segunda-feira, 17 de abril de 2017

Toda a Verdade: Silêncio em Nome de Deus



O Vaticano continua sua saga grotesca de proteger bispos e padres pedófilos! A história se repete: um padre estupra vários meninos numa paróquia, escola ou instituição católica - a alta cúpula da igreja toma conhecimento, e o que ela faz? Simplesmente na maior cara de pau, crueldade e falta de respeito pelas crianças vitimizadas, transfere o pároco pedófilo. Ela não entrega o criminoso para ser devidamente julgado pelo Estado.

O problema não é a igreja católica ter entre os seus sacerdotes, pedófilos, estupradores, psicopatas e etc., visto que todas as instâncias da sociedade os têm. A questão é a igreja encobrir os MILHARES de casos que se acumularam ao longo das últimas décadas. O documentário rastreia até o século XIX, no Instituto Provolo. Imagine os milhares de estupros ocorridos ao longo dos vários séculos da igreja. 

Esses padres deveriam ao primeiro caso de estupro comprovado, serem presos pela justiça comum, e julgados como qualquer cidadão. Infelizmente não é isso que acontece. Não é do interesse do papa e cardeais, que os seus pupilos sejam presos e passem pela vergonha de um julgamento comum. É prejuízo para a igreja, e isso ela não quer ter, mesmo que seja em torno da justiça e respeito pelas crianças aliciadas.

Os casos de estupros passados no documentário em foco passam-se na Itália, centro do catolicismo mundial. Um padre de lá, afirma que os padres e cardeais bem próximos ao papa, são em sua grande maioria sexualmente ativos. São clientes de garotos e garotas de programa. E muitos gostam de comer criancinhas! Aí eu pergunto: o papa não sabe disso? Duvido que não saiba. Sabe e esconde tal vergonha da sociedade. Sobretudo, porque tem conhecimento que o catolicismo carece de credibilidade perante boa parte da população europeia e mundial. 

Não, não é que estamos denegrindo a imagem da igreja, seja por raiva, vingança, ou mera subjetividade, é mostrar a realidade de que a igreja católica NÃO está preocupada com a saúde das crianças estupradas. O objetivo do catolicismo continua sendo manter-se no poder a qualquer custo. Não importa se para isso, crianças abusadas forem deixadas para trás, para que os escândalos não cheguem ao grande público. Somente nos últimos anos é que o Vaticano resolveu “fazer” algo para conter os abusos cometidos pelos seus capachos. Não passam de discursos. A pressão aumentou; as vítimas colocaram a boca no mundo e disseram o que se passa nos aposentos das instituições católicas. 

Os católicos deveriam enojar-se de tudo isso! Tristemente não é isso que vemos. Muitíssimos fieis lamentavelmente ainda cultivam uma visão romântica e idealizada demais da igreja e dos padres. Enquanto tiverem essa visão infantil e passividade, o Vaticano continuará lhes enganando e afirmando descaradamente que são o canal de deus e os homens. 

Sistematicamente a igreja tem se silenciado diante dos casos de abusos sexuais. Não são abusos isolados; são casos presentes em todas as dioceses da Itália. Avolumam-se os números assustadores de padres envolvidos.

O que o documentário denuncia é só a ponta do iceberg! Mundo a fora, os estupros estão acontecendo, e a igreja fingindo que tudo está bem.

A igreja católica é cínica e cruel!

Toda a Verdade (Parte 2)

As Minhas Férias na Coreia do Norte


"A Coreia do Norte é o país mais sigiloso do mundo e um exemplo do pior tipo de ditadura comunista. Desde a sua criação, em 1945, que o país vive noutro planeta. Paranoia aguda e miséria são as suas características principais".

Raptados pela Coreia do Norte


Não bastasse escravizar, humilhar, alienar e deixar na miséria os seus habitantes, o governo norte-coreano, não contente e satisfeito, ainda sequestra cidadãos de outros países. No Japão , esses raptos, são casos de política nacional. A Tailândia é outra nação que teve vários dos seus raptados. Holandeses, franceses, italianos, sul-coreanos... Existem centenas de estrangeiros vivendo forçadamente na Coréia do Norte.

Bangladesh: Peles Tóxicas


Bangladesh, um dos 20 países mais corruptos do mundo. De uma nação assim, não há como esperar nada de bom! É o tipo de país, onde os seus habitantes são meros objetos descartáveis, para se chegar a um fim. Meios para que os empresários das fábricas de curtumes (couros de animais), em conchavos nojentos com o governo, enriqueçam ilicitamente e, mandem seus materiais para serem consumidos na Europa.

A Guerra Perdida do Vaticano 


Concílio do Vaticano II, no início da década de 1960. Tinha por finalidade abrir a igreja para o mundo! Tal "desejo" se concretizou? O canal português, que traz as nuances do tal concílio e os seus desdobramentos, mostrará que não. A igreja católica está mais perdida do que cego em tiroteio. Para aqueles que afirmam que a igreja romana é una - una em quê, pelas caridade, meu fí?

Só para ser ter uma noção das contradições que reinam nesse sistema religioso e eclesiástico, no concílio mencionado, afirmou-se que pessoas não católicas podem perfeitamente serem salvas, continuando em suas religiões. Isso contradiz frontalmente o que o concílio de Florença proclamou em 1444, afirmando que crianças, judeus e o diabo a quatro, que fossem para o saco, antes de serem batizados, iriam torrar lindamente no fogo do inferno. Mas não é a igreja infalível, segundo ela mesma? Em qual concílio os católicos devem dar crédito? Que infalibilidade é esta, que entra em tão flagrante contradição?

Ah, o documentário​ não poderia deixar de trazer mais uma vez ao público, a vergonha que são os milhares de casos de pedofilia da igreja, que acobertou todos eles.

Nova Orleans: Capital de Assassínios


Natal mesmo sendo a capital mais violenta do Brasil, segundo uma pesquisa aí, não chega nem perto do índice de violência em Nova Orleans, EUA. A pobreza dos bairros de afrodescendentes gera uma violência horrível; uma verdadeira guerra civil. As crianças e jovens negros estão calejadas de tanta violência. O maior sistema carcerário do país é nesta cidade do Estado da Louisiana. A juventude está entregue as moscas.

Toda a Verdade

Paquistão: Abandonados por Deus


Triste demais! Um país, onde 50% da população está abaixo da linha de pobreza, não se pode esperar coisas boas. O país sofre pesadamente com milhões e milhões de usuários de drogas, prostituição de crianças, terrorismo... É um verdadeiro caos. E para piorar, a religião dominante é o Islamismo. Documentário espetacular, produzido por um canal português. 

Viagem ao Mundo da Cocaína


Uma guerra perdida! A atual batalha contra as drogas nunca terá êxito, se não mudarem a sua política de atuação. Liberar alguns entorpecentes, parece um caminho razoável, pelo menos em alguns países. Não sei se aqui no Brasil, daria certo.

Uganda: Morte aos Homossexuais


Num retrocesso sem igual, Uganda, país da África, sob a influência de pastores evangélicos fundamentalistas norte-americanos, está a perseguir e prender homossexuais. Pastores ugandenses e líderes muçulmanos, estão até mesmo a promover a morte de gays e lésbicas.Estão a disseminar que todo gay é um aliciador de crianças.Triste país, que pensa assim!

