itália, condenava-se à morte os homens que se aventurassem a beijar uma mulher casada. Na Inglaterra, decapitavam-se as adúlteras. E em Portugal, sodomitas eram queimados em praça pública.” P. 35.

Um resumo do que eram os relacionamentos:

“Na América portuguesa, entre os séculos XVI e XVIII, as intimidades foram construindo-se na precariedade e na falta de higiene. Que o diga o poeta Gregório de Matos, que nos seus versos nunca esquece o ‘fedor de Norte a Sul’ das mulheres: ‘bacalhau para a boca e mau bafo para o vaso’. Ou ‘horrível odre a feder a cousa podre’. As relações despidas de erotismo eram comuns. [...] O corpo da mulher era diabolizado. Seu útero, visto como um mal. Suas secreções e seus pelos, usados em feitiços. Seu prazer, ignorado pela medicina, por muitos homens e até por muitas mulheres. Para as que quisessem as bênçãos do sacramento do matrimônio, a virgindade era obrigatória. A tradição, dotes, heranças e bens assim obrigavam. Adultério feminino? Passível de ser punido com a morte. Afinal, os homens sentiam-se obrigados a lavar sua honra em sangue. O poder masculino dentro do casamento era total. Traições masculinas? Consideradas normais”. P. 38.

No início do século XX, as coisas começam a mudar, surgindo os primeiros filmes pornográficos.

“O filme pornográfico mais antigo de que se tem notícia é O Escudo de Ouro Ou o Bom Albergue, realizado na França em 1908: história de um soldado com uma doméstica. Em 1910, o alemão Ao entardecer mostrava uma mulher masturbando-se no quarto e a seguir cenas de felação e penetração anal com um parceiro. Considerados ilegais, tais filmes, distribuídos discretamente, eram vistos de forma ainda mais discreta. Sua posse ou visualização eram passíveis de prisão.” P. 95.

Para quem pensa que o catolicismo sempre foi a “favor” da vida, engana-se:

"Até o século XIX, a Igreja tinha certa tolerância em relação ao aborto. Acreditando que a alma só passava a existir no feto masculino após quarenta dias da concepção, e, no feminino, depois de oitenta, o que acontecesse antes da 'entrada da alma' não era considerado crime nem pecado". P. 102.

Hipocritamente a igreja católica não estava nem aí para o estupro de crianças que ocorriam no Brasil. Para essa instituição as crianças que se lasquem. Atualmente ainda é assim, pois ela esconde os seus sacerdotes pedófilos, não os entregando a justiça comum para serem julgados e condenados.

“Desde as primeiras visitas do Santo Ofício às partes do Brasil, no século XVI, inquisidores assinalavam o estupro de crianças. Meninos e meninas de seis, sete e oito anos eram violentados por adultos sem nenhum drama de consciência. Senhores sodomizavam moleques ou molecas escravas, padres faziam o mesmo aos seus coroinhas, e parentes e crianças da família participavam de uma ciranda maldita na qual um único pecado contava para a Igreja: o do desperdício do sêmen. Afinal, ele deveria ser usado exclusivamente para a procriação. E era apenas esse crime que o inquisidor perseguia. O fato de ser cometido com pequenos passava despercebido. Era coisa secreta e o silêncio protegia os culpados.” P. 108.

Não era apenas prerrogativa do cristianismo ver a homossexualidade como anomalia, a ciência médica estava crente de que possuía as provas para classificá-la como doença.

“A homossexualidade era considerada, além de imoral, uma anormalidade. Durante os anos 30, o médico Leonídio Ribeiro consagrou-se graças a estudos sobre endocrinologia, relacionando-a com as ‘anomalias do instinto sexual’. Estas seriam o reflexo de mau funcionamento das glândulas. O remédio era o transplante de testículos, inclusive de carneiros ou de grandes antropoides. Afinidades entre homossexualidade e criminalidade? Todas. O crime era uma decorrência da paixão que ‘invertidos’ nutriam entre si. Num quadro de guerras mundiais e de reforço do nacionalismo, homossexuais transformavam-se em bodes expiatórios.” P. 111-112.

