sábado, 13 de fevereiro de 2016

O Teste da Fé


BANCEWICZ. Ruth. O Teste da Fé. Viçosa, MG: Ultimato, 2013.

“Algumas das questões levantadas pela ciência são as mesmas encaradas por qualquer pessoa. O que é esse universo, afinal? Se pararmos para pensar mais profundamente sobre isso, a própria presença do cosmo se mostra um quebra-cabeça. A maior das questões é: ‘Por que existe algo em vez do nada?’. Ela nos leva a toda sorte de buracos negros filosóficos, mas tem de ser encarada. De onde o universo veio? Há um Deus por trás dele? Essas são questões que todos – e não apenas os cientistas – precisam considerar.” P. 69. (John Briant).

O Teste da Fé (livro e DVD) traz o depoimento de duas dúzias de Cientistas cristãos sobre a relação entre Fé, Razão e Ciência. Todos eles têm uma fé cristã pungente e não se envergonham de acreditar na Bíblia e em Jesus Cristo. Só há um porém, aí: ao contrário do que muitos crentes conservadores e fundamentalistas poderiam pensar a priori, eles não são criacionistas, isto é, não defendem, não creem, não militam a favor do ensino, divulgação e pesquisas que tenham como ponto de partida o livro de Gênesis, contrapondo-o a Teoria da Evolução. Todos eles são evolucionistas e não olham para os textos bíblicos da mesma maneira que os Cientistas da Criação os interpretam. Com certeza o Adauto Lourenço (Físico criacionista) não curtiu isso. 

Para muitíssimos Cientistas e estudantes de graduação nas Universidades, é impossível fazer Ciência e manter a fé religiosa de um modo coerente e satisfatório. Até sabem e cultivam amizades com pessoas religiosas que levam a sua crença em Deus a sério, mas veem esse tipo de conduta com muita desconfiança. Alasdair Coles (Professor Sênior de Neuroimunologia Clínica na Universidade de Cambridge) relata a sua experiência quanto a isso:

“Neurologistas acadêmicos representam um grupo de pessoas pouco espirituais. É incomum, para um neurologista, ser ministro religioso oficial, pois conversas sobre religião e espiritualidade não são bem vistas. Não que eu tenha encontrado alguma hostilidade; certamente encontrei curiosidade, mas raramente um suporte positivo. A reação mais comum é o desinteresse ou o sentimento de que tudo isso seria levemente excêntrico.” P. 43.

Não obstante, para Coles, reduzir tudo a explicações naturalistas é limitar o conhecimento e a nossa percepção da realidade.

“Alguém pode explicar uma pintura com base nos produtos químicos que compõem as tintas a óleo. Essa seria uma explicação perfeitamente verdadeira, mas a maioria das pessoas consideraria profundamente insatisfatória como explicação de uma pintura. Elas diriam que ‘há mais nela do que isso; alguém a fez, ela tem um significado que depende dos óleos, mas, em última instância, não tem nada a ver com eles’. Os pensamentos e o comportamento humanos são dependentes, mas, de algum modo, estão separados do material do cérebro.” P. 42.

Como manter a fé num ambiente onde um de seus pressupostos é o naturalismo? Como acreditar piamente na Ciência e ainda crer que um ser obscuro, estranho e inacessível possa interferir na ordem das coisas, mediante orações e preces? Para Jennifer Wiseman (Ph.D em Astronomia na Universidade de Harvard e Chefe do Laboratório de Astrofísica Estelar na Divisão de Astrofísica Ciência na NASA), isso nunca foi um problema:

"Nunca temi que a minha fé fosse ameaçada por frequentar uma universidade secular. [...] Não penso que o mundo físico, das forças materiais, seja tudo o que existe. Acredito que há um Deus Todo-Poderoso que é responsável pelo universo e que há um mundo espiritual que não pode ser medido com nossas ferramentas científicas. É nesse mundo espiritual que Deus também está ativo". P. 49, 53-54.

A Ciência seria uma forma de exaltar o poder e soberania divina.

“Eu penso que a exploração científica é uma forma de glorificar a Deus, pois explora o que ele criou.” P. 58.

Enquanto muitos estudantes cristãos acabam se deparando com muitas questões e descobertas científicas que podem abalar a sua fé, para John Briant (Ph.D em Bioquímica na Universidade de Cambridge, com Pós-Doutorado na Universidade de East Anglia), a sua vida acadêmica sempre foi tranquila quanto a isso:

"A relação entre ciência e fé nunca me assustou. Nunca me pareceu que realmente houvesse um choque entre elas. Tive de pensar a respeito de algumas coisas e elaborá-las, e, embora haja aquelas para as quais nunca teremos uma resposta, isso nunca me assustou". P. 63-64.

Bill Newsome (Ph.D em Neurobiologia no Instituto de Tecnologia da Califórnia e Professor de Neurobiologia na Escola de Medicina da Universidade de Stanford, EUA) admite sem nenhum pudor a precedência da sua fé cristã sobre a ciência:

“Eu amo a minha atividade científica e tenho sido muito gratificado por seu sucesso, mas, se alguém pusesse uma arma na minha cabeça e dissesse: ‘Bill, escolha entre a sua ciência e a sua fé’, não tenho dúvida de que eu escolheria a minha fé antes da minha ciência, pois ela é a parte mais fundamental e mais profunda de quem eu sou como ser humano.” P. 76.

Talvez muitos ateus e pessoas não muito afeitas a religião, que se julguem ultrarracionais, fiquem horrorizadas com tal declaração. Um pecado imperdoável vindo de um Cientista. Em contrapartida, quantos desses "livres pensadores" seriam racionais e imparciais diante das evidências? Quantos aceitariam as descobertas científicas ou evidências filosóficas, que porventura viessem a abalar suas certezas materialistas mais caras? Desconfio da racionalidade e comprometimento desapaixonado na busca da verdade, da maioria dos que esbravejam furiosamente contra a fé, Deus e a religião. Será que muitos deles também não se encaixam no que o Newsome diz logo abaixo?

“Quando vamos a fundo, descobrimos tipicamente que as pessoas que respondem com todo esse calor emocional [contra a fé], normalmente, tiveram em seu passado alguma experiência muito desagradável, a qual é a causa da sua raiva.” P. 85.

