sábado, 10 de setembro de 2016

A Verdadeira Idade da Terra


Os cientistas criacionistas são incansáveis em tentar provar que a Terra tem apenas 6.000 anos de existência, simplesmente porque a sua religiosidade assim o exige. São motivo, e com razão, de risos na Academia. Querem passar por cima de pau e pedra, a torto e a direito, para poderem provar que a verdadeira interpretação dos dados vindos da terra, fósseis, rochas e sedimentos, requerem um planeta jovem; uma Terra que está bem longe de tirar catinga do mijo (uma expressão muito usada aqui no nordeste), se comparado aos mais de 13 bilhões de anos, que a "falsa" ciência falível propõe

A tendenciosidade desse documentário chato é alarmante, além de dar sono. Quando assisto criacionistas assim, bradando aos quatro ventos, as supostas provas/evidências científicas de um dilúvio universal e uma de Terra extremamente jovem, lembro-me de Cientistas e Filósofos da Biologia que também são criacionistas da Terra jovem, todavia, são honestos o suficiente para admitirem que até o momento as evidências de uma Terra antiga são numerosas e bem embasadas na Ciência. Benjamim Clausen, Paul Nelson e John Mark, são alguns exemplos.

Citarei as palavras de admissão Benjamin L. Clausen (Ph.D em Física pela Universidade do Colorado, Boulder, com pesquisas em Física Nuclear no Laboratório Nacional de Los Alamos e no Instituto de Tecnologia de Massachussets, bem como em aceleradores em Amsterdam e em Dubna, Rússia). A citação é um pouco extensa, mas vale a pena lê-las.

"A extrapolação no tempo para trás, de milhares de anos de história registrada para os bilhões de anos para o universo, é amplamente apoiada cientificamente, mas também requer cuidados". 

"O tempo é um ponto de divergência entre a ciência e a Bíblia". "O desenvolvimento gradual ao longo de milhões de anos é a explicação mais fácil para a seqüência vertical no registro fóssil". 

"Embora a explicação envolvendo longas eras não seja perfeita, ela explica mais do que a teoria de zoneamento ecológico, flutuação e mobilidade. Outras evidências geológicas, embora não impossíveis de ajustar em um modelo de cronologia curta, são mais fáceis de serem ajustadas em um modelo de longo tempo".

"2) um número maior de dados atuais são melhor explicados por um modelo de tempos longos do que curtos;" 

3) demonstrar que certos dados não requerem longas eras não dá necessariamente apoio para um modelo de cronologia curta; apenas os coloca numa categoria de ajuste alternativo; 

"4) nenhum modelo geológico abrangente ajusta todos os dados, de forma que problemas com um modelo de longas eras não implica necessariamente que um modelo de tempos curtos é correto;"

"5) não há disponível nenhum modelo de tempo curto para rivalizar o modelo de longas eras;" 

"6) finalmente, qualquer modelo bíblico de cronologia curta deverá incluir alguma atividade sobrenatural, tornando-se inaceitável como um modelo científico;" 

"7) aceitar a Bíblia porque a ciência a apóia leva à tendência de colocar a ciência acima da Bíblia e a razão a percepção dos sentidos acima da revelação, tornando mais fácil descartar a Bíblia quando uma evidência científica for incompatível com ela".

Diante do que ele escreveu, sabe o porque dele ainda acreditar numa Terra jovem? Ele mesmo explica:

"Devido as possibilidades de erro ao desenvolver um modelo de história da Terra, prefiro cautela — a certeza bíblica e incerteza científica, acima da certeza científica e incerteza bíblica". 

Para ele, o ensino bíblico é de uma Terra Jovem e de um Dilúvio Universal e, portanto, deve encarar e visualizar o mundo da natureza sob esse prisma, mesmo diante das evidências científicas em contrário. Mas pelo menos, ele tem a hombridade de reconhecer as fragilidades de sua posição, coisa que falta a maioria (creio eu) dos criacionistas ditos científicos.

Esses trechos foram tirados do seu texto IDADE RADIOISOTÓPICA, PARTE III: Tempo na Ciência e na Bíblia. 

Pena que não está mais disponível na internet. 

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Maravilhas Modernas: Cemitérios


Lugar onde iremos morar! Podemos prolongar de todas as formas, mas esse dia está chegando! Estamos ininterruptamente rumo ao mundo silencioso! Uma passagem só de ida! Entraremos mas nunca sairemos. Nossa companhia? Vermes (se formos enterrados), e talvez fantasmas! 

20 bilhões de verdinhas é a cifra da indústria da morte só nos EUA (talvez tenha aumentando, pois o documentário foi produzido há uns já). Caixões caríssimos, túmulos e cemitérios de “luxo”. A variedade é grande, e é um mercado que nunca terá falta de clientes.

Por lá cerca de 75% dos mortos são enterrados, e 25% são incinerados. Com certeza aqui no Brasil, a superstição tão arraigada na mente do povo, não lhes permite serem cremados. 

No sepultamento dos antigos egípcios, os nobres, como estamos cansados de saber, eram mumificados. O processo durava meses, iniciando-se com a retirada do cérebro do defunto pelo nariz. Vários processos químicos e médicos eram feitos para que o morto fosse preservado para a vida além-túmulo. 

A incineração do cadáver era o método utilizado na Grécia, mais ou menos a partir do ano 800 a.c. Em 600 a.c. o ato de cremar os mortos chegou a Roma, permanecendo ali até a ascensão do Cristianismo, no quarto século, quando infelizmente a cremação foi acusada de ser um pecado contra Deus. 

"Um dos fatores que fizeram os romanos adotar a cremação foi a questão higiênica. As cidades careciam de higiene. E todos temiam a contaminação associada à decomposição."