Uma queixa feminina que ainda ecoa, diante de nossa hipocrisia masculina:

“A tensão entre as mudanças desejadas pelos jovens e o velho modelo repressivo era tanta que uma leitora escreve a O Cruzeiro [revista em circulação entre 1928-1975], desesperada: ‘quando uma mulher sorri para um homem é porque é apresentada. Quando o trata com secura é porque é de gelo. Quando consente que a beije, é leviana. Quando não permite carinhos, vai logo procurar outra. Quando lhe fala de ‘amor’, pensa que quer ‘pegá-lo’. Quando evita o assunto, é ‘paraíba’ [lésbica]. Quando sai com vários rapazes é porque não se dá valor. Quando fica em casa é porque ninguém a quer [...] Qual é o modo, pelo amor de Deus, de satisfazê-lo[s]?’.” P. 117-118.

O livro ainda fala sobre as famosas pornochanchadas da década de 1970; sobre o boom da Aids, logo após; e etc.

domingo, 1 de abril de 2018

Espíritos Entre Nós



PRAAGH, James Van. Espíritos Entre Nós. Rio de Janeiro: Sextante, 2010. (PDF).

Não tem jeito. Assim como no Brasil, que temos os nossos charlatães midiáticos na área religiosa, os EUA também têm os seus. James Van Praagh é um médium muito conhecido por lá, que vende bastante livros, contando suas mentirosas histórias de contato com os espíritos dos mortos. É cada história mirabolante que ele conta, que não senti credibilidade alguma nas páginas deste livro. Parto do pressuposto de que diálogos com quem já morreu não acontecem, logicamente pensando dessa forma, pelo menos a princípio, não sentirei veracidade nos relatos do Praagh. Mas mesmo lendo a sua obra com essa pressuposição, não quer dizer que não poderia ser levado pelas evidências e histórias que ele traz, a um reposicionamento sobre tudo isso. Várias vezes comecei lendo um livro, ao qual, estava incrédulo quanto ao seu conteúdo, e a força do argumento, me mostrou que eu estava (ou podia estar) errado, deixando-me dúvidas e pensativo: “Será que ele pode estar certo? Pode haver um fundo de verdade nisso tudo?” Não descarto por completo a comunicação com os mortos. Acho que muita coisa doida pode acontecer nessa nossa existência caótica.

Vejamos algumas bobagens que ele diz.

A ciência tem menos valor que a necromancia:

“A ciência é boa e útil, mas não há nada melhor do que obter informações em primeira mão vindas de um espírito. Quando a compreensão e as palavras nos chegam diretamente dos espíritos que nos assombram, tudo atinge um novo patamar de entendimento”. P. 08.

Não sentimos dor ao morrer:

"Independentemente da forma de morte – homicídio, doença, acidente, suicídio ou velhice –, existe um fator constante que se repete. Ninguém sente dor ao morrer. Nunca me canso de repetir isso para as pessoas. Na verdade, é a ausência de dor que confunde muitos dos que acabaram de morrer, porque eles não percebem que se foram. Ninguém fica sozinho na hora da morte. Quando saímos do corpo, nossos entes queridos que já faleceram vêm nos receber. Talvez tenham se passado vários anos desde que os vimos pela última vez, mas os laços afetivos que nos uniam na Terra continuam muito presentes do outro lado." P. 15.