Em complemento, cito as palavras de John Polkighorne (ex-Professor de Física na Universidade de Cambridge, Pós-Doutor em Física no Instituto de Tecnologia da Califórnia):

“Lembro-me de um amigo bioquímico, ótima pessoa, que me disse anos atrás: ‘Eu simplesmente não quero que exista um Deus’.” P. 126.

Creio que eles acentuam bem a questão. Salientando também que muitos crentes têm aversão a Ciência com um enorme temor de que esta possa contradizer as suas crenças bíblicas. E na verdade, ela até contradiz mesmo.

Ainda nas palavras do Polkighorne, ele confirma o que eu já tinha lido de outra fonte, de que entre os Cientistas, os Físicos estão entre os que mais estão propensos a crer:

“É provavelmente verdade que os físicos são muito mais abertos a questões de fé do que outros cientistas. Penso que há várias razões para isso. Uma é que os físicos olham a realidade a partir de certa perspectiva, na qual o mundo é belissimamente ordenado e há um tipo de religiosidade cósmica natural que emerge dessa experiência. Não é irracional perguntar se há uma ‘mente’ por trás de tudo isso.” P. 126.

Quanto ao mito popular, que até muitos universitários confusos e apressados pensam, de que a Ciência está baseada estrita e absolutamente em fatos, Polkighorne os contradiz:

“As pessoas dizem que a ciência lida com fatos, certezas e coisas do gênero, mas é claro que isso não é verdade. A atividade científica é a relação entre a teoria e a experimentação, de modo que precisamos da teoria para interpretar o experimento. O experimento confirmará ou refutará a teoria. Isso é algo muito mais sutil.” P. 126-127.

Simon Conway Morris (Professor de Paleobiologia Evolucionária da Universidade de Cambridge, Inglaterra), no DVD afirma que a Teoria da Evolução e ateísmo não caminham necessariamente de mãos dadas.

“Você pode dizer: ‘sou biólogo evolucionista, sou ateu’. Essa é uma posição válida. Eu não a adoto. Mas não podemos afirmar: ‘Evolucionismo e ateísmo caminham juntos’. Isso não tem fundamento. Evolucionismo é uma teoria, tem de estar inserido em um sistema metafísico, e temos de decidir quais sistemas metafísicos é o mais empolgante, qual deles tem mais potencial, qual deles lhes dá coceira nas mãos. Niilismo? Bem, não obrigado.”

Quanto a isso, eu creio que a Teoria da Evolução nos termos em que é formulada, leva forçosamente ao ateísmo. No entanto, alguns Filósofos e Cientistas têm invertido essa relação. Por exemplo, Alvin Plantinga (Ph.D em Filosofia pela Universidade de Yale) tem argumentado que a evolução corretamente interpretada é uma evidência poderosa a favor do teísmo. Seguindo Plantinga, também está William Lane Craig (Ph.D em Filosofia na Universidade de Birmingham, Inglaterra).

Muitos outros Cientistas participaram da composição do livro e documentário, trazendo suas histórias, sua relação com a Ciência, vida acadêmica, Deus, Religião, Jesus, e, como tudo isso afeta as suas vidas. Apenas dei umas pequenas pinceladas dispersas sobre o que dizem alguns deles.

Livro e DVD muito agradáveis de ler e assistir. Mais uma obra em português que vem mostrar a relação entre Ciência e Religião, revelando que ambas podem andar juntas, sem necessariamente se digladiarem.

domingo, 7 de fevereiro de 2016

Apocalypto


Apocalypto, produzido entre 2006 e 2007, retrata um pouco da história dos povos pré-colombianos aqui na América do Sul, mostrando como eles viviam, caçavam e se relacionavam entre si. Mostra mais precisamente os povos que nos são conhecidos como os maias. Um povo que dominou toda a região que hoje nós conhecemos como a América Central e ainda uma pequena parte do país conhecido atualmente por México.

O filme começa mostrando um pouco de como era a vida de uma pequena e inexpressiva tribo que ainda não tinha se submetido ao regime do grande império maia. Essa tribo juntamente com outra é capturada traiçoeiramente pelos guerreiros maias. E assim começa o sofrimento dos homens, mulheres e crianças que dela faziam parte. O interessante é que os guerreiros maias não atacam as crianças; elas são abandonadas e ficam para trás sem rumo a seguir, já que os seus pais foram mortos ou capturados para serem levados ao império desses guerreiros.

O filme é muito interessante e empolgante, pois, percebe-se pelas cenas que foi muito bem feito e produzido. As cenas que compõem as lutas entre os guerreiros são bem violentas e deixam o telespectador bem vidrado nele. É um filme histórico e de ação ao mesmo tempo.

Quando os sobreviventes masculinos dessas duas tribos chegam a capital do império maia, servirão para “matar a sede dos deuses” em sacrifícios. Eles mesmos serão sacrificados para que venha a prosperidade sobre o império. O filme mostra a cidade opulenta dos maias. A imagem que ele traz dessa cidade é assustadora e macabra; um inferno na terra. Mostra os sacerdotes sacrificando pessoas no alto das pirâmides e a população lá embaixo vibrando por cada cabeça cortada que sai rolando escadaria abaixo. São cenas chocantes, no entanto, retratam um pouco do que eram os rituais religiosos dos povos maias.

Um a um os guerreiros capturados vão sendo sacrificados. Mas chega uma hora em que acontece um eclipse solar e os sacerdotes interpretam o fenômeno como uma aprovação e saciedade dos deuses diante dos inúmeros sacrifícios que lhes foram feitos. Alguns desses guerreiros não precisaram ser sacrificados, mas algumas cenas depois são mortos. Porem, um dos guerreiros sobrevive e consegue fugir. Os guerreiros maias vão atrás dele e assim o filme nos proporciona cenas de tirar o fôlego nessa eletrizante perseguição. O guerreiro fujão consegue ser bem-sucedido e reencontra a sua mulher e seus dois filhos. O filme acaba com os espanhóis chegando à praia e o protagonista do filme com a sua família em busca de um “novo começo”, que é o significado do nome “Apocalypto”.

No entanto, apesar de ser um filme que vale a pena ser visto, pelas suas cenas de ação e pelo enredo – a meu ver, tem uma pitada bem sutil de ideologia eurocentrista. De maneira implícita, e poder-se dizer, até de uma maneira subliminar, a película quer evidenciar a “incivilidade”, “crueldade” e “inferioridade” da cultura desses povos perante a “civilidade” e “humanidade” dos europeus. Infelizmente poucas pessoas que assistirem perceberá isso. 