Antigamente quando as pessoas entravam em coma, não era incomum serem consideradas mortas, e, portanto, aptas para o enterro. Imagine você acordando atordoado dentro de um caixão lacrado, debaixo de várias pás de areia, e saber que não pode sair dali? Se não morreu antes, morrerá em poucos minutos numa agonia horrível, lutando pela vida.

O filme Sepultado Vivo, que passou a exaustão no SBT, na década de 1990, traz uma história semelhante, com a exceção de que o carinha enterrado com vida consegue escapar, e depois se vinga enterrando a mulher viva, juntamente com o amante dela morto, em cima da coitada. 

No tocante a cremação, o primeiro crematório moderno surge em 1876 nos EUA. É comprovadamente mais prática, mais simples e mais barata. E mais ecológica e higiênica. Muitos cemitérios, no nosso "organizado" Brasil, têm contaminado o solo e o lençol freático. Domicílios próximos a eles acabam prejudicados. Não é preciso nem frisar, mas já frisando que isso acarreta várias doenças para a população que mora ao redor.

Entretanto, a mentalidade bitolada do povo brasileiro rejeita e rechaça o procedimento de incineração de seus defuntos. Tudo isso, devido a uma herança católica e evangélica (consciente ou inconsciente), derivadas do judaísmo, bem entranhada na cabecinha de cada um. 

Aqui em Natal estava para sair há uns anos, o primeiro crematório da cidade. Não sei se finalmente está funcionando. É uma evolução da sociedade em escolher a cremação, visto que a resistência é muito grande em ter seus entes queridos se tornando pó em poucos minutos. É como se estivesse profanando o corpo.  

Design Inteligente: Ciência ou Religião?


Palestra de Enézio de Almedia (Mestrado em História da Ciência pela PUC e Bacharel em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Amazonas), respondendo as seguintes perguntas:

A Teoria do Design Inteligente (TDI) é religião disfarçada de ciência (o velho criacionismo de guerra)? 

A TDI falsa ciência? 

É uma teoria genuinamente científica? 

Para ele, naturalmente, a TDI não é o histórico criacionismo que tanto militou contra a Teoria da Evolução no século XX (e nesse século também). Os vários tipos de criacionismos estão comprometidos com várias proposições derivadas de livros considerados sagrados. Assim acontece com o criacionismo judaico, que tem a Torá, como ponto de partida; o criacionismo cristão, que além do pentateuco, tem as escrituras cristãs como referencial; o criacionismo islâmico baseado do Alcorão, e tantos outros tipos. 

Nao é assim que acontece com a TDI. Ela não tem comprometimento algum com os pontos defendidos pelo criacionismo clássico, visto que não adota, por exemplo, a ideia de que o universo tem milhares de anos. Muitos de seus membros comungam da visão de ancestralidade comum, um dos principais pontos do darwinismo. Outros motivos são listados para diferenciar e afastar as duas visões. 

A afirmação da TDI é basicamente esta:

Através do estudo sistemático da natureza está se tornado cada vez mais incisivo que ela nos apresenta claros sinais empíricos de intervenção inteligente. Sabemos disso, através da Complexidade Irredutível e da Complexidade Especificada (ou Informação Complexa Especificada). Termos criados por Behe e Dembski. 

Claro que os darwinistas rejeitam peremptoriamente os conceitos que esses termos carregam. 

Refutando a acusação de que o Design Inteligente não é Ciência, Almeida Filho responde que não existe isso que se chama de CIÊNCIA; e que não existe O MÉTODO CIENTÍFICO. O que temos são várias formas de ciências, e com isso vários métodos científicos. Cada qual, com suas configurações distintas na construção de modelos que tentam explicar o nosso mundo. 

O Design Inteligente (DI) ao contrário do que afirmam os darwinistas, faz predições e é testável, usando as mesmas ferramentas metodológicas de seus oponentes. 

No tocante a terceira pergunta, o DI é uma teoria científica, porque trabalha com evidência empírica. Não tem como pressuposto, os discursos de dado livro sagrado. 

Uma pergunta que o palestrante faz, é que se o DI não é ciência, e muitos de seus acusadores trabalham com o falseamento popperiano, porque usam a falseabilidade para desacredita-la? O DI colocou suas afirmações na mesa para serem analisadas e refutadas - o mascote do DI é o Flagelo Bacteriano, que segundo Almeida Filho, ainda não foi falseado. Diz ele, que até tentaram, porém sem sucesso. 

Em 1998, William Dembski (Ph.D em Matemática na Universidade de Chicago, Ph.D em Filosofia na Universidade de Illinois) falou que os proponentes do DI esperavam "que o DNA tanto quanto possível" exibisse função útil, ao contrário do que propõe a teoria evolutiva. Aqui as palavras dele:

"Em uma visão evolutiva, nós esperamos bastante DNA inútil. Agora, se por outro lado, os organismos exibem design intencional, nós esperamos que o DNA o tanto quanto possível exiba função." 

Essa predição feita pelo DI, tem sido corroborada com a descoberta de que o DNA-LIXO não tem nada de lixo. Ele possui várias funções, não é inútil como os darwinistas diziam que era. 

É uma boa palestra que mostra que o DI merece ser ouvido.

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Porque a Bíblia me diz assim


Um ótimo documentário falando sobre a tensão que vivem muitos homossexuais que foram criados numa atmosfera extremamente religiosa nas igrejas fundamentalistas. O vídeo mostra inúmeras histórias de pais religiosos e conservadores que acabam mudando a sua visão sobre a sexualidade humana quando se deparam com a realidade de que seus filhos criados desde pequenos na igreja não sentem atração pelo sexo oposto.

