terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Egito Revelado: Cleópatra


A última rainha do Egito. A mulher que conseguiu por quase 20 anos, conter o avanço romano sobre as terras dos faraós. 3000 anos de civilização chegam ao fim com a sua morte. Os encantos, mistérios e legado de um povo, chegam ao seu destino final.

Quase não se tem vestígios arqueológicos sobre Cleópatra, muitos, provavelmente foram destruídos ou desapareceram. Mesmo com toda a limitação que os artefatos e documentos nos impõe - a rainha Cleópatra - hoje tem uma nova história reconstruída pelos estudiosos, que vem desmentir as alegações romanas, altamente difamatórias sobre ela. Quanto a isso, Robert Bianchi, Ph.D pelo Instituto de Belas Artes da Universidade de Nova Iorque, dispara:

“Os romanos deturparam a história de Cleópatra. Fazendo dela, uma prostituta lascíva. Uma sedutora inconsequente, que entrava e saía da cama de qualquer romano que a desejasse.”

Como eu tinha dito no resumo de um documentário anterior que vi há poucos dias, eu também pensava que ela era uma espécie de maníaca sexual, que tinha ido pra cama com toda uma legião de soldados romanos. Quando surge esse tipo de relato fantasioso sobre alguma personagem histórica conhecida, somos propensos a acreditar logo de cara, acriticamente, sem questionar. O assunto envolvendo sexo chama logo a nossa atenção. E se for referente à difamação de alguém, aí é que damos crédito a esses tipos de estórias. Não que ela não pudesse ser uma mulher louca pela coisa, mas o respeito pelos dados históricos deve prevalecer.

Na contramão do que os romanos disseram acerca dela, o renomado Arqueólogo Zahi Hawass (Ph.D e Mestre em Egiptologia na Universidade da Pensilvânia, EUA) é só elogios a rainha:

“A vida de Cleópatra é um mistério. Mas ela foi uma rainha mágica. Sua beleza conquistou o coração dos dois homens mais poderosos da Terra.”

Cleópatra foi à última rainha da dinastia dos ptolomeus. Foram cerca de 300 anos que essa família governou o Egito. No início de seu reinado, Cleópatra aliou-se ao homem mais poderoso de Roma, Júlio César e teve um filho com ele, Cesário. Seu reinado foi na cidade de Alexandria, o centro intelectual do mundo naquela época, que abrigava em sua famosa biblioteca, mais de 700 mil pergaminhos sobre as mais diversas áreas do conhecimento. Era o centro mundial da difusão do saber.

“A biblioteca de Alexandria era o coração do mundo de Cleópatra. [...] ela [a biblioteca] teria abrigado mais de 700 mil pergaminhos. Gerações de ancestrais de Cleópatra foram implacáveis na ambição de transformar a cidade em um centro internacional de ensino e conhecimento.”

Cleópatra tinha uma mente sagaz, mostrando-se muito competente no nível intelectual. Era poliglota. De origem helenista, ela soube fundir a cultura do Egito e a grega. Ela que não era nada besta, tratou logo de assimilar a religião egípcia, declarando-se deusa do Egito. Mais uma vez destaco aqui as palavras de Hawass:

“Ela possuía tanta cultura para ser rainha do Egito, porque viveu na cidade mais sofisticada e maravilhosa do mundo, naquela época.”

A derradeira rainha do Egito sempre foi tema de livros, filmes e muitos documentários. E ainda muitos virão. Independente dos poucos vestígios documentais que temos sobre os seus feitos, ela já virou um mito. Ela é um ícone. Cleópatra faz parte da cultura pop.

Não obstante, ser muito difícil aparecer mais vestígios arqueológicos sobre ela, devemos torcer para que algo novo surja, seja das areias, templos, palácios ou algum pergaminho, e lance mais luz sobre o seu reinado e pessoa.  

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

O Sexo no Mundo Antigo: Prostituição em Pompéia


Pompéia, a cidade que foi engolida pelas cinzas causticantes do Vesúvio, era uma das cidades mais erotizadas de seu tempo. A putaria grassava em suas ruas, esquinas, tabernas... Uma cidade imersa na prostituição. Pinturas, esculturas e cerâmicas pornográficas eram algo comum nessa cidade. Era um mundo que fervilhava em sexo.

Quando foram descobertos os segredos sexuais de Pompéia, o mundo moderno ficou horrorizado com os bacanais, orgias, safadezas, prostituição e todo (ou quase todo) tipo de prática sexual, vivenciados pelos seus habitantes. Era uma cidade que abrigava seis mil pessoas, mas que tinha um número muito alto de lugares destinados a vender prazer. Arqueólogos identificaram quarenta e um bordéis, fora os bares, teatros, anfiteatros e tabernas. Onde pensarmos, tinha um lugarzinho para afogar as mágoas.

“Desde suas taças, até os postes nas ruas, Pompéia nadava em sexo.”

Mulheres da vida tinham a torto e a direito. Para todos os gostos e bolsos. Nem o liso com o seu pobre dinheirinho, se furtava a dá uma sapecada rapidinha a um preço camarada, em pequenos quartos ou becos da cidade. Para os cafetões da época, era um comércio altamente lucrativo. Pessoas dos altos escalões da sociedade tinham suas rameiras, para lhes proporcionar grandes lucros.

As garotas eram as lascadas dessa história, visto que eram em sua maioria, escravas, sem direito algum. Se a mulher romana praticamente não desfrutava de direito algum, naquela sociedade patriarcal e machista, imagine uma prisioneira de guerra. O seu destino era servir de objeto sexual a homens insaciáveis, que estavam pouco se lixando para elas. Até mulheres cristãs eram forçadas a se prostituírem, como forma de humilhação e punição a sua condição religiosa.

“[...] a maioria das prostitutas em bordéis são escravas roubadas de terras conquistadas da Europa, do norte da África e da Ásia. Elas são forçadas a fazer tudo que seus donos ordenam.”

Para entender o porquê da prostituição ser tão disseminada em Pompéia, o vídeo retrocede algumas décadas até o imperador Otávio Augustus, que quis moralizar a sociedade romana. Para isso, ele tornava o adultério um grave delito. Mas daí surgiu um grande problema, os nobres precisavam saciar suas vontades/desejos, Augustus relutantemente tornava assim, a prostituição legalizada, com o intuito de que os nobres não transassem com as mulheres de outros nobres, gerando transtornos incalculáveis. Tudo para preservar a “boa” moral da aristocracia.

