quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Filosofia para Corajosos


PONDÉ, Luiz Felipe. Filosofia para Corajosos. São Paulo: Planeta, 2016. (Versão em PDF).

Link do livro para baixar:

http://lelivros.top/book/baixar-livro-filosofia-para-corajosos-luiz-felipe-ponde-em-pdf-epub-e-mobi-ou-ler-online/

Apesar do sensacionalismo do título dessa obra, Pondé é um cara que gosto de ouvir! Sempre gostei de suas palestras e entrevistas! E agora, acabo de terminar um segundo livro de sua autoria.

Com Ph.D em Filosofia na USP, e Pós-Doutorado na Universidade de Tel Aviv, nesse seu recente livro, ele dispara todo o seu veneno contra a sociedade contemporânea, que segundo ele, é a sociedade mais hipócrita, doente e retardada da história.

É um Pondé abusado, chato, marrento, birrento, pessimista e, digo até, contraditório e marqueteiro, ou sendo mais compreensível com ele (como se ele se importasse com isso): paradoxal.

Livro bom! Livro recomendado!

Alguns trechos que julguei interessantes:

"Pensar para onde vamos depois da morte ou como nos sentimos quando sabemos que vamos morrer levanta, de cara, uma questão, entre tantas outras: por que o susto em saber que vamos morrer quando sabemos o tempo todo que vamos morrer um dia?" P. 15.

Quem é que não se caga de medo, por esse iminente dia?! Eu me cago todinho.

"E se não existir vida após a morte, tudo é permitido? E senão existir Deus, tudo é permitido? [...] Essa pergunta é muito importante porque implica o seguinte: se morro e viro pó e ninguém descobre os absurdos que fiz na vida, e não existe alguém ou algo que me faça pagar pelo que fiz nesta vida 'no outro mundo', isso significa que tudo bem matar. Será que a vergonha de fazer algo errado basta para limitar meu comportamento? Acho que não. E você? Mas o fato de, talvez, precisarmos de um 'Deus' para garantir a moral e o bem não implica a sua existência, certo? O mais legal da filosofia é você aprender a pensar sem medo das respostas.Talvez Deus não exista e ainda assim continuemos a precisar que Ele exista. Enfim, questões sem fim." P. 16.

Questão espinhosa. Muitos dos religiosos mais moralistas da história fizeram coisas horríveis em nome de Deus. Para eles, como Deus tem existência concreta, então tudo é permitido fazer, para defender a reputação dele, frente aos hereges.

“Quem nunca leu nada não tem opinião sólida sobre nada, apenas achismo, uma opinião vazia, como dizia Platão, quando fazia a diferença entre ter opinião (doxa) e conhecer algo (episteme). Conhecer demanda trabalho, conversar com outras pessoas e ler alguns livros. Na maioria dos casos, conversar com mortos. Uma opinião vazia, qualquer bêbado tem.” P. 22.

A maioria dos brasileiros. A preguiça para pensar, ler e estudar, é generalizada.

“Para dizer que existe evolução moral na humanidade seria necessário termos um critério absoluto, universal e seguro do que é certo e do que é errado. E isso não existe.” P. 36.

Existe esse critério? Os apologistas evangélicos dizem que sim. Seria o próprio Deus. Mas é difícil extrair do livro que eles dizem seguir a risca, absolutos morais.  São os que mais esbravejam contra a relativização dos valores, mas relativizam, suavizam, minimizam, atenuam, as passagens de matanças de crianças e velhos no Antigo Testamento.  

"Vale a pena ser honesto? Será? Minha tendência é achar que não. [...] Para começo de conversa, podemos suspeitar que a honestidade seja falsa ou fruto de falta de oportunidade de agirmos de outra forma. Para piorar, a verdadeira virtude é silenciosa e não faz marketing de si mesma, o que em nosso mundo dominado pelo marketing, fica difícil de ser sustentado. O mundo contemporâneo é tagarela por natureza." P. 41, 42.

Até vale. Mas até quando raramente fazemos algum ato de “caridade”, gostamos que os outros notem a nossa “bondade”. Eu sou assim. Quem sabe, não posso adquirir alguma vantagem disso no futuro, não é mesmo?!

"Essa ideia de que ser religioso implica alguma forma de carência cognitiva é comum entre pessoas que se julgam mais cultas. Tenho dúvidas de que isso seja uma verdade evidente. [...] O século XX foi mortífero não em nome de Deus, mas em nome da política. Esse é um fato que, muitas vezes, escapa aos nossos péssimos professores de história que ensinam bobagens para nossos alunos". P. 44.

Esse mito de que gente religiosa é (sempre) mais fraca intelectual e emocionalmente, ainda perdura em alguns círculos.

Pondé continua:

"Na minha experiência pessoal, acadêmica ou  na mídia, não me parece que pessoas não religiosas sejam mais sábias do que pessoas religiosas. Muita gente para de crer em Deus ou deuses e passa a crer em si mesma [...], o que acho uma bobagem ainda maior se levarmos em conta a fragilidade de nossos pequenos 'eus'." P. 44.

Independente de termos crenças religiosas ou não, somos frágeis, carentes, dependentes, egoístas, angustiados, perdidos, aflitos... Diante disso, como ter fé em nós mesmos?


“A ideia mais comum de sobrenatural é que ele seja o mundo dos mortos que se relacionam com os vivos. [...] A questão essencial aqui é: por que esses mortos 'precisam de nós, meros vivos?'. Porque não existem e são criações humanas. Esses espíritos nunca sabem além do que sabemos: precisamos amar uns aos outros, fazer menos guerra, ter menos poluição e combater o apego material. Quem precisa de espíritos do além para saber que estamos num atoleiro moral neste mundo dos vivos?" P. 57-58.

[...]

"Resta nos perguntarmos a razão de, depois de tanto conhecimento científico acumulado, tanta gente ainda se sentir atormentada e atraída por esse tipo de coisa. A primeira conclusão é que permanecemos, em alguma medida, na pré-história, amedrontados pela escuridão do mundo e de nós mesmos." P. 58.

As ladainhas do espiritismo, ainda enganam muitas pessoas. 