O documentário tenta reinterpretar os velhos textos bíblicos que falam em termos negativos sobre a relação sexual entre iguais. Uma nova interpretação é proposta, indicando um novo olhar sobre as escrituras, embora esse não seja o foco do vídeo. 

Particularmente, como também já estudei esses mesmos textos, acredito que a Bíblia condena sim, a prática sexual entre iguais. Fazendo coro aos fundamentalistas que adoram jogar o texto do livro bíblico na cara dos homos, aqui vai ele:

Por causa disso Deus os entregou a paixões vergonhosas. Até suas mulheres trocaram suas relações sexuais naturais por outras, contrárias à natureza. Da mesma forma, os homens também abandonaram as relações naturais com as mulheres e se inflamaram de paixão uns pelos outros. Começaram a cometer atos indecentes, homens com homens, e receberam em si mesmos o castigo merecido pela sua perversão.” (Romanos 1. 26-27).

O revisionismo hermenêutico sobre esse texto não me convenceu. Porém, isso não quer dizer que os escritores sacros não estavam errados sobre essa faceta da conduta humana. Esse é o ponto. 

A Bíblia e nenhuma visão religiosa, ou filosófica consegue abarcar a complexidade da vida e da natureza humana. Sei que isso é muito caro para os que têm ou dizem ter a Bíblia no maior apreço e estima em suas vidas. 

Algo que o documentário não menciona, são os vários ministérios cristãos conservadores que foram criados para ex-homossexuais que fracassaram. O maior exemplo foi o Ministério Exodus sediado nos EUA. Era a maior referência citada pelas igrejas conservadoras para “provarem” que existem pessoas “libertas” das “garras” da homossexualidade. Há alguns anos esse ministério fechou suas portas. Motivo? Depois de décadas de experiências fracassadas, viram-se forçados a admitir que suas técnicas terapêuticas e espirituais não tinham tido sucesso algum. Chegaram a pedir desculpas aos homossexuais. No Brasil, um ministério semelhante procedeu da mesma forma. 

Basta vermos os relatos dos muitos supostos ex-homossexuais, que dão o seu testemunho de “libertação” nessas igrejas pentecostais/neopentecostais. Os trejeitos efeminados ainda permanecem. Que tipo de libertação foi essa, em que o camarada não conseguiu se livrar das características que o identificavam como homossexual?

Não quero cair no extremo de dizer que uma pessoa não pode mudar a sua conduta sexual (há estudiosos sérios que afirmam que algumas pessoas podem mudar). No entanto, as igrejas que vendem esses relatos de libertação estão muito aquém de provarem realmente que há tais curas em seus suas comunidades.

Vamos especular um pouquinho:

- Algumas pessoas nascem homossexuais. Como explicar aqueles garotinhos de apenas 4 anos de idade que já tem todos (ou quase todos) os trejeitos de uma menina?

- Algumas pessoas nascem propensas a serem gays. Vai depender de seu meio se vão ou não abraçar essa condição.

- Algumas pessoas podem numa determinada fase da vida experimentar durante um tempo relacionamentos homossexuais, mas como sua condição real é a heterossexualidade, no final acabam voltando a terem relacionamentos com o sexo oposto. Não seria esse o caso de muitos “libertos”?  

Acredito que essas várias possibilidades são possíveis. Ok, eu sei que fui redundantemente redundante.

Pra terminar, vejo que todas as igrejas sempre dão uma ênfase especial a alguns assuntos e “pecados” em detrimento de outros. E todas terão o texto na ponta da língua (mentira, muitas nem isso têm) para "provar" que a vontade de Deus é essa, e não aquela. Lhes É CONVENIENTE deixar outros  “pecados” ou práticas em stand by. Se forem perguntados o porquê, a resposta será: 

"PORQUE A BÍBLIA ME DIZ ASSIM
." 

Será que diz mesmo?


Bruxos e o Poder


“Mito? Realidade? Até que ponto os círculos mais conspícuos do poder, apelam para sacerdotes, pitonisas, adivinhos e bruxos, pra conseguir chegar ao governo e manter-se no poder? Qual a verdade por trás desses boatos?”

Na América Latina não são poucos os políticos que recorrem aos bruxos e feiticeiras, para poder chegar ao poderem ou se manter nele. Esse é o tema do documentário em questão. Vários líderes da política latina, que se submeteram aos rituais de bruxaria para garantir o seu lugarzinho entre os poderosos. Argentina, Cuba, Haiti, Nicarágua e México, são os países mencionados. Vincent Fox (México), Evita Perón (Argentina), Fidel Castro (Cuba), são apenas alguns desses políticos.

O fí de pai sem mãe, que postou o vídeo, colocou o nome do Collor no título, só pra chamar a atenção. Nada se fala sobre os políticos brasileiros. Se bem que a ex-mulher do Collor, salvo engano, já apareceu em rede nacional jurando de pés juntos que ele recorreu a uma macumbazinha para chegar à presidência da república. 

Normal. Isso é muito comum por aqui. Os ricões também depositam sua fé nas entidades do outro mundo, numa barganha vergonhosa para serem figuras públicas proeminentes. E essas supostas divindades medíocres, contentam-se com sangue de bodes, galinhas, cachaça, velas e tudo que é apetrecho. Ah, dizem que tudo isso aí é apenas o tira-gosto; um aperitivo, pois na verdade, elas querem mesmo é a alma/espírito do sujeito ambicioso. 

Talvez a maioria dos políticos da Bahia invoquem os orixás, exus, pretos-velhos e toda sorte de entidades para obter êxito em suas carreiras politicas. 