França: Infiltrados na Rede do Tráfico



Mundo em crise. Até cidades como Paris, tem bairros tomados por traficantes, onde a polícia passa longe.

Legalmente Drogados


Geralmente, quando pensamos em drogas, logo vem a mente, a maconha, a cocaína, a heroína, o ecstasy... Mas apenas no Reino Unido, já foram catalogadas mais de 29 mil drogas. Quando o governo as proíbe, os químicos criam novas substâncias, que entram legalizadas no mercado. Entra-se num ciclo interminável.

Novo Entorpecente Legalizado >>> Proibição >>> 

Novo Entorpecente Legalizado >>> Proibição >>> 

Novo Entorpecente Legalizado >>> Proibição >>>

Não termina nunca. A juventude vai se envenenando, se envenenando, se envenenando...

Reforma: Renovação da Igreja pelo Evangelho


FISCHER, Joachim H. Reforma: Renovação da Igreja pelo Evangelho. São Leopoldo: Sinodal/EST, 2006.

“A origem da Reforma protestante foi a redescoberta da justificação pela graça de Deus mediante a fé.” P. 27.

500 anos da Reforma Protestante! Passaram-se cinco décadas desde 1517, quando Lutero desafiou a autoridade católica, levando consigo, milhões de pessoas a adotarem um novo estilo de culto ao deus judaico-cristão. A reforma desencadeou um movimento que mudou os rumos do mundo. Fez parte de um movimento maior, o Renascimento, iniciado no fim do século XIV, que começou a trazer gradativamente uma nova visão há muitos europeus, que se deram conta de que o antigo sistema de crenças, já não explicava a realidade adequadamente.  O caminho estava sendo construído para que rupturas no catolicismo acontecessem.

Vejamos um pouco do que Fischer (Ph.D em História da Igreja na Universidade de Göttingen, na Alemanha) tem a nos dizer.

“Seu objetivo [da Renascença] era superar a Idade Média e seu pensamento filosófico e teológico, a Escolástica. Queria voltar às origens, às ‘fontes’; que a antiguidade renascesse e se tornasse modelo de concepção de vida. Voltou sua atenção ao ser humano, à natureza, às ciências naturais, ás pesquisas históricas. [...] Ao tentar superar a Idade Média, a Renascença ajudou a preparar o chão para o surgimento da Reforma protestante”. P. 14.15.  

Qual era o objetivo dos reformadores?

“Queriam renovar a igreja de seu tempo a partir do Evangelho e pelo Evangelho, testemunhado pela Sagrada Escritura. Pretendiam libertar a Igreja das tradições e leis humanas que ofuscaram a luz da palavra de Deus. Desejavam que toda a Igreja voltasse às suas origens, ao cristianismo dos tempos dos apóstolos. Foi, em termos gerais, o objetivo de todas as correntes da Reforma protestante, embora depois tenham trilhado caminhos diferentes entre si para alcançar aquele objetivo.” P. 16.  

Várias linhas de pensamento reformistas passaram a fazer o seu trabalho de proselitismo na Europa, alegando serem fieis ao espírito da Bíblia Sagrada, repudiando a igreja católica e muitas de suas doutrinas. O papa agora era visto como um (o) anticristo, a besta do derradeiro livro do Apocalipse. Quem quisesse ser salvo, que se desligasse do catolicismo e se juntasse as igrejas protestantes. Mas não qualquer uma. Não demorou muito para que os reformados começassem a brigar por picuinhas e crenças divergentes. Algo que vemos ainda nos dias atuais.

“Após a Reforma, os próprios protestantes trataram a Bíblia muitas vezes de modo legalista, contrariando o princípio de liberdade de suas próprias origens”. P. 20.

Mesmo assim:

“Muitas pessoas sentiram-se aprisionadas pelas estruturas eclesiásticas e sociais de seu tempo. Falava-se do cativeiro babilônico da Igreja: a instituição Igreja era mais importante do que as pessoas. A Reforma arrombou a prisão; colocou os prisioneiros em liberdade. Em relação à Igreja da época, a Reforma era um movimento libertador”. P. 26.

Até hoje, no catolicismo as pessoas têm menos importância que a instituição. Os casos de pedofilia que grassam aos montes entre os seus sacerdotes, é um exemplo escrachado do quanto às crianças molestadas nada valem, se isso colocar em risco a credibilidade e mexer nos cofres da igreja em indenizações.

Lutero, o iniciador da Reforma questionou:

A autoridade do papa;

Afirmou que os concílios da igreja não eram infalíveis (exemplo: concílio de Constança);

Condenou as indulgências;

Reconheceu dois sacramentos, em detrimento dos sete ensinados pelo catolicismo;

A eucaristia era com o pão e o vinho para os fieis;

O batismo tornava todos (leigos e padres) sacerdotes;

Etc.

As palavras e os escritos de Lutero abalaram as estruturas da Europa; logo muitas pessoas e regiões deram-lhe apoio, visto que não mais suportavam a mesmice e morbidez da igreja católica. O gordinho de Wittenberg era subversivo, rebelde, insurreto, insubmisso. Não demorou, para que os sacerdotes católicos exigissem uma retratação de Lutero. Como ela não veio, houve um repúdio recíproco entre a igreja e o reformador.

“Quando o núncio apostólico Jerônimo Aleander (1480-1542) queimou os escritos de Lutero na Bélgica, Lutero, por sua vez, queimou solenemente aquela bula papal e os decretos jurídicos dos papas em 10 de dezembro de 1520 na presença de professores e estudantes da universidade de Witteberg. Lutero já não esperava mais a renovação da Igreja papal. De sua parte, rompeu definitivamente com essa igreja”. P. 30. 

Lutero foi chamado a prestar depoimento a Dieta de Worms, pelo imperador Carlos V, em 1521. Não se retratou, contrariando o desejo do imperador. Foi considerado um herege por este, e acabou se escondendo com a ajuda de Frederico, o Sábio, em Wartburg. Num período de 10 meses ficou isolado de todos. Aproveitou para traduzir o Novo Testamento para a língua nativa. Assim como Erasmo de Roterdã, Lutero também era um humanista e, portanto, voltou às fontes das línguas originais gregas. Mais tarde com a colaboração de outros traduziu o Antigo Testamento para o alemão.

Lutero e Erasmo acabaram indo por caminhos distintos em suas perspectivas teológicas. Enquanto Lutero negava o livre arbítrio humano, Erasmo o afirmava. Sem acordo, Lutero rompe relações com ele.

“Em 1524/25, Lutero rompeu publicamente com Erasmo e os humanistas erasmianos. Isso aconteceu durante um debate literário de altíssimo nível intelectual sobre a questão ‘se a vontade [humana] efetua alguma coisa ou nada naquilo que concerne à salvação’ ou ‘do que o livre-arbítrio é capaz’. Erasmo respondeu que o livre-arbítrio ‘efetua alguma coisa’ quanto à salvação. Lutero, no entanto, afirmou categoricamente, no escrito ‘Da vontade cativa’ (1525): ‘Não pode haver livre-arbítrio nem no homem, nem num anjo, nem em qualquer outra criatura’.” P. 43.

Lutero brigou e discordou de muitos protestantes que iam surgindo. Vários temas referentes ao que a Bíblia ensina, era motivo de interpretações diferentes entre os reformadores. Lutero teve discórdias teológicas com Karltadt, Zwínglio, Tomás Muntzer e anabatistas. Muitos dos últimos foram massacrados por católicos e protestantes, por não aceitarem o batismo de crianças. Um anabatista radical, Tomás Muntzer, foi morto por pregar idéias revolucionárias no campo social e se juntar aos camponeses que exigiam mudanças, contra os senhores, que os exploravam. Rejeitado pelos luteranos e zwinglianos, Muntzer passou a ser visto positivamente séculos depois.

“Sua imagem só começou a mudar no contexto da Revolução francesa, no final do século XVIII (1789), e da historiografia marxista, que viu nele o paladino da libertação do povo de domínio e opressão feudal.” P. 47.

Sobre os judeus, Lutero não se colocou acima de sua época, reproduziu os mesmos pensamentos e atitudes de anti-semitismo contra eles. Num primeiro momento o reformador tinha esperanças de que os judeus aceitassem o cristianismo (protestante), como eles não aceitaram, mais tarde, seu ódio se fez presente em seus escritos. Fischer nos conta:

“[Lutero] rejeitou atos de vingança contra os judeus e não conclamou ‘as autoridades à matança de judeus’. Mas sugeriu uma série de medidas: queimar as sinagogas e escolas dos judeus, destruir suas casas, confiscar livros religiosos, proibir o ensino dos rabinos, proibir-lhes cobrar juros, confiscar seu dinheiro e jóias, exigir dos jovens e das jovens que trabalhassem e, finalmente, seguir o exemplo das autoridades da França, Espanha e Boêmia e[m] expulsar os judeus”. P. 52.

Ah o amor cristão...

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Manual de Parapsicologia


BORGES, Valter da Rosa. Manual de Parapsicologia. Recife: IPPP, 1992.

Ainda não conhecemos todas as potencialidades do ser humano. E os fenômenos paranormais têm demonstrado que somos muito mais do que tudo o que possamos apresentar em nosso nível consciente.” P. 12.

Telecinese, toribismo, metafanismo, radiestesia, criptomnéisa, precognição, telepatia, levitação, casas “mal assombradas”... Esses fenômenos estranhos existem? São fenômenos do além? São apenas fruto da imaginação e subjetividade supersticiosa de quem alega ter vivenciado alguma dessas experiências incomuns? O espiritismo explica bem esses eventos bizarros? Ou a Ciência “oficial” consegue ter um poder explicativo mais razoável?

Indo por um caminho alternativo e distinto das religiões e da Ciência tradicional, a Parapsicologia tem estudado as pessoas que alegam terem poderes paranormais, não descartando e até afirmando que tais fenômenos são reais!

A interpretação da Parapsicologia difere das explicações religiosas, pois não atribui as forças espirituais do além os acontecimentos paranormais. É distinta também da comunidade científica, na medida em que esta rejeita a existência das ditas anomalias.

Os Parapsicólogos têm estudado casos e mais casos desde o século XIX. Há uma vasta literatura e material disponível, que mostram a existência de que algo estranho acontece.

Borges, Parapsicólogo do Instituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas, neste livro introdutório, traz um pouco do que é o universo das pesquisas da Parapsicologia.

Apesar dessa área do conhecimento ser vista com ceticismo por muitos, Borges nos diz:

[Em] 1893 - O Dr. Albert Coste obtém o título de Doutor em Medicina pela Universidade de Montpellier, defendendo tese sobre fenômenos paranormais.” P. 6.

“[Em] 1931 - 0 Instituto Metapsíquico Internacional começa a instalar sua aparelhagem científica. 1933 - As Universidades de Duke (E.U.A.), de Bonn (Alemanha) e de Utrecht (Holanda), conferem diploma de PhD, por trabalhos de investigação parapsicológica, a John F. Thomas, Hans Bender e Willem Tenhaeff respectivamente.” P. 7.

“1950 - Karlis Osis recebe seu PhD em Filosofia, conferido pela Universidade de Munique, por sua tese sobre percepção extra-sensorial.” P. 8.

Outros exemplos são dados, mas ainda hoje a Parapsicologia é vista por muitos como pseudociência.

Pois bem, qual a tese central da Parapsicologia?

“A hipótese fundamental da Parapsicologia é que os fenômenos paranormais são produzidos pelo psiquismo inconsciente do Agente Psi. Esta hipótese estabelece o que produz os fenômenos paranormais, mas não como eles são produzidos. [...] Agente Psi é o homem na situação do deflagrador do fenômeno paranormal. Qualquer pessoa pode, eventualmente, passar por exporiôncias paranormais. 0u seja: funcionar como Agente Psi, visto que, potencialmente, todo ser humano é dotado desta aptidão. No Espiritismo e na Metapsíquica, o Agente Psi é denominado de médium”. P. 10-11.

Existe segundo Borges, o Agente Psi Confiável – aquela pessoa que consegue produzir constantemente fenômenos paranormais. No entanto, todos nós temos a potencialidade de produzir essas coisas estranhas, inconscientemente.

Nas explicações dos eventos paranormais, não se recorre à hipótese espírita, de que espíritos de pessoas mortas estão em atuação. Embora a interpretação espiritualista possa estar correta. Borges escreve:

“De nossa parte, entendemos que, enquanto não conhecermos mais profundamente o psiquismo humano e tivermos a possibilidade de elaborar uma hipótese que atenda os requisitos de cientificidade, deveremos admitir, até prova em contrário, que os fenômenos paranormais são produzidos por uma pessoa humana viva, mesmo que nem sempre as explicações para alguns deles sejam satisfatórias. Podemos até reconhecer, em alguns casos, a excelência da hipótese espiritualista, porém fazendo sempre a ressalva de que ela ainda não superou o seu estágio metafísico, o que não importa em dizer que ela não é verdadeira.” P. 15.

Diferenciando a paranormalidade da mediunidade, vale essa longa citação:

É mister distinguir paranormalidade de mediunidade . A paranormalidade é aptidão do ser humano de manifestar poderes incomuns nas relações consigo mesmo, com outras pessoas e demais seres vivos, assim como com a matéria em geral. A mediunidade é, segundo o Espiritismo, a capacidade que toda pessoa possui de se comunicar com os Espíritos. Por isso, a mediunidade não é objeto de investigação parapsicológica.

A paranormalidade consiste num conhecer e num agir do ser humano além dos limites habituais dos processos cognitivos e das extensões corporais. É uma evidência de que o homem é um ser maior do que revela em seu desempenho habitual, em sua rotina biológica e psíquica. Paranormal é tudo o que excede o comumente humano, permanecendo humano. Sabemos que somos limitados, mas ainda não conhecemos todos os nossos limites. Por isso, nos condicionamos às nossas rotinas, bloqueando as nossas potencialidades. A experiência paranormal é o extravasamento súbito e impetuoso de nossas aptidões adormecidas.

Na verdade, fomos educados a não ultrapassar os nossos limites, sejam eles sociais, biológicos e psíquicos. O habitual se torna, assim, uma sólida camisa de força, impedindo movimentos inconvencionais e, por isso, considerados perigosos. O homem normal (ou normalizado) é aquele que já não sente a sua camisa de força, pois se encontra, para sua desgraça, satisfatoriamente ajustado a ela.

O fenômeno paranormal é essencialmente catastrófico. Ele rompe todas as expectativas e fronteiras, afrouxa as camisas de força, fende as muralhas das certezas convencionais, muda a fisionomia estereotipada do homem e restaura o prestígio do inédito.” P. 18.

Apesar de ser um livro introdutório, é um livro longo, onde Borges traz muitas informações e uma vasta literatura sobre o assunto. Fala um pouco de tudo que permeia o mundo da Parapsicologia. Algumas histórias são simplesmente extraordinárias demais, difíceis de acreditar.

Não obstante, sou bem receptivo as interpretações que os Parapsicológos fornecem para vários acontecimentos anômalos. Acredito que são preferíveis as explicações que o espiritismo, catolicismo, ou protestantismo, nos dão.

Evidências sugerem que a paranormalidade é passada de pais para filhos

“Há indícios de que a aptidão paranormal seja hereditária e demonstra eletividade por certos povos, descontada, nesta hipótese, a influência dos fatores culturais e geográficos. Ela independe te sexo, idade, etnia ou inteligência. Pode ser permanente, intermitente ou se extinguir depois de certo tempo.” P. 22.

Paranormais são muito propensos as fraudes

“O Pe. oscar Quevedo apoia a opinião de Charles Richet, o qual afirma que os paranormais apresentam uma predisposição para a fraude. Parece-nos que muitos paranormais têm uma forte tendência à mitomania e ao narcisismo. E, como não podem produzir seus fenômenos à vontade, são levados, consciente ou inconscientemente, a praticar a fraude.” P. 34.

Aparição e visões de pessoas mortas

“A aparição de pessoa que acabou de morrer se reveste de extrema dificuldade, pois não se pode precisar, com rigor, o momento exato do falecimento. Apesar da cessação de todos os sinais vitais, ela ainda pode estar viva e, nesta situação intensamente dramática, influir telepaticamente sobre o psiquismo de outra pessoa, fazendo-a perceber o seu "fantasma". A aparição de pessoa que morreu há algumas horas é uma decorrência da retenção da informação telepática a nível inconsciente, fenômeno este que Myers denominou de latência telepática. Ou seja: o Agente Psi reteve, em seu psiquismo inconsciente, a informação da morte de determinada pessoa, só liberando-a para o nível consciente horas depois do acontecimento, sob forma de uma alucinação telepática visual.” P. 73.

Uma modalidade de aparição bastante conhecida popularmente é aquela de pessoa morta que sempre aparece num mesmo local, solicitando a quem passa por lá a celebração de uma missa em sua memória ou desenterramento de uma botija. Uma vez atendido o pedido, a aparição desaparece para sempre. Nós a denominamos de aparição de súplica. Temos de reconhecer que este tipo de aparição não é explicável como um fenômeno de psigama. É possível, utilizando a hipótese de Myers, admitir que o local se encontra impregnado da "energia pessoal persistente" da pessoa falecida a qual, segundo a sua intensidade, é suscetível de afetar as pessoas com predisposição paranormal, fazendo-as perceber a aparição e os seus sentimentos e desejos dominantes.” P. 77.

Não existe provas científicas de que possuímos uma alma/espírito

“A projeção da consciência enseja a discussão da possível existência de um corpo de natureza não física, como se ele fosse uma réplica do corpo físico. Ele é denominado de corpo astral, perispírito, psicossoma, corpo espiritual e corpo bioplásmico. Sob o ponto de vista científico, no entanto, a questão proposta ainda não ultrapassou o estágio da especulação metafísica.” P. 79.

As habilidades dos paranormais são usadas por vários governos

“A rabdomancia já vem sendo utilizada, para fins práticos, em vários países. Eis o que nos informa Lyall Watson (WATSON - SUPER-NATUREZA): 'Todas as principais companhias de àgua e de oleodutos nos Estados Unidos têm um rabdomante na sua folha de pagamento. O Ministério da Agricultura do Canadá tem um rabdomante permanentemente à sua disposição. A UNESCO contratou um rabdomante e geólogo holandês para efetuar investigações oficiais. Os engenheiros de duas divisões de fuzileiros navais dos Estados Unidos foram treinados durante a guerra do Vietnã para localizar com uma vara de rabdomante bombas e morteiros enterrados no chão. O exército da Tchecoslováquia tem um corpo permanente de rabdomantes reunidos numa unidade especial. Os departamentos de geologia das universidades de Moscou e Leningrado lançaram uma investigação em grande escala para apurar não se a rabdomancia funciona, mas como funciona’.” P. 88.

Curas espirituais são pouco eficazes

“Curandeiros que se utilizam de meios materiais (canivetes, bisturis ou outros instrumentos cortantes) no atendimento de seus pacientes, estão, na verdade, praticando sugestão dramatizada, principalmente quando se dizem agir sob o comando de "Espíritos" e colocando em risco a saúde das pessoas atendidas por eles[...] Muitas dessas ‘cirurgias’ chamadas inadequadamente de "cirurgias psiquicas" não passam de fraudes. Os ‘cirurgiões psíquicos’, na verdade, não agem psiquicamente, mas fisicamente sobre o corpo de seus crédulos pacientes. Essa famosa ‘Medicina Espiritual’ não passa de um procedimento terapêutico primitivo e mágico, cujas "curas", além de discutíveis, estão muito aquém dos resultados obtidos pela Medicina tradicional. [...] Na verdade, até o momento, a proclamada ‘Medicina Espiritual’ tem apresentado um baixo nivel tecnológico e muito aquém dos maravilhosos avanços da nossa Medicina acadêmica.” P. 144.

Poltergeist (espíritos perturbadores)

[...] em Parapsicologia, quem assombra um determinado local não é nenhum fantasma, mas sim, uma pessoa viva que, eventualmente, está passando por uma experiência paranormal.” P. 172.

“O ‘poltergeist’ pode ser produzido por pessoas mentalmente retardadas, ou deprimidas, ou reprimidas, ou instintivas, ou sob forte tensão emocional ou acometidas de paixão violenta, ou com sentimentos profundos de perda, revolta ou frustração. A proximidade da menarca ou da menopausa também constitui elemento facilitador do fenômeno. Concordamos, por isso, com o Pe. Quevedo (QUEVEDO - OS ESPÍRITOS E OS FENÔMENOS PARAFÍSICOS), quando observa que ‘a agressão por meios parapsicológicos é a saída encontrada pelo inconsciente, sem remorsos de consciência’.” P. 174.

"No ‘poltergeist’, é natural que o tumulto exterior cause uma trepidação interior nas pessoas que vivam essa inusitada experiência. E se aquelas que são, direta ou indiretamente, atingidas pelo fenômeno, tiverem predisposição para o sobrenatural, a presença de um líder religioso (padre, pastor, pai de santo, doutrinador espírita) é altamente prejudicial, concorrendo para agravar ou alimentar a intensidade do fenômeno, por atribuir ao fato uma causa espiritual. Exorcismos, invocações, "despachos" e outras práticas mágicas apenas contribuem para fragilizar emocionalmente as pessoas afetadas pelo fenômeno.