Fica implícito com a chegada dos europeus na praia, que com a sua presença, a “crueldade” desses povos chegará ao fim. Os cristãos, “servos do Deus verdadeiro” irão “trazer a luz” a esses povos “imersos nas trevas”.

O filme realmente é muito bom, mas peca na ideologia em que está comprometido. Uma ideologia eurocentrista e etnocêntrica. Não é à toa, que o filme tem cenas com muito sangue do começo ao fim, dando a entender que esses povos eram bárbaros e precisavam ser “salvos” pelos europeus.
  
Relacionando ele com o livro A América que os europeus encontraram, de Enrique Peregalli (Licenciado em História pela USP e Mestre pela PUC-SP), este trabalha numa linha de pensamento completamente contrária ao que o filme nos passa. Por exemplo, o texto intitulado “O choque de duas civilizações”, ele nos diz que os espanhóis estavam:

“Impacientes por se tornarem ricos, os marinheiros de Colombo não se conformaram com os presentes em ouro e prata dados pelos pacíficos habitantes dos trópicos e começaram a saquear as aldeias indígenas. O total desprezo pela população local pode ser retratado nos divertimentos preferidos dos espanhóis: o tiro ao alvo sobre seres vivos, o espetáculo de verem cães de guerra esquartejarem camponeses, caçada humana, estupros...” P. 05.

Os espanhóis não eram mais evoluídos, civilizados, humanos ou mais próximos de deus que os povos que habitavam a América. Pois eles fizeram muitas atrocidades em busca de riquezas.

“Os europeus dizimaram os construtores de uma civilização que em muitos aspectos superava a sua.” P. 06.

O texto do Peregalli nos diz acertadamente que “existiam nessas terras brilhantes civilizações, em muitos aspectos superiores à européia”. P.69. O Peregalli nos revela os argumentos dos americanistas e eurocentristas em relação à chegada dos europeus a este lado continente.

É bem patente a visão americanista do Peregalli, visto que ele se posiciona terminantemente contra a visão eurocentrista. Por exemplo, ele considera uma falácia, na argumentação eurocentrista, a ideia de que a destruição dos indígenas foi “involuntária”. Pois, ela foi orquestrada e sistematizada para facilitar a extração de riquezas dessas terras. O que se nota, e o texto nos informa muito bem sobre isso – é que a visão eurocentrista é completamente falaciosa. Os europeus chegaram nessas terras, e destruíram sem dó e piedade os povos que aqui já estavam estabelecidos há muito tempo. Eles não queriam “civilizar” esses povos. Queriam apenas as riquezas e o trabalho que os indígenas podiam proporcionar.

O texto exibe uma pequena biografia de Colombo, Pizarro e Cortés – as três figuras que foram bastante importantes para a colonização da América. Colombo foi um pragmático em assuntos de navegação, religioso em sua interpretação do mundo que acabava de conhecer e muito conivente com os abusos sexuais e violência de seus homens para com os índios. Cortéz foi um intelectual e um geopolítico. E finalmente, Pizarro, um analfabeto muito ambicioso e considerado o mais sanguinário dos conquistadores espanhóis.

Em minhas considerações, admito que o Peregalli não é conclusivo em seus argumentos. A sua obra não encerra o debate nessa polêmica questão. Algumas de suas argumentações para legitimar o pensamento americanista precisam ser melhoradas. No entanto, entre escolher a visão eurocentrista implícita no filme Apocalypto e a visão do Peregalli, com certeza fico com a segunda. Pois vejo que a América Latina até os dias atuais sofre as consequências dos mandos e desmandos que os europeus fizeram aqui.

REFERÊNCIAS

PEREGALLI, Enrique. A América que os europeus encontraram. São Paulo: Atual, 1994. 

Tabu América Latina: Espetáculos Únicos


Até onde vai o direito dos animais?

Quais são os limites que nós, seres humanos, devemos ter no tratamento que dispensamos a eles?

Seriam as rinhas de galo, moralmente erradas?

Os rodeios, onde touros são feridos até a morte, não são contra o princípio da empatia que devemos ter, visto que os animais também são seres sensíveis (sentem dor)?


A NatGeo levanta nesse episódio da série Tabu América Latina, essas e outras perguntas, que eu mesmo, não consigo ter respostas coerentes e satisfatórias. Ao mesmo tempo em que senti indignação ao ver touros, cavalos e galos, por meio do seu sofrimento e dor, servirem para o puro entretenimento e lucro de seus organizadores e apostadores, sinto que esse meu senso de “empatia” e de “justa indignação” perante os maus tratos desses animais, dá de cara com a parede, quando lembro que todos os dias, saboreio uma coxa de frango, um bife de carne...


Muito simples de entender: Podemos apontar o dedo em riste e jogar na cara desses filhos da puta que fazem essas rinhas, o seguinte:

“Vocês se divertem e ganham dinheiro, com o sofrimento e tortura desses animais. Vocês queriam estar no lugar deles? Queria ver, se fossem vocês! Não se incomodam com o fato de que eles sofrem bastante, e não queriam estar lutando? Não lhes resta um pingo de consideração e empatia?”

São apontamentos legítimos? Sim, são. Mas eles poderiam legitimamente responder:

“Vocês se deliciam e ganham dinheiro, com a morte desses animais para se alimentarem. Eles vivem em gaiolas minúsculas, tomando hormônios e outras coisas mais, para engodarem, além de suas capacidades naturais, para vocês encherem a pança. Vocês queriam estar no lugar deles? Queria ver, se fossem vocês! Não se incomodam com o fato de que eles sofrem bastante, e não queriam lhes servir de alimentos? Não lhes resta um pingo de consideração e empatia?”

Como se vê aquele que atirou a pedra primeiro, pode esperar, que ela virá como um bumerangue de volta. Não são questões fáceis. É um problema ético muito difícil e espinhoso.

E mesmo eu me alimentando todos os dias de carne, ainda acho que uma sociedade mais evoluída (mais evoluída segundo que padrão?) não deve tolerar nenhum tipo de rinha de galos, touradas ou quaisquer outros eventos que venham torturar os animais. Incoerente? Sim, incoerente. Como eu disse, não tenho uma resposta adequada e justa para a questão. Mas quem diabo se importa?  

África


Cinco documentários espetaculares foram feitos para a série África. Todos com imagens de encher os olhos, com filmagens incríveis da fauna e flora do continente, que merecidamente é conhecido com a Mãe África.