“Ironicamente, as leis morais de Augustus fizeram o mercado da prostituição crescer. O sexo pago e o sexo com escravas domésticas, se tornaram alternativas simples e legais ao adultério.”

O império romano estava envolvido até o pescoço com o comércio sexual. Calígula, no ano 40, criou um imposto sobre a prostituição, arrecadando muito dinheiro para os cofres do império e para seu bolso. Ele mesmo tinha os seus aposentos para as orgias e bebedeiras. Basta lembrarmos do premiado e polêmico filme Calígula, da década de 1970. Nesse filme, a putaria é bem explícita e reflete o que eram os bacanais romanos e aventuras sexuais desse psicopata.  

Nero, outro maluco, sucede a Calígula. Foi outro que organizava bacanais, com muita bebida, danças e sexo.  

Como dizem, a prostituição é a profissão mais antiga do mundo, e acrecento: uma das mais tristes. No brasil, temos as nossas “Pompéias”. Um exemplo é a cidade de Uberlândia, em Minas Gerais, que sem dúvidas é uma das cidades brasileiras mais voltadas para esse ramo. Em 2005, nessa cidade, com 600 mil habitantes, foram contabilizadas cerca de 400 casas de prostituição. Fora as garotas de programa de rua. [1]

REFERÊNCIAS

[1] - https://www.youtube.com/watch?v=g1Dt5Z_JYpY

Jesus antes do Cristianismo


NOLAN, Albert. Jesus antes do cristianismo. 9º Impressão. São Paulo: Paulus, 2014.

Esse é o livro mais conhecido do Albert Nolan, um respeitado Teólogo católico sul-africano, que escreveu essa obra na década de 1970, num contexto extremamente sombrio em termos políticos, sociais e econômicos, não apenas na África do Sul, mas em todo planeta, de acordo com o autor.

“[...] Hoje nos encontramos frente a novas ameaças que, dizem, nos destruirão de modo muito mais garantido e inevitável do que uma guerra nuclear: a explosão populacional, a diminuição dos recursos naturais e dos suprimentos de alimentação, a poluição do meio ambiente e a escalada de violência. Qualquer um desses problemas seria por si só ameaça suficiente a nosso futuro. Tomados em conjunto significam catástrofe.” P. 18.

Ele escreveu isso há quase 40 anos. Ainda estamos aqui. Mesmo que seja difícil, espero que tenhamos muitos e muitos anos pela frente. Nada de catástrofe.

“[...] Jesus de Nazaré enfrentou basicamente o mesmo problema – ainda que tenha sido em escala muito menor. Ele viveu em época que parecia que o mundo estava prestes a chegar ao fim.” P. 22.

Dentro desse contexto, o que o homem da poeirenta e pobre Israel do século I, tem a nos dizer? O Jesus antes do cristianismo (antes das formulações teológicas) pode nos dá algum direcionamento? Assim como podemos estar à beira da catástrofe, Jesus também esteve.
Na introdução nos é dito:

“A fé em Jesus não é nosso ponto de partida, mas será, espero, nossa conclusão.” P. 11.

Não obstante, Nolan não cumpre o que diz. Sua análise em todos os capítulos está recheada de fé.

“Sua única motivação para curar as pessoas era a compaixão.” P. 59.

“O gesto de amizade de Jesus tornava bastante evidente...” P. 64.

“Não pode haver dúvida de que Jesus era pessoa notavelmente alegre e que sua alegria, assim como sua fé e esperança, era contagiante. [...] Jesus não só os curava e perdoava, como também lhes dissipava os temores e aliviava as preocupações. Sua simples presença os libertara.” P. 67.

E também de análises teológicas fincadas em estudos acadêmicos.

“É, portanto, bem provável que as histórias de milagres que chegaram até nós através dos evangelhos tenham recebido ENFEITES e EXAGEROS – e que, também, incluam relatos de acontecimentos que não eram originalmente nem milagres, nem maravilhas extraordinárias (por ex., a caminhada sobre as águas, a multiplicação dos pães, a maldição da figueira e a transformação da água em vinho). O estudo crítico dos textos tende a confirmar isso.” (Ênfase acrescentada) P. 58.

“A mesma ideia é apresentada para os leitores do evangelho na história do paralítico (Mc 2, 1-12 par). Se um homem pode se levantar e andar, então isso mostra que os seus pecados devem ter sido perdoados. Ele provavelmente sofria de complexo de culpa, que provocou paralisia psicossomática. Assim que Jesus lhe garantiu que seus pecados estavam perdoados, que não estava em dívida com Deus, seu sentimento fatalista de culpa foi removido e ele pôde andar de novo.” P. 65

“[...] Mesmo que Jesus não tenha realmente lido e comentado esse texto na sinagoga [Lucas: 4. 16-30], a avaliação de Lucas sobre a importância dessas passagens para a compreensão da práxis de Jesus é certamente correta.” P. 71.

Abrindo um parêntese: como claramente se vê, Nolan questiona a veracidade das próprias fontes primárias sobre a vida de Jesus. É um homem de fé, mas que não se incomoda em dizer abertamente que os evangelhos contêm inconsistências históricas. E ainda reinterpreta algumas curas ou milagres registrados nos evangelhos. Ele faz isso durante todo o livro.

Os evangélicos conservadores, que acreditam na inerrância das escrituras (a Bíblia não possui erros de espécie alguma), acham que proceder assim é incorrer numa incoerência sem tamanho. Como podemos acreditar nos evangelhos como a palavra de Deus, se ele possui inconsistências de qualquer ordem (moral, histórica, geográfica, etc.)?

Esse é um tipo de preocupação exclusivo dos arraiais evangélicos norte-americanos, e consequentemente, aqui do Brasil, com as igrejas que “compram” a teologia daqueles. A igreja católica há muito tempo não tem problema em aceitar a inspiração do texto, mesmo que este contenha alguns errinhos aqui e ali.

Tema difícil, confesso. Mas me ponho ao lado daqueles que não veem o texto como algo perfeito e sem contradição e equívocos.