Onde moro, há cerca de 16 anos trabalhava um porteiro e amigo, que me garantiu que a então prefeita ( Natal-RN) da época, Vilma Maia (ou de Faria) vez por outra levava uma carrada de animais para um terreiro perto de sua casa, para fazer uns trabalhos espirituais, com a finalidade de ganhar as eleições, agradecer a pomba gira, etc. Muitas pessoas já falaram que ela é uma macumbeira de mão cheia. Como eu disse: é comum políticos praticarem esse tipo de coisa. Vamos ver se os espíritos a ajudam a ganhar o cargo de vereadora, agora.

Como bem relata a History, esses políticos muitas vezes nada fazem se não consultarem os seus xamãs. Muitos destes possuem um poder imenso sobre as decisões tomadas por aqueles. Rasputin, aquele noiado da Rússia, no início do século XX, é o exemplo maior.

Outras postagens sobre bruxaria:

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Holocausto Brasileiro: Manicômio de Barbacena


Hospício criado no início do século XX, onde morreram cerca de 60 mil pessoas. Micro-documentário chocante. Se hoje, ainda é difícil tratar e cuidar de certos pacientes com transtornos mentais - há 100, 80 ou 50 anos, era bem mais complicado.

No manicômio de Barbacena, em Minas Gerais, a desumanidade para com os pacientes era regra. Tratamentos desumanos, eletrochoques, insensibilidade e desprezo para com os pacientes. Em muitos aspectos parecia um campo de concentração nazista. Daí o nome “Holocausto brasileiro”. O pior é que apenas 30% dos internos eram pessoas diagnosticadas com alguma doença mental. Os 70% restantes eram de pessoas que de certa forma transgrediram os "bons costumes" da "boa" e "exemplar" sociedade em voga.

Homossexuais, presos políticos, meninas que tinham perdido a virgindade antes do casamento, pessoas consideradas tímidas, meninas que gostavam de brincar na rua com meninos.

Essa era a sociedade conservadora e guardiã da moral e da ética.

Nos hospitais psiquiátricos atuais não é raro encontrarmos violações dos direitos humanos. Mas quantos desses hospitais têm os recursos financeiros necessários para exercerem suas funções em prol da dignidade e saúde de seus pacientes?

É fácil culpar médicos, enfermeiras e funcionários, quando não se sabe da real situação de abandono e descaso vindos do Estado. É comum os agentes de saúde trabalharem no limite dos recursos disponíveis. Isso não é novidade. Se até os hospitais, UPAs e postos de saúde carecem dos recursos mínimos para funcionarem devidamente, imagine os estabelecimentos direcionados as pessoas com deficiência mental. É até banal e clichê dizer isto.

sábado, 3 de setembro de 2016

Faces da Morte


Eu só digo uma coisa: tem que ter estômago pra assistir essa bagaça até o fim. A primeira vez que assisti esse documentário, foi em 2001, na casa de um amigo. Alugamos super empolgados à fita VHS, numa locadora do bairro. Passei semanas pensando nos corpos esquartejados, mortes, vísceras, corpos abertos e putrefatos, nos necrotérios que aparecem nesse vídeo. Há rituais satânicos, mortes e torturas de animais, orgãos expostos, acidentes de carros, assassinatos...

Esse documentário foi proibido em vários países, devido às imagens fortes e reais (algumas não são reais, e são explicadas o porquê no making off) que ele apresenta das várias formas que a MORTE vem INEVITAVELMENTE nos encontrar. Não adianta: um dia ela vem ao nosso encontro. Podemos até prolongar nossas vidas de uma maneira ou de outra, mas o último dia está a galope vindo em nossa direção. Tamu tudo lascado. E eu tenho muito, mas muito medo, desse dia chegar. Espero que demore várias décadas. Pense num cabra medroso! 

Alguns pensadores tentam amenizar a certeza do fim, o Filósofo grego Epicuro (341-270 a.c.) é um exemplo, mas suas palavras pouco consolam:

“Familiariza-te com a ideia de que a morte nada é para nós, pois todo bem e todo mal residem na sensação: ora, a morte é a privação completa desta. [...] Assim, o mal que nos faz mais temer (a morte) nada é para nós, pois enquanto existimos a morte não está, e quando a morte está não existimos mais. Portanto, a morte não tem ligação com os vivos nem com os mortos, pois nada é para os primeiros e os últimos não existem mais”. P. 41. - LECOMPTE, Denis. Do ateísmo ao retorno da religião. São Paulo: Loyola, 2000. P. 41.

Uma das cenas mais grotescas é quando uma seita satânica da Califórnia, em um ritual, esquarteja o corpo de um defunto, e todos os membros presentes começam a comer e se “deliciar” com os órgãos, tripas e sangue de seu corpo. E para completar, ainda tiram a roupa e fazem um bacanal em meio às vísceras do cadáver. Como não julgar negativamente tal culto? O pior é que existem acadêmicos (pessoas que deveriam ser as mais esclarecidas e sábias) que até aprovam práticas assim. Ou pedem para não sermos “etnocêntricos”. Não, não estou exagerando – essas criaturas possuem existência concreta.

O documentário é apresentando por um médico legista, que mostra as várias faces pelos quais a morte vem ao encontro de humanos e animais. Desde mortes naturais, a óbitos numa sala de cirurgia, os rostos do derradeiro dia de cada um de nós são absurdamente apresentados, sem pudor ou restrição.   