As almas estão presentes no seu próprio enterro, e dão pitacos sobre como eles deveriam ocorrer:

“Depois que os mortos abandonam o corpo físico e percebem que não estão mais conectados a ele, passam para a membrana que existe entre a Terra e a dimensão mais próxima. Nesse ponto, decidem se querem permanecer perto da Terra como espíritos terrenos ou se querem fazer a travessia para a luz. Durante essa brecha de oportunidade, os espíritos com freqüência vão a seu próprio enterro para ver os preparativos, quem aparece e assim por diante. Já ouvi muitos comentários esquisitos de espíritos quando estão no próprio funeral: ‘Por que é que colocaram esse vestido em mim?’ ‘Quem escolheu essas flores para o meu caixão?’ ‘Eu queria estar em um caixão mais bonito’. Ouvi com frequência espíritos dizendo que não gostam de caixão aberto. Muitos causam distúrbios em seus próprios funerais, para que seus parentes ‘entendam a mensagem’. E também há aqueles que não se importam com os detalhes do funeral e ficam muito surpresos ao presenciar toda a agitação ao redor do evento.” P. 20.

Os mortos têm o poder da onisciência sobre as mentes dos vivos (pensei que só Deus tinha):

“[...] espíritos são extremamente sensíveis e, por isso, têm a capacidade de captar com clareza cristalina nossos pensamentos e o que sentimos, como se tivessem algum tipo de radar especial. Ao pensar em um ente querido [morto], você pode atrair o espírito dele”. P. 26.

Os ateus vão se ferrar quando morrerem (ok, as religiões de um modo geral pensam assim mesmo):

“Com freqüência me perguntam: “O que acontece quando a pessoa não acredita na vida após a morte?” Uma pessoa que não acredita na vida após a morte ficará bastante surpresa ao descobrir que ainda está viva. Talvez demore muito tempo até compreender o que aconteceu e, durante esse período, ela vagará pelo plano astral inferior”. P. 41-42.

Nós escolhemos a família que teremos antes de vim parar na Terra:

“É muito freqüente que as pessoas me abordem dizendo: ‘Eu não escolhi minha família.’ Mas a verdade é que nós a escolhemos, por mais absurdo que isso possa parecer. Escolhemos os integrantes de nossa família antes mesmo de iniciarmos nossas existências terrenas. Na verdade, nossas famílias têm estado conosco durante muitas vidas. É interessante constatar como as almas viajam em grupos. Freqüentemente elas esperam até estarem todas juntas do outro lado para chegarem à Terra ao mesmo tempo”. P. 46.

Logo que morremos, tentamos nos comunicar com a nossa família:

“Por que os espíritos desejam se comunicar conosco? Os espíritos são iguaizinhos a nós, e seus motivos são diversos, mas parece que a razão mais comum para um espírito querer entrar em contato é para ajudar sua família enlutada. Logo depois que a pessoa passa para o outro lado, sente a dor e o sofrimento de seus parentes. O que o espírito deseja é simplesmente informar à família que não está morto, mas plenamente vivo, e por isso fica por perto. A maioria das famílias está em tal estado de choque ou tão envolvida com o funeral que não percebe seus entes queridos tentando chamar sua atenção. É como se não ouvíssemos a campainha do telefone e o deixássemos tocar e tocar. Os espíritos sentem uma grande frustração quando não conseguem se comunicar com seus entes queridos.” P. 65-66.

Os mortos estão em toda parte:

“Talvez não tenhamos consciência das muitas entidades que circulam ao nosso redor, mas os espíritos são capazes de vagar livremente por onde bem desejarem, porque, como já disse, eles não estão limitados à dimensão física. Não precisam de qualquer meio de transporte para ir de um lugar para o outro, porque viajam por meio de pensamentos. Um lugar assombrado é um local com alta concentração de atividade de espíritos que se estende por um longo período. Com base em minhas investigações, descobri que esses locais possuem uma forte ligação emocional com o espírito que nele se manifesta, como aconteceu com o seminário que era assombrado por pessoas que o tinham ocupado no passado. Os espíritos associam fortes lembranças mentais e emocionais a determinado lugar, com o desejo de revivê-las, e em alguns casos permanecem lá por não serem capazes de parar de repeti-las. É por isso que eles causam distúrbios na energia. Por outro lado, talvez os espíritos apenas desejem proteger um local para garantir que os atuais ocupantes respeitam seu lar e cuidam dele com o mesmo empenho.” P. 78.