Voltando ao livro, Nolan contextualiza a sua análise sobre a vida e obra de Jesus, trazendo informações sobre os vários grupos judaicos da época, que seriam basicamente estes:

ZELOTES – “[...] um homem chamado Judas, o Galileu, que fundou um movimento de inspiração religiosa, de pessoas que lutavam pela liberdade [contra o império romano]. [...] Os judeus os chamavam de zelotas; os romanos de bandidos.” P. 26.

FARISEUS – “Seu nome significa ‘os separados’, isto é, os santos, a verdadeira comunidade de Israel. Sua moral era legalista e burguesa, uma questão de recompensa e castigo. [...] acreditavam [...] em [um] futuro Messias que Deus ia mandar para libertá-los dos romanos.” P. 28.

ESSÊNIOS – “Os essênios foram muito mais longe do que os fariseus em sua busca de perfeição. [...] rejeitavam todas as pessoas que não pertenciam à sua ‘seita’. [...] Estavam se preparando para a vinda do Messias [...] como filhos da luz, iriam destruir os filhos da trevas [os primeiros seriam os romanos].” P. 28.

SADUCEUS – “[...] eram os mais conservadores. Eles se agarravam às antigas tradições hebraicas e rejeitavam todas as novidades, tanto na crença como no ritual. [...] eles colaboravam com os romanos e faziam o possível para manter o status quo.” P. 29.

Em contrapartida Jesus dirigiu a sua atenção, prioritariamente para os pobres e oprimidos. Enquanto as lideranças judaicas desprezavam e rejeitavam esse enorme contingente de pessoas, Jesus os abraçou e lhes propôs uma mudança de mentalidade, que seria a única esperança para que Israel não fosse destruída pelos romanos, segundo nos explica Nolan.

Durante todo o seu livro, Nolan trabalha os vários momentos narrados pelos quatro evangelhos e tentar entender o que Jesus de fato queria para o povo de Israel. Valendo-se de seus conhecimentos teológicos e das recentes pesquisas acadêmicas sobre Jesus, ele interpreta os vários conteúdos referentes ao seu ministério. Uma cuidadosa abordagem é feita para não conduzir a pesquisa vinculada a crença dos evangelistas de que Jesus era o Messias.

Claro que esse tipo de leitura está fadada a todo tipo de crítica e questionamentos justificados. Mas por ora, não tenho paciência e muito menos capacidade para me ater a essa discursão.

Numa contextualização sociocultural da Israel do século I, temas como o Reino de Deus, o Reino e o dinheiro, política e religião, o incidente do templo, etc, vão sendo estudados e escrutinados.

Os comentários do Nolan fogem do usual; daquilo que estamos acostumados a ouvir sobre Jesus e sua vida. Para ele, Jesus esperava que o Reino de Deus fosse se concretizar em toda sua plenitude ainda naqueles anos.

“[...] Jesus, como uma espécie de profeta-mártir, esperava ressuscitar no último dia, e que o último dia viria logo.”. P. 169.

Como sabemos isso não aconteceu. Caso ele tenha mesmo crido que a consumação de todas as coisas (fim do mundo; estabelecimento do Reino) aconteceria em seus dias, podemos dizer sem rodeios que Jesus se equivocou/enganou.

Será que esse suposto equívoco, o descredencia como o Salvador do mundo? Para o Nolan, não. No último capítulo, ele fala da fé em Jesus, de uma maneira pulsante e muito viva, conclamando a todos a viver no seu dia a dia os valores do Deus encarnado. Para o autor, Jesus é a única esperança para um mundo tão caótico como o nosso.

domingo, 17 de janeiro de 2016

Os Prazeres do Mundo Antigo: Os Etruscos


Fiquei um pouco decepcionado. Quando me deparei com esse vídeo no Youtube, pensei que ele tratava exclusivamente da sexualidade, safadeza, promiscuidade e luxúria existente no mundo antigo (mente "pervertida" essa minha). Na verdade, não é nada disso que eu vi. 

Os etruscos, um dos vários povos que compunham a península itálica no mundo antigo, é o foco do vídeo. Não consegui ver uma relação direta entre o título e o conteúdo. Mas tudo bem, vamos em frente.

Os costumes, hábitos, crenças, relações interpessoais, ou seja, a cultura etrusca de um modo geral é o cerne desse vídeo. Nada além de um típico documentário. Como surgiram, como viviam, sua relação com outros povos, suas transações comerciais, suas peculiaridades, sua religiosidade, sua decadência, e por aí vai. 

Richard de Puma, Ph.D e Mestre em Arqueologia Clássica e Professor da Universidade de Iowa, EUA, nos diz:

“Podemos apontar muitas coisas que influenciaram nossa cultura, que vieram dos etruscos. Até mesmo aquilo que chamamos de numerais romanos, que na verdade eram numerais etruscos, copiados pelos romanos dos etruscos, e depois, herdados por nós.”

Algumas informações que são trazidas sobre os etruscos, ou sobre o que os outros povos diziam deles:

“Com certeza os competidores gregos dos etruscos achavam que eles tinham demais. E os acusavam de esbanjadores, dizendo: ‘Os etruscos prestam muita atenção ao seu próprio conforto e bem estar'.”

“Sem a arte saberíamos muito pouco sobre o pensamento etrusco e como eles viviam. Há milhares de inscrições etruscas, mas nenhum de seus livros sobreviveu. Dizem que a história é sempre escrita pelos vencedores, e até agora, a história dos etruscos só foi contada pelos seus inimigos, os gregos e os romanos.”

“Eles eram muito religiosos, e acreditavam que a boa vida duraria por toda a eternidade. [...] Os etruscos acreditavam que a morte era um novo começo. A vida foi boa, mas a morte ia ser ainda melhor. Porque seria desfrutada na companhia dos deuses.”

“O sacrifício humano era uma possibilidade. Mas não há prova concreta ainda. Porém, as imagens etruscas, as imagens das tumbas, estão repletas de sacrifícios de sangue. O sacrifício de prisioneiros, esse tipo de coisa. Talvez ocorresse um sacrifício humano pelo menos de vez em quando.” 