Hoje em dia é a coisa mais fácil e acanalhada do mundo nos depararmos nas redes sociais (Facebook e Whatsapp) com vídeos de pessoas mortas, esquartejadas e etc. Até nos acostumamos a vê-las, sem nos importamos tanto. No entanto, clássico é clássico. Faces da Morte foi pioneiro em mostrar o lado negro da existência (ele é da década de 1970). Por isso, que é válido e oportuno assisti-lo, para lembrarmos e refletirmos sobre a brevidade de nossas vidas. 

Link do vídeo para ver online:


segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Verdadeiros Cientistas, Fé Verdadeira



BERRY, R. J. (org). Verdadeiros Cientistas, Fé Verdadeira. Viçosa, MG: Ultimato, 2016.

São 20 capítulos, escritos por 20 eminentes Cientistas que creem firmemente que a fé (no caso a cristã) não está em descompasso com a Ciência. Na contramão, existem muitíssimos Cientistas que discordam violentamente deles. É assim mesmo. A discussão não tem fim. E nem é para ter mesmo.

Esse livro faz parte da série Ciência e Fé Cristã, da editora Ultimato, que ainda lançara nove livros dessa coleção tratando da relação entre Ciência e Religião Cristã, mostrando que a despeito do que se dissemina ainda em alguns círculos, os homens e mulheres que estudam a natureza também creem.

Em confirmação, Alister McGrath, Ph.D em Biofísica Molecular e Ph.D em Teologia Histórica na Universidade de Oxford, escreve no primeiro capítulo:

“[...] o método científico claramente não implica ateísmo, aqueles que querem utilizar a ciência em defesa do ateísmo vêem-se forçados a valer-se de uma série de idéias metafísicas não empíricas ás suas versões de ciência, esperando que ninguém perceba essa manobra intelectual.” P. 21.

John Houghton, ex-Professor de Física Atmosférica da Universidade de Oxford e Prêmio Nobel da Paz (2007), faz coro as palavras do McGrath:

“O conflito que se imagina estar presente entre a descrição científica do mundo e descrição de Deus como criador surge, a meu ver, de um mal-entendido acerca da natureza de ambas as descrições. Em vez de conflito, há uma estrita ligação; a ordem e a coerência que encontramos na nossa ciência podem ser vistas como reflexos da ordem e da coerência no próprio caráter de Deus.” P. 34.

E a exemplo do Teste da Fé, primeiro livro da série, todos os Cientistas presentes na obra são evolucionistas. Andrew Briggs (Ph.D em Física na Universidade de Cambridge e Professor da Universidade de Oxford, foi Diretor da Cooperação Nacional Interdisciplinar do Reino Unido de Pesquisa em Processamento de Informação Quântica), apesar de cristão convicto, também é um aderente da Teoria da evolução, que tece algumas críticas ao projeto moderno do Design Inteligente, um movimento composto por diversos Cientistas e Filósofos, que tenta desqualificar as idéias neodarwinistas.

“Alguns escritores do movimento do design inteligente argumentam que a complexidade do mundo biológico não poderia ter surgido sem alguma direção independente do projetista inteligente. Não sei de nenhum de meus colegas na minha própria universidade que considere esses argumentos convincentes ou úteis. Até mesmo em órgãos de impressionante complexidade como os olhos, há crescente evidência de que desenvolvimento evolucionário pode ocorrer por diversos caminhos.” P. 51.

Não adianta! Por mais que existam ótimos Cientistas que neguem a poder explicativo das idéias e conceitos gerais de Darwin, a maioria dos estudiosos da natureza estão com ele. Nesse caso, até muitos Cientistas cristãos, como os que escreveram esse livro.

Chris Done (Ph.D em Astrofísica na Universidade de Cambridge, foi Pesquisadora da NASA, é Professora da Universidade de Durham) nos conta que desde sua adolescência tinha decidido ser uma Cientista, e na sua cabecinha, necessariamente teria que virar atéia. E foi o que ela se tornou. Ironicamente, uma atéia-cristã, visto que como ela gostava de cantar no coral de sua igreja, continuou cantarolando, mesmo sem acreditar. Mas em conversa com um certo pastor, suas concepções sobre Deus, Jesus e a Bíblia começaram a tomar um novo rumo, ou o rumo de volta a fé. Ela nos conta:

“Ele [um certo pastor] me emprestou alguns livros sobre as evidências de que Jesus era o filho de Deus – sua vida, morte e ressurreição. Sou cientista e adoro evidências. Ponderá-las é o que fazemos. E fiquei chocada ao descobrir que existem evidências! Evidências de que Jesus viveu, morreu, e o pior do meu ponto de vista ateísta, evidências de que ele ressuscitou”. P. 59.

Ela fala mais:

“Assim, assustadoramente, como ateísta encontrei-me numa posição em que podia ver eu havia evidências suficientes para sustentar uma crença no cristianismo em termos de um Jesus literalmente ressurreto”. P. 60.

A partir daí, foi inevitável para ela torna-se uma mulher de fé.

Colin J. Humphreys (Ph.D em Física e Professor de Ciências dos Materiais na Universidade de Cambridge, Mestre em Física na Universidade de Oxford) é mais um que corrobora a visão historicamente bem fundamentada de que a Ciência moderna emerge exatamente na Europa, por causa da visão de mundo cristã.

“Há eminentes historiadores da ciência que argumentam que a razão pela qual a ciência pôde florescer na Europa do século 17 (e não anteriormente em lugares como a China antiga, Egito, a Índia, a Babilônia ou a Grécia, embora eles fossem observadores brilhantes dos fenômenos naturais), foi em decorrência do fato de que muitos dos primeiros cientistas europeus (Newton, Kepler, etc.) eram cristãos que criam num Deus estável e num universo ordenado”. P. 76.