Cuidado da próxima vez que for ao dentista:

“Acredite ou não, consultórios de dentista normalmente estão lotados de espíritos. Outros lugares surpreendentes são escritórios de advocacia e tribunais, por causa das emoções amedrontadoras ligadas a eles. Nesses contextos as pessoas estão esgotadas emocionalmente, sentem muita raiva, são acusadas – injustamente ou não, se de fato cometeram crimes. Alguns espíritos tiveram problemas com a lei quando estavam vivos, e gostam de absorver o máximo possível desse tipo de energia. Outros talvez tenham sido inocentes das acusações sofridas e só querem garantir que a justiça seja feita. Hospitais estão repletos de doenças, preocupações e medo da morte. Sempre que visito alguém em um hospital, vejo espíritos por perto. Alguns estão lá para sugar a energia das pessoas debilitadas, outros, para auxiliar seus entes queridos em sua passagem para o além. Há ainda alguns espíritos que acabaram de falecer e estão meio confusos em relação a seu paradeiro.” P. 81.

sexta-feira, 23 de março de 2018

Do Outro Lado: A História do Sobrenatural e do Espiritismo


PRIORE, Mary Del. Do Outro Lado: A História do Sobrenatural e do Espiritismo. 1 ed. - São Paulo: Planeta, 2014. (PDF).

A Historiadora Mary Del Priore (Ph.D em História na USP) sabe como ninguém trazer a baila assuntos que fogem da história tradicional, que geralmente se resumem a tratar de assuntos ligados a política e economia. Até mesmo para quem é formado em História e apaixonado pelo passado, sente-se frustrado em pegar em livros (acadêmicos) que só tratarão do que os bandidos (políticos) fizeram em décadas e séculos atrás. Mary percebendo que bons livros de História podem ser escritos saindo dessa mesmice historiográfica, sempre escreve sobre temas interessantes sobre a história do nosso país. E quer assunto mais intrigante e que chame mais a atenção, do que um que fale sobre o sobrenatural?

"O que há do 'outro lado'? Esta não é uma pergunta feita apenas por historiadores. E, sim, pela sociedade. Religiosos, filósofos, antropólogos, médicos, pesquisadores de várias áreas, além de cidadãos comuns, querem saber. Passa-se por um túnel frio e escuro para mergulhar em águas quentes e iluminadas? Voa-se, de forma invisível, sobre o próprio corpo? Seres de luz vêm nos buscar? Nada se sabe, embora se acumulem depoimentos daqueles que voltaram do além. Mesmo com o cérebro aparentemente estacionário, eles foram capazes de ter visões. Os cientistas chamam o fenômeno de EQM: experiência de quase-morte ou near-death experience, termo cunhado pelo psiquiatra norte-americano Raymond Moody depois de ter estudado mais de cem casos." P. 09.

Se o Brasil é o país mais católico do mundo, ele é o país mais espírita também. Seja mediante as religiões afros, nas suas várias manifestações, como o candomblé, umbanda, jurema, tambor de mina e etc. - seja através do chamado alto espiritismo, tendo como principal eixo os ensinos do francês Alan Kardec, o organizador da doutrina espírita.

Mary fez uma exaustiva pesquisa nos jornais e revistas do século XIX, livros de Kardec e livros, revelando o boom do espiritismo nos EUA, com as irmãs Fox, passando pela Europa, e chegando as terras brasileiras.

“[...] não há sociedade ou cultura na qual esteja ausente a preocupação dos vivos com os mortos, e da participação dos mortos na vida dos vivos. [...] A necessidade de religião - capaz de, na medida do possível, harmonizar o racional e o irracional – continua, de forma consciente ou subliminar, essencial ao equilíbrio humano.” P. 12.