“Uma das perguntas que julgo mais inúteis em filosofia é se Deus existe. [...] crer em Deus é mais fruto de causas extrarracionais como educação, traumas infantis, ambiente cultural familiar, ter um 'cérebro de crente' do que pensar que crer em Deus é fruto de uma cadeia lógica de provas a seu favor. A mesma coisa vale para a descrença. Dito de outra forma, não acredito que crer em Deus seja uma coisa que você escolhe, assim como você escolhe uma marca de sabonete ou uma marca de carro com base na lógica custo-benefício". P. 58, 60.

[...]

"Acho que argumentos que tentam provar a existência de Deus são inúteis. Muita gente tenta provar a existência de Deus dizendo que o universo 'necessita' de um princípio ordenador de tudo, o que eu julgo infantil como argumento. Tudo isto aqui pode ser fruto de um grande acaso num espaço de tempo inimaginável no qual os elementos se arrumam e desarrumam, e no meio deles nós surgimos e desaparecemos. Deus existe? Eu nunca fui crente. Mas isso não me impede de julgar Deus uma hipótese elegante para a existência das coisas, uma vez que um ser como Ele me parece misterioso e interessante de conhecermos, ainda mais se for uma 'pessoa'". P. 61.

Discordo dele. A questão da existência de Deus é um ponto crucial na Filosofia.  E também não acho que os argumentos pró e contra sejam (sempre) inúteis.

E terminando as citações:

“Os alunos chegam à universidade sabendo nada, lendo nada, tendo uma opinião sobre tudo. Todos vão mudar o mundo para melhor, e os outros não querem saber de muita coisa. Claro, existem as exceções". P. 92.

Hahaha. E num é não?! Mas nem os Professores muitas vezes não sabem nem o que estão ensinando.  

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Guia Politicamente Incorreto da História do Mundo


NARLOCH, Leandro. Guia Politicamente Incorreto da História do Mundo. São Paulo: Leya, 2013.

Link do livro em PDF:


O jornalista Leandro Narloch, odiado pelos Professores de História, narra nessas páginas, uma história não usual de certos acontecimentos e personagens da História mundial. Fala muita merda, é verdade. Faz um uso seletivo de fatos, para chegar à conclusão que deseja. É como se a maioria dos Historiadores fossem burros, e ele (adivinhe?!?) fosse o grande e verdadeiro intérprete da História! 

Mas ele acerta em muitas coisas. Quando detona o socialismo, por exemplo. Isso deixa muita gente puta da vida.

Até onde sei, a comunidade profissional de Historiadores repudia essa obra. Nessa rejeição, há motivos legítimos, mas creio que a ideologia político-filosófica tem o seu quinhão. 

Como não sou Historiador profissional, apenas um reles Licenciado, não nutro nenhuma ojeriza pelo Narloch e suas obras de História. Não obstante, tenho consciência de que ele é muito malandro em muita coisa que escreve.

Em todo caso: obra recomendada, todavia, com cautela.

Alguns trechos:

"Outros grafites de Pompéia [cidade romana destruída pelo vulcão vesúvio] parecem anúncios de prostituição, mas talvez sejam tentativas de difamar conhecidos. 'Quem sentar aqui deve ler isso antes de qualquer coisa: se quiser uma trepada, pergunte por Ática. O preço é 16 asses.' Outra: 'Rômula chupa o homem dela aqui e em todos os lugares'. Há casos similares sugerindo garotos de programa: 'Glicão lambe vaginas em troca de 2 asses', diz um rabisco. 'Aceito virgens', informa outro." P. 14-15. - Ray Laurence, Professor de História Antiga na Universidade de Kent, Reino Unido.

A safadeza já era grande.

"Os grafites também revelam que existia amor em Pompeia. Na parede de um bar, um vizinho zomba do rapaz que não é correspondido pela amada. 'Sucesso, o tecelão, ama uma garçonete chamada Íris, que não gosta dele; e quanto mais ele implora, menos ela gosta.'" P. 15.

A natureza humana não muda mesmo. Desde a antiguidade... Demonstre muito interesse, que você só ganhará desprezo. E o nome do desprezado era Sucesso. Que ironia.

“Os cintos de castidade estão para a Idade Média assim como a loira do banheiro e as balas com cocaína estão para os anos 80. São pura lenda urbana, mas de um tipo que durou séculos e pegou até grandes historiadores.” P. 22.

E de onde vieram esses benditos lacradores de pipiu? Objetos falsificados que possivelmente foram criados no século XIX. Mas os cintos existiram. A finalidade não era para evitar o marido de levar um chifre.

“Só em 1405 é que aparece o primeiro registro conclusivo de cinto de castidade. O Bellifortis, primeiro manual ilustrado sobre equipamentos bélicos, exibe um desenho do acessório e informa que ele era usado em Florença na defesa pessoal das mulheres: elas o utilizavam durante invasões de exércitos estrangeiros para evitar estupros. Não seria, então, um ícone da opressão machista, mas uma defesa contra ela.” P. 22.

"A Igreja exigia abstinência [de sexo] nos domingos, nos dias santos, na Quaresma e durante a menstruação. Somando outras restrições, sobrava menos da metade do ano para o entretenimento conjugal. Os senhores feudais negavam a maioria dos divórcios e, na Inglaterra, mulheres foram multadaspor fazer sexo antes do casamento. Tudo isso para fazer valer o sexto mandamento da Bíblia, aquele que pede aos cristãos evitar a fornicação. 'Fornicar' inclui praticar incesto, requisitar prostitutas, sexo fora do casamento e masturbação." P. 24.

Ela exige muitas dessas coisas até hoje. Mas quantos filhos da igreja obedecem? Assim como os fiéis da Idade Média, são poucos os que se abstêm atualmente. O discurso é de castidade, santidade, submissão, mas não passa de teoria.

"Assim como hoje, a prostituição era comum e às vezes reprimida, às vezes tolerada. A partir do século 14, algumas cidades europeias não só legalizaram a venda de sexo como organizaram o negócio. Bordéis dirigidos pelo governo municipal apareceram em toda aEuropa Continental. Supervisores estipulavam os locais e as horas de prostituição e cobravam impostos das mulheres e dos cafetões. O mais famoso desses bordéis, o Casteletto, criado em Veneza por volta de 1350, atraía turistas sexuais de toda a Europa." P. 25-26.