Uma vez convidado para investigar um aparente 'poltergeist', o parapsicólogo, inicialmente, examina a autenticidade ou não do fenômeno, analisando as possibilidades de fraude, ilusão ou alucinação. Constatada a realidade do ‘poltergeist, o parapsicólogo esclarece as pessoas envolvidas no fenômeno a respeito da natureza do fenômeno, providência essa que, como conseqüência, produz uma redução acentuada do clima emocional. Em seguida, o parapsicólogo procura identificar o provável Agente Psi, geralmente uma pessoa jovem, na transição biológica da infância para puberdade, numa faixa etária que varia de 10 aos 15 anos. Há casos, embora muito raros, de ‘poltergeist’ produzidos por pessoas adultas e até mesmo na fase do envelhecimento.

Identificado o Agente Psi, o parapsicólogo, agora, vai orientá-lo e também os seusfamiliares como comportar-se perante o fenômeno, prescrevendo-lhe exercícios físicos para consumir a energia biológica excessiva e, assim, evitar o seu extravasamento sempre incômodo e indesejável. E, principalmente, alertá-los a manter a serenidade por ocasião do fenômeno, visto que a emoção constitui o deflagrador e o intensificador do ‘poltergeist’. Em seu trabalho de investigação, o parapsicólogo deve ser rigoroso, afastando do local os curiosos, principalmente jornalistas e repórteres, mais preocupados com o espetáculo e com a notícia sensacionalista, cujas presenças prejudicam o tratamento do fenômeno. Entrevistas à imprensa só após a solução do ‘poltergeist’ e a autorização do Agente Psi ou de seus responsáveis.

Em nenhuma circunstâncias, o parapsicólogo deve afirmar, categoricamente, que o ‘poltergeist’ desaparecerá com as primeiras providências adotadas, mas esclarecer a família que a tendência do fenômeno é declinar, gradativamente, em tempo que varia de caso a caso, até ocorrer a sua completa extinção. E, principalmente, não perder a serenidade na eventualidade de algumas recorrências do fenômeno. Finalmente, se houver seqüelas emocionais decorrentes da experiência paranormal, o parapsicólogo deve encaminhar o Agente Psi a um psicólogo para o necessário tratamento psicoterápico. Esse é o procedimento que temos adotado em todos os casos de ‘poltergeist’ que investigamos e podemos assegurar que os resultados, até agora, foram plenamente satisfatórios.” P. 174-175.

sábado, 18 de março de 2017

A Bíblia e a Arqueologia


RICHELLE, Matthieu. A Bíblia e a Arqueologia. São Paulo: Vida Nova, 2017.

A Bíblia é um livro religioso alicerçado na história. Pelo menos, numa leitura normal e simples do texto, fica muito fácil ver assim. Ela menciona cidades, reis, costumes, impérios... Egito, Babilônia, Pérsia, Assíria... Seriam suas aventuras registradas naquilo que chamamos de Antigo Testamento factualmente fundamentadas na história? A Ciência da Arqueologia pode nos fornecer conhecimentos complementares sobre o texto bíblico? Os Arqueólogos têm algo a dizer sobre a veracidade ou inveracidade histórica sobre os vários eventos que aparecem nas páginas do texto sagrado? A Arqueologia confirma ou nega a Bíblia? Seria correto incorrermos nessa bifurcação? Ou o trabalho arqueológico é muito mais complexo do que essa formulação simplista de ou A ou B?   

Matthieu Richelle, Ph.D em Ciências Históricas e Filológicas na EPHE-Sorbonne, assevera que a Arqueologia não funciona nos limites desse maniqueísmo. As ferramentas de pesquisa dos Arqueólogos para decifrar os artefatos das antigas civilizações, podem ajudar na compressão do texto bíblico. Mas como é dito, a natureza dos achados é muito fragmentária. Os pesquisadores só têm acesso a uma porção ínfima dos artefatos. E eles ainda precisam ser datados, decrifrados e interpretados. Eis um desafio hercúleo para os estudiosos.  Não é nada fácil construir um conhecimento razoavelmente crível sobre os povos antigos. Deduções, induções, especulações, subjetividades, pressupostos metafísicos e metodológicos, estão a todo o momento no trabalho dos especialistas.

“Por mais empolgante que seja a descoberta de novos textos, seria ilusão pensar que é possível lê-los com facilidade. Nos casos das inscrições com caracteres cuneiformes, os especialistas podem encontrar até seiscentos sinais, cada um podendo ainda representar várias sílabas e ideais distintas. Mesmo os textos conservados em escrita alfabética (entre vinte e trinta sinais em geral) podem mostrar-se muito difíceis de decifrar. A tinta pode ter desaparecido em boa parte dele ou ter se misturado com manchas escuras. Os traços de textos cursivos, escritos rapidamente para registrar informações ou mensagens do cotidiano, não são mais fáceis de ler do que uma prescrição médica e exigem um olho bem treinado! Às vezes, é preciso utilizar um programa de tratamento de fotos no computador, modificar o contraste e as cores, para revelar a silhueta de uma letra.” P. 76.

Por essas e outras, deve-se ter muita cautela quando a mídia divulga uma descoberta muito importante e, que revolucionará o conhecimento naquela área. Em não poucas ocasiões há sensacionalismo em jogo.

“Por vezes, a mídia difunde prematuramente uma análise que em seguida se mostra errônea”. P. 79.

As próprias hipóteses feitas pelos Arqueólogos com frequência mostram-se falhas e inadequadas. Esquadrinhar o passado nunca foi fácil.

“Arqueólogos, portanto, propõem regularmente interpretações sedutoras, mas basta esperar alguns meses ou alguns anos para que apareçam outras análises, mais sóbrias e frequentemente mais justas.” P. 90.

A metodologia empregada está sempre mudando, evoluindo – isso contribui para que visões antes estabelecidas possam ser solapadas ou modificadas por novos paradigmas e olhares sobre as escavações.

“[...] os métodos progridem constantemente e, quando os arqueólogos, releem os relatórios de escavações realizadas há décadas, constatam que os protocolos de seus predecessores estão longe de satisfazer aos parâmetros científicos atuais. Ora, uma escavação é um ato de destruição, e não é possível voltar no tempo. Às vezes, os dados não registrados corretamente ou eram mal interpretados”. P. 97-98.

Depois de nos guiar pelas dificuldades intrínsecas do labor arqueológico, Richelle conclui:

“Diante de todos esses limites, a esperança que muitos têm na arqueologia às vezes se mostra ilusória. De tempos em tempos, mesclam-se a ela a má fé ou a ignorância. [...] Nesse tipo de situação, uma dose de subjetividade inevitavelmente entra em jogo na interpretação, segundo os pressupostos de cada um.”