O livro fala sobre o frisson das mesas volantes, do magnetismo, do sonambulismo, do curandeirismo... A reação da igreja católica que condenava todas essas manifestações, atribuindo ao diabo essas práticas que iam de encontro ao que ela ensinava e acreditava. Os jornais também denunciavam o novo movimento religioso, acusando-o de charlatanismo, enganador das massas pobres e ignorantes. As várias classes sociais, que a sua maneira aderiam as práticas espíritas, ora atrás de cura para as suas doenças, ora para saber o seu futuro, ou se comunicar com entes queridos.

No período medieval, a própria igreja ajudou a sedimentar o interesse e o medo dos espíritos, com histórias absurdas, algo que não é novidade no catolicismo.

“Na Idade Média, fantasmas e almas do outro mundo começaram a registrar sua existência. Cronistas da Igreja não hesitavam em comentar que os cadáveres saíam de sua sepultura, passeavam à vontade e, depois, voltavam aos túmulos que abriam com as próprias mãos. Montavam a milhares os testemunhos de tais fatos. Ao competir com os santos, defuntos ganhavam outra característica: a de fazer milagres, sobretudo por quem rezasse por eles. Além do mais, manifestavam-se aos vivos de diversas formas: por meio de sonhos e visões, na forma de fantasmas ou de mortos-vivos.” P. 23.

O grande codificador/organizador da doutrina espírita, foi o conhecido Alan Kardec.

“Em O Livro dos Espíritos, Kardec conta que sua conversão [crença na comunicação com os mortos] foi gradual. Levou dois anos. Não foi uma conversão súbita e emocional, mas sim pensada, refletida, ponderada; uma conclusão rigorosa a partir de um conjunto de 'princípios incontestáveis'. Para ele, o mundo espiritual era o prolongamento da vida concreta. E até mais importante, porque eterno. E passível de ser estudado cientificamente”. P. 34.

A doutrina espírita logo em seu início já adiantava que poderia haver erros ou má conduta dos espíritos contatados. Uma boa estratégia para sempre manter a religião espírita num patamar de veracidade. Se houve erro: a culpa é da interpretação do médium ou do espírito pilantra que quis enganar. Nunca será da própria estrutura de doutrinária e de crenças do espiritismo. Uma maneira esperta de continuar enganando.

“Como outras religiões, o espiritismo que chegava ao Brasil se apresentava como uma revelação, tal como a que tiveram Moisés ou Jesus Cristo. Ela não emanaria de Deus, mas de espíritos falíveis, por vezes trapaceiros, que, embora mortos, estavam perto dos vivos. Donde, para o destinatário da revelação, a necessidade de verificar e discutir tais mensagens.

Como Kardec mesmo dizia, o risco de erro e mistificação não seria jamais eliminado. Ele não tomava tais mensagens por verdades. Cada espírito poderia ensinar alguma coisa aos homens. Mas nenhum ensinaria tudo. Cabia ao interessado formar um conjunto de informações com a ajuda de documentos, ligando uns aos outros. Daí a importância da interpretação ‘científica e moral’, fundamental no kardecismo.” P. 39.

Como era um novo movimento espiritual que estava dando as caras, o espiritismo de Kardec naturalmente entraria em conflito com a igreja católica. Kardec tinha plena consciência disto e foi cauteloso quanto a essa delicada questão.

"De início, Kardec evitou se chocar com a Igreja. Não queria atrair a fúria de uma instituição que era um pilar político. Além disso, num país de cultura católica, seria suicídio exigir que os católicos escolhessem entre suas crenças e o espiritismo. Mas, a partir de 1864, quando suas obras foram colocadas no Index de leituras proibidas pelo Santo Ofício da Inquisição, tornou-se quase impossível conciliar catolicismo e espiritismo". P. 42.

O espiritismo nega ensinamentos centrais do cristianismo, e Kardec sabia dessas diferenças.

“Um dos pontos favoritos das teses de Kardec era a negação do inferno e de seus castigos eternos. Segundo ele, ninguém poderia acreditar numa tal ideia, incompatível com a da existência de um Deus, sinônimo de amor. O único critério de salvação não devia ser o medo, mas a retidão de princípios e a caridade. Fora dessa última não haveria salvação”. P. 42.