Os que compuseram essa obra, são de pessoas de fé arrojada, que não se envergonham de dizer que acreditam em Jesus. Simon Stuart, Ph.D em Biologia na Universidade de Cambridge, é um exemplo:

“Presumo que minha conversão foi totalmente pós-moderna no sentido que conheci Jesus e o recebi na minha vida antes mesmo de conhecer o evangelho em termos mais convencionais. No entanto, ele me recebeu ainda assim, e minha vida nunca mais foi a mesma. Foi a decisão mais importante que já tomei e da qual nunca me arrependi.” P. 93.

Obviamente esse tipo de declaração subjetiva, não prova absolutamente NADA. Contudo, serve para mostrar que a fé (nesse caso a cristã) pode atingir e realmente atinge muitas vezes as mentes mais bem preparadas do nosso tempo. Stuart é um dos Cientistas que estão na ponta de lança, entre os  incumbidos de fazerem uma varredura global sobre as espécies que estão em fase de extinção. Seu trabalho é da máxima importância para a preservação da saúde ambiental do nosso planeta (mesmo ele reconhecendo o fracasso de alguns projetos dois quais participou). Muitos de seus colegas, provavelmente rirão sarcatiscamente dessa declaração religiosa tão, tão, tão “ingênua”. Bom, é só ele devolver o riso.

Voltando a suposta inimizade entre fé e razão, Francis Collins, Ph.D em Físico-Química pela Universidade de Yale, Diretor do Projeto Genoma e membro da Academia Nacional de Ciências dos EUA, desfaz essa briga:

“É tempo de pedir uma trégua entre a ciência e o espírito [religião]. A guerra nunca foi realmente necessária. Ela foi iniciada e incentivada por extremista de ambos os lados, alardeando a ruína imediata caso o outro lado não seja consquitado. A ciência não é ameaçada por Deus; é aprimorada. Deus certamente não é ameaçado pela ciência; ele tornou tudo possível. Busquemos então, juntos, retomar o terreno de uma síntese espiritualmente satisfatória de todas as grande verdades. A antiga pátria da razão e da adoração conclama a todos que sinceramente buscam a verdade a vir e se estabelecer definitivamente ali”. P. 136.

Ghillean Prance (Botânico, ex-Professor da Universidade de Reading e Yale, membro da Academia de Ciências do Brasil, Dinamarca e Suécia, e da Royal Society, de Londres) faz uma declaração curiosa:

“Talvez seja mais fácil para um biólogo conciliar fé e ciência do que em outras áreas do conhecimento, já que os biólogos têm a oportunidade de estudar o funcionamento da criação. A pergunta que sempre é feita a um biólogo que confessa a fé cristã é: “Como você concilia sua crença em Deus com a teoria da evolução?”. Para mim isso nunca representou uma dificuldade.” P. 140.

Geralmente é o contrário. Entre os Cientistas, os Biólogos são os mais céticos; são os que mais encontram dificuldades para conciliar a existência de uma divindade benevolente, com a inexorável e crueldade presente na natureza. Essa declaração do Prance destoa do que já li sobre o assunto.

Montagu Gordon Barker, ex-Professor de Psiquiatria das Universidades de Bristol e Dundee, expressa claramente sua fé no Cristo:

“[...] o Deus Criador veio viver entre os homens na pessoa de Jesus, que ele morreu numa cruz por nós e que ressuscitou dos mortos para trazer nova vida a todos que nele confiam. Isso está no centro de minha vida.” P. 161.

Andy Gosler (Professor de Biologia e Ciências Humanas na Universidade de Oxford, membro da Sociedade Internacional de Ornitologia) afirma que os argumentos ateístas estão eivados de erros:

“Comecei a perceber que a conclusão de que Deus não existia não provinha, necessariamente, de qualquer ciência real, mas de argumentos contrários falaciosos – de leituras simplistas de Gênesis, do ‘senso comum’ [...] Seguiu-se então o pensamento de que, se os melhores argumentos em favor do ateísmo eram tão fracos, segue-se que Deus poderia realmente existir, e isso provavelmente seria a coisa mais importante que uma pessoa poderia saber.” P. 186, 187.

Jennifer Wiseman (Ph.D em Astronomia na Universidade de Harvard, Bacharel em Física pelo Instituto de Tecnologia de Massassuchests (MIT), Chefe do Laboratório de Astrofísica Estelar na Divisão de Astrofísica Ciência na NASA. Membro da Associação Científica Americana e da Associação Americana para o Avanço da Ciência) escreve:

“Diversas facetas da pesquisa astronômica apontam para um incrível início do universo há cerca de 13,8 bilhões de anos e para um espetacular desenvolvimento do universo no espaço e no tempo desde então, levando à formação da vida em pelo menos um planeta. Isso aponta para Deus? A ciência não responde esse tipo de pergunta. Contudo, olhando através das ‘lentes da fé’ quando observo o universo, vejo evidências incríveis do poder de Deus, do seu amor pela beleza, sua paciência e seu supremo desejo pela vida”. P. 207-208.

R. J. Berry, Ph.D em Genética na Universidade de Londres, membro da Sociedade Britânica de Ecologia, Federação Ecológica Europeia:

“A ciência e a fé têm metodologias diferentes, mas elas são complementares, não contraditórias; uma fé sem razão é tão entorpecedora quanto uma razão sem fé.” P. 222.

John Wyatt, Professor de Medicina no Hospital da Universidade de Londres:

“Minha experiencial pessoal, como a de tantos outros cientistas pesquisadores, é que o entendimento cristão fundamental do cosmos, a visão de mundo cristã, apoia e motiva a exploração científica. A profunda convicção de que o universo é construído sobre princípios racionais e, ainda mais incrível, de que é possível ao cérebro humano descobrir e compreender esses princípios, está no cerne do empreendimento da pesquisa. É o entendimento cristão da ordem da criação e de que os seres humanos feitos à imagem e semelhança de Deus que embasa e ilumina essas convicções”. P. 225. 

