“Ninguém pode exigir que qualquer mulher
branca atenda em ala ou quarto em que homens negros estejam internados. Livros
não poderão ser trocados entre escolas de brancos e de negros, e deverão
continuar sendo usados pela raça que os usou primeiro. Barbeiros de cor não
poderão atender a mulheres e meninas brancas.” (Mississipi – Leis de Conduta)
Um grande e comovente filme, que
traz a infeliz história do racismo, na década de 1960 nos EUA. A história se
passa na cidade de Jackson, interior do Mississipi, um dos Estados mais
racistas da América.
As empregadas domésticas "de cor" são as
protagonistas. Elas criam os filhos e filhas das senhoras brancas, educam, dão
conselhos, limpam as suas bundas, etc., para depois essas mesmas crianças
crescerem, perderem a pureza e inocência, virarem patrões, e finalmente,
perpetuar o racismo, preconceito e discriminação ensinados pelos seus pais e
sociedade.
O absurdo das humilhações que as
negras sofrem nas casas dos brancos são tão grandes, que uma das peruas brancas
resolve criar um projeto de lei, para que as domésticas tenham um banheiro
separado para fazer as suas necessidades. O motivo: os negros têm doenças
diferentes das pessoas brancas. Suas doenças são piores. Eles precisam mijar e
cagar em suas próprias privadas. O lema da época era “iguais, mas separados”.
A cena é a seguinte, a gostosinha
branca mais racista da trama está com vontade de cagar ou mijar (o filme não
diz o que é). Mas ela se recusa a usar o banheiro da casa de sua amiga, porque
a exemplo de sua casa, ali também a empregada negra usa o mesmo banheiro.
Aibileen: - Hilly, eu gostaria
que você usasse o banheiro.
Hilly: - Estou bem.
Mãe da Hilly: - Ela só está
chateada porque a negra usa o banheiro social e nós também.
Hilly diz a Aibileen: - Não
prefere que eles façam as necessidades lá fora? [...] cada centavo gasto com um
banheiro para negros será recuperado quando a casa for vendida. É perigoso.
Eles têm doenças diferentes de nós.
Histórias cruzadas também tem
como protagonista, uma linda jovem
branca, que não se encaixa nos estereótipos e obrigações sociais que a sua
cidade impõe. Ela resolve escrever um livro sobre o drama e experiências das
domésticas da cidade. Inicialmente duas começam a relatar as suas histórias e
depois conseguem angariar mais voluntárias para a composição do livro. Tudo é
feito às escondidas, visto que se a cidade souber que uma obra que denuncia os
abusos e humilhações que empregadas domésticas vivem diariamente, por anos a
fio, está sendo escrita pelas negras residentes de Jackson, a coisa vai ficar
feia para o lado delas.
O livro é finalmente publicado,
com muitos exemplares vendidos. Mesmo que a situação de humilhação ainda se
perpetue por muitos anos, foi um grande passo dado para emancipação dos negros
no Mississipi.
Dezenas de anos depois do
movimento pelos direitos civis, como será que está essa absurda e delicada
questão do racismo no Mississipi, principalmente no interior? Como é a relação
entre brancos e negros? A situação financeira dos afrodescendentes melhorou
desde então? Ou esse Estado ainda carrega os resquícios da segregação? Para
responder algumas dessas perguntas, basta dá uma olhada nessas matérias:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u449367.shtml
http://g1.globo.com/mundo/noticia/2012/07/casal-negro-americano-tem-casamento-negado-por-racismo.html
Quanto ao segundo link, ele
começa dizendo:
“Um casal do Mississippi, sudeste
dos EUA, sofreu um duro golpe quando o pastor da igreja que frequentavam
comunicou que o casamento não poderia ser celebrado no local por serem negros,
informou o canal ABC.”
“Ele [o pastor] afirmou que
vários integrantes brancos da congregação foram contrários, de forma violenta,
à celebração do casamento de Charles y Te'Andrea Wilson. Alguns o ameaçaram de
demissão.”
Ah, o amor cristão...
Link do filme:

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