Hoje o lugar na Europa que mais atrai a macharada é Amsterdã, na Holanda. Nem ia dizer que um grande amigo meu, quando esteve na Europa, solicitou, por 150 euros, os serviços e chamegos carinhosos de uma loira exposta em uma daquelas vitrines num bairro da luz vermelha na capital da Holanda.

"A ideia de que a Terra se movia não era nova: tinha quase dois mil anos quando foi proibida pela Igreja. O grego Aristarco propôs, no século 3 a.C., tudo aquilo que Copérnico defenderia 18 séculos depois: o Sol era o centro, a Terra girava em torno de si própria e em torno do Sol, assim como os outros planetas. Mas ninguém na Grécia levou Aristarco a sério. Contra sua teoria havia diversos argumentos e questões sem resposta. Se a Terra se move, por que um objeto solto do alto de uma torre não atinge o chão um pouco para trás, como acontece quando alguma coisa cai de um carro ou de um barco?" P. 40.

"[...] Newton era obcecado por prever grandes acontecimentos do cristianismo. Reconstruiu a planta do Templo do rei Salomão, acreditando que ela guardava pistas matemáticas sobre a data em que Jesus Cristo voltaria à Terra. Com base nesse estudo, o físico propôs que, em 2370, haveria a segunda ressurreição e o Juízo Final. A mais inquietante previsão de Newton é a data da volta de Jesus Cristo: 1948. Trata-se do mesmo ano em que o catarinense Inri Cristo nasceu. Coincidência?" P. 43.

"A média atual do Brasil é de 26,2 homicídios a cada 100 mil mortes. A da cidade de São Paulo é 12 – menor que a de cidades americanas como Miami (16,8) e Chicago (15,9)." P. 74.

Caramba, a cidade brasileira é a menos violenta! Eu sabia que Miami, pelo menos na década de 1980, talvez fosse à cidade mais perigosa do mundo. Mas a violência ainda é muito alta por lá.

“A bomba de Hiroshima salvou milhões de japoneses.” P. 83.

Qual a justificativa que o Narloch fornece para essa afirmação?

“É razoável acreditar que, houvesse uma operação anfíbia rumo a Tóquio, morreriam muito mais japoneses que as cerca de 200 mil vítimas das bombas atômicas. Só na invasão ao arquipélago de Okinawa, pelo menos 100 mil civis morreram (um quarto da população local), além de 70 mil soldados”. P. 85

Ele diz que se não fosse a bomba atômica, cerca de 7 milhões de japoneses provavelmente morreriam nos ataques convencionais perpetrados pelos EUA e União Soviética. E como no lançamento da bomba morreram "apenas" milhares de japas... Há uma lógica na explicação. Mas tenho dificuldades com o termo "salvar". Narloch parece dizer que a bomba atômica foi algo benéfico! Como se um grande erro pudesse justificar algo.

Suponhamos que uma mulher é brutalmente estuprada e a criança fruto desse ato, no futuro se torne um Cientista que descubra a cura da diabetes. Podemos afirmar que o estuprador salvou milhões de pessoas, porque ele resolveu violar sexualmente uma mulher, gerando um ser humano prodígio, que encontrou a cura de uma doença que acomete parcela considerável da população mundial? Claro que não, né?!

O livro é bom, mas é inegável o seu caráter sensacionalista em muitos pontos. Narloch é muito sonso e cínico. 

"Nas aulas de matemática, os alunos [da Alemanha nazista] calculavam quanto o governo gastava ao manter um doente mental no asilo, sugerindo a justificativa para o programa de eutanásia dos doentes mentais". P. 125.

“Na destruição física, é difícil dizer quem foi pior. Os comunistas mataram mais (por volta de 80 milhões de pessoas, 218 contra 10 milhões dos nazistas), mas num período mais longo e em mais países. Deportações em massa, chacinas a céu aberto ou com gases asfixiantes ocorreram na União Soviética desde a década de 1920. A NKVD, a polícia secreta soviética, criou em 1936 uma câmara móvel de gás, instalada num caminhão que levava as vítimas para a vala comum enquanto elas morriam. Hitler copiou e aperfeiçoou esses métodos.” P. 128. - Alain Besançon, ex-Professor de História nas Universidades de Stanford, Princeton, e Oxford.

"De 150 chefes de Estado que governaram a África entre 1957 e 1991, apenas seis deixaram o poder voluntariamente." P. 187-188.

Se a neocolonialismo espoliou o continente africano, os líderes que o governaram depois de sua emancipação do homem branco, terminaram de espoliar e explorar, causando tantos males quanto os europeus. Talvez tenham sido até piores, visto que assassinaram, torturaram, exilaram e deixaram morrer de fome, a sua própria gente.

"'Pergunte a esses líderes sobre as causas dos problemas da África', sugere o economista ganense George Ayittey. 'E eles vão tagarelar sobre o colonialismo, o imperialismo americano, os efeitos perniciosos da escravidão, a injustiça do sistema econômico internacional, a exploração das multinacionais. É claro que nunca mencionarão sua própria incompetência e a adoção de políticas equivocadas'.” P. 188.

“[...] Nikolai Yezhov, o homem mais poderoso do regime depois de Stálin. [...] Nas horas de lazer, o inquisidor soviético [...] participava de orgias com mulheres e amigos e organizava campeonatos de flatulência. É, campeonatos de flatulência. 'Ele comandava competições entre comissários sem calças para ver quem jogava mais longe as cinzas de um cigarro com um peido', conta um dos principais biógrafos de Stálin, o historiador Simon Montefiore." P. 193.

Tá explicado! Por isso que o comunismo/socialismo foi uma verdadeira cagada.