“Por ora, é preciso concluir que, por mais impressionante que seja a luz lançada pelas descobertas materiais sobre a Bíblia, os limites da pesquisa arqueológica não são menos consideráveis. Isso não deve diminuir o fascínio que a disciplina legitimamente suscita, mas, sim, instigar o desejo de esclarecer essa paixão por meio de uma atitude prudente, o que tornará a pesquisa mais científica.” P. 99, 100. 

Estando cientes do caminho nada fácil que os especialistas têm que trilhar - em que pé estão às escavações concernentes aos relatos históricos da Bíblia? A ciência arqueológica confirma ou nega as histórias bíblicas, ou seria melhor abordar a questão de outra maneira, sem entrarmos nessa dicotomia?

“[...] Por um lado, se é normal que aqueles que atribuem importância à veracidade da Bíblia se alegrem com descobertas que a confirmem (e há muitas), não existe nenhuma razão para crer que os sítios sejam ‘reservatórios de confirmações, como se os vestígios existissem para conservar lembranças dos relatos bíblicos. [...] É, pois, totalmente ilusório pensar que se pode ‘provar a Bíblia’, por meio das descobertas feitas nas escavações, e é possível ser enganado em vão. Não somente nada garante que os vestígios e as inscrições que forneceriam uma confirmação de cada fato ou eventos bíblicos tenham sido preservados pelo tempo, mas também é bem evidente que jamais será possível verificar cada elemento dos relatos bíblicos, a começar pelos diálogos de seus personagens!” P. 106, 107.

Nos capítulos finais, o autor dá uma atenção especial às teses levantadas pelo respeitado Arqueólogo Israel Finkelstein (Professor da Universidade de Tel Aviv), em seu livro A Bíblia Desenterrada, que em português, a editora que não foi nenhum pouquinho besta, traduziu por A Bíblia Não Tinha Razão, um contraponto claro ao livro E a Bíblia Tinha Razão, do Jornalista Werner Keller, lançado ainda na década de 1970. Em seu livro, Finkelstein reduz a Bíblia a uma coletânea de livros que têm pouca relevância do ponto de vista histórico. Li o tal livro há uns dez anos ou mais. Richelle vem nos dizer que as ideias levantadas por ele, têm pouca aceitação entre os seus pares. A grande massa dos Arqueólogos e outros estudiosos não apoiam as conclusões do Finkelstein. E muitos deles não são cristãos e nem judeus ortodoxos, que em teoria, estariam ávidos por confirmar as histórias do Antigo Testamento.

“[...] praticamente todos os arqueólogos, experientes e novatos, que trabalham com a Idade do ferro, rejeitaram sua redatação como algo infundado”. P. 134. – Ziony Zevit, Ph.D na Universidade de Berkeley, na Califórnia, e ex-Professor da Universidade Hebraica de Jerusalém.

“Essa obra [A Bíblia Desenterrada], geralmente bem traduzida e de leitura agradável, visa a um público amplo, sobre o qual exerce a sedução de ser apresentada como ‘provada’ pela arqueologia. O especialista, porém, não se sente muito à vontade diante de tanta certeza, por um lado porque conhece os debates atuais acerca de certos dados da arqueologia material – em particular acerca da arqueologia dos séculos 9 e 10 – e, por outro, porque se espanta com tomadas de posição categóricas por parte de arqueólogos no domínio da crítica literária e da história da redação de textos.” P. 135. - André Lemaire, Historiador, Epigrafista e Diretor da Escola Prática de Altos Estudos, na França.

Alguns especialistas são citados, para corroborar a historicidade da Bíblia:

“Temos um nível regular de boas correlações, com base em fatos, desde aproximadamente 2000 a.C. (com raízes mais antigas) até 4000 a.C. Do ponto de vista da confiabilidade geral, [...] o Antigo Testamento se sai muitíssimo bem, desde que seus escritos e escritores sejam tratados de maneira justa e imparcial, de acordo com dados independentes, disponíveis a todos.” P. 122. – Kenneth Kitchen, Egiptólogo e Professor da Universidade de Liverpool.

“Não existe no momento nenhum caso em que uma inscrição extrabíblica tenha demonstrado que o relato bíblico de algum evento do começo do primeiro milênio antes de nossa era seja completamente falso.” P. 127. - Eric H. Cline, Arqueólogo, Ph.D em História Antiga na Universidade da Pensilvânia.

“Cada vez que uma inscrição menciona um rei de Israel ou de Judá, ela concorda com o texto bíblico; as inscrições que têm alguma relação com o texto bíblico não fornecem nenhum caso de contradição. [...] Afirmamos que nenhuma descoberta arqueológica se opõe de modo indiscutível a uma afirmação do Antigo Testamento.” P. 127. – Alan Milard, Professor na Escola de Arqueologia da Universidade de Liverpool.

Afirmações contundentes!

Em termos gerais, Richelle afirma que a Bíblia está em uma boa situação segundo a maioria dos Arqueólogos. Mas ele reitera várias vezes para os mais entusiasmados que tenham cuidado. A Arqueologia não prova a Bíblia! Mostra apenas que muitas de suas histórias são factuais. O labirinto do minotauro realmente existe, mas isso não quer dizer que um minotauro real tocava o terror aos infelizes que porventura, caíssem naquele lugar.

Tudo depende de como olhamos o Antigo Testamento. Olhamos para ele como livro inspirado pelo divino e inerrante? Se sim, então é impossível pensar na possibilidade de que ele contenha algumas incongruências históricas. Não seria justo, adequado e, até seria um pecado, vê-lo como impreciso em seus registros, segundo a visão dos crédulos.

A visão que temos dele é de um livro sujeito a todo tipo de erro, como qualquer outra literatura? Se a resposta é positiva, não tem porque pensarmos que a Arqueologia sempre o confirmará. O Arqueólogo pode ir a campo, aberto a todas as possibilidades – seja admitindo que o texto está se provando factível; ou considerando o texto impreciso, segundo o que as escavações revelam. Prefiro esta segunda opção.

Citando uma segunda vez essa fala do Richelle:

“Arqueólogos, portanto, propõem regularmente interpretações sedutoras, mas basta esperar alguns meses ou alguns anos para que apareçam outras análises, mais sóbrias e frequentemente mais justas.” P. 90.

Isso vale para todos: crentes e descrentes.

quinta-feira, 16 de março de 2017

Pecar e Perdoar


KARNAL, Leandro. Pecar e Perdoar. Rio de Janeiro; Nova Fronteira, 2014. (Versão em PDF).

Karnal (Ph.D em História na USP) era um cara que eu sempre via o povo comentar – amando-o ou o seu contrário. Como hoje as pessoas têm a mania chata de politizar tudo e todos, o Historiador careca, é claro, não escapou das adjetivações negativas daqueles que se auto-intitulam conservadores de direita; e dos que se auto-proclamam esquerdistas, o Professor da Unicamp, que antes era um intelectual recomendado, amado e aplaudido, agora já não é mais visto assim, pois não seguiu a cartilha ditada por eles, quando postou uma foto com o juiz Sérgio Moro.  

Fora dessas classificações, que considero pífias na maioria das vezes, só tenho elogios até o momento sobre esse autor. Escreve muito bem; é articulado no falar; expõe ideias e conceitos com bastante clareza e lucidez; e é um escritor bastante ético e comprometido em não ofender os seus leitores, por mais que isso seja impossível com os mais fundamentalistas, seja no espectro político ou religioso.