O deserto de Kalahari, o deserto do Saara, o Congo entre outros lugares são registrados, com toda a sua diversidade de vida e exuberância. A BBC como sempre, primou pela perfeição e excelência, em mais um de seus documentários sobre a natureza.


Claro, que já estamos acostumados a ver, até mesmo na TV aberta, produções sobre a natureza africana – leões, gnus, leopardos, elefantes, crocodilos, águias, rinocerontes... Mas nunca é demais rever toda essa bicharada.


Apesar de os países africanos estarem entre os mais pobres e oprimidos do planeta, devido às espoliações dos países europeus, num passado não muito distante, guerras civis, corrupção, entre diversos fatores sociais e até religiosos, a África coloca tudo isso de ponta-cabeça com a sua maravilhosa e multifacetada natureza.


Fantástico os cinco documentários!  

sábado, 6 de fevereiro de 2016

Conheça os Mórmons

Documentário sobre os mórmons, produzido pela própria igreja deles (Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias). São apresentadas seis famílias que fazem parte desta igreja. Suas histórias de vida e relacionamentos com a sua religião e comunidade são mostrados, evidenciando uma existência “feliz” e cheia de “significado”. Famílias perfeitas, sorridentes, que encontraram a “verdade” que os “libertaram”.

O vídeo não tem a finalidade de expor as doutrinas peculiares do mormonismo em relação às outras denominações cristãs. Não se preocupa em dizer o motivo de acreditarem no Livro de Mórmon como escritura sagrada em pé de igualdade ou até acima da Bíblia.

É fácil produzir um documentário-propaganda de qualquer religião. Basta colocar na tela pessoas felizes, sorridentes e aparentemente satisfeitas com a crença que abraçaram. Adventistas do Sétimo Dia, Testemunhas de Jeová, Assembleia de Deus, podiam certamente produzir filme semelhante, afirmando que “encontraram” deus em suas respectivas igrejas.

O que essas igrejas não escancaram nesse tipo de vídeo-propaganda são os podres que carregam. Elas não dizem como são encarados aqueles, que um dia tomam coragem de abandonar as crenças que todos compartilham, pelo fato de não acreditarem mais nas maluquices que elas ensinam. Ai, meu amigo, muitas vezes, quando isso acontece, o cacete come. Em algumas, a pressão é menor, noutras, a pressão e perseguição atingem níveis absurdos.

Essa é a pluralidade da fé e da crença. A subjetividade em seu grau máximo. A religião consegue transformar e mudar as pessoas. Às vezes para melhor; às vezes para pior. A(s) religião/religiões organizada(s) é (são) parte essencial das sociedades. Querer ir contra isso, é querer ir contra a essência humana na busca pelo transcendente. Cabe a cada um, buscar aquilo que lhe faça bem.

Mas aí entra uma questão muito importante: e se aquilo que me faz bem está baseado em mentiras? Vale a pena viver na ilusão e proteção que a ignorância me dá? É exatamente isso, que penso da igreja mórmon, na medida em que não existe uma evidência ínfima que seja de que o Livro de Mórmon seja verossímil do ponto de vista histórico. Se tal crença está ancorada num livro que diz ser a palavra de deus, no entanto, se o mesmo é inverídico, conforme nos mostra a História e a Arqueologia, o que sobra para os mórmons? O “ardor” que eles dizem sentir no peito provando que tal livro e igreja são a verdade? Isso é o suficiente para pessoas inteligentes, racionais e que pensam criticamente ou serve para pessoas frágeis emocionalmente, que precisam desesperadamente serem consoladas?

No final das contas a igreja mórmon é mais uma religião/igreja que reivindica arrogantemente, sem nenhuma modéstia, a pecha de única igreja verdadeira e baluarte da única fé que honra a deus. O pior que sem nenhuma evidência, mas apenas baseados num livro obscuro que não possui nenhum indício que comprove historicamente, pelo menos uma história (estória) narrada em suas páginas, como já tinha dito.

Um livro que li há muitos anos, Os Fatos Sobre os Mórmons, é simplesmente demolidor em refutar as reivindicações mórmons, sobre Teologia e História. Talvez eu ainda faça uma postagem resumindo-o.

Lembro que na parte final dele, mostra-se um breve panorama da igreja mórmon no Brasil. Contando-nos o fato constrangedor de que até 1978, a igreja não aceitava que pessoas negras pudessem se tornar líderes de suas comunidades, visto que eram consideradas inferiores. Uma lamentável herança do racismo entranhado vindo dos EUA, lugar de onde essa igreja se originou.

Mesmo com todas as críticas que tenho a essa religião, ainda tenho mais simpatia por ela do que pelas testemunhas de jeová. Estes são mais alienados. Nas experiências que tive com membros de ambas as religiões, pude constatar que os primeiros estão mais abertos ao diálogo. As testemunhas nem ler literatura de outras religiões podem. Se forem pegas, estão lascadas. Serão disciplinadas. E se continuarem na "rebeldia", a excomunhão, ou desassociação, termo que elas preferem, é o caminho. 

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Dawg Fight


O que o futuro reserva para milhares de jovens negros da periferia da grande cidade de Miami, EUA? Muitos são vagabundos e não valem o chão que pisam. Mas numa proporção muito maior, existem pessoas que querem ter um lugar ao sol, e para isso procuram trabalho e muitas vezes não conseguem. O que fazer?

Dhafir Harris, um morador de um desses guetos, começou a organizar lutas de boxe, no quintal de uma casa. Recrutando vários jovens da comunidade, para lutarem entre si, para que eles pudessem ter dinheiro para poder alimentar e ajudar suas famílias. O negócio deu tão certo, que os vídeos das lutas bombaram no Youtube, e as lutas começaram a ganhar uma proporção jamais imaginada por ele e seus pupilos. Toda a vizinhança e pessoas de outros bairros iam assistir as lutas e fazer suas apostas.

Alguns jovens se destacaram, e foram contratados para lutarem profissionalmente MMA. Harris não tinha nenhum lucro nessas lutas de fundo de quintal, o pouco dinheiro que arrecadava, era para pagar os gladiadores que entravam em seu ringue.

O problema encontrado por eles, é que as lutas de rua são proibidas, são ilegais em Miami. A qualquer momento a coisa podia ficar feia para Dhafir. Caso algum lutador morresse em combate, tanto Dhafir como o oponente que o tivesse “matado”, seriam automaticamente presos, e passariam algumas décadas na cadeia.