Robert White, Pós-Doutorado e Ph.D em Geofísica Marinha e Bacharel em Geologia na Universidade de Cambridge, membro da Royal Society:

“As evidências bíblicas de um universo criado com um propósito, tomadas juntamente com as evidências científicas que corroboram a evolução ao longo de bilhões de anos, gerando um lugar adequado para habitação humana, reforçam a mensagem de que a humanidade não é o produto acidental de um universo sem significado." P. 247.

Destoando de todos, David Oldroyd, Ph.D em História da Ciência na Universidade de New South Wales, na Austrália; membro da Academia Australiana de Ciências Humanas, citado por S. C. Morris, nos fala:

“Devo primeiramente afirmar minha posição metafísica: sou ateísta. Os argumentos em favor do teísmo [existência de deus] parecem tão absurdos que o fato deles encontrarem qualquer benevolência só pode ser explicados, a meu ver, por meios sociólogos." P. 254.

Muitos são os que fazem coro a esse tipo de declaração. Uma explicação sociológica bem amarrada pode fornecer uma resposta satisfatória? Ou o Oldroyd está equivocado? Nao seria uma afirmação dramática demais? 

Simon Conway Morris, Professor de Paleobiologia Departamento de Ciências da Terra da Universidade de Cambridge, membro da Royal Society e da Sociedade Geológica de Londres:

“Quando se trata da consciência, caso se adote uma noção de causação de baixo para cima, então evidentemente a mente só poderia ser o resultado da química e dos neurônios agregados. Embora essa seja a resposta-padrão evolucionária, ela me parece incoerente: a mera intratabilidade de como a matéria vem a compreender qualquer coisa permanece insolúvel. Os materialistas insistirão, é claro, que os sentidos de algum modo garantem a mente. Mas a menos que o mundo seja profundamente racional, o que eles devem negar por causa da crença deles que tudo é o produto de forças cegas e sem sentido, então não podemos encontrar uma explicação para o ser, para a ‘magia’ do mundo, e seus atributos de experiência, para não falar das cadeias de pensamento que nos permitem formular abstrações extraordinárias”. P. 266.

É aquilo que ainda julgo convincente. É incoerente afirmar racionalidade, ao mesmo tempo em que se argumenta com tanta paixão, que tudo que vemos é a culminância da irracionalidade.

O que já não é novidade é a influência de C. S. Lewis na jornada rumo a fé de muitas pessoas e também de vários desses Cientistas. Dave Raffaelli (Ph.D em Geologia Marinha na Universidade de Bangor, com Pós-Doutorados nas Universidades de Otago e Essex; foi vice-Presidente da Sociedade Britânica de Ecologia) é um exemplo:

“Quis o destino que o livro de C. S. Lewis [Cristianismo Puro e Simples] quase literalmente caísse no meu colo [...] Eu o li, apenas para me divertir [...] Isso acabou provando-se um grave erro de previsão. Assim, dei um salto de fé, passando de não cristão para a fé, e nunca olhei para trás.” P. 281.

Denis Alexander, Ph.D em Neuroquímica no Instituto de Psiquiatria de Londres, foi chefe do Departamento de Imunologia Molecular na Universidade de Cambridge:

“A ciência e a fé não são mundos diferentes, mas diferentes aspectos de um só mundo, o mundo de Deus. Todos os cientistas têm o privilégio de descobrir um pouquinho mais a respeito das maravilhas da criação de Deus”. P. 306.

Rosalind Picard, Professora, Ph.D e Mestre em Ciências, Engenharia Elétrica no Instituto de Tecnologia de Massassuchetts, graduada em Engenharia Elétrica no Instituto de Tecnologia da Geórgia:

“Muitos ateístas caem numa armadilha. Eles assumi que a ciência é a medida suprema da verdade. Alguns assumem que as únicas coisas verdadeiras são as demonstradas pela ciência, e que os únicos tópicos válidos são aqueles que a ciência pode abordar. Ironicamente, o que eles estão afirmando – de modo míope, com base na fé – é que eles possuem os únicos recursos para a obtenção da verdade. Enquanto isso, há muitas perguntas e respostas importantes que se encontram fora do alcance dos recursos da ciência. A ciência não pode provar ou refutar a maior parte dos acontecimentos históricos; a ciência não pode responder às perguntas fundamentais a respeito do significado e propósito; a ciência não pode explicar a beleza e a ordem encontradas na matemática.” P. 320.

Acho que deixei de citar apenas dois Cientistas. Mas aí está um esboço geral de todo o livro. 

Link para o Teste da Fé, primeiro livro da série:

http://dinhosheol.blogspot.com.br/2016/02/o-teste-da-fe.html

sábado, 20 de agosto de 2016

Desafios do século 21 para o pensamento cristão: esboços teológicos



GONZÁLEZ. Justo. Desafios do século 21 para o pensamento cristão: esboços teológicos. São Paulo: Hagnos, 2014.

Justo Gonzáles, Ph.D e Mestre em Teologia Histórica pela Universidade de Yale, continua sendo um dos Teólogos e Historiadores do Cristianismo, que mais admiro e prezo. Na presente obra, temos alguns esboços de temas de suma importância não apenas para a igreja, mas para a sociedade global. González se destaca pela facilidade com que passeia pela história, para adentrar nos assuntos propriamente ditos.