Karnal faz um esplendoroso passeio pelos elementos que estão incrustrados na tradição e teologia cristã. Perdão, pecado, orgulho, gula, inveja, sexo, virtude, oração, jejum, penitência... Às vezes pensei que estava diante de um pastor/padre habilidoso explicando as escrituras, dado ao seu conhecimento e respeito em lidar com temas religiosos, mesmo ele sendo ateu.

Grifei um terço do livro. Explanações fantásticas. Karnal além de exímio conhecedor da religião cristã mostra-se um ilustre conhecedor do comportamento humano. Repetindo: em certos momentos, parecia que estava diante de um pastor ou padre explicando com maestria as escrituras.

Ainda no comecinho, Karnal admite que o ateísmo, e não só a religião, matou milhões de pessoas. Isso é importante vindo de um Historiador ateu, visto que muitos neófitos do lado materialista batem o pé negando que houve assassinatos em massa em nome do pensamento ateísta.

“Se a Espanha ultracatólica matou milhares em nome de Deus na Idade Moderna; a União Soviética e a China de Mao mataram milhões em nome da racionalidade ateia e ‘científica’, ateus e religiosos já não podiam se apresentar para o debate de mãos limpas”. P. 11.

Fazendo um tour pelas histórias da Bíblia, Karnal dá um show de sabedoria em refletir sobre os mandamentos, regras, códigos, normas, leis divinas, conversas entre Deus e os homens e pecados. Adão, Eva, Noé, Satanás e sua queda...

A vida dos monges e místicos, como Santo Antão, Francisco de Assis, Inácio de Loyola, Tereza d´Ávila , e suas relações com Deus, com a moral religiosa, não passam despercebidas.

Falando sobre o moralismo, Karnal acerta na mosca:

“A identidade do moralista é construída no orgulho de não ser pecador. O moralista legisla contra o pecador, mas legisla para obter sua identidade. Aquele que faz regras, aquele que multiplica procedimentos, anseia pelo erro e pela infração da sua regra”.  P. 22.

E não é exatamente assim que ocorre, entre os donos da virtude e da moral? Orgulham-se de não estarem no time dos “pervertidos”. Corra para uma igreja, principalmente se ela for evangélica, e verás um exército de crentes vaidosos, por terem se “libertado” da vida de pecados. Eles adoram acusar a sociedade de seus supostos erros contra o divino. 

“Assim, ao ver um tuberculoso ou um portador de HIV, o moralista poderia, com prazer secreto pouco disfarçado, sorrir em paz porque o castigo do pecador era sua redenção moralista. [...] Estou indicando que a moral só se realiza, o código só é vitorioso e a norma só triunfa com a existência do infrator”. P. 22-23.

Karnal fala uma grande verdade, um pouco a frente:

“Se olharmos a história do Cristianismo, não seria errado indicar que o movimento que busca Jesus de Nazaré como fundador foi vitorioso, em parte, porque se afastou de Jesus de Nazaré. A vitória das instituições religiosas foi a vitória dos fariseus: a regra, as penitências, a aparência”. P. 25.

“Um alienígena que olhasse à distância estelar o desenvolvimento dos Cristianismos, diria que eles são um fracasso em relação à síntese que Jesus deu para os mandamentos. Amar ao próximo como a si mesmo? A Inquisição católica, a carta de Lutero recomendando matar os judeus, os calvinistas enforcando supostos feiticeiros em Salém: a história cristã é, basicamente, uma história de crimes. Acima de tudo, é uma história institucional de negação da solidariedade e da compaixão. O alienígena teria apoio amplo entre ateus e antirreligiosos deste planeta.” P. 43.

Ele está certo mais uma vez. Não é difícil constatarmos tal assertiva. Basta olharmos ao redor e vermos o comportamento das várias igrejas existentes. E voltarmos nossos olhares para o passado da igreja católica e da igreja protestante - veremos um amontoado de incongruências, busca pelo poder, matanças de inocentes e todo tipo de barbaridades. Os crentes, sejam católicos ou evangélicos, naturalmente e (muitas vezes) desonestamente, amenizarão os crimes de suas respectivas tradições de fé. Mas os fatos estão aí. Os fariseus ganharam. Com isso não quero dizer que sou contra as instituições religiosas, apesar dos pesares, elas cumprem um papel social importante, pois existem pessoas sérias e honestas, dispostas a ajudar e fazer do mundo, um lugar melhor para se viver. Karnal também vê dessa maneira. O fato de a cristandade ter um histórico de violência, não quer dizer que coisas boas também não existiram ou existem.

“Todos somos inquisidores. Eu que escrevo e você que me lê. Amamos legislar e indicar certo e errado. Além do pecado, legislar parece ser um dos maiores deleite s humanos. Legislar é indicar o quanto eu estou certo”. P. 26.

Arrisco dizer que o moralista religioso é o pior tipo de inquisidor. Talvez, devido ao atual contexto, poderia incluir também o moralista político. 

Entrando no terreno do pecado, porque pecamos? Por que fazemos coisas que sabemos estarem erradas?

“Aqui está uma parte fascinante do pecado. No plano cósmico e eterno, por que um ser inteligente como Lúcifer começa uma empreitada sem chance de êxito? No plano cotidiano e banal, por que eu como o que não devo, ou fumo, ou enfrento uma briga de trânsito? A resposta tentadora e fácil sai na hora: porque é bom. Bacon frito é melhor do que alface. Rebelião dá mais adrenalina do que submissão. O gosto do prazer imediato nubla a perspectiva do futuro. Peco porque erro o tempo: aposto no aqui e agora e desprezo o futuro distante. Miopia cronológica? Talvez.” P. 47.

Concordando com o autor de Eclesiastes, karnal diz que todos somos vaidosos e orgulhosos. Não tem escapatória. Até a virtude tem a sua vaidade. Vaidades das Vaidades. TUDO é Vaidade.

“O orgulho do bem: a vaidade da mulher virtuosa que olha para a adúltera; o sentimento de superioridade do político honesto diante do colega corrupto; o desdém vaidoso do aluno que estudou ao observar o colega que pratica fraude em uma prova. Há algo de profundamente vaidoso na virtude. O orgulho é, de longe, o primeiro e mais universal pecado”. P. 52.

O pecado principal, originador de todos os outros é o Orgulho.

“É o primeiro e mais vasto pecado e um que entra em todos os outros. Há orgulho em todos os pecados e também na maioria das virtudes”. P. 54.

Sobre o pecado da inveja, Karnal fala de forma majestosa sobre ele. O pecado do qual todos nós não admitimos que temos. Mas na realidade o cometemos diariamente. Não temos muito problema ou constrangimento de dizermos que somos orgulhosos e tal. Todavia, quem de nós admite que é invejoso?

“A inveja é um pecado envergonhado. Há quem bata no peito e diga que vive para o sexo, ou para a comida, ou para a vaidade estética. Mas, confesse meu caro leitor, você já encontrou alguém que diga que é muito invejoso? Já esbarrou com uma pessoa que reconheça que não pode ver a felicidade alheia que já cai em dor mortal como todo invejoso?” P. 57.

Fantástico o trecho a seguir:

“Invejar é ter dor pela felicidade alheia. O que me incomoda não é, exatamente, o que o outro tem, mas o quanto ele é feliz com isso. Não quero a casa do outro, mas fico incomodado como ele vive bem nela. Não invejo o corpo em si, mas o sucesso que o corpo dele faz. Não quero ter o que você tem, mas me perturba mortalmente que você o tenha”. P. 57.

“A inveja nunca é positiva. Eu não reconheço que o que você tem nasceu de algum esforço ou de algum acaso feliz. Apenas me incomoda sua alegria. Seu riso, seu sucesso, sua felicidade são chicotes nos meus ouvidos. Por isso a inveja é envergonhada: invejar é reconhecer-se inferior, ser menos do que alguém.” P. 58.

“O invejoso, em vez de olhar para si e para seu universo, vê apenas o outro. O invejoso é um cego espiritual, um míope ao menos, incapaz de se olhar, apenas se compara com o mundo externo. O centro do olhar do invejoso é o outro. Em linguagem moderna, falta psicanálise ao invejoso; ele não tem senso crítico sobre si e nem conhecimento das suas motivações. Em linguagem filosófica, o invejoso não cumpre o mandamento socrático de conhecer a si mesmo.” P. 58

“Qual é a raiz da dor causada pela inveja? Ela dói porque ela me reconhece menos. O que o outro parece conseguir de forma tão fácil, eu não consigo ou não tenho. Todos ao meu redor parecem mais leves. Comigo as coisas sempre parecem mais pesadas. A inveja dói porque me exclui dos eleitos e me coloca em um círculo nublado e opaco, ela aumenta minha solidão. Dói por dois lados: eu não sou assim e o outro é. Isso me diminuiu e exalta o outro. A inveja compara, amarga, envenena e pesa. Corrói como ácido fraco, pois não queima imediatamente e de forma total, mas desgasta pingando do teto do ressentimento uma estalactite aguda sobre mim.” P. 58.

Ele desnuda a alma humana. Parece um Psicólogo falando.

“Dourar a pílula da inveja é algo fortemente tradicional. Temos um arsenal analítico a nosso alcance. Não invejo seu corpo, apenas acho que você é superficial e se dedica mais ao físico. Assim, minha inveja vira virtude e eu sou uma pessoa profunda. É mais fácil do que reconhecer que, além de invejoso, tenho corpo ruim. Você é um político populista; eu digo a verdade aos meus eleitores, por isso não tenho tantos votos. Ou seja, você foi eleito e eu, não. Você é obsessivo com trabalho e não valoriza as coisas simples da vida. Em outras palavras: você ganha mais do que eu.” P. 62.

Somos todos invejosos – em maior ou menor escala. Lendo isso, sei o quanto invejo as pessoas, sejam elas amigas, colegas, apenas conhecidas e etc.

Se antes os monges sacrificavam sua carne, almejando agradar a Deus, se privando de muitos prazeres, hoje também sacrificamos nossos corpos, não mais para agradar a divindade, mas tendo em vista coisas mundanas. Trocamos o transcendente pelo imanente. A humanidade continua a sua saga em disciplinar os corpos - cada época visando finalidades distintas. Aniquilamos nossos desejos momentâneos, com vistas a um bem “maior”.

“É interessante notar como hoje, em período de tão forte descristianização nas cidades ocidentais, a domesticação do corpo esteja ainda em alta. Sacrifícios, dietas, exercícios, tudo vale nesta nova moral estética.

Os homens medievais cravaram cilício na carne, espinhos pontiagudos para castigar o domínio corporal. Os homens contemporâneos correm em uma esteira até se esgotarem. Os homens morais comiam pouco para jejuarem e demonstrarem como amavam a Deus. Os contemporâneos comem pouco para reduzirem sua taxa de gordura. Os homens de outrora perdiam parte dos prazeres da vida para terem acesso ao almejado prazer da eternidade. Nós, agora, abrimos mão de muitos prazeres pelo prazer da disciplina, da admiração física e que exaltem nossa contínua capacidade de disciplina e empenho. Na Idade Média, todo esse sacrifício chamava-se fé. Hoje, é mais comum que denominemos autoestima, empreendedorismo e coaching”.  P. 87.

Agora falando sobre o tormento mortal que ocorre no mundo cerebral dos cristãos mais convictos, eis mais uma verdade:

“Um elemento complicador faz da renúncia uma tarefa interpretativa e interessante. A possibilidade de Satanás entrar na alma de alguém e lhe dar pensamentos e desejos é tão real como a de Deus fazer a mesma coisa. Surge assim um problema: como distinguir pensamentos e desejos satânicos dos pensamentos e desejos divinos? Essa incerteza passa a atormentar os cristãos e fazer com que qualquer coisa que aconteça em seu corpo e em sua alma seja objeto de um implacável crivo interpretativo”. P. 105.

E gostem ou não, os mais convictos apologistas, o cristianismo, ou cristandade, como alguns preferem, apesar de ter trazido coisas boas para a civilização, também, graças às deduções teológicas de seus líderes, retardou certos benefícios médicos para a sociedade.

“Em um livro célebre, Stephanie Snow mostrou como a religião — mais especificamente, o Cristianismo — contribuiu para retardar a aceitação do uso de anestesia para aliviar a dor e o sofrimento dos pacientes. Na introdução do livro, ela afirma: ‘Na teologia cristã, a dor entrou no mundo após a desobediência de Eva no Jardim do Éden e permaneceu central para a humanidade.’ Em uma estrutura cristã, o sofrimento durante o parto, por exemplo, era considerado um lembrete necessário e permanente do pecado de Eva. A citação bíblica ‘Multiplicarei grandemente a sua dor na gravidez; com sofrimento você dará à luz filhos’ (Gênesis 3:16), era usada como um argumento para que o uso de éter ou clorofórmio fossem proibidos no parto. Era comum se acreditar que evitar a dor era agir contra a vontade de Deus, e isso teria impedido a imediata aceitação da anestesia”. P. 105.

Sobre a oração, Karnal tem isto a dizer:

“A oração funciona? Tenho certeza que, na maioria dos acidentes graves da aviação, muitas pessoas fizeram um sinal da cruz ou, ao menos, gritaram “meu Deus!”. E os aviões caíram. Suponho, igualmente, em todos os hospitais do mundo, religiosos de todos os credos fizeram preces por entes queridos que agonizavam e esses paciente morreram. Não é estatística, mas é algo possível de imaginar: de cada cem pacientes terminais ou casos graves e irreversíveis de doenças, digamos que um ou dois tiveram uma recuperação milagrosa, não explicável. Para a maioria absoluta, o milagre não ocorre. Se fosse uma medicação, a prece seria considerada, matematicamente, ineficaz. Mas continua sendo feita.” P. 164-165.

Ele está errado? Não, não está. Mas continuamos a orar. Pode até ser uma vez perdida, mas sempre dirigimos nossas preces para o alto, esperando alguma ajudinha de lá.

Paro por aqui. O livro é extraordinário. Karnal tem uma sabedoria ímpar em escrever.