No quesito relação homem/mulher, os gregos e romanos, viam com um olhar bastante negativo o hábito dos etruscos nos seus banquetes tomarem vinho com as suas esposas. Eram os banquetes mistos, onde mulheres e homens celebravam juntos. Os indícios apontam que as mulheres etruscas tinham uma maior liberdade. Tinham mais autonomia. Isso com certeza escandalizavam os povos vizinhos, onde o sexo feminino era visto como mera propriedade do homem. As mulheres eram puro objetos e nada mais. Direito zero para elas.

Os gregos viam as relações homossexuais entre jovens e adultos, como algo normal, saudável e essencial ao aprendizado. Mas mulheres beberem vinho com homens num banquete era socialmente degradante. Para nós ocidentais, é difícil entender esse tipo de moralidade e ética. Mas cada povo ao longo dos séculos tinham e têm os seus valores do que é certo e errado. 

Hoje, cada um de nós, de acordo com a sua respectiva formação moral ou religiosa, analisa esses casos também com um olhar julgador. Nesse sentido, vemos a relativização dos valores morais. Não que não haja valores que julgo acima da cultura. Mas esse é um papel que cabe aos Eticistas. Discursão longa, difícil e que gera muitas emoções. 

A Verdadeira Cleópatra


Conhecida pejorativamente como ninfomaníaca, Cleópatra tem conquistado à admiração e atenção de muitos, ao longo desses mais de dois mil anos depois de sua morte. A rainha que conquistou os dois homens mais poderosos de Roma (Júlio César e Marco Antônio), já foi e é tema de muita especulação e lendas. De acordo com o que sabemos atualmente sobre ela, isso apenas evidencia, sem dúvida alguma, a mulher extremamente inteligente e ambiciosa que ela foi. 

O Egiptólogo Robert Bianchi, Ph.D pelo Instituto de Belas Artes da Universidade de Nova Iorque, diz:

“Cleopátra sonhava com um império universal. Ela queria ser a rainha do mundo.”

Esse documentário, baseado no testemunho das mais confiáveis análises históricas, vem desmentir muitos boatos que se formaram em torno da rainha do Egito. Os historiadores entrevistados não escondem a sua opinião bastante positiva sobre ela. Deixando bem claro, que Cleópatra, mesmo não conseguindo concretizar suas ambições políticas, foi uma rainha competente e preocupada com o seu povo.

“Hoje novas evidências estão revelando uma Cleópatra diferente. Magnética, ambiciosa e visionária. Uma rainha ousada que quase conquistou o mundo. [...] por trás do mito, esconde-se uma personalidade admirável. [...] Para descobrir esta nova Cleópatra, nós precisamos procurar além da propaganda grega e romana e desvendar as evidências egípcias.”

Em complemento, Bianchi revela:

“A história de Cleópatra foi preservada porque estudiosos ocidentais foram capazes de ler grego e latim. Não sabíamos ler os hieróglifos antes de 1820. Agora começamos a vasculhar e rever as antigas evidências egípcias. Buscando as fontes egípcias orientais, estamos conseguindo uma imagem mais completa de quem era a rainha.”

Mencionei logo no início, que Cleópatra seria uma tarada sexual. Mas isso é mito. Não existem evidências históricas de que ela tenha tido relações com outros homens, além de Júlio César e Marco Antônio, pelo menos é isso que uma Historiadora diz. Até mesmo, tinha ouvido não sei aonde, a história de que ela foi uma das maiores boqueteiras (sim, isso mesmo) da história. Muitíssimos soldados romanos tinham sido “vítimas” da boca gulosa da rainha. Rsrs.

Segundo o Historiador antigo, Plutarco, ela falava nove idiomas. E é bom lembrar que ela era de origem grega, e não egípcia, como 99% das pessoas pensam. Foi à última rainha da dinastia dos ptolomeus. Dinastia essa que iniciou o seu reinado no Egito desde a morte de Alexandre, o Grande, líder do império grego-macedônio.

Quando Júlio César vai ao Egito para resolver as pendengas políticas entre Cleópatra e o seu irmão mais novo, sobre quem teria a primazia de governar o Egito, aquela famosa história de que ela se enrolou num tapete e foi levada para o quarto de César, não se constitui em lenda histórica, mas realmente aconteceu. Mulher perspicaz, que conseguiu conquistar o velhinho de Roma, e ter um filho dele, Cesário, que anos depois fora morto por Otávio Augusto.

Júlio César, como sabemos foi morto, pelos políticos de Roma, e quem assume o poder é Otávio e Marco Antônio. Este é outro romano, conquistado e laçado pela rainha. Na verdade, parece que ele realmente a amava, era apaixonado por ela, mesmo ela não sendo bonita, e independente dos conchavos políticos. Num linguajar vulgar, ela lhe deu uma verdadeira chave de b... 

No entanto, ambos são derrotados por Otávio, e acabam se suicidando. 

Caçadores de Monstros


Supostas criaturas assustadoras ainda não catalogadas pela Ciência, mas que milhares de pessoas afirmam tê-lo vistas. Histórias fantásticas, que os céticos dirão que são apenas lendas. Será que os diversos relatos de avistamentos, podem evidenciar um fundo de verdade neles? Ou existe um floreamento e exagero deliberado por parte daqueles que dizer ter visto esses animais?  

O primeiro caso que o vídeo nos mostra, é nas praias de Vancouver, no Canadá. O Cadborosauros, uma espécie de animal marinho gigante, que lembra os antigos dinossauros. Caso ele exista, seria ele uma espécie sobrevivente? Apesar dos vários relatos e ida de Cientistas a praia, a tal criatura não foi encontrada até o momento.

O segundo bicho, parece ser uma espécie de hominídeo – homem macaco – morador das florestas, que assusta há séculos muitos moradores da Austrália. Segundo alguns que juram tê-lo visto, ele possui cerca de três metros a dois metros e meio de altura. O animal é grande mesmo. E por sinal muito forte, e ainda tem um rugido assustador. A exemplo do primeiro caso, nada de concreto nesse também.

O terceiro bicho, ao contrário dos primeiros, têm-se fotos e imagens antigas dele. É o tigre da tasmânia (não confundir com o demônio). “Um conjunto primitivos de animais: pernas de canguru, pele de tigre e uma mordia impressionante de 120º graus. Mas parecido com um réptil que com um mamífero”. Ele está oficialmente extinto. Contudo, alguns afirmam que não. O tigre também não foi encontrado.