O catolicismo não aprovava e nem aprova a comunicação com os mortos, porém, isso é bem contraditório, visto que o fiel católico é orientado a rezar pedindo ajuda a Maria ou a um panteão de santos mediadores, ou seja, pessoas que já morreram. O que é a reza/oração, se não uma espécie de comunicação/diálogo entre quem pede (humano vivo) e entre quem o escuta e responde (Deus, Maria, santos), respondendo com um sim ou um ano, a prece do fiel?

“A Igreja, como já vimos, também movia sua guerra contra a doutrina [espírita]. Desde 1864, ela colocou no Index de livros proibidos as obras espíritas e perseguia a necromancia, ou seja, a comunicação com os mortos, a qual considerava maldita. A ordem era: que os padres respondessem às manifestações de espíritos com a arma tradicional, os exorcismos. Do ponto de vista do Santo Ofício, os espíritos eram assimilados a demônios, e os que os invocavam, a adeptos de Satã.” P. 94.

Toda religião é filha de seu tempo, portanto, por mais que o kardecismo pregasse a prática da caridade e do amor, o racismo estava incluso em suas práticas espirituais, tanto na Europa quando no Brasil. Em terras brasileiras, o espiritismo negro/africano já existia há séculos. Os seguidores de Kardec não queriam ser associados a eles.  

"No final dos anos 1880, com os grupos kardecistas mais organizados, a preocupação era não confundir espíritas e curandeiros. Havia discriminação. Afinal, os espíritos de índios e negros eram considerados pelos kardecistas ‘involuídos’ e ‘carentes’. Kardec, na verdade, nada escreveu a esse respeito. Porém, ao se referir a ‘povos bárbaros e antropófagos’, diferenciando-os dos civilizados, e ao considerar a escravidão um fator cármico, ele os convidava a evoluir espiritualmente." P. 72.

Pensou errado aqueles que decretaram o avanço ininterrupto da razão materialista rumo a uma sociedade sem religião e sem superstição. A França, um dos berços das Luzes estava afundada e crendices de todos os tipos.

“Em 1800, Napoleão quis conhecer o estado de 'superstição' na França, e em cada localidade representantes foram encarregados de anotar comportamentos 'irracionais'. A enquete revelou que, em todas as classes sociais, nas cidades ou no campo, crendices estavam bem vivas: magia, feitiçaria, lobisomens, curandeiros, possessão, evocação de espíritos… A França parecia tomada pelo sobrenatural. A crença em presságios e na adivinhação parecia mais forte do que o sentimento religioso”. P. 76.

A ironia da coisa é que o século XIX era a continuação do período das luzes (iluminismo), que apregoava que a razão e a ciência preencheriam todas as lacunas da existência. Mas aí vem o espiritismo e o sobrenatural e mostram que não seria assim não. A crença nos espíritos ganhava novo fôlego, e não recrudesceria com o avanço da medicina e ciências em geral. E assim tem sido desde então. Adentramos o século XXI, com a fé no além, nos espíritos, na comunicação com os mortos...

sexta-feira, 16 de março de 2018

Documentários Vistos (32)


Insetos: Uma Aventura Gastronômica anuncia uma tendência cada vez maior: dietas em que moscas, besouros, baratas, gafanhotos, larvas e tantos outros insetos farão parte do cardápio de um número cadA vez maior de pessoas. De acordo com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), em 2050, devido ao grande aumento populacional, os insetos serão parte importante do cardápio de bilhões de seres humanos. E não apenas de pessoas na África, Oriente ou Ásia (o que já é uma realidade há muito tempo), mas de países da Europa também. Os insetos são grande fontes de proteínas e outrós nutrientes essenciais à saúde humana. E não nos espantemos, os insetos são mais saudáveis do que os hambúrgueres que comemos. Pesquisas estão sendo patrocinadas para tornar os insetos parte de nossa alimentação diária. Mas os pesquisadores do vídeo estão preocupados com as grandes empresas, que provavelmente ocuparão os grandes mercados desses "novos" alimentos.