“A mais grave consequência da quebra do sistema produtivo é a fome. Sem possibilidade de lucro na produção de alimentos, os países comunistas e suas fazendas coletivas abrigaram as maiores crises de fome do século 20. Foram entre 10 milhões e 30 milhões de mortos em apenas três anos na China (entre 1958 e 1961), 5 milhões de mortos na União Soviética de Lênin entre 1921 e 1922, cerca de 3 milhões na Coreia do Norte entre 1995 e 1999, 2 milhões no Camboja entre 1975 e 1979, 400 mil da Etiópia governada sob influência da KGB. Na Ucrânia, entre 1932 e 1933, a fome foi planejada e aprovada por Stálin, que pretendia punir os rebeldes camponeses ucranianos. Sete milhões de pessoas morreram – mais que os judeus sob Hitler e num período menor”. P. 196.

Eita, socialismo bom da gota.

“Ao arranjar culpados para as crises de fome, nenhum líder comunista foi tão criativo quanto o chinês Mao Tsé-tung. Em 1958, ele concluiu que o motivo da falta de comida eram quatro pestes que infestavam as plantações: ratos, mosquitos, moscas e pardais. Estes últimos eram os grandes inimigos de Mao, pois não só atacavam plantações como armazéns e árvores frutíferas. A solução: implantar uma força-tarefa, a Grande Matança de Pardais. Os chineses foram obrigados a destruir ninhos e ovos de pardais e a bater panelas, sacudir vassouras e pedaços de madeira 24 horas por dia para evitar que os pássaros pousassem, e assim eles foram levados à morte por cansaço. Parece insano, mas deu certo – ou melhor, deu tudo errado. Os pardais foram eliminados da China. Só que, como eles ajudavam a comer insetos que atacavam as plantações, a matança acabou gerando um desequilíbrio ainda pior. O jeito foi chamar os pássaros de volta. Anos depois, numa ação secreta, os chineses importaram 200 mil pardais da União Soviética.” P. 196.

"Diante da falta de papel higiênico, o governo [de Hugo Chávez] arranjou uma desculpa genial: o produto faltava porque os venezuelanos estariam comendo mais – e indo ao banheiro com mais frequência." P. 197.

As cagadas do socialismo.

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Drogas S/A: A Festa da Maconha em Boston


Boston, nos EUA, descriminalizou as pequenas posses de maconha, menos de 30 gramas. Ser pego com a droga não é mais crime, apenas uma contravenção. A polícia tá puta da vida com isso. Boa parte de suas abordagens não resultam em prisões. Mas o que ela quer? Se forem colocar na cadeia cada maconheiro que encontrar por lá, as prisões ficarão lotadas em poucos dias. Quanto aos traficantes, a lei continua dura. Muitos anos de prisão.  

Os maiores consumidores são os alunos universitários. O futuro do país. As repúblicas estão repletas da cannabis.Todo dia 20 de abril, os apreciadores da maconha reúnem-se em uma movimentada praça, para fumar a droga, como forma de protesto contra as leis que restringem o seu uso. Querem mais liberdade para consumi-lá. Layla, uma universitária, alega que a droga ajuda aos alunos a superarem a pressão dos estudos diários da Faculdade. Eles chegam a estudar 12 horas diariamente. Mas ao mesmo tempo o documentário informa que o mais tem nessas Universidades e albergues são festas e mais festas.  

Para o dia 20, os traficantes estão ansiosos, visto que é o dia do ano mais promissor na vendas dos entorpecentes. Entretanto, o dia está chuvoso, a presença e abordagens da polícia está intensa, e poucas pessoas comparecem a praça para contestar o sistema “opressor” de restrição da cannabis.

Segundo a NatGeo, o sistema imunológico fica bastante danificado, com o uso prolongado da maconha. O que pode ser um benefício hoje, anos à frente, poderá ser um problema de saúde. 

Fumar a cannabis é apenas uma das formas de se provar a droga. Existem bolos, confeitos, biscoitos e uma série de produtos derivados da maconha. 

Aos poucos o governo americano está cedendo e liberando o uso medicinal e recreativo da maconha. O debate é polêmico e fervoroso, sobre a viabilidade disso ser benéfico ou lascar a sociedade americana de vez. De uma coisa todos estão cônscios: a sociedade estadunidense é uma cultura chapada. A descriminalização parece ser o melhor caminho. Os Estados mais conservadores continuam irredutíveis. Nada de isentar os usuários.

Ano passado o Estado do Oregon liberou a posse da maconha.

“[...] qualquer pessoa maior de 21 anos pode possuir legalmente até oito onças (227 gramas) de maconha, fumá-la em sua casa ou em locais privados, compartilhá-la com outras pessoas e cultivar um total de quatro plantas para uso pessoal.[1]

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Mesopotâmia: Retorno ao Éden


Mesopotâmia, terra entre rios. Palco das primeiras civilizações humanas. Abrigou grandes impérios da antiguidade. Sumérios, babilônios e assírios. Todos esses povos estão presentes nas narrativas bíblicas. Numa mistura de mito, histórias reais e interpretações divergentes de um mesmo evento, os acontecimentos do livro hebreu se entrelaçam com os escritos dos cronistas dessas culturas. 

Há pouco mais de 200 anos a Arqueologia vem desenterrando e esclarecendo muitos pontos obscuros das passagens bíblicas. Muitos dos artefatos encontrados e estudados revelaram uma consistência interessante e impressionante com o texto sagrado. Muitos eventos continuam um mistério. E podem confirmar ou desmentir a Bíblia. Alguns a contradizem. 

Pergunta: é confiável o texto do Antigo Testamento em sua integralidade? Onde a razão e a ciência podem ir? E quando a fé entra para completar a crença nos relatos hebraicos? Também podemos inverter a ordem das coisas, ou reformular melhor essas perguntas. 

Aos mais empolgados, a Arqueologia não comprovou totalmente o texto das escrituras. Ela lida com peças fragmentárias, que precisam ser interpretadas. A quem quer justificar a fé no bom e velho livro, não precisa se apegar a ferro e fogo ao que as ferramentas da Ciência diz ou deixa de dizer. 

O documentário em questão é de 1995. Um pouco antigo. Pesquisas avançaram, e Arqueólogos atualmente não aceitam a historicidade da Bíblia em trechos chaves de suas páginas. Uma minoria (creio eu) continua alegando que ela é precisa. É difícil mensurar até onde esses mais crentes não estão sendo movidos pela emoção. Sobretudo quando vão ao campo de pesquisa com o pressuposto de que a Bíblia é 100% confiável. 

Se desvencilhar das pressuposições religiosas não é tarefa fácil. Isso também vale para os mais céticos, que às vezes fazem declarações, que vão além dos que as evidências permitem dizer. 

Em minha opinião, um trabalho mais saudável, sério e idôneo, deve pautar-se por uma atitude mais neutra em relação a Bíblia. É difícil livrar-se dos pressupostos que carregamos. Mas um pesquisador não pode ir a campo, batendo o pé e dizendo: "Nenhum achado, descoberta, artefato, pergaminho, papiro ou outra merda qualquer, irá entrar em choque com a Bíblia, visto que ela é a Palavra de Deus, e assim, não pode estar errada. A Ciência verdadeira, sempre a confirmará." Proceder assim é se fechar as várias possibilidades que o estudo arqueológico pode nos fornecer. 

O crente pode ir à labuta nos sítios arqueológicos, crendo que a Bíblia é confiável. O que acredito é que não pode proceder ad hoc quando as evidências forem contra as suas convicções ideológicas. Deve admitir que naquele ponto em específico o texto é (ou parecer ser) impreciso historicamente. E se for preciso, sob o peso das evidências abandonar alguns (ou todos) dos seus velhos pressupostos. 

Semelhante coisa deve fazer o cético. Se um achado reiterar uma passagem do texto bíblico, uma atitude sóbria é ele admitir: "Essa narrativa bíblica mostrou-se precisa. Pensava que ela era fantasiosa e fruto dos desvarios do cronista hebreu. Enganei-me." E assim, não subestimar a priori as outras histórias que a Bíblia contém. 

Tabu Brasil: Nudez


Nudez! 

Em nossa cultura é praticamente impossível não vincular o nu ao sexo, ao erotismo, a pornografia, a putaria e outras coisas mais. 

Estamos acostumados a erotizar o corpo despido. Associamos o estar sem roupas a libido, a sexualidade a ser exercida. 

Não é dessa maneira que umas poucas pessoas veem a nudez. 

Por exemplo, no Rio Grande do Sul, na comunidade Colina do Sol, todas as pessoas que ali moram, vivem nuas. Para eles, a nudez é algo tão natural quanto comer, tomar banho, conversar, praticar esportes e etc. Com rígidas regras de convivência, eles vivem numa mini cidade, onde a roupa tem pouca importância. Apenas quando está muito frio, ou noutras pequenas circunstâncias, é que eles se cobrem com um pedaço de tecido. Algumas pessoas que querem visitar e conhecer o local, pensam erroneamente, que ali é um antro de putaria. Mas talvez, excetuado a nudez inerente do local, eles vivem com sérias restrições de comportamento até mais severas que as do mundo "normal". Carinhos excessivos em público são duramente proibidos. Eles não falam claramente, mas ereção em público é pecado capital nessas localidades.

O Brasil vive uma ironia, ou podemos chamar de hipocrisia mesmo. No Carnaval é permitido que peitos e bundas sejam plenamente exibidos em público, seja na TV, seja nos bailes e nas ruas. Podem estar crianças, pessoas idosas, não importa, pois pelo menos nesses quatro dias de folia, a lei que pune a nudez em público, como atentado violento ao pudor é SUSPENSA. Que sistema legal é esse que arbitrariamente resolve tirar férias nos dias dessa festa? Não estou criticando a nudez carnavalesca, mas a flexibilidade injustificada do nosso sistema de leis. 

Quando a Sara Winter, ainda feminista na época em que esse documentário foi feito, foi fazer um protesto contra os vergonhosos gastos para a copa do mundo, mostrando seus lindos e apetitosos seios (acho que sejam, pois estão embaçados; e ok, sou mais um que não sabe desassociar a nudez do sexo), ela e suas companheiras de militância foram arrastadas pela policia. Num protesto pacífico e com uma acusação legítima, pessoas são presas e punidas, por estarem com os seios à mostra, sem fazer atos e gestos obscenos. No entanto, na futilidade do carnaval, pessoas podem fazer insinuações sexuais em rede televisiva nacional e ainda são aplaudidas e idolatradas. Vai entender uma coisa dessas. 

Ficarmos nus é, e continuará sendo um TABU. Nossa formação ético-religiosa-cultural não nos permite ir além. Pra falar a verdade, a roupa protege-nos não apenas fisicamente, mas psicologicamente. Nossa história de vida está de certa forma refletida em nosso corpo. Sejam defeitos, cicatrizes, marcas... Por que deveríamos expô-las aos outros? Quem diabo se importa em ver nossas pelancas, estrias, celulites, bunda murcha, manchas?! Não obstante, se tem pessoas que não ligam, que assim vivam em seus lugares e paraísos do naturismo, como a localidade Colina do Sol. 

Que todos sejam felizes. Ou com roupa ou sem.

Tabu: Medicina Alternativa


Quando os tratamentos convencionais, não trazem os resultados esperados, é hora de buscar ajuda na medicina milenar, nos procedimentos heterodoxos, na sabedoria dos monges, na ciência popular. Esse pelo menos é o pensamento de muitos, que vão atrás da resolução de seus problemas de saúde, quando os remédios alopáticos deixam a desejar. 

Tabu: Medicina Alternativa vem trazer as histórias de várias pessoas que foram em busca de tratamentos não validados pela medicina acadêmico-científica. Mas apesar de sua falta de comprovação pelos rígidos métodos dos laboratórios de ciências, os métodos alternativos, ainda são muito populares e vistos como possibilidades viáveis, na cura das doenças e vícios que acometem as pessoas que os buscam. 

Dois ingleses, um homem e uma mulher, viciados em heroína, resolvem acabar, depois de muitos anos de vícios e vidas destruídas pela droga, com a dependência do entorpecente. Vão até a Tailândia, num mosteiro budista, especializado em arrancar em poucos dias o vício das drogas, através de um severo tratamentos com nove ervas misturadas. Eles esperam se livrar de uma vez por todas do inferno em que se encontram.
Surpreendentemente, nesse lugar sagrado, a taxa de sucesso das pessoas que largam de uma vez por todas o vício das drogas é de 70%. Uma porcentagem alta e que valida a maneira radical com que os monges combatem as drogas. E ainda com o adicional de que o tratamento é gratuito. 

Na cidade se Hyderabad, na Índia, 500 mil pessoas estão em busca da cura da asma. O medicamento deve ser ingerido com um pequeno peixe vivo, que deve ser engolido ainda com vida. Há mais de 150 anos, milhões de pessoas são tratadas assim, nesse país. A mãe de uma criança com asma leva o seu filho, para engolir o tal remédio com o peixe. A criança, dias depois, tem uma melhora significativa. O efeito placebo explica a "cura" do garoto? Para os acadêmicos, sim. 

No Peru, um curandeiro sob a influência de tradições incas e cristãs, trabalha na cura daqueles que vem procurar os seus poderes, mediante ervas e sacrifícios de porquinhos da índia. Um jovem que durante muitos anos de sua vida, carregou muito peso, agora se encontra com discos lombares que lhes causam dores terríveis. Ele vai tentar se curar com esse xamã. Se submeterá ao ritual, onde o porquinho será dilacerado e os órgãos deste serão uma espécie de tomografia do que se passa em seu corpo. 

Ainda no Peru, numa barraca se vende suco de rã triturada no liquidificador. Quem o faz, garante que essa bebida cura qualquer doença. A rã é morta e sua pele é retirada, logo em seguida é fervida. Assim estará pronta para ser esfacelada no liquidificador, com uma erva dos andes. Muitos peruanos tomam, e juram que a bebida faz efeito. Até tornar as mulheres férteis, esse suco exótico consegue, segundo eles.

Quando os caminhos normais não nos servem, vamos por outros incomuns, por mais que sejam estranhos e irracionais. As vezes o desespero é tão presente e intenso, que pensamos: por que não tentar? Mesmo tendo ciência de que inexiste comprovação científica nessas abordagens terapêuticas extravagantes, para muitas pessoas desesperançosas, a aflição que uma doença/deficiência, vontade ou desejo acarreta, fala mais alto. E assim, qualquer ajuda é válida. 

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Tabu Brasil: Soro Positivo


Desde que apareceu os primeiros casos, a AIDS matou até hoje, cerca de 36 milhões de pessoas. É uma doença infecto-contagiosa transmitida pelo vírus HIV. Atualmente, 35 milhões de pessoas estão infectadas. 718 mil brasileiros são HIV positivo. A contaminação cresceu fora do que se esperava na última década entre os jovens. E impressionantemente, entre as pessoas de mais de 60 anos, houve um alarmante aumento de 157% entre 2001-2012! 

Os primeiros casos de HIV no Brasil foram no início da década de 1980. Era prevalecente entre os homossexuais. Logo em seguida, o vírus se espalhou entre os usuários de drogas, através das seringas. O primeiro caso de uma mulher infectada foi 1983. 

A doença para se manifestar pode durar 5, 7, 9 anos, ou menos que isso. Tem pessoas que podem ter o HIV e nunca desenvolverem a AIDS. Vai de cada sistema imunológico. 

Como avanço dos medicamentos retrovirais, ter HIV não é mais um atestado de óbito. Mas engana-se quem pensa, que os portadores do vírus têm uma vida fácil. São muitos comprimidos para tomar todos os dias. Os efeitos colaterais são inevitáveis. Exames de rotina, para ver a carga viral no sangue, também fazem parte da vida de um soro positivo. 

Três histórias distintas, porém, tendo em comum o vírus HIV, são contadas.

Um jovem homossexual, que teve a infelicidade de pegar o vírus ainda com 19 anos de idade. Começou seus relacionamentos sexuais com o preservativo, mas os deixou de lado, e não demorou muito para ser infectado. Há 11 anos, ele toma os remédios para o controle da carga viral. Nunca teve nada sério até então. Está para casar com um parceiro “limpo”. Está feliz. De vez em quando sente os efeitos colaterais dos remédios que toma diariamente.

Uma senhora de 60 anos conta a sua história de infecção. Depois de uma vida inteira, chega a terceira idade carregando o HIV em seu corpo. Pegou de seu antigo parceiro. Nunca imaginou que ele poderia lhe contaminar. Nesse caso, as mulheres continuam sendo um grupo de risco, visto que seus maridos e namorados podem ser infiéis, acabar se contaminando e passar o vírus para suas mulheres. Isso acontece com uma freqüência alarmante.

O terceiro caso é de uma jovem de trinta e poucos anos, considerada o primeiro bebê portador do vírus, em 1983. Sofre desde a infância com os problemas que o vírus pode acarretar. Oscilou entre fazer o tratamento com os antivirais, e parar de tomá-los. Passou por prolongadas internações. Mas hoje, apesar das seqüelas e saúde limitada, está bem na medida do possível, e está para ser mamãe. É casada com um soro positivo.

Enfim... Documentário pesado. A cura ainda não está disponível. E não há esperanças concretas de que ela virá nos próximos anos. O tratamento avançou bastante desde os primeiros casos no começo dos anos 1980. Ouvimos aqui e ali, que a cura já foi encontrada, mas a indústria farmacêutica não está interessada em fornecer os comprimidos que tenham o poder de extirpar por completo o HIV do organismo. Ela perderia muito dinheiro. O mundo dos remédios não é filantrópico, benevolente, altruísta...

Não duvido dos boatos de que a solução para o problema do HIV/AIDS tenha sido encontrado.   

Asé


Culto trazido pelos negros, no período da escravidão. Sobreviveu, evoluiu, resistiu aos ataques do Estado, da igreja, e hoje possui muitos adeptos nas grandes cidades brasileiras.

O Candomblé é a religião que une os vários cultos aos orixás trazidos do continente africano. Seja Exu, Xangô, Oxóssi... É uma celebração da natureza. Seja das plantas, dos rios, mares... Faz parte de seus elementos de adoração as entidades/forças/energias, os sacrifícios de animais. No entanto, todos são aproveitados para alimentar os membros da comunidade. Nada se perde. E não existe em hipótese alguma, sacrifícios de pessoas, como alguns costumam acusar o Candomblé.

Em suas adorações os negros escravizados, astutamente vincularam os santos do catolicismo aos orixás, para que estes fossem cultuados, sem a censura do homem branco. A coisa deu certo. Quando a igreja e os sacerdotes pensavam que o negro tinha se convertido a fé católica, na verddae, ele estava adorando e prestando devoção ao seu orixá.

Uma afirmação curiosa é dita: os fiéis do Candomblé não são politeístas. São monoteístas. Existe apenas um deus. Os orixás são emanações desse único Ser. Numa comparação com a religião cristã popular, seriam espécies de anjos da guarda.

Uma importante mensagem de respeito e tolerância é deixada por um dos babalorixás entrevistados. Não importa a religião que você pratique, contanto que ela seja baseada no amor ao próximo, você estará perto de Deus. Seja o padre, seja o pastor, seja o pai de santo, o direcionador da devoção ao Criador. O que vale de verdade, é a busca do sagrado, do bem maior: Deus.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

A Bíblia Proibida: Evangelhos Proibidos


É de conhecimento de todos os cristãos que a Bíblia possui quatro evangelhos, ou quatro biografias de Jesus, figura central do Novo Testamento e do Cristianismo. Mateus, Lucas, Marcos e João, formam o quarteto fantástico sobre a história do salvador.

Mas também já e de conhecimento de todos, que outros evangelhos existiram/existem, que não foram incorporados ao conjunto de livros que compõem o livro sagrado da religião cristã. O Evangelho de Tomé, de Judas, de Maria Madalena, de Felipe, de Pedro, etc.

Por que esses evangelhos foram rejeitados? Por que não fazem parte da leitura diária da liturgia cristã, tanto na igreja católica, como nas diversas comunidades protestantes? Teriam algo que pudesse mudar os rumos da fé cristã? Teriam o poder de solapar o poder que as igrejas têm sobre os seus fieis? Eles contradizem o que sabemos sobre Jesus? A igreja institucionalizada tem o que temer, frente ao conteúdo que brotam desses livros rechaçados por ela?

Um trecho do evangelho de Tomé é bem curioso:

“Simão Pedro disse a eles: Maria deveria deixar-nos, pois as mulheres não são dignas da vida.

Jesus disse: Eu a guiarei para fazer dela homem, de modo que também ela possa tornar-se um espírito vivo semelhante a vocês homens. Pois toda mulher que se torna homem entrará no reino do céu".

O que diabos ele quis dizer aí, ninguém sabe ao certo. Certamente, as feministas atuais não curtiriam esse dito de Jesus. Soa extremamente “machista”. 

O Evangelho de Felipe parece sugerir que Jesus e Maria Madalena eram enamorados:

“Havia três que sempre caminhavam com o Senhor; sua mãe, Maria, sua irmã e Madalena, que era chamada sua companheira. Sua irmã, sua mãe e sua companheira todas chamavam-se Maria.”

No Evangelho de Judas, Jesus tem uma clara preferência por Judas. Nesse evangelho, o vilão torna-se o herói.

“Mas você [Judas] excederá a todos eles. Pois você sacrificará o homem que me reveste.”

Judas é o privilegiado; aquele agraciado em saber as maravilhas ocultas da missão de Jesus.

“Afaste-se dos outros e eu lhe contarei os mistérios do reino. É possível você alcança-lo, mas você sofrerá muito.”

No Evangelhos de Maria Madalena,  os discípulos se questionam se Jesus prefere ter mais intimidade com ela. Há um certo ciúme.

“Será que realmente ele conversou com uma mulher em particular e não abertamente conosco? Devemos mudar de opinião e ouvirmos a ela? Ele a preferiu a nós?”

O que noto na maioria dos eruditos apresentados no vídeo é que eles dão a entender que esses evangelhos têm mais valor histórico, que os evangelhos que estão em nossas bíblias. Posso estar enganado, mas se não tiverem o mesmo peso de historicidade, os apócrifos estão nivelados, segundo eles. Por que essa equivalência? Por que eles não levam em conta o fato bem estabelecido de que os evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João, foram escritos no século 1, muito mais próximos da vida e ministério de Jesus? Vejo irracionalidade e uma vontade imensa e descontrolada de solapar a mensagem tradicional do Cristianismo. Mas  a precedência dos quatro evangelhos não pode ser mudada. Esses acadêmicos passam por cima disso, e ignoram injustificadamente que os evangelhos apócrifos surgiram nos séculos posteriores ao nascimento da religião cristã; e ignoram que são de procedência gnóstica, pensamento estranho e antagônico ao Judaísmo. Portanto, não podem ter a mesma relevância das biografias de Jesus, que compõem nossas bíblias.

BICHAS



Viados, baitolas, boiolas, frescos, gazelas, mocinhas, efeminados, e finalmente, BICHAS. Outros adjetivos poderiam ser citados, para se referir aos homossexuais, aqui no Brasil.

No documentário da vez, várias garotos foram entrevistados falando sobre suas histórias de vida, que não se encaixam no padrão da heterossexualidade. Assumem-se com orgulho que são bichas. Não vêem esse termo como algo negativo e que lhes rebaixa como seres humanos. Se a sociedade o usa para discriminar e humilhar aos homens que vivenciam uma sexualidade diferente, eles pegam esse adjetivo e o tomam para si, como forma de empoderamento e reafirmação de sua condição homossexual.

Devido as várias piadas, achincalhamentos, preconceitos na família, na escola e entre amigos, eles resolveram enfrentar a discriminação sem temer o contraditório. Afinal, como um deles dizem, que se eles não abrirem a boca em causa própria, serão engolidos pelo sistema que lhes oprime. Nem governo, nem a igreja e nem ninguém, lutará por eles.

As histórias são sempre as mesmas. Meninos que desde crianças que se sentem diferentes dos demais. Não se encaixam nos papéis masculinos que a sua condição de homem exige. Na mais tenra idade começam a perceber que gostam de fazer coisas que o sexo oposto faz. Os trejeitos femininos desde pequenos tornam-se evidentes, daí vem os conflitos com a família e a sociedade em geral.

Alguns pais aceitam com alguma relutância inicial, outros acabam não falando mais com os filhos. Uma parcela antes de saber que os seus filhotes são gays, mostram-se bem modernos, antenados e aparentemente sem problema algum com a sexualidade entre iguais. Mas quando essa sexualidade diferente dá as caras em seu próprio lar, com suas próprias crias, a coisa muda.

Confesso que se tivesse visto esse tipo de documentário há uns 7 ou 8 anos, ou até menos, iria estar xingando os seus protagonistas de safados, sem-vergonhas e coisas do tipo. Acho que melhorei muito em relação a isso. Principalmente depois de ter conhecimento que um grande amigo meu é homoafetivo.

Em 2010, via MSN, ele me contou sua real condição sexual. Como eu poderia deixar de amá-lo como pessoa? De amá-lo como amigo? O que ele fazia dentro de um quarto com os namorados ou ficantes dele, não cabia a mim censurar. A amizade continuou a mesma.

Voltando ao vídeo, como não poderia deixar de faltar, a questão religiosa está presente. Uma das bichas era coroinha, participava de todas as atividades da igreja, mas chegou um momento em que ela percebeu que não dava mais para continuar ali. É óbvio e não é novidade que foram jogados versículos bíblicos em sua cara, condenando a conduta homossexual. Isso num primeiro momento lhe fez pensar, mas a natureza falou mais alto, como sempre ou geralmente fala, e ela assumiu sua "boiolice".

Posso estar enganado, mas parece que o número de homossexuais aumentou muito nos últimos anos. Por onde andamos nas ruas, nos ônibus, shoppings, festas e até nas igrejas, sempre nos deparamos com um "baitola". Ou será que no passado a quantidade de gays era a mesma, apenas que muitos por temor não saíram do armário? Bom, essa é uma possibilidade plausível. Hoje, com mais abertura, e com a força do movimento LGBT, eles têm um apoio e alicerce que antes estava completamente ausente.

Mais uma confissão: apesar de minha visão menos preconceituosa e discriminatória, não queria que um filho meu, fosse gay. E isso não se deve apenas ao fato de que ele sofreria retaliação. Sei que isso soa ofensivo a comunidade homossexual, pois eles NÃO são menos humanos que nós, héteros.

Parabéns aos produtores e principalmente aos entrevistados, que não tiveram medo de expor suas opiniões, mesmo sabendo que esse nosso Brasil, precisa aprender muito a respeitar e ter empatia pelo próximo. Falta-nos muitas vezes humanidade, essa é verdade. Aprendamos a olhar o outro com respeito e amor.

Caçadores de OVNIs: Contatos Alienígenas



Provas concretas estão à espera de serem descobertas. Enquanto elas não vêm, se é que virão, os relatos de pessoas que juram ter tido contatos com OVNIS, são abundantes. 

Terrel Copeland e Michael Lee, são mais dois que se juntam a esse exército de pessoas que alegam ter visto e vivenciado de alguma maneira uma certa conexão com os alienígenas. 

Geralmente, os Ufólogos dizem que vestígios podem ser detectados, caso as pessoas realmente tenham tido contato mais próximos com esses misteriosos seres ou naves. 

Curiosamente, ambos (Copeland e Lee) possuem uma estranha anomalia em suas correntes sanguíneas. Uma quantidade elevada de Creatina. Eles moram em lugares distantes; avistaram e filmaram objetos não identificados semelhantes; e têm plena convicção de que tiveram experiências com extraterrestres. 

Essa anormalidade no sangue seria uma consequência de seus contatos com UFOs? Os Ufólogos acham que pode haver uma relação direta. 

No início do documentário, o Programa SETI, que busca através de potentes aparelhos, sinais de vida inteligente no espaço é mostrado e explicado como funciona. É um audacioso projeto, que começou na distante década de 1960, mas que ainda não obteve êxito em encontrar sinais de seres inteligentes universo a fora. 

Para os Cientistas do SETI, em questão de poucos anos, a prova virá. Alguns especulam que em 2025, a prova será plenamente detectada. 

Não nos empolguemos. Várias predições de isso e daquilo foram feitas por Cientistas e intelectuais eminentes no passado, e não se cumpriram. Hoje são motivos de piada. 

O SETI está ampliando a sua capacidade de detecção a cada ano. Mais tecnologia de ponta tem sido injetada no projeto. Veremos aonde isso vai dar. 

Eu mesmo não acho que seja tempo e dinheiro perdidos, o que esses Astrônomos e Físicos estão fazendo há mais de quatro décadas. A Ciência é assim mesmo, é um jogo de risco. É uma aventura de ganhos e perdas potenciais. 

Se um dia for descoberto que não estamos sozinhos, a percepção de muita coisa mudará. Nossas especulações e divagações metafísicas terão que ser ressignificadas e reavaliadas, como nunca se fez antes. 

As tradições religiosas monoteístas sofrerão grandes mudanças hermenêuticas. As grandes instituições eclesiásticas terão que explicar as pessoas que tanto devotaram a sua fé ao que eles pregavam, como isso não estava em seus livros sagrados. 

O discurso de muitos já está pronto. Sempre há uma brecha interpretativa nos livros sagrados, visto que são ambíguos, confusos, escritos numa linguagem muitas vezes distante do nosso cotidiano. Então não há problema, sempre haverá um jeitinho das coisas se encaixarem, pensam os líderes religiosos. 

Não posso falar do Alcorão, livro sagrado dos muçulmanos, mas dá Bíblia, livro sagrado do Cristianismo, segundo vejo, ela não contempla em suas páginas, nem no Antigo e nem Novo Testamento, qualquer alusão a vida física inteligente fora desse planeta. 

A não ser, que reinterpretemos os vários relatos de contatos e visões de anjos que ela traz, como seres e naves de outros planetas, como já afirmam vários estudiosos do fenômeno UFO. 

Tá bom, o documentário nem fala sobre religião, e nem sobre mudanças conceituais que iremos enfrentar, caso encontremos esses bichos feios interplanetários. Tô só enchendo linguiça aqui.