Os colonizadores se assustaram com esse animal feroz a arisco, quando chegaram à Austrália no século XIX. O governo mandou que todos eles fossem exterminados. Em tese o último tigre foi morto na década de 1930. Um vídeo dele é mostrado no documentário.

Cientistas estão estudando uma forma de trazê-lo de volta, através da Genética. Tomara que tenham êxito. Religiosos fundamentalistas posicionaram-se contra a pesquisa, vomitando a besteira de que os Cientistas estão brincando de Deus. Um dos Cientistas respondeu que quem brincou de Deus foram às pessoas que caçaram o animal. Na verdade, trazendo o tigre da tasmânia de volta, estaríamos brincando de seres humanos inteligentes.

Achei ótima a resposta dele. E acrescentaria, que trazendo essa espécie de volta, estaríamos colaborando com Deus. É um ato de amor à natureza, restaurar aquilo que perdemos, exatamente por causa da nossa ignorância e falta de respeito à fauna.

É impressionante como tem religiosos idiotas. Sendo a Austrália um país que possui um grande contingente de pessoas evangélicas, especulo que provavelmente foi um grupo destes que falou essa merda.

Quem diabo se importa com a opinião deles? Devemos nos importar, visto que suas ideias descabidas alienam a muitos. 

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

A Grande Tradição Intelectual Cristã


DOCKERY, David; GEORGE, Timothy. A Grande Tradição Intelectual Cristã. São Paulo: Cultura Cristã, 2015.

Dando continuidade a leitura de livros sobre a história da Igreja, acabei lendo esse, escrito pelos Teólogos Timothy George (Ph.D e Mestre em Teologia na Universidade de Harvard, EUA) e David S. Dockery (Ph.D em Humanidades na Universidade do Texas, EUA), que fala-nos sobre as grandes mentes teológicas e filosóficas que contribuíram para a grande tradição intelectual cristã, desde Justino Mártir, no século II, aos dias atuais, com o Teólogo Thomas Oden.

Logo de início é admitido que o cristianismo já não tem a relevância que antes gozava nas Universidades e outras instituições de ensino. A fé cristã foi relegada ao âmbito privado.

“[...] a maioria das universidades da Europa e da América do Norte, atualmente, entende que a tarefa de descobrir e de transmitir conhecimento é algo totalmente distante de qualquer conexão com a fé cristã, apesar de muitas dessas instituições acadêmicas atribuírem suas origens a uma herança cristã.” P. 17.

Páginas à frente, eles retomam esse tema:

“[...] Comumente, todos sabem que o pensamento cristão não é mais considerado um tema relevante na universidade moderna. Talvez seja admitido no departamento de História ou de Religião, onde há possibilidade de se fazer um trabalho sobre o que uma vez criam os cristãos.” P. 77.

No Brasil, Universidades como a Mackenzie (Igreja Presbiteriana do Brasil) e UNASP (Igreja Adventista do Sétimo Dia) tentam superar essa situação, dando ênfase a temas que julgam importantes para um cristianismo pulsante e atuante na sociedade. Por exemplo, ambas julgando a Teoria da Evolução uma inimiga mortal da grande tradição intelectual cristã, promovem eventos, cursos e disciplinas que questionam o darwinismo como a melhor teoria sobre a origem dos seres vivos.

Mas quem foram os homens que moldaram a grande tradição intelectual cristã, a despeito da sua atual crise nas grandes Universidades? Num imenso time que esculpiu o pensamento cristão, o livro traz em sua lista, nomes conhecidos e carimbados da Teologia Cristã, tais como:

JUSTINO MÁRTIR (século II) – “De forma brilhante, Justino vinculou o Antigo ao Novo Testamento.” P. 22.

ORÍGENES (séculos II-III) - “O trabalho de Orígenes foi grandemente influenciado pelo pensamento neoplatonista.” P. 24.

JOÃO CRISÓSTOMO (séculos III-IV) – “Deu primordial atenção à intepretação literal, gramatical e histórica das Escrituras.” P. 28.

JERÔNIMO (séculos III-IV) – “Sem dúvida, Jeronimo classifica-se como intérprete bíblico de primeira ordem, uma reputação que permanece até hoje.” P. 31.

AGOSTINHO (séculos IV-V) – “O trabalho de Agostinho formou o que há de melhor na tradição intelectual cristã, como poucos outros nos dois mil anos de história da igreja.” P. 31.

Muitos outros são mencionados: Anselmo, Aquino, Lutero, Calvino...

No tocante aos “hereges” que surgiram para atrapalhar o andamento da coisa, temos o trio do beiçudo – Marcião, Ário e Pelágio. Pense em três figuras que deram uma enorme dor de cabeça as lideranças da igreja. Concílios precisaram ser feitos para liquidar ou atenuar a influência “maléfica” que esses três causaram. E pior: ainda hoje, o protestantismo e catolicismo tem que lidar com os atuais arianos (testemunhas de Jeová) e com os pelagianos em suas próprias fileiras. As carcaças de Ário e Pelágio agradecem.

Um enunciado que chamou bastante atenção foi este:

“[...] sola gratia é herança comum do protestantismo histórico e do catolicismo fiel, assim como o é a confissão compartilhada pelo calvinismo tradicional e pelo arminianismo de João Wesley.” P. 51.

Os autores são dois Teólogos de tradição calvinista. Dessa forma, o reconhecimento deles de que João Wesley foi um cristão em consonância com a sola gratia (reconhecem a ortodoxia de sua teologia), se reveste de primordial importância para o longo debate entre arminianos e calvinistas. Os calvos do Facebook, por exemplo, com certeza em sua grande maioria, fariam chacota desse tipo de afirmação, caso viesse de autores arminianos. No entanto, devem se resignar. E note bem: Dockery e George usam a expressão "arminianismo de João Wesley", o que implica em dizer que os ensinos de Jacó Armínio estão fundamentados no SOLA GRATIA. Todavia, não é isso que os calvos de internet dizem. Sempre estão prontos a dizer de peito aberto que Armínio distorceu essa doutrina.

Felizmente nos últimos anos, as obras de autores arminianos têm preenchido o vácuo da Teologia protestante no tocante a essa questão, em terras brasileiras. Para quem se interessa por História da Igreja e Teologia Histórica, as prateleiras já dispõem de ótimas obras arminianas, que desmentem os espantalhos criados em torno de Armínio e dos arminianos.

Trazendo um dado triste e cruel do imperador Nero, o livro diz:

“[...] Os que visitam Roma podem ver o Coliseu. Esse lugar foi a princípio uma área de lazer do grande palácio de Nero, no alto da colina. Em um de seus banquetes, Nero mandou amarrar cristãos de Roma em postes e ordenou que ateassem fogo neles, de forma que quando os convivas chegassem, a caminho do banquete, passassem por onde os cristãos estavam sendo queimados, como postes de luz vivos.” P. 57.

Séculos depois, foram os ditos cristãos que fizeram coisas semelhantes. Bastou o poder mudar de lado. Humanos fazendo humanices.

E agora trazendo um trecho de uma carta do famoso Cientista Albert Einstein:

“[...] Somente a igreja se opôs à luta que Hitler empreendia contra a liberdade. Até então, eu não tinha nenhum interesse pela igreja, mas agora sinto grande admiração e estou bastante atraído por ela, que teve coragem persistente de lutar em favor da verdade espiritual e da liberdade moral. Sinto-me obrigado a confessar que agora admiro aquilo que costumava considerar de pouco valor.” P. 65.

Imagino os ateus mais empedernidos e cheios de ódio contra a religião, dizendo que essa carta não existe ou que os autores tiraram o texto do seu contexto, e assim, distorceram o que o Físico quis dizer. Haja paciência com esses também. Mesmo que o Einstein não tenha sido um religioso no sentido tradicional, esse tipo de reconhecimento de sua parte, da utilidade benéfica da religião num momento tão crucial da história humana, é algo que os ateus raivosos não curtem.

E terminando, nas páginas finais, os autores conclamam toda a comunidade cristã a lutarem e batalharem para que a grande tradição intelectual cristã tenha seu espaço nas Universidades e nas pesquisas de ponta do saber. Excelência, seriedade e pesquisa, nas mais diversas áreas devem ser feitas com entusiasmo pelos cristãos. Afinal, toda verdade é uma verdade de Deus. As ciências da natureza, humanidades, artes e todo tipo de conhecimento, deve ser buscado com diligência, para que Deus seja glorificado.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

As Catacumbas de Roma


SCOTT, Benjamin. As Catacumbas de Roma. 41º Impressão. Rio de Janeiro: CPAD, 2015. 

Leitura terminada. Vamos à obra.

Começando pelo autor, Benjamin Scott, o que tenho a dizer? Nada!

- Nada?

Sim, nadinha, nadinha. Os elementos pré-textuais do livro, não nos informa sobre quem ele é; o que faz; que igreja faz parte, etc. Pastor? Teólogo? Historiador? Pesquisador autodidata? Também não encontrei informações sobre ele na Web.

Em todo caso, como o próprio título da obra diz, ele vem trazer à luz, a história das intrigantes catacumbas dos primeiros cristãos. Esses lugares que serviram de refúgio e locais de adoração, para esse mar de gente, que rompeu os seus laços com a religiosidade “pagã”, para abraçar uma nova fé. O polêmico homem da Judeia, Jesus Cristo, agora era o objeto de sua crença. Objeto esse, que lhes custou à própria vida em não raras ocasiões, nos longos séculos I-IV.

Antes de entrar no tema propriamente dito, nos capítulos iniciais, ele irá traçar um relato sombrio sobre o culto e a sociedade que viviam debaixo da religião do paganismo. Nessas sociedades imperavam toda sorte de imoralidades, perversões, sacrifícios de crianças, rebaixamento da mulher e toda sorte de torpezas. Vários povos são mencionados: egípcios, gregos, romanos, hindus, fenícios, etc. Todos, absolutamente todos, estavam entregues as mais variadas práticas repugnantes e desumanas.

“E, para completar o testemunho dos pagãos, quanto ao caráter e efeitos do seu sistema, Platão declara: ‘O homem tem-se tornado mais baixo que o mais vil dos animais’. P. 12.

Citando outra testemunha da época, para corroborar sua tese, Scott traz as palavras de Dionísio de Halicarnasso, Filósofo grego:

“Há somente uns poucos que chegaram a ser mestres de filosofia; por outro lado, a grande e ignorante massa popular está mais propensa a encarar essas narrativas (as vidas dos deuses) pelo lado pior e a desprezar os deuses como seres que se transformam nas mais crassas abominações, ou a não temer praticar as maiores baixezas, crendo que os deuses as praticam também.” P. 13.

Falando sobre o culto e sacrifício de crianças em homenagem ao conhecido e condenável deus Moloque, ídolo tão comum aos leitores da Bíblia, Scott nos descreve como era o ritual:

“O ídolo consistia numa estátua de latão, sob a forma de homem com cabeça de touro; tinha os braços estendidos para a frente, um pouco abaixados. Os pais colocavam seus filhos nas mãos do ídolo. Dali a criança caía numa fornalha onde morria queimada. Durante a cerimônia, tocavam tambores e trombetas para abafar os gritos dos inocentes. Algumas vezes o ídolo era oco. Aquecido até ao rubro por fogo colocado dentro, as crianças eram então queimadas nas mãos em brasa da estátua.” P. 15-17.

A condição da mulher era paupérrima.

“A mulher era definida pelas leis de Roma, não como pessoa, mas como coisa e, se faltasse o título da sua posse, poderia reclamar-se como quaisquer móveis. Era tratada como escrava do homem e não como sua companheira e amiga; era comprada, vendida, trocada, desposada, casada, divorciada e separada de seus filhos, sem seu consentimento; muitas vezes sem misericórdia; à vontade do capricho de seu senhor. Ele podia legalmente matá-la, ainda que fosse por ter provado do seu vinho ou por ter usado suas chaves.” P. 27-29.

Diante do exposto, fico pasmo diante da apressada acusação de que o texto bíblico oprime as mulheres. E apesar da mulher não ter a sua devida valorização na cultura hebraica, a sua condição era bem pior na maioria das culturas em derredor. É por isso que o cristianismo atraiu tanto o sexo feminino. Visto que o seu fundador, pelo menos de acordo com os textos mais primitivos de que dispomos, deu-lhes uma dignidade que lhes era negada no judaísmo, e muito mais na cultura romana, entre outras. 

A partir do capítulo 3, o autor começa a tratar das catacumbas romanas, enfatizando um enorme contraste entre as perspectivas “pagãs” e cristãs, nas inscrições encontradas. Enquanto nas catacumbas de não cristãos não havia palavras de esperança pós-morte, nas catacumbas cristãs, apesar da dor da perda de um filho, marido ou esposa, a esperança da vida eterna com Deus, é bem corriqueira nas rudimentares inscrições e desenhos feitos pelos seguidores do cristianismo. Eis dois exemplos, na página 80:

Inscrição “pagã”:

CAIUS JULIUS MAXIMUS, 2 ANOS E 5 MESES (IDADE).
Ó INFORTÚNIO IM-PLACÁVEL, QUE TE DELEITAS EM MORTE CRUEL, PORQUE ME FOI MÁXIMO ARRANCADO TÃO REPENTINAMENTE, AQUELE QUE ULTIMAMENTE SE RECLINAVA NO MEU COLO? ESTA PEDRA AGORA MARCA O SEU TÚMULO.
EIS A SUA MÃE!

Inscrição cristã:

PETRONIA, ESPOSA DE UM DIÁCONO, TIPO DE MODÉSTIA.
NESTE LUGAR DEITO OS MEUS OSSOS. DEIXAI AS VOSSAS LÁGRIMAS, CARO MARIDO E FILHOS, E CREDE QUE É PROIBIDO CHORAR POR UMA QUE VIVE EM DEUS. ENTERRADA NO TER-CEIRO, ANTES DAS NONAS DE OUTUBRO, DURANTE O CONSULADO DE FESTO.

Diante do exposto, Scott completa:

“Onde se pode encontrar um contraste maior em sentimento do que o que existe em monumentos pagãos e cristãos sobre a morte? O paganismo, não obstante as alusões de seus poetas aos Campos Elíseos, para além das negras águas do Estyge, não tinha esperança da imortalidade. Entre os muitos milhares de epitáfios existentes em gabinetes e museus, ainda não se achou uma única alusão a qualquer convicção definida de imortalidade.” P. 80.

Muitas outras inscrições são trabalhas pelo livro, trazendo informações valiosas sobre as catacumbas e as pesquisas feitas sobre elas. Contudo, nos dois capítulos finais, o autor se volta contra o catolicismo romano, afirmando que os túmulos dos crentes primitivos refutam boa parte das doutrinas distintivas do papado. As mais duras críticas são levantadas para convencer o leitor de que o catolicismo não é uma representação fiel dos ensinos apostólicos.

“A Igreja Romana é acusada de usar da mentira, da violência, da prepotência, para castigar, matar, destruir aqueles que julgava seus inimigos ou que de seus erros di-vergiam. Seus mais altos dignatários, para alcançar seus fins inconfessáveis, praticavam os crimes mais infames, dando lugar a obras de grandes escritores que os condenaram publicamente. Aí está a história da Inquisição onde milhares de santos foram martirizados pela Igreja Romana.” P. 126.

Segundo o autor, doutrinas fundamentais do catolicismo, tais como a presença do sacrifício de Cristo na missa, purgatório, sacerdócio do padre acima da comunidade de fé, não são sequer mencionadas nem de relance. Não se pode nem deduzir qualquer dessas crenças dos desenhos encontrados nas catacumbas primitivas.

O livro é bonzinho. Com certeza, há livros bem melhores que tratam do tema. A emoção e fé protestante anticatólica do autor, veio à tona com força no final do livro, mas nada que venha a comprometer as informações curiosas que o livro traz. Não tenho muito apreço pelo catolicismo mesmo. Quem diabo se importa com o Vaticano? Eu não me importo.  

domingo, 10 de janeiro de 2016

A Teoria da Evolução: Uma Conspiração Antibíblica


Não me canso de assistir documentários referentes a essa longa disputa e controvérsia. Lembrando que para os evolucionistas, não existe controvérsia alguma sobre o “fato da evolução”. Ela é algo bem consolidado nos departamentos de Ciências. O alarde, segundo eles, vem dos criacionistas inimigos de Darwin e da Teoria da Evolução.

No vídeo em questão, tive uma curiosa surpresa: o conhecido Filósofo e Teólogo Norman Geisler, a quem muito admiro, é o apresentador.

Uma produção antiga, de 1988, que tenta desmascarar/refutar/desentronizar a evolução biológica do seu lugar de proeminência nos atuais e principais centros de ensino dos EUA.

Numa miscelânea de argumentos propostos, são entrevistados alguns Cientistas da criação, pastores e escritores. Tendo como base o livro A Conspiração da Evolução, a ideia vendida, é que existe uma conspiração antibíblica consciente para eliminar a crença em Deus nas Universidades e escolas, mediante a doutrina de que nós, seres humanos, não somos produtos de uma criação divina, e sim, de processos puramente naturais e irracionais, por meio da seleção natural e mutações. O deus judaico-cristão, de acordo com Geisler e cia, está sendo escorraçado das aulas de ciências, e isso deve ser motivo de muita preocupação para sociedade civil.

Um dos entrevistados lamenta a passividade dos pais, que na sua maioria, são cristãos, mas nada fazem para frear a disseminação anticristã que vem ocorrendo nas últimas décadas nas salas de aula.  
 
As várias fraudes que “mancham” a evolução, são evidenciadas, na tentativa de enfraquecer o víeis científico da mesma. O Homem de Pitdow, o Homem de Java, entre outros, são os batidos exemplos citados.

Outro argumento lançado é a afirmação de que não vemos a evolução em ação. Ou seja, uma espécie transformando-se em outra. O máximo que podemos ver é a resistência que muitos organismos possuem a determinados venenos, mas isso não seria evolução, no sentido de uma espécie transforma-se noutra, visto que o organismo apenas adquiriu a capacidade de sobreviver aquele veneno, e nada mais.