Maria, mãe de Jesus. Maria, mãe de Deus. Maria, Rainha dos Céus. Maria, mãe de toda humanidade. Maria, de vários nomes compostos - seja Aparecida, Guadalupe, Conceição...

O Brasil já pode ser considerado um país evangélico. O número de pessoas que frequentam as várias denominações protestantes, excedem em muito os que vão a missa aos sábados ou domingos. 

Contudo, ainda somos uma nação mariana. A América Latina de ponta a ponta, ainda adora, venera e cultua essa semideusa do catolicismo romano, seja na sua forma mais "tradicional", seja sob os auspícios do sincretismo africano ou indígena. 

Neste documentário, vemos a fé em Maria, manifestada de várias formas, até o caso curioso de uma devota, que insiste, assim como o protestantismo, de que ela não foi virgem a vida inteira. Essa devota dá a entender que até mesmo Jesus foi concebido normalmente pela via sexual, entre Maria e José, seu marido.


O suicídio tem sido uma constante entre adolescentes e jovens, que muitas vezes, sabem esconder muito bem as suas angústias internas, fazendo com que familiares e amigos pensem que está tudo muito bem com eles. Mas o vazio da alma está lá, destruindo a pessoa por dentro. Neste documentário, uma jovem que teve a sua melhor amiga levada pelo suicídio, resolve fazer algo para ajudar os jovens que estão sendo levados por essa maré de desespero que é a depressão. Uma atitude louvável e de amor ao próximo.


O veganismo me atrai. Mas só na teoria, pois não teria força e determinação para não ingerir carnes e derivados. Acho que eles estão certos em olhar com mais empatia, para bois, vacas, galinhas, carneiros e tudo que é animal comestível aqui no ocidente. Ingestão de carnes e derivados, é uma alimentação que tem como força-motriz, a violência e a tortura. Parece soar hipócrita, termos pena e compaixão de um cãozinho sendo morto e torturado, mas olharmos uma galinha como simples alimento. Ambos (cachorro e galinha) são sencientes, sentem dor. Não há diferença alguma entre eles quanto a isso. Mas por uma questão histórico-social, endeusamos um, e escolhemos o outro para ser torturado e nos servir de alimento.

Este documentário apresenta os motivos pelos quais o veganismo é uma legítima e a única posição verdadeiramente empática para com os seres sencientes. 

Eu mesmo sendo simpático (mas como continuo comendo carne, sou apenas um dissimulado para eles) a causa vegana, poderia lançar várias objeções válidas e até aparentemente tolas contra essa posição, todavia, como eles já são rejeitados pela grande maioria das pessoas e pelas grandes multinacionais de alimentos (verdadeira máfia), então deixa pra lá. 

Sei também que existem veganos malucos por aí. Querem invadir fazendas, frigoríficos e lugares privados, para colocar em liberdade os animais que ali se encontram, como é o caso de um casal que aparece neste vídeo. 


Os EUA apesar de seu histórico protestante, a partir da década de 1960 começou a dá profusão há um número infindável de seitas e cultos esotéricos dos mais pitorescos e estranhos possíveis. Não que aquele país já não tivessem em seu seio, seitas e religiões exóticas até então. Lembremos o boom do espiritismo moderno que começa lá, com as irmãs Fox. Lembremos que o pentecostalismo evangélico com suas línguas estranhas também tem o seu início lá. Tantas e tantas foram as seitas que tiveram a sua origem nesse país. 

Da segunda metade do seculo XX, em especial na Califórnia, práticas ocultas pulsam que nem ferida aberta. É um culto mais esquisito e excêntrico que o outro. As pessoas estavam cansadas do protestantismo hipócrita que reinavam entre as religiões majoritárias. 