Qual a postura que a igreja cristã deve tomar frente aos problemas que acometem o nosso conturbado século XXI? Quais atitudes ela deve ter perante as questões ecológicas, econômicas, culturais e etc.? Olhando para os seus primórdios e extraindo das escrituras princípios que possam nortear a conduta da mesma.

No desafio imposto pela ecologia, dois fatos curiosos nos são trazidos. Devido à influência do platonismo na igreja, a partir do século II, houve durante vários séculos da história do cristianismo, um certo desprezo pelas coisas terrenas. O olhar sobre o mundo era sempre com as lentes platônicas. O espiritual era tido como mais importante que as coisas sensíveis. Estas podiam ser relegadas a segundo ou terceiro plano. Dois Teólogos proeminentes da igreja destacam-se pelo desdém ao mundo natural.

“[...] o próprio Agostinho mostra-se muito dolorido e arrependido porque em certa ocasião se ativera por uns minutos a observar a conduta de uma lagartixa, quando na realidade deveria ter se ocupado das verdades eternas. Séculos mais tarde, Anselmo de Canterbury declarou que, porquanto o ser humano foi feito para contemplação de Deus, se por apenas um instante afasta sua vista do Eterno, a fim de contemplar em seu lugar o mais formoso dos astros, não poderá em toda a eternidade pagar por tal pecado.” P. 26-27.

Parece piada isso, não é? Esses dois foram muito inteligentes em várias abstrações filosóficas, mas só uma pessoa com o parafuso solto levaria a sério hoje em dia, esse tipo de conduta que ambos pareciam levar. Com esse tipo de pensamento, nenhuma sociedade avançaria na técnica e na ciência. O cara virar cristão para depois ficar com o peso na consciência por observar os movimentos de uma lagartixa, é de lascar. Se bem que Agostinho era meio lélé da cuca mesmo. Anselmo também não fica atrás na paranoia.

González propõe uma volta ao livro de Gênesis para a fundamentação de uma teologia ecológica. O primeiro livro da Bíblia fala-nos sobre a criação do homem/mulher e do restante da criação. Nada melhor do que extrair dos primeiros capítulos de Gênesis, uma práxis ecológica não baseada na exploração descarada da natureza, mas de respeito pela mesma. Ele reconhece que os cristãos em muitos momentos não tiveram o devido respeito pelo mundo natural, explorando-o sem responsabilidade, ou fazendo vista grossa aos desmandos contra a natureza. Portanto, cabe a igreja arrepender-se.

Na relação entre pensamento cristão e economia, González defende no capítulo 2, que a comunhão de bens da igreja primitiva não foram os casos isolados registrados no livro de Atos 2 e 4. Usando documentos cristãos dos séculos II e III, as evidências nos indicam que os primeiros cristãos, pelo menos em teoria estavam dispostos a ajudar aqueles que estavam necessitados entre as suas diversas comunidades de fieis.

É enfatizado que as contribuições eram voluntárias, o que está muito longe de ser o que é praticado há muitos anos nas mais variadas igrejas, onde a coerção psicológica e espiritual acompanham os pedidos de dinheiro de forma descarada e sem pudor algum.

“Se avançarmos ao final do século 2 e início do século 3, veremos Tertuliano [um dos líderes da igreja] declarando que as ofertas dos cristãos são voluntárias: ‘Em certo dia do mês, se assim o desejar, cada um faz uma pequena doação, mas somente se desejar e se puder, porque não há obrigação, mas tudo é voluntário’.” P. 79.

Há uma ressalva aí: os ricos tinham obrigação de ajudar aos irmãos pobres. Mas o que ocorre nos dias hodiernos é a cobrança indevida de dinheiro dos mais lascados financeiramente.

No capítulo 3 é abordada a catolicidade da igreja. González conhecido por seu ecumenismo conclama as várias as comunidades e tradições cristãs a não olharem para as suas perspectivas teológicas e espirituais, como as únicas dignas de crédito e de fidelidade ao evangelho. Assim como as escrituras possuem 4 evangelhos distintos e de múltiplas visões sobre os acontecimentos sobre a vida de Jesus Cristo, mas mesmo assim, eles se complementam e se enriquecem mutuamente. De modo semelhante, as inúmeras igrejas devem ter um olhar de humildade e reconhecer nas outras comunidades de fé, que estas também representam o evangelho de Jesus. Não proceder assim é ser sectário e herege.

No próximo capítulo o foco é a relação entre as várias culturas (“povos, nações e línguas”, tomando emprestadas as palavras de João no Apocalipse), lembrando que nenhuma cultura ou povo é superior a outro, e, que o ocidente (cristão) provou-se não mais cristão que as outras regiões do planeta.

“Hoje sabemos, principalmente depois de duas bombas atômicas e uma longa história de exploração e opressão, que a cultura ocidental não é necessariamente mais cristã que as demais”. P. 135.

Todas as culturas têm o seu lado positivo, não deixando de lado os seus aspectos negativos. O pensamento cristão deve ser multicultural; que a igreja não caia no erro de impor os seus costumes culturais aos povos aos quais pretende levar a mensagem de Jesus. Chegamos mais uma vez, na catolicidade do pensamento cristão, onde o etnocentrismo não tem lugar, visto que nenhuma cultura expressa melhor que a outra a vontade de Deus.

O livro possui mais três capítulos... Neles entra em cena o González pastor/pregador/evangelista; o homem de fé, que apesar de toda a sua erudição, acredita piamente que todos os problemas que assolam o nosso mundo um dia irão acabar, visto que Deus em Cristo na consumação de todas as coisas, a tudo restaurará.  

Outro livro do González resumido, pode ser visto nesse aqui: