sábado, 18 de fevereiro de 2017

Um Vento Sagrado


Agenor Miranda Rocha, o sacerdote supremo do Candomblé, no Brasil.

Desconhecia esse mito da religião africana. Mas aos poucos vou assistindo aos bons documentários sobre essa religião e vou descobrindo quem são as suas lendas.

Pois bem, ele foi considerado pelos grandes líderes espirituais do Candomblé, tanto da Bahia, Rio de Janeiro e outras partes do Brasil, como a grande autoridade sobre os orixás e sua magia.

Os grandes e prestigiados terreiros da Bahia recorriam a ele, para que os orixás, através do jogo de Búzios jogados por Agenor, revelassem quem iria substituir quem, nesses centros espirituais.

Num dos terreiros mais famosos e respeitados de Salvador, o Ilê Axé Opó Afonjá, ele foi convocado do Rio de Janeiro, cidade de sua habitação, para jogar os búzios e mediante a orientação de Xangô, revelar quem seria a liderança do axé naquele lugar. Em 1976 a determinação do orixá do fogo, recaiu sobre quem desde essa época é conhecida no Brasil todo como Mãe Stella de Oxóssi, ainda viva hoje, e talvez a maior ialorixá viva.

Agenor é um velho educado, simpático, bondoso, preocupado com o próximo, simples, humilde, despretensioso, que causa admiração a qualquer um, mesmo que não seja do Candomblé, ou não acredite nessa religião, como é o meu caso.

Seu jeito amoroso lhe rendeu em vida muitos admiradores. Quando criança, com somente cinco anos de idade, foi apresentado ao mundo mágico do orixás, no longínquo ano de 1912. Por aí, vemos o quanto ele acumulou conhecimento sobre a religiosidade africana, através de inúmeras vivências e diálogos travados com os vultos dessa religião, que estavam vivos há quarenta, sessenta, oitenta anos.

Vindo de Angola, na África, lugar de seu nascimento, se estabeleceu no Rio de Janeiro, e durante muitas décadas foi a grande enciclopédia do Candomblé no Brasil, servindo como fonte confiável sobre a mitologia dos deuses africanos.

O Candomblé como religião de tradição oral, pode carecer de boas fontes, para manter sua fidelidade aos cultos trazidos pelos negros que aqui chegaram. Daí a importância de figuras como o Agenor.

O documentário Um Vento Sagrado foi lançado em 2001, depois de três anos de gravações. Ele traz várias conversas com Agenor, dentre elas, a sua rejeição ao sacrifício de animais. Para ele, as folhas bastam para que o axé aconteça. Olha que coisa, a maior referência do Candomblé, uma religião conhecida pela matança de animais, tem na verdade, uma grande repulsa por essa prática. Chega a ser irônico isso, visto que ele é reconhecido como o baluarte do conhecimento nesse meio, o que os sacrificadores de bodes, galinhas e ovelhas, têm a dizer?

Outra ironia, é que Agenor, que já é morto desde 2004, era um católico "praticante". Observe as aspas, pois toda a lógica vai a esmo com essa flexibilidade religiosa. Mas Agenor considera-se um católico devoto, e como prova vai a missa regularmente, é devoto de Francisco de Assis, e não vê problema algum nessa aventura espiritual entre catolicismo e magia africana. Noutros lugares já vi a mãe Stella de Oxóssi repudiar esse tipo de fé em duas religiões.

Um Vento Sagrado é um documentário legal, que mostra uma lenda viva (pelo menos até 2001) da religião africana no Brasil, que nada se parece com as grandes lideranças religiosas atuais, que só pensam em ganhar dinheiro à custa da fé alheia.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Diálogo entre um Padre e um Moribundo


SADE, Marquês de. Diálogo entre um Padre e um Moribundo e outras Diatribes e Blasfêmias. São Paulo: Iluminuras, 2001. (Versão em PDF).

“[...] aceita que após tua morte teus olhos não mais verão, tuas orelhas não mais escutarão. Do fundo de teu caixão, não serás mais testemunha dessas cenas que tua imaginação te representa hoje em negras cores”. P. 28.

Marquês de Sade, uma das personagens mais polêmicas da história! Seus escritos chocam até hoje! São histórias fortes, que levam o ser humano ao limite do que é considerado permitido e normal! Nasceu em 1740, na França. Foi preso diversas vezes, inclusive na famosa prisão da Bastilha. Vivenciou todo o burburinho da Revolução Francesa (1789-1799), chegando a falecer em 1814.

O presente livro é uma reunião de várias obras de Sade. Todas despejando ódio e repulsa viscerais contra a igreja católica. O cristianismo com seus mandamentos ridículos deve ser banido da França. Argumentos são desferidos contra a existência de Deus, contra a imortalidade da alma, contra o inferno. Jesus é um charlatão, um vil leproso, um vulgar impostor; seus ditos são tolices; são quimeras. O crime para Sade, não consiste em quebrar os preceitos divinos, mas em tentar obedecê-los. Nada mais antinatural e pecaminoso do que ir contra a vontade da natureza que nos é imposta. Sobretudo, na questão da libido. O maior crime que cometemos contra nós mesmos é quando reprimimos nossas paixões sexuais, sejam elas quais forem.

Temos em Diálogo entre um Padre e um Moribundo..., sete obras de Sade. Vamos a cada uma delas.

Fantasmas

Ele começa bradando contra Deus, quer dizer, contra a incongruente ideia de sua existência.

“Ser quimérico e vão cujo nome apenas derramou mais sangue na face da terra do que jamais fará qualquer guerra política, por que não retornas ao nada de onde a louca esperança dos homens e seu ridículo temor infelizmente ousaram te arrancar?! Tu que só surgiste para o suplício do gênero humano, quantos crimes seriam poupados na terra se houvessem degolado o primeiro imbecil que ousou falar em ti! Vamos, aparece se existes e não admitas que uma frágil criatura ouse te insultar, afrontar, ultrajar como faço, renegando tuas maravilhas e rindo de tua existência, feitor de pretensos milagres! Faz um só para provar que existes!” P. 13.

Diálogo entre um Padre e um Moribundo

Uma conversa entre um padre e um “pecador” perto de ir para o saco é travada, com o primeiro querendo que o moribundo volte-se para Deus e a igreja, afim de se arrepender de seus pecados. Acontece que o iminente defunto, numa enxurrada de argumentos filosóficos dá uma tremenda surra intelectual no padreco, fazendo esse ficar sem argumento algum para persuadi-lo a deixar a vida de libertinagem.

O moribundo diz:

“Sendo possível que a natureza tenha feito sozinha tudo o que atribuis a teu Deus, por que pretendes arrumar-lhe um senhor? A causa do que não compreendes talvez seja a coisa mais simples do mundo. Aperfeiçoa tua física e entenderás melhor a natureza; purifica tua razão, elimina teus preconceitos e não necessitarás mais desse deus.” P. 18.

O moribundo é um empirista e materialista nato. Os sentidos e somente eles, podem nos prover conhecimento do mundo real.

“Prova-me que a natureza não se basta a si mesma, e te permito conceber-lhe um senhor. Até então não esperes nada de mim. Só me rendo à evidência que recebo dos sentidos; onde eles cessam, minha fé desfalece. Creio no sol porque o vejo, concebo-o como o centro de reunião de toda a matéria inflamável da natureza, aceito sua marcha periódica sem espantar-me. É uma operação física, talvez tão simples quanto a da eletricidade, mas que não nos é permitido compreender.” P. 19.

No fim do papo, o blasfemador revela o que realmente vale a pena na vida:

“Meu fim se aproxima. Seis mulheres mais belas que a luz encontram-se no gabinete vizinho; reservei-as para este momento. Pega a tua parte e, a meu exemplo, procura esquecer em seus seios os sofismas inúteis da superstição e os erros imbecis da hipocrisia.” P. 24.

Da Imortalidade da Alma – Primeiro Discurso

As palavras dele bastam:

“Se podemos adquirir idéias apenas por meio de substâncias materiais, como poderíamos supor que a causa de nossas idéias é imaterial? Ousar sustentar que podemos ter idéias sem os sentidos seria tão absurdo como dizer que um cego de nascença pode ter uma idéia das cores.” P. 26.

“Mas desejar uma quimera, será, por si só, prova incontestável da realidade dessa quimera? Do mesmo modo, desejamos a vida eterna dos corpos; no entanto, esse desejo é frustrado: por que o da vida eterna de nossa alma não o seria igualmente? As mais simples reflexões sobre a natureza dessa alma deveriam nos convencer de que a idéia de sua imortalidade é apenas ilusão. De fato, o que vem a ser essa alma, senão princípio de sensibilidade? O que vem a ser pensar, gozar, sofrer, senão sentir? O que vem a ser a vida senão o conjunto desses diferentes movimentos próprios a serem organizados? Desse modo, assim que o corpo deixa de viver, a sensibilidade não mais pode atuar; não pode mais haver idéias, nem, por conseguinte, pensamentos. Logo, as idéias não podem senão provir dos sentidos: como querem que, uma vez privados desses sentidos, ainda tenhamos idéias?” P. 27.

“O sentimento e o pensamento são partes desses movimentos: desse modo, no homem morto, esses movimentos cessarão assim como os outros. De fato, por meio de que raciocínio pretendem nos mostrar que essa alma, que não pode sentir, querer, pensar e agir senão por meio de seus órgãos, consegue sentir dor ou prazer, ou até mesmo ter consciência de sua existência quando os órgãos que a informavam estarão decompostos?P. 28.

Da Imortalidade da Alma – Segundo Discurso

“Qualquer que seja o modo como o fazemos, só vemos matéria em todos os  seres que existem — O quê!, direis, o homem e a tartaruga são a mesma coisa? — Não, claro, diferem na forma; mas a causa do movimento que constitui ambos é certamente a mesma.” P. 30.

Sade argumenta que se somos criaturas feitas pelo Deus cristão, como ele poderia nos condenar ao inferno, visto que seríamos alguma substância vinda dele.

“Em suma: nessa hipótese, não me venham falar em inferno ou paraíso, pois seria insensatez Deus punir ou recompensar uma substância que dele emanou.” P. 32.

Do Inferno

Um dos argumentos até hoje propostos pelos defensores do inferno, é que ele tem que ser eterno, porque os pecados são cometidos contra um Deus infinito, logo, eles merecem punição infinita. Em resposta Sade dispara:

“Segundo essa doutrina, o mais leve erro seria punido assim como o mais grave: ora, pergunto se é possível, admitindo um Deus justo, supor uma iniqüidade dessa espécie? Quem, por sinal, criou o homem? Quem lhe deu as paixões que os tormentos do inferno devem punir? Não foi vosso Deus? Assim, portanto, cristãos imbecis, admitis que por um lado esse Deus ridículo confere aos homens inclinações que é obrigado a punir por outro? Será que ignorava que essas inclinações haviam de ultrajá-lo? Se sabia disso, por que então conceder-lhes esse tipo de pendores? E se não sabia, por que puni-los por um erro que compete apenas a ele?” P. 37.

Acredito que nenhum apologista cristão responda adequadamente a essas perguntas.

Franceses, mais um esforço se quereis ser republicanos

O Marques presenciou todo o processo da Revolução Francesa, que depões o rei Luiz XVI. Republicano apaixonado escreveu essa obra, com o intuito de conclamar a França a abandonar de uma vez por todas, a crença religiosa. O cristianismo é uma quimera e, portanto, não ter lugar na sociedade que estava emergindo.

“O vós que tendes a foice nas mãos, desferi o derradeiro golpe na árvore da superstição; não vos contenteis com podar os ramos: desenraizai de uma vez uma planta cujos efeitos são tão contagiosos; convencei-vos perfeitamente de que vosso sistema de liberdade e de igualdade contraria demasiado abertamente os ministros dos altares de Cristo para que um só deles o adote de boa-fé ou não procure abalá-lo, se chegar a ter de novo qualquer império sobre as consciências”. [...] Vós vistes aonde chegaram. Quem, no entanto, os conduziu até lá? Não foram os meios que a religião lhes forneceu? Ora, se não proibirdes absolutamente esta religião, os que a pregam, tendo sempre os mesmos meios, logo atingirão os mesmos fins”. P. 55-56.

“Conservemos hoje o mesmo desprezo, tanto pelo deus vão que os impostores pregam como por todas as sutilezas religiosas decorrentes de sua ridícula adoção. Os homens livres não se deixam mais iludir por um chocalho como esse. Que a extinção total dos cultos faça parte dos princípios que propagamos por toda Europa. Não nos contentemos em quebrar os cetros; pulverizemos para sempre os ídolos”. P. 58.

Sade vê a religião cristã e a liberdade como dois caminhos antagônicos.

“Sim, cidadãos, a religião é incoerente com o sistema da liberdade; já o sentistes. O homem livre jamais se curvará aos deuses do cristianismo; jamais seus dogmas, seus ritos, seus mistérios ou sua moral convirão a um republicano”. P. 58.

Sobre os costumes que devem ser adotados pela nova republica francesa, encontram-se a descriminalização do roubo, do estupro. Mas para tal, não pensemos que ele não traga justificativa alguma. Tudo o que defende é “legitimado” por uma avalanche de recursos tirados da história, da política, da filosofia e etc.

“Deus me livre de querer aqui atacar ou destruir o juramento do respeito às propriedades que a nação acaba de pronunciar; mas que me seja permitido ao menos expor algumas idéias sobre a injustiça desse juramento. Qual o espírito de um juramento pronunciado por todos os indivíduos de uma nação? Não é o de manter uma perfeita igualdade entre os cidadãos, de submetê-los igualmente à lei protetora das propriedades de todos? Pergunto-vos agora se é justa a lei que ordena a quem nada possui respeitar quem tem tudo. Quais são os elementos do pacto social? Ele não consiste em ceder um pouco de sua liberdade e de suas propriedades para assegurar e manter o que se conserva de uma e de outra?” P. 67.

Sade propunha uma sociedade que pudesse saciar incessantemente os desejos sexuais mais variados possíveis. Todos deviam participar. Mulheres, crianças, jovens... Ninguém deve ser de ninguém. Nada de casamento. Se um homem tem vontade de transar com uma criança, ele está livre para tal; quer ter relações com outro homem, que o faça; quanto as mulheres, elas devem estar sempre dispostas a satisfazer os impulsos sexuais de qualquer homem que reivindicar o seu corpo. Uma mulher TEM que proporcionar prazer a vários homens que solicitarem os seus serviços luxuriantes. Quanto a isso, as palavras de Sade chocam qualquer pessoa com um mínimo de humanidade.

“Um homem que queira gozar de uma mulher ou de uma garota qualquer poderá, se as leis que promulgais são justas, intimá-la a comparecer a uma dessas casas de que falei; e lá, sob a salvaguarda das matronas desse templo de Vênus, ela lhe será entregue para satisfazer, com igual humildade e submissão, todos os caprichos que lhe agradar, por mais estranhos e irregulares que possam parecer; pois não há nenhum que não esteja na natureza, nenhum em favor do qual ela não se confesse. Só teria que se fixar a idade. Ora, creio não poder fazê-lo sem perturbar a liberdade de quem deseja gozar de uma mulher desta ou daquela idade. Quem tem o direito de comer o fruto de uma árvore certamente poderá colhê-lo verde ou maduro, conforme as inspirações de seu gosto.

Mas, dirão, há uma idade em que a saúde da jovem decididamente pode ser prejudicada pelos procedimentos do homem. Essa consideração não tem nenhum valor; desde que me concedeis o direito de propriedade sobre o gozo, esse direito é independente dos efeitos que ele produz; a partir de então, tanto faz esse gozo ser vantajoso ou prejudicial ao objeto que a ele deve se submeter.

Não provei a legalidade em contrariar a vontade de uma mulher nesse assunto e que, tão logo ela inspire o desejo do gozo, deve submeter-se a ele, abstraindo todo sentimento egoísta? O mesmo acontece com a sua saúde. Desde que as considerações que se façam a esse respeito possam destruir ou enfraquecer o gozo daquele que a deseja, e que tem o direito de se apropriar dela, esse cuidado com a idade torna-se inútil porque de modo algum se trata aqui de saber o que sente o objeto condenado pela natureza e pela lei à satisfação momentânea dos desejos de outro. Não se trata nesse exame senão daquilo que convém a quem deseja”. P. 72.

Sociedade dos Amigos do Crime

Nesse derradeiro texto, Sade fala do regimento, pelo que eu entendi, de uma espécie de clube fechado para as pessoas residentes em Paris ou arredores, para que elas se entreguem aos prazeres sexuais que lhes der na telha. Uma espécie de maçonaria. Aqui vão algumas dessas leis norteadoras da Sociedade dos Amigos do Crime:

“2 - O indivíduo que queira ser admitido na sociedade deve renunciar a toda espécie de religião, submetendo-se a provas que constatarão seu desprezo por
esses cultos humanos e seu quimérico objeto. O mais leve retorno de sua parte a tais asneiras implicará sua exclusão imediata.

3 - A sociedade não admite deus algum; há que se ostentar ateísmo para ingressar nela. O único deus que conhece é o prazer; por este ela sacrifica tudo.
Admite todas as volúpias imagináveis e aprecia todos os deleites; todos os gozos são autorizados em seu seio, não há nenhum que não incense, recomende ou proteja.

4 - A sociedade rompe todos os laços do casamento e confunde todos os do sangue. Em sua sede deve-se, indistintamente, gozar tanto da mulher do próximo quanto da própria, tanto de seu irmão e irmã, de seus filhos e sobrinhos, quanto os dos outros. A menor repugnância a essas regras é um poderoso motivo de exclusão.” P. 87-88.

É quase impossível ter empatia por Sade. Principalmente quando ele legitima o estupro de mulheres e crianças. O Marquês nutria um ódio visceral pela religião. Essa completa rejeição da religião é ate compreensível, visto que o catolicismo francês vivia mancomunado com o Estado, enquanto o povo e muitos do baixo clero (padres) viviam numa miséria desgraçada. Como ver algo bom na igreja diante de seus disparates, calcados numa sede doentia pelo poder?

A História do Sexo no Século XX


Sexo no século XX!

Quanta mudanças ocorreram nesses 100 anos!

Para se ter uma ideia, nos primeiros cinquenta anos, a masturbação era de todas as formas desaconselhada. Era imoral! Era prejudicial a saúde! Se desse vontade de usar a mão, alguns manuais aconselhavam os jovens punheteiros a lerem o sermão da montanha, quem sabe assim, a vontade libidinosa cessaria. Médicos diziam aos nervosos masturbadores que na hora que esses pensamentos perversos povoassem as suas cabecas de vento, pensassem no amor de suas mães, qual pessoa em sã consciência, ousaria tocar em seus órgãos procriativos, com a sua sagrada progenitora em mente? Outra forma adotada era colocar os testículos (us zovus) na água gelada!

Os anos 1920 são bem turbulentos. Lei Seca, ninguem podia mais tomar álcool, sem ser punido pelo governo. Surgem os bares, restaurantes e casas de shows clandestinos, vendendo não apenas bebidas alcoólicas, mas recebendo toda uma classe de pessoas consideradas perversas: gays e lésbicas. Estava aberta a ruptura com a moralidade vitoriana.

Controle de natalidade! Começam a surgir os modernos métodos para evitar um bucho antes do tempo. O diafragma e os preservativos de látex, que dão lugar a antiga camisinha de intestino de ovelhas. Espermicidas entram no mercado para desacelerar os espermatozoides mais empolgados.

A censura no cinema não demora a aparecer. O Código Reis cerceavavárias práticas consideradas obcenas para os filmes. Tudo devia passar por uma triagem moralista, respeitadora dos bons costumes. Cenas de beijos eram muito restritas e vigiadas. Cenas com pessoas dormindo na mesma cama, nem pensar.

Após a Grande Depressão de 1929, a censura torna-se mais severa, na década de 1930. Antes os beijos poderiam durar quatro segundos em uma cena, agora as películas não deveriam exibir beijos com mais de um segundo e meio. Isso mesmo 1/2! Até cenas de vacas ordenhadas não poderiam ser filmadas! Podemos imaginar o porquê, né? Cerca de 28 mil regras foram criadas para conter os "excessos eróticos" dos filmes veiculados nas telonas do cinema.

Havia censura também sobre o número de stripteases que podiam acontecer durante as noitadas nas casas de shows de Nova Iorque!

A censura na literatura era o Index dos livros vistos como imorais, portanto, impróprios! Alguns livros era desencaminhantes. Então, nada de serem lidos.

Mas a impulsividade sexual era maior que as leis que a castravam. Com a popularização dos carros, os jovens tinham um escape para as suas aventuras, longe das abas de seus pais.

Logo após a Segunda Guerra Mundial, os homossexuais, coitados, passaram a ser vistos como comunistas, na paranóia da Guerra Fria. Já não eram bem vistos antes, e agora, vinculados as ideias vermelhas, estavam lascados duas vezes mais. Estavam até indeferidos para os cargos federais. Eram personas non gratas!

Surge o polêmico Relatório Kinsey, os resultados abalaram a sociedade puritana e moralista. Porcentagens significativas da população estavam praticando sexo antes do casório, homens estavam se masturbando cada vez mais, tendo relações homossexuais, e etc.

Com a revolução sexual do anos 1960 a porta estava aberta para a putaria invadir de vez o dia a dia da sociedade. Junte-se a issso, o aparecimento das pílulas anticoncepcionais, que davam autonomia as mulheres, que não precisavam mais da ajuda dos homens, para não ganharem um bucho.

O sexo passou a ser mais livre, porém, um grande inconveniente passa a assustar e a ceifar a vida de milhares a partir dos anos 1980. A AIDS. Era vista em suas primeiras vítimas como um novo tipo de câncer, que levava para o saco o seu portador muito rapidamente. O termo "sexo seguro" agora era presente em todas as conversas sobre sexo.

E finalmente, no final do século XX, a impotência sexual podia ser vencida com o azuzinho milagreiro, o Viagra. Pintos murchos não precisavam ficar assim sempre.

Com um pouquinho de paciência, esperemos chegar 2111 para outro passeio histórico sobre a sexualidade humana.

sábado, 11 de fevereiro de 2017

A Era do Ressentimento


PONDÉ, Luiz Felipe. A Era do Ressentimento. São Paulo: Leya, 2014. (Versão em PDF).  

“E, ao final, é sempre da morte que fugimos, ou de suas representações. O homem contemporâneo é, talvez, o mais covarde que já caminhou sobre a Terra, sobre a qual deixará sua marca de incompetência em lidar com a morte, a dor e o fracasso.” P. 16.

Mais um livro do Pondé (Ph.D em Filosofia na USP), resmungando contra todo mundo. Mas eu gosto dele. Dessa vez ele joga os seus ressentimentos contra o ressentimento generalizado da sociedade atual. Igualzinho ao que faz no seu livro posterior FILOSOFIA PARA CORAJOSOS, de 2016, no qual também li, e fiz alguns reles comentários.


Por que somos ressentidos?

Porque “sonhamos em ser imortais mas sempre acabamos por experimentar o mundo finito e o limite de nossos sonhos”. P. 7.

“Minha agonia é sentir-me cercado por ressentidos. De todos os medos que me povoam, ser ressentido é dos piores deles. Ressentidos são pessoas que passam a vida buscando não sentir o que a vida é: falta de sentido, indiferença, incerteza, sofrimento ou o que os psicanalistas chamam de ‘falta’. [...] E mais: não conseguimos viver com a beleza porque ela desnuda nossa falta de beleza e, aí, ficamos ressentidos porque alguém é mais belo do que nós. Caçamos a beleza como uma espécie em extinção e maldita.” P. 18.

Nossa geração, segundo Pondé, é a mais ressentida da história; a mais criadora de utopias; a que não assume as responsabilidades; a mais mimada e infantil; cheia de frescura; cheia de retardados mentais; ou no linguajar das redes sociais: a geração mais cheia de “mimimi” (ele não usou essa expressão).

Isso não quer dizer que o passado sempre foi melhor, paradoxalmente, o autor escreve:

Não é intenção deste ensaio afirmar que o passado era melhor. Apesar de este autor assumir que padece do velho mal-estar romântico com a modernidade, sem usufruir das inúmeras utopias que o romantismo produziu (natureza, vida simples, socialismo; talvez padeça apenas da utopia do amor romântico...), não há aqui nenhuma intenção de afirmar que o passado era um paraíso (é provável que me contradiga em algum momento e afirme que o passado era melhor, mas apenas em alguns casos muito específicos). Nunca foi.” P. 14.

Pondé ao contrário dos embusteiros da felicidade, tenta ver a realidade nua e crua da vida.

“Gente medíocre a nossa volta que imagina um mundo de gente feliz. Eis os idiotas do bem.” P. 16.

“[...] fazer da felicidade um direito, isso é coisa de idiota e covarde”. P. 18.

“Exigimos ter uma importância maior do que temos no universo”. P. 17.

“Conrad [no livro O Coração das Trevas] é famoso por valorizar o heroísmo daqueles que enfrentam a falta de sentido da vida com coragem e disciplina. Virtudes assim são impossíveis num mundo de ressentidos.” P. 17.

Falta de sentido? Num universo sem Deus, criamos nossos sentidos! Nessa questão, sou um ressentido. Não consigo me desvencilhar da ideia de Deus.

Novamente a falta de sentido e o vazio da vida são citados como a causa do ressentimento humano:

“O ressentimento tem uma raiz profunda (o pânico diante da indiferença no universo vazio), mas um dos seus efeitos mais marcantes é exatamente a tendência de nos tornar superficiais, porque assim nos protege da consciência do próprio ressentimento. Desse modo, uma vida para o consumo cai bem, porque o ressentimento vive bem com a vida desperdiçada no consumo. A alegria breve do consumo alivia o peso da chaga do vazio que segue sendo nossa sombra. Não existe cura para a causa do ressentimento, existem modos distintos para nos relacionarmos com ele”. P. 20.

A inveja é um dos seus propulsores:

“O ressentimento humano nasce aí: inveja dos deuses, inveja da imortalidade, inveja das ‘pequenas imortalidades’ que são dispersas pela vida inteira. Nunca ser traído, nunca fracassar, nunca ser menos inteligente, nunca adoecer, nunca ser feio. A morte se declina em várias formas: doença, falta de inteligência, infidelidade, fracasso, falta de beleza. Esse sentimento é o sentimento mais essencial de nossa condição frágil, é nossa revolta contra os elementos naturais (vírus, bactérias, fome, sede, frio, dor) que nos devoram. Revolta essa sem possibilidade de vitória, porque a morte é uma guerreira sem pressa e sem vaidade”. P. 25.

Uma das mazelas do mundo contemporâneo: a solidão.

“E a solidão? O mundo nunca foi tão cheio de gente que se comunica e fala o que pensa. Quase tudo que é dito soa irrelevante. Nunca se disse tanta besteira, porque somos banais e, ao falarmos, falamos de nós mesmos e nossas pequenas taras. Mas a solidão corrói. Vivemos em meio a uma vida social que varia entre balada e depressão, acuada por um futuro em que a solidão será o resultado final de escolhas “conscientes”, e não imposição de alguma regra monástica, em meio a uma solidão sem espiritualidade, com ares de ressaca sem gozo prévio. Inundados por esse mar de irrelevância cantada em prosa e verso, a solidão chegará, enfim, depois de muita fé em si mesmo. [...] A solidão da vida contemporânea aparece por trás da alegria montada para as fotos, também irrelevantes. Nunca se tirou tanta foto e nunca se viu tão pouco uma. A solidão nos ataca como um enxame de abelhas.” P. 28.

“[...] é uma verdade evidente em nosso mundo que estamos cada vez mais sós, mesmo que cercados de amigos no Facebook, de fotos por toda parte e de celulares que falam conosco o tempo todo. [...] Somos seres cada vez mais ilhados e com carência, não só de vínculos, mas de desejo de vínculos, o que é muito pior. É uma ironia máxima o fato de a cultura do desejo ser justamente a que matou o desejo”. P. 47.

Até o sexo era melhor em gerações passadas.

“Não quero dizer que o mundo foi melhor um dia. Mas, em matéria de sexo, não tenho dúvidas de que foi. Nossas avós faziam sexo melhor do que nós. Nunca foram santinhas (e mesmo quando foram). Mesmo quando mantidas virgens, sexo oral e anal eram comuns como o ar que respiramos. Hoje o sexo anal é algo que se conquista. Que canseira...” P. 31.

O que fazer então, diante desse companheiro inseparável da condição humana, o tal ressentimento?

“A solução para o ressentimento não é negá-lo, mas nomeá-lo, ler sobre ele, perceber que é impossível não o ter em nós em alguma medida porque sempre conviveremos com pessoas melhores do que nós. [...] resolver o drama de como lidar com o fato de que o mundo é indiferente e existem muitas pessoas melhores do que eu.” P. 73.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Mentes Perigosas


SILVA, Ana Beatriz Barbosa. Mentes Perigosas: O Psicopata Mora ao Lado. São Paulo: Fontanar, 2008.

A cada página lida, não consegui parar por um momento sequer sem imaginar a figura de um parente meu, que traz em sua personalidade e índole, todos os traços da psicopatia, exceto, o assassinato. Um filme de vários momentos em que estive em sua presença foi-me passando pela mente, e tudo se encaixou com precisão. Infelizmente, esse familiar está trancafiado em uma cela, devido aos atos de bandidagens que cometeu repetidas vezes, sem nenhum arrependimento ou remorso. Mas como a Ana Beatriz (Médica pela UERJ e Pós-Graduada em Psiquiatria na UFRJ) reconhece, os psicopatas não tem “salvação”. Então vendo por esse lado, melhor que esse parente esteja preso. Assim, não causará mais males além dos quais já causou.

Há alguns anos tinha lido uma matéria de capa da revista Super Interessante sobre Psicopatia, na hora identifiquei que meu parente fazia parte desse nefasto time de pessoas. Anos depois, ele foi diagnosticado como um psicopata, após passar por Psicólogos e Psiquiatras.

Pois bem, quais são as características que fazem um determinado indivíduo ser diagnosticado como um psicopata? No capítulo dois, a autora traz um perfil nada agradável. Ela não poupa adjetivos nada amigáveis aos psicopatas.

“Sei que é difícil de acreditar, mas algumas pessoas nunca experimentaram ou jamais experimentarão a inquietude mental, ou o menor sentimento de culpa ou remorso por desapontar, magoar, enganar ou até mesmo tirar a vida de alguém.” P. 28.

“[Os psicopatas] não sofrem de delírios ou alucinações (como a esquizofrenia) e tampouco apresentam intenso sofrimento mental (como a depressão ou o pânico, por exemplo). Ao contrário disso, seus atos criminosos não provêm de mentes adoecidas, mas sim de um raciocínio frio e calculista combinado com uma total incapacidade de tratar as outras pessoas como seres humanos pensantes e com sentimentos”. P. 33.

“Os psicopatas em geral são indivíduos frios, calculistas, inescrupulosos, dissimulados, mentirosos, sedutores e que visam apenas o próprio benefício. Eles são incapazes de estabelecer vínculos afetivos ou de se colocar no lugar do outro. São desprovidos de culpa ou remorso e, muitas vezes, revelam-se agressivos e violentos. Em maior ou menor nível de gravidade e com formas diferentes de manifestarem os seus atos transgressores, os psicopatas são verdadeiros predadores sociais", em cujas veias e artérias corre um sangue gélido.” P. 33.

“Segundo o psiquiatra canadense Robert Hare, uma das maiores autoridades sobre o assunto, os psicopatas têm total ciência dos seus atos (a parte cognitiva ou racional é perfeita), ou seja, sabem perfeitamente que estão infringindo regras sociais e por que estão agindo dessa maneira. A deficiência deles (e é aí que mora o perigo) está no campo dos afetos e das emoções. Assim, para eles, tanto faz ferir, maltratar ou até matar alguém que atravesse o seu caminho ou os seus interesses, mesmo que esse alguém faça parte de seu convívio íntimo. Esses comportamentos desprezíveis são resultados de uma escolha, diga-se de passagem, exercida de forma livre e sem qualquer culpa.” P. 35.

“Os psicopatas são os vampiros da vida real. Não é exata-mente o nosso sangue que eles sugam, mas sim nossa energia emocional. Podemos considerá-los autênticas criaturas das trevas. Possuem um extraordinário poder de nos importunar e de nos hipnotizar com o objetivo maquiavélico de anestesiar nosso poder de julgamento e nossa racionalidade. Com histórias imaginárias e falsas promessas nos fazem sucumbir ao seu jogo e, totalmente entregues à sorte, perdemos nossos bens materiais ou somos dominados mental e psicologicamente.” P. 37.

Existem muitos psicopatas perambulando por aí?

“Segundo a classificação americana de transtornos mentais (DSM-IV-TR), a prevalência geral do transtorno da personalidade anti-social ou psicopatia é de cerca de 3% em homens e 1% em mulheres, em amostras comunitárias (aqueles que estão entre nós).” P. 50.

O estilo de vida de nossa sociedade de alguma maneira contribui para que os psicopatas possam agir mais confortavelmente?

“A ‘cultura da esperteza’ também contribui para esse cenário. Deixa-nos confusos e muitas vezes nos faz fraquejar na luta pelo bem. A nossa sociedade vem banalizando o mal e contribuindo para a inversão dos valores morais. Isso cria um terreno fértil para que os psicopatas se sintam à vontade no exercício de suas habilidades destrutivas.” P. 51.

Mais características dos psicos:

“Quando não temos conhecimento sobre a personalidade dos psicopatas podemos ser enrolados por suas histórias improváveis. Entre outras razões, isso ocorre pela habilidade dos psicopatas em se informarem sobre os mais diversos assuntos. Se forem realmente testados por verdadeiros especialistas no assunto, revelam, porém, suas superficialidades de conteúdo. Eles tentam demonstrar conhecimento em diversas áreas como filosofia, arte, literatura, sociologia, poesia, medicina, psiquiatria, psicologia, administração, legislação e usam e abusam dos termos técnicos, passando credibilidade aos menos avisados.” P. 63-64.

"Os psicopatas possuem uma visão narcisista e supervalorizada de seus valores e importância. Eles se vêem como o centro do universo e tudo deve girar em torno deles. Pensam e se descrevem como pessoas superiores aos outros, e essa superioridade é tão grande que lhes dá o direito de viverem de acordo com suas próprias regras. Para os psicopatas, matar, roubar, estuprar, fraudar etc. não é nada grave.” P. 64-65.

“Os psicopatas não sentem qualquer embaraço sobre dívidas contraídas, pendências financeiras ou mesmo problemas de ordem legal ou pessoal (brigas, espancamento de namoradas). De forma indiferente, eles encaram todos os problemas que estejam vivenciando apenas como transitórios, falta de sorte, infidelidade de amigos ou que são derivados de um sistema econômico e social injusto coordenado por pessoas incompetentes.” P. 66.

“Não se esqueça: psicopatas são incapazes de amar, eles não possuem a consciência genuína que caracteriza a espécie humana. Os psicopatas gostam de possuir coisas e pessoas, logo, é com esse sentimento de posse que eles se relacionam com o mundo e com as pessoas. Em razão dessa incapacidade em considerar os sentimentos alheios, os psicopatas mais graves são capazes de cometer atos que, aos olhos de qualquer ser humano comum, não só seriam considerados horripilantes, mas também inimagináveis.” P. 70.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Gaiaku Luiza: Força e Magia dos Voduns


Culto aos orixás, voduns, inquices... A contemporaneidade não conseguiu extinguir esse modo de religião tão pitoresco. Na verdade, apesar de haver em algum grau uma descaracterização da religiosidade afro, em alguns lugares, noutros, como na cidade de Cachoeira, Bahia, o Candomblé consegue manter suas raízes. Pelo menos é o que dizem os seus adeptos.

A mãe de santo Gayaku Luiza é a protagonista desse documentário. Possuindo a avançada idade de 95 anos, ela ainda traz nesses longos anos de vida, uma lucidez incomum, e uma memória de dá inveja aos mais jovens. Uma verdadeira enciclopédia e fonte de conhecimento sobre os antigos mistérios do mundo da magia, trazidos pelos seus antepassados. E o mais curioso é que Luiza serviu de inspiração na década de 1930, quando tinha 28 anos de vida, para a canção "O que é que a baiana tem", de Dorival Caymmi.

Como já tinha falado no documentário sobre o Candomblé em Maragogipe, essa religião traz um senso fortíssimo de identidade, ancestralidade, de se pertencer a um grupo, de se sentir gente, de ser acolhido, de saber que seus predecessores tem um abrangente legado cultural, religioso e espiritual. Quem vai negar-lhes isto?

Assim como noutras cidades e regiões da Bahia, Cachoeira é um centro irradiador da cultura religiosa afro-brasileira. Pelas imagens nota-se, como alguns entrevistados dizem, que existe um ambiente propício e receptivo a dar continuidade aos cultos africanos que ali se estabeleceram, e que estão sendo tão bem preservados pela mãe Luiza. O tombamento torna-se urgente.

Podemos não acreditar na veracidade metafísica da espiritualidade afro, mas devemos acreditar que é de inestimável importância cultural preservar os seus lugares de culto.

A história de ser do nosso país está calcada na herança sócio-cultural-religiosa dos povos negros.

Isso não quer dizer que o Candomblé e similares não podem ser criticados e contestados, porém, sua importância histórica é palpável.

O documentário foi gravado em 2004, e a mãe Luiza faleceu em 2006.

E já que é costume eu sempre alfinetar as religiões de matriz africana, lá vai: os filhos de santo, ogãs, pais e mães de santo, babalaôs e muitos simpatizantes, alegam em uníssono, que o panteão das divindades vindas da África são poderosos, fazem isso, e fazem aquilo. Mas caramba, as regiões que ainda prestam cultos a esses orixás e voduns, como por exemplo, a Nigéria, estão imersas na pobreza e miséria. É razoável pensar que todo esse panteão de deuses poderosos, pudessem fazer algo a mais pelos seus discípulos nesse mundo tão cruel. No entanto, o que vemos é que os povos que os cultuam estão há séculos na merda.

Cadê Xangô, Oxossi, Ogum, esses orixás só servem para incorporar e fazer os seus "cavalos" fazerem caretas, dá cambalhotas e mugangas? Essas forças da natureza não poderiam mexer os pauzinhos e reverter o quadro político desses países e, assim, construírem um país mais humano e justo para os seus dedicados “cavalos”?

Apesar do sarcasmo, essa é uma pergunta séria! A vantagem que esse panteão grego atualizado fornece aos seus fiéis seguidores é apenas terapêutica, deixando-os na miséria? A política e sujeira das autoridades são mais fortes que o poder dos orixás, criadores dos elementos naturais?

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

A Ciência da Morte


Morte!

Final de nossa existência!

Ida ao desconhecido!

Familiares, amigos e sonhos, deixados para trás.

Quem não a teme?

Quantos de nós, já não refletimos sobre ela?

Quantas vezes também fingimos que ela não existe, ou pensamos irracionalmente que ela não nos alcançará?

Até os mais esperançosos religiosos sabem, que se as coisas caminharem como caminham, ela é o endereço certo de todos. Sejam crentes ou descrentes. Ela não faz distinção. Podemos até prolongar por meio da tecnologia, ciência e medicina, nossa frágil estadia por aqui, mas um dia ele nos pega pra valer.

Algumas pessoas mesmo assim, tentam burlar a inexorável vinda da morte. Recorrem a Criogenia, uma forma de manter seus corpos ou cérebros "intactos", para quem sabe, no futuro, Deus sabe lá quando, a medicina esteja avançada a tal ponto, que seus corpos possam ser "ressuscitados".

Para isso, pagam uma quantia bem generosa, para que possam estar congelados a temperaturas baixíssimas, esperando o dia de suas "ressurreições".

Pessoalmente, acho o projeto da Alcor, empresa que guarda e congela esses corpos, uma besteira sem tamanho. Essa balela de Criogenia já está no mercado desde a década de 1960, e duvido muito que daqui a 200 ou 300 anos, caso a raça humana sobreviva, esses corpos ainda estarão sendo conservados por ela. Estão pegando o dinheiro dos bestas esperançosos, que acham que acordarão num futuro distante, prontinhos, com suas memórias incólumes, para vivenciar novas aventuras na terra dos viventes.

Quem pode pagar a bagatela de ter a sua carcaça congelada mediante vários produtos químicos, são só pessoas com recheados recursos financeiros, é claro. Fica implícito, que essas pessoas e a própria Alcor, têm a firme crença de que não existe vida mental fora do corpo. Sem ladainha: são ateus. Eles não depositam fé alguma numa vida após a morte, mediante a intervenção de alguma divindade ou força cósmica. Mas agora estão depositando sua fé de que a existência pós morte pode tornar-se realidade com a ajuda única e exclusiva da Ciência. A mãozinha de alguma divindade maluca inventada pelas religiões está totalmente descartada.

E os tradicionais enterros? Muitas pessoas agora estão optando pela cremação. Esta forma de dá o último adeus ao defunto é muito mais vantajosa no quesito ecológico, visto que não contamina o solo e economiza espaço. No quesito financeiro, ela também se mostra bem mais viável. No entanto, a maioria das pessoas ainda teimam, em enterrar seus entes nos tradicionais caixões de madeira, aço, ferro, alumínio, plástico e a merda toda. Não é mencionado no vídeo, mas essa teimosia é herança do catolicismo.

Tudo bem que o cadáver, já não possui sensação alguma, mas acho meio mórbido, você deixar um ente querido, apodrecer e ser comido pelos vermes. Grotesco, não é? Os defensores do enterro tradicional podem retrucar e dizer o mesmo sobre a cremação. Mas o fato é que esta não é danosa a natureza.

Enfim, um dia essa porra baterá as nossas portas. Espero que ela esteja a milhares de quilômetros da minha. Tenho medo. Nada mais humano, que temê-la. Sei que existem muitos malucos que parecem não estar nem aí para ela. Não estou entre eles.