Este documentário, sendo de produção protestante, obviamente desaprova esses cultos, visto que ferem os seus princípios de fé. Ele é antigo e traz entre os seus pesquisadores o icônico Teólogo Dave Hunt, conhecido pelas exaustivas pesquisas na área de seitas e religiões, e, é claro, sempre olhando a sua crença e fé com mais parcimônia e suavidade.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Filmes Vistos (18)



Acho que esta franquia só não supera em terror o filme Espíritos, de 2004. Sobrenatural 1 e 2 em vários momentos me deixaram com um frio na barriga. Achei bem macabro e assustador. O terceiro já não achei tão envolvente. A franquia assume a costumeira visão espírita da realidade, onde espíritos malignos de pessoas mortas infernizam a vida daqueles que ainda não partiram para o outro lado. A princípio pensei que seria mais uma típica história de poltergeists tão repetida ad nausean no cinema, mas Sobrenatural te coloca num ambiente espiritual insano e aparentemente sem esperanças, que deixa no chinelo todos os outros filmes sobre almas penadas, que se tem a torto e a direito pó aí. Se têm pessoas que viram e não se assustaram - comigo foi diferente. Fui surpreendido por uma ótima e criativa história. Excelente trilogia. E o quarto, já está nas telas do cinema.


Frank Lucas, uma lenda do tráfico de drogas na década de 1970, que aproveitando a longa estadia dos soldados norte-americanos no Vietnã, traficava quilos e mais quilos da mais pura heroína produzida neste país. O bandidão tornou-se um milionário em pouco tempo, sendo o maior senhor das drogas em Nova Iorque, monopolizando quase todo o mercado dos entorpecentes, com a sua "Magia Azul", nome dado as suas carreirinhas de cocaína. Pois bem, O Gângter vem trazer a impressionante ascensão deste negão do Harlem, protagonizado pelo inconfundível Denzel Washington. Filme muito bom.


Inquietante, doloroso e lancinante. Mas na mesma proporção, lindo, maravilhoso e esplêndido. Tensão do começo ao fim. Uma criança adquire uma doença degenerativa, que em poucos meses faz ela perder quase todas as suas capacidades motoras e cognitivas. O desespero se instala nos pais, para saber o que está havendo com seu filho. A criança é diagnosticada com Adrenoleucodistrofia (ALD), doença sem cura, que leva o paciente em não mais que dois anos. Os pais inconformados iniciam uma corrida frenética para buscar uma cura ou um tratamento adequado para o seu pequenino, visto que a medicina da época não dispunha de meios adequados, para tratar quem tinha essa doença. O pai incrivelmente, sem ser Médico ou Cientista, pesquisando por conta própria, os intricados caminhos da bioquímica, encontra a solução para evitar os sintomas da doença, conseguindo a proeza de prolongar a vida de seu filho e de todas as crianças que sofrem do mal da ALD. Foi além da comunidade científica, que devia ter descoberto o tal "óleo". Filme impressionante de verdade. Interpretações marcantes, cenas fortíssimas. Quem é pai ou mãe se sentirá muito desconfortável em assistir.


Mais uma história que aponta aquilo que já estamos cansados de saber: os males do vício em álcool. Denzel interpreta um piloto de avião viciado em bebidas e drogas, que se vê em um turbilhão de problemas, decorrentes de um acidente aéreo, ao qual ele era o comandante, matando 6 pessoas e ferindo outras centenas. A mídia e a população estão no seu encalço. O avião caiu porque ele estava sob o efeito de bebidas inebriantes? Como todo alcoólatra teimoso, ele não admite que é escravo das bebidas - que nem criança birrenta, bate o pé e diz: “escolhi beber, e paro quando eu quiser.” Num momento crucial, ele surpreende, tomando uma decisão que mudará drasticamente a sua vida. Um ótimo drama. Não me lembro de ver um filme desse negão que não tenha gostado.


Nossa, que filme! Que história! Como já disse outras vezes, não sou muito de ver filmes românticos. Mas este é formidável! Adaline, devido a um acidente não envelhece mais. Ficará com carinha e saúde de uma mulher de 29 anos para sempre. Mas os problemas advindos dessa condição lhe custaram muito caro.