Para contrapor os Cientistas que na sua maioria esmagadora são evolucionistas, o vídeo trás essa fala do Lane P. Lester, Ph.D em Genética na Universidade de Purdue:

“Eu acabei percebendo, finalmente, após estudar a todo esse material, e pensar muito a respeito, que a evidência científica para a criação é bem mais forte que a evidência científica para a evolução.”

Os acadêmicos darwinistas também são entrevistados. Eles são unânimes em dizer que o criacionismo carece de cientificidade; que é inverídica a declaração de que não existem os fósseis transicionais; que a evolução é um fato estabelecido, etc.

Numa estratégia que pode enganar a muitos, o documentário fez sob medida a “refutação” de muitas afirmações dos evolucionistas. O esquema foi o seguinte: quando o darwinista fazia alguma declaração, logo em seguida, o vídeo colocava um criacionista o contestando. Porém, ao darwinista não foi dada a chance de ouvir a explicação criacionista e, assim, contestá-la. Aos desavisados, fica a impressão de que a ideia de Darwin e cia, foi devidamente refutada. Pode até ser. Não sou evolucionista, e, portanto, não estou compromissado em defender Darwin. Ele nem precisa. Mas julgo que a maneira como foi organizado o vídeo, não é a forma mais honesta e justa de lidar com a confrontação de ideias.

Também no âmbito jurídico, os criacionistas disparam seus gatilhos contra o darwinismo, alegando que apenas o ensino do evolucionismo nas escolas é inconstitucional. A evolução deve ser ensinada ao lado da criação. As escolas devem prezar pela diversidade de visões, e não priorizar a religião da evolução e do naturalismo, como tem feito. Baseando-se em algumas pesquisas, uma parcela gigante da população norte-americana quer a ministração da Ciência da Criação nas escolas.

Como já disse, não sou evolucionista, mas tampouco sou criacionista, nos termos em que ele é defendido por esses crentes fundamentalistas do filme. Particularmente, não acredito que esses crentes estejam preocupados em ensinar prioritariamente a verdade que a Ciência pode revelar. Eles querem que a sua visão religiosa seja imposta as todas as crianças. Eles não cansam; não fatigam; não esmorecem; não desanimam e não desistem. Proselitismo pesado eles querem fazer nas escolas.

Ensinar à dita “Ciência da Criação” é apenas uma ponte para enfiar goela abaixo os dogmas do protestantismo conservador. Eles não querem que sejam ensinadas nas instituições de ensino outras formas de criacionismo que não seja o bíblico. Acusam os evolucionistas de desprezarem a diversidade, mas eles mesmos a desprezam. A própria natureza de sua religião e visão de mundo, lhes obriga a isso.

Querem mais espaço para divulgar suas crenças?! As crianças não têm a opção de escolherem (criação ou evolução)?! E as suas igrejas, com seus cultos e reuniões semanais, já não é um centro difusor de seus dogmas absolutos?! Ainda querem as Universidades e escolas?!

Não, não. Prefiro não me alinhar a esse tipo de política religiosa e proselitista. Eles querem uma liberdade e democracia que nem eles aceitam em suas igrejas. Acusam a evolução de fraudes e mentiras, mas se esquecem de mencionar a longa lista de fraudes que o criacionismo tem no seu histórico. Fora as fraudes escondidas de suas denominações.

Sei que o evolucionismo carece de bases epistêmicas fundamentais. Mas não será aderindo uma espécie bizarra de “ciência” tendo como base um livro religioso, que não pode na visão deles ser questionado em hipótese alguma.

Lembrando que tenho simpatia, com algumas ressalvas, pelo moderno movimento do Design Inteligente. Mesmo que saiba que as velhas motivações fundamentalistas, talvez até da maioria de seus membros, seja a mola propulsora de sua militância. Contraditório de minha parte? Muitos dirão que sim. Mas quem diabo se importa?! 

sábado, 2 de janeiro de 2016

O que é Historia?


Pelo que lembro esse foi o primeiro livro lido no curso de História que li. Um singelo e agradável livro de introdução à disciplina, que vem passando de geração em geração dando os primeiros lampejos do que é a ciência histórica aos inúmeros discentes que optam em conhecer com um pouco mais de profundidade o passado humano. 

A Vavy Pacheco Borges é Doutora em Ciências Sociais pela PUC/SP, com Mestrado e Bacharelado em História pela mesma Universidade. É Professora do Departamento de História da UNICAMP.

Ela faz uma dicotomia interessante sobre o que é história:

“Os dois sentidos da palavra [história] estão, pois, estreitamente ligados: os acontecimentos históricos (a história acontecimento) são o objeto de análise do conhecimento histórico (história conhecimento)”. 

“A história seria aquilo que aconteceu [...] e o estudo desses acontecimentos”. Pág. 48.

Julgo ser uma simplificação muito útil. 

Depois ela escreve:

“Infelizmente, é preciso desiludir-se de inicio: escrever história não é estabelecer certezas, mas é reduzir o campo das incertezas, é estabelecer um feixe de probabilidades. Não é dizer tudo sobre uma determinada realidade, determinado objeto do passo, mas explicar o que nesses é fundamental. Nem por isso, se deve cair num total relativismo em que toda e qualquer explicação tenha a mesma importância, o mesmo peso". 

"Para esse tipo de conhecimento histórico, todas as conclusões são provisórias, pois podem ser aprofundadas e revistas por trabalhos posteriores. Um 'saber absoluto', uma 'verdade absoluta' não serve aos estudiosos sérios e dignos do nome; servem aos totalitários, tanto de direita como de esquerda, que, colocando-se, como donos do saber e da verdade, procuram, por meio da explicação histórica, justificar a sua forma de poder”. Pág. 69-70.

Num primeiro momento pensei que isso cheirava a puro pós-modernismo, mas uma leitura mais cuidadosa revela apenas a cautela da autora na interpretação dos eventos historiados. Na ânsia de detectar e refutar qualquer indício de relativismo no curso, julguei que a autora estava defendendo uma visão pós-modernista nesse trecho.

Começar a estudar a ciência histórica tendo como ponto de partida este pequeno livro, é um bom começo. Depois o aprendiz pode ler Apologia da História – Marc Bloch, A História Repensada - Keith Jenkins, A Busca da História – John Tosh, Que é História – E. H. Carr, etc.