No final do documentário, o próprio Dhafir, profissionaliza-se e começa a treinar pesado para sua primeira luta em um octógono. Tardiamente com 32 anos, ele começa a lutar oficialmente no MMA, e ganha a sua primeira luta contra Killa Gorilla, em um nocaute de poucos mais de dois minutos de luta.

Muito legal ver esse tipo de iniciativa de uma comunidade que infelizmente não tem uma perspectiva de vida garantida como a sociedade dos brancos. Se o Estado não provê os meios necessários, justos e adequados para essas pessoas ascenderem na vida, eles precisam procurar os seus próprios meios.

O caminho trilhado não precisa ser o das drogas, tráfico, roubo e outras coisas ilícitas. Dhafir observou um potencial vencedor nesses jovens, e muitos deles puderam ter uma chance real de poderem mudar de vida e terem um futuro melhor.  Confiou nesses jovens e em si mesmo, e bons resultados apareceram com muito suor, garra e determinação.

Que as coisas deem certo para todos eles. Que o mundo da criminalidade passe longe de seus pensamentos.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

O Homem dos Músculos de Aço


Documentário antigo, lançado em 1977, sobre o maior fisiculturista da época ou de todos os tempos, Arnold Schwarzenegger. Os protagonistas, além do Arnold, são o seu amigo Franco Columbu e o jovem Louis Ferrigno. Este último é o lendário Incrível Hulk, o monstro verde daquela série meio trash dos anos 70 e 80.

Os três disputam o Mr. Olympia de 1975, na África do Sul. Nessa época, o Arnold já tinha vencido 5 Mr. Olympia consecutivos. Seria o último campeonato disputado por ele no fisiculturismo profissional. E não deu outra, ele se sagra hexa campeão.

Durante todo o filme, percebe-se em suas falas, um Arnold feliz, de bem com vida, extrovertido, e por vezes irônico. E também é fácil ver uma certa arrogância em seus discursos. Mas para quem já tinha ganhado 5 vezes o maior e mais prestigiado torneio dos homens mais fortes e mais bem esculpidos, realmente fica difícil não deixar transparecer um certo orgulho e vaidade de si.

Arnold fala de sua paixão pela musculação:

“A melhor sensação que existe numa academia, o mais satisfatório é o esforço do músculo. Digamos que você exercita o bíceps. Os músculos se enchem de sangue, e você sente isso. Os músculos ficam enormes, como se a pele fosse arrebentar de imediato. Ficam enormes, como se alguém os estivessem inflando com ar. Eles inflam e você fica diferente. É fantástico. Para mim é tão satisfatório como um orgasmo. Como ter relações com uma mulher e ejacular. É como tocar os Céus com as próprias mãos. Tenho essa sensação de orgasmo na academia, na minha casa, nos bastidores, quando exercito, e quando poso diante de 5.000 pessoas. Tenho orgasmos o dia todo. É genial, não? Estou no paraíso.”

Diz qual é o caminho para ser um campeão:

“O corpo não está acostumado a levantar nove, dez, onze ou doze vezes o mesmo peso. Atravessar essa barreira da dor faz com que os músculos cresçam. Uns sentem dor nos músculos e continuam sem parar. E as últimas das três ou quatro repetições fazem com que os músculos cresçam. É o que separa o campeão de alguém que não é. Se atravessar a barreira da dor, pode ser um campeão. Se não atravessar, esqueça. É isso que falta na grande maioria, garra. Garra para dizer: vou chegar até o final custe o que custar.”

Um atleta tão focado em ser o melhor, que nem ao enterro de seu pai, ele foi, para que isso não atrapalhasse a sua concentração nos treinos e no campeonato que se aproximava:

“Se quer se campeão, não pode deixar que nenhuma força negativa o afete. Se antes de um concurso me envolvo com uma garota, isso pode ter um efeito negativo em minha cabeça e anular meus esforços. Assim devo reprimir as emoções e permanecer frio, de certo modo, antes de cada concurso. E com as outras coisas é feita a mesma coisa. Se alguém me rouba o carro nesse momento, não me importaria. Não posso deixar que me afete. Eu iria rir e diria para me avisar a seguradora. Não posso deixar que isso me afete. Eu me preparei pra isso. Para ficar frio e não permitir que as coisas me afetem. De certo modo, foi triste quando meu pai morreu. Porque minha mãe me avisou por telefone e me disse, seu pai morreu. E faltavam dois meses para um concurso. Ela perguntou se eu ia ao enterro e eu disse que não. É tarde demais. Não posso fazer mais nada. Sinto muito, mas não posso ir.”

Ele fez o certo? Acho que sim. Ir ao enterro do pai, não o traria de volta e ainda poderia lhe custar à derrota na competição dois meses à frente.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

God Loves Uganda



“Evangélicos norte-americanos são muito poderosos em Uganda. E esse poder é usado para oprimir aqueles que tentam questioná-los.”

Esse documentário analisa o papel missionário que as igrejas evangélicas conservadoras têm feito em Uganda, no continente africano.

Para os documentaristas, o papel desempenhado por essas igrejas, tem prejudicado o país. Os missionários e pastores têm influenciado a política para criarem leis que estão de acordo com a sua visão religiosa. Querem transformar Uganda numa teocracia evangélica. Claro que eles dirão que não querem isso, mas que apenas almejam uma nação firmada nos valores do seu deus. E para isso, eles usarão o parlamento, para que leis favoráveis a sua visão de mundo sejam aprovadas.

Uma dessas leis foi o Projeto de lei Anti-Homossexualidade de 2009, que punia as pessoas que fossem pegas em atos homossexuais. Pastores evangélicos estavam por trás dessa lei, influenciando o parlamento.  O que essa lei, caso aprovada, previa? Um bispo contrário a ela, revela:

“O membro do parlamento David Bahati propôs um projeto de lei para punir as pessoas comprometidas em relações entre o mesmo sexo na Uganda. As pessoas que tentarem cometer a ofensa da homossexualidade podem receber a pena perpétua, se forem condenadas. Se a pessoa for reincidente, o projeto declara que a pena de morte seja obrigatória.”

A questão do uso do preservativo, também é analisada. Os evangélicos têm usado a sua força político-religiosa para que os ugandenses boicotem a camisinha, e optem pela abstinência sexual, até o casamento. Acontece que o vídeo dá a entender timidamente que esse tipo de discurso tem prejudicado o combate a doença.

Quanto a minha opinião sobre o que foi mostrado, eu não me surpreendo com esse tipo de lei (anti-homossexualidade) sendo incentivada por ativistas evangélicos. Esses pastores e missionários norte-americanos, caso tivessem o mesmo poder de influência em seu país, com certeza, iriam querer que leis semelhantes vigorassem nos EUA. Mas como esse poder, eles não possuem por lá, vão aos países africanos, para “consertarem” o continente. Já que não conseguem “consertar” o seu próprio país.

E aqui no Brasil, milhões de evangélicos, se possível, teriam a mesma postura. Livros (de autores dos EUA) que incentivam a crentaida a tomar conta de todas as esferas da sociedade estão aos montes nas prateleiras. Obras que incentivam a leis que proíbam o divórcio, que obrigue o criacionismo nas escolas, são apenas alguns exemplos.

Essa ideia (anti-homossexualidade) retrograda que foi aprovada em 2014 (parece, que sem a pena de morte), em Uganda, tem gerado muitas perseguições aos homossexuais. Um dos líderes do movimento LGBT ugandense foi assassinado, exatamente pela onda de violência que varre o país contra as pessoas que não se encaixam no padrão heterossexual. E os evangélicos tem muita culpa nisso.  

Quanto à questão da abstinência, o vídeo deveria mostrar números que provassem que esse discurso é fantasioso e idealista. Senti falta de argumentação nesse sentido. Até onde tenho conhecimento, o discurso de se abster do sexo gerou resultados satisfatórios na diminuição da AIDS e DSTs, em Uganda. Só não se deve combater o vírus da AIDs, promovendo um método (abstinência) e boicotando outro (camisinha). Que é exatamente o que esses fanáticos evangélicos estão fazendo. Não tenho nada contra esses dois métodos, eles até se complementam. Até acho benéfico que uma população seja ensinada a ser diligente no sexo. Mas não da maneira paranoica que os evangélicos doutrinam aqueles que caem em suas garras.

O documentário é muito bom, e serve para denunciar o que essas igrejas conservadoras e pentecostais andam fazendo na África. Mas não acho que as igrejas evangélicas não tenham feito coisas boas por lá. Parece que o objetivo do vídeo é passar a imagem de que os evangélicos conservadores só têm feito merda em Uganda. O que não concordo.

300


Sempre quando estudamos a história da Grécia antiga, no ensino fundamental ou médio, não tem jeito, sempre o foco do estudo recai sobre Atenas e Esparta, por terem sido as mais importantes e influentes cidades-estados da época. Dificilmente veremos nos livros didáticos, algo relacionado sobre as outras cidades da Grécia. Quando muito, Tebas, ou outro centro urbano, são mencionadas só de relance.

No filme em questão, o foco é a belicosa e orgulhosa cidade de Esparta, tendo como seu líder, o rei Leônidas, que lidera uma guerra sangrenta e mortal contra o poderoso império persa, comandado pelo rei Xerxes, interpretado pelo ator brasileiro, Rodrigo Santoro. Que, aliás, está fantástico nesse papel. Gostei muito da atuação dele.

No inicio da trama, o filme nos mostra (e isso é verdadeiro do ponto de vista histórico) como era a criação de um menino espartano:

- Recém nascido doente ou fraco deveria ser jogado do alto de um despenhadeiro para morrer.

- Aos sete anos o menino começava o seu intenso e rigoroso treino militar. Era ensinado a passar fome, a bater, a apanhar e se possível, até matar. 

- Era-lhe passada a mensagem de que lutar e morrer por Esparta seria a maior glória de sua vida.

O rei Xerxes no auge de sua arrogância manda um mensageiro a Esparta, exigindo que ela se submeta a Pérsia. Leônidas e seus soldados dão um recado muito claro ao rei Xerxes, matando o mensageiro deste. Esparta não se submeteria a autoridade nenhuma.

O filme é uma ficção que tem como pano de fundo, a batalha de Termópilas, uma das várias batalhas que os gregos tiveram de travar contra os persas. Não tem o intuito de ser fiel a documentação histórica que chegou até nós. Mesmo assim, é um bom entretenimento. E ainda tem, para quem acredita e gosta, frases de autoajuda e de efeito, ditas pelo rei Leônidas, de que devemos sempre lutar e nunca desistir de batalharmos pelos nossos objetivos e sonhos, mesmo diante das situações mais difíceis e intransponíveis que nos sobrevém.

“Espartanos! Preparem-se para a glória!
Espartanos nunca recuam.
Espartanos nunca se rendem.
Não recuaremos e não nos renderemos.
Essa é a lei de Esparta.
E pela lei de Esparta, ficaremos para lutar e morrer.”

Em todas as batalhas de 300, os soldados espartanos, sempre dão um mói de peia grande no imenso exército persa. Quanto mais soldados, o rei Xerxes manda para o campo de batalha, mais e mais o número de mortes aumenta entre eles. Até uma espécie de zumbi gigante aparece para destruir os espartanos, mas esse tem a mesma sorte dos outros soldados: a morte.

Porém os soldados espartanos acabam morrendo no final, por terem sidos traídos pelo parente distante do corcunda de Notre Dame. Uma criatura bem bonitinha, que acaba traindo o exército espartano, por fazer parte dele. 

Os espartanos acabam morrendo diante dos persas. Porém, morrem felizes e satisfeitos, por estarem lutando pela sua amada cidade. A morte torna-se a maior glória deles.

300 é diversão garantida.

domingo, 31 de janeiro de 2016

An Honest Liar


Meu primeiro contato com James Randi foi através do programa Fantástico, na rede Globo. Acho que há uns 15 anos, ou mais. O velhinho sósia do Papai Noel desafiava qualquer um a lhe provar que tinha poderes paranormais. Caso provassem concretamente que possuíam poderes não explicados pela Ciência, o Noel lhes premiaria com 1 milhão de verdinhas. A Globo durante alguns domingos ia mostrando o barbudo desmascarando um por um, os charlatães que reivindicavam ter alguma habilidade extra-sensorial.

Até hoje, 2016, nenhum conseguiu provar absolutamente nada. E o prêmio continua dando sopa, sem ninguém apto a ganhar a bolada. Randi, mais dia menos dia, vai pro saco, e nada de ver um mísero caso de paranormalidade.

Esse documentário espetacular nos brinda com a fantástica história desse mágico incrível, que vem ajudando a sociedade crédula a ter um olhar mais cético em relação a esses curandeiros, que sempre estão que nem carrapatos, prontos a sugar o dinheiro dos mais ingênuos e necessitados. E porque não dizer, burros/jumentos/idiotas?!

Antes de começar a desmascarar os falsos profetas, Randi trabalhou durante vários anos, fazendo mágica. Era conhecido como o Incrível Randi. Seu grande ídolo foi Houdini, talvez o maior de todos os mágicos. Com o tempo, a compaixão pelas pessoas enganadas, fez com que Randi travasse uma longa e dura batalha contra os caras de pau.

A sua clássica e mais conhecida batalha, melhor dizendo, guerra, foi contra o FDP Iuri Geller, um israelita nojento, que jurava ter poderes psíquicos, e vivia nos programas televisivos enganando o público e apresentadores. O pior de tudo isso, é que mesmo Randi, indo aos programas e fazendo as mesmas coisas que o Geller fazia, muitas pessoas ainda acreditavam na idoneidade deste. Esse tipo de pessoa tem é mais que se lascar mesmo. Vão ser burros assim no inferno.

Este é o lema de Randi:

“Não tem problemas [em] enganar [as] pessoas, desde que esteja fazendo isso para ensinar-lhe uma lição, que melhorará seu conhecimento de como o mundo real funciona.”

Um amigo seu, diz:

“Ele ama mágica. Ele passou sua vida inteira como artista, como mágico. Então ele realmente fica chateado quando alguém usa as técnicas de mágica, para qualquer outro propósito que não seja o entretenimento. Especialmente para convencer pessoas de que há algo de paranormal acontecendo, ele abomina isso.”

Infelizmente não temos no Brasil, programas de TV voltados para desmascarar o que ocorre nas igrejas evangélicas. O público ignorante e semianalfabeto dessas igrejas doam rios de dinheiro para macedinho, malafaia, soares, waldomiro, isso para mencionar apenas os mais conhecidos, pois existem milhares e milhares de pastores enganando por aí. Mas como eu disse, essas pessoas merecem ser roubadas, porque se fazem de cegas. Algumas, é claro, estão ali, por causa do desespero de uma vida e família destruídas, e não veem outra solução para os seus problemas. Porém, depois de um tempo, muitos deveriam se dar conta da roubada em que estão, mas passam a ser mais fanáticos ainda. O que resta para esses? Um FODA-SE bem grande.

Um dos grandes pilantras que o Randi desmascarou em rede nacional, juntamente com a sua equipe, foi o pastor Peterr Poppof. Nunca tinha ouvido falar desse vigarista. Ele era uma figura proeminente no meio carismático evangélico dos EUA. Randi mostrou quem realmente ele era, fazendo com que o seu ministério viesse a falência. Seria uma vitória se os pastores daqui tivessem seus templos sem otários para lhes dar dinheiro.

Randi é uma espécie de “um mentiroso honesto”, visto que engana para trazer a verdade. É isso que um de seus amigos pensa.

“Isso é o que significa ser 'um mentiroso honesto'. É a diferença entre usar a enganação para esconder a verdade e usar a enganação para revelar a verdade.”

Repetindo mais uma vez, o desafio de entregar 1 milhão de dólares a quem provar que tem poderes sobrenaturais continua. O velhinho parecido com o Papai Noel vai partir sem ter presenciado um único caso de curandeirismo genuíno. Quanto aos pastores, padres, médiuns, pais de santo, xamãs e etc., que juram ter poderes vindos do além para curar as pessoas, esse é o recado do Randi, numa entrevista, que li no site Terra:

“Esses charlatões custam às pessoas milhões de dólares todos os anos, roubando a segurança emocional, desapontando, enganando e mentindo para quem acredita neles. É uma coisa horrível. Sei que essas pessoas que dizem ter poderes sobrenaturais não têm poder nenhum e desmascará-las é a coisa certa a fazer”. [1]

Bota pra LASCAR neles, Randi!

É um documentário espetacular, que mostra a vida de um verdadeiro profeta. E aqui vai um recado dele para todos nós:

“Não importa o quão inteligente ou educado você seja, você pode ser enganado.”

REFERÊNCIAS

Clima Imprevisível


Existe uma concordância geral entre os Cientistas, de que o clima no planeta não está ficando nada bom. Tornados cada mais vez mais destruidores; furacões cada vez mais devastadores; nevascas cada vez mais fortes. Enchentes, secas e invernos rigorosos.

Países de primeiro mundo como os Estados Unidos, sofrem todos os anos com tornados furiosos, que castigam religiosamente muitas cidades do interior do estado de Oklahoma, por exemplo.

Furacões passam arrastando tudo o que vê pela frente nas Filipinas, EUA, Índia e no Brasil.

Nevascas avassaladoras atingem a Inglaterra, prejudicando a criação de ovelhas nas montanhas.

Isso e muito mais é documentando e interpretando nesse vídeo, cuja previsão não é nada confortável para o futuro humano nas próximas décadas.

O aquecimento do ártico está fazendo com que o oceano aumente de temperatura, isso desencadeia uma série de reações em seu interior, formando furacões, ciclones...

O aquecimento global, como resultado da emissão gigantesca de gases tóxicos na atmosfera é o principal fator dessas mudanças climáticas, que têm assustado a comunidade de pesquisadores.

“Invernos mais frios, verões mais quentes, secas, enchentes, tempestades, incêndios florestais e furacões girando descontroladamente. O clima já está mudando. E isso é apenas o começo. Quão ruim o clima pode ficar? A reposta depende da quantidade de dióxido de carbono e de outros gases do efeito estufa que liberamos no ar.”

Um Cientista alerta:

“O dióxido de carbono aumentou, durante minha vida, 330 ppm para 400 ppm. Durante a vida do meus filhos, provavelmente vai atingir 800 ppm. Nó não vimos nada igual.”

O resultado é um futuro cheio de catástrofes e destruição.  

Joseph Fritzl: A História de um Monstro


O mundo inteiro ficou chocado com a espantosa história de Joseph Fritzl, que manteve a sua filha Elizabeth, presa em um porão durante 24 anos (1984-2008), na Áustria. Nesse período, ele a estuprou milhares de vezes, tendo vários filhos com ela. Um período cárcere total, sem direito a ver a luz do dia, sem ver mais ninguém, além do monstro do seu pai. Fora os espancamentos e coisas mais. Um simples objeto; uma propriedade; um lixo humano; era assim que ele via sua filha. O tratamento que ela sofria era pior que um negro nos tempos mais nefastos da escravidão.

Ele conta que teve um pai muito ruim e cruel. A sua mãe se separou dele, e Fritzl passou a sua infância morando apenas com ela. Ele admite que tinha desejos sexuais em relação a ela, mas sempre manteve-os sob controle. Quando mais adulto, o seu histórico de violência começou logo cedo. Estuprou uma mulher, foi preso por isso. Porém, só ficou 1 ano e 6 meses na cadeia. Depois tentou estuprar outra mulher. Não obteve êxito. Ela diz que guarda os traumas dessa tentativa de estupro até hoje. E o safado ainda disse que um dia a estupraria.

O casamento de Fritzl, sempre foi marcado pela total submissão de sua mulher. Completamente passiva em relação a tudo que ele dizia e determinava. Uma mulher fraca e sem opinião. Talvez por medo, ou por estar totalmente cega e apaixonada por ele.

Dentre alguns filhos, eles tiveram Elisabeth, uma menina que ele simplesmente não gostava, por mais que fosse sua filha. Ele então coloca seus desejos doentios em ação. Pede para um amigo seu, ajudá-lo a construir um porão em sua casa.

Em 1984, ele a prende, e nunca mais ninguém volta a vê-la até 2008. Nesses terríveis/horríveis/tristes anos que se seguiram, foram só de sofrimento físico, psicológico e arrisco dizer, até espiritual para Elisabeth. Molestada, estuprada, espancada e toda sorte de maldades investidas contra ela, pela própria pessoa que a colocou no mundo, seu pai.

“Eu sabia que Elisabeth não queria as coisas que fiz com ela. Sabia que a machucava. Mas o desejo de finalmente provar o fruto proibido foi forte demais. Era como um vício.” (Joseph Fritzl).

O pior, que a casa dele, era uma espécie de hotel, flat, pousada, quartos para se alugar. Pessoas que moravam ali há vários anos, deram seus depoimentos no vídeo, e alegam nunca terem visto nada muito suspeito. Curiosamente apenas o cachorro de um inquilino, que morava num apartamento, acima do porão, percebia que havia alguma coisa lá embaixo, pois ficava olhando para o chão e arranhando-o. Lembrando essas atitudes do seu cão, o seu dono, hoje sabe o motivo.

Finalmente, em 2008, Fritzl não pôde mais esconder as atrocidades cometidas contra a sua filha. Foi preso. E Elisabeth saiu de sua injusta prisão e escravidão.

Mas não precisamos ser Psicólogos ou Psiquiatras, para saber, que a escravidão emocional, psicológica e espiritual permanecerão para sempre em sua vida. Nada de fantasia e palavras confortantes aqui. Visto que o sofrimento que ela passou é indescritível. Deixemos a espiritualidade boba e enganadora para aqueles que não querem enxergar os recantos sombrios da existência.

Uma pena que não tem esse vídeo no Youtube. Apenas na Netflix. 

Atrás das Grades


O México talvez seja o país do mundo que mais sofre as consequências das guerras dos poderosos e incansáveis cartéis de drogas. Todos os anos na grande cidade de Juarez, milhares de assassinatos ocorrem em decorrência da carnificina desses grupos, que querem ter o poder absoluto na entrega dos entorpecentes.

De acordo com o vídeo, enquanto que em El Paso, cidade do Texas, EUA, existe uma média de apenas oito assassinatos por ano; na cidade vizinha de Juarez, em território mexicano, são oito assassinatos por dia. Multipliquei esses oito assassinatos diários por 365 dias e deu a assustadora cifra de 2920 mortes por ano. Isso faz de Juarez uma das cidades mais violentas do planeta.

Num certo momento, houve cerca de 50 assassinatos em três dias, devido à guerra entre o cartel Bazzio Azteca e outras gangues. Famílias são devastadas e destruídas, e a polícia pouco faz para conter a onda de violência. Muitos corpos acabam sendo pendurados nas pontes e viadutos da cidade. As coisas estão fora de controle.  Um policial faz uma previsão nada boa:

“As coisas não estão melhorando. Está muito claro que estão piorando. Nos próximos cinco anos, acho que veremos mais violência. E ela vai continuar fazendo estrago.”

Na opinião dos policias e agentes penitenciários de El Paso, na cidade mexicana, os policias são corruptos e não existe lei na cidade, por isso a violência reina. Mas em El Paso, as coisas funcionam, e os bandidos são presos e punidos. A prisão El Paso County Jail abriga os mais perigosos traficantes desses grandes cartéis e gangues, em especial, os bandidos do cartel Barril Azteca.

O presídio é de segurança máxima, porém, os agentes da polícia precisam estar muito atentos a tudo o que acontece atrás das grades. A Barril Azteca surgiu e se organizou dentro da cadeia, e todo cuidado é pouco, quando o assunto é lidar com os demônios que estão infestando o lugar.

A grande preocupação dos policiais é evitar que ela ganhe força e poder entre os presidiários. Quando a coisa aperta, agentes da SRT, grupo da Swat, são chamados para pôr um fim nas rebeliões feitas pelos presos.

O documentário trata basicamente da vida interna dessa prisão e de todo trabalho, habilidade e inteligência que os agentes têm que ter, para sempre estar um passo a frente dos bandidos, que sempre estão à espreita, observando tudo, prontos a darem o primeiro bote, caso tenham uma chance.

Voltando a questão da violência e número de assassinatos, já há alguns anos, a cidade de Natal-RN tem aparecido na lista das cidades mais violentas do mundo. Sempre fui cético em relação a essas pesquisas, mas se em Juarez, que é uma cidade incontestavelmente violenta, com uma média de 2920 assassinatos ao ano, com uma população de mais ou menos 2,6 milhões de habitantes, e Natal, uma cidade com 803 mil habitantes, tem uma média de 931 assassinatos por ano, proporcionalmente, no quesito morte, a cidade brasileira é tão ou quase tão violenta quanto à cidade de Juarez. E olha que por aqui, não existem esses cartéis de drogas gigantes e poderosos como os da cidade mexicana. Imagine